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terça-feira, 13 de junho de 2017

Da Cracolândia à faculdade de Direito, passando pela Cristolândia


O título acima é um brevíssimo resumo da história contada pela BBC Brasil:

Como deixei a cracolândia e entrei na faculdade de Direito

Gabriela Di Bella e Gui Christ

"Acharam que eu estava derrotado, quem achou estava errado, eu voltei, tô aqui, se liga só, escuta aí."

É na forma de rap que Tiago Ideal Nogueira, de 35 anos, conta a história de sua sobrevivência a quatro anos na cracolândia, na região central de São Paulo.

O ex-"noia" - forma como os usuários de crack costumam ser chamados na cidade - atualmente é missionário, ajudando dependentes a deixarem a droga, produziu o seu primeiro CD de rap e, em 2016, foi o melhor aluno do curso na faculdade de Direito privada que frequenta na zona leste de São Paulo.

Ele lembra exatamente o momento em que decidiu mudar de vida.

"Entrei pela porta da Cristolândia (ONG que auxilia usuários do crack a deixarem a droga) no dia 8 de maio de 2012, às 15h30, após quatro anos vivendo no fluxo", diz Nogueira à BBC Brasil na praça Princesa Isabel, onde ele foi conversar com usuários da nova cracolândia que se formou no centro paulistano após a mais recente ação policial no local anterior, perto dali.

Agora, após dois anos de tratamento nas fazendas da ONG e um ano como missionário - ouvindo, ajudando no banho, servindo comida e convencendo usuários a aceitarem o tratamento -, ele quer trabalhar no setor público, mas com foco justamente em viciados.

"Meu sonho é ser defensor público", afirma.

Bolsista na faculdade graças a um acordo com a ONG, Nogueira tem notas altas em quase todas as disciplinas. "A matéria que mais gosto de estudar é Direito Civil, e tirei nove notas 10. Estou no segundo ano e luto para manter esse ritmo."

A coordenadora do curso, Eliana Berta Fernandes Corral, afirma que Tiago é destaque em meio aos 600 alunos de seu corpo discente.

"As notas dele são realmente acima da média, e ele sempre participa das aulas e das nossas atividades. Temos orgulho dele na faculdade."

Diálogo

Nascido na zona norte de São Paulo, Nogueira perdeu a mãe aos 12 anos e o irmão mais velho aos 15 - ambos tinham HIV. Sua avó morreu de câncer quando ele tinha 20 anos.

Ele vivia com o tio e diz que nunca lhe faltou nada em termos materiais. "Eu morava bem, trabalhava com meu tio e andava com carrão, bem vestido e perfumado", lembra.

Entretanto, o que mais faltava era diálogo, conta. "Não tive pai, nunca soube quem ele era, e sentia falta de uma orientação, de alguém com quem conversar. Meu tio me dava tudo, menos isso."

Nogueira começou a usar drogas na adolescência, quando saía à noite. "Comecei a usar cocaína na balada, (junto com) bebida. Para um adolescente, estava tudo legal", conta. Até que provou o crack.

"Ele (o crack) seguia sempre comigo. Eu trabalhava e ia para as baladas com ele junto, até o momento em que ele pede exclusividade. E, em 2009, eu fui morar nas ruas por causa disso."

Nessa mesma época começou a se envolver com a pichação, o que envolvia escalar prédios altos - "subi e pichei diversos prédios famosos de São Paulo".

Em 2010, caiu e quebrou vários ossos quando grafitava um edifício da avenida Brigadeiro Luís Antonio, na região central da cidade. Quase morreu. Apesar disso, não abandonou o gosto pela atividade - mas hoje faz grafites pedindo autorização dos donos dos muros.

Sonho

Foi um sonho com a avó que mudou sua vida.

"Um dia sonhei que tomava um refrigerante com a minha vó e conversei muito com ela. Acredito que ela me mandou uma mensagem. Na época, andava de muleta. Acordei, me olhei no espelho e percebi que tinha me tornado um farrapo humano. Estava muito magro, 'noia' e de muleta, tinha passado quatro dias fumando crack direto", lembra. Foi nesse momento que decidiu buscar ajuda na Cristolândia.

Nogueira diz que o período mais difícil foram os primeiros seis meses.

"O corpo pede a droga e você tem que lutar para se manter na abstinência. Tinha muito desejo de fumar, muita fome, e dormir era complicado."

Ainda assim, conta que não teve nenhuma recaída.

Ele se tornou evangélico dentro da Cristolândia. "No começo foi difícil. Eles falavam que Deus é bom, eu só pensava que havia perdido toda minha família - e isso era Deus sendo bom? Eu ficava revoltado", explica. Depois de 15 dias de tratamento, diz ter tido "um encontro com Deus". Hoje se considera um missionário.

Já o rap surgiu dentro das atividades de música durante o tratamento, e hoje ele o utiliza para transmitir apoio aos usuários de crack. Nogueira compõe e canta em igrejas e nos cultos da ONG e gravou um CD que se chama Divinamente Rap.

Também quer desenvolver, com ajuda de um amigo, um aplicativo para agilizar a busca de vagas para tratamento de dependentes químicos, organização da internação e sistemas de logística da ONG que o resgatou.

Abordagens

Nogueira vê com ceticismo a operação policial realizada pelo governo na cracolândia.

"Sabemos que há interesse imobiliário em revitalizar a área, mas é preciso cuidar das pessoas. Só agir com autoritarismo não resolve. Assim, a cracolândia nunca vai deixar de existir", opina.

Ele se queixa de ter sido abordado "a vida inteira" por policiais e ter sido tratado como "negão e bandido".

Em uma viagem recente à praia, foi parado por um policial e retrucou: "Olha o constrangimento que o senhor está me fazendo eu passar. Eu sou missionário, eu dou banho em noia, eu faço aquilo que o senhor não faz".

Sobre a vida na cracolândia, recorda que cada dia era "uma guerra".

"Você levanta de manhã, começa a batalha. Onde você vai comer, e como vai conseguir dinheiro. É impossível não entrar no esquema, você é obrigado a aprender as táticas - sempre ter um cigarro ou uma cachaça na mão para vender."

Do ponto de vista das estatísticas, Nogueira é um sobrevivente: segundo pesquisa da Unifesp, 30% dos usuários de crack morrem antes de cinco anos de consumo da droga. Ele credita sua sobrevivência ao medo "de levar facada", que o fazia evitar dormir na rua - pagava por uma cama nos albergues baratos da região.

Hoje, diz que sua maior luta é contra si mesmo.

"Nunca posso achar que estou bem, sempre estou em progresso. Ajudar as pessoas me faz bem, porque todos os dias me deparo com a realidade que vivi."



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

No conflito entre Israel e Palestina, sobrou até para Matisyahu na Espanha

Graças a YHWH por não haver limites para a mensagem e o talento de Matisyahu.

Os leitores que acompanham o nosso blog há alguns anos já devem ter percebido que o nosso rapper preferido é Matisyahu, com sua mistura de rap, hip hop e reggae difícil de imaginar para um judeu de origem ultra-ortodoxa.

Seja cantando, seja fazendo a barba, seja estrelando filme de exorcismo judaico, Matisyahu é figurinha carimbada aqui no blog. Talento ele tem de sobra e nós somos fãs de carteirinha.

O Rototom SunSplash é um conceituado festival de reggae realizado anualmente em Benicassim, região litorânea próxima a Valencia, na Espanha, que convidou Matisyahu para se apresentar.

Sabedor disso, o grupo intitulado Boycott, Divestment, and Sanctions (BDS) se manifestou contrário à apresentação do cantor judeu nascido nos Estados Unidos, devido ao que chamou de "sua posição sionista", ou seja, pró-Israel.

A organização do festival então pediu que Matisyahu fizesse uma declaração pública repudiando a política israelense em relação aos palestinos, o que o rapper nem se deu ao trabalho de responder.

Matisyahu preferiu se manifestar na sua página no facebook, em 17/08/15, dizendo que apoiava paz e compaixão para todas as pessoas, que sua música falava por si mesma e que não mistura política com sua arte. 

Diante disso, ele foi "desconvidado" para o festival, mas a repercussão foi extremamente negativa para os organizadores. O governo espanhol e as embaixadas de Israel e dos Estados Unidos no país protestaram, e não houve outra maneira senão pedir desculpas e "reconvidar" Matisyahu para se apresentar no SunSplash, o que ele prontamente aceitou alegando que sua maior motivação para tanto era privilegiar a liberdade de expressão.

Depois do rebuliço, a própria representação local do BDS desconversou de maneira um tanto quanto truncada, dizendo que não era bem assim e que Matisyahu seria bem-vindo à Espanha.

Para felicidade dos fãs espanhóis e de todos que compreendem e espalham a mensagem pacifista do rapper judeu, o bom senso prevaleceu e ele compareceu - sim - ao festival.

O concerto de Matisyahu aconteceu no último sábado, 22/08/15, e - ao contrário do que muitos imaginavam - tudo transcorreu de maneira tranquila. 

Terminada a apresentação, ele postou no seu facebook:
Esta noite foi difícil, mas especial. Obrigado a todos que a permitiram! Qualquer chance de fazer música é uma bênção!
No vídeo abaixo, você pode ver que há várias bandeiras da Palestina no meio da multidão que acompanhou o show, mas isso não impediu Matisyahu de se apresentar e cantar seus sucessos, entre eles "Jerusalem", que é exatamente a música que ele canta para a plateia.

Inclusive há uma pessoa na audiência segurando um cartaz com a inscrição "Peace for Jerusalem" ("Paz para Jerusalém").

Neste mundo tão conturbado pela intolerância e incompreensão, a manifestação pacífica de Matisyahu precisa ser constantemente ouvida:




sábado, 25 de julho de 2015

Prefeito de SP presenteia o papa com CD do Racionais MC's


Finalmente, o papa vai conhecer o Guina. A matéria é do G1 São Paulo:

Disco dos Racionais é presente da Prefeitura de São Paulo para o Papa


'Sobrevivendo no Inferno' tem trechos bíblicos; Haddad foi ao Vaticano.

Ideia do presente foi de grupo de jovens da periferia.


Cíntia Acayaba

O disco "Sobrevivendo no Inferno"', dos Racionais MC's, foi o presente escolhido pela Prefeitura de São Paulo para dar ao Papa Francisco. O prefeito Fernando Haddad participou de seminário no Vaticano nesta semana.

A ideia do presente foi repassada por um grupo de jovens da periferia ao coordenador de Políticas para Juventude, Cláudio Aparecido da Silva. A capa do LP "Sobrevivendo no Inferno" tem uma cruz e o Salmo 23, capítulo 3: "Refrigere minha Alma e guia-me pelo caminho da Justiça".

Faixas do disco como "Genesis" e "Capítulo 4, Versículo 3", compostas por Mano Brown, têm trechos bíblicos. O álbum aborda questões relacionadas à desigualdade social, racismo, entre outras. Um dos maiores sucessos é "Diário de um Detento", inspirado no diário de Jocenir, ex-detento do Presídio do Carandiru.

O Racionais MC’s surgiu no final dos anos 80 com "um discurso que tinha a preocupação de denunciar o racismo e o sistema capitalista opressor que patrocinava a miséria que estava automaticamente ligada com a violência e o crime", segundo o site oficial do grupo.

Haddad teve audiência com o Papa Francisco nesta terça-feira (21), mas não conseguiu entregar o disco. O secretário de Relações Internacionais da Prefeitura, Vicente Travas, que segue em seminário em Roma, deve deixar o LP, autografado pelos integrantes do grupo, aos cuidados do Papa por meio do chanceler do Sacro Colégio.

Carta de prefeitos brasileiros

Haddad, juntamente com chefes de administrações municipais vinculados à Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), entregou uma carta ao Papa em que diz que os governos locais, as prefeituras, também devem colaborar para reverter a crise climática global e cita metas estabelecidas para desatrelar o desenvolvimento das cidades do aumento de emissões de gases de efeito estufa.

O texto menciona que as mudanças climáticas pioram a qualidade de vida, especialmente da população mais carente, e que, para superar a vulnerabilidade dos mais pobres, adota políticas públicas de inclusão social.

Os prefeitos ainda pedem que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheça a importância dos governos locais na sustentabilidade do mundo e desenvolvimento humano.

Fernando Haddad foi convidado pelo Vaticano para um seminário com 15 prefeitos de todo o mundo e o governador da Califórnia no Vaticano nos dias 21 e 22 deste mês. O convite foi assinado pelo monsenhor Marcelo Sanches Sorondo, responsável pelo Sacro Colégio.

São Paulo possuía, até o ano passado, o programa de inspeção veicular ambiental, que contribuía para a redução da poluição do ar.



terça-feira, 25 de junho de 2013

Kanye West quer ser Jesus

Tem sempre alguém na cena pop querendo chamar a atenção na base da apelação. o rapper Kanye West é "o" bola da vez, segundo a Folha de S. Paulo publicou em 24/06/13:

Só Yeezus salva

THALES DE MENEZES

Na década de 1960, John Lennon levou pancada de todos os lados quando disse que os Beatles eram mais famosos do que Jesus Cristo.

Em 2013, o rapper americano Kanye West, 36, talvez seja a coisa mais próxima dos Beatles inserida na cena pop.

Não por seus estilos musicais, bem diferentes, mas pela popularidade entre o público jovem. Nestes tempos, West não se acha mais popular do que Jesus Cristo. Ele se considera o próprio.

"Yeezus", o nome de seu sexto álbum, denomina um alter ego divino que o cantor assume em um álbum curto, direto, cru. Em uma das faixas, "I'm a God", ele -Yeezus- conversa com Jesus. Como sempre, cheio de marra.

O disco transcende o hip-hop. Ao contrário do anterior, "My Beautiful Dark Twisted Fantasy", de 2010, exagerado, megalomaníaco, este é enxuto, quase monolítico.

West e o produtor Rick Rubin mexeram nas faixas até poucos dias antes do lançamento de "Yeezus". Segundo o cantor, Rubin não "produziu" o disco, ele o "reduziu", tirando todos os excessos.

Com apenas dez faixas e 40 minutos de duração, passa em vários momentos a sensação de que o ouvinte só tem a voz do rapper e a percussão eletrônica para escutar.

Esse percussão é pesada, metálica, estridente, agressiva até, como no rock industrial de um Nine Inch Nails.

O mistério de West é como ele consegue, com tão pouco, exibir tantas referências. As músicas vão do house oitentista de Chicago ao dancehall, passando pelo estilo robótico das fases anteriores do Daft Punk -não por acaso, a dupla francesa produz três faixas de "Yeezus".

SEM CAPA

A opção minimalista do projeto não fica restrita ao som. O disco não tem capa nem encarte. É vendido numa caixa de acrílico transparente, dessas comuns de CD.

Tem, na frente da caixinha, um adesivo vermelho que serve para fechar a embalagem e, atrás, outro adesivo com a relação de samples usados no disco -West é obrigado por lei a exibir essa informação.

Nas letras, a prepotência continua, mas o discurso é amargurado e angustiado. "On Sight", "Sent It Up" e "Black Skinhead" são exemplos de faixas que jogam os ouvintes longe de qualquer zona de conforto.

"Yeezus" é experimental, tão instigante que chega a incomodar. É um disco hostil.

O impacto sonoro provocado por "Yeezus" ofusca a vida louca do artista, colecionador de desafetos. Nos dias após o lançamento do álbum, as pessoas estão mais ocupadas em destrinchar suas letras do que conferir a última briga do astro na internet.

Poucas vezes um disco tão perturbador chega ao mercado. Parece que West pegou o que tinha mostrado em outros álbuns e cortou fora tudo que soava bem resolvido, acessível ao grande público.

E, mesmo assim, ainda é capaz de arrebatar fãs -eis a grande magia do cara que leva o hip-hop a um patamar completamente novo.



terça-feira, 26 de junho de 2012

Rapper iraniano foge dos aiatolás

O rapper iraniano Shahin Najafi, hoje com 31 anos de idade, vive hoje escondido na Alemanha, condenado que foi pelas autoridades islâmicas do seu país, por causa de suas músicas de protesto.

Não precisa nem conhecer o idioma farsi para entender por quê ele é tão indesejável para os aiatolás do Irã. Basta ver o vídeo abaixo, que faz referência a álcool, homossexualismo, mulheres livres e liberdade sexual, o que é suficiente para ter uma ideia do furor que ele causa.

A música, Ba'd Az To, assumidamente inspirada em "Back to Black" da Amy Winehouse, é uma balada boa, mas a letra, conforme o Google Tradutor precariamente denuncia, faz mesmo referência explícita a tudo que você veladamente vê no vídeo.

A letra em farsi está abaixo. Se estiver curioso para ler o que ela diz, é só colocar no Google e pedir a tradução do persa para o português. Não vai ser lá essas coisas, mas é perfeitamente possível entender o que ele canta:


بعد از تو
شاهین نجفی
تنظیم:بابک خضأیی
شعر:مهدی موسوی
کارگردان:شروین ا.فکری
ملودی:شاهین نجفی

خاموش کردم توی لیوانت خدایم را شبها بغل کردم به تو همجنس هایم را
رنگین کمان کوچکی بر روی انگشتم در اولین بوسه خودم را و تو را کشتم
هی گریه میکردم به آن مردی که زن بودم شبها دراکولای غمگینی که من بودم
و عشق یک بیماری بد خین روحی بود تنهایی ام محکوم به سکس گروهی بود
سیگار با مشروب با طعم هم آغوشی یعنی فراموشی فراموشی فراموشی
بعد از تو الکل خورد من را مست خوابیدم
بعد از تو با هر کس که بود و هست خوابیدم
بعد از تو لای زخم هایم استخوان کردم
با هر که میشد هرچه میشد امتحان کردم
تنهایی در جمع در تنهای تنهایی با گریه و صابون و خون و تو خودارضایی
دل خسته از گنجشک ها و حوض نقاشی رنگ سفیدت را به روی بوم پاشی
لیوان بعد قرص های حل شده در سم باور بکن از هیچ دیگر نمی ترسم
پشت سیاهی های دنیامان سیاهی بود معشوغه ام بودی و هستی و نخواهی بود
بعد از تو الکل خورد من را مست خوابیدم
بعد از تو با هر کس که بود و هست خوابیدم
بعد از تو لای زخم هایم استخوان کردم
با هرکه میشد هر چه میشد امتحان کردم

کلمات کليدي: ویدئوی بعد از تو هدیه‌ای ‌ست از طرف شاهین نجفی و تیم شر موزیک به تمامی‌ دوستان همراه در ایران و سرتاسر جهان با تنظیم بابک خضأیی و شعر این کار از مهدی موسوی بوده و با کارگردانی زیبای شروین ا.فکری





A entrevista abaixo foi publicada no Estadão:



'Os fundamentalistas não sabem brincar'

Rapper iraniano que fugiu do país depois que os clérigos lançaram fatwas contra ele diz que religiosos 'não aceitam piadas'

GEORG BÖNISCH e TOBIAS RAPP
DER SPIEGEL

Fugindo das ameaças dos aiatolás iranianos, o rapper Shahin Najafi, de 31 anos, se refugiou numa casa perto de Colônia, na Alemanha. Embora esteja sob proteção policial, as quatro fatwas lançadas contra ele até o momento pelos principais clérigos iranianos parecem incrivelmente distantes. Najafi lançou uma música na qual implorava ao décimo imã, Ali al-Hadi al-Naqi, que voltasse à Terra para solucionar os problemas do Irã contemporâneo. Os xiitas veneram al-Naqi, que morreu 1.143 anos atrás e era descendente direto de Maomé. A canção foi baixada mais de 500 mil vezes apenas no Irã e foi assistida mais de meio milhão de vezes no YouTube.

Como é sua rotina no esconderijo em que está?

Leio, escrevo, tenho o violão comigo. Tento não pensar nas ameaças.

Alguém o visita?

Não, ninguém.

Você é casado aqui na Alemanha. Como sua família está lidando com a situação?

É difícil. Prefiro não comentar.

Quando começou a se interessar por música?

Dos 14 aos 18 anos, treinei para me tornar um cantor profissional dos versos alcorânicos.

Qual era o aspecto que mais o fascinava?

Eu era um menino muito religioso e, um dia, ouvi a música de um cantor alcorânico egípcio. A melancolia daquela música me tocou tão profundamente que me levou às lágrimas.

Depois, você frequentou a universidade?

Sim, cursei sociologia, mas não cheguei a me formar - principalmente porque se tratava de sociologia islâmica. Eu tinha dificuldade para aceitar os dogmas. Não se tratava de uma ciência, como ocorre no Ocidente. Fui expulso da universidade. Então, tive de me alistar no Exército. Foi então que perdi a fé.

O que houve?

Até então, eu era um jovem idealista. Vivia no mundo da poesia e das ideias. Pensava que a vida era apenas arte e filosofia. No Exército, descobri subitamente o mundo real.

Por que foi obrigado a deixar o Irã?

Depois do Exército, toquei em bandas que faziam versões cover de músicas pop ocidentais. Inicialmente, tocávamos apenas versões instrumentais, evitando problemas com as autoridades. Mas, a partir de 2003, comecei a compor, a tocar minhas próprias canções e logo me vi perseguido pelos agentes do serviço de informações. Em novembro de 2004, fiz minha última apresentação e fugi para a Alemanha, porque tinha sido sentenciado a 3 anos de prisão e a 100 chibatadas em razão de uma de minhas músicas.

Para um artista, não deve ser fácil viver no exílio. O público desaparece e é difícil conhecer novos ouvintes.

Experimentei bastante e, finalmente, passei a me dedicar ao rap. Na verdade, não gosto muito do hip-hop. A música é repleta de clichês e a subcultura, principalmente o lado machista, não me atrai. Mas, ao mesmo tempo, o rap é uma linguagem simples, direta e forte.

Não chega a ser surpreendente que sua canção 'Naqi' tenha provocado tamanha reação. Afinal, você evoca um imã considerado importantíssimo para os xiitas e faz versos falando de himens reconstituídos, corrupção e sexo. A capa mostra uma mesquita cuja redoma tem a forma de um seio, sobre a qual tremula uma bandeira do arco-íris. Você não acha que é difícil ser mais provocativo do que isso?

Sempre soube que minhas canções provocariam o regime. Entre outras coisas, a capa é uma alusão aos casamentos temporários no Irã. E a bandeira sobre a mesquita simboliza a pena de morte que é aplicada aos homossexuais em nome da religião. Ainda assim, admito que não esperava uma reação tão extrema.

Há algo de satírico nas letras de suas músicas.

Sim, sou um sátiro. Os poderosos não gostam de sátiros.

Salman Rushdie também poderia ser considerado um sátiro.

Os fundamentalistas não sabem brincar. Nunca aceitam piadas. Querem que obedeçamos cegamente e acreditemos nos seus dogmas.

Não se sente horrorizado pela possibilidade de ter de passar muito tempo escondido?

É claro que sim. Sou um músico. Preciso me apresentar. Não posso desistir. Tenho de ser ainda mais corajoso. Sabemos que temos muitos inimigos. Não apenas no Irã. Mas nada disso importa. O futuro nos pertence. Acho que a arte é uma força capaz de transformar o mundo.

São palavras nobres.

Na noite passada, vi um vídeo na internet. Nele, dois homens mascarados me ameaçam, falando em persa com sotaque afegão. Eles perguntam: por que você insulta nossa fé? Vamos encontrá-lo, não importa onde esteja escondido. Não estará a salvo em lugar nenhum. E eles também falam alemão. Talvez morem na Alemanha ou tenham crescido aqui. O que devo fazer? Desistir? Demonstrar arrependimento? Não farei nada disso. Acredito na história. Precisamos de tempo. Será preciso tempo para que as coisas comecem a mudar. Mas elas vão mudar.

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Holograma "ressuscita" Tupac Shakur em show "ao vivo"

Tupac Shakur foi, segundo o The New York Times, "o maior rapper de todos os tempos", que teve uma vida cheia de confusões e polêmicas até ser assassinado com 4 tiros em setembro de 1996. Inspirador que foi de uma série de rappers que vieram depois, ontem ele foi homenageado no festival Coachella 2012, tendo sido "ressuscitado" para aparecer - em holograma - cantando "Hail Mary" e depois, ao lado de Snoop Dogg, interpretando “2 of Amerika’z Most Wanted”. Ficou show, com um final emocionante e sensacional. Confira no vídeo abaixo:





Abaixo uma sequência mais completa onde se pode ver melhor a reação da plateia ante a surpresa de ver Tupac "vivo" e a transição para o show do Eminem em seguida.






terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Matisyahu explica por quê fez a barba

Depois da repercussão que teve o fato de se barbear em dezembro último, o cantor de reggae e rapper judeu ortodoxo Matisyahu se viu na necessidade de ter que explicar ao mundo e especialmente aos seus fãs o que significou aquele gesto. 

Deu, então, uma entrevista à rádio novaiorquina WNYC, onde expôs as suas razões. 

Primeiramente, Matisyahu disse que não é pelo fato de tirar a barba que ele deixou de ser judeu e relata que, no dia seguinte às (não mais) anônimas escanhoadas, continuou cumprindo suas obrigações religiosas da mesma maneira em que fazia antes.

O radialista então lhe pergunta por que razão ele tinha deixado crescer a barba, e o que o havia levado a raspá-la depois de tanto tempo.

O cantor responde dizendo que começou a deixar a barba crescer quando tinha de 20 para 21 anos de idade, período em que mergulhou de cabeça na religiosidade judaica.

Passou a usar ostensivamente não somente o aspecto facial mas as roupas e o chapéu que caracterizam os judeus ortodoxos hassídicos, e ser visto como tal no metrô, por exemplo, o deixava contente, num claro contraste, digamos, "estético" com aquele garoto de 17 anos que ele havia sido um dia, que adorava reggae, Bob Marley e queria fazer insuspeitos dreadlocks no cabelo, mas em ambas as situações a representação externa de sua personalidade tinha muito a ver com o que se passava dentro dele.

A razão, entretanto, para que ele não mais se barbeasse a partir de então é mais complexa.

Matisyahu se justifica dizendo que, pela cabala (misticismo judaico que faz a cabeça de  muita gente famosa, como Madonna, só para citar uma celebridade), a barba representa os 13 atributos de misericórdia de Deus, e tudo o que está acima (na divindade) é conectado com o que está embaixo (no mundo), como se fosse um espelho em que esses atributos estão se "checando", se "conferindo" um ao outro constantemente.

Desta maneira, a barba seria - para a cultura hassídica - um símbolo e uma manifestação da misericórdia divina aqui na Terra.

Os 13 "atributos" da misericórdia de Deus estariam, então, diretamente ligados às 13 partes da face, e dessas, digamos, "aptidões, "faculdades" ou "qualidades" ligadas à barba decorreriam as bênçãos de Deus na vida da pessoa que a porta. 

Matisyahu confessa, então, que tinha medo de que perderia essas bênçãos se - por qualquer razão - eliminasse a sua volumosa barba.

A seguir, conta que passou por algumas semanas de profunda transformação espiritual, como nunca havia experimentado em sua vida, antes de tomar a decisão de - simples e finalmente - se barbear. 

Concluiu, assim, nas suas próprias palavras, de que "os temores que eu tinha... a ideia de que a misericórdia de Deus está ligada ao fato de eu me barbear (ou não) é ridícula... se eu merecer a misericórdia de Deus, eu a terei, independentemente da minha barba". 

Matisyahu se alegrou com o comentário de um fã que disse que nenhuma outra pessoa da sua geração consegue falar para judeus ortodoxos, nominais ou mesmo não-judeus como ele faz, e - com aquela voz mansa que o caracteriza - disse que isso o deixa muito feliz e o faz renovar a sua fé na humanidade, com tanto ódio que divide as pessoas, mas ele consegue se comunicar com uma legião de admiradores em paz. 

Por fim, já no segundo vídeo abaixo, indagado se não há contradição entre se apresentar de forma tão religiosa de um lado, mas estar agora com a barba feita e gostar de coisas "mundanas" (ele é torcedor do New York Giants, que acabou de ganhar o SuperBowl de futebol americano) do outro, Matisyahu se defende dizendo que "no mundo tudo é contradição. Tudo tem múltiplos lados. Nós vamos muito rápido à definição do que é preto ou branco, classificando-os em gavetas... o mundo é uma mistura de coisas diferentes". 

De qualquer maneira, o que seus fãs (entre os quais me incluo) esperam, Matisyahu, é que sua barba não seja o que o cabelo foi para Sansão, e que você continue alegrando muita gente com o seu talento, a sua fé e a sua autenticidade. 

Por isso mesmo, esperamos que Matisyahu nunca venha a fazer propaganda de nenhuma lâmina de barbear... (é que no caso evangélico brasileiro, tem "pastor" que fez o bigode e esqueceu tudo o que pregava antes...abafa!)






P.S.: os dados cabalísticos que Matisyahu apresenta na entrevista acima, especialmente sobre o número 13, são muitos complexos de serem explicados, fazem o gênero "mistério que não se revela aos iniciados" e este que vos escreve não tem capacidade nem interesse de entendê-los. Para os que quiserem se aprofundar no tema, a relação da barba com os 13 atributos da misericórdia de Deus está ensinada no Zohar, livro sagrado da cabala judaica, composto pelo rabino Shimon, especificamente no capítulo XI, preceitos de 209 a 232, que podem ser lidos em inglês clicando aqui. Leia, entretanto, por sua conta e risco, mas interprete com a ajuda de quem entenda do assunto, o que não é o meu caso, já que não estou nem um pouco interessado em numerologia e deixo a cabala aos cabalísticos, com todo respeito.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A rezadeira



Muitas são as mães, crentes de todas as religiões, que sofrem pelos seus filhos que escolheram o mau caminho. Esquecidas ou lembradas, em silêncio ou aos prantos, são as "rezadeiras" que o rapper Projota homenageia no rap do vídeo abaixo, não por acaso intitulado "A Rezadeira". Não deixa de ser também o retrato de uma época de profunda crise social e de identidade, pois muitos dos bandidos que correm nas ruas têm a vã esperança de que podem se proteger - mesmo na senda do crime - nas orações de suas mães que ficaram em casa, muitas vezes sem saber do mau caminho que seus filhos escolheram. O rap de Projota é muito bom, mesmo se perdoando alguns clichês típicos do gênero, e a homenagem a essas mulheres sofridas, cujos rebentos só acrescentam dor à sua miséria, é muito apropriada:



E pra quem nunca tinha ouvido falar do Projota, segue outro rap legal dele, "Mais do que Pegadas":





domingo, 19 de junho de 2011

O reggae judeu de Matisyahu

Considerando que o blog teve um fim-de-semana um tanto quanto judaico e rabínico, nada melhor do que terminá-lo em altíssimo estilo ouvindo Matisyahu, o (surpreendentemente) ótimo cantor (num mix de reggae, rap, hip-hop e outras influências) de origem judia ortodoxa (seu nome significa "Dom de Yahu" ou "Dom de Deus" em aramaico), cantando One Day e King Without a Crown (caso queria ler a tradução é só clicar nos nomes das canções). 

A letra de One Day é particularmente linda e dela basta um verso, "stop with the violence" ("parem com a violência"):



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