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domingo, 28 de agosto de 2011

Cristologia moderna e teologia ateia

Se tem uma coisa da qual o filósofo Luiz Felipe Pondé não foge é polêmica. Assim foi no artigo "Qualquer golfinho consegue ser ateu" e na pendenga com as feministas pelo artigo "Restos à janela", apenas para citar dois exemplos. É no mínimo curioso (pra não dizer surpreendente) que venha dele um texto, publicado hoje na sua coluna da Folha de S. Paulo, sobre as tendências conflitantes da cristologia moderna, em que ele fala sobre o perigo de se tirar de Jesus a condição divina e deixá-lo apenas humano, o que seria muito parecido com uma "teologia ateia". Como o tema é muito vasto e demandaria discussões inesgotáveis, perdoa-se uma ou outra falha ou omissão aqui e ali, mas não deixa de ser um artigo muito interessante de se ler. Deus crucificado continua sendo um escândalo para os "sábios". A matéria pode servir, ainda, como um roteiro sobre como debater Jesus com a alta intelectualidade. Apesar da arrogância e auto-suficiência que a caracteriza, o texto de Pondé é uma evidência de que os intelectuais - cada um à sua maneira - também são pessoas carentes de Deus e existe espaço e momento para evangelizá-los. Confira:

Jesus do alto, Jesus de baixo

LUIZ FELIPE PONDÉ
COLUNISTA DA FOLHA


Afinal, quem foi Jesus? A pergunta é um clichê, mas movimenta rios de dinheiro e ideias. A figura do jovem herege judeu morto pelos romanos é peça-chave de nossa cultura e de nosso imaginário.

Qualquer iniciante sabe que heróis como esses são em parte uma "construção" histórica, no sentido de que muita gente e muita coisa se unem pra constituir a face (se é que existe "uma" face neste caso) do personagem. No caso deste judeu herege, o caso é mais sério porque muita gente crê que ele seja também Deus, além de homem.

O problema central acerca de Jesus é justamente sua "pessoa divina" e não apenas sua "pessoa histórica". Muito já foi escrito sobre isso. A partir do século 19, porém, o material se tornou mais "científico", no sentido de se buscar, afinal de contas, quem teria sido o Jesus histórico.

HEREGE JUDEU

Antes de tudo, por que eu me refiro a ele como um herege judeu? Porque o cristianismo nasceu uma heresia judaica e seu líder, ainda que nunca tenha dito (não há fonte documental que prove isso) que ele fosse o messias (salvador esperado pelos judeus até hoje), é um herege, visto como tal pela aristocracia religiosa judaica de sua época, por ter "criado" uma seita com seus seguidores.

Mais tarde, os seguidores diretos de Jesus passaram a pregar seu messianismo para comunidades judaicas "assimiladas" aos modos romanos ou gregos de viver (e que viviam em colônias romanas). A partir daí, a pequena heresia judaica se transformou no cristianismo que conhecemos.

O encontro com a erudita cultura greco-romana pagã deu à jovem heresia judaica sua cor filosófica e teológica, pela assimilação da filosofia de então --platonismo e estoicismo, basicamente. Em meio às discussões acerca da doutrina em nascimento, uma das questões centrais era saber quem era Jesus, no sentido teológico.

Muitos o consideravam "apenas" mais um profeta israelita, com vocação para falar aos pobres e oprimidos pela casta do templo judaico e pela ocupação romana. A fala de Jesus, ainda que não beligerante, tem a marca do profetismo hebraico do Velho Testamento (para os judeus "bíblia hebraica").

PROFETAS

E o que vem a ser esse profetismo? Basicamente uma crítica social, política e moral. Os profetas de Israel criticavam os "poderosos" por seus abusos e o povo por seu "relaxamento" moral. E a todos por viverem uma religião vazia e puramente (nos termos do rabino e filósofo judeu do século 20, Avraham Joshua Heschel) "behaviorista".

Dito de outra forma, uma prática religiosa sem coração ou conteúdo, apenas "exterior". Essa controvérsia será conhecida na tradição do cristianismo primitivo paulino como a oposição entre a lei e a intenção do coração no cumprimento da lei. Portanto, o cristianismo nasce sim com uma vocação de crítica do poder e dos costumes estabelecidos.

Outros afirmavam que Jesus era "apenas" um espírito, e seu corpo teria sido, em termos atuais, mero "holograma". Jesus não tinha, portanto, propriamente um corpo de carne e osso.
A vitória final (se é que se pode falar em vitória final nesse assunto) foi daqueles que defendiam que Jesus era homem e Deus ao mesmo tempo, tendo, portanto, duas substâncias, a humana e a divina, sem confusão entre elas.

RATZINGER

Um temor presente (ainda que de certa forma velado) nos estudos da cristologia levados a cabo por Joseph Ratzinger (Bento 16) em seus dois livros sobre Jesus é o risco de "revisão histórica" dessa vitória da hipótese de que Jesus seja homem e Deus.

"Jesus of Nazareth" [trad. Adrian J. Walker, Doubleday, 372 págs., R$ 55,70], publicado no Vaticano em 2007, traz uma extensa introdução metodológica acerca dos riscos de uma revisão histórica da pessoa divina de Jesus por conta das "modas metodológicas" contemporâneas em estudos bíblicos.

Afora essa introdução, o livro se ocupa basicamente dos primeiros anos públicos de Jesus e de sua "autoapresentação" como salvador único, e representante do Deus dos judeus.

"Jesus de Nazaré - Da Entrada em Jerusalém até a Ressurreição" [trad. Bruno Bastos Lins, Planeta, 272 págs., R$ 29,90] de 2011, se ocupa dos últimos dias de sua vida no mundo, e é inferior em comparação ao primeiro volume de sua cristologia.

Portanto, a empreitada de Ratzinger, além de ser uma busca pessoal da pessoa de Jesus, deve ser vista, em suas próprias palavras, como um esforço de entrada no debate cristológico contemporâneo por parte de um dos teólogos católicos vivos mais consistentes.

CRÍTICA LIBERAL

Qual seria esse debate e qual seria o risco implícito nele (ou, às vezes, quase resvalando numa "moda metodológica"), pelo menos aos olhos do papa teólogo? O risco de revisão histórica seria fruto de um movimento, que em si nunca teve intenção de revisão da divindade de Cristo, conhecido como crítica bíblica liberal, identificada com o protestantismo liberal alemão do século 19.

A intenção do movimento, muito pautada pelo caldo cultural do iluminismo, com vocação clara para declarar todo conhecimento não científico como vago e sem valor, era fazer um estudo histórico e documental da Bíblia e, dentro dele, da pessoa de Jesus de Nazaré.

Não se pode dizer que tenha sido apenas "culpa" dos alemães protestantes, pois católicos como o francês Renan também estavam à caça do "Jesus histórico".

Ainda em 1914, o filósofo judeu alemão Franz Rosenzweig, em sua "Teologia Ateia" (sem tradução em português), chamava a atenção para o mesmo risco que alimenta, veladamente, a busca de Ratzinger.

Para Rosenzweig, o protestantismo liberal alemão poderia concluir que Jesus era apenas um grande homem, pois as intenções inconscientes da crítica bíblica de então davam mais atenção ao que Jesus teria de humano e atenuavam seus aspectos "irracionais", a saber, sua suposta divindade.

Nos termos que Ratzinger usa em seu segundo volume sobre Jesus (e concordando de certa forma com parte do que a crítica especializada diz de sua obra sobre Jesus), sua cristologia pode ser vista como uma cristologia "do alto" em oposição a uma cristologia "de baixo" (ainda que ele recuse ser apenas um teólogo "do alto").

A diferença entre ambas é que a primeira daria maior atenção ao fato que Jesus é, antes de tudo, Deus intervindo na história, e a segunda optaria pelo caráter humano e histórico (portanto, político e social) de Cristo.

RECONSTRUÇÃO

A tendência da crítica bíblica liberal ao buscar a pessoa do Jesus histórico seria deslizar suavemente para privilegiar o personagem que habitou a Palestina em detrimento do que foi "construído" em cima dele por teólogos posteriores --lembremos que nos textos evangélicos em nenhum momento Jesus se diz Deus.

Assim sendo, a divindade de Jesus poderia sair arranhada, na medida em que estaria "fora" da reconstrução histórica possível.

O argumento metodológico de Ratzinger é que nada há de grandioso a ser "reconstruído" historicamente acerca de Jesus (sua arqueologia seria menor do que sua teologia), e que por isso o resultado seria apenas a projeção sobre o personagem histórico de Jesus dos preconceitos ou preferências dos próprios pesquisadores.

Essas preferências seriam basicamente a de "modernizá-lo" a ponto de torná-lo mais palatável a um mundo que tende a diminuir a divindade de Jesus em favor de um Jesus líder político e não Deus. O que inclusive facilitaria o diálogo inter-religioso contemporâneo.

Para Ratzinger, o Jesus que importa é o que nos fala diretamente de sua fonte primeira, os evangelhos, e não o dos "historiadores".

Outro lançamento é "Jesus - Uma Biografia de Jesus para o Século 21" [trad. Alexandre Martins, Nova Fronteira, 208 págs., R$ 39], do historiador "generalista" Paul Johnson.

O livro também segue a tendência de uma "teologia do alto", sem grandes diálogos com a crítica histórica, mas acaba sendo demasiadamente vago e confessional. Em nada acrescenta ao debate do século 21 sobre Jesus.

O de Ratzinger é melhor.

domingo, 2 de janeiro de 2011

O desenvolvimento humano de Jesus

por B. B. Warfield:

É na distinção de Lucas entre os evangelistas que recebemos uma narrativa, fundada, como ele nos diz, em uma investigação que “traçou o curso de todas as coisas acuradamente desde o princípio” (Lucas 1:3). Nós notamos a exatidão cuidadosa com que ele relata a atuação dos pais de nosso Senhor em “todas as coisas que eram de acordo com a lei do Senhor” - a circuncisão de seu maravilhoso filho, “quando oito dias foram cumpridos para circuncidá-lo” (Lucas 2:21); sua apresentação no Templo, “quando os dias de sua purificação de acordo com a lei de Moisés foram cumpridos” (Lucas 2:22); a visita anual a Jerusalém na festa da Páscoa (2:41); e outros. Também pertence, sem dúvida, a este escrupuloso (acriby) método de Lucas – se pudermos usar uma forma ainda mais inglesa que a palavra “acribia” reconhecida pelo Dicionário Padrão – que ele demarca para nós com cuidadosa precisão, os estágios do crescimento da criança. Ele de fato não distingue todos os oito stadia de desenvolvimento pelos quais a doce domesticidade da linguagem hebraica provê distintas designações. Mas com alguma astúcia ele traz Jesus perante nós sucessivamente como um “menino” (Lucas 2:16, 40, 43) em seu progresso ao estado adulto, e tudo isto dentro do domínio de um simples capítulo. O segundo capítulo de Lucas pode ser de forma justa considerado como uma história expressa do desenvolvimento do homem, Cristo Jesus; e ele expõe no que quase chega ao direto clamor de ser assim, por formalmente resumir em dois compreensivos versos seu inteiro crescimento da infância à adolescência e da adolescência à idade adulta, “E a criança cresceu”, nós lemos, “e se fortalecia, se tornando (mais e mais) cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava com ele” (v. 40). “E Jesus avançava em sabedoria e estatura, e em graça diante de Deus e dos homens” (v. 52).

Pareceria absurdo questionar que aqui está atribuído a Jesus o que poderia no completo sentido da palavra ser chamado de um desenvolvimento humano normal. A linguagem é carregada, de fato, com sugestões que esta era uma criança extraordinária: cujo crescimento nós estamos testemunhando, e seu desenvolvimento era um desenvolvimento extraordinário. Atenção é chamada também para seu progresso físico, intelectual e moral ou espiritual; e da mesma forma parece ser implícito que seu avanço era sólido, contínuo, rápido e destacável. Aqueles que olhavam para ele no berço veriam que, mesmo além do bebê Moisés de tempos antigos, este era um “menino formoso” (Hb 11:23), e dia após dia ele crescia e se fortalecia, e enquanto ele crescia em estatura, ele avançava também em sabedoria. Não somente em conhecimento, mas naquela habilidade instintiva na prática do uso do conhecimento, aquele discernimento moral e espiritual, que nós chamamos de sabedoria.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mãe de Deus, Encarnação e Trindade




A expressão Mãe de Deus - associada a Maria - desde o quarto século é uma expressão polêmica no meio cristão, e poucas pessoas compreendem seu real significado. Não é à toa que ela foi a principal causa de dois Concílios Ecumênicos e gerou uma das maiores controvérsias do cristianismo.


Hoje ela está automaticamente ligada ao catolicismo, e se tornou uma expressão mariológica, a exemplo de Theotokos (do grego Θεοτόκος), na ortodoxia oriental. Por isto mesmo, no meio evangélico, há uma espécie de aversão instantânea a esta expressão, o que faz com que as pessoas a rejeitem sem ao menos refletir sobre o seu real significado.


Desta maneira, poucos conhecem sua natureza cristológica, pois a expressão, quando foi criada, estava muito mais relacionada à divindade de Cristo do que a uma pretensa superioridade de Maria. Por isto lemos no Credo de Calcedônia:
Fiéis aos santos pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, constando de alma racional e de corpo; consubstancial, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado, gerado segundo a divindade antes dos séculos pelo Pai e, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, gerado da virgem Maria, mãe de Deus; Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, inseparáveis e indivisíveis; a distinção da naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos pais nos transmitiu.


Este credo é aceito por todas as denominações protestantes, com exceção das extremamente puritanas e de algumas seitas que renegam todo o passado da Igreja. É comum encontrar pessoas que a chamam de herética, talvez por associá-la - como que por reflexo condicionado - apenas ao catolicismo. Eu não sou dogmático, e não condeno ninguém por achar errado valer-se da expressão, como católicos a utilizam, e o fazem de forma forçada, a meu ver... só que o título Mãe de Deus não é heresia, como muitos alegam. Talvez haja discordância sobre o seu uso correto, mas não se trata de uma expressão herética. Isto se explica porque as duas naturezas de Cristo estão tão unidas, que a expressão é possível. Vejamos:


Sabemos que Cristo é um ser que possui duas naturezas, a saber, a humana e a divina. Estas naturezas estão intimamente ligadas no ser Jesus Cristo. Assim, o que acontece com uma natureza, acontece com todo o ser Jesus Cristo, e não com parte dele.


É como chorar. Quem desempenha a tarefa de chorar é o olho, mas quando choramos, ninguém diz que é o olho que está chorando, mas nós por completo. A pessoa chora, não apenas o olho.


O mesmo acontece com Cristo. Deus não pode chorar, não é propriedade de sua natureza. Mas na Encarnação, Deus pode chorar através de sua natureza humana. Então quando Cristo chora, Deus chora, pois suas naturezas são uma só em seu ser. Da mesma forma, um homem não pode ser adorado, mas por causa da união entre as duas naturezas, a natureza humana de Cristo recebe adoração como Deus.


Isto precisa ser assim, pois era necessário que Cristo experimentasse a morte, como o autor de Hebreus diz:
(Hb 9:15) E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna.
(Hb 9:16) Pois onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador.
(Hb 9:17) Porque um testamento não tem força senão pela morte, visto que nunca tem valor enquanto o testador vive.


Ora, se Deus não experimenta a morte, então nós não podemos receber nossa herança eterna!!! Imagine quão perigoso é isto para nossa salvação!!!


E aqui nós podemos perceber quão herético é o aniquilacionismo. Pois se a morte é aniquilação, Deus ao experimentar a morte teria sido aniquilado!!! Nós ao contrário cremos que a morte é uma separação do mundo material, não uma aniquilação do ser completo.


Então, o título "mãe de Deus" é válido sim, pois as propriedades de uma natureza são compartilhadas com a outra, pois Jesus é um ser (mais que) completo, íntegro e co-substancial em suas essências humana e divina. Assim, Deus não tem uma mãe humana, mas através de sua natureza humana ele tem uma mãe. Estas são as palavras mencionadas na confissão de Calcedônia e é como se deve entender esta expressão.


Complementando a idéia acima, sempre me chamou a atenção para o fato que a Bíblia chama muitas vezes Deus de "o Deus Vivo". Isto ela faz em contraste com os deuses mortos dos pagãos.


Bem, nós protestantes entendemos a morte como uma separação do mundo material. O morto não se comunica com este mundo mais, ele não se relaciona com ele. Talvez por isto o contraste bíblico... Os deuses pagãos são incapazes de se relacionar com este mundo, de salvar seus fiéis, de lhes dar esperança.


Já mencionei algumas vezes o fato de Deus ter que morrer como condição apresentada no livro de Hebreus, e muitos acharam a idéia absurda, talvez por que nesta hora pensem na morte como aniquilação... Mas o que acontece é que este não se relaciona mais com o mundo, pelos três dias, e por isto também a solução modalista de que somente Jesus é Deus, que o Pai e o Espírito Santo são modos de Jesus se revelar ao mundo, é herética da mesma forma. Como poderia o mundo ficar sem se relacionar com Aquele que o sustém? Deus deixaria de manter o mundo pelos 3 dias? Assim, a Trindade se impõe como doutrina não por uma manobra político-ideológica, mas como uma necessidade teológica absoluta para explicar a nossa salvação.

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