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sexta-feira, 24 de março de 2017

Papel-moeda entra em extinção no mundo

A matéria é da BBC Brasil:

Os países onde o dinheiro vivo está prestes a ser extinto

Lauren Comiteau

Em tempos de turbulência econômica, não é de se espantar que algumas pessoas prefiram guardar seu dinheiro à moda antiga: em espécie, em algum cofre ou em algum esconderijo. Pelo menos até a tempestade passar.

Mas em alguns países do mundo, como a Holanda, o dinheiro em espécie está praticamente em vias de extinção - a ponto de alguns estabelecimentos simplesmente recusarem cédulas ou moedas.

Da badalada rede de lojas de comida natural Marqt à padaria do bairro, todos preferem receber pagamentos em cartão de débito ou crédito. Alguns dos varejistas chegam a definir essa prática como "mais limpa" e "mais segura".

Eu fiz uma experiência: deixei o cartão em casa e tentei ver até onde poderia chegar com um punhado de dinheiro vivo em Amsterdã.

Espanto e resistência

Como era de se esperar, fui recebida com expressões de espanto e com resistência quando quis pagar meu aluguel em dinheiro.

"Não me lembro da última vez que recebemos pagamento em dinheiro", conta Marielle Groentjes, contadora da imobiliária que administra meu apartamento, há dez anos no cargo.

"Não gostamos de ter dinheiro aqui na agência. Não temos cofre e os bancos nos cobram para fazer um depósito."

Mas são itens menores e mais baratos que dão mais dor de cabeça. Se não sou impedida de fazer compras em lojas que só aceitam cartões, sou obrigada a ficar em uma fila enorme de pessoas pagando em dinheiro, enquanto vejo outras resolvendo suas vidas rapidamente nos caixas automáticos.

Os euros no meu bolso não servem para eu comprar um sanduíche nem para que eu estacione o carro em Amsterdã.

"Dinheiro em espécie é um dinossauro, mas ele ainda não vai ser extinto", afirma Michiel van Doeveren, conselheiro sênior no Banco Central holandês, o DNB.

Segundo ele, é a logística que está encarecendo as transações em dinheiro, uma vez que ele precisa ser transportado, vigiado, contado e registrado. "É importante que a economia eletrônica ganhe mais espaço porque queremos adotar pagamentos mais eficientes."

Como ganhar mais

Os pagamentos eletrônicos nas lojas e supermercados da Holanda ultrapassaram as transações em dinheiro pela primeira vez em 2015, por uma margem estreita: 50% delas em cartões de débito, 49,5% em dinheiro e 0,5% em cartões de crédito.

Um movimento conduzido por um grupo de bancos e varejistas holandeses quer que essa proporção suba para 60%-40% até 2018. Eles argumentam que pagamentos eletrônicos são mais baratos, mais seguros e mais convenientes.

Assim como a Holanda e seus vizinhos na Escandinávia, a Suécia está entre os primeiros na corrida pela erradicação do dinheiro vivo. Mas nem todo o mundo simpatiza com a ideia.

"Trata-se de um problema enorme. Para pequenas empresas, é muito caro depositar dinheiro no banco", afirma Guido Carinci, diretor da associação de pequenos empresários TOMER. Ele diz que tem que pagar uma taxa de 300 coroas suecas por mês (cerca de R$ 120) para uma empresa que está autorizada a fazer depósitos em sua conta.

Segundo ele, os bancos lucram bastante com a cobrança de taxas sobre transações eletrônicas, enquanto não faturam com o dinheiro vivo. Isso tira o incentivo para que eles aceitem cédulas ou moedas.

Muitas lojas suecas já despacharam suas caixas registradoras, incluindo a gigante das telecomunicações Telia, cujas 86 filiais pararam de aceitar dinheiro vivo em 2013. Os ônibus suecos já não aceitam pagamento em dinheiro há vários anos. E até os sem-tetos que vendem revistas na rua aceitam receber em cartão ou através de aplicativos de celular.

O problema se tornou tão grave que a maioria dos suecos enfrentam o dilema de o que fazer com a pilha de notas que os bancos não querem. Alguns estão até recorrendo a guardar tudo "embaixo do colchão", segundo Bjorn Eriksson, diretor da empresa de segurança Säkerhetsbranschen.

Laços culturais

Apesar disso, as atitudes variam bastante dentro da Europa e em outras regiões do mundo. Algumas culturas relutam firmemente em desistir do dinheiro em espécie. É o caso, por exemplo, da Alemanha, cujos consumidores acreditam que o dinheiro vivo os ajuda a controlar melhor seus gastos, segundo um estudo realizado recentemente pelo Banco Central alemão.

Na superpotência da Europa, mais de 75% dos pagamentos ainda são feitos em dinheiro. A Itália é ainda menos adepta das transações eletrônicas, com 83% dos pagamentos em dinheiro.

E por mais que os americanos adorem suas notas verdinhas, o país está começando a viver um movimento no sentido de se tornar mais eletrônico. No ano passado, eles adotaram cartões de crédito com chip - uma década depois de muitos países europeus.

Em janeiro passado, várias filiais da rede de lanchonetes Sweetgreen pararam de aceitar dinheiro vivo, inclusive em sua loja em Wall Street, onde a maioria dos jovens executivos usam aplicativos de "carteira" em seus celulares, como o Apple Pay, por exemplo.

Os avanços na tecnologia móvel também está mudando costumes em alguns países da África. No Quênia e na Tanzânia, o serviço digital M-Pesa permite que milhões de pessoas hoje paguem suas contas, cobrem seus salários e realizem pequenas transações em mercados locais através de suas contas em seus celulares.



sábado, 3 de novembro de 2012

Filme fake mostra suposto nascimento de Obama no Quênia

O local exato do nascimento de Barack Obama tem sido objeto de muita polêmica desde que ele despontou como candidato à presidência dos Estados Unidos em 2008. Isto porque, a exemplo do que ocorre no Brasil, o presidente americano deve ser um cidadão nato.

A oposição fez aparecer até certificado de nascimento falso no Quênia, além de ter explorado muito o silêncio que o atual presidente dos EUA fazia a respeito de mais essa teoria da conspiração.

O próprio Obama teve que exibir o seu certificado de nascimento original, mas somente em 2011, mostrando que havia nascido em Honolulu, no Havaí, em 4 de agosto de 1961.

Só que não foi suficiente.

Na atual (e acirrada) campanha para as eleições a serem realizadas no próximo dia 6 de novembro, quando Obama tentará a reeleição contra o candidato republicano Mitt Romney, o assunto voltou com força total, a ponto de alguém ter produzido o suposto vídeo do nascimento dele.

Pelas imagens, é fácil perceber que se trata de uma produção profissional com intenção de se passar por caseira, com péssimos atores numa encenação que ultrapassa as raias do ridículo.

Tiveram até o trabalho de arranjar uma sósia da mãe (já falecida) do presidente americano,  além de um bebê visivelmente de 4 a 6 meses para passar por recém-nascido, o que é - no mínimo - uma iniciativa de mau gosto.

É mais uma curiosidade para ver que o jogo sujo e rasteiro na política não é "privilégio" de um país só.







quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pastor queniano prometia "bebês milagrosos" em Londres

Imagem meramente ilustrativa
É cada coisa que a gente lê que fica difícil acreditar, mas pelo jeito o abuso do nome de Deus é uma praga universal. A notícia é da Folha.com:

Reino Unido deportará acusado de roubar bebês para 'gestações milagrosas'

Um pastor evangélico que afirma ter produzido "gestações milagrosas" por meio de orações deverá ser deportado da Inglaterra ao Quênia, onde responderá por acusações de sequestro de menores.

O queniano Gilbert Deya é acusado de dizer a mulheres estéreis ou na menopausa que frequentavam sua igreja em Peckham, no sul de Londres, que elas seriam mães de "bebês milagrosos".

Mas os bebês eram aparentemente "entregues" por clínicas clandestinas de Nairóbi, no Quênia.

O parlamentar britânico David Lammy disse ter conversado com um casal que passou pela experiência.

"O casal foi à África, voltou (à Grã-Bretanha) com uma criança que, segundo descobriram as autoridades por exames de DNA, não era deles", contou Lammy.

"O que veio à tona foi claramente um caso de tráfico de menores, que não envolveu apenas eleitores (britânicos), mas diversas mulheres que iam para o Quênia e voltavam achando que estavam trazendo um filho delas, mas que claramente não eram."

O governo queniano alega que Deya roubou cinco crianças entre 1999 e 2004.

COISA DE DEUS

O caso se tornou público com um programa investigativo de 2004 feito pela rádio BBC 4.

Deya nega as acusações. Na ocasião, quando questionado como explicava o nascimento de crianças com DNA diferente dos supostos pais, ele declarou que "os bebês milagrosos que estão acontecendo em nossa igreja vão além de nossa imaginação".

"Não é algo que eu possa explicar, porque é uma coisa de Deus, e coisas de Deus não podem ser explicadas por um ser humano", afirmou.

Em 2007, a então secretária britânica do Interior, Jacqui Smith, decidiu pela extradição de Deya ao Quênia.

Desde então, o pastor vem travando batalhas legais para tentar permanecer na Grã-Bretanha. Mas, nesta quarta-feira, o governo britânico confirmou que a atual secretária do Interior, Theresa May, validou formalmente a extradição.

Em comunicado, a Secretaria de Interior disse que Deya "esgotou todas as possibilidades de recurso contra a extradição".

A mulher dele, Mary, está detida no Quênia, também sob acusações de sequestro.

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