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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O cachorro que trocou o pastor evangélico pelo padre



A história é antiga, a reportagem é de 2015, mas continua atual e divertida. Confira no vídeo abaixo:




domingo, 20 de agosto de 2017

Adeus, Jerry Lewis!

Jerry Lewis, um ícone do humor com talento espetacular.

Em maio de 2014, passei alguns dias em Las Vegas, e fiquei surpreso ao ver que Jerry Lewis, um dos comediantes que marcaram minha infância, fazia show no hotel em que me hospedei de sexta-feira a domingo, às 7:30 da noite.

O hotel é o South Point Casino, e, como os horários, shows e passeios já estavam agendados, não houve como ver o show de Jerry Lewis, o que me deixou um tanto quanto incomodado, já que ele foi um dos maiores comediantes que este mundo viu, e eu nunca havia imaginado que poderia ter - um dia - a chance de vê-lo ao vivo, o que - lamentavelmente - não pode acontecer.

Chega hoje a notícia de que Jerry Lewis morreu, aos 91 anos de idade. Viveu bastante e viveu bem. Criou seu próprio estilo de humor quase "infantil", e fez muitos e muitos filmes (sobretudo nos tempos da parceria com Dean Martin) que se incorporaram ao acervo coletivo de memórias afetivas da humanidade.

Fica a saudade e a lembrança de cenas inesquecíveis como essa famosíssima da máquina de escrever imaginária:




domingo, 2 de julho de 2017

Teologia canina


sábado, 22 de abril de 2017

Sobre falar, engasgar e soltar pum


Alegre o seu feriadão com a leitura divertidíssima da crônica de Luis Fernando Verissimo, publicada no Estadão em 06/04/17:

Em comum

Uma das teorias sobre o nascimento de fonemas é que o ser humano teria começado a imitar os sons dos animais, sendo a última vez em que o mundo teve uma linguagem comum

O homem é o único animal que fala pela mesma razão que é o único animal que se engasga. Algo a ver com a localização da laringe. Ou é da faringe? Enfim, algo no homem lhe dá o dom da expressão verbal que nenhum bicho tem, mas os bichos, em compensação, nunca se veem na situação embaraçosa de dizer o que não deviam ou se engasgar na mesa.

O fato também sugere uma questão: foi a necessidade que o homem — ou, mais provavelmente, a mulher — sentiu de falar que determinou a eventual localização privilegiada da laringe, ou foi o acaso da laringe humana evoluir como evoluiu que determinou a fala?

O ser humano desenvolveu a fala por um acidente anatômico e assim virou gente ou a linguagem foi uma etapa lógica da sua evolução, porque para ser gente só faltava falar?

O próprio Darwin chegou a especular que a fala começou com a pantomima, com os órgãos vocais inconscientemente tentando imitar os gestos das mãos.

A linguagem oral teria se desenvolvido porque, antes da invenção do fogo, a linguagem gestual não era vista no escuro e as pessoas, ou as pré-pessoas, não podiam se comunicar. A linguagem é filha da noite!

Teorias estranhas sobre a origem da linguagem não faltam.

No século XVII um filólogo sueco afirmou com certeza que no Jardim do Éden Deus falava sueco, Adão falava dinamarquês, e a serpente falava francês (Sempre a má vontade com os franceses).

Na sua infância — a palavra “infância”, por sinal, vem do latim “incapacidade de falar” — a humanidade não produzia palavras mas certamente produzia sons, e uma das teorias sobre o nascimento de fonemas é que o ser humano teria começado a imitar os sons dos animais para identificá-los e que esta foi a última vez em que o mundo teve uma linguagem comum.

Foi chamada de “teoria bow-wow”, e o nome já a desmentia, pois “bow-wow” é como latem os cachorros anglo-saxões, enquanto os luso-brasileiros fazem “au-au” e os japoneses, segundo os japoneses, “bau-bau”.

A única linguagem comum a toda a humanidade é a dos ruídos involuntários do nosso corpo.

Toda a espécie humana espirra e tosse da mesma maneira, não há como variar a pronúncia de um arroto e nada simboliza melhor a nossa igualdade intrínseca do que o pum, que todos dão da mesma maneira, não importa o que digam do pum alemão.

Eis uma receita para o entendimento, inclusive entre os grupos e facções em choque no Brasil de hoje, esquerda x direita, políticos x Lava-Jato etc. Todos os confrontos entre partes litigantes deveriam começar com um coro de ruídos elementares, para enfatizar nossa humanidade em comum.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Tim Tones e o racismo


Que os poucos cristãos evangélicos que sobraram nos perdoem, mas todos aqueles que se indignaram com Chico Anysio nos anos 80 por sua caricatura de "pastor" chamado Tim Tones, deveriam reconhecer que ele previu, anos à frente (um sinônimo para "profetizou"), a ridicularização do Evangelho levada a cabo por muitos que se dizem "evangélicos":






segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Como os escoceses reagem ao haka do rugby neozelandês?


Veja na divertida propaganda abaixo:





quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Cada um com os seus 100% ...








quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Capa de revista traz Eduardo Cunha algemado nas Olimpíadas


A revista Piauí faz chacota com o deputado evangélico em decadência.

A matéria é do Brasil Post:

Cunha 'olímpico' pratica ginástica ALGEMADO na capa da revista piauí de agosto

Ana Beatriz Rosa

A revista piauí é reconhecida por suas capas muito bem trabalhadas e quase sempre recheadas de ironia.

Este mês a publicação volta a problematizar o contexto do País com o desenho de Eduardo Cunha com vestes de atleta olímpico, algemado e praticando ginástica. O desenho foi feito pela ilustradora Nadia Khuzine, artista russa colaboradora da revista. Claro que as interpretações ficam sob a responsabilidade dos leitores.

É de Khuzine também a capa da edição de janeiro que mostra Cunha e Michel Temer se beijando. A ilustração faz referência ao "beijo fraterno", como ficou conhecida a cena em que o líder soviético Leonid Brejnev e o presidente da extinta Alemanha Oriental (RDA), Erich Honecker, se cumprimentam com o gesto adotado pelos regimes comunistas. A imagem se popularizou por meio de um grafite no muro de Berlim, cujo título é “Meu Deus, me ajude a sobreviver a esse amor fatal”.

Também mais uma obra de Khuzine, a capa da edição de junho deste ano é um clássico. A revista fez uma releitura "às avessas" do disco símbolo do movimento do tropicalismo, o Tropicália ou Panis et Circencis, lançado em 1968. O movimento cultural dos anos 60 questionou o regime militar e serviu como desabafo e ferramenta de crítica para os artistas em meio à censura e violência do período. No desenho da artista russa, os personagens são os políticos aliados do presidente em exercício Michel Temer - todos sob os dizeres "Ordem e Progresso".



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Procuradoria arquiva queixa de Feliciano contra humoristas

A informação é do Estadão:

Procuradoria arquiva denúncia de Feliciano contra Porta dos Fundos

POR MATEUS COUTINHO E JULIA AFFONSO

Parlamentar da bancada evangélica acusava vídeo 'Especial de Natal', de ofender a liberdade religiosa e a dignidade dos cristãos; para procuradora, 'não há no vídeo incitação ao ódio'

A Procuradoria Regional da República no Rio arquivou um inquérito civil aberto a partir de uma denúncia do deputado Marcos Feliciano (PSC-SP) contra o grupo humorístico “Porta dos Fundos” pelo vídeo “Especial de Natal”. O vídeo foi divulgado no site de humor no ano passado.

A informação é do Ministério Público Federal no Rio. Com isso, já é a segunda denúncia do deputado da bancada evangélica contra o grupo que é arquivada.

O deputado havia denunciado o vídeo por considerá-lo ofensivo à liberdade religiosa e à dignidade dos cristãos. De acordo com o Ministério Público Federal, Feliciano acusa o vídeo de constituir discurso de ódio contra a população cristã “ao tratar de forma jocosa os dogmas e objetos da religião, causando dano moral coletivo à comunidade cristã”.

Em suas explicações, o grupo Porta dos Fundos ponderou que o vídeo é uma paródia de passagens bíblicas, sem qualquer ofensa à liberdade religiosa nem intenção de humilhar os fiéis cristãos.

Em sua defesa, o grupo humorístico usou como argumento a liberdade de expressão e lembrou que o Ministério Público do Estado de São Paulo arquivou em janeiro um processo semelhante movido por Feliciano contra eles pelo mesmo vídeo.

Para a procuradora regional da República Maria Helena de Paula não houve choque entre as liberdades de expressão e de religião. “A liberdade de expressão só deve sofrer restrições em situações extremas, visando à proteção de outro direito fundamental. Como não há no vídeo incitação ao ódio nem ridicularização de fiéis, ele não caracteriza ofensa à dignidade dos cristão”, conclui Maria Helena de Paula.



domingo, 25 de outubro de 2015

Como seria uma cerimônia de casamento com polígrafo?


Divirta-se com a esquete abaixo:




domingo, 18 de outubro de 2015

Coveiro que é filósofo dá lições sobre a vida e a morte


Leia a sábia, divertida e profunda história de Fininho, o coveiro que se formou em Filosofia, segundo a entrevista que ele concedeu a Camila Appel e foi publicada na Folha.

Já falamos dele aqui no blog em agosto de 2012, mas a matéria atual é mais extensa.

Mais abaixo segue um vídeo que foi realizado pela Istoé em 2013:

Conheça Fininho, o surpreendente coveiro formado em filosofia

Conversei com Fininho, um homem que me tocou com a sua visão de mundo e sua forma de habitar um lugar tão incomum, o cemitério. Um ser invisível para a sociedade, ele passou 20 anos de sua vida fechando caixões, cavando espaços na terra para uma espécie de plantação repugnada, uma matéria orgânica e ao mesmo tempo inorgânica, com vida, mas sem a vida.

Osmair Camargo Cândido ganhou o apelido Fininho por ser esguio. Ele foi faxineiro na Universidade Presbiteriana Mackenzie e sonhava em estudar lá. Conseguiu cursar a graduação de filosofia com acesso a bolsa de estudos. Formou-se filósofo. Entrou para a profissão de coveiro por um concurso do Serviço Funerário do Munícipio de São Paulo. “Sou coveiro por escolha própria”, diz. Hoje, trabalha no Cemitério da Penha.

Gosta de ler teatro. Ao falar sobre a importância do teatro grego por tratar da essência do teatro como catarse, ganhou de presente um livro de peças que eu levava na bolsa. Fininho atentou para o autógrafo na segunda página, e eu dei uma titubeada, mas quando perguntou se eu já tinha lido Antígona, ganhou o livro de vez. “Se a pessoa não compreender o teatro grego, não compreendeu o teatro. Vai passar vergonha numa discussão. Se ele não leu Antígona, não vai entender a catarse, a interpretação que se pode ter da vida sem o uso da razão, apenas com o teatro. Não sou eu que digo isso. Quem falou foi um prussiano. E o nome dele é Nietzsche”, disse.

Ele alimenta uma ambição na vida: publicar um livro que escreveu sobre o dia a dia de um coveiro. E, no fundo, parece torcer para que a publicação dessa entrevista o ajude nesse sentido.

Casado com uma costureira e com filhos (não me contou quantos), diz que a morte nada mais é do que um ponto no tempo e a lembrança da existência do instinto.

O que é a morte para você?

Um ponto no tempo. Qualquer coisa é um ponto no tempo. A morte é a lembrança do instinto. O homem cria a civilização, a sociedade, a amizade, mas existe seu instinto. É por isso que ele quer copular o tempo todo. Para que sua vida continue. A morte não é outra coisa senão um ponto no tempo. Fora isso você vai ficar fantasiando, inventando…

O absurdo é a vida. Quem falou isso foi Albert Camus e eu concordo com ele. Você não sabe como nem por que começou, como nem por que acaba. A vida é o intervalo entre o nascimento e o desaparecimento. Agora a morte cada qual dá o sentido que quiser. Tem gente que diz que é renascer, tem quem diga que é o fim de tudo. Camus tinha essa impressão, do absurdo da vida. Já o conterrâneo dele, Diderot, dizia que era o vazio. Não é interessante?

Você prefere ser chamado de coveiro ou de sepultador?

Ah, sepultador é fantasy. Eu sou coveiro mesmo. Quem faz cova é o quê?

O que diz na sua carteira de trabalho?

Diz que eu sou sepultador. Mas é fantasy.

Você gosta do que faz?

Apaixonado.

O que te cativa na profissão?

Acho que você poderia formular assim: o que há nas outras profissões que não há na minha atividade.

Se você pudesse ser qualquer coisa no mundo, o que seria?

A mesma coisa que sou hoje. Se eu pudesse renascer, eu pediria o favor de ter a mesma vida. É muito bom.

O que não é bom então?

O desconhecimento. O descaminho. Quem pelo dinheiro vive, é por ele mesmo que dedicará sua vida e perderá sua virtude, perderá sua coragem, perderá sua própria vida. Tem gente que vive a vida inteira, perde a juventude, correndo atrás do dinheiro, para quando estiver velho, gastar tudo tentando restabelecer a saúde.

Você acha que seu ofício interferiu na visão que você tem do dinheiro?

Evidente. Evidente que sim. Óbvio.

Você lembra de algum momento que isso te marcou?

Vários… Eu refleti bastante no sepultamento de Plínio de Arruda Sampaio. Eu via nele uma dedicação incomum. Ele tinha posses mas se dedicava de um modo à política que me pareceu muito tocante. Um dia eu o vi na avenida paulista, muito debilitado, já doente, distribuindo santinho do partido dele lá. Eu comentei que ele precisava descansar. Ele respondeu: “um homem deve chegar até a morte cumprindo aquilo que ele pensou, aquilo que o coração ordenou”. Eu fiquei muito emocionado. Aquilo que se acredita tem mais valor do que aquilo que se tem. Porque, na verdade, há a impressão de se ter as coisas. Mas é só uma impressão, porque ninguém tem nada. Não poderá transportar nada porque não se sabe para onde vai. Vamos a lugar nenhum. Viemos do nada, seguimos para lugar nenhum. Seguimos para hipóteses. Uns dizem que vão para o céu, outros para o inferno…

Como as pessoas reagem quando você conta que trabalha como coveiro?

Ah, todo mundo vê o coveiro como um fracassado. Um fracassado social. Porque o sucesso, o sucesso na América do Sul, está no dinheiro. Às vezes eu apelo um pouco né, falo ‘olha, fulano de tal foi coveiro’, como o Rod Steward – que foi coveiro também.

Quem é você?

Eu sou neto de Silvestre Camargo e da dona Albertina Camargo. Filho de Dirce Camargo, irmão do Odair, da Vera e da Iasmin. Esse cara sou eu. Eu sou bisneto de pessoas que foram escravizadas e, portanto, dado ao gosto popular. Gosto e leio toda a obra de Machado de Assis, com toda aquela pompa dele, mas sou dado também à literatura de Lima Barreto.

Sua profissão também faz parte de quem é você?

Sim.

Você gosta de trabalhar dentro de um cemitério?

Claro. Quem tem o privilégio de ouvir tanto passarinho cantando no serviço? A parede me tira a visão do horizonte. Eu não preciso da parede. Tem gente que precisa. Eu não preciso de parede, eu não preciso de gravata, preciso só do mínimo para viver. Porque assim eu não incomodo o outro. Eu não tiro o pão da boca de ninguém. E morro com a minha consciência tranquila, mesmo com a barriga vazia. O cemitério é um lugar dado à calma, à tranquilidade, ao sossego. É um lugar de vida (Fininho arranca uma pitanga da árvore e come).

Você já se emocionou em enterros ou costuma procurar se distanciar?

Ih, já chorei um bocado. Outro dia foi triste. Eu estava fazendo o sepultamento de um militar lá no Araçá (Cemitério do Araçá). Estava aquele clima, todo o comando da Polícia Militar lá. O cara tinha sido morto pelas costas. Estava muito calor e chovendo. Eu estava sentindo um negócio gelado e quente nas minhas costas enquanto eu fazia o sepultamento… achei que era a chuva. Aí eu escuto uma menina falar: moço, fala para meu pai levantar. Aí eu vi que aquilo nas minhas costas era o choro da menina.

Para você trabalhar com cemitério você tem que saber do trato humano, saber se comunicar, ou como não se comunicar, perceber os sinais da pessoa, procurar tratar da melhor maneira possível, senão você pode ser mal interpretado. Para lidar com a morte, você não pode ter mecanicismo, você não pode ser frio, indiferente.

As pessoas normalmente falam com você, ou você passa invisível?

Um coveiro tem que ser quase invisível. Porque a pessoa está em profundo desagrado com o mundo. Mesmo quando você vê aquele tom de resignação, a pessoa também está em profundo desagrado. Qualquer coisa que for feita que não for de seu agrado, pode causar imensa confusão. Tem que se tomar cuidado com qualquer gesto fora do ritual.

Você conta com o dia de amanhã?

Eu não. Hoje para mim está ótimo. Eu posso semear algumas coisas no dia de hoje. Mas pode ser para outra pessoa colher. Eu me alimento com o hoje. E curto o hoje. Se tiver amanhã, agradeço.

Como é esse “curtir o hoje”?

Sabe o que é mais importante na vida? A própria. Lógico que eu não sou nenhum hedonista. Não vou ter aquela vida de mil prazeres. Cada qual que encontre seu melhor jeito de viver. O dinheólotra vive que nem um louco atrás de bolsa de valores, queda do dólar, política e não sei o que… eu não conseguiria viver assim.

Quais dicas você poderia dar para quem quer viver o hoje?

Acorde bem humorado. Humor é fundamental. Aproveite as delícias da vida, aquilo que você acha bom. Faça o que você gosta de fazer. Você tem que estar próximo daquilo que você deseja. Nem precisa ter aquilo que você deseja. Estar próximo é uma situação muito interessante. Você tem a expectativa. Na vida se pode ter expectativas, nunca certezas. Eu não tenho certeza do dia de amanhã, mas eu tenho a expectativa. A manutenção da própria vida… você já viu como é interessante um copo de água?

“Viver não é acumular dias”, como disse Antônio Penteado de Mendonça.

Como você sabe a hora certa de fechar o caixão?

É o timing. Não pode ser zé mané. Eu tenho que fazer com que você acorde para a hora. Você está embebida pela morte. Então eu tenho que dar um toque. Eu pego e seguro a tampa do caixão, sem pressa. Cada um tem uma técnica, a melhor é essa, porque você dá um sinal. Chegar e tampar o caixão é uma grosseria, uma estupidez. Pedir também é desagradável. Agora, quando eu pego a tampa, eu mostro. Quando você sepulta uma pessoa, não é só uma pessoa que você está sepultando. Você vai sepultar um sonho, você vai sepultar o amor, a ilusão, aquele apego. Não é só um corpo. Você tem que se colocar na posição do cara. O processo de morte, na minha profissão, é embrutecedor. A percepção da morte não é para todos.

Quais são as reações mais comuns?

Agressividade, riso, resignação, alguns assobiam. Já levei um soco que me tirou do chão. Era um político. Eu falei: já quase não tenho dente, você vem me tirar os que restam, mas que xarope! A filha me pediu para eu não brigar com seu pai. Fiz o sepultamento todo com gelo na boca. A esposa dele comentou depois que ele tinha bebido.

Você acredita em espíritos?

Nunca dei trela para isso não. Não tenho tempo para isso. Essa é uma falsa questão. Sabe o nome disso? Sofismo. É uma falsa questão. Leia um livro que se chama “De Anima” de Aristóteles, o pai da lógica formal. O primeiro livro que eu me apaixonei foi o do Newton (Isaac Newton), Aristóteles foi o segundo.

As coisas andam, se movem, você concorda comigo que a terra gira? Mas o que quer dizer que a terra gira? Oras, se uma coisa gira, logo tem que ter o primeiro giro, o motor. É aquela pergunta que seu filho vai te fazer: mamãe, por que a terra gira? Se ninguém ta empurrando, por que ela gira? De onde vem as forças? De onde vem a matéria? É daí que vem “De Anima” – a matéria é inanimada. Teve um que morreu pensando nisso, o Einstein. Fez “A Teoria do Tudo” e morreu.

Sobre os espíritos: pensar sobre eles não é uma questão, não é um problema. René Descartes vai falar: penso, logo existo. Agora o outro, um alemão o qual dediquei mais da metade da minha vida, vai falar assim (Fininho refere-se à Immanuel Kant): muito bem, quem é esse eu? Então, ele escreve uma nova metafísica. Ele vai dizer os seguinte: são acidentes. Ele não fala sobre Deus ou sobre a alma, porque de que adiantaria? Ele é racionalista, ele é um iluminista, ele é o pai da razão, um divisor da filosofia na Alemanha.

Então, eu digo que é um sofismo porque falar sobre a existência ou não de espíritos é a criação de um falso problema.

Vamos falar de causalidade. Essa árvore está aí porque um dia tinha uma sementinha aí – você vai buscar a causa da existência da árvore com a razão e por aí vai. Mas se a sua razão buscar as causas, logo você vai chegar numa causa não causal. Logo, a razão não encontra explicação. Aí entra a fantasia. Eu vou deixar isso aí como um postulado. Na visão de Kant, Deus é um postulado – porque a razão não alcança.

Você já pensou no que querem que seja feito com seu corpo quando você morrer?

Eu não. Eu vim de graça, vou embora de graça. Já ouviu aquela música? (cantarola) A bruta flor do querer… Então, é isso. (a música é “Querer” de Caetano Veloso).

Qual é a relação com essa música?

O querer! Mas minha música predileta é uma de Aldir Blanc: caía a tarde feito um viaduto, e um bêbedo trajando luto, me lembrou Carlitos… Ele fez músicas para a Elis Regina.

Você já pensou em compor?

Quê? Com tanto compositor bom por aí eu vou me meter com isso? Vou compor onde tem João Bosco? Não…

Você já fez amizade com alguém que conheceu num velório?

Eu já passei o Natal com uma senhora que vinha no Araçá (cemitério do Araçá, onde trabalhava) para conversar comigo. A família me pediu para levar todos meus netos lá no Natal. Levei. Ela me chamou no hospital para vê-la antes de morrer… Eu gostava muito dela. É importante isso no mundo, encontrar afinidades. (cantarola) É impossível ser feliz sozinho. Não é?








quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Charlie Hebdo satiriza menino muçulmano morto por afogamento


A revista satírica francesa Charlie Hebdo ficou tristemente conhecida no mundo pelo atentado terrorista que sofreu em janeiro deste ano, onde doze pessoas foram mortas por extremistas islâmicos, além de onze feridos.

Marca característica do semanário, a irreverência sem limites que leva ao extremo o ataque a pessoas, instituições e - sobretudo - religiões tem gerado muita polêmica ao longo dos anos.

O ataque terrorista de janeiro de 2015 foi repudiado globalmente em nome da liberdade de expressão, garantia fundamental dos povos civilizados que a revista continua fazendo questão de testar os limites, como se pode ver na charge acima, publicada na sua última edição.

Charlie Hebdo não se fez de rogada e satirizou a morte do garoto Aylan Kurdi, afogado quando tentava chegar à Europa por mar, juntamente com sua família em busca de refúgio da guerra civil que assola a Síria.

A foto que registrou o menino morto na praia gerou comoção mundial e, a partir daí, fronteiras foram abertas na Europa para asilar os sírios que arriscam a vida para atravessar o Mar Mediterrâneo.

São dois cartuns na verdade, do lado direito aparece uma figura que remete a Jesus caminhando sobre as águas enquanto uma criança se afoga, com os dizeres "os cristãos andam sobre as águas" e "as crianças muçulmanas afundam", tudo embaixo do título "a prova de que a Europa é cristã".

Do lado esquerdo está uma reprodução da tristemente célebre foto de Aylan Kurdi morto na praia, com os dizeres "tão perto do alvo", tendo ao lado um outdoor do McDonald's anunciando "Promoção... dois McLanche Feliz pelo preço de um", sob a portada "Boas vindas aos imigrantes!".

Desta vez, a revista francesa foi severamente criticada pelo - no mínimo - mau gosto da caricatura, mas ao que tudo indica eles não vão desistir de sua iconoclastia na base do "choque de civilizações" ou do "quanto pior, melhor!".

Não será desta vez, entretanto, que essa pergunta será respondida: "o humor pode tudo?"



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Marco Feliciano também quer liberdade de expressão só pra ele

Seguindo o exemplo de Silas Malafaia, Marco Feliciano quer liberdade de expressão só pra ele e não consegue distinguir uma piada da realidade.

A matéria é do Brasil Post:

Feliciano processa Sensacionalista por se sentir 'abalado moralmente e torturado'

Grasielle Castro

O pastor Marco Feliciano (PSC-SP) não soube lidar com as brincadeiras do site Sensacionalista e entrou na Justiça contra a página humorística. Ele pediu para não virar mais piada no site, quis danos morais pelas postagens já publicadas e ainda solicitou segredo de Justiça.

As alegações do deputado, entretanto, não foram acatadas pelo juiz Raimundo Silvino da Costa Neto, da Sétima Vara Cível de Brasília.

No despacho, o juiz argumenta que "o site em referência trata-se de atividade vinculada diretamente à imprensa humorística, retratando notícias com base em situações inusitadas e com caráter de comédia, sendo sabido que todos os leitores detêm conhecimento que suas matérias não retratam a realidade."

Ainda de acordo com Neto, a retirada imediata desse conteúdo fere o direito constitucional de livre imprensa e repúdio à censura.

De acordo com o Sensacionalista, a postagem que motivou a ação foi publicada no dia em que os Estados Unidos aprovaram o casamento gay, “Marco Feliciano cancela a remessa de Xampu comprado em Miami”.

O site explica que o deputado se sentiu ofendido, “abalado emocionalmente e torturado conscientemente, não podendo suportar a ideia de que qualquer pessoa possa acessar esse tipo de site virtual”. Procurado, o parlamentar não retornou.



terça-feira, 11 de agosto de 2015

E se Jesus andasse de metrô?


É com essa premissa que um programa humorístico mexicano fez a esquete abaixo, gravada no metrô da Cidade do México, que mostra com bom humor a importância de se respeitar os assentos reservados às pessoas com necessidades especiais:




domingo, 19 de julho de 2015

A eutanásia do sapateiro ateu na Colômbia

Ovidio González Correa ao lado de seu filho, o cartunista colombiano conhecido como "Matador"

Vítima de câncer terminal, Ovidio González Correa deu seu último suspiro às 9:33 h da manhã de sexta-feira, 3 de julho de 2015.

Antes, entretanto, teve que travar uma batalha legal na qual seu pedido de eutanásia sofreu um adiamento no dia 26 de junho, quando já estava na clínica cercado de parentes e amigos que ali compareceram para lhe dar o último adeus, conforme conta a matéria do El País em sua versão brasileira:

O triste final feliz de Ovidio

  • Ovidio González, 79 anos, enfrenta um câncer de boca desde 2010
  • Agora, a Colômbia aprovou que ele se submeta a eutanásia


Um homem que está ficando sem rosto por causa de um câncer se tornou a imagem da luta por uma morte digna na Colômbia. Assim quis a vida, ou melhor, a morte. Que se esquivou de Ovidio González Correa há uma semana. Com tudo previsto, 15 minutos antes da hora marcada para o adeus, a clínica interrompeu o procedimento. Nesta quinta-feira, o mesmo comitê médico voltou atrás e aprovou que Ovidio receba a primeira eutanásia legal na Colômbia.

“Devo ser a única pessoa de quem a morte não gosta”, disse na sexta-feira passada o sapateiro ateu de 79 anos. Se tem algo que não perdeu, é o senso de humor. Um humor ácido. Com ele enfrentou o câncer na boca diagnosticado em 2010. Perdeu parte de um osso do lado esquerdo do rosto. Fez diversas sessões de radioterapia e quimioterapia. Ficou esteticamente deformado. Psicologicamente, abalado; mas não arrasado. Longe de intimidar-se, continuou com sua vida simples, criando vacas e cavalos em Pereira, em pleno eixo cafeeiro. Sob contínuo monitoramento, e com o apoio da mulher e dos quatro filhos, conseguiu driblar o câncer por cinco anos, até que, no início de 2015, a doença contra-atacou.

Há três meses, disse basta. Pediu ao oncologista para parar com as sessões de quimioterapia, o tumor tinha desfigurado a parte esquerda do rosto, a bochecha. A dor, intensa, não cessava. Não cessa, de fato. Cada tentativa de falar implica em um sofrimento adicional. Ovidio só pode ingerir alimentos líquidos, reclinado. Seu peso caiu de 81 quilos para 48 quilos.

“O simples ato de não desfrutar do ato de comer é terrível”, diz seu filho mais velho, o conhecido caricaturista colombiano Julio César González, Matador. Foi a ele que Ovidio disse um dia: “Quero a eutanásia, eu sei para onde vou e não quero ser um trapo em uma cama”, acabar como alguns de seus irmãos e familiares, uma família perseguida pelo câncer.

A primeira opção era recorrer a um médico que tinha ajudado dezenas de pessoas a morrer, mas ele insistiu que seguissem os canais oficiais. A eutanásia é legal na Colômbia desde 20 de abril, quando o Ministério da Saúde regulamentou uma norma de 1997. Em 4 de junho solicitaram à clínica Oncólogos de Occidente, em Pereira, que autorizassem o processo para morrer com dignidade. Os médicos que trataram de Ovidio viram que preenchia todos os requisitos legais para autorizar a eutanásia. Em síntese: ser o próprio paciente quem solicitava o direito, estar em perfeitas condições psíquicas e sofrer de um câncer terminal.



Tudo parecia pronto. Ovidio, ninguém sabe por quê, decidiu morrer na sexta-feira 26 de junho às duas e meia da tarde. Começaram os preparativos, as despedidas. Até o dia marcado ainda chegava gente à sua casa. Naquela sexta-feira, Matador lembra que seu pai ouviu música com um amigo, Gustavo Colorado, a quem deu de presente um disco de tangos de Charlo. A dedicatória, conta, dizia: “Motivo: viagem”. “O mais difícil foi o caminho para a clínica”, diz o primogênito. Naquele dia a Colômbia jogava contra a Argentina e as ruas estavam impregnadas de um otimismo antagônico que chocava com Ovidio e sua família. “Ele se movia menos que uma pirâmide do Egito”.

Na clínica, umas trinta pessoas acompanhavam Ovidio. O processo consistiria em uma sedação para então aplicar um fármaco que tiraria sua vida sem sofrimento. Quando faltavam 15 minutos para a hora marcada, Diego, outro filho do paciente, recebeu um telefonema. O processo estava suspenso. Apesar de os médicos que tinham tratado de Ovidio estarem convencidos, um comitê da clínica formado por um oncologista, um psicólogo, um advogado e um radioterapeuta, decidiu, com apenas uma opinião desfavorável, que não estava tão claro se o paciente reunia todos os requisitos e, diante da dúvida, preferia recorrer a uma segunda opinião. A desolação foi total. Só o humor conseguiu quebrar a tristeza. “Por que não sai coberto com um lençol branco? Todo mundo já te considera morto”, diziam os mais próximos.

A semana foi intensa e ainda mais dolorosa para Ovidio. A família fazia questão de que fosse cumprida a lei, aquela que permite evitar o sofrimento de um paciente terminal. O caso, até então guardado com muito zelo, chegou à imprensa e a expectativa cresceu. Na quinta-feira, enfim, deram-lhes a triste boa notícia. O mesmo comitê que tinha decidido suspender o processo na sexta-feira passada, agora, com o respaldo da Associação Colombiana de Radioterapia Oncológica e a aprovação do Ministério da Saúde, aprovava o pedido de Ovidio. Na próxima semana deixará de sofrer. As poucas palavras que, segundo seu filho, conseguiu dizer ao saber da notícia foram para o médico que tinha atrasado seu adeus: “Estou morrendo de vontade de conhecê-lo”.



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Na onda das estátuas feias, sobrou até para Nefertiti no Egito


Padrão de beleza há 3.500 anos, bem que podiam ter deixado a rainha Nefertiti curtindo seu sarcófago, não é mesmo?

A notícia é da BBC Brasil:

Autoridades egípcias viram piada na internet por estátua 'feia' de Nefertiti

O lançamento de uma réplica feia do famoso busto da rainha Nefertiti fez com que egípcios zombassem de autoridades do país nas redes sociais.

Nefertiti governou o Egito ao lado do marido no século 14 a.C. e sua beleza é lendária - o nome dela, na verdade, significa "uma bela mulher chegou".

A imagem moderna que se tem da antiga rainha foi construída a partir do busto descoberto em 1912, atualmente mantido num museu em Berlim - a propriedade do objeto é questão de debate frequente entre Egito e Alemanha.

Para os egípcios, Nefertiti continua a ser um símbolo de orgulho da história e beleza impressionantes do país. Então, quando autoridades quiseram encomendar uma estátua na entrada da cidade de Samalut, pensaram na antiga rainha.

Infelizmente, a réplica final pouco se parece com a bela rainha - e muitos passaram a lamentar o atual estado da arte egípcia. Para falar a verdade: a mulher retratada na estátua é bem feia.

"Isso é um insulto à Nefertiti e a todos os egípcios", escreveu uma mulher no Twitter.

Outro usuário escreveu: "Isso deveria ser chamado 'estátua feia, de mal gosto e sem arte'... não Nefertiti."

Muitos egípcios se sentiram ofendidos pela tentativa fracassada de replicar o busto icônico e expressaram raiva contra os escultores.

"Se você não sabe como fazer estátuas, não vá e faça algo tão injusto à bela Nefertiti", disse um homem no Twitter.

"Você não está apenas distorcendo o presente, mas também o passado... Eu peço que o busto original não seja devolvido da Alemanha, pelo menos lá ela tem sua dignidade", escreveu outro.

Milhares de outros egípcios estão usando a hashtag "Nefertiti" em árabe, comparando a réplica ao busto original, muitas vezes usando legendas sarcásticas.

O busto foi retirado da cidade após as criticas e será substituído por uma estátua da pomba da paz, segundo a imprensa local.‏

Internautas egípcios ironizaram: "Nefertiti antes e depois do casamento"




quarta-feira, 1 de julho de 2015

Malafaia vira meme nos EUA


O comportamento irascível de Silas Malafaia nos debates que trava pelos meios de comunicação já é bem conhecido de todos os brasileiros, mas a coisa começa a ultrapassar as fronteiras do país.

Durante o debate que teve com Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), realizado em Brasília na semana passada, os gestos e trejeitos de Malafaia foram fotografados à exaustão.

Na ilustração acima, os punhos cerrados e levantados de Malafaia são comparados com os ensaios fotográficos que Adolf Hitler fazia em privado antes de ascender ao poder na Alemanha, para avaliar como sua gesticulação e expressão facial podiam aumentar o potencial persuasivo de seu discurso.

Essas fotos ficaram famosas principalmente quando foram encartadas na biografia de Hitler escrita por Joachim Fest (que resenhamos aqui), na qual Fest comentou:
A série de fotos que o mostra em poses melodramáticas ao estilo da época por vezes parece engraçada, mas demonstra como o seu gênio demagógico se formou: treinando e corrigindo erros, soube aprender.
Os maneirismos de Malafaia somados ao ar blasé de Toni Reis durante a audiência pública do dia 25/06/15, por ocasião da discussão do Estatuto da Família, não passaram despercebidos pelos geradores de memes da rede mundial, que logo trataram de repercutir principalmente esta foto:



O BuzzFeed americano reuniu alguns desses memes, que você pode ver clicando aqui.

Obviamente, o BuzzFeed tratou de reproduzi-los em sua versão brasileira.

O fato é que, aos poucos, amado ou odiado (quem se importa?), Silas Malafaia vai se tornando uma celebridade mundial. 

Bem... talvez não do modo que ele esperava.



quarta-feira, 25 de março de 2015

Universal ameaça com processo chargista que ironizou Gladiadores do Altar


Já falamos sobre os Gladiadores do Altar aqui. A interpelação da universal pode ser lida na página de Vitor Teixeira no facebook. A matéria abaixo é do Brasil Post, que reproduz a caricatura em questão:

Igreja Universal do Reino de Deus ameaça processar cartunista que fez charge sobre 'gladiadores do altar'

Luciana Sarmento

A Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) ameaçou entrar na Justiça contra o cartunista Vitor Teixeira por conta de uma charge feita pelo artista no início deste mês. Na imagem, um dos 'gladiadores do altar' da igreja aparece matando uma mãe de santo com uma espada.

A notificação extrajudicial chegou a Teixeira por e-mail, na semana passada. O documento, assinado pelo jurídico da igreja, diz que "a propagação da intolerância religiosa feita pelo 'cartunista' precisa ser cessada de forma imediata, de forma que o provedor Notificado deve retirar de imediato a página do ar, sob pena de dano irreparável ou de difícil reparação".

"Não poderia tirar a página do ar e correr o risco de perder trabalhos. Sou ilustrador independente e a página já tem um alcance grande", conta Teixeira. Com medo de perder a fan page, o cartunista afirma que fez um acordo com a Iurd e retirou a charge, que já contava com mais de 2 milhões de visualizações, de sua página. Em troca, segundo ele, a igreja desistiria de processá-lo.

Apesar do trato, Teixeira decidiu trazer à tona a ameaça de processo ao reproduzir a notificação em sua página no Facebook. "É uma questão de honra. Eles são um império da comunicação - têm TV, jornal e rádio - e estão falando para uma pessoa independente que ela não pode falar, atacando um peixe pequeno. É um absurdo", explica.



Vídeos dos gladiadores do altar começaram a circular na internet no início deste mês. As imagens mostravam uma espécie de "exército" da Igreja Universal: jovens uniformizados marcham, batem continência e gritam "estar prontos para a batalha". A junção de religião com militarismo ganhou ares de fundamentalismo e, após a repercussão, os vídeos foram retirados do YouTube.

Em suas ilustrações, Teixeira deixa claro seu apoio às minorias e defende os direitos humanos. O cartunista diz que fez o desenho para "alertar a população de religiões de raiz africana" e avisa: vai continuar fazendo mais charges críticas:



Procurada pela reportagem, a Igreja Universal do Reino de Deus confirmou o envio da notificação extrajudicial. Por meio de nota, a Iurd afirmou que quis alertar o cartunista de que "a publicação incitava o ódio contra as religiões de matriz africana e contra a própria Universal, o que é vedado pela lei brasileira".

De acordo com a igreja, o pedido para retirar a página do ar não chegou a ser encaminhado ao Facebook porque "o autor espontaneamente apagou a postagem". "Só não é cabível falar em censura e em cerceamento da liberdade de expressão, pois ele atendeu o pedido de modo voluntário", completa a nota.



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