"“Como o calor em lugar seco, tu abaterás o tumulto dos estranhos; como se abranda o calor pela sombra da espessa nuvem, assim acabará o cântico dos violentos.” (Isaías 25:5)
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Justiça da Índia barra o "divórcio instantâneo" da tradição islâmica


A notícia curiosa saiu na BBC Brasil:

O que é o 'divórcio instantâneo via WhatsApp' na Índia, que poderá ser punido com cadeia

A indiana Afreen Rehman tinha um emprego com um excelente salário e um MBA quando decidiu se casar. A cerimônia luxuosa foi na cidade de Jaipur, a 260 km da capital do país, Nova Délhi. Pouco depois, Rehman parou de trabalhar, a pedido do agora ex-marido.

"Queria que o casamento funcionasse, então concordei", disse ela. "Mas não funcionou. Ele fazia pedidos constantes de dotes, e tinha surtos de violência. Entrei em depressão", conta Rehman.

Em menos de um ano, ela recebeu um pedido para a deixar a casa do marido, e foi morar com a mãe.

Para piorar, Rehman se feriu gravemente em um acidente de carro, meses depois. Enquanto se recuperava, recebeu um bilhete do esposo com as palavras "talaq, talaq, talaq".

O bilhete recebido por Rehman é parte de uma tradição do Islã que, hoje em dia, só existe praticamente na Índia.

O "triplo talaq" permite aos homens muçulmanos se divorciar de suas esposas em minutos, simplesmente repetindo as palavras "talaq, talaq, talaq".

A decisão é unilateral, sem consulta à mulher. E pode ser feita tanto oralmente quanto por e-mail e até mesmo mensagens de texto, em aplicativos como o WhatsApp.

Uma prima de Rehman, ativista dos direitos das mulheres, a convenceu a entrar com um pedido na Justiça indiana para anular o "divórcio instantâneo", além de apresentar queixas sobre o assédio e a violência doméstica a que era submetida.

O marido e a sogra negam as acusações. Em meados deste ano, eles foram presos e liberados quatro dias depois, após pagar fiança.

"Vou carregar o estigma por toda a minha vida, pois, na Índia, a mulher é sempre considerada culpada pelo divórcio", diz Rehman.

"Não quero voltar para o meu marido; não é por isso que estou travando esta luta judicial. Luto por justiça e para garantir que outras mulheres não sejam tratadas dessa forma", disse ela à BBC, em agosto.

A Suprema Corte da Índia considerou a petição de Rehman e de outras quatro mulheres em uma decisão de agosto, que considerou o "divórcio instantâneo" inconstitucional.

A prática do "triplo Talaq" só permanece hoje na Índia, e não tem respaldo no Corão e nem na sharia, a lei islâmica.

Segundo estudiosos do Islã, o Corão inclusive determina que o divórcio dure pelo menos três meses, para que o casal possa refletir e, eventualmente, se reconciliar. Outros países muçulmanos, como o Paquistão, já baniram a prática.

Proibição e cadeia

Apesar da decisão de agosto da Suprema Corte, a prática continuou ocorrendo na comunidade islâmica indiana, segundo as autoridades locais.

Por isso, o "triplo talaq" agora é alvo de um projeto de lei que está sendo estudado em Nova Délhi.

Pela nova lei, a prática poderá ser punida com até três anos de prisão.

Segundo a mídia indiana, a legislação pode ser votada pelo Parlamento já em meados de dezembro.

O projeto de lei em estudo também propõe multas e medidas de amparo para as mulheres atingidas. O projeto, que está sendo chamado de "Lei de Proteção aos Direitos das Mulheres Muçulmanas no Casamento", foi enviado aos governos regionais da Índia para consultas.

Assim como a decisão da Suprema Corte, o projeto proíbe de forma explícita o "triplo talaq", além de criar uma "bolsa de subsistência" para as mulheres atingidas, segundo a principal agência de notícias da Índia, a Press Trust.

O objetivo é "garantir a proteção legal caso o marido determine à mulher que deixe a casa", teria dito um alto oficial do governo indiano, segundo a Press Trust.

Na versão atual do projeto, os homens suspeitos de cometer o crime não poderiam pagar fiança para deixar a cadeia. E a versão eletrônica do "talaq", inclusive via WhatsApp, também seria proibida.

O que é o Triplo Talaq?



Análise por Geeta Pandey, da BBC


Os muçulmanos são a maior minoria religiosa da índia, com uma população estimada em 155 milhões. Seus casamentos são regidos por uma versão particular da lei islâmica, presumivelmente baseada na sharia.

Apesar de ser praticado há décadas, o "triplo talaq" unilateral é claramente uma aberração - não é mencionado nem no Corão nem na sharia.

Estudiosos do Islã dizem que o Corão estabelece claramente como deve ser um divórcio. Deve ser consumado ao longo de três meses, o que permitiria ao casal refletir e eventualmente se reconciliar.

A maioria dos países islâmicos, inclusive o Paquistão e Bangladesh, já baniu o "triplo talaq", mas a prática continua vigorando na Índia até hoje.

E a tecnologia moderna tornou ainda mais fácil para homens inescrupulosos se livrarem de suas esposas: seja por telefone, e-mail ou texto. Há, inclusive, casos de homens que usaram Skype, WhatsApp ou Facebook para esse propósito.



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Reforma no Código Penal do Nepal quer impedir conversões religiosas

Cristãos nepaleses: duas palavras ameaçadas de não andarem mais juntas no Nepal.

Até rimou, mas a graça acaba aí onde começa a ameaça aos 20% dos 31 milhões de nepaleses que não professam o hinduísmo, segundo alerta a Rádio Vaticano:

Nepal: preocupação dos cristãos 
com lei que pune conversões

Katmandu (RV) – Uma modificação no Código Penal do Nepal que pune todas as conversões religiosas e as atividades de evangelização e proselitismo, trouxe grande preocupação à comunidade cristã local.

A lei, que entrará em vigor a partir de agosto de 2018, estabelece que qualquer pessoa que for “pega em flagrante” fazendo ações de proselitismo com o objetivo de converter uma pessoa “ou a minar a religião, a fé ou o credo de outra casta, grupo étnico ou comunidade”, poderá ser punido com até cinco anos de detenção.

Ademais, qualquer pessoa que ”ofender o sentimento religioso” (de um outro grupo confessional), poderá ser condenada a dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 2 mil rúpias nepalesas (cerca de 16 euros).

A pena será aplicada quer aos cidadãos como aos estrangeiros, incluindo os missionários.

Diversos expoentes cristãos nepaleses expressaram à Agência Asianews o temor de que a nova normativa possa levar a uma reviravolta em relação à liberdade religiosa, que em teoria, é garantida pela Constituição laica e democrática aprovada em 2015.

Entre esses, está Dom Paul Simick, Vigário Apostólico do Nepal, para quem “existe a possibilidade de que seja limitado o direito dos sacerdotes de exercer o próprio credo e obrigações”.

Na tentativa de justificar a reforma, o Ministro da Justiça Agni Kharel, afirmou que “o controle se aplica também aos hinduístas e aos budistas e não somente aos cristãos”.

Também o Conselheiro do Primeiro Ministro, Dinesh Bhattarai, assegurou que a nova normativa “não quer atingir de maneira particular uma fé ou algum fiel”.

Opinião diferente tem o Presidente da Federação Cristã nepalesa, C. B. Gahatraj. Para ele o objetivo do novo Código Penal é “controlar a liberdade religiosa e de conversão. Condenamos este controle”, afirmou com veemência.

O líder cristão denuncia que “os partidos políticos estão tentando controlar o crescente interesse das pessoas em se converter ao cristianismo”, reiterando que “nós não obrigamos ninguém e ao mesmo tempo não pedimos que ninguém mude de religião”.

(JE/LZ)



domingo, 30 de julho de 2017

Cerveja brasileira incomoda fundamentalistas hindus


A matéria é do Diário de Notícias de Portugal:

Hindus pedem que cerveja brasileira Brahma mude de nome

Brahma é o nome de um deus hindu

Um grupo de hindus pediu a mudança da marca de cerveja brasileira Brahma, propriedade da multinacional cervejeira Anheuser-Busch InBev, com sede em Lovaina, na Bélgica, argumentando que é inapropriado uma bebida alcoólica ter o nome que um deus hindu.

O líder norte-americano/hindu Rajan Zed, numa declaração feita na quarta-feira no estado do Nevada, nos Estados Unidos, disse que no hinduísmo Brahma, Vishnu e Shiva formam a grande tríade das suas divindades.

De acordo com Zed, ligar o deus Brahma com uma bebida alcoólica é muito desrespeitoso.

O uso inadequado das divindades, conceitos ou símbolos hindus para o comércio ou outros fins não é aceitável e fere a sensibilidade dos devotos, de acordo com Zed, que é presidente da Sociedade Universal do Hinduísmo.

"O hinduísmo é a terceira maior religião do mundo com cerca de 1,1 mil milhões de seguidores e um vasto pensamento filosófico e não deveria ser encarada de modo frívolo. Símbolos de qualquer fé, maior ou menor, não devem ser desrespeitados", de acordo com Rajan Zed.

"Além disso, o caráter sagrado de (divindade) Brahma não fica bem em propagandas e anúncios da cerveja Brahma, declarou Rajan Zed.

Celebridades de Hollywood, como Megan Fox e Jennifer Lopez, já atuaram em anúncios da cerveja Brahma.

A Anheuser-Busch InBevtem mais de 500 marcas de cerveja em cerca de 150 países, entre as quais as brasileiras Brahma e Skol, e outras como a Budweiser e Corona.



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Testemunhas de Jeová no meio da confusão entre Índia e Paquistão


De maneira inadvertida, por causa de um hino e do furor nacionalista, as Testemunhas de Jeová terminaram se envolvendo no imbroglio da ópera bufa e tragicômica que Índia e Paquistão insistem em encenar.

Detalhe sinistro: além da população gigantesca nos dois lados, os países em questão têm um arsenal militar imenso que dispõe de bombas atômicas.

A notícia foi publicada no Estadão em 16/02/17:

Cantar o hino pode passar a ser obrigatório 
a estudantes indianos

Buscar formas para reforçar o nacionalismo indiano passou a ser uma preocupação do governo de Narendra Modi

Primeiro, foi o cinema. Agora, as escolas. A execução do hino nacional passou a ser um dever na Índia antes de cada sessão de cinema desde o fim do ano passado, com prisão de quem teimar em ficar sentado. Agora, o governo quer expandir a medida para as escolas.

O problema é que a obrigação de cantar o hino é incompatível com uma norma de mais de 30 anos que isenta crianças pertencentes a alguns credos, como as Testemunhas de Jeová, de entoar o hino. O argumento é que isso equivaleria a uma forma de adoração.

A Suprema Corte quer revisar o julgamento de 1986 que favoreceu as crianças dessa corrente religiosa. A decisão de então considerou que forçá-las a cantar o hino seria ilegal. Segundo o jornal Indian Express, o tribunal afirma que a discussão, neste momento, é necessária porque “é extremamente importante estimular um senso de nacionalismo desde a infância”.

Buscar formas para reforçar o nacionalismo indiano passou a ser uma preocupação do governo de Narendra Modi desde a escalada na violência na Caxemira, em julho. As tensões entre a Índia e o Paquistão foram elevadas após a operação de repressão de forças indianas contra a dissidência na parte da Caxemira controlada por Nova Délhi. Os dois países, donos de armas nucleares, disputam o território.

Em setembro, os cinemas paquistaneses pararam de exibir filmes da Índia em “solidariedade” às Forças Armadas do país. As relações pioraram mais quando militantes mataram 18 soldados em um ataque a uma base do Exército indiano que a Índia atribui aos paquistaneses. Em resposta, a Índia realizou “ataques cirúrgicos” na Caxemira administrada por Islamabad, uma manobra que o Paquistão repudiou.

A disputa na indústria do entretenimento cresceu. A Associação Indiana de Produtores Cinematográficos, uma entidade pequena de cineastas, proibiu seus membros de contratarem atores paquistaneses. A mídia indiana, ainda em setembro, noticiou que o líder de um partido regional de direita, Maharashtra Navnirman Sena, deu um prazo de dois dias para atores paquistaneses deixarem a Índia ou serem “empurrados para fora”.



segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Garota de 13 anos morre após 68 dias de jejum religioso na Índia

A informação é do BBC Brasil:

Morte de menina após jejum religioso de 68 dias provoca polêmica na Índia

A morte de uma garota de 13 anos que passou 68 dias sem comer reacendeu a discussão sobre a prática do jejum religioso na Índia.

Aradhana Samdariya ficou quase dois meses e meio ingerindo apenas água quente, seguindo uma tradição do Jainismo, uma das religiões mais antigas da Índia. Ela morreu dois dias depois de terminar o jejum.

A polícia do país passou a investigar o caso após uma denúncia de uma organização que defende os direitos das crianças - eles afirmam que os pais de Aradhana teriam forçado a garota a fazer o jejum.

"Os pais dela, Laxmi Chand e Manshi Samdariya, estão sendo acusados de homicídio culposo (causar morte por negligência) e crueldade contra menores", afirmou um porta-voz das autoridades indianas.

Os pais de Aradhana são joalheiros ricos de Hyderabad, uma das maiores cidade da Índia, e negam terem forçado a filha a fazer o jejum.

"Ela pediu permissão para jejuar. Falamos para ela parar depois de 51 dias, mas ela não queria desistir. Foi voluntário, ninguém a forçou", disse o pai da jovem.

Mas ativistas argumentam que os pais queriam que a menina jejuasse porque "o guru da família disse a eles que, se a filha ficasse 68 dias sem comer, os negócios deles iriam prosperar".

"O país inteiro deveria se envergonhar de que uma prática como essa ainda exista. A garota foi forçada a beber só água o dia todo. Ela não podia pôr nem um sal ou um limão ou qualquer outra coisa na água", disse à BBC o ativista Achyut Rao.

Rao também criticou a família por ter feito uma procissão "para santificar" a menina durante o funeral.

"A coisa mais chocante é que a família está feliz (porque acredita) que ela foi uma das raras pessoas a serem levadas por Deus", afirmou.

Prática comum

Jejuar é uma prática comum nas religiões na Índia e especialmente entre os praticantes do Jainismo.

Outro costume da crença, também bastante criticado por ativistas, é o que eles chamam de santhara - quando uma pessoa deixa de comer e até de beber água com o objetivo de se preparar para a morte.

Especialistas dizem que o corpo humano consegue sobreviver sem comida por até dois meses.

O jejum, porém, não é exclusividade dessas religiões - muçulmanos, cristãos, hinduístas e judeus também adotam a prática em algumas datas. Mas nenhuma dessas doutrinas aprova jejuar até a inanição e morte.

Líderes jainistas continuam, porém, a defender que seus seguidores fiquem longos períodos sem comida.

"Mulheres grávidas ou aqueles que não estão bem não devem jejuar. Mas não há nada que impeça que uma criança jejue. O quanto elas devem ficar sem comida, porém, depende de sua capacidade individual", afirmou o monge Maharasa Ravinder Muniji ao site Firstpost.



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O Natal na visão das outras religiões


A matéria foi publicada no portal EBC em 19/12/12:

Quem não comemora o Natal?

Guilherme Strozi

Nem todas as pessoas comemoram o Natal no dia 25 de dezembro. Algumas culturas, nem sequer comemoram o Natal, como referência ao nascimento de Jesus Cristo (ou Jesus de Nazaré).

Natal é um feriado e festival religioso cristão originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno e adaptado pela Igreja Católica, no terceiro século d.C., pelo imperador Constantino para comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré.

Porém, nem todas as culturas absorveram a tradição de celebrar o dia 25 de dezembro, seja como uma homenagem ao nascimento de Jesus, ou, pela adoração da passagem do sol ao redor da Terra.

O Portal EBC separou algumas culturas que não comemoram o Natal como uma data primordial em seu calendário:

Islamismo

Ao contrário das religiões cristãs - para as quais Jesus é o Messias, o enviado de Deus - o islamismo dá maior relevância aos ensinamentos de Mohamad, profeta posterior a Jesus (que teria vivido entre os anos 570 e 632 d.C.), pois este teria vindo ao mundo completar a mensagem de Jesus e dos demais profetas.

Em relação à celebração do Natal, os muçulmanos mantêm uma relação de respeito, apesar de a data não ser considerada sagrado para o seu credo.

Para os muçulmanos, existem apenas duas festas religiosas: o Eid El Fitr, que é a comemoração após o término do mês de jejum (Ramadan) e o Eid Al Adha, onde comemoram a obediência do Profeta Abraão a Deus.

Judaísmo

Os judeus não comemorem o Natal e o Ano Novo na mesma época que a grande maioria dos povos, mas para eles, o mês de dezembro também é de festa. Apesar de acreditarem que Jesus existiu, os judeus não mantêm uma relação de divindade com ele.

Na noite do mesmo dia 24 de dezembro os judeus comemoram o Hanukah, que do hebraico significa festa das luzes. Esta data marca a vitória do povo judeus sobre os gregos conquistada, há dois mil anos, em uma batalha pela liberdade de poder seguir sua religião.

Apesar de não ser tão famosa no Brasil, a festa de Hanukah, que, tradicionalmente, dura 8 dias, em outros países é tão "pop" como o Natal. Em Nova Iorque, por exemplo, as lojas que vendem enfeites de Natal também vendem o menorah (candelabro de 8 velas considerado o símbolo da festividade judaica). "Para cada um dos 8 dias acendemos uma vela até que o candelabro todo esteja aceso no último dia de festa", explica o rabino.

O peru e bacalhau típicos do Natal católico são substituídos por panquecas de batata e bolinhos fritos em azeite. E em vez de desembrulharem presentes à meia-noite, as crianças recebem habitualmente dinheiro.

Budismo

Não há envolvimento do budista com a característica particular da comemoração do Natal do mundo ocidental, ou seja, da comemoração do nascimento de Jesus Cristo. Mas, os budistas admiraram as qualidades daqueles que lutam pela humanidade e, por isso, respeitam a tradição já estabelecida, respeitando a figura de Jesus Cristo, que para eles é considerado um “Bodhisattva” – um santo ou aquele que ama a humanidade a ponto de se sacrificar por ela. Para os budistas ocidentais, o dia 25 de Dezembro tem um cunho não cristão, mas sim, espiritual.

Protestantismo

Embora seja uma religião cristã, é subdividida em diversas “visões” da Bíblia. Algumas comemoram o Natal como os católicos, outros buscam na Bíblia e no histórico religioso, cuja data de nascimento de Cristo é discutida, um fundamento para não comemorar a data tal como é comemorada no catolicismo. É o caso das testemunhas de Jeová, por exemplo. Já a Assembleia de Deus e a Presbiteriana comemoram o Natal com o simbolismo da presença de Cristo entre os homens, onde a finalidade é levar a uma instância reflexiva a respeito de Cristo. Festejar condignamente o Natal é uma bênção e inspiração para todos quantos nasceram do Espírito ao tornarem-se filhos de Deus pela fé em Cristo, para os evangélicos.

Afro-Brasileiras (Candomblé e Umbanda)

Yemanjá, Yansã e Oxum são entidades comemoradas ao longo do ano nas religiões afro-brasileiras, que têm no mês de dezembro um simbolismo todo especial. Mas para os umbandistas a comemoração do natal cristão é algo mais natural, porque a maioria dos seus seguidores e médiuns praticantes veio da religião cristã. A umbanda encontrou um lugar para Cristo no rol de suas divindades – ele é associado a Oxalá, considerado o maior Orixá de todos. No dia 25 de dezembro, os umbandistas agradecem à entidade que, segundo a sua crença, comanda todas as forças da natureza.

Alguns terreiros de Candomblé também oferecem algum ritual especial à data, mas a prática não configura uma passagem obrigatória em todos os centros.

Hinduísmo

As mais importantes celebrações do hinduísmo são ocorridas na Índia, por meio da Durga Puja, o Dasara, o Ganesh Puja, o Rama Navami, o Krishna Janmashtami, o Diwali, o Holi e o Baishakhi. O Durga Puja é a festa da energia divina. Já o festival de Ganesh é celebrado nos estados do sul da Índia, com danças alegres e cantos. O Diwali é o “festival das luzes” em que em cada casa, em cada templo são colocadas milhares e milhares de luzes, acesas toda a noite. O significado destas festas é adorar a Energia Divina.

Taoísmo

O taoísmo, religião majoritariamente vista na China, não tem qualquer celebração no Natal. No entanto, a religião tem inúmeras datas onde se comemora o nascimento de grandes mestres ou sua ascensão. O Ano Novo Chinês, assim como no budismo, é a data mais comemorada para os taoístas. Nesse dia se celebra o Senhor do Princípio Inicial.



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Como abraçar um muçulmano


A curiosa experimentação social começou muitos meses atrás, quando o mundo ainda estava em choque pelo surgimento do Estado Islâmico, mas não tão apavorado pela selvageria e pelos atentados que se seguiram.

O programa se chamava "Blind Trust Project" ("Projeto Confiança Cega") e consistia em posicionar um rapaz de pé nas ruas de Toronto (Canadá), com os olhos vendados, braços abertos, e com dois cartazes: um dizia "eu sou muçulmano e sou rotulado como terrorista", e o outro "eu acredito em você. Você acredita em mim? Dê-me um abraço então!".

Veja o que aconteceu:


Algum tempo depois, a experiência ocorreu num lugar ainda mais complicado, em Mumbai (antigamente denominada Bombaim) na Índia, onde a histórica rivalidade entre hindus e muçulmanos já levou a guerras e conflitos constantes entre Índia e Paquistão.

Pois foi exatamente lá que um muçulmano se posicionou numa rua com um cartaz dizendo "eu sou muçulmano e acredito em você. Você acreditaria em mim o suficiente para me dar um abraço?".

O resultado você pode ver no vídeo abaixo:



Já houve inclusive a versão francesa do "abrace um muçulmano" pós-ataques a Paris na sexta-feira 13 passada, com os mesmos dizeres e uma profunda emoção, conforme você pode ver no vídeo abaixo:




É interessante ver como as pessoas reagem aos estereótipos, e depois de uma desconfiança inicial se dispõem a encarar os medos individuais e coletivos.

Peço licença aos leitores para contar uma experiência pessoal que ilustra bem o que quero dizer.

Em maio de 2014, durante um voo de Las Vegas (Nevada) a Charlotte (North Carolina), presenciei uma cena que confrontou meus medos e preconceitos.

O voo é longo, dura mais de 3 horas, e confesso que, logo no embarque, estranhei a presença de 5 jovens tipicamente muçulmanos, com suas vestes e barbas que chamavam a atenção.

Confesso que, por um instante, pensei o pior, mas logo me acalmei. 

Afinal, com toda aquela segurança nos aeroportos dos Estados Unidos, em que o passageiro é revistado, tocado, scaneado e quase despido, a probabilidade de alguém mal-intencionado passar incólume é praticamente nula.

Os aviões americanos que fazem os trajetos nacionais têm uma configuração um pouco diferente daquela que estamos acostumados no Brasil.

Os banheiros ficam no meio do avião e os passageiros são instruídos repetidas vezes para não aglomerar na frente deles.

Eu estava sentado numa poltrona do lado do corredor duas fileiras atrás do banheiro, com um jovem militar devidamente fardado na poltrona de trás e, lá pelas tantas, estranhei o fato de um daqueles jovens - aparentemente muçulmanos - estar parado em frente ao banheiro, lívido, se sentindo - ao que tudo indicava - bastante desconfortável.

Novamente, me acalmei e voltei a ler a revista que estava em minhas mãos quando, alguns minutos depois, houve uma barulhenta comoção generalizada logo à minha frente.

Levei alguns instantes (que pareciam uma eternidade) para reparar que o rapaz muçulmano havia desmaiado, e algumas pessoas se reuniam em volta dele para socorrê-lo.

Felizmente, havia vários médicos no avião retornando de um congresso médico em Las Vegas e todos foram rápidos e bastante solícitos em socorrer o rapaz que imediatamente teve uma poltrona liberada ali do lado para se recompor, enquanto recebia os cuidados dos profissionais habilitados para tanto.

Confesso que, por alguns segundos, meu coração saltou à boca e imaginei o pior, mas logo fui alegremente surpreendido pelo fato de que há pessoas que não se assustam com os estereótipos e se apressam em fazer o melhor que podem para socorrer alguém. 

Vergonha para mim.

Chegamos todos sãos e salvos a Charlotte e, na sala de conexões, os mesmos 5 rapazes apareceram para tomar um voo para Londres no portão ao lado daquele que me traria de volta a São Paulo. 

Pausa, claro, para refletir sobre como nossas reações são condicionadas pelo medo (e pelo inconsciente) coletivo e - felizmente - na imensa maioria das vezes, estamos equivocados.

Claro que tudo que tem acontecido no mundo em termos de fanatismo, decapitações, terrorismo e intolerância religiosa não pode ser explicado na simplificação de um discurso do abraço, mas não custa nada sonhar e manter a esperança de que dias melhores virão.

É o que nos resta, afinal!

Jamais despreze o poder de um abraço. Sim, pode ser que um abraço mude o mundo. 

Pelo menos um pouquinho...



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Multidão lincha indiano por boato de que ele consumia carne bovina


Parece que o radicalismo religioso e político - que move a boatos a histeria coletiva - não escolhe fronteiras, segundo a matéria da BBC Brasil:

Indiano é linchado após boato de que consumia carne bovina

Um homem de 51 anos foi linchado até a morte no norte da Índia após boatos de que ele e sua família armazenavam e consumiam carne bovina em casa.

Mohammad Akhlaq foi chutado e apedrejado por um grupo de homens em Dadri, no Estado indiano de Uttar Pradesh, na noite de segunda-feira.

O filho de Akhlaq, de 22 anos, sofreu ferimentos graves durante o ataque e foi encaminhado a um hospital da região.

Seis pessoas foram presas por ligação com o crime. A polícia está investigando quem espalhou o boato.

O abate de vacas é um assunto sensível na Índia já que o animal é considerado sagrado pelo hinduísmo, religião professada por cerca de 80% dos 1,2 bilhão de habitantes do país.

Uttar Pradesh é um dos Estados indianos que vem endurecendo as leis sobre o abate de vacas e a venda e o consumo de carne vermelha.

A proibição, contudo, vem provocando críticas de parte da sociedade indiana, que diz não ser incumbência do Estado decidir o que a população come.

A família de Akhlaq disse que a família armazenava carne de carneiro na geladeira, mas não carne bovina. A polícia apreendeu o alimento e o enviou para análise, segundo a imprensa indiana.

"Alguns moradores espalharam boatos de que Akhlaq tinha carne bovina em casa e realizava abate de vacas. Por causa dos rumores, a casa dele foi atacada", afirmou uma autoridade local ao jornal indiano The Indian Express.

Segundo um policial afirmou à agência de notícias AFP, o "boato de que a família consumia carne bovina foi feita em um templo (local)".

O incidente aconteceu em um vilarejo, a cerca de 50 km da capital indiana, Nova Déli, onde Akhlaq, um ex-fazendeiro, vivia com a família.

Em entrevista ao The Indian Express, a filha de Akhlaq, Sajida, de 18 anos, disse que "um grupo de mais de 100 pessoas do vilarejo" invadiram a casa na noite de segunda-feira.

"Eles nos acusaram de armazenar carne bovina, arrombaram as portas e começaram a bater em meu pai e meu irmão. Meu pai foi arrastado para fora da casa e agredido com tijolos", disse ela.

"Ficamos sabendo depois que o boato se espalhou dentro do templo…havia carne de carneiro na geladeira…a polícia levou tudo para análise".

Segundo testemunhas, ao protestar contra as prisões após a morte de Akhlaq, moradores locais entraram em confronto com a polícia e danificaram vários veículos.

Na Índia, 11 Estados ─ incluindo Uttar Pradesh ─ além de dois territórios (regiões administradas) proíbem o abate de vacas, bezerros, touros e bois.



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Milionário indiano doa fortuna e vira monge

A informação é da BBC Brasil:

'Rei do Plástico', milionário indiano doa fortuna e larga tudo para virar monge

Um dos homens mais ricos da Índia renunciou a sua fortuna para seguir uma vida espiritual de total austeridade.

Bhanwarlal Doshi, que criou um império do plástico avaliado em US$ 600 milhões (R$ 1,8 bilhão) pela revista Forbes, tornou-se monge do jainismo, uma das religiões mais rigorosas e tradicionais da Ásia.

O jainismo não só exige a renúncia a bens materiais, como também professa uma vida de profundo respeito à vida, em que se evita violência até contra insetos ou mesmo micróbios.

Doshi, que era casado e só usava roupas de marcas de luxo, agora será celibatário, usará somente uma túnica e caminhará descalço. As intensas atividades sociais darão lugar à meditação e quase toda a sua fortuna será doada para obras da religião.

De milionário a monge

A busca de um caminho espiritual é algo comum na Índia, mas a mudança radical na vida de Doshi para alcançar seu moksha – ou salvação – não tem precedentes, segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC.

Tampouco foi uma decisão tomada repentinamente, por causa de alguma crise mental ou moral que o empresário teria sofrido. Bhanwarlal Doshi, na verdade, passou décadas pensando em abandonar sua riqueza e entregar-se à espiritualidade.

Ele discutiu seus planos com sua família que, no início, rejeitou a ideia. Doshi queria receber a diksha, cerimônia de consagração, há três anos, mas seus familiares não permitiram.

Ele levou todo esse tempo para convencê-los, mas, no fim, foi iniciado como monge em uma cerimônia em três dias na cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia.

"Estamos orgulhosos dele. A honra e o respeito que ele recebeu quando anunciou sua decisão é algo que precisamos ver para crer", disse seu filho, Rohit, ao jornal indiano Ahmedabad Mirror.

Regime rigoroso

De certo modo, Doshi imitou um dos precursores do jainismo, Majavira, um rei que viveu entre os séculos 6 e 5 a.C.

Segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC, Majavira era um monarca que abandonou seu reinado, atormentado pela miséria que o rodeava para dedicar-se a fazer o bem à humanidade.

Dwivedi explica que duas grandes religiões surgiram na Índia mais ou menos na mesma época: o jainismo e o budismo.

O último se estendeu até o leste, com grande aceitação na China, no Tibete, no Japão e em outros países. Mas o jainismo, por causa de seu regime mais rigoroso, não encontrou o mesmo apoio e está concentrado em uma pequena área na parte ocidental da Índia. Seu número de praticantes foi diminuindo até quase a extinção, de acordo com o jornalista da BBC.

Após a iniciação como monge, Doshi enfrentará uma vida de celibato e completa austeridade, sem nenhuma das comodidades nem elementos que consideramos indispensáveis na vida moderna, como telefone, relógio, acessórios ou roupas elaboradas.

Ele se levantará todas as manhãs às quatro da manhã para praticar o ritual da alochana, a autocrítica, que consiste em refletir sobre as atividades do dia anterior e os momentos em que ele pode ter ferido algum animal.

Extremos

A consideração por todos os seres vivos é o motivo pelo qual os seguidores do jainismo não usam sapatos – para não pisar por engano em algum pequeno invertebrado no caminho.

Alguns adeptos extremos da religião também cobrem a boca para evitar que moscas entrem nela e até para não inalar micróbios no ar.

Naturalmente, os jainistas são vegetarianos, mas eles não podem dedicar-se à agricultura por receio de matar os animais que vivem na terra.

A única profissão exercida por eles é o comércio, porque consideram que, assim, não prejudicam nada e ninguém, segundo Amresh Dwivedi.

O ex-milionário Bhanwarlal Doshi é justamente um comerciante, mas de grande porte. Ele é dono da DR International, uma das maiores produtoras de plástico da Índia.




sexta-feira, 15 de maio de 2015

Evitando as pedras, noivo "intocável" casa de capacete na Índia


A informação é do blog Page Not Found d'O Globo, com vídeo mais abaixo:

Noivo de casta inferior se casa com capacete para enfrentar pedras

Um noivo em Ratlam (Índia) trocou o tradicional turbante laranja por um capacete de moto para enfrentar a chuva de pedras lançadas por homens de casta superior durante o casamento dele, realizado no último domingo (10/5).

Pawan Malviya é um dalit (casta sem privilégios) e os homens de castas superiores não admitem que alguém na posição social dele cavalgue até a cerimônia de casamento.

A família de Pawan, sabendo que o ataque era iminente, equipou o filho com capacete, contou a NDTV.

O cortejo de familiares que acompanhavam o noivo também foi atingido por pedras. Doze homens ficaram feridos. O grupo só conseguiu chegar ao templo onde seria realizado o casamento porque a polícia, usando capacetes e escudos, uniu-se a ele.

De acordo com o sistema de castas, cada membro só pode se casar com pessoa do seu próprio grupo. A condição social é hereditária. A Constituição da Índia rejeita a discriminação com base em casta, seguindo os princípios democráticos e seculares que fundaram o país. Problemas relacionados a castas deixaram de existir nas grandes cidades, mas persistem principalmente na zona rural.




sexta-feira, 7 de março de 2014

Jejum como prática religiosa e hábito saudável

Matéria publicada no IHU:

O guia de jejum dos monges


Jejuar não é uma questão de moda; é um costume que faz parte de quase todas as religiões, há milhares de anos. No entanto, na atualidade se trata menos de uma iluminação espiritual e mais de perder peso. 

A reportagem é de Tom de Castella, publicada pela BBC Mundo, 23-02-2014. A tradução é do Cepat.


Crescem as evidências apontando que dietas como as 5:2 – que restringem o consumo de calorias duas vezes por semana – podem ser uma forma sadia de eliminar alguns quilos.

Que conselho os monges e padres, que regularmente se privam de comida, podem oferecer?

O padre Alexander da Costa Fernandes, um monge católico da abadia Worth, na Inglaterra, tem uma experiência de 20 anos de jejuns.

Habitualmente, nas quartas e sextas-feiras só toma água e uma xícara de café.

Inicialmente, foi difícil e tinha dores de cabeça. Demorou nove meses para que pudesse jejuar seriamente.

Ele garante que o segredo está em se acostumar gradualmente com a ideia de jejuar. O corpo “anseia o que espera”.

Aconselha a começar deixando de tomar o café da manhã ou o biscoito do meio da manhã. Assim, dominando-se isso, desiste-se de outra coisa. Uma dieta de pão e água é, segundo ele, um enfoque sensato.

Tomar muito líquido é crucial, e o padre Alexander assinala que ajuda a criar a ilusão de um estômago cheio.

Diferentes enfoques

Os significados do jejum variam de pessoa para pessoa.

Um jejum absoluto, praticado por judeus durante 24 horas em Yom Kippur e Tisha B’Av, proíbe tanto a comida como a bebida.

E durante o Ramadã, o nono mês do calendário islâmico, os muçulmanos se abstém de sólidos e líquidos durante as horas do dia.

O jejum também é importante para os hindus, e alguns monges budistas e monjas renunciam as comidas da tarde.

No mundo laico, a dieta 5:2 define o jejum como um consumo de 500 calorias para as mulheres e 600 para os homens, durante dois dias não consecutivos da semana.

Essa forma de dieta não é própria para todo público, e não está isenta de críticas. A posição do sistema de saúde britânico é a de que é necessário realizar mais pesquisas sobre essas dietas intermitentes e aconselha que as pessoas consultem o médico antes de iniciar uma.

O jejum não é apenas fisicamente exigente. Também é psicologicamente duro, destaca o bispo anglicano de Manchester, o reverendo David Walker, que por um dia da semana, na última década, toma apenas café e água.

“À noite, antes de começar, você pensa: ‘como passarei o dia?’”, destaca o bispo Walker. Contudo, garante que nunca é tão difícil como se espera.

A chave é – aconselha – assegurar-se de se manter ocupado durante as horas das refeições. O corpo está condicionado a querer comida de acordo com uma rotina.

Para eliminar os pensamentos de fome da mente, o bispo sugere fazer algo que o mantenha absorto – como um programa favorito de televisão ou um quebra-cabeça – nas horas em que normalmente se estaria sentado na mesa para tomar o café da manhã, almoçar ou jantar.

Cinco dias

Segundo o padre Alexander, qualquer pessoa sadia e em forma é capaz de encarar um jejum curto. O tempo mais longo que ele conseguiu se privar de alimentos foi de cinco dias. “Há muito confete a respeito da comida”.

O padre acrescenta que as pessoas são bombardeadas com mensagens sobre a necessidade de energia e vitaminas. “O que meus cinco dias de jejum me ensinaram é que temos tanta energia em nosso corpo, em forma de gordura, que somente começa a ser usada após alguns dias”.

Os picos de fome são inevitáveis, inclusive para os mais experimentados. Especialmente, quando há um pão retirado do forno ou um sanduíche com bacon rondando por perto.

Quando isso ocorre, o que se pode fazer?

Aprender a disciplina da mente, aconselha o padre Alexander. “Se no dia do jejum você pensa em uma torta de chocolate ou em ter camarões no jantar, então é totalmente inútil”.

O religioso sugere eliminar sutilmente esses pensamentos e se concentrar em algo que se deveria estar fazendo.

Fazer algo como “parte de uma comunidade”, torna o jejum menos pesado, disse, por sua parte, o bispo Walker. Sendo assim, recomenda fazê-lo com amigos ou colegas para não se sentir isolado quando as coisas se tornarem duras.

Todas essas técnicas são úteis. Contudo, para os religiosos ter fome faz parte do trabalho.

“Algumas vezes a sensação de fome ajuda do ponto de vista espiritual”, concede o bispo Walker. “Quando tenho uma pontada de fome, recordo-me que estou jejuando por um propósito religioso. Isso faz com que minha mente vá até Deus e se torne um momento de oração”.

Elevação espiritual

Todas as religiões importantes, como o Sikhismo, usam o jejum para enfocar a mente de uma forma parecida.

Na Bíblia, Jesus disse “Não só de pão vive o homem”. Seus quarenta dias no deserto foi a inspiração para a Quaresma.

Os cristãos usam o jejum para pensar nos pobres, aqueles que têm fome não por decisão própria, mas pelas circunstâncias. Também é visto como uma ajuda para a concentração que aproxima de Deus.

Confidencialmente, um dos benefícios é perder peso. O bispo de Manchester perde uns três quilos em cada quaresma.

Porém, há algumas diferenças de tom e doutrina entre católicos e anglicanos.

“Uma vida de autoindulgência conduz ao desastre”, destaca o padre Alexander.

Fala da “mortificação” da carne – o jejum como penitência –, mas os anglicanos evitam essa palavra. “É uma disciplina espiritual, mas alegre”, esclarece o bispo Walker.

Contudo, um leigo pode sentir elevação espiritual com a dieta? O bispo Walker pensa que sim. “Se está aberto ao fato de que este processo de jejum abrirá as portas para um encontro espiritual, pode ser”.

O bispo acrescenta que o deixar de comer algum dia é algo básico da natureza. Recorda-se de uma vez que visitou o zoológico e leu um cartaz que dizia “Aos leões não se alimenta nas sextas-feiras”. Argumenta que se os carnívoros não necessitam comer todos os dias, nós também não.

Interromper o jejum não é o fim do mundo, destaca o padre Alexander. Seu prato favorito é peixe com batatas fritas, o prato das sextas-feiras à noite no mosteiro.

“Alguns dias, digo: ‘Ok, sorrindo, não posso mais. Preciso de peixe com batatas fritas’. Acredito que nisso há um pouco de sabedoria. É minha decisão pessoal. Não acredito que o jejum seja uma questão de vontade própria, trata-se de crescimento e da Graça Divina”.

Dessa maneira, o padre enfatiza que o benefício do jejum, em certas ocasiões, pode ser compensado pela companhia em compartilhar uma boa comida. Especialmente, quando se trata de peixe com batatas fritas.



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