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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Idosa adepta do candomblé é apedrejada no Rio de Janeiro


Aquela imagem de "cordialidade" que o brasileiro tinha até algum tempo atrás parece que não existe mais.

Se até "evangélicos" apoiam candidatos fascistas, o que imaginar dos outros, não é mesmo? 

A matéria é da Agência Brasil:

Idosa é agredida a pedradas no RJ e família denuncia intolerância religiosa

Cristina Indio do Brasil

Uma idosa foi agredida a pedradas no bairro Cerâmica, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A família diz que a mulher foi vítima de intolerância religiosa.

Segundo a filha da idosa, a vendedora Eliane Nascimento da Silva, de 42 anos, a mãe, Maria da Conceição Cerqueira da Silva, de 65 anos, foi agredida quando saiu de casa para ir ao mercado. A vendedora relatou que a mãe retornou com o rosto ensanguentado e ferimentos no braço esquerdo.

Maria da Conceição é candomblecista e a família acusa uma vizinha de ter cometido a agressão, que ocorreu na última sexta-feira, por volta das 15h, por intolerância religiosa.

“Ela veio da Bahia do interior com essa cultura dos ancestrais, da família e seguiu a educação que recebeu lá”, disse a filha.

A aposentada foi atendida no Hospital Geral de Nova Iguaçu, no bairro da Posse, e levou seis pontos na testa e três na boca. A idosa ainda não fez exame oftalmológico para verificar se o olho esquerdo foi afetado.

De acordo com a vendedora, a vizinha havia ameaçado matar Maria da Conceição, a quem chama de “macumbeira e feiticeira”. Além disso, teria dito que a família podia apresentar queixa na delegacia, o que não resultaria em nada.

Eliane entregou aos policiais os vídeos das câmeras de segurança, instaladas na porta da casa da mãe, que mostram o horário que ela saiu e voltou. O local da agressão, ao lado de um caminhão, no entanto, não está no ângulo das câmeras. “Essa moça chegou a ir na delegacia se fazendo de vítima dizendo que a minha mãe tinha uma tesoura para pegar ela. Só que as imagens mostram que a minha mãe não estava com nada na mão e essa menina não tinha um arranhão no corpo”, completou.

De acordo com a Polícia Civil do Rio, a agressão foi registrada na 58ª DP (Posse) e as investigações estão em andamento com diligências para apurar os crimes de lesão corporal e de injúria. A agressão não foi registrada como intolerância religiosa.

Amanhã (21), a aposentada e parentes serão recebidos, às 13h30, na Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos. O órgão colocou à disposição da idosa e da família, assistência jurídica, psicológica e social. A secretaria informou que vai acompanhar as investigações e pedirá que a Polícia Civil registre o caso como intolerância religiosa.

Para o secretário Átila Nunes, casos como esse são inadmissíveis. “Esta senhora foi vítima, no mínimo, de dois crimes: intolerância religiosa e agressão contra idosos”, apontou.

Diante dos casos de intolerância religiosa que vem ocorrendo no Rio, o secretário defendeu a criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância . “Crimes como esse, que envolvem o preconceito não só religioso, mas também à pessoa idosa, precisam ser combatidos. Pedimos para quem for vítima de qualquer agressão motivada por intolerância ou preconceito, que entre em contato com o nosso Disque Combate ao Preconceito”, disse.

O Disque Combate ao Preconceito funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h, pelo telefone (21) 2334 9551.

Dados do Disque 100, de Direitos Humanos, indicam que, em 2016, foram registrados 79 casos de intolerância religiosa no Rio, um aumento de 119%, na comparação com 2015.

Edição: Carolina Pimentel



domingo, 2 de abril de 2017

Seres humanos que verão o século 22 já estão nascendo. Saiba quem são:


Bem, do jeito que a coisa anda, só o fato de UM ser humano chegar ao século XXII já é lucro, não é mesmo?

A matéria é do Estadão:

A bebê que deve chegar ao século 22

Sophie, de 6 meses, tem expectativa de vida de 84,9 anos, beneficiada pela estrutura local

GENEBRA - Sophie Morelli Maguire nasceu no dia 5 de setembro de 2016 em Genebra, filha de um pai suíço e uma mãe brasileira. Sentada ao colo da bisavó paterna, de 94 anos, ela ainda não sabe, mas é uma das pessoas que terá grandes chances de estar entre as que conhecerão o século 22. Com uma das maiores expectativas de vida do mundo, as mulheres suíças que nasceram entre 2016 e 2017 são as que, pela primeira vez, têm uma perspectiva real de ainda estarem vivas quando o século 21 acabar.

Envelhecer na Suíça é considerado pelos especialistas como um privilégio. Hoje, mais de 1,5 mil pessoas no país tem acima de cem anos, número que deve aumentar de forma exponencial nas próximas décadas. A bisavó de Sophie, Fernanda Sorg, é um exemplo claro dessa realidade. Aos 94 anos, ela vive sozinha em um apartamento em Genebra e não esconde seu orgulho em relação à independência. “Meu segredo para viver tantos anos é nunca exagerar, em nada”, disse.

Com a bisneta no colo, ela compartilha sua própria história, repleta de aventuras em uma Europa em guerra. “Meu pai era suíço. Mas ele migrou para a Itália, onde eu nasci”, contou. “Ele tinha duas lojas. Mas quando os fascistas chegaram, decidiu levar a família toda de volta para a Suíça, em 1930. Eu tinha apenas 7 anos”, disse. A viagem a um país neutro salvou a família.

Com as mãos imitando marionetes, ela brinca com a bisneta de olhos azuis e repete, espantada, a ideia de que sua herdeira poderá conhecer o século 22. Sophie é uma dessas crianças que, de fato, nasceu em um lugar privilegiado. Se permanecer na Suíça, conviverá com uma das taxas de violência absolutas mais baixas do mundo. Em 2014, foram apenas 41 homicídios, ante 59,6 mil no Brasil.

O país alpino também tem uma das rendas mais elevadas do planeta, a escolaridade está garantida pelo serviço público e observa-se uma das menores taxas de desemprego do mundo – de 3%. Em 2015, apenas 340 crianças morreram no primeiro ano de vida, uma para cada mil nascimentos. A taxa é muito inferior às 32 mortes para cada mil no mundo. Mas é o avanço na ciência e a capacidade de o Estado bancar o envelhecimento de sua sociedade que têm sido os principais motivos dessa transformação. No ano de 1900, a expectativa de vida de um suíço era de 46 anos. Em 2000, passou a 80 anos e, hoje, está em 80,7 para os homens e 84,9 para as mulheres. Apenas os japoneses têm uma taxa superior.

Hoje, 17% da população suíça – cerca de 1,4 milhão de pessoas – tem acima de 65 anos de idade. De acordo com a entidade Pro Senectute, até 2060 mais de 1 milhão de suíços terão mais de 80 anos, ante 400 mil hoje.

Na avaliação de especialistas, o que diferencia o país alpino do restante é a atenção que passou a ser dada à terceira idade. A Suíça foi eleita o melhor país para se envelhecer, de acordo com o relatório Global Age Watch 2015, um índex desenvolvido com dados disponibilizados por organizações como o Banco Mundial e as Nações Unidas.

Por cidade. Os serviços de diferentes cidades suíças também têm sido adaptados a essa nova população. Em Lugano e Ulter, por exemplo, as prefeituras planejam redesenhar um espaço urbano voltado a uma sociedade que envelhece. Já Zurique faz parte de um programa que incentiva o acolhimento de estudantes em casas de idosos que possuem quartos vazios, permitindo uma troca de alojamento por alguns serviços e ajuda. Em Genebra, festas e atividades como idas a museus e cinemas são organizadas. Um espaço chamado “cité senior” recebe toda primeira terça-feira de cada mês uma enfermeira que permanece à disposição para controlar a pressão e níveis glicêmicos, além de tirar possíveis dúvidas.



quinta-feira, 16 de março de 2017

Filantropos religiosos se mobilizam contra a reforma da Previdência

A matéria é do IHU:

Religiosas e religiosos do Brasil se mobilizam contra a Reforma da Previdência

A Conferência dos Religiosos do Brasil - CRB publicou carta, em 08-03-2017, convocando todos e todas lideranças, religiosos/as, colaboradores, e pessoas atendidas das nossas unidades sociais, escolas e universidades, hospitais, centros de atendimentos para mobilizarem-se contra a Reforma da Previdência (PEC 287/2016), que também visa acabar com a filantropia no país.

Eis a carta.

“Felizes sois vós quando vos insultam e perseguem e mentindo dizem contra vós toda espécie de mal por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos”. (Mt 5,11)

Queridas Religiosas e Queridos religiosos!

É em nome pessoal e em nome da CRB Nacional, que representa mais de 35 mil religiosos e religiosas, que lhes escrevo. Faço-o com o coração entristecido por, mais uma vez, ver os interesses de poucos solaparem os direitos de muitos, especialmente das crianças e jovens mais pobres e vulneráveis. Literalmente querem nos tirar as migalhas.

Pessoas com passado não muito transparente se sentem no direito de legislar e de impor suas ideias, valendo-se do cargo que ocupam como representantes do povo. Como cristãos e como religiosos devemos aguçar o nosso senso crítico para não legitimar posições assumidas que vão contra o Evangelho e os direitos dos mais pobres.

Nos próximos dias estará sendo discutida, e talvez votada, por nosso parlamento, a Reforma da Previdência, na qual o Governo Federal busca alterar a Constituição Federal por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 287/2016. Além de outros absurdos, no bojo dessa reforma, nossos representantes querem extinguir o direito à Filantropia a que muitas instituições beneficentes e de caridade tem direito. Trata-se de um dos efeitos colaterais de contornos imprevisíveis que tal emenda produzirá contra os pobres dessa nação no presente e no futuro.

O deputado federal Arthur Maia (PPS-BA), relator da proposta, tem se pronunciado categoricamente contra as desonerações fiscais em favor de alguns setores da sociedade, em especial das instituições filantrópicas. Chegou ao ponto de apelar à difamação pública dessas instituições centenárias, imputando-lhe adjetivos como: “pilantropia”, “pouca vergonha” e “aberração” no infeliz intuito de desqualificar a imunidade tributária das entidades beneficentes e de assistência social. É triste ver nas redes sociais anúncios do PMDB afirmando: “Se a reforma da previdência não sair – Adeus Bolsa Família – Adeus FIES ...”. Uma campanha bem ao estilo autoritário e segundo a ética de quem a patrocina e, quem sabe, a financia.

O cronograma de tramitação dessa matéria no Congresso Nacional é extremamente curto. Já nos próximos dias, por volta do dia 22/03/2017, deverá ser votada na Plenária da Câmara. O atual domínio da bancada do Governo certamente garantirá a aprovação sem o menor esforço, pouco se lixando com as consequências de tal decisão. O que importa é arrecadar mais impostos.

A única forma de mudarmos esse triste panorama é o engajamento de todos: lideranças, religiosos/as, colaboradores, atendidos das nossas unidades sociais, escolas e universidades, hospitais, centros de atendimentos. Ou nós nos mobilizamos e defendemos o direito das nossas instituições e dos pobres, ou mais uma vez pagaremos a conta dos desmandos palacianos.

Permitam-me oferecer-vos alguns dados e ilustrações para melhor compreensão da gravidade do assunto:

Pesquisa do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas - FONIF, realizada a partir de dados oficiais fornecidos pela própria Administração Pública, revela que as entidades imunes proporcionam um retorno social da ordem de 5,92 x 1. Isto é, para cada R$ 1,00 não cobrado em tributos, R$ 5,92 são convertidos em benefício da população, na forma de serviços, empregos, infraestrutura, qualidade de vida e conhecimento. Ou seja: se o governo tirar a filantropia das instituições que prestam esses serviços, ele terá que arcar com a assistência a essas pessoas, gastando 5,92 vezes mais do que arrecada para dar o atendimento necessário. Como percebemos, essa decisão é pouco inteligente e incidirá diretamente na queda ou desqualificação do atendimento dos mais necessitados.
As isenções das entidades filantrópicas correspondem a apenas 3% da arrecadação total da Previdência Social, de modo que a suspensão de tal isenção não vai solucionar o problema. A devolução do dinheiro desviado no “propinoduto” daria muito mais resultado financeiro do que terminar com as filantrópicas;
Caso as entidades filantrópicas percam esse incentivo, centenas ou milhares de escolas, hospitais, universidades, centros sociais, centros de atendimentos a vulneráveis pertencentes a estas instituições deverão fechar as portas. Milhões de pessoas serão privadas de atendimento digno e humanitário nas unidades atendidas pelas filantrópicas e passarão para a rede pública, já incapaz de oferecer ao nosso povo o mínimo em saúde e educação.
A consequência de curto prazo, será o aumento de crianças e adolescentes vivendo na rua, com muita possibilidade de futuramente assaltarem os que hoje lhe negam um tratamento digno. E então, a economia feita hoje, será insuficiente para construir prisões para abrigar os infratores produzidos pelo abandono produzido por tal decisão. Uma pena que a maioria dos nossos políticos não consigam ver além da próxima eleição.

Irmãos e Irmãs, precisamos mobilizar as nossas instituições! Precisamos defender os nossos direitos e os direitos dos pobres e vulneráveis! Não se trata de luta ideológica, mas de posicionamento evangélico.

Como ação prática, sugiro que enviem centenas, milhares, milhões de e-mails, aos deputados e senadores. Usemos as redes sociais para denunciar mais esse abuso de poder econômico e político de poucos que marginaliza quem trabalhou com seriedade durante séculos em favor dos necessitados. Participemos de manifestações públicas com esse objetivo. Alertemos os nossos atendidos, alunos, enfermos, sobre esse perigo e peçamos a eles que se manifestem nas redes sociais contra esse “assalto” a dignidade das instituições e das pessoas. Não poupemos nenhum esforço no sentido de esclarecer e de influir na decisão dos nossos representantes em Brasília.

Termino pedindo a todos os religiosos e religiosas, especialmente aos anciãos, aos enfermos e aos de clausura, que rezem fervorosamente a Deus, para que o Espírito Santo ilumine as mentes e os corações dos que devem decidir nosso futuro. Se Deus ouviu o clamor de Israel quando o Faraó escravizou o seu povo, certamente nos ouvirá também. Ele é Pai e Mãe e cuidará de nós e dos pobres do mundo. Recordo o Evangelho: “Existem certos demônios que só são expulsos mediante muita oração” (Mt 17,21). Quem sabe, estejamos diante de um deles.

Que o Deus bondoso tenha para nosso país olhos de misericórdia e nos conduza pelos caminhos da justiça e da fraternidade. Que a Virgem de Aparecida nos proteja e nos abençoe.

Em união de preces,

Maria Inês Vieira Ribeiro

Presidente da CRB Nacional
Brasília, DF, 08 de março de 2017



sexta-feira, 3 de março de 2017

Khatla Ali Abdullah, 90 anos de idade, foge do Estado Islâmico

A dor e o alívio em uma foto que vale mais que um bilhão de palavras. 

Khatla Ali Abdullah, uma senhora muçulmana de 90 anos de idade, com a ajuda dos netos, consegue fugir de Mossul, cidade iraquiana ocupada pelo Estado Islâmico e que hoje se encontra debaixo de forte ataque por parte das forças armadas do Iraque.

Os cliques antológicos que a fotógrafa Zohra Bensemra, da agência Reuters, consegue tirar dessa aventura sofrida e inusitada são daquelas imagens que valem mais que alguns bilhões de palavras.

A foto acima ilustrou a matéria do Estadão sobre o fato, publicada hoje.

Confira a dor, o sofrimento e o alívio na sequência abaixo:














quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Quando Abílio Diniz ia à missa em troca de gibi...

Entrevista no mínimo curiosa de Abílio Diniz concedida à coluna de Sonia Racy no Estadão:

Eu peço muito a Deus, mas só o que não consigo fazer sozinho’, diz Abilio Diniz

Religioso, o megaempresário Abilio Diniz lança novo livro e diz que cada um tem de traçar suas metas na vida e ir atrás delas. Como a dele hoje, de conseguir ‘longevidade com qualidade’

Conhecido pela determinação absoluta, o presidente do Conselho da BRF, acionista do Carrefour e comandante da Península – empresa de investimentos da família – volta com um segundo livro sobre sua história, 12 anos depois do primeiro e no mesmo ano em que completa 80 de vida. Abílio Diniz estava com a nova edição já pronta em 2014 mas suspendeu assim que soube que ela coincidiria com a publicação de outro escrito pela jornalista Cristiane Correa, também sobre sua vida.

Nas 175 páginas de Novos Caminhos, Novas Escolhas, a ser lançado na quarta-feira, na Livraria Saraiva do Pátio Higienópolis, o pai da Ana, João Paulo, Adriana, Pedro Paulo, Rafaela e Miguel relata, com ajuda do jornalista Sergio Malbergier, o caminho para conseguir o que se quer. “Muita coisa aconteceu nos últimos anos”, explica Diniz. O empresário mudou de rumo, saiu do Pão de Açúcar, casou-se e teve dois filhos.

“Eu me reinventei, e não só profissionalmente. Atribuo isso à minha fé em Deus.” . No fim do livro, o marido de Geyse reforça sua fé católica: dá receita de diferentes rezas para serem feitas durante 63 dias ininterruptamente. Olhando pra trás, o que faria ele hoje de diferente? “Quando tive o meu primeiro conflito com a família, se tivesse 70% da cabeça que tenho hoje, a história teria sido completamente outra.” Aqui vão os melhores trechos da conversa com a coluna.

Você planejou uma trajetória de vida e, no meio do caminho, as coisas mudaram. A briga com o Casino pelo Pão de Açúcar foi só financeira ou também emocional?

O objetivo, creio eu, não era financeiro. Mas tem o seguinte: o Abílio é um pacote, é um conjunto de coisas. O Abilio é um lutador, um winner, acho que sou um vencedor e que preciso sempre buscar desafios, procurando me superar.

Acredita que o ser humano controla o que ele quer ser?

Prego isso para os meus alunos. Uma das coisas de que falo no livro é: “Se eu posso, você também pode”. Quem olhar minha trajetória sabe que eu nasci filho de imigrante português, um padeiro. Nunca tive dinheiro, nasci num berço honrado mas sem nada. Se cheguei aonde cheguei, por que outros não podem chegar?

Então todo mundo tem possibilidade de vencer na vida?

Calma. É o seguinte: você escolhe o que quer na vida. Eu escolhi. Um caminho de desafios, de inconformismo com certas situações, um caminho com ambição, uma ambição controlada. Cheio de metas, para que eu fosse buscá-las.

E que fazer quando se faz uma escolha e não se consegue seguir?

Se coisas incontroláveis acontecem… e isso acontece, aconteceu comigo, só que eu consegui superá-las. Mesmo o caso do meu sequestro, contado no primeiro livro – eu falo muito en passant no segundo – eu superei. Da minha forma, pela fé em Deus. Foi Ele que mexeu os pauzinhos lá em cima. A crise de 90 eu superei, a briga que me levou a sair do GPA eu superei. Eu podia ter me acomodado, ir fazer outra coisa. As pessoas têm que traçar metas na vida. Eu tinha tudo para não dar certo na vida.

Por quê?

Eu era um sujeito de poucos recursos. Vivi na Várzea do Glicério boa parte da infância, era gordinho e baixinho, um horror. E fui buscar a minha condição física. Toda a minha vida dedicada ao esporte começou por precisar aprender a lutar para não apanhar. Foi mérito só meu? Não. Acho que tive uma boa base, minha mãe me deu uma coisa sensacional que foi me apresentar para Deus, e aí eu segui por esse caminho.

Você foi sempre religioso?

De menino, eu ia à missa sozinho. Saía da rua Tutoia, subia a av. Brigadeiro e ia na igreja da Imaculada Conceição, sozinho. Por que um menino de sete anos e meio vai à missa sozinho? Não é normal, mas eu ia.

O que o atraía? A missa, a liturgia, o estar na igreja?

A proximidade com Deus. E toda vez que eu ia à missa eu ganhava um dinheirinho da minha mãe (rsrsrsr…) Aí , eu passava na banca e comprava um gibi. Quer dizer, eu também experimentava um prazer tremendo. Mas minha mãe me deu a religião, a proximidade com Deus, e meu pai as noções de honestidade e ética. E aí, o que veio? Foram as escolhas que fiz. Antes de começar com supermercados eu estava pronto para sair da FGV e ir estudar nos EUA. Estava com o application da Michigan State University, queria ser professor. Minha ambição naquele momento era estudar, ter conhecimento e subir na vida.

O que é a religião pra você?

Acho que todos os caminhos levam a Deus. Religião, pra mim, é espiritualidade e fé. Eu peço muito a Deus, mas só peço a parte que eu não consigo fazer. Faço a minha parte. Depois, digo que já a fiz e que agora estou pedindo isso. Como peço, hoje, que Deus me dê longevidade com qualidade. Eu me cuido, faço esporte, controlo a alimentação, o estresse. O que não posso controlar eu peço a Ele.

Você sempre apostou nessa opção pelo esporte. E quanto à alimentação?

Comecei pelo esporte, a alimentação veio depois. Eu acreditava, quando pequeno, que se me pendurasse em alguma coisa eu ia espichar. Então, na minha casa, na Tutoia, arrumei uma barra de ferro e outra de madeira e ia me exercitando, achava que aquilo me alongava. Evidentemente não tem nenhuma base científica pra isso, mas o fato é que, com 15 anos, eu já tinha a altura que tenho hoje. Quanto à alimentação, um cara esportista, como eu sempre fui, queima o que come em excesso. Depois vai diminuindo a atividade física, o metabolismo desacelera, hoje não consigo fazer coisas como antigamente.

Fala disso no novo livro?

O Novos Caminhos, Novas Escolhas não tem só minha mudança de vida, tem a dos meus hábitos. No primeiro, eu dizia que quanto mais esporte, melhor. No segundo, mudo o conceito: você vê qual é o seu momento, o que quer do esporte, vai e faz. Agora, se você quer o esporte para qualidade de vida, longevidade, não pode exagerar. Está comprovado que o chamado endurance não é a melhor receita. Maratona, exercícios de longa duração, isso não é o melhor para a saúde.

Sua saúde física e mental é incrível, claro que devido, em parte, ao seu DNA. Mas se alguém nasce com DNA ruim, o que pode fazer?

Não tem DNA ruim nem bom. A genética é importante, na vida da pessoa, uns 20%. O restante é você. O que você faz, o que come, o seu entorno… Você comenta sobre estresse, que é importante mapear e controlar pra sofrer menos…

Sim, o jeito de se controlar o estresse é não se estressando por coisas que não sejam importantes. Eu lhe proponho: pegue um caderno de 100 folhas e comece a escrever o que é importante. Vai escrever duas ou três linhas. Tem muito pouca coisa realmente importante na vida.

O que é importante na sua?

Nós mesmos. Nossa saúde, as pessoas que amamos.

Em outro trecho do livro há referências à morte. Você parte do princípio de que é imortal e não pensa mais nisso…

Acho que a gente deve pensar assim. Sem sair da realidade, mas a gente não deve se preocupar com a morte. Você tem de olhar pra frente e não ficar pensando.

No texto aparecem, também, menções ao valor da humildade.

Sim. É que muita gente diz: “Pô, esse Abilio, imagina se ele é humilde…” Se as pessoas imaginam que humildade é fazer voto de pobreza e usar roupa velha, não tem nada a ver comigo. Mas se imaginam que é você ter a consciência de que não sabe tudo, que tem de ter respeito pelas pessoas, buscar coisas novas, estar aberto para ouvir coisas que não tem vontade de ouvir, isso sim é humildade – e eu a pratico.

Quando vem o próximo livro?

Tem gente me provocando para fazer o terceiro, mais técnico, mais business, ou sobre esportes, mas não sei se vou fazer. Dá trabalho, muito trabalho.



sábado, 23 de julho de 2016

TJSP condena banco por não emprestar dinheiro a idoso


Isto é incrível, mas bancos às vezes perdem (pouco) no nosso queridíssimo Poder Judiciário, segundo noticia o próprio Tribunal de Justiça de São Paulo:

BANCO É CONDENADO POR NEGAR EMPRÉSTIMO A IDOSO

A 22ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça condenou banco a indenizar idoso que teve pedido de empréstimo negado em razão de sua idade. O montante foi fixado em R$ 30 mil, a título de danos morais.

Consta dos autos que o autor, ao solicitar crédito na referida instituição, teve o pedido negado pelo fato de se tratar de pessoa idosa. A sentença fixou a indenização em R$ 3 mil, razão pela qual ambas as partes apelaram.

Ao julgar o recurso, o desembargador Roberto Mac Cracken afirmou que ficou caracterizada ofensa aos artigos 4º e 5º do Estatuto do Idoso, o que gera o dever de indenizar. “A senilidade não pode, jamais, ser usada, como fez o banco apelante, como subterfúgio para atos discriminatórios, pois a situação fática retratada configura, ainda que de forma indireta, exclusão do sujeito de direitos, em tal fase de sua vida, do convívio social, o que não pode ser tolerado.”

O relator citou ainda os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade e considerou as circunstâncias do caso e as condições econômicas do infrator para aumentar o valor da indenização.

Do julgamento, que teve votação unânime, participaram também os desembargadores Sérgio Rui e Alberto Gosson.

Apelação nº 1000147-22.2016.8.26.0269

Comunicação Social TJSP



sexta-feira, 1 de julho de 2016

Os canalhas também envelhecem


Rui Barbosa já dizia para não se deixar enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem, ditado que tristemente se confirma - com requintes de crueldade - a cada dia que passa numa sociedade preconceituosa e racista como é a brasileira.

A matéria é da Agência Brasil:

Idosa é presa por racismo em supermercado de Brasília

Yara Aquino

Uma idosa de 77 anos foi presa por racismo e injúria racial após ofender uma produtora cultural em um supermercado de Brasília. A produtora Elizabete Braga registou um boletim de ocorrência na tarde de ontem (28), relatando que foi xingada de “preta safada” e “preta sem educação”. Os crimes são resultantes de preconceito de raça ou de cor.

Na tarde de hoje (29), a agressora foi liberada em função da idade avançada, de acordo com informações da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin).

Elizabete relatou que, enquanto estava na fila do caixa do supermercado, a senhora se aproximou dela, perguntou se seu cabelo era natural ou peruca e, em seguida, o tocou. A produtora disse que pediu educadamente para que a senhora não tocasse seu cabelo e, então, ela se exaltou e disse que não gostava de pessoas negras, além de ter feito outros insultos.

A produtora cultural afirmou que a situação causou constrangimento a todos que estavam por perto e ela seguiu com as compras para o carro, mas, quando retornou para devolver o carrinho do mercado, a mulher voltou a xingá-la e cuspiu duas vezes em direção a Elizabete. “Ele continuou xingando e as pessoas passavam e ficavam impressionadas”, contou.

Elizabet decidiu então ligar para a polícia e disse que não deixaria a agressora ir embora antes da chegada dos policiais. A idosa mostrou uma carteira de identificação do Ministério das Relações Exteriores e disse que nada aconteceria a ela. Como uma viatura não chegou ao local, Elizabete teve o consentimento da agressora para fotografar sua identificação pessoal e foi à Decrin registrar ocorrência.

A delegada titular da Decrin, Glaucia Cristina da Silva, relatou que, após o registro da ocorrência, a polícia foi até a casa da senhora e ela foi presa. Na delegacia, a idosa mais uma vez teve atitudes racistas. Ao ser ouvida, ela tentou tocar o cabelo da delegada e, ao ser repreendida, disse em voz alta “Não vou tocar, porque não quero sujar minha mãos”.

O boletim de ocorrência registra que, na delegacia, a senhora negou que tenha chamado Elizabete de “preta safada” ou feito qualquer outro tipo de insulto e que apenas elogiou o cabelo da produtora cultural. Segundo a delegada Glaucia Cristina, o filho da senhora relatou que ela tem problemas de alcoolismo.

Elizabete relatou à Agência Brasil que espera que a agressora seja processada e o caso sirva de alerta para quem tem atitudes racistas. “Espero que ela seja processada pelo Estado para que isso sirva de alerta para as pessoas que acham que não dá em nada ofender e constranger outras pessoas com racismo”. E completou “é preciso que a sociedade comece mudar essa cultura, racismo é cultural e não é de hoje”, disse.

Essa é a terceira vez que Elizabete vai a uma delegacia para fazer denúncia de racismo, mas nas duas primeiras ela não conseguiu registrar ocorrência.

A delegada titular da Decrin, Glaucia Cristina da Silva, diz que é preciso denunciar casos como esse para que os crimes de racismo não fiquem subnotificados e impunes. “Que as pessoas confiem e registrem ocorrência, notifiquem o que aconteceu para que possamos ir atrás e os autores serem responsabilizados já que feriram a dignidade humana”.

Edição: Maria Claudia



sábado, 21 de novembro de 2015

TJRS condena idoso por ofensa racista contra balconista de farmácia

imagem meramente ilustrativa
Bem já dizia Rui Barbosa que "os canalhas também envelhecem"...


Piada de cunho racial gera condenação

O caso ocorreu em 2012. A autora da ação acusou o cliente de uma farmácia onde ela trabalhava de lhe fazer ofensas racistas. Na época, ela estava grávida e o homem a chamou de preta, negra, macaca e perguntou por que você não faz passaporte para a África? e, ainda, acrescentou: Lá todo mundo é preto, você deveria ir pra lá. O acusado ainda falou: Uma senhora negra, quando ganha nenê, se o parto demorar demais, é só mostrar uma banana que o nenê sai da barriga pulando.

O acusado contestou, alegando que era pessoa idosa e cliente do estabelecimento; e tentou se defender falando que acreditava ter criado vínculo sadio de amizade com a autora. Segundo ele, em momento algum, agiu de maneira discriminatória, racista ou com intuito de ofendê-la, até porque costumava brincar com os funcionários do estabelecimento.

As testemunhas ouvidas pelo Juiz de Direito que proferiu a sentença, Jaime Freitas da Silva, da Comarca de Campo Bom, confirmaram a versão da autora e esclareceram que as ofensas foram em dias separados e que ela ficou bem ofendida porque era com a filha dela.

Para o magistrado, os depoimentos foram reveladores em apontar que o homem teve a intenção de proferir injúria racial contra a autora, pois os episódios ocorreram em mais de uma oportunidade; e a piada, relacionada a esta situação, atingiu não só a dignidade humana da requerente como à de sua filha que estava por nascer.

Na decisão, o Juiz destacou que justamente por ser pessoa de idade o demandado deveria ser mais conveniente e relatou que quando o ataque é dirigido a determinada pessoa constitui-se em injúria racial, que, a propósito, nos últimos tempos vem crescendo vertiginosamente como, por exemplo o caso do goleiro 'Aranha' do time de Santos, da jornalista Maria Júlia Coutinho, da atriz Taís Araújo, do jogador do São Paulo Michel Bastos...e, certamente, isto ocorre com outras tantas 'pessoas anônimas' do nosso imenso Brasil.

Por fim, a conclusão é de que houve abalo psicológico, causador de dano moral já que a autora foi despropositadamente ofendida pelo requerido em ato de injúria racial, atingindo sua personalidade, o que determinou a condenação do acusado a pagar R$ 10 mil por racismo.

EXPEDIENTE
Texto: Patrícia Cavalheiro
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend
imprensa@tj.rs.gov.br

Publicação em 19/11/2015 14:00



sábado, 6 de junho de 2015

Paul McCartney parou de fumar maconha por causa dos netos

A informação é do Brasil Post:

Paul McCartney deixou de fumar maconha para não dar mau exemplo aos netos

O ex-Beatle Paul McCartney, que foi preso no Japão nos anos 80 por posse de maconha, deixou de fumar a erva para "não dar mau exemplo" aos seus filhos e netos, segundo confessou em entrevista ao jornal "The Daily Mirror".

O músico, de 72 anos, assegura que "há muito tempo" não fuma um "baseado" e explica que agora prefere relaxar com uma taça de vinho.

"Já não faço. Por quê? A verdade é que não quero dar um mau exemplo para meus filhos e netos. Agora é uma questão de paternidade", declara. "Antes, eu era simplesmente um tipo que andava por Londres e as crianças eram pequenas; portanto o que tentava era não fazer diante deles", afirmou em entrevista ao jornal. "Ao invés de fumar um baseado, agora tomo uma taça de vinho ou uma boa margarita. A última vez que fumei foi há muito tempo", assegura.

De acordo com Paul, foi o cantor americano Bob Dylan que lhe apresentou a maconha, em agosto de 1964.

Sua predileção pela droga chegou às manchetes dos jornais em janeiro de 1980, quando o músico foi detido no Japão depois que os agentes alfandegários descobriram que Paul portava 225 gramas de erva em sua bagagem.

O músico passou dez noites em uma prisão japonesa antes de ser libertado e deportado, graças à pressão de seus admiradores.

Seu consumo regular de cannabis também foi utilizado como argumento por sua ex-esposa Heather Mills durante a audiência de divórcio em 2008.

Na entrevista ao jornal, o ex-Beatle, pai de cinco filhos e avô de oito, explica também o segredo de seu saudável aspecto físico.

Assim, segundo detalha, vai quase que diariamente à academia, exercita sua flexibilidade durante vários minutos e utiliza o creme hidratante de sua terceira esposa, Nancy, de 55 anos, com quem se casou em 2011.



sábado, 2 de maio de 2015

Yoga contra depressão e ansiedade em idosos

Matéria publicada no Brasil Post:

Yoga evita depressão e ansiedade em idosos, diz pesquisa

Não é segredo que praticar Yoga faz bem. O corpo ganha flexibilidade, os músculos se fortalecem e a postura se aperfeiçoa. Além disso, a atividade previne os problemas cardíacos e doenças, como osteoporose e artrite. Mas a lista de benefícios não para de crescer. Recentemente, um grupo de pesquisadores um grupo de universidades, como Universidade Nacional de Singapura avaliou os efeitos da atividade em homens e mulheres com mais de 60 anos. O estudo foi feito com base em 15 trabalhos realizados ao longo das duas últimas décadas sobre a prática da Yoga.

A análise, publicada no jornal Aging and Mental Health chegou à conclusão de que a Yoga é extremamente eficaz para aliviar a ansiedade e a depressão entre os idosos.Há várias explicações para isso. Como a Yoga consiste na realização de movimentos lentos, aprende-se aos poucos a diminuir o ritmo da respiração e a controlar a ansiedade. A técnica também ajuda a treinar o equilíbrio e evitar quedas. Além disso, o fato da Yoga muitas vezes ser praticada em grupos, isso facilita a socialização entre os idosos. Diz Elisa Kozasa, neurocientista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. "Essa é uma maneira de interagir com outras pessoas que vivem a mesma fase e que também estão comprometidas em melhorar seu estilo vida".

As pesquisas na área de meditação e Yoga começaram a interessar a comunidade científica a partir da década de 70. Mas somente a partir de meados dos anos 90, sobretudo com o aperfeiçoamento dos exames de imagem, tornou-se possível observar os efeitos da técnica no organismo com mais detalhes. Pesquisadores da Universidade Harvard, por exemplo, estão conduzindo estudos que mostram os efeitos da Yoga na memória e cognição. Trata-se de uma excelente notícia para quem quer envelhecer de maneira mais saudável.



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Número de mortes por depressão cresce assustadoramente no Brasil

A informação foi publicada no UOL Saúde:

No Brasil, mortes por depressão crescem 705% em 16 anos

Fabiana Cambricoli

Em 16 anos, o número de mortes relacionadas com depressão cresceu 705% no Brasil, mostra levantamento inédito feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base nos dados do sistema de mortalidade do Datasus. Estão incluídos na estatística casos de suicídio e outras mortes motivadas por problemas de saúde decorrentes de episódios depressivos.

Foi a depressão, somada à dependência química, o que provavelmente levou o ator americano Robin Williams, de 63 anos, a se matar, na segunda-feira passada, dia 11. Os dados mostram que, em 1996, 58 pessoas morreram por uma causa associada à depressão. Em 2012, último dado disponível, foram 467.

O número total de suicídios também teve aumento significativo no Brasil. Passou de 6.743 para 10.321 no mesmo período, uma média de 28 mortes por dia. As taxas de suicídio são muito superiores às mortes associadas à depressão porque, na maioria dos casos, o atestado de óbito não traz a doença como causa associada.

No Brasil, a faixa etária correspondente à terceira idade é a que reúne as estatísticas mais preocupantes. No caso de mortes relacionadas à depressão, os maiores índices estão concentrados em pessoas com mais de 60 anos, com o ápice depois dos 80 anos.

No caso dos suicídios, embora os números absolutos não sejam maiores entre os idosos, a maior taxa de crescimento no período analisado ocorreu entre pessoas com mais de 80 anos. Entre 1996 e 2012, o suicídio cresceu 154% nesta faixa etária.

Causas

Segundo especialistas, o aumento de suicídios e de mortes associadas à depressão está relacionado com dois principais fatores: o aumento das notificações e o crescimento de casos do transtorno. "Como o assunto é mais discutido hoje, há maior procura por atendimento médico e mais diagnósticos. Mas também está provado, por estudos epidemiológicos, que a incidência da depressão tem aumentado nos últimos anos, principalmente nos grandes centros", disse Miguel Jorge, professor associado de psiquiatria da Unifesp.

Jorge explica que, além do componente genético, que pode predispor algumas pessoas à doença, fatores externos da vida atual, como o estresse e a grande competitividade profissional, podem favorecer o aparecimento da doença.

No caso dos idosos, a chegada de doenças crônicas incuráveis, o luto pela perda de pessoas próximas e a frustração por não poder mais realizar algumas atividades os tornam mais vulneráveis à depressão e ao suicídio. "Um estilo de vida estressante, o uso de drogas e álcool e insatisfação em diversas áreas são fatores de risco para a doença. Fazer escolhas pessoais e profissionais que ajudem a controlar esses fatores é uma forma de prevenir a depressão", diz o especialista.



segunda-feira, 9 de março de 2015

Meditação ajuda o cérebro a envelhecer melhor


Matéria publicada no Brasil Post:

Meditação pode proteger o cérebro dos sinais do envelhecimento, aponta estudo

Carolyn Gregoire

Meditar faz bem para o cérebro. Uma nova onda de pesquisas associa a antiga prática a vários benefícios cognitivos, de mais atenção e foco à redução dos sintomas de ansiedade e depressãoe a melhor controle cognitivoe funcionamento executivo.

Segundo um novo estudo do Centro de Mapeamento do Cérebro da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), a meditação também pode proteger o cérebro do envelhecimento. Pesquisadores da UCLA e da Universidade Nacional da Austrália descobriram que os cérebros de pessoas que meditam há muitos anos são menos afetados pelo envelhecimento que os daqueles que não meditam.

O declínio do cérebro começa aos 20 anos, e o órgão continua a diminuir de volume e peso ao longo da vida. Além de melhorar o bem-estar físico e emocional a qualquer altura da vida, a meditação pode ser uma maneira eficaz de prevenir doenças neurodegenerativas como demência, Alzheimer e Parkinson, assim como adiar o declínio cognitivo que vem com a idade. A estratégia é gratuita e não tem efeitos colaterais.

O novo estudo aprofunda uma pesquisa realizada pela mesma equipe em 2011, que mostrou que pessoas que meditam mostram menos atrofia relacionada ao envelhecimento na massa branca do cérebro, material que compõe cerca de metade do órgão e é composto de fibras nervosas usadas pelo cérebro para se comunicar.

No novo estudo, os pesquisadores observaram a ligação entre a meditação e a preservação de massa cinzenta, o tecido onde ocorre a cognição e onde são guardadas as memórias. Eles examinaram os cérebros de 100 participantes, 50 dos quais meditavam havia 20 anos em média e outros 50 que não meditavam. Ambos os grupos eram compostos por 28 homens e 22 mulheres de 24 a 77 anos.

Os cérebros dos participantes foram escaneados com ressonância magnética. Os dois grupos apresentaram diminuição de massa cinzenta por causa da idade, mas ela era menor entre os que meditavam. Em outras palavras, aparentemente a massa cinzenta ficou mais bem preservada.

"Entre os adeptos da meditação, essa relação entre perda de massa cinzenta e idade não era tão pronunciada”, disse Florian Kuth, co-autor do estudo, ao The Huffington Post. “Surpreendentemente, ela não era tão pronunciada em várias regiões do cérebro. Esperávamos ver isso só em algumas pequenas regiões... mas o que vimos foi o cérebro quase inteiro. Foi uma grande surpresa.”

Os resultados não provam causalidade – personalidade, estilos de vida e diferenças genéticas podem ser parte da explicação --, mas são promissores. O próximo passo seria um estudo longitudinal acompanhando os cérebros de um grupo de meditadores e não-meditadores ao longo de vários anos, para examinar as mudanças que ocorrem como resultado direto de anos de meditação, disse Kuth.

Numa época em que os americanos estão vivendo cada vez mais, mas sofrendo de altos índices de doenças degenerativas como Alzheimer, a pesquisa é um lembrete importante de que a meditação pode ter impacto de longo prazo no cérebro.

“Se esses resultados forem replicáveis, vai ser algo importante”, disse Kuth. “Poderia ter um impacto enorme.”

A pesquisa foi publicada online na revista Frontiers in Psychology.



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Pacientes com Alzheimer têm sim vida emocional


É o que aponta pesquisa publicada no Estadão:

Pessoas com Alzheimer mantêm as emoções vivas, aponta estudo

Cientistas exibiram filmes a pacientes; embora não se lembrassem da história, conservavam sensações de alegria ou tristeza Os pacientes com Alzheimer podem sentir emoções mesmo que, por causa da doença, tenham esquecido o motivo que as causou, segundo estudo coordenado por Edmarie Guzmán-Vélez e publicado na revista Cognitive and Behavioral Neurology.

A pesquisa destaca que mesmo que os pacientes possam não se lembrar de uma visita recente de um parente querido ou de episódios em que eles não foram bem cuidados, essas ações podem ter um impacto em como eles se sentem.

"É uma mensagem muito clara", afirmou a pesquisadora, que destacou a importância de que os familiares e os cuidadores aprendam a se comunicar com o paciente com Alzheimer para induzi-los a emoções positivas.

"Sim, talvez eles não se lembrem que foram levados para comer sua comida favorita ou para ver o filme preferido, mas esse momento de felicidade, esse sentimento positivo vai continuar estando ali", assegurou Edmarie, autora principal do estudo e estudante de doutorado em psicologia clínica na Universidade de Iowa.

"E mais: se gritam com ele ou acontece algo que o faça sentir triste, esse sentimento vai permanecer durante um tempo, o que significa que é sumamente importante que dediquemos tempo para promover emoções positivas e minimizar ao máximo as emoções negativas", disse.

A equipe de cientistas da Universidade de Iowa mostrou a 17 pessoas saudáveis e 17 com Alzheimer fragmentos de filmes tristes e alegres, que desataram emoções como risadas e lágrimas.

Cerca de cinco minutos depois de ver os filmes, os pesquisadores entregaram aos participantes uma prova de memória para ver se podiam recordar o que tinham visto.

Como era de se esperar, apontam os pesquisadores, os pacientes com Alzheimer retiveram significativamente menos informações sobre os filmes. Quatro deles eram incapazes de recordar qualquer informação factual sobre os filmes e um nem se lembrava de ter visto o filme.

Entretanto, os pacientes foram capazes de ter um sentimento de alegria ou tristeza por um período de até 30 minutos depois de haver visto o filme, independentemente da capacidade de sua memória para recordar o que causou a emoção.

"Isso confirma que a vida emocional de um paciente com Alzheimer está viva", afirmou a pesquisadora, que destacou as implicações diretas que estas descobertas têm para ensinar os cuidadores a melhorar o trato com estes pacientes.

Para Edmarie, a descoberta deveria "animar os cuidadores, mostrando a eles que suas ações em relação aos pacientes são realmente importantes".

As visitas frequentes, as interações sociais, o exercício, a música, a dança ou as brincadeiras "são todas coisas simples que podem ter um impacto emocional duradouro na qualidade de vida de um paciente e no bem-estar subjetivo".



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