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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A filosofia do coveiro


De vez em quando a mídia brasileira publica um artigo que foge à convencional mediocridade de todo dia, como este abaixo do UOL, sobre Fininho, que - além de filósofo formado no Mackenzie - trabalha como coveiro do Cemitério do Araçá, em São Paulo (SP), em uma entrevista que é uma excelente aula sobre o sentido da vida. Imperdível!

Como diz o escritor de Eclesiastes  (7:2) - "Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração".


Trabalhando há 20 anos no cemitério do Araçá, 'Fininho' filosofa sobre vida e morte

Edson Valente

Osmair Camargo Cândido não revela a idade. “Todo mistério atrai”, justifica. É um princípio que parece adotar também em sua vida profissional. Afinal, como um apaixonado por Isaac Newton que se formou em filosofia na Universidade Presbiteriana Mackenzie e também estudou alemão concilia tais interesses com as funções que executa no Cemitério Araçá – localizado no sugestivo número 666 da avenida Doutor Arnaldo, em São Paulo.

Conhecido no trabalho – e fora dele – como Fininho, Cândido era coveiro até quase dez anos atrás. Hoje desempenha atividades administrativas, como a de localizar, no sistema informatizado do cemitério, as fichas de pessoas que lá estão enterradas.

Ele conta que pensou em estudar filosofia já aos “dez ou 11” anos de idade, motivado pela necessidade de pensar. “Se você não pensa, não sabe. E, se não sabe, como você é?”, divaga. Uma boa pergunta para ser feita neste 16 de agosto, o Dia do Filósofo.

“Se você não sabe, você não é nada. No Brasil temos muito disso, um bilhão de advogados, uma multidão de carcerários, o cara tem compromisso com dinheiro, com o cliente, mas com quem é de fato esse compromisso? Meu compromisso é com a filosofia, com a procura da verdade”, define.

Fininho coloca em xeque – outra de suas predileções é o jogo de xadrez – o conceito de gerenciamento no mercado de trabalho contemporâneo. “Há 500 mil executivos em São Paulo, pra mais. Todo mundo é gestor, gestor disso, gestor daquilo, e ninguém gerencia nada. É preciso conhecimento ético profundo do que se está gerindo, saber por que e para quê.”

Percepção do todo

Há mais de 20 anos no Araçá, onde entrou por concurso, diz ver o trabalho “como outro qualquer”. “Não se trata da principal atividade de minha vida. Escrevo bastante e devo publicar um livro”, revela. E cita que, antes de integrar o serviço funerário, já foi faxineiro, gráfico, cartorário e office-boy.

Embora relativize a importância de seu emprego, Cândido afirma existir uma relação entre os mausoléus e os ensinamentos filosóficos que tanto preza.

“É a percepção do todo, da existência, da vida, da morte. Do dito, do esquecido. A antropologia cultural, a antropologia social, tudo isso pode ser visto no cemitério. Das sete maravilhas do mundo, as pirâmides são túmulos. O Taj Mahal, na Índia, também é um túmulo. O homem primeiro sepulta para depois criar sua habitação.”

Como parceiro de atividade funerária, cita o músico Rod Stewart, que de fato manejou a pá antes de assumir a guitarra. “Dizem que o poeta Luís Vaz de Camões também foi [coveiro]. Todo mundo quer ser bambambã, mas às vezes não dá tempo”, filosofa.

O que mais o desagrada em um cotidiano tão próximo da morte é o “embrutecimento”. “Você endurece. De certo modo, corre o risco de se desumanizar.” Pergunto se a desumanização também não estaria presente em outras atividades. “Mas aí é caricatamente”, replica.

Além da filosofia

Em sua trajetória, não faltam, claro, histórias assombrosas. Em 1997, conta, deparou-se, na noite de uma sexta-feira 13 de agosto, com um “cara” que gritava.

“Eu não conseguia identificar se era homem, se era diabo, o que era. Ele correu, gargalhou alto e sumiu entre as sepulturas. Alguma coisa diferente ele tinha, arremessei a pá contra ele várias vezes. Era muito grande, muito forte e usava uma roupa boa, cara. Fiquei intrigado, curioso. De que adiantaria eu ficar com medo?”

Em 1995, no Cemitério de Vila Nova Cachoeirinha, enterrou sozinho uma mulher que todos diziam ter sido assassinada. Quando terminou o sepultamento, deixou sobre a terra, na altura dos pés do cadáver, a corda que usava para segurar o caixão.

“Na manhã seguinte, saiu no jornal que ela havia se enforcado”, lembra. “Fui procurar minha corda e a encontrei perto da coroa de flores, bem na altura do pescoço. Aquilo foi chocante, só tinha eu lá. Ninguém poderia ter movido aquela corda.”

Diante de tais relatos, pode-se entender melhor o que ele quis dizer com a "percepção do todo".



domingo, 10 de junho de 2012

Dia de Portugal

Nossa singela homenagem ao glorioso povo português com a primeira estrofe de seu lindo hino

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!


e o belo texto

por Fabio Ruben Lopes Paulos

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía."

Luíz Vaz de Camões



Hoje é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Hoje é o dia em que podemos mostrar que temos ainda algum amor pela nossa pátria, pelo nosso passado e confiança num futuro melhor. Portugal já viu melhores dias, mas também já vivemos dias bem piores. Actualmente queixa-se muito e fazê-se pouco, antigamente queixa-se muito e fizemos muito. Deixamos as nossas terras e partimos à descoberta de um Novo Mundo, começamos com a globalização, trouxemos nova vida a uma Europa velha e caída nas trevas da Idade Média. Deixamos a nossa marca em muitos pontos do Globo. A Língua de Camões é falada por mais de 250 milhões de pessoas, fazendo do Português a sexta língua mais falada no mundo.

Como é que durante um tempo tivemos um grande império, e agora somos um país pequeno!? Talvez foram as más politicas, talvez fosse o destino, talvez fosse o facto de sermos fracos, talvez fosse o facto de não nos sabermos impor, talvez foi culpa do povo português. Mas isso tudo é passado, passado que não se pode mudar, passado que viverá para sempre connosco seja mau ou bom. O que nos devemos preocupar agora é viver o presente e tornar o futuro melhor.

Estamos em crise, mas já vivemos muitas, talvez piores, os nossos avós/pais viveram tempos muito piores do que nós, e no entanto sobreviveram e estão aqui, eles souberam lutar pelo seu futuro, eles souberam trabalhar, eles souberam fazer crescer um país.

Está na hora de deixarmos o pessimismo de lado, está na hora de lutar, trabalhar, e deixar de reclamar. Há coisas que estão mal e só vão ao sitio com trabalho. Há coisas que estão bem e que merecem ser mostradas. Não vejam só o lado negativo de Portugal. Somos um país tão pequeno, mas com tantas coisas, tantas oportunidades, temos que nos fazer ver novamente ao Mundo, Portugal não está morto, está bem vivo, mas precisa de vocês Portugueses. Um País não se constrói sem um povo, um país não vai para a frente se o povo não quiser.

Não é só nestes dias que devemos mostrar amor pela pátria, não é porque somos mal governados que temos que virar as costas ao país que nos viu nascer e crescer. O Povo Português precisa de gostar mais de si próprio, precisa de gostar mais da sua Terra. Juntos podemos seguir em frente, podemos voltar a ser grandes, poderemos voltar a ser respeitados, só precisamos que nos respeitemos primeiro.





quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Os tempos mudam...



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve um dia,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se a cada dia,
Outra mudança faz de maior espanto,
Que não se muda já como soía.


Luís de Camões, soneto 45

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