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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O pastor que virou caminhoneiro crossdresser


A notícia é da BBC Brasil:

A história do caminhoneiro que se assumiu crossdresser e roda o Brasil de salto alto

Vinícius Lemos

O caminhão Mercedes, de cor azul bebê, estaciona e abre as portas. A motorista, Afrodite, de 68 anos, desce com destreza em cima de um par de saltos, habilidade conquistada nas décadas em que utilizou o calçado escondida de todos. Seu vestido é de cor preta, uma forma de luto, em respeito à morte do homem que foi um dia.

Afrodite nasceu Heraldo Almeida Araújo - nome que consta em todos os seus documentos -, mas há cerca de seis meses pede para ser chamada pelo nome feminino, escolhido por conta da admiração que nutre pela deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade.

Em meados do ano passado, decidiu se assumir como crossdresser, prática na qual homens utilizam roupas e acessórios considerados femininos.

"Desde criança, sempre me senti mulher. Perguntava para a minha mãe por que meus seios não cresciam e ela dizia que homens não têm seios. Nunca entendi por que nasci assim", revela.

Afrodite se considera heterossexual e parou de se envolver com mulheres há alguns anos. Em meio às mudanças dos últimos meses, espera virar transexual e passar a se interessar por homens, deixando para trás uma vida que avalia como triste, por não ter conseguido ser quem realmente é.

Já foi cabo do Exército, caminhoneiro, eletricista, empresário e pastor. Casou-se duas vezes e teve uma filha. E arrumava formas para suprir os desejos escondidos.

"Na infância, eu pegava roupas de algumas primas e usava. Depois, quando adulta, eu mesma costurava minhas roupas, escondida, ou comprava algumas peças. E usava roupas íntimas femininas, como calcinha ou sutiã, por baixo das roupas masculinas."

Usou roupas de mulher pela primeira vez aos 13 anos, quando pediu às primas que a vestissem e maquiassem. Agora, mais de cinco décadas depois, decidiu que irá fazer a cirurgia de redesignação sexual. "O procedimento, junto com o silicone que pretendo colocar, vão fazer com que eu complete esse ciclo", diz.

A vida de Afrodite assemelha-se à de diversas crossdressers brasileiras. Conforme Cristina Camps, uma das diretoras do Brazilian Crossdresser Club - dedicado a praticantes do crossdressing e transgêneros -, muitas demoram décadas para se assumir.

"Normalmente, essa vontade surge na infância, mas em função dos padrões da sociedade, somente na faixa adulta irão compreendê-lo. Geralmente, os homens se assumem entre quatro paredes, pelo receio de serem descobertos e perderem as conquistas profissionais e sociais."

Não há levantamentos sobre o número de crossdressers no Brasil. Entretanto, Cristina explica que mais de 3 mil homens já passaram pelo Brazilian Club. "O crossdressing, no Brasil, ainda é embrionário. Nós somos o primeiro clube voltado a esse fetiche no país. Surgimos em 1997, mas, antes disso, certamente centenas de pessoas já eram adeptas da prática. É difícil mensurar", comenta.

Casamentos

Nascida em Jacarezinho (PR), Afrodite hoje vive em Cuiabá (MT). Durante a infância no Paraná, ela se recorda que sempre teve tendência a escolher atividades relacionadas às meninas, o que a tornava alvo de comentários dos colegas de classe. "Ele riam de mim, por causa do meu jeito mais delicado."

Na puberdade, teve uma crise de identidade. "Fiquei revoltada quando nasceram os primeiros pelos em mim e minha voz engrossou. Foi estudando anatomia que passei a entender que não poderia ter seios. Mas ainda assim, mantive meu sonho de um dia me tornar mulher", declara.

Quando se mudou para São Paulo, ainda na adolescência, começou a trabalhar em uma tecelagem e passou a costurar roupas femininas para si, quando ficava sozinha. E usava-as apenas dentro da fábrica, porque não tinha coragem de sair à rua.

Manteve o costume de usar, secretamente, roupas íntimas femininas nos períodos em que serviu o Exército, em que foi funcionária pública em Corumbá (MS) e, posteriormente, caminhoneira. Na cidade sul-mato-grossense, conheceu sua primeira mulher, de quem escondeu o fetiche. Eles se casaram em 1974.

"Muitas vezes, eu tinha que viajar de caminhão, a trabalho, e usava lingeries. Mas nunca usei nada na frente dela", relata. Certa vez, a mulher encontrou, no bolso de uma calça de Heraldo, calcinhas que haviam sido utilizadas pelo próprio marido. "Talvez ela desconfiasse, mas não falou nada."

Foi também nesse período que Afrodite teve a única filha, Tatiana, um ano após o casamento. Foi um dos momentos mais importantes de sua vida.

"Eu sempre quis ter uma filha, porque acreditava que me identificaria mais", comenta.

O casamento durou 16 anos e terminou após Afrodite engatar um romance com outra mulher. Depois desse relacionamento, pela primeira vez, ela arriscou sair na rua com roupas femininas.

"Eram coisas discretas. Comecei no fim de 1995. Eu não conhecia sobre crossdresser nem transgênero, só tinha muita vontade de andar vestida de mulher e de ser uma", relata.

Ela deixou de esconder os desejos aos amigos mais próximos, mas logo desistiu de usar roupas femininas em público. "O preconceito era muito grande nas ruas. Não cheguei a ser alvo de nenhuma agressão, mas ouvia comentários como 'bicha' ou 'viado'. Então, decidi me preservar e também desisti, temporariamente, dos meus planos de mudar de sexo."

O segundo casamento durou 14 anos e terminou em 2013. Um dos motivos do rompimento, diz a crossdresser, era a vida sexual do casal - Afrodite diz que sempre teve dificuldade em se relacionar com mulheres, mas tampouco se interessa por homens. "Eu me considero heterossexual, porque pessoas do mesmo sexo nunca me atraíram. Às vezes penso que posso ser assexual."

A carreira de pastor

Durante o segundo casamento, Heraldo, espírita kardecista desde a infância, decidiu conhecer mais sobre a religião da companheira, que era evangélica. Acabou se tornando pastor, função que exerceu por mais de 10 anos na Assembleia de Deus em Cuiabá.

"Eu pregava, dava testemunhos e falava sobre a palavra de Deus. Eu fazia até culto em minha residência, para 150 pessoas. Gostava muito". E costumava liderar cerimônias religiosas com roupas íntimas femininas. "Ninguém percebia, mas eu usava, porque me sentia bem."

Com o passar dos anos, passou a se questionar sobre como a religião enxergaria o fato de se sentir como uma mulher. "As minhas fantasias continuavam e, muitas vezes, perguntei a Deus se eu estava errada. Mas me sentia em paz com minha consciência e isso me tranquilizava."

Em 2013, após decidir que iria se tornar crossdresser, deixou a Assembleia de Deus. "Muitas coisas iam contra os meus princípios e me sentia muito reprimida. Eu acho que não deveria ter ficado tanto tempo (na igreja). Hoje penso que não deveria ter retardado tanto a minha felicidade."

Relação com a família

Afrodite conta que tinha uma boa relação com seus irmãos - com quem chegou a formar uma sociedade em uma empresa eletrotécnica - até ela passar a usar roupas femininas abertamente.

"Falaram que eu estava ficando maluca. Foram me isolando e até me proibiram de atender clientes", afirma.

Afrodite chegou a registrar boletim de ocorrência contra parentes, alegando sofrer ameaças de agressão. E abriu um processo contra os dois irmãos por injúria e difamação. "Já tivemos algumas audiências e a juíza orientou que a gente faça acompanhamento psicológico", diz.

A doutora em psicologia social Sandra Elena Sposito afirma que o acompanhamento psicológico pode auxiliar uma crossdresser a se entender melhor. "Essas pessoas podem precisar, talvez, de algum amparo para enfrentar situações de estigma e preconceito. Não pelo crossdressing em si, mas para que compreendam que essa situação não precisa gerar sofrimento. A dificuldade vem da forma de estar no mundo e não ser reconhecida, não poder transitar na sociedade nem se expressar socialmente."

O preconceito dentro da própria família foi justamente a parte mais difícil para Afrodite. "Eram pessoas que eu esperava que, ao menos, me respeitassem. Não imaginava que fossem me atacar dessa forma", lamenta. No entanto, ela afirma ter recebido apoio dos sobrinhos e do pai. "Ele agiu normalmente comigo. Não fez nenhum comentário quando me viu de mulher pela primeira vez."

Ao recordar-se da mãe, já falecida, ela se emociona. "Ela me amaria ainda mais. Sei que ela me assiste, porque nada dá errado para mim. Sei que estou conseguindo vencer. Hoje, sinto a presença dela me encorajando", diz, entre lágrimas.

Outro apoio importante veio da filha, a dona de casa Tatiana Rodrigues, de 42 anos. "Ela lidou tranquilamente com isso. Na primeira vez em que ela me viu, só me deu um conselho: 'não pinta a unha de cor muito forte quando estiver trabalhando'. Mas eu disse que gosto de cores assim, pois escondem a sujeira da unha, por conta do meu trabalho como caminhoneira."

Rodrigues conta que, até 2017, nunca havia identificado no pai um interesse em se transformar em mulher. "Nunca pensei nisso. Meu pai não era aquela figura extremamente machista, mas nunca demonstrou tendência afeminada. Era um senhor comum", explica.

"Não posso dizer que (vê-lo vestido de mulher) foi algo que você olha e pensa: 'tudo bem'. A primeira coisa que pensei foi: 'nossa, é o meu pai. Aquela imagem que eu tinha antes não existe mais'. Mas a essência dele é a mesma e é isso que importa. Depois do primeiro impacto, passei a encarar normalmente, porque meu pai para mim é um tesouro, junto com a minha mãe", conta.

Preconceito e mudança de gênero

Mas a filha teme pela integridade física do pai. "O meu medo é que ele sofra algum tipo de violência, porque o mundo está cada vez mais perigoso e existem muitas pessoas intolerantes", diz.

É o mesmo temor do pai. "Nunca fui agredida fisicamente, mas esse é o meu maior medo", conta Afrodite.

Desde que se assumiu como crossdresser, ela passou a enfrentar comentários maldosos e situações constrangedoras. "Já levei empurrões em bares, mas outras pessoas entraram para me defender. Eu também já fui impedida de entrar em alguns estabelecimentos. O preconceito agora faz parte da minha rotina. As pessoas torcem o nariz, às vezes levantam e vão sentar em outro lugar. Eu ignoro, mas isso tudo machuca."

Um dos momentos mais difíceis é quando precisa utilizar banheiro em algum estabelecimento público. "Muitos não me deixam entrar no feminino e eu tenho que ir ao masculino. É ruim, porque eu uso meia-calça, tenho que usar o mictório e acabo tendo que levantar o vestido. Me sinto exposta, porque sempre tem alguém que me constrange ou me xinga dentro do sanitário", lamenta.

Afrodite gostaria de realizar a cirurgia de mudança de sexo ainda neste ano. Antes, porém, deverá fazer acompanhamento terapêutico, para que possa receber laudo psicológico/psiquiátrico favorável e o diagnóstico de transexualidade.

Enquanto isso, ela entrou com uma ação na Justiça para que o nome Afrodite passe a constar em seus documentos. "Expliquei para a juíza que eu não sou homossexual, sou transexual. No Fórum, todos me chamavam de Afrodite", relata. O processo ainda está em tramitação.

Atualmente, Afrodite se classifica como crossdresser, por não ter feito nenhuma modificação em seu corpo. Quando fizer a cirurgia de mudança de sexo, passará a se considerar transexual. "Eu quero chegar o mais próximo possível de uma mulher, que é como eu realmente me sinto", conta.

Crossdresser há cerca de dez anos, a psicóloga e artista plástica Fe Maidel argumenta que o crossdressing não necessariamente precede uma mudança de gênero: "Cada pessoa tem uma maneira única de se expressar no mundo. Ser crossdresser pode ser o começo de um processo de conhecimento, que pode culminar na transição de gênero, ou não".

A vontade de concluir a fase de transição é tamanha que Afrodite tem tomado hormônios por conta própria, sem consultar um médico, há cinco meses. "A minha filha já me deu bronca. Ela falou: 'papai, eu convivi com o Heraldo por 42 anos e quero viver o mesmo período com a Afrodite'", comenta. A crossdresser prometeu suspender o medicamento até a devida indicação médica.

A redesignação sexual será, segundo ela, o começo de uma nova vida. "É um sonho que tenho desde criança. Eu preciso muito dessa cirurgia", diz. E, mesmo antes disso, Afrodite já decretou a morte do homem que era desde a infância. "As pessoas me perguntam o porquê de eu gostar tanto de preto. É porque estou de luto, em respeito ao Heraldo, que morreu."

A crossdresser leva uma vida solitária. Sua rotina se resume a alguns fretes no caminhão, ir a lojas comprar roupas e frequentar bares, nas noites em que está feliz. A maior parte de seus dias ela tem passado em casa, onde mora sozinha, junto com 16 gatos. Diz que há poucas pessoas com as quais pode contar. "É triste, mas eu sei que acabam se afastando de mim. Só tenho a minha filha, minha neta, meu genro e minha primeira esposa."

Mesmo assim, Afrodite não se arrepende de ter se assumido crossdresser. "Eu só me culpo por não ter feito isso antes. O que me deixa triste é que sei que já estou velha e não vou ter tanto tempo para desfrutar desse meu sonho."



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Arte cristã de Bernini sobreviveria aos "cristãos" brasileiros de 2017?


A "crentaiada" pudica que se associa ao que há de pior no fascismo brasileiro é uma ameaça a todas as liberdades civis que a humanidade conquistou - a duras penas - nos últimos séculos.

A indecência não está na mostra de arte X ou Y que afronta este ou aquele símbolo cristão. Vai lá quem quer, já sabendo de antemão se vai se ofender ou não.

Eu jamais entraria numa exposição (seja do que for) que ofende meu sistema de crenças ou simplesmente o meu - acho eu - bom gosto, mas nem por isso vou tentar impedir que quem quer que seja exiba ou queira apreciar aquilo que eles chamam de "arte". Ou uma dobradinha. É um problema deles, simples assim. 

Eu prefiro poupar meu precioso tempo e meu suado dinheirinho, se é que me entende...

Não por acaso, antes da 2ª guerra e mesmo durante o conflito, Hitler fazia questão de rodar pela Alemanha com a sua mostra de "arte degenerada", segundo os seus dizeres.

Aquilo que hoje consideramos "arte moderna" é o que Hitler, fanzoca da arte clássica greco-romana e renascentista, chamava de "arte degenerada", mas - incrível para os padrões fascistas atuais - Hitler promovia um tour de deboche pela Alemanha mostrando o que era aceitável ou não do ponto de vista nazista no quesito "arte".

Nem isso os boçais radicais brasileiros são capazes de fazer.

Os "compenetrados" Himmler, Goebbels e - ali na frente - Hitler observam a "arte degenerada" em Munique, 1937.
Nossos censores militontos decidem o que é ruim e fazem campanha para exterminá-lo. 

Hoje, o gosto artístico de Hitler é lembrado apenas para ridicularizá-lo.

Entretanto, perceba o contraponto: Hitler aproveitava o que chamava de "arte degenerada" - principalmente o moderno expressionismo - para contrapô-la ao seu ideal "artístico" e promover sua política da eugenia, ou seja, o extermínio de tudo e todos que fogem à "normalidade" genética ou cultural da estética nazista.

Tudo termina, para o fascista, em extermínio...

O expressionismo foi o grande inimigo da "estética nazista"
Sim... "estética" nazista. É incrível como os fascistas de ontem e de hoje continuam preocupados com a "beleza", mas na verdade há outro nome para isso, bem nu e cru: fetiche!

Seguindo seu profeta mal humorado de um tal Movimento Brasil Livre, de "Kinta Katiguria", os "cristãos" brasileiros se esquecem do conselho bíblico de que "o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é torpe" (Efésios 5:12) e se põem a divulgar o que dizem condenar, atuando mais como promotores do que censores da libido alheia.

E, para tanto, se valem do discurso pornográfico, tão afeto ao fanatismo, conforme já tivemos oportunidade de comentar aqui no blog.

Se realmente lessem a Bíblia, não divulgariam nem se importariam com essas coisas, mas não: -  é preciso militar, proibir, divulgar e coibir.

Isso, sim, tem nome: fetiche!

Os que se dizem cristãos se esquecem - convenientemente - de que Jesus veio ao mundo em carne e osso num período em que orgias de todos os tipos eram patrocinadas pelos palácios imperiais e nem por isso Ele deixou de colocar seus sacrossantos e ensanguentados pés empoeirados nas mansões de Herodes e Pilatos, para - sobretudo e sobre todos - pregar o evangelho que transformou o mundo.

Fico imaginando o que os que se dizem "cristãos" atualmente diriam quando o gênio do barroco italiano Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), responsável "só" pelo conjunto arquitetônico da Praça e da Basílica de São Pedro, no Vaticano, entre tantas outras obras, quisesse exibir seus monumentos "O Êxtase de Santa Teresa" e o tumular "Beata Ludovica Albertoni", só para citar dois deles.

Indubitavelmente, Bernini seria apedrejado na Praça da Sé de São Paulo em 2017 como tarado.

Confira você mesmo, prezado fascista com mente poluída, o que há de errado, primeiro com a "Beata Ludovica Albertoni":


Esse olhar perdido e lânguido da beata, meu Pai do Céu, como é que pode?


E depois, se os seus olhos ainda puderem ver tamanha afronta à sua "fé", horrorize-se com "O Êxtase de Santa Teresa":


Esse "êxtase", esse anjo com cara de safado, essa flecha, sei não...


Que horror, oh, que horror...

Mas, poxa, Bernini, e esse "Rapto de Prosepina" que fica na Galleria Borghese de Roma?



E a Santa Bibiana com seus raios dourados na igreja que lhe é dedicada em Roma, hein, Bernini?



Ah, Bernini, seu tarado! Como ousas ofender nossos sacrossantos olhos castos?

Ai, minha Santa Rita do Passa Quatro, dá um "passa moleque!" nesse tarado que só pensa naquilo...

E, por gentileza, mal humorados de plantão, nos poupem dos seus comentários supostamente indignados.

Aos "cristãos" que queiram discutir a questão de maneira mais apaixonada e aprofundadamente teológica, recomendamos o excelente ensaio crítico de Mario Persona, no seu blog "O que respondi?", intitulado "Devo protestar contra a exposição de arte LGBT?".

E não se esqueçam de atirar a primeira pedra, ok?!



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Edir Macedo ataca "50 Tons de Cinza"

50 tons de cinza
Edir Macedo com medo dos "50 Tons de Cinza"

Alguma coisa estranha está acontecendo com certos "pastores" mundo afora. 

Ou eles deliram com os "50 Tons de Cinza" e não podem confessar, ou temem perder dinheiro com o lançamento do filme baseado no livro de mesmo título, que estreia depois de amanhã, 12 de fevereiro de 2015.

Ontem mesmo, comentamos aqui sobre o "batismo" do livro promovido pelo pastor americano Ed Young Jr. em sua Fellowship Church no Texas.

Agora é a vez de - nada mais, nada menos - Edir Macedo desancar o filme em artigo publicado no seu blog, redigido com a colaboração de Evelyn Higgibotham.

DEMÔNIOS DA PERVERSÃO


No texto, Edir prediz um tremendo sucesso de bilheteria para o filme, e o atribui aos "demônios da perversão" que são responsáveis, segundo ele, pelos "momentos picantes" que geram um "inferno emocional".

Esses mesmos demônios estariam, segundo o bispo da universal, prontos para invadir as almas de milhões de pessoas que ousarem ir ao cinema ver "50 Tons de Cinza", porque - como ele afirma - elas passariam a "patrocinar a indústria mundial da perversão demoníaca".

MEMÓRIA CURTA


Macedo termina o texto ameaçando seus fiéis que eventualmente não resistirem à tentação de ir ao cinema nos próximos dias, citando o trecho bíblico de Mateus 18:6-7, que encerra com "ai do homem pelo qual vem o escândalo".

Bem seletiva a memória dele, que se esquece tão facilmente dos escândalos que ele já protagonizou.

Aí você se pergunta porque raios o Edir anda lendo essas coisas, não é mesmo?

Deixando o fetiche de lado, parece que a razão está no próprio artigo, quando ele diz:
Se você quer saber o que é o verdadeiro prazer no casamento, então leia o livro “Casamento Blindado” e tenha a vida amorosa que Deus planejou para você.
"Casamento Blindado" é o livro escrito pela filha e pelo genro de Edir, que também vende como água na seca de São Paulo e, é claro, o link para comprá-lo você encontra no blog do paizão-sogrão.

Fetiche, ah, o fetiche! Como vende...



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Pastor americano "batiza" o livro "50 tons de cinza"

Ed Young Junior é o pastor da Fellowship Church de Grapevine, subúrbio de Fort Worth, no Texas, igreja formalmente ligada à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, embora hoje eles façam questão de não divulgar este liame.

Chegadaço numa controvérsia, é difícil defini-lo com pastor evangélico, mas ele se enquadra nessa nova geração de líderes americanos que dão muito valor ao glamour, à aparência e à popularidade, como Joel Osteen e Steven Furtick, que apresentam, com o perdão da palavra, uma espécie de versão metrossexual do evangelho.

Ternos caros, roupas de grife, sorrisos brilhantes, um jeitão de boneco Ken da Barbie e uma tez de popstar os ajuda a pregar suas ideias a milhares de pessoas dentro de seus templos e milhões que atingem pela televisão.

PASTOR FASHION


Young Jr. chegou ao ponto de lançar um portal específico para vender produtos fashion para que os pastores possam se vestir com o que há de mais "cool" nas tendências da moda, o PastorFashion.com.

Você, amigo pastor evangélico descolado, já tem onde fazer a transformação do seu visual, portanto.

Neste fim de semana que passou, conforme previamente anunciado, Ed Young organizou uma cerimônia em sua mega-igreja para "batizar" o livro "50 Tons de Cinza", best seller erótico que vem fazendo a cabeça de milhões de leitoras mundo afora.

Segundo alegou o pastor americano, a iniciativa foi para "trazer à vida a realidade do plano de Deus" para ajudar as pessoas a distinguirem o que é fantasioso do que é real.

EPIDEMIA CULTURAL


Acrescentou que "há uma epidemia cultural lá fora que vem embrulhada em completa fantasia. O livro "50 Tons de Cinza" é uma tentativa pervertida de aprisionar leitores e levá-los ao engano do que significam intimidade e conexão. É uma distorção patética de uma realidade mais poderosa sobre relacionamentos. Deus não é anti-sexo, e Ele não é cinza no que se refere a relacionamentos".

Ninguém entendeu direito o que ele quis dizer com "Deus não ser cinza no que se refere a relacionamentos". Haveria um arco-íris na jogada?

Bom, de qualquer maneira, suspeita-se que o pastor não deva estar nada contente por não ter faturado muita grana vendendo o livro "50 Tons de Cinza" no seu site, ainda mais com o filme inspirado nele que estreia nas telonas no próximo dia 12 de fevereiro, e promete ser um arraso nas bilheterias dos cinemas.

Talvez o melhor nome para isso tudo seja "fetiche".




sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ativista gay chama Malafaia de "maior militante LGBT do Brasil"


O artigo foi publicado no Brasil Post:

Obrigado, Malafaia. Você é o maior militante LGBT do país!

Fabricio Longo

Obrigado, Silas. De verdade. O que não conseguimos em 40 anos de movimento, você conseguiu com 4 tweets. Confesso que nunca gostei de você, mas hoje quero até pedir desculpas. Por sua causa, os direitos LGBT tornaram-se pauta de destaque na corrida eleitoral. É claro que ajuda o fato de você falar muito mais em nós do que em Jesus, mas de qualquer forma, quero te agradecer. Obrigado e meus parabéns. Você é o maior militante LGBT do país!

Em 2010, a grande polêmica era o aborto. Em 2014, é a homofobia e a transfobia - pela primeira vez. Estou quase apostando que em 2018 será a legalização da maconha. Os fundamentalistas religiosos e os conservadores em geral estão cansados, pois parece que só se fala nessas questões, mas isso é muito natural. É o resultado de "empurrar as coisas com a barriga": problemas mal resolvidos sempre voltam para nos assombrar. Na ânsia de impedir o avanço desses assuntos, os defensores da "sagrada família" não os deixam morrer. Todos ganham a oportunidade de pensar. Surgem argumentos que são contra e a favor, e a insistência do "amor cristão" em massacrar a liberdade alheia também fica exposta. É um "tiro pela culatra", já que denuncia a urgência em lidar com essas questões de maneira pragmática e eficiente. Só temos a agradecer.

Para as minorias, visibilidade é tudo. É por isso que promovemos paradas e ganhamos dias especiais no calendário. Nós precisamos ser vistos, lembrados, comentados... E ninguém tem ajudado tanto nisso como você! É verdade que às vezes parece que você nos odeia - até porque só sabe falar aos berros -, mas no fim das contas acaba ajudando.

Você grita que "cristão não é bobo" e ameaça usar a sua influência para decidir os rumos do Brasil com o "voto evangélico". Ora, é exatamente porque os cristãos - os de verdade - não são bobos, que fazem o possível para se dissociar da sua imagem raivosa. Se "Deus é amor", a última coisa que um fiel desejaria é ser considerado rebanho de um pastor só prega o ódio.

Você, Silas, é um mala mesmo. Sem alça! Você, o Bolsonaro, e o Feliciano. Acontece que vocês falam mais em viado do que a Lady Gaga, e aí fica difícil levá-los à sério, mesmo para quem compartilha de suas ideias. É uma obsessão, um fetiche tão grande, que até os dizimistas mais comprometidos pedem para "mudar o disco". E embora vocês ainda tenham influência política, esse circo todo assusta.

Recentemente, você disse que "os evangélicos" é que sofrem preconceito, que são vítimas de "perseguição religiosa". Se não estiver delirando, é mais uma das suas falácias torpes. Algo tão ridículo que quase tem graça, ainda mais porque da mesma forma que não se pode falar em "os gays" para representar uma unidade onisciente de homossexuais, não há como pensar em "os evangélicos" como uma coisa só. Por mais que deseje, o senhor não fala por um grupo tão heterogêneo de pessoas. Aliás, fala justamente por uma parcela que é considerada maluca e que deve ser afastada da política com todas as forças.

É engraçado, porque até o senhor anda "marinando". Primeiro, era contra a "nova política" porque ela lhe parecia muito progressista, e vieram os tweets salvadores - sim, porque pelo menos serviram para abrir os olhos das pessoas - ameaçando boicotar Marina Silva. Eles surtiram efeito e ela mudou de ideia (embora isso não pareça mais algo tão difícil de acontecer), e agora você também mudou de discurso e passou a apoiá-la, garantindo que ela governaria sem permitir que a religião interferisse em suas decisões! Ora, mas não foi você mesmo que interferiu, e ainda lembrou que o cristianismo - desse jeito aí que você pratica - é um estilo de vida e que não permite negociações? Como é que agora ela lhe parece a opção "mais laica"? Tudo isso é medo de que o "preconceito" faça com que ela perca votos? Bateu desespero porque finalmente há a chance de eleger uma Presicrente?

Realmente, temos muito que te agradecer. Graças a você, a farsa da novidade acabou em 24 horas. Graças a você, os direitos LGBT são tema de perguntas em debates e entrevistas, e os candidatos estão fazendo de tudo para se promover como defensores da diversidade. É claro que promessas são coisas fáceis de fazer, mas servirão de guia para as cobranças do próximo mandato. Graças a você, lembraram que gay também é gente, que paga imposto, e que vota - olha só! Valeu mesmo. Para quem está acostumado a ser visto como cidadão de segunda classe, a visibilidade é tudo.

Graças a você, saímos do armário e viramos mesa de centro.



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Comissão de Feliciano exige teste da farinha para entrar nas igrejas

Antes de mais nada, mantenha a calma! Sim, o título deste artigo é obviamente jocoso, mas talvez seja a maneira menos ridícula de se abordar o caso.

Os mais novos não devem saber disso, mas "teste da farinha" era - até algum tempo atrás - a brincadeira que se fazia com os garotos que tinham que enfrentar o exame de seleção a fim de verificar se estavam aptos a prestar o serviço militar (e já estavam, obviamente, incomodados com isto).

Pedindo perdão antecipadamente pelo relato gráfico que faremos a seguir, que a alguns poderá parecer obsceno, passamos a explicar o folclórico procedimento.

A prova, de extremo mau gosto, consistia em fazer o rapaz se sentar nu, com as nádegas entreabertas, sobre uma bacia recheada com alguns kilos de farinha de trigo, de maneira que, ao se levantar, ficaria exposto o molde dos anéis (no popular, as "pregas") de seu ânus, o que permitiria saber se ele era homossexual ou não.

Captou o constrangimento?

Não há registro de que o "teste da farinha" tenha sido feito em alguma repartição militar, mas a simples ameaça de que ela viesse a ser feita algum dia deve ter intimidado alguns pretensos machões, não é mesmo?

Então...

Eis que ontem, 16 de outubro de 2013, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, presidida por Marco Feliciano (PSC-SP), tendo como relator o militar da reserva Jair Bolsonaro (PP-RJ), deu encaminhamento ao projeto de lei que autoriza as igrejas a expulsarem do seu recinto pessoas que "violem seus valores, doutrinas, crenças e liturgias".

O autor do projeto é o deputado evangélico Washington Reis (PMDB-RJ), da Igreja Nova Vida, que assim o justificou:
"Deve-se a devida atenção ao fato da prática homossexual ser descrita em muitas doutrinas religiosas como uma conduta em desacordo com suas crenças. Em razão disso, pelos fundamentos anteriormente expostos, deve-se assistir a tais organizações religiosas o direito de liberdade de manifestação".
Fica claro, portanto, que os destinatários da iniciativa são os homossexuais, provavelmente numa retaliação ao beijo lésbico que duas moças promoveram num evento em que Marco Feliciano pregava em São Sebastião (SP), o que levou o pastor-deputado a mandar prender as duas.

Numa paulada só, portanto, Feliciano e sua trupe parlamentar mandam às favas os conselhos de Pedro, Paulo e Tiago nesses versículos:
Romanos 2:11 pois para com Deus não há acepção de pessoas.
Efésios 6:9 E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor tanto deles como vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas.
Colossenses 3:25 Pois quem faz injustiça receberá a paga da injustiça que fez; e não há acepção de pessoas.
Tiago 2:1 Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.
Tiago 2:9 Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso condenados pela lei como transgressores.
1ª Pedro 1:17 E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação,
Isto mostra que estão faltando muitos versículos na Bíblia de certos "pastores", e que a disputa e a pregação deles não têm nada de bíblica, mas o seu discurso rasteiro e demagógico é meramente político e ideológico com fins eleitoreiros.

E tem gente que ainda os leva a sério...

Logo, não se surpreenda, meu caro mancebo, se chegar o dia em que você será convidado a se sentar peladão numa bacia cheia de farinha na entrada do templo, para delírio (talvez fetiche, vai saber...) dos fiéis.

Quem avisa, amigo é...



quinta-feira, 25 de julho de 2013

Preso pastor que circuncidava fiéis com tesoura na Costa Rica

Essa estranha mistura que alguns judaizantes fazem entre cristianismo e judaísmo continua produzindo loucuras mundo afora.

É uma profusão de arcas, shofares, bandeiras, vestes e danças hebraicas, que apenas revelam que para certos "cristãos" o sacrifício de Cristo já não é mais suficiente.

Tente imaginar a trágica cena: um tarado travestido de pastor inventa um rito de circuncisão para tocar nos pênis dos homens adultos (no caso costarriquenho também um menor de idade) de sua congregação.

Isto tem outro nome: fetiche! Assim como não deixa de ser fetiche os usos e costumes judaicos que alguns hereges tentam introduzir naquilo que entendem por "cristianismo".

Como já dizia o profeta Oseias (4:6), "o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento".

No fundo, é uma falta de respeito com ambas as religiões e com a singeleza e singularidade das revelações, tradições e rituais que são próprios de cada uma delas. 

Ao judaísmo o que é do judaísmo, e ao cristianismo o que é do cristianismo, e que todos convivamos tolerantemente bem com nossas semelhanças e diferenças. Simples assim.

A notícia é do Terra:

Pastor é preso por circuncidar fiéis com tesouras na Costa Rica

As autoridades judiciais da Costa Rica detiveram nesta quarta-feira um pastor de uma igreja evangélica que foi denunciado por abusos sexuais e por circuncidar fiéis com tesouras.

O pastor de sobrenome Gutiérrez e de 44 anos de idade foi interrogado hoje pelas autoridades e está preso na comunidade de Santa Cruz, província de Guanacaste, a 280 quilômetros de San José, informou hoje a imprensa local.

Segundo os depoimentos dos litigantes, divulgados pelo jornal Diario Extra e o Canal 7 da televisão local, o pastor abusou sexualmente de pelo menos quatro pessoas, uma delas menor de idade, com a justificativa de expulsar o demônio de seus corpos através da unção de seus genitais.

Além disso, um homem, identificado somente pelo seu sobrenome Arroliga, denunciou que teve seu órgão sexual mutilado durante uma circuncisão feita pelo pastor com tesouras, analgésicos e gaze.

"Ele anestesiou minha genitália e, utilizando tesouras, fez dois cortes no meu prepúcio, o que provocou muito sangramento, depois fez um curativo com uma gaze", declarou Arroliga ao Diario Extra.

O homem relatou que ficou sem poder andar por três dias e que a intervenção lhe trouxe problemas de saúde e na relação com sua companheira.

José Flores, supervisor nacional da igreja evangélica, disse ao jornal que o sacerdote foi suspenso após reconhecer que ele tinha realizado uma circuncisão sem ser médico. O caso está sendo investigado pelas autoridades e o pastor pode ser acusado por abuso sexual e lesão corporal.



quinta-feira, 20 de junho de 2013

As ruas atropelaram Malafaia e Feliciano


 atual comoção popular que toma conta das ruas do país revela um estranho mundo paralelo habitado por alguns expoentes do meio evangélico brasileiro.

Algumas semanas atrás, Silas Malafaia se gabava de ter realizado a maior manifestação pública em muitos anos na capital federal, Brasília, contra a aprovação judicial do casamento gay.

É verdade que ele aproveitou para se referir, ainda que em ínfima escala, a algumas das atuais demandas que são gritadas nas ruas, como o combate à corrupção e a rejeição à PEC 37, que limita os poderes investigatórios do Ministério Público.

Entretanto, todos os que ali estavam (e os que o viram pela mídia) sabiam desde longa data que a fixação de Silas Malafaia é contra o movimento homossexual, e um alienígena que descesse em Brasília naquele instante imaginaria que os grandes inimigos dos cristãos são os gays.

Por sua vez, esta semana Marco Feliciano conseguiu aprovar na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados o seu projeto de cura para os homossexuais em plena fervura dos protestos populares nas cidades grandes e pequenas de todo o país.

Independentemente do que se pense a respeito das iniciativas dos consagrados “pastores”, que têm as suas próprias denominações evangélicas para chamar de “suas”, isto mostra o descompasso em que eles vivem em relação ao que povo quer do país.

Se é também verdade que o ditado que diz que “a voz do povo é a voz de Deus” é uma falácia surrada e desmentida pela experiência de todos os povos e nações, é inevitável comparar a voz das ruas com as demandas públicas daqueles que dizem representar o Todo-Poderoso.

Por mais legítimo que seja o protesto democrático dos conhecidos figurões evangélicos, com todos os erros e acertos que se lhes possam ser atribuídos, resta a impressão de que eles estão completamente desconectados do que se passa na sociedade em que vivem.

Pior, ainda: não são portadores de uma mensagem viva e eficaz  a ser compartilhada com esta geração.
 
Teriam uma boa desculpa, pelo menos do ponto de vista espiritual e restrita ao gueto evangélico, se dissessem que são “cidadãos de outro mundo”, não fosse a sua ostentação pública e a sua pregação da prosperidade características tão marcantemente materiais e carnais de sua arrogante visão de mundo.

O grande problema para a igreja cristã é que esses indivíduos se arvoram em legítimos representantes do cristianismo, e passam à população a impressão de que a mensagem do evangelho não é a redenção do pecador pelo sangue de Cristo vertido na cruz, que o habilita a lutar por e construir um mundo eticamente melhor, mas quem, quando e como o cidadão leva para a cama no recôndito do seu lar.

O “evangelho” deles se parece mais, portanto, com um fetiche, um desejo íntimo e inconfessável de espionar pelo buraco da fechadura e controlar o que os outros fazem entre quatro paredes.

Difícil acreditar que o ato de Feliciano seja só um problema de timing, já que ele sabia exatamente o que estava fazendo no olho do furacão que varria as ruas do país.

Embora a única coisa maior que o ego do Malafaia seja - provavelmente - a sua verborragia, talvez tenha sido a sua vaidosa autopercepção de paladino antigay que o tenha motivado a marcar um protesto para Brasília quando a voz rouca das ruas apontava em outra direção.

Alguém já disse que quem protesta contra tudo na verdade protesta contra nada, atentando unicamente para a sua própria necessidade de se expressar, ainda que coletivamente dissolvida.

É provável que o mesmo se aplique a Malafaia e Feliciano. Talvez queiram apenas chamar a atenção para si mesmos e assim obter algum tipo de vantagem. Freud explica!

“Vaidade, tudo é vaidade”, já iniciava assim Salomão seu livro Eclesiastes. Melhor então acusar a vaidade como a grande culpada pelo atropelamento de Malafaia e Feliciano pelas ruas do país.

O grande problema, entretanto, é que o nome “evangélico” fica igualmente esmagado e pisoteado nos asfaltos espalhados pelo Brasil.



sábado, 22 de dezembro de 2012

Pastor de Uganda explica o sexo das frutinhas


No vídeo abaixo, disponibilizado pelo Huffington Post, o reverendo ugandense Martin Ssempa participa de um debate com uma lésbica no programa "Morning Breeze", da TV local.

Nunca é demais lembrar que - recentemente - o parlamento de Uganda quis aprovar a pena de morte a homossexuais como "presente de Natal" aos cristãos do país, o que só não ocorreu devido à enorme pressão internacional contra a iniciativa.

Entre os vários argumentos contra o movimento homossexual, o pastor lista a forte incidência de AIDS na África e, para se justificar, passa a utilizar bananas, pepinos e cenouras, demonstrando gestualmente como ele imagina ser o sexo entre os gays.

Inadvertidamente, portanto, o líder religioso de Uganda mostra que, pelo menos no caso dele, tem muito mais fetiche e humor involuntário envolvidos do que qualquer pregação bíblica que se respeite.

Outro detalhe que merece destaque é o fato de que existe um limite muito tênue (e facilmente transponível) entre o discurso fanático e o pornográfico, geralmente em debates políticos, como tivemos inclusive oportunidade de mencionar rapidamente aqui no blog.

Então, fica a dica para o Malafaia passar na feira antes do próximo debate dele sobre o tema na TV brasileira.





domingo, 21 de outubro de 2012

Ke$ha transa com fantasmas

Continuando com nossa série de notícias que vão mudar a sua vida, causou furor na mídia americana a revelação feita pela cantora pop Ke$ha de que ela teria feito sexo com um fantasma.

Uma dessas relações sexuais fantasmagóricas teria antecedido, por exemplo, a composição do seu último sucesso, "Supernatural"

Numa entrevista dada a Ryan Seacrest, a artista declarou: "Eu tive algumas experiências com o sobrenatural. Eu não sei o nome dele! Ele era um fantasma! Estou muito aberta a isso".

O pesquisador paranormal Eric Olsen declarou ao The Huffington Post que "existe uma tradição de entidades conhecidas como súcubos e íncubos, que são espíritos malignos, e o seu modus operandi é seduzir vítimas humanas, e no processo de consumação [sexual], roubar ou possuir a alma da vítima".

Olsen, entretanto, não acredita que Ke$ha esteja incluída nessa classe demoníaca de, digamos, "encontros sexuais", mas que ela sofra de uma tara chamada "espectrofilia", que, como você deve estar imaginando, se trata do desejo mórbido por fantasmas, se é que alguém que não padeça do fetiche consiga imaginar como é que isso se processa na mente humana.

Outra blogueira esotérica do The Huffington Post, Alexandra Holzer, declarou na mesma matéria que "as pessoas que dizem fazer sexo com fantasmas relatam sentir pressão nelas próprias e até penetração, mas os fantasmas não têm calor", atribuindo a suposta "revelação" de Ke$ha a uma estratégia de marketing, nada mais.

Considerando o $ que ela incluiu na grafia do nome Kesha, não é de se duvidar.

Agora, se você sentir uma penetração fria de madrugada, não hesite, chame o padre Quevedo imediatamente.

É cada coisa... [vou ali rir e já volto!]

De fato, tem gente que quanto mais reza, mais assombração aparece...

Mas cá entre nós, voltando ao tema, eu acho que o problema de Ke$ha é que ela assistiu muito aquela série cômica de filmes, o "Todo Mundo em Pânico" ("Scary Movie"), e deve ter ficado assim, digamos, "viciada" em especial na cena abaixo [não veja se for muito sensível]:





terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mark Driscoll diz que Ester era prostituta antes de se tornar rainha

Mark Driscoll só pensa naquilo...

Depois de ter dito não existe nada mais puro do que dois homens seminus lutando MMA num octógono e que masturbação é uma forma de homossexualismo, o pastor da igreja de Mars Hill resolveu avançar um pouco mais no seu, digamos, “evangelho da testosterona”.

A vítima da vez, além da boa interpretação bíblica, é Ester, personagem do livro homônimo do Velho Testamento, uma moça judia virtuosa que se casa com Assuero, rei da Pérsia, e salva seu povo da aniquilação.

Faz cerca de 3.000 anos que Ester anda bem na fita, com a sua reputação ilibada ao longo de centenas de gerações de bons intérpretes judaicos e cristãos. Bem, estava, porque finalmente alguém diz que "descobriu" os seus segredos de alcova.

É que o pastor Mark Driscoll não consegue se conformar com a doce simplicidade e beleza desse roteiro épico. Na sua página na internet, não sem antes dizer que “a história de Ester tem sido muito mal interpretada”, ele a resume da seguinte maneira:
Ela cresceu numa família muito religiosa como uma órfã criada pelo seu primo. Bonita, ela permite que os homens se rendam às suas necessidades e faz as suas decisões. O comportamento dela é pecaminoso e ela passa cerca de um ano no spa sendo "embonecada" para perder sua virgindade com o rei pagão, assim como faziam centenas de outras mulheres. O desempenho dela é tão bom que ele a escolhe como sua favorita. Hoje, a sua história seria a de uma linda jovem que mora na cidade grande e permite aos homens que satisfaçam suas necessidades, passa por vários tratamentos de beleza para ficar ainda mais bela, e vai ao programa “The Bachelor” (“O Solteirão”) concorrer para uma noite maravilhosa na cama com um cara muito rico. Ela é simplesmente uma pessoa sem nenhum caráter até que o seu próprio pescoço esteja ameaçado, e então ela se levanta para salvar a vida do seu povo, momento em que ela se converte para uma fé real em Deus.
No popular, Mark Driscoll está dizendo que Ester era uma prostituta antes de se casar com o rei. E, ao afirmar que ele é o primeiro a descobrir isso, ele está se mostrando portador de uma revelação especial, o que faz dele - mesmo que contra a sua vontade - uma espécie de adepto do gnosticismo, alguém tão iluminado que só ele é capaz de decifrar o "segredo"  escondido em um texto por três milênios.

Além disso, a referência que Driscoll faz a um programa da TV americana deixa claro, ainda que inadvertidamente, como seu "evangelho" é influenciado pelo show business e pelo consumismo midiático. 

Assim, uma história bíblica pura e singela precisa ser "apimentada" com pinceladas eróticas e esqueletos no armário para que seja mais, digamos, "vendável" e palatável a um público ávido por detalhes sórdidos. 

Dando ainda vazão às suas paixões machistas, Driscoll acrescenta:
As feministas têm tentado mostrar a vida de Ester como um conto trágico de dominação masculina e liberação feminina. Muitos evangélicos têm ignorado os pecados sexuais dela e o seu comportamento ímpio para transformá-la numa figura do tipo de Daniel, o que é inapropriado. Alguns têm inclusive tentado modernizar a sua história comparando-a com o atual tráfico de escravas sexuais, mesma condição em que ela foi entregue ao rei poderoso como parte do seu harém.
Como você percebe, Driscoll tem uma fixação mórbida com detalhes sexuais de personagens e situações bíblicas e mundanas. No popular, isso também tem nome: fetiche. Ele bem que podia cuidar disso em privado e não tornar públicas as suas aberrações e fofocas supostamente "iluminadas".

E quando um líder evangélico de destaque – como ele é – começa a dar palpites sobre condições morais e sexuais de quem quer que seja na base da metralhadora giratória e do chutômetro, o resultado costuma ser desastroso.



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