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sábado, 16 de setembro de 2017

Papa diz que quem nega aquecimento global é "estúpido"


E, cá entre nós, o papa pegou leve...

Chamar esses imbecis, para dizer o mínimo, de "estúpidos", até que ficou simpático.

A matéria é da BBC Brasil:

'O homem é um estúpido': a crítica do papa aos que negam mudanças climáticas

O papa Francisco citou a Bíblia para fazer duras críticas a líderes mundiais que se recusam a levar a sério as ameaças das mudanças climáticas.

"O homem é estúpido, é um teimoso que não vê", disse, atribuindo a frase a uma passagem do Antigo Testamento. Em seguida, emendou: "o homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra".

O pontífice disse que os recentes furacões Harvey e Irma mostraram que os efeitos das mudanças climáticas podem ser vistos "com seus próprios olhos".

"Quem nega as mudanças climáticas tem de perguntar aos cientistas. Eles são claros e precisos", assinalou o líder da Igreja Católica em conversa com a imprensa na sua viagem de volta a Roma, após uma visita à Colômbia.

Ele disse ainda que a história julgará os líderes mundiais que nada fazem para minimizar os danos causados ao meio ambiente.

Apesar de o papa associar o aquecimento global às tempestades que provocaram prejuízo milionário a ilhas do Caribe e aos EUA nas últimas semanas, nem todo mundo concorda com essa visão.

Momento inapropriado

O chefe da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, em inglês), Scott Pruitt, disse ser um momento inapropriado para discutir a relação entre aquecimento global e a passagem dos furacões pelo Caribe e EUA.

Pruitt, que anteriormente declarou não concordar que emissões de dióxido de carbono fossem uma das principais causas do aquecimento global, afirmou à rede de televisão CNN que a especulação sobre "as causas e efeitos dos furacões...são descabidas".

O chefe da agência americana disse que as discussões, nesse momento, deveriam focar nos esforços de limpeza.

O prefeito de Miami, Tomás Regalado, que viu a própria cidade ficar parcialmente submersa depois da passagem do furacão Irma, discorda. Ele declarou ao jornal Miami Herald que "agora é a hora de falar sobre aquecimento global". "É a hora do presidente (Trump), da EPA e de quem mais toma decisões de falar sobre mudança climática".

Podemos associar furacões mais devastadores às mudanças climáticas?

Matt McGrath, analista da BBC para assuntos de meio ambiente, afirma que furacões são fenômenos complexos, difíceis de prever, mesmo com ou sem o aquecimento global como pano de fundo das discussões.

Ligar a incidência e a gravidade do impacto dos furacões a mudanças climáticas, diz McGrath, também é difícil de provar, simplesmente porque são eventos raros e não existe uma quantidade significativa de dados históricos para serem analisados e comparados.

Mas o especialista pondera que há algumas certezas. A equação de Clausius-Clapeyron nos permite afirmar que atmosfera mantém mais umidade, diz ele. Para cada grau Celsius extra no clima, a atmosfera pode conter 7% mais de água. Isso tende a tornar as chuvas ainda mais fortes, quando ocorrem.

McGrath diz que outra certeza é que a temperatura dos mares está mais alta - e cita o cientistas Brian Hoskins, do Instituto de Mundanças Climáticas Grantham, que disse que "as águas do Golfo do México estão 1,5 graus mais quentes que a temperatura registrada entre 1980 e 2010".

O debate sobre mudanças climáticas saiu da pauta oficial do governo dos EUA depois que Donald Trump assumiu a Casa Branca.

O presidente dos EUA reverteu algumas leis de proteção ambiental - muita delas implementadas por Barack Obama. Trump também anunciou a intenção de retirar os EUA do Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países, como resposta global à ameaça da mudança do clima.

No entanto, não se sabe ao certo o que Trump pensa hoje sobre o aquecimento global. Em 2012, ele escreveu no Twitter que "o conceito de aquecimento global foi criado pela China" para prejudicar a competitividade da indústria norte-americana.

Responsabilidade de todos

O papa Francisco, por sua vez, não tem dúvidas sobre essa ameaça. Ele disse temer que o impacto será maior sobre os mais pobres, e critica abertamente quem não se disponha a agir contra o problema.

Suas declarações recentes foram vistas como críticas veladas a líderes como Trump.

"Eu não acho que seja algo para brincar. Cada pessoa tem sua responsabilidade, os políticos têm as suas."

- Desculpe, Sua Santidade, mas eu não acredito.
- Há esperança para todos, meu filho.
- Eu estou falando sobre mudança climática...
- Então, acho que não há esperança para você...




quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ter menos filhos talvez seja a melhor medida contra o aquecimento global


É esta a conclusão a que chegou um grupo de pesquisadores suecos, que também sugerem o vegetarianismo como opção.

No fundo, a imagem que passam, curiosa e contraditoriamente, é a do cobertor curto que não aquece ninguém em tempos gelados como os atuais.

Leia a matéria abaixo da BBC Brasil e nos diga se você concorda ou não:

Ter menos filhos é ação mais eficaz contra aquecimento global, diz estudo

Fernando Duarte

Um estudo publicado neste mês na Suécia prega que ter menos filhos é a ação que pode ter mais impacto no combate às mudanças climáticas.

Mas os pesquisadores da Universidade Lund recomendam tal controle da natalidade apenas em países desenvolvidos, usando como argumento o fato de que nações como os EUA, por exemplo, são responsáveis pelas maiores emissões de carbono na atmosfera (16 toneladas por ano de CO2 per capita) e, por isso, teriam que fazer cortes mais drásticos para atingir "níveis seguros de emissões".

De acordo com os termos do Acordo Climático de Paris, assinado em 2015, 195 países se comprometem a limitar a média global de aumento da temperatura em menos de dois graus Celsius.

Para isso, cientistas estimam que, até o ano de 2050, o volume de emissões per capita não possa ultrapassar 2,1 toneladas de carbono (no Brasil, segundo dados do Banco Mundial, a emissão é de 2,5 toneladas).

Seth Wynes e Kimberly Nicholas afirmam que a redução não poderá ser obtida sem que famílias ou indivíduos tenham um filho a menos, apesar desta não ser a única medida recomendada.

"Não estamos sugerindo que isso vire lei ou coisa parecida. Sabemos que a decisão de ter ou não filhos é talvez a maior que alguém pode ter na vida, e que muitas pessoas não têm o clima como fator preponderante. Vejo isso mais como uma questão pessoal do que de política pública", afirmou Nicholas, em entrevista à BBC Brasil.

"Apenas quisemos mostrar o impacto que decisões pessoais podem ter nos esforços de prevenção de mudanças climáticas. É importante que as pessoas saibam dessas coisas em suas vidas. Especialmente quando mostramos que ações como a reciclagem ou o uso de lâmpadas LED", completa a especialista.

As conclusões são derivadas de análises e cálculos que, segundo os pesquisadores, levam em conta uma gama de ações individuais, das mais complexas como o controle da natalidade às mais simplórias como a reciclagem de lixo.

Wynes e Nicholas concluem, por exemplo, que ter um filho a menos contribuiria para uma redução média de 58,6 toneladas de CO2 na atmosfera por ano, uma quantidade muito maior que as outras três principais alternativas recomendadas: viver sem carro (2,4 toneladas), evitar viagens de avião (1,6) e adotar uma dieta vegetariana (0,8).

O impacto da opção por menos filhos teve como base de cálculo o total estimado de emissões dos filhos e demais descendentes divididos pela expectativa de vida dos pais.

A questão do crescimento populacional já faz parte dos debates sobre impacto humano no meio ambiente e, na última semana, um estudo publicado por acadêmicos da Universidade Stanford (EUA) culpou humanos pelo que classificou como "aniquilação biológica" - a extinção em massa de bilhões de espécies por causa da superpopulação e do consumo.

Segundo Nicholas, não há um número "mágico" de filhos a ser tidos ou evitados para obter um melhor resultado ambiental. Para Wynes, que também falou à BBC Brasil, as características de desenvolvimento dos países deve ser levado em conta no cálculo. No caso do Brasil, um país ainda em desenvolvimento, o consumo de carne e a quantidade de emissão per capita é muito inferior ao dos habitantes dos países altamente desenvolvidos. Por isso, as emissões são menores por pessoa e a diminuição no número de filhos não seria tão significativa.

"Nosso estudo se limitou a avaliar as grandes oportunidades de redução individual de emissões em países em que há as maiores taxas per capita desse tipo de poluição. Naturalmente, escolher ter famílias menores tem um impacto menor no Brasil. Nos países mais prósperos, o consumo de carne é mais alto, e isso aumenta o gasto de água, a necessidade de pastagens e também a liberação de gases. Daí que ter um membro a menos na família em países como os Estados Unidos é relevante para o meio ambiente", diz Wynes.

Em conjunto com a redução do número de filhos, a adoção em massa de uma dieta baseada em vegetais é uma medida importante no combate ao aquecimento global, aponta Wynes. "Queremos chamar a atenção para um fator que terá influência justamente sobre o futuro das próximas gerações, que herdarão o mundo. E não mostramos apenas a questão populacional, mas também o impacto de uma dieta vegetariana e de uma vida sem carro. Elas também têm impacto positivo", conclui Nicholas.



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Marcha pela Ciência movimenta o mundo contra Trump


Parece que a Marcha para Jesus está ganhando uma concorrente, segundo noticia o Estadão:

Marcha em prol da Ciência une diversos países

Organizado em resposta ao discurso anticientífico do presidente americano Donald Trump, ato visa conscientizar lideranças políticas a levar em consideração evidências científicas antes de elaborar e colocar em prática políticas públicas

Mais de 600 cidades espalhadas por quase 70 países tiveram suas ruas tomadas neste sábado, 22, por milhares de cientistas e apoiadores num protesto internacional em defesa da Ciência. Organizada em resposta ao discurso anticientífico adotado pelo presidente americano Donald Trump, que já classificou o aquecimento global como uma farsa, a Marcha da Ciência teve por objetivo conscientizar as lideranças políticas a levar em consideração evidências científicas antes de elaborar e colocar em prática suas políticas públicas. No Brasil, 24 cidades aderiram ao ato.

No Rio, ainda pela manhã e sob chuva, cerca de 150 pessoas participaram da manifestação em frente ao Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Elas protestaram contra os cortes no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, que chegam a 44% e resultam na redução de bolsas acadêmicas e de investimentos em pesquisas e em laboratórios.

Estudantes e professores de universidades do Estado, como a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), além da UFRJ, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e de entidades de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz, levaram cartazes com dizeres como "Ciência não é gasto, é investimento" e tesouras gigantes, numa crítica aos cortes.

Eles gritaram palavras de ordem contra o presidente Michel Temer (PMDB) e o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e destacaram em suas falas os riscos da falta de financiamento, no longo prazo, para o desenvolvimento da ciência no País. Citaram também o desestímulo para as novas carreiras representado pelas reformas trabalhista e da previdência do governo federal, e pelas novas regras para a terceirização.

"Os cortes já vinham desde 2013, sempre com a alegação da crise, e se aprofundaram. Não há justificativa, é uma política equivocada, e que pode provocar um retrocesso grande. Ciência é algo que não se constrói da noite para o dia, mas que é fácil de destruir", disse o vice-presidente da SBPC, o físico Ildeu Moreira. "O auge dos investimentos foi em 2010, mas nunca chegamos a ter 1,2% do Produto Interno Bruto, quando países como Coreia do Sul e Israel têm 4%".

"Temos que reagir. Mostrar à sociedade brasileira que a ciência está de pé, afirmar o valor da educação. Se não há bolsas, se os laboratórios estão desconstruídos, damos uma sinalização objetiva para que os jovens se afastem da ciência", disse o reitor da UFRJ, Roberto Lerer. A instituição acumula déficit de R $ 160 milhões.

"Esperamos que este não seja um projeto de desmonte da ciência, que seja algo conjuntural e reversível", afirmou o diretor do Instituto Oswaldo Cruz, Wilson Savino. O MCTIC informou que está avaliando o impacto da redução orçamentária e pediu aos seus institutos que apresentassem prioridades e necessidades para 2017, na expectativa de que parte dos recursos seja descontingenciada ao longo do ano.

Mundo. Em Sidney, na Austrália, cientistas vestidos com túnicas brancas afirmavam que, numa época de tantas notícias falsas, o que o mundo precisa é de pensadores, não de negadores. Em cartazes, diziam ainda que “sem ciência é só ficção”. Na Áustria, o protesto lotou o Parque Sigmund Freud, em Viena, onde cientistas ressaltavam que “ciência não é opinião”. Em Bogotá, na Colômbia, o protesto teve o mesmo tom, reafirmando que a ciência é “indispensável”.

Em Washington, nos EUA, a marcha estava marcada para começar no entorno da Casa Branca e terminar em frente ao Capitólio, a sede do Congresso americano. De manhã, antes do início do ato, manifestantes já protestavam contra Trump, com os dizeres: “Tornar a América Inteligente de Novo”, em paródia ao slogan de campanha de Trump, “Tornar a América Grande de Novo”.

A administração Trump é cética em relação à contribuição da ação humana para o aquecimento global e ameaça abandonar o Acordo de Paris sobre o clima. O presidente americano também determinou cortes no financiamento à pesquisa científica e revogou uma série de regulamentações de caráter ambiental. “Esse governo nega o aquecimento global, o que contraria toda a evidência científica nesse sentido”, disse a cirurgiã veterinária Allison Haley, presente na marcha.

Muitos dos participantes da marcha eram cientistas, como o químico ambientalista Barnabas Vandevender. “Parece que integrantes da atual administração dizem coisas que não são baseadas em fatos”, afirmou. “A ciência é importante para todos e cria melhorias que beneficiam todo mundo.”

A escritora Mag Masey disse que estava na marcha para defender que o dinheiro de seus impostos seja investido em pesquisa científica. “Assim nós podemos ter um mundo melhor amanhã”, observou.



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Fator Trump acelera o relógio do fim do mundo


Parece que, neste caso, a ordem dos fatores altera significativamente o produto.

A informação curiosa é da BBC Brasil:

Para grupo de cientistas, mundo pode estar mais próximo do apocalipse

Um grupo de cientistas diz que o mundo se aproximou do apocalipse no último ano, diante de um cenário de segurança que vem se tornando obscuro e dos comentários do novo presidente americano, Donald Trump.

O Boletim dos Cientistas Atômicos (BPA, na sigla em inglês) moveu o ponteiro do relógio Doomsday, que simboliza quão próximos estamos de uma hecatombe, de três minutos para dois minutos e meio antes da meia-noite - quanto mais perto dela, mais iminente está o fim do mundo, na avaliação dos pesquisadores.

É o mais próximo que o relógio chegou da meia-noite desde 1953, quando o ponteiro foi movido para dois minutos por causa de testes de bomba de hidrogênio feitos pelos EUA e pela Rússia.

Em um relatório, o BPA disse que as declarações de Trump minimizando as mudanças climáticas, a expansão do arsenal nuclear dos EUA e o questionamento acerca das agências de inteligência contribuíram para o aumento do risco global.

A chefe da BPA, Rachel Bronson, pediu aos líderes mundiais que "acalmem mais do que alimentem as tensões que podem levar à guerra".

O que é o relógio Doomsday?

O ponteiro dos minutos no Relógio do Juízo Final é uma metáfora de quão vulnerável à catástrofe o mundo está.

O dispositivo simbólico foi criado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos em 1947 - o BPA havia sido fundado na Universidade de Chicago em 1945 por um grupo de cientistas que ajudaram a desenvolver as primeiras armas atômicas.

Hoje, o coletivo inclui físicos e cientistas ambientais de todo o mundo, que decidem como ajustar o relógio após consultar também o Conselho de Patrocinadores do grupo - que inclui 15 prêmios Nobel.

Por que ele se moveu meio minuto para mais perto da meia-noite?

Nos últimos dois anos, o ponteiro do Relógio do Juízo Final permaneceu fixado em três minutos antes da meia-noite. Mas o BPA diz que o perigo de desastre global é ainda maior em 2017, e decidiu mover o marcador 30 segundos para a frente.

"Os comentários perturbadores sobre o uso e proliferação de armas nucleares feitos por Donald Trump, bem como a descrença no consenso científico sobre a mudança climática expressa por Trump, e por vários dos nomeados para o seu gabinete, afetaram a decisão da diretoria, assim como o surgimento de nacionalismo estridente em todo o mundo."

Outros fatores listados no relatório da BPA incluem dúvidas sobre o futuro do acordo nuclear do Irã, ameaças à segurança cibernética e o surgimento de notícias falsas.

A decisão da diretoria de mover o ponteiro em menos de um minuto - algo que nunca fez antes - é porque Trump só recentemente assumiu o cargo e muitas de suas nomeações ainda não estão atuando no governo.

Como a ameaça se compara aos anos anteriores?

Quando foi criado em 1947, os ponteiros do relógio estavam em sete minutos antes da meia-noite. Desde então, isso mudou 22 vezes, variando de dois minutos para a meia-noite em 1953 a 17 minutos para a meia-noite, em 1991.

O relógio foi ajustado pela última vez em 2015, quando foi transferido de cinco para três minutos antes da meia-noite, diante de perigos como as mudanças climáticas e a proliferação nuclear. Esse foi o mais próximo que ele chegou da meia-noite em mais de 20 anos.

A última vez em que esteve no patamar dos três minutos foi em 1984, quando as relações entre os EUA e a União Soviética atingiram seu ponto mais crítico.


Donald J. Trump: um país e um planeta que não se reconhecem mais...




terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Cardeal africano diz que controle de natalidade pode reverter mudanças climáticas


A matéria é da BBC Brasil:

Controle de natalidade pode combater mudanças climáticas, diz cardeal próximo ao papa

Um dos principais prelados da Igreja Católica afirmou que o controle de natalidade poderia "oferecer uma solução" aos impactos das mudanças climáticas globais.

O cardeal Peter Turkson, de Gana, principal conselheiro do papa Francisco para questões climáticas, afirmou à BBC que a Igreja nunca se opôs ao planejamento familiar natural.

Em entrevista em Paris, o cardeal fez um apelo por um acordo na Conferência do Clima da ONU - a COP21, em curso até sexta-feira - que proteja as nações mais vulneráveis. Turkson disse que a mudança climática é um desastre ecológico iminente.

Acredita-se que o cardeal tenha desempenhado papel significativo na produção da "Laudato Si", a encíclica do papa sobre ambiente.

Bocas a alimentar

A Igreja Católica adotou recentemente uma atitude mais ativa sobre o tema, encorajando fiéis a participar de marchas de ativismo ambiental antes do início da COP21. A Igreja também aumentou seu envolvimento na própria negociação do clima na ONU.

O cardeal Turkson sugeriu que o controle de natalidade possa minimizar alguns impactos da mudança do clima, sobretudo a escassez de alimentos em um mundo de temperaturas mais altas.

"Isso já foi discutido, e o Santo Padre, ao voltar de uma viagem às Filipinas, também convidou as pessoas a adotar alguma forma de controle de natalidade, porque a Igreja nunca se opôs ao controle de natalidade, a pessoas criarem intervalos entre nascimentos e tudo isso. Então sim, isso pode oferecer uma solução", afirmou.

"Ter mais bocas para alimentar é um desafio de produtividade para nós, e essa é uma das principais questões sendo discutidas aqui (na COP21): o cultivo, produção e distribuição de alimentos."

"Então, sim, isso nos engaja em uma gestão da segurança alimentar, para garantir que todos sejam alimentados. O volume de população necessário para isso é algo que ainda precisamos descobrir, mas o Santo Padre também já se manifestou por uma certa dose de controle de natalidade."

O cardeal destacou que métodos artificiais de controle de natalidade, como a pílula anticoncepcional, ainda estão fora de cogitação sob o ponto de vista do Vaticano.

O controle de natalidade sempre foi um tema controverso na Igreja Católica, sobretudo em sua relação com as mudanças climáticas. A população global de 7 bilhões de pessoas deve atingir 9,7 bilhões no meio do século, segundo a ONU. Contudo, esforços para limitar o tamanho das famílias em países em desenvolvimento já foram criticados como uma suposta forma de imperialismo.

Além de reiterar a crença da Igreja em métodos naturais de controle de natalidade como forma de enfrentar impactos do aquecimento global, o cardeal disse que um acordo final forte na conferência climática de Paris seria fundamental para lidar com as causas do problema.

"Para nós, uma coisa deve predominar. Precisamos (...) adotar uma medida que possa assegurar a existência de todos. Nossa profissão de amor por Deus precisa conduzir nosso amor à obra de Deus, ao que Deus fez, então tenhamos amor pela criação e pelos seres humanos."



sábado, 8 de agosto de 2015

Derretimento das geleiras vai revelando cadáveres montanhas afora

Linda imagem do amanhecer no Matterhorn, capturada pelo fotógrafo Mark Andreas Jones

A macabra informação vem da BBC Brasil:

Degelo de montanha suíça revela ossos de japoneses desaparecidos em 1970

Restos mortais encontrados na montanha de Matterhorn, na Suíça, foram identificados como sendo de dois alpinistas japoneses desaparecidos 45 anos atrás. Segundo a polícia, testes de DNA comprovaram que os ossos pertencem aos dois, que sumiram no local em 1970.

Os ossos foram encontrados em setembro passado, a uma altitude de cerca de 2.800 metros. São os mais recentes surgidos na Matterhorn, que tem 4.478 metros de altura e passa por um processo de derretimento de suas geleiras.

Segundo a agência de notícias AFP, o consulado japonês em Genebra identificou os alpinistas como sendo Michio Oikawa e Masayuki Kobayashi. Eles tinham 22 e 21 anos, respectivamente, quando desapareceram.

O consulado ajudou a polícia a procurar integrantes das famílias para as comparações de DNA.

Outros casos

Com o derretimento de geleiras dos Alpes provocado pelo aquecimento global, restos mortais de alpinistas desaparecidos há décadas vêm emergindo.

Em 2013, um piloto de resgates descobriu, perto do topo da Matterhorn, restos mortais e equipamentos de escalada que pertencem ao alpinista britânico Jonathan Conville, que sumiu em 1979.

No ano passado, o corpo de um alpinista checo, desaparecido após um acidente ocorrido 40 anos atrás, foi encontrado nos Alpes Berneses.



segunda-feira, 20 de julho de 2015

Estamos comendo carne demais


A matéria é do IHU:


A carne do futuro será a do passado.
Consumo de carne cresce em ritmo acelerado e pode se tornar insustentável


Na coroação da rainha Isabel II, em 1953, foi servido frango, uma ave que pode parecer muito pouco nobre para um momento de pompa como este. Daquela cerimônia nasceu uma das receitas britânicas mais famosas, a Coronation Chicken. A partir de então, o consumo de carne no Ocidente acelerou-se de forma tão espetacular que aquilo que era extraordinário agora é comum. Só entre 1990 e 2012, segundo dados da FAO, o número de frangos no mundo cresceu 104,2%, passando de 11.788 para 24,7 bilhões, e o gado bovino, muito poluidor para o meio ambiente, passou de 1,4 bilhão para quase 1,7 bilhão de cabeças (um aumento de 16,5%). O problema está em saber se o planeta tem condições para suportar este aumento: um estudo de 2013, também da organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura, garante que a produção da carne é responsável por 14,5% das emissões de carbono e que, ao mesmo tempo, nos países desenvolvidos o consumo de carne cresce em torno de 5% ou 6% ao ano. “O gado tem um papel muito importante na mudança climática”, concluía a FAO.

A reportagem é de Guillermo Altares e publicada por El País, 15-07-2015. A tradução é de André Langer.

“A nossa alimentação está baseada em produtos de origem animal e sabemos que sua repercussão ambiental é muito grande”, explica Emilio Martínez de Victoria Muñoz, ex-presidente do Comitê Científico da Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição. “Um quilo de carne é muito menos sustentável que um quilo de verduras”. O antropólogo Jesús Contreras, do Observatório da Alimentação, assinala: “Se todos os habitantes da China consumissem a mesma quantia de carne que nós, seria insustentável. Temos um problema de sustentabilidade, porque mantemos uma alimentação energeticamente muito cara”.

A carne sofreu várias crises. Por um lado, existem os conselhos médicos relacionados ao excessivo consumo de determinadas variedades (suínos, carne vermelha). Por outro lado, como ocorreu com as vacas loucas, há as polêmicas provocadas pelos produtos com os quais se alimenta o gado. Mas o grande problema envolvido em seu consumo tem agora muito mais a ver com o meio ambiente do que com a saúde. A chamada pegada de carbono, que mede os recursos necessários para produzir algo, é gigantesca no caso da carne, tanto que ninguém acredita que se possa manter o ritmo atual. Novamente segundo a FAO, no conjunto dos países desenvolvidos consumiam-se em média 60 quilos de carne em 1964; agora são 95,7 e calcula-se que serão 100,1 em 2030.

O jornalista Andrew Lawyer, que acaba de publicar um livro sobre a história dos frangos, Why did the chicken cross the world? (Por que o frango cruzou o mundo?), garante não poder calcular o número de aves que são sacrificadas diariamente no mundo: “Não existem estatísticas, mas estou seguro de que são dezenas de milhões. O consumo de frango cresce muito rapidamente. Quanto mais urbanizados são os países, mais ovos e frangos consomem”. A Espanha passou de uma produção de 836 mil toneladas de carne de aves para 1,3 milhão entre 1990 e 2013.

A carne representa uma indústria muito importante na Espanha. Segundo os últimos dados disponíveis da associação de produtores de carne, em 2013 o país exportou 1,57 milhão de toneladas pelo valor de 4,2 bilhões de euros. Com 3,4% da produção mundial, a Espanha é, além disso, o quarto maior produtor de carne suína, atrás apenas da China (que produz 50% da carne suína do mundo), dos Estados Unidos (10%) e da Alemanha (5,3%). Ao mesmo tempo, é o segundo país europeu em produção, representando 16% do total.

Esse mundo industrial, do qual vivem milhares de pequenas economias – basta recordar a crise que houve em Burgos no final de 2014 quando um incêndio destruiu a fábrica de Cantimpalos –, pode ser encontrado na localidade de Cantimpalos, com 1.400 habitantes, 16 indústrias de embutidos e uma produção de chouriço de 42 toneladas em 2013: “O setor de suínos não tem ajudas comunitárias”, explica Pedro Matarranz (foto abaixo), um pequeno produtor. “Este povo vive das indústrias de embutidos, da pecuária ou da agricultura”, afirma.

Sob o calor de julho no planalto da Segóvia, uma visita à sua pequena propriedade mostra as enormes dificuldades do ofício, desde o manejo de cerca de 500 toneladas de esterco ao ano (apesar de que ele utilize sobretudo palha) para transformá-los em adubo até as enormes medidas de segurança alimentar. Também em escala familiar, que beira o artesanal, a carne de porco requer um esforço energético muito grande.

“A alimentação do futuro será a alimentação do passado”, explica Sandro Dernini, assessor da FAO. “A pegada de carbono da produção de proteínas animais é enorme”, assinala. “Este ofício mudou muito pouco em 200 anos”, explica Jesús González Veneros (ver primeira foto), um pecuarista de Ávila, enquanto aponta para as manchas pretas em um morro distante da Sierra de Gredos. Um olho inexperiente é incapaz de distinguir o gado, mas ele o localiza perfeitamente. Para chegar até ali precisa de um cavalo, como seu bisavô, seu avô e seu pai, que também eram criadores de gado. Estas propriedades representam a máxima expressão de uma carne ecológica, da qual depende um ecossistema econômico e social, mas é impossível que por meio deste tipo de propriedade se consiga sustentar a demanda mundial, salvo se reduza drasticamente o seu consumo.

Este problema se coloca, além disso, em um mundo no qual em torno de 900 milhões de pessoas passam fome diariamente. Como assinala a FAO, o setor de carnes enfrenta um desafio impossível de aumentar a produção diante de um crescimento da demanda e da população do planeta e a necessidade de frear ao mesmo tempo as emissões.



domingo, 18 de janeiro de 2015

2014 foi o ano mais quente registrado na história


A matéria é do Estadão:

Ano de 2014 foi o mais quente já registrado na história

Dados da Agência Oceânica e Atmosférica mostram que temperatura média global foi 0,69°C mais alta que a média do século 20

A Agência Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, confirmou nesta sexta-feira, 16, que 2014 foi o ano mais quente desde que as temperaturas globais começaram a ser registradas, em 1880. O recorde anterior, considerando as médias globais de temperatura sobre os oceanos e os continentes, havia sido registrado em 2010.

A Nasa, a agência espacial norte-americana, produziu uma análise independente com base nos mesmos dados e também concluiu que 2014 foi o ano mais quente já registrado, em comparação ao período que vai de 1951 a 1980.

Segundo a NOAA, os dez anos mais quentes já registrados desde 1880 ocorreram entre 1998 e 2014, o que fortaleceria a tese de que o aquecimento global é consequência de emissões humanas de gases de efeito estufa. O relatório também indica que as temperaturas médias de dezembro de 2014 foram as mais altas já registradas para o mês no mundo.

As temperaturas globais medidas ao longo de 135 anos indicam, segundo a NOAA, uma tendência de aquecimento global de longo prazo. Desde 1976, as médias anuais de temperatura têm sido maiores do que a média geral do século 20.

Em 2014, a temperatura média global sobre os oceanos e continentes foi 0,69°C mais alta do que a média do século 20. A marca, sem precedentes, superou os recordes registrados em 2005 e 2010, quando a temperatura média superou em 0,04°C as médias do século 20.

Considerando apenas a superfície dos continentes, a média global em 2014 foi 1°C mais alta do que as médias do século 20 - a quarta mais alta desde 1880. Ao analisar somente a superfície dos oceanos, a temperatura média global em 2014 foi 0,57°C mais alta que as médias do século 20. É a maior marca já atingida, ultrapassando os recordes registrados em 1998 e 2003, que superaram a média do século 20 em 0,05°C.

Segundo a NOAA, com o contínuo aquecimento, os recordes de calor registrados em 1998 agora são ultrapassados a cada quatro ou cinco anos.

Alerta. Segundo o secretário-geral da ONG brasileira Observatório do Clima, Carlos Rittl, o recorde de temperatura de 2014 deve ser entendido como mais um alerta para a urgência que as alterações climáticas globais representam. “Esse recorde confirma o que já se sabia: as mudanças climáticas são o maior desafio da humanidade neste século. Não é algo que podemos deixar para depois. Esses dados são um chamado à ação e à responsabilidade, envolvendo todas as nações. É urgente que os países deem uma resposta à altura e cheguem a um acordo robusto e ousado de corte de emissões.”

Segundo Rittl, a tendência de aumento da temperatura não deixa mais espaço para o ceticismo em relação às mudanças climáticas. “A urgência é muito grande e não há mais tempo para dar ouvidos a quem nega o óbvio. A ciência mostra que o problema é grave e tende a piorar. É hora de parar de discutir e começar a agir.”

Mais emissões. De acordo com André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, os dados da NOAA e os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) mostram uma curva ascendente das médias de temperatura nos últimos anos.

“O aquecimento global é uma realidade que já está confirmada e já interfere no nosso cotidiano. Esses relatórios mostram que a tendência é que a temperatura aumente cada vez mais nos próximos anos.”

Segundo ele, “o avanço das emissões e das temperaturas já tem impactos na disponibilidade hídrica, como se tem visto em São Paulo, na produção de alimentos, na biodiversidade e em muitos outros setores”.



quarta-feira, 25 de junho de 2014

Maio foi o mês mais quente registrado na história


A preocupante notícia vem da Agência Brasil:

Maio foi o mês mais quente no planeta desde 1880

O mês de maio foi o mais quente no planeta desde que se começaram a registrar temperaturas, em 1880, divulgou hoje (23) a agência norte-americana responsável pelos oceanos e pela atmosfera.

A temperatura média do planeta chegou a 15,54 graus centígrados, 0,74 grau acima da média do século 20, de acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). O recorde anterior tinha sido estabelecido em 2010.

"A maior parte do mundo teve temperaturas mais quentes que a média mensal, com temperaturas altas recorde no leste do Cazaquistão, em partes da Indonésia, e no centro e noroeste da Austrália", comunicou a NOAA.

A temperatura dos meses de maio dos últimos 39 anos tem sido superior à média de todo o século 20. Abril também é um mês historicamente quente por todo o globo, e a temperatura média registrada igualou os valores de 2010, os mais altos desde 1880, divulgou a NOAA.

O aumento da temperatura é consequência do aquecimento global. A última vez que as temperaturas de maio ficaram abaixo da média do século 20 foi em 1976, de acordo com a agência norte-americana.



sábado, 8 de fevereiro de 2014

As profissões que mais sofrem com o calor

Nestes dias bicudos em que existe um sol rachando o coco de cada um, dê graças a Deus (ou à vida, se for ateu) se você não estiver momentaneamente desenvolvendo um dos trabalhos listados abaixo, conforme dados compilados por Maria Luciana Rincon para o Megacurioso:

5 das profissões que mais sofrem com o calor

Veja a seguir uma seleção de atividades que devem ser especialmente desconfortáveis durante o verão

Como você pode sentir na própria pele, estamos atravessando um verão prá lá de calorento. No entanto, a maioria de nós, pobres brasileiros, em vez de poder enfrentar esta onda de calor curtindo uma bela praia ou se refrescando na piscina, infelizmente precisa sobreviver a todos esses dias quentes enquanto trabalha! Ainda assim, entre os que estão — literalmente — suando a camisa na labuta diária, há os certamente sofrem mais com as altas temperaturas.

Afinal, não é todo mundo que tem o privilégio de trabalhar em ambientes refrescados com ar-condicionado ou até com um ventiladorzinho básico! Foi pensando nisso que a redação do G1 decidiu sair às ruas de São Paulo com um termômetro em mãos para descobrir quais são as profissões que mais sofrem com o calor. Assim, caro leitor, para você se sentir um pouco melhor — ou não! — por não poder estar lá fora aproveitando o verão, confira quais são elas:

5 – Pasteleiros



Já imaginou ter que passar o dia inteiro debruçado sobre um panelão de óleo quente? Esse é o dia a dia dos pasteleiros que, durante a medição realizada pelo pessoal do G1, enfrentavam temperaturas ao redor dos 40 °C.

4 – Cabeleireiros



Outros profissionais que certamente suam a camisa são os cabeleireiros. Afinal, além de passarem o dia cortando madeixas e criando penteados, eles também manuseiam diversos equipamentos que geram calor, como secadores e chapinhas, por exemplo. As temperaturas registradas? Cálidos 41 °C.

3 – Padeiros



E quem é obrigado a trabalhar dentro de um forno? Bem, quase dentro... Confeiteiros e padeiros são obrigados a passar seus dias rodeados por fornos quentes, além de cobertos por aventais, luvas, toucas e outras roupas de proteção. Na confeitaria visitada pelo G1, depois que um dos fornos foi acionado, o termômetro marcou mais de 43 °C.

2 – Soldadores



Não pense que na hora de usar um maçarico, basta ativar essa ferramenta e pronto. Os soldadores precisam aquecer os equipamentos antes de utilizá-los, e na medição realizada em São Paulo, o termômetro marcou quase 45 °C.

1 – Pessoal de manutenção de vias



O pessoal que trabalha com a manutenção de ruas e estradas nem sempre pode contar com a proteção de edifícios ou árvores para se esconder do sol escaldante. Então, pense no desconforto sentido em dias de muito calor — como os que estão acontecendo agora —, quando esses profissionais precisam tapar buracos ou pavimentar uma rua inteira com asfalto e a temperatura do solo ultrapassa os 48 °C.

***

Claro que além das atividades acima, existem muitas outras — como churrasqueiros, telhadores e cozinheiros, por exemplo — que devem ser de torrar a alma! E você, leitor, consegue pensar em mais profissões que não foram mencionadas na matéria, mas que também devem ser torturantes nos dias de calor? Não deixe de contar para a gente nos comentários!

Fontes: G1 - The Weather Channel - Infoseg - City-Data.com



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Cientistas dizem que nova era glacial começará em 2014


Apocalípticos de plantão e céticos quanto ao aquecimento global, alegrai-vos!

É que cientistas russos garantem que uma nova era glacial começará já no ano que vem, mas fique tranquilo: vai dar tempo de comprar agasalhos mais quentes, já que o pico do congelamento, segundo eles, se dará em 2055.

Antes de proclamar a nova era do gelo, é bom levar em  conta que os pesquisadores em questão trabalham para a superpetroleira russa Gazprom, interessadíssima em manter a extração petrolífera nas alturas contra qualquer ameaça de restrição aos combustíveis fósseis.

Quem viver verá se a notícia do Seu History se confirmará ou se trata de mais uma profetada do fim do mundo com fins meramente financeiros:

Cientistas russos afirmam: Nova Era Glacial começará no ano que vem

Contrariando a teoria de aquecimento global, dois cientistas russos afirmam que a Terra se aproxima rapidamente de um novo período glacial, que começará a partir do ano que vem. Os pesquisadores Vladimir Bashkin e Rauf Galiulin, do Instituto Gazprom VNIIGAZ, acreditam que os seres humanos, na realidade, não exercem grande influência nas mudanças climáticas. Eles defendem que planeta está, na verdade, passando por diferentes ciclos de atividade solar, e a próxima fase será marcada por um decréscimo gradual da temperatura até atingir um pico glacial em 50 anos.

E os pesquisadores não param por aí. A dupla alega que o alarde atual em torno das mudanças climáticas é parte de uma conspiração com objetivo de desacelerar o consumo de petróleo, gás e carbono - três insumos essenciais à vida moderna -, e controlar os preços deste mercado. Apesar de polêmicas, as declarações dos dois cientistas não representam uma opinião isolada.

No ano passado, Jabibula Absusamatov, diretor do setor de Investigações Espaciais do Observatório de Pulkovo e membro da Academia Russa de Ciências, confirmou a previsão de que a temperatura do planeta começará a baixar em 2014, alcançando seu pico de redução em 2055.



terça-feira, 26 de novembro de 2013

O sol está esfriando. E agora?


A julgar pela matéria abaixo, publicada originalmente no The Wall Street Journal, traduzida pelo Valor Econômico e reproduzida pelo IHU, os profetas do fim do mundo vão nadar de braçada nas águas escatológicas.

Afinal, o esfriamento ou, digamos, "apagamento" do sol é um dos sinais apocalípticos mais comuns da Bíblia.

Apenas para citar alguns exemplos:
Joel 2:10 Diante deles a terra se abala; tremem os céus; o sol e a lua escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor.

Joel 2:31 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.

Joel 3:15 O sol e a lua escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor.

Amós 8:9 E sucederá, naquele dia, diz o Senhor Deus, que farei que o sol se ponha ao meio dia, e em pleno dia cobrirei a terra de trevas.

Apocalipse 6:12 E vi quando abriu o sexto selo, e houve um grande terremoto; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua toda tornou-se como sangue;

Apocalipse 8:12 O quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhante, e semelhantemente a da noite.

Apocalipse 9:2 E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como fumaça de uma grande fornalha; e com a fumaça do poço escureceram-se o sol e o ar.
E agora?




Calmaria e 'esfriamento' do Sol intrigam os cientistas

Está acontecendo algo com o sol. Os cientistas dizem que sua atividade atual é a mais estranha de um período de mais de um século, com o sol produzindo metade do número de manchas solares esperado e seus polos magnéticos misteriosamente fora de sintonia.

A reportagem é de Robert Lee Hotz, publicada pelo The Wall Street Journal e reproduzida pelo jornal Valor, 12-11-2013.

O sol gera imensos campos magnéticos à medida que gira. As manchas solares - geralmente maiores em diâmetro do que a Terra - sinalizam áreas de intensa força magnética que provocam tempestades solares disruptivas. Essas tempestades podem abruptamente arremessar partículas carregadas de eletricidade por milhões de quilômetros até a Terra, onde elas podem provocar curtos circuitos em satélites, enfraquecer sinais de telefonia celular ou danificar sistemas elétricos.

Com base em registros históricos, astrônomos dizem que o sol deve se aproximar nos próximos meses do explosivo clímax do seu ciclo de atividade, que tem aproximadamente 11 anos e é chamado de máximo solar. Mas esse pico de agora é "raquítico", diz Jonathan Cirtain, cientista da Nasa, a agência especial americana, envolvido no projeto do satélite japonês Hinode, que mapeia os campos magnéticos do sol.

"Eu diria que ele é o mais fraco dos últimos 200 anos", disse David Hathaway, chefe do grupo de física solar do Centro de Voos Espaciais Marshall, que pertence à Nasa e fica em Huntsville, Alabama.

Os pesquisadores estão intrigados. Eles não têm condições de dizer se a calmaria é temporária ou o início de longas décadas de declínio, o que poderia aliviar um pouco o aquecimento global com a alteração do brilho do sol ou do comprimento de onda da sua luz.

"Não há nenhum cientista vivo que tenha visto um ciclo fraco como este", diz Andrés Munoz-Jaramillo, que estuda o ciclo solar magnético no Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, de Cambridge, Massachusetts. Além disso, o sol está passando também por uma das mais estranhas conversões magnéticas já registradas.

Normalmente, os polos magnéticos sul e norte do sol invertem a polaridade mais ou menos a cada 11 anos. Durante a reversão, os campos magnéticos nos polos do sol enfraquecem, caem a zero, e então aumentam novamente com a polaridade inversa. Até onde os cientistas sabem, essa variação magnética só é importante porque sinaliza o pico do máximo solar, diz Douglas Biesecker, do Centro de Ambiente Espacial da Nasa.

Mas, neste ciclo, os polos magnéticos do sol estão fora de sincronia, dizem os cientistas solares. O polo norte magnético do sol reverteu sua polaridade há mais de um ano, e está, assim, com a mesma polaridade que o polo sul. "O intervalo entre as duas reversões não costuma ser longo", diz o físico solar Karel Schrijver, do Centro de Tecnologia Avançada da Lockheed Martin, em Palo Alto, Califórnia.

Os cientistas dizem estar perplexos, mas não preocupados, com esse atraso incomum. Eles esperam que o polo sul do sol mude sua polaridade no próximo mês, com base em medições atuais de satélites das alterações dos campos magnéticos.

Ao mesmo tempo, os cientistas não podem explicar a escassez das manchas solares. Embora ainda turbulento, o sol parece fraco em comparação com seu pico de potência nas décadas passadas. "Não é só que há menos manchas solares, mas elas são manchas solares menos ativas", diz Schrijver.

O sol, porém, não está ocioso. Após meses de quietude, ele liberou no espaço grandes fluxos de partículas carregadas cinco vezes em outubro. E ele se agitou novamente na semana passada. Mesmo assim, essas explosões tiveram apenas uma fração da força de máximos solares anteriores.

Como comparação, uma tempestade solar em 2003, perto do pico do último máximo solar, foi a maior da Era Espacial. Apesar de ela ter em grande parte se desviado da Terra, a tempestade desativou um satélite japonês, fez com que os astronautas tivessem de voltar para bordo da Estação Espacial Internacional para se protegerem da radiação, interrompeu operações de perfuração de petróleo e gás no Alasca, mexeu com sistemas de GPS e obrigou o Departamento de Defesa americano a cancelar manobras militares.

À medida que o ciclo solar enfraquecer nos próximos anos como parte do seu ciclo normal, rajadas de partículas carregadas devem se tornar ainda menos frequentes. A atmosfera vai esfriar e se contrair, o que pode estender a vida útil dos satélites ao diminuir a pressão sobre eles.

"Isso deixa todos os operadores de satélites felizes", disse Todd Hoeksema, do Observatório Solar Wilcox, na Universidade de Stanford. "E os astronautas ficam felizes quando não há radiação."

Vários cientistas especularam que o sol pode estar voltando para um estado mais calmo depois de uma era incomum de grande atividade que começou nos anos 40.

"Mais da metade dos físicos solares diria que estamos voltando ao normal", diz o físico Mark Miesch, do observatório HAO, em Boulder, no Colorado, que estuda a dinâmica interna das estrelas. "Poderíamos estar passando por um longo estado de atividade reprimida."

Se for isso, a queda da atividade magnética poderia aliviar o aquecimento global, segundo os cientistas. Mas essa mudança sutil no sol - que reduziria sua luminosidade em cerca de 0,1% - não seria suficiente para compensar o acúmulo de gases de efeito estufa e fuligem que a maioria dos pesquisadores considera a principal causa do aumento das temperaturas globais ao longo do último século.

"Isso pode nos dar uma breve trégua com relação ao aquecimento global", diz Hathaway. "Mas isso não irá brecá-lo."






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