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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sabedoria islâmica aplicada à decadência dos impérios eletrônicos


Interessante artigo de Paul Krugman publicado na Folha de S. Paulo de 26/08/13:

O declínio dos impérios eletrônicos

O inesperado anúncio de Steve Ballmer de que ele deixaria a presidência executiva da Microsoft causou grande volume de comentários. Não sendo especialista em tecnologia e nem guru de gestão, não há muito que eu possa acrescentar quanto a essas duas frentes. Mas creio saber um pouco sobre economia, e também leio muita História. Assim, o anúncio de Ballmer me levou a pensar sobre externalidades de rede e Ibn Khaldun. E eu argumentaria que pensar sobre essas coisas pode ajudar a garantir que extraiamos as lições corretas dessa reviravolta empresarial específica.

Primeiro as externalidades de rede: considere o estado do setor de computação por volta de 2000, quando o preço das ações da Microsoft atingiu seu pico e a companhia parecia completamente dominante. Recorde as camisetas que mostravam Bill Gates como um borg (um ser integrado a uma mentalidade coletiva de colmeia em "Jornada nas Estrelas"), com os dizeres "resistir é fútil. Prepare-se para ser assimilado". Você se lembra, além disso, que a Microsoft ocupava posição central nas preocupações quanto à aplicação das leis antitruste?

O estranho era que ninguém parecia gostar dos produtos da Microsoft. Todos concordavam em que os computadores Apple eram melhores que os computadores equipados com o sistema operacional Windows. Mas a vasta maioria dos computadores de mesa e laptops usava o Windows. Por quê?


A resposta, basicamente, é que todo mundo usava o Windows porque todo mundo usava o Windows. Se você tinha um computador equipado com o Windows e precisava de ajuda com ele, bastava pedir ao cara no cubículo ao lado, ou ao pessoal da informática no andar de baixo, e a probabilidade de que obtivesse a resposta desejada era considerável. O software era criado para operar com o Windows; os periféricos idem.

Era um retrato das externalidades de rede em ação, e elas fizeram da Microsoft um monopólio.

A história de como situação surgiu é complicada, mas não creio que seja injusto afirmar que a Apple acreditou, erroneamente, que os compradores comuns dariam à qualidade superior de seus produtos o mesmo valor que as pessoas da empresa atribuíam. Por isso, ela cobrava preços mais caros que os da concorrência, e quando veio a perceber o número de pessoas que estavam optando por máquinas que não eram assim tão boas mas faziam o trabalho do mesmo jeito, o domínio da Microsoft já estava garantido.

Discussões como essas sempre atraem intervenção dos devotos da Apple, que insistem em que tudo que um computador Windows pode fazer, um Apple faz melhor, e apenas idiotas compram computadores Windows. Pode ser que estejam certos. Mas isso não importa, porque existe grande número desses idiotas - entre os quais me incluo. E o Windows continua a dominar o mercado de computadores pessoais.

Os problemas da Microsoft surgiram com a ascensão de novos aparelhos cuja importância notoriamente escapou à empresa. "Não há chance", declarou Ballmer em 2007, "de que o iPhone conquiste fatia de mercado significativa".

Como a Microsoft conseguiu ser tão cega? É nesse ponto que Ibn Khaldun entra na história. Ele foi o filósofo muçulmano do século 14 que basicamente inventou o que hoje designamos como ciências sociais. E uma de suas percepções, baseada em uma história de sua África do Norte natal, era a de que existia um ritmo na ascensão e queda de dinastias.

Os nômades do deserto, ele argumentou, sempre tiveram mais coragem e coesão social do que o as pessoas civilizadas e assentadas em cidades, e por isso ocasionalmente eles emergem de seus baluartes para conquistar terras cujos governantes se tornaram corruptos e complacentes. Os novos soberanos criam dinastias - e com o tempo se tornam igualmente corruptos e complacentes, e ficam à mercê de um novo conjunto de bárbaros.

Não creio que seja absurdo aplicar essa história à Microsoft, uma companhia que se saiu tão bem com seu monopólio sobre os sistemas operacionais que perdeu o foco, enquanto a Apple - ainda vagueando pelo deserto depois de tantos anos - estava alerta a novas oportunidades. E assim uma nova onda de bárbaros deixou o deserto.

Às vezes, aliás, os bárbaros são convidados a intervir por uma facção doméstica em busca de reacomodação. Talvez seja isso que está acontecendo no Yahoo: Marissa Miller não se parece muito com um feroz líder beduíno, mas é possível que esteja cumprindo o mesmo papel funcional.

De qualquer forma, o divertido é que a posição da Apple nos aparelhos móveis agora porta forte semelhança com aquela que a Microsoft detinha nos sistemas operacionais. É fato que a Apple produz aparelhos de alta qualidade. Mas a maioria dos observadores concorda em que são pouco melhores do que os dos rivais, se é que o são, e seus preços são altos.

Por que as pessoas os compram, então? Externalidades de rede: muita gente mais usa os iQualquercoisa, há mais apps para o iOS do que para outros sistemas operacionais, e com isso a Apple se torna a escolha mais segura e fácil. Meet the new boss, the same as the old boss [diga olá ao novo patrão, igualzinho ao velho patrão].

Há uma moral política a aprender com isso? Deixem-me propor ao menos um argumento negativo: mesmo que a Microsoft na verdade não tenha conseguido dominar o mundo, as preocupações antitruste quanto a ela não eram levianas. A Microsoft era um monopólio, vivia como rentista desse monopólio e não exibia inovação. A destruição criativa significa que monopólios não duram para sempre, mas não que sejam inofensivos enquanto duram. Isso valia para a Microsoft ontem; pode valer para a Apple, o Google, ou uma empresa que ainda não está em nosso radar, amanhã.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Paul Krugman é prêmio Nobel de Economia (2008), colunista do jornal "The New York Times" e professor na Universidade Princeton (EUA). Um dos mais renomados economistas da atualidade, é autor ou editor de 20 livros e tem mais de 200 artigos científicos publicados.



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Seita budista diz que Steve Jobs virou um deus


Exatamente um ano atrás, Steve Jobs deixou seu cargo de presidente da Apple, já na etapa final da enfermidade que o levaria à morte no dia 5 de outubro de 2011.

Os applemaníacos que passaram a adorá-lo como um deus tiveram uma ótima notícia do panteão divino nesta semana, que vem da Tailândia e foi repercutida no Brasil pelo Terra:

Steve Jobs reencarnou como um ente divino, diz seita budista

Um movimento budista tailandês afirmou que o falecido fundador da Apple, Steve Jobs, reencarnou como uma divindade de médio porte em um universo paralelo. O abade de um templo em Bangkok fez um sermão sobre a jornada do americano no pós-vida, de acordo com um jornal local.

A declaração do religioso tailandês foi dada em resposta ao pedido de Tony Tseung, budista e engenheiro sênior da sede da Apple em Cupertino. O autor da afirmação é Phra Thepyanmahamuni, abade do templo de Wat Phra Dhammakaya. O funcionário da Apple teria perguntado se ele sabia onde - e como - estava Jobs, que morreu aos 56 anos, vítima de um câncer no pâncreas que vinha tratando desde 2003.

"Depois que o sr. Steve Jobs partiu, ele reencarnou como um ente divino (...) sua reencarnação é uma 'Thepphabhut Phumadeva' (divindade) de médio porte - metade Witthayathorn, metade yak - que vive em um universo paralelo não muito longe de onde ele estava como um humano", disse o budista.

Jobs era adepto do zen budismo e quase foi para um monastério para se tornar monge. Ele se casou com Laurene Powell em 1991 em um templo budista. De acordo com o Asian Correspondent, o abade descreveu o espaço em que Steve Jobs estaria vivendo, bem como seus vizinhos e o modo como ele passaria seus dias - tudo revelado através da prática de meditação.

"Sobre o alojamento desse novo ente divino: é um local muito limpo, simples e de médio porte, com seis andares de altura, construída com metal prateado e cristais em grandes quantidades. (...) Ele tem cerca de 20 servos celestiais a seu serviço, que vêm do karma obtido por sua natureza caridosa como humano ao doar dinheiro, objetos e conhecimento para a sociedade", teria afirmado Phra Thepyanmahamuni.

O movimento Dhammakaya, que opinou sobre a pós-vida de Steve Jobs, tem sido alvo de suspeitas por concentrar seus esforços na captação de recursos e ligações políticas com membros da família real tailandesa, segundo um livro intitulado "Novos Movimentos Budistas na Tailândia". O Bangkok Post noticiou que o grupo acumula controvérsias devido a seu envolvimento com doações de campanha no país e alegações de milagres.

Com informações do Huffington Post.




quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os estranhos hábitos de higiene e alimentação de Steve Jobs

Não tem jeito. A gente tenta, mas não há como escapar de ter Steve Jobs como assunto. Depois de sua morte quase coincidente com o lançamento de sua biografia (assinada - talvez assassinada - por Walter Isaacson), a stevejobsmania está em alta, e não é só pela reconhecida contribuição que seus aparatos tecnológicos deram para a pós-modernidade, mas também por detalhes um tanto quanto exóticos a respeito de seus cuidados com a saúde, suas palavras finais no leito de morte, e sua "divinização" imediata. Conforme a biografia vai sendo lida (e ocupando o topo da lista dos livros mais vendidos em todo o mundo), as esquisitices do fundador da Apple vão sendo compiladas e novos detalhes vêm à tona todo santo dia. A curiosidade da vez são os seus estranhos hábitos alimentares e de higiene (ou falta dela). Registre-se a favor dele, entretanto, a extrema sinceridade, em tom de confissão aberta, com que ele próprio revelou seus segredos mais íntimos ao seu biógrafo. Receita garantida de best-seller.

Um dos estranhos detalhes que mais chamou a atenção foi o método bizarro ao qual Steve Jobs recorria para descarregar o stress, isto quando a Apple ainda engatinhava: colocar e enxaguar o pé no vaso sanitário. Ver o homem que se tornaria um dos mais ricos do mundo enfiando o pé na privada não deve ter sido uma visão das mais agradáveis. Outro hábito discutível está relacionado ao período em que se tornou adepto do veganismo, estilo de vida em que se evitam - como fontes de alimentação - todos os produtos derivados de animais, não só a carne, mas também leite e ovos, por exemplo. Não só alimentação, diga-se de passagem, mas em todas as áreas das necessidades humanas, como vestuário, cosméticos, medicamentos e entretenimento, só para citar algumas. Nessa época, Jobs imaginava que, por ter este tipo de nutrição, digamos, alternativo, ele estava livre dos desagradáveis cheiros do corpo (o popular "cecê"), e portanto não precisava de desodorantes nem se submeter à tirania dos banhos diários. Não era essa a opinião, entretanto, dos seus funcionários que eram obrigados a trabalhar próximos a ele.

Com relação aos hábitos alimentares sazonais, além do já citado veganismo, suas práticas não eram menos radicais. Seus abusos dos jejuns levados ao extremo eram corriqueiros, quase atingindo o fatal ponto-de-não-retorno. Ainda dentro do estilo vegan, flertou por algum tempo com o frutarianismo, em que comia apenas frutas, sementes, nozes, castanhas e grãos em geral. Outras vezes, ficava semanas comendo apenas dois tipos de vegetais, combinação na qual seu par preferido eram maçãs e cenouras, o que deixava a sua pele com um tom esmaecido como um por-do-sol. Abolia, portanto, tudo quanto era proteína ou gordura, mesmo as de origem vegetal, o que certamente terminou contribuindo para sua baixa resistência ao câncer que o vitimou. Muitos detalhes ainda serão esmiuçados com o passar do tempo, mas pelo menos o drama pessoal de Steve Jobs também está servindo para que as pessoas conheçam estilos alternativos de vida, bem como as suas limitações.


Fonte: The Body Odd



terça-feira, 1 de novembro de 2011

O uau final de Steve Jobs

Steve Jobs parece ter mesmo fundado uma nova religião, a julgar pela repercussão gerada pelo artigo de sua irmã Mona Simpson no The New York Times, em que revela que as últimas palavras de Jobs antes de expirar, olhando para sua família, foram: "OH WOW. OH WOW. OH WOW", algo que poderia ser traduzido para o português como "oh uau, oh uau, oh uau!". É até compreensível que isto venha a ser notícia, dada a importância do falecido fundador da Apple para a moderna sociedade tecnológica, mas daí a fazer ilações as mais esdrúxulas dizendo que ele teria tido uma visão do paraíso antes de bater as botas vai uma longa distância. Pois é exatamente isto o que está acontecendo nos Estados Unidos: uma série de especialistas estão tentando "desvendar" o "uau" final de Steve Jobs, que teria ainda dito uma outra frase final incompreensível, mas que, segundo informa o The Washington Post, já existe gente tentando decifrar o que ela significaria. Os mais lúcidos e calmos tentam argumentar de que este "uau" era dirigido à sua família, que o acompanhava no seu leito de morte, talvez admirando o que havia conseguido construir como pessoa, ou ainda dando-lhes uma força para prosseguirem nas suas vidas, mas a revelação de seus hábitos religiosos pela biografia recém-publicada, como a influência zen-budista na sua formação pessoal, além de ter dito que acreditava "fifty-fifty" (50-50, meio a meio) em Deus, tudo isso serviu de combustível para a indagação esdrúxula do que significaria este "uau" para a humanidade que permanece firme e forte no planeta. Talvez seja apenas uma constatação de como as pessoas realmente buscam a divindade, mas se contentam em cultuá-la nas celebridades e na tecnologia moderna, e parece que Steve Jobs é a encarnação perfeita da junção das duas coisas nesse desejo de eternidade na finitude.




domingo, 23 de outubro de 2011

Steve Jobs, o iGod

Tanya Gold escreve um interessante artigo no jornal britânico The Guardian de 21/10/11, em que afirma que a deificação de Steve Jobs é o maior triunfo em marketing que a Apple conseguiu em sua história. Essa, digamos, “canonização” (ou “divinização”, por assim dizer) se deu de maneira suave e surpreendente, numa espécie de aplicativo que só se tornou operacional através da morte. Steve Jobs é hoje, para Tanya Gold, a Princesa Diana da América, uma figura trágica que simboliza transformação. Nesta visão tragicômica, os Estados Unidos já não poderiam mais contar com Jacqueline Kennedy, que está morta há muito tempo para desempenhar este papel, nem Michael Jackson, que é muito esquisito para este fim. Isto deixa a articulista ainda mais espantada, pois, para ela, o verdadeiro legado de Jobs não é exatamente a possibilidade de comunicação, mas a maneira como as pessoas se distanciam e se ignoram em público hoje, utilizando seus iPhones e iPads para atingir este fim. A melhor comunicação que esses aparelhos transmitem é a da indiferença para com quem está à sua volta. Reconhecendo-se parte de uma minoria, Gold se diz ainda “aliviada” por ter perdido um iPhone, porque assim ela descobriu quanto tempo desperdiçava das maneiras mais variadas e supérfluas, como seguir-se a si mesma - enquanto caminhava numa rua - através de um ponto num mapa virtual.

A seguir, o artigo comenta que a morte de Jobs teve o condão de parar o relógio, como se o tempo tivesse pausado para reverenciá-lo. Enquanto o seu cadáver ainda esfriava, todos os aspectos de sua vida e legado eram detalhados por uma mídia prostrada de joelhos, transformando-o na pessoa mais famosa do mundo, a um passo de se tornar o novo Messias, justo quando era tarde demais para ele desfrutar de toda essa celebridade. A cerimônia fúnebre que o lembrou no último domingo teve cobertura maciça da imprensa, que reportou a presença do triunvirato representado por Bill Clinton, Stephen Fry e Bono Vox, que lá estiveram para render suas homenagens. Outras celebridades presentes tuitaram a sua tristeza, o que não deixa de ser pertinente, pois Steve Jobs foi o maior facilitador do mundo para a “manufatura de emoções” em 140 caracteres ou menos. Diante de tanta repercussão idiota na mídia, muitas pessoas – obedientemente – manifestaram a sua dor, já que a imprensa os levou a acreditar que haviam perdido alguém muito precioso. Logos celebrando Steve Jobs foram criados, circularam abundantemente e logo foram esquecidos. As lojas da Apple no mundo inteiro se converteram em santuários, com iPads transformados em candelabros virtuais, enquanto outros iPads eram – bizarramente – deixados nas lojas como uma oferta sagrada, como se os deuses da modernidade não quisessem mais frangos, mas pequenos aparelhos eletrônicos.

Como compreender isso tudo, então, pergunta-se Tanya Gold. Luto como um fenômeno mundial não é algo novo, já que é essencialmente forjado pela mídia que precisa vender jornais e rechear noticiários, o que deixa um gosto amargo, já que para cada estranho que você pensa que sente a dor da saudade, existe um amigo que você se esquece de lembrar. Esses relacionamentos são falsos e imaginários, o que leva Gold a se perguntar se – em vez da vida propriamente dita – não é o “estilo de vida” que se louva em tudo que se refere ao lamento massivo por Jobs. É normal curvar-se ao poder, embora seja um tanto quanto estranho com relação à Apple, cujos produtos se apresentam como um libelo de democracia, o que não deixa de ser ridículo se considerarmos quão poucas pessoas podem realmente comprar os seus produtos e como a empresa protege agressivamente o seu software da concorrência feroz.

Entretanto, nunca antes no mundo houve um luto parecido por um presidente de empresa. Seriam essas homenagens a Jobs expressões de puro materialismo? Não é mais suficiente apenas amar os seus produtos; quando a pessoa que os criou morre, espera-se que você entre numa espécie de transe espiritual. Logo, o que significa chorar pelo inventor do iPhone? Para Tanya Gold, este gesto é o maior triunfo de marketing da Apple, além de ser completamente oposto ao que significa uma experiência espiritual. Por outro lado, não deixa de ser uma situação fácil para a Apple explorar, aproveitando a deixa de transformar em propaganda aquilo que os editoriais lhe servem de bandeja, já que a única coisa que verdadeiramente interessa a todos eles é o lucro. Sem contar o “churnalism”, expressão inglesa que identifica as reportagens laudatórias fundadas em malas diretas e boletins que a própria empresa envia para a imprensa. A articulista cita ainda um editorial do The New York Times intitulado “You love your iPhone. Literally” (“Você ama o seu iPhone. Literalmente”), que informava que pessoas respondiam de forma similar a imagens do logo da Apple e do papa, e usuários do iPhone, quando submetidos a testes originalmente aplicados a bebês, mostravam que – literalmente – amavam os seus aparelhos.

Tudo isso é muito estranho vindo, sobretudo, da mídia impressa, já que ela está sendo engolida exatamente pelos aparelhos criados por Steve Jobs, o que faz Tanya Gold se perguntar se não estão todos sendo vítimas coletivas de uma espécie de Síndrome de Estocolmo, que caracteriza o apego mórbido que as vítimas de sequestro desenvolvem em relação às pessoas que as tornam suas reféns. Em relação a Jobs, pois, a imprensa ama o seu assassino. Por mais visionário que tenha sido, tanto Steve Jobs como a empresa que fundou foram absolutamente convencionais no que diz respeito ao desrespeito a direitos trabalhistas, terceirização de produção para a China, com exploração de mão-de-obra chinesa a salários degradantes e condições desumanas que levaram a muitos suicídios, além da mesma hierarquia feudal de outras companhias americanas. Quanto a este aspecto, Steve Jobs podia realmente ter mudado o mundo, mas – contrariamente ao que tentam fazer você crer - ele deliberadamente escolheu não fazê-lo, conclui a articulista.

Para ler o artigo (em inglês) na íntegra, acesse o site do The Guardian.



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Biografia confirmaria arrependimento de Steve Jobs por não ter seguido tratamento convencional para o câncer

Alguns dias atrás foi muito comentada a crítica que o pesquisador de Harvard Ramzi Amri fez sobre o fato de Steve Jobs não ter seguido o tratamento convencional prescrito para os casos de câncer como o dele, preferindo seguir terapias alternativas, conforme divulgamos aqui. Aquilo que era - até então - apenas suposição parece que vai se confirmar na biografia autorizada do fundador da Apple, que será lançada nos Estados Unidos na próxima segunda-feira, dia 24/10, com outras revelações bombásticas, segundo informa o Terra:

Biografia de Steve Jobs esmiúça detalhes sobre seu tratamento médico

O co-fundador da Apple, Steve Jobs, lamentou ter rejeitado no final de sua vida os tratamentos convencionais para tentar curar seu câncer, declarou o autor de sua biografia, Walter Isaacson, em uma entrevista à rede de televisão "CBS".

Intitulado "Steve Jobs", o livro de 656 páginas será lançado na próxima segunda-feira, dia 24 de outubro. A "CBS" adiantou nesta sexta alguns trechos da entrevista de Isaacson para o programa "60 Minutes", que será exibido na integra na noite de domingo.

Depois de uma longa batalha contra o câncer, Steve Jobs, que morreu no dia 5 de outubro, aos 56 anos de idade, se transformou em um assunto mundial, com a maioria das pessoas abordando sua influência na era digital.

A biografia de Jobs já aparece como o livro mais vendido na livraria virtual Amazon. Em entrevista para "CBS", o autor confirmou que Jobs se negou a receber os tratamentos convencionais que poderiam ter salvado sua vida. O co-fundador da Apple se tratava com uma combinação de dieta, ervas e práticas espirituais.

Repudiando a possibilidade de uma intervenção cirúrgica, Jobs usou "raízes e vegetais" em seu tratamento, demorando nove meses para começar um tratamento mais convencional. Neste mesmo tempo, o câncer já se tinha estendido do pâncreas para os tecidos circundantes.

"Jobs disse ''Não quero que abram meu corpo, não quero ser violado dessa forma''", afirmou Isaacson, que realizou mais de 40 entrevistas com o criador do iPod e do iPhone.

"Ele tinha uma ideia fixa, tipo: se não quer que algo exista, ela não existe. É como um pensamento mágico. Falávamos muito sobre isto", declarou o escritor. "Ele queria falar sobre esse assunto e lamentava. Penso que ele sentia que deveria ter sido operado muito antes", acrescentou.

Outros trechos do livro, que foram divulgados em diferentes veículos de comunicação nos Estados Unidos, destacam que Jobs, conhecido por seu forte temperamento, estava disposto a criar "uma guerra termonuclear" contra o Google.

Segundo Isaacson, Jobs considerou como um "grande roubo" o sistema operacional do Google Android, que compete diretamente com o iPhone da Apple.

"''Google, os senhores roubaram descaradamente o iPhone, nos roubaram de ponta a ponta''", teria dito Jobs.

Segundo Isaacson, o co-fundador da Apple chegou a afirmar: "Gastarei até meu último respiro se for necessário, e cada centavo dos US$ 40 bilhões da Apple para levar isso adiante. Vou destruir o Android, porque é um produto roubado".



sábado, 15 de outubro de 2011

Pesquisador de Harvard critica suposto tratamento alternativo do câncer de Steve Jobs

Ramzi Amri é um conceituado pesquisador da Faculdade de Medicina da prestigiosa Universidade de Harvard, que veio a público fazer uma crítica inusual e inesperada ao suposto tratamento alternativo a que Steve Jobs, teria se submetido para enfrentar o câncer de pâncreas de que sofria. Diz-se "suposto" porque não há nenhuma confirmação oficial de que Jobs realmente tenha feito isto, o que deixa a manifestação do Dr. Amri ainda mais surpreendente, já que ele estaria se imiscuindo na (ou pelo menos arranhando a) confidencialidade que tipifica e garante a relação médico-paciente. Num artigo bastante detalhado publicado no site Quora, o pesquisador de Harvard chama a atenção para o fato do tipo de câncer - que se revelou fatal a Jobs - ser relativamente bem tratável segundo os procedimentos e protocolos universalmente aceitos para o caso. Sempre frisando que não conhece a fundo o tratamento aplicado ao fundador da Apple, e que se baseia em informações secundárias de outras pessoas e da própria mídia, Ramzi Amri compara os dados públicos do tratamento com a sua vasta experiência na pesquisa científica com outro médicos e pacientes que enfrentaram o mesmo problema. O que surpreende o cientista é que o caso de Jobs evoluiu de maneira completamente diferente - no sentido negativo - da imensa maioria de tumores similares tratados segundo os protocolos convencionais. Este ponto fora da curva, segundo Amri, se deveria ao fato de que Steve Jobs - supostamente - ter procurado várias formas de terapias alternativas antes de, vencido pela ineficácia delas, render-se ao tratamento prescrito pelos médicos com formação e capacitação para cuidar deste tipo de câncer pancreático. O Dr. Amri relembra, ainda, o período em que Steve Jobs aparecia - nos eventos de lançamentos de novos produtos da Apple - desfilando uma magreza extrema e preocupante, dizendo que isto indica que o megaempresário não estava fazendo ou dando a devida atenção à quimioterapia recomendada para aquele estágio da doença.

De fato, a revista Fortune publicou um artigo, em 2008, dizendo que Jobs tinha procurado - por 9 meses - "métodos alternativos para tratar o seu câncer pancreático, esperando evitar a cirurgia mediante uma dieta especial". Como ele era budista e vegetariano, tentou seguir este caminho desde o diagnóstico em outubro de 2003 até o fim de julho de 2004, quando não houve mais saída que não fosse a cirurgia realizada no Centro Médico da Universidade de Stanford. É neste período que Ramzi Amri concentra sua crítica, afirmando que àquela época o câncer de Jobs era perfeitamente tratável e estava muito longe da possibilidade dele vir a perder seu pâncreas e o duodeno na intervenção cirúrgica conhecida pelo nome de "procedimento de Whipple", e foi aí também que o câncer se espalhou para extensas áreas do seu fígado. Em suma, para o pesquisador de Harvard, tanto o procedimento de Whipple como o transplante de fígado que foi realizado depois, são claros sinais de que a escolha temerária de Jobs por um tratamento alternativo fizeram com que o tumor ficasse totalmente fora de controle, o que terminou levando-o à morte no último dia 5 de outubro.

Não deixa de ser um alerta a todos aqueles que, movidos por hábitos e/ou pressões culturais ou religiosos, evitam o tratamento médico prescrito e eficazmente comprovado ao longo de décadas de pesquisa das mais variadas formas de câncer. É compreensível, portanto, a crítica pelo Dr. Ramzi Amri, pois é muito delicada (e potencialmente desconfortável) a situação do médico que trata de um paciente que acrescenta "terapias alternativas" na sua busca pessoal pela cura. Podem ser elas naturais ou religiosas (como a "cirurgia espiritual" de Reynaldo Gianecchini), e o "terapeuta alternativo" fica numa posição muito cômoda, na base do "ganha-ganha perpétuo": se o tratamento falhar, a culpa é do paciente (que não teve "fé" suficiente ou não seguiu rigorosamente as práticas prescritas, ainda que por um mililitro de chá) ou do médico (que interferiu na "terapia"). Agora, se der certo, todo o mérito vai para o, digamos, "curandeiro" e pouco ou nenhum crédito é dado ao médico, que será sempre o "derrotado" nesta bizarra relação. E o risco é que há uma enorme chance de que o "terapeuta" ou "curandeiro" seja, na verdade, só mais um charlatão sortudo...

Fontes: Quora - Gawker - CNN Money



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Igreja Batista de Westboro avisa que vai protestar em funeral de Steve Jobs

Os maluquetes da Westboro Baptist Church, sediada em Topeka, no Kansas (EUA), liderados pelo "profeta do ódio" Fred Phelps, e tristemente famosos por festejar mortes de gays e fazer apologia à violência, em mais uma jogada de (anti)marketing que lhes garante a simpatia do que há de pior na humanidade, planeja fazer um protesto no funeral de Steve Jobs, segundo anunciou Margie J. Phelps, advogada da igreja e - como o sobrenome entrega - membro da enorme família que lidera a organização, através do seu twitter. A razão alegada por ela é que Steve Jobs "tinha uma enorme plataforma, não dava glória a Deus e ensinava o pecado". O curioso é que a convocação para o protesto foi digitada diretamente no iPhone de Margie:



Ficou a dúvida, portanto: será que Margie Phelps sabe que o produto que ela usa para tuitar foi o Steve Jobs que criou?

E por falar em marketing, é sempre bom lembrar a propaganda do Apple Macintosh em 1984, no intervalo do SuperBowl (final do futebol americano), dirigida pelo consagrado cineasta Ridley Scott, e que mostra exatamente um bando de fanáticos seguindo um líder totalitário, no estilo do livro "1984" de George Orwell, situação que o primeiro computador pessoal de Jobs vinha para destruir. Quem foi o "profeta" nessa história toda?






terça-feira, 17 de maio de 2011

A iReligião da Apple


Hoje à noite a BBC 3 exibirá na Grã-Bretanha um documentário sobre a transformação de grandes marcas como Apple e Google em "religiões". Não se trata exatamente de nenhuma nova seita dirigida por algum executivo maluco, mas do trabalho de uma equipe de neurocientistas que scanearam o cérebro de um fã da Apple e descobriram que a marca desperta e ativa nele as mesmas áreas responsáveis pela fé, ou seja, a mesma região do cérebro que são ativadas quando imagens religiosas são mostradas a uma pessoa que nelas tem fé. Como já faz 47 dias que passou o primeiro de abril, a notícia não deve ser brincadeira. Inclusive o trailer do documentário - que está no site da BBC News - mostra a expectativa dos consumidores enquanto aguardam a loja abrir para poderem comprar o mais novo lançamento da Apple, seja ele um iPod, um iPad ou outro 'i' qualquer. Ainda segundo a BBC, este verdadeiro "fervor evangélico" deslocado para o consumismo explicaria o sucesso que empresas como Apple e Google têm experimentado nos últimos anos. Parece não haver dúvida que os consumidores mais fiéis devotam uma predileção que beira o fanatismo a suas marcas favoritas, mas é um tanto quanto surpreendente esta relação pretendida com a religiosidade. É verdade que muitos fiéis se comportam como uma torcida de futebol em relação às suas religiões, assim como muitos "pastores" - infelizmente - transformam suas pequenas igrejas em grandes negócios, mas a linha seguida na pesquisa dos neurocientistas poderá - inadvertidamente - confirmar outra evidência muito forte, já discutida na Universidade de Oxford, a de que a religião é um instinto natural do ser humano.

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