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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Cristãos se unem contra ditador da Zâmbia


A informação é da Radio Vaticano:

Zâmbia: duro ataque das Igrejas 
ao Presidente Edgar Lungu

Alarmados por uma deterioração rápida dos direitos humanos e do clima político na Zâmbia, as três principais Igrejas cristãs, conhecidas na Zâmbia como as "três Igrejas Mãe", publicaram nesta sexta-feira (16/06) uma duríssima declaração pública, numa conferência de imprensa, criticando a liderança do presidente zambiano Edgar Lungu. Os líderes da Igreja na Zâmbia pediram a libertação imediata do principal líder político da oposição da Zâmbia, Hakainde Hichilema (popularmente conhecido por HH) que o presidente Lungu lançou numa prisão de máxima segurança máxima, mesmo antes do julgamento por uma alegada acusação de traição.

Os três Organismos-mãe da Igreja na Zâmbia compreendem a Conferência dos Bispos Católicos da Zâmbia (ZCCB); a Comunidade Evangélica da Zâmbia (EFZ) que representa as Igrejas Carismáticas e Pentecostais, bem como o Conselho das Igrejas na Zâmbia (CCZ). CCZ é o ‘corpo guarda-chuva’ para as Igrejas Protestantes e as organizações relacionadas com a Igreja que tradicionalmente também são membros do Conselho Mundial das Igrejas (CMI).

A declaração dos líderes da Igreja é um severo ataque ao Presidente Lungu e demonstra uma clara manifestação de solidariedade que recentemente não se via entre os líderes da Igreja na Zâmbia. Ela também ressalta a frustração com o presidente da Zâmbia e o estilo vingador da liderança de Edgar Lungu.

"Sim, nós na Liderança da Igreja não estamos arrependidos, a Zâmbia eminentemente se qualifica para ser marcada como uma ditadura. O facto é que apenas uma liderança que não tem a vontade do povo ao seu lado ou pensa que não tem a vontade do povo do seu lado usa as instituições do Estado para suprimir a mesma vontade do povo", disseram os Líderes da Igreja. Em síntese, eles estavam a apoiar uma declaração anterior dos Bispos católicos zambianos que chamavam o presidente Lungu como um ditador. A Zâmbia tem sido conhecida no passado como uma democracia relativamente pacífica e estável.

Não há muito amor perdido entre o presidente Lungu e o líder do principal partido da oposição UPND, Hichilema. Quando este último não cedeu prioridade à comitiva do presidente em abril deste ano, Lungu desencadeou toda a força da maquinaria estatal da Zâmbia contra Hichilema. E desde então ele aprisionou o líder da oposição acusando-o de traição. É um crime que acarreta uma sentença de morte. Amnesty International diz que as acusações de traição contra o presidente da UPND na oposição, Hichilema, têm a finalidade de perturbar, intimidar e dissuadi-lo de fazer o seu trabalho político.

A declaração conjunta apresentada aos órgãos de informação, e emitida pelos líderes da Igreja é assinada pelo Arcebispo de Lusaka e Presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Zâmbia (ZCCB), Telesphore Mpundu; o Presidente do Conselho das Igrejas na Zâmbia (CCZ), o Bispo Alfred Kalembo; e o Presidente da Comunidade Evangélica da Zâmbia, o Bispo Paul Mususu. O arcebispo Mpundu informou aos órgãos da comunicação que todos os esforços para a diplomacia dos bastidores falharam quando o presidente Lungu recusou-se a receber os clérigos.

Na declaração dos líderes da Igreja, o Serviço da Polícia da Zâmbia é destacado pela sua falta de profissionalismo e pela brutalidade. "A acusação do Serviço da Polícia como não profissional não foi inventada pelos três Organismos-Mãe da Igreja; encontra-se em preto e branco no julgamento do Magistrado Greenwell Malumani, que nos diz que a conduta da Polícia neste caso não estava em conformidade com a lei e a ética Profissional da Polícia! Citando o bem formado juiz, o episódio "expôs a incompetência da Polícia, a falta de profissionalismo e o comportamento criminoso na maneira como geriram a prisão de Hakainde Hichilema", lê-se na declaração.

Os líderes da Igreja criticam ainda a diminuição das liberdades na Zâmbia: uma crescente cultura de intimidação por parte dos agentes estatais; o piorar da situação dos direitos humanos e, em particular, a erosão da liberdade de imprensa. Papa apoiar as suas afirmações, eles dão como um exemplo o fechamento do jornal independente líder na Zâmbia, 'The Post'. Eles pediram ao governo do presidente Lungu para iniciar o diálogo nacional como uma saída para o impasse político.

Como era de prever, os apoiantes do presidente Lungu contactaram os meios da comunicação social para desabafar a sua ira contra os líderes da Igreja, embora a maioria dos cidadãos tenha ficado aliviada por ver que a Igreja estava a assumir uma forte posição moral contra a injustiça e o estilo autoritário do governo do presidente Lungu. (BS)



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Católicos da Zâmbia não querem que Constituição do país se declare cristã

Num tempo em que forças religiosas de todas as vertentes se esforçam para quebrar a separação entre Igreja e Estado e - assim - interferir nas leis e políticas públicas de cada país, não deixa de ser surpreendente que os bispos católicos da Zâmbia rejeitem a inclusão oficial do nome "cristão" na Constituição do país africano, majoritariamente católico.

A notícia vem do site católico Fátima Missionária:

Igreja da Zâmbia recusa título cristão na Constituição

Num tema controverso, os bispos católicos deste país africano acham que a referência cristã não deva ser incluída no texto da Constituição. É uma questão de separação entre religião e Estado, num país multi-religioso

Enquanto na Igreja do velho continente se lamenta a não inclusão da referência às suas “raízes hebraico-cristãs” no preâmbulo da Constituição europeia, já abandonada, os bispos da Zâmbia assumem uma posição diferente. “No preâmbulo, a declaração que a Zâmbia é uma nação cristã deve ser omitida”, escreveram os bispos à comissão encarregada de redigir o texto da nova Constituição.

Os prelados explicam a sua posição, afirmando que “um país não pratica os valores e os preceitos do cristianismo através de uma simples declaração”. A Igreja declara que “o princípio da separação entre Estado e religião não se pode perder”. Por conseguinte, afirmar que a Zâmbia é uma “nação cristã” estaria em contradição com o reconhecimento de que “é um país multi-religioso”, princípio este já presente na primeira redação do texto constitucional.

Com uma população maioritariamente católica - mais de 85 por cento - a Zâmbia há anos que se debate com o problema de adotar uma nova Constituição. É já a terceira tentativa de redigir um novo texto fundamental que possa ser aceite por todas as partes. A primeira tentativa remonta a 1996, quando era presidente Frederick Chiluba, ex-comunista convertido aos evangélicos. Já nessa altura, os bispos católicos se opuseram à tentativa de inserir no texto constitucional a referência cristã.



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