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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ajudar o próximo é tão simples e tão bom



Você já deve ter percebido que as câmeras instaladas a bordo dos veículos russos são famosas por captar os mais loucos acidentes de trânsito.

O que pouca gente sabia é que elas também captam momentos de sublime humanidade e gentileza, não só para com pessoas mas também animais, como você pode ver na montagem do vídeo abaixo.

Se você não se emocionar com essas cenas, está mais do que na hora de você repensar a sua vida:




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Garoto de 10 anos mata pai neonazista: quem é o culpado?

Uma sociedade enferma é capaz de produzir as maiores aberrações. E elas geralmente começam com pequenos incidentes, restritos a uma família desajustada ou um pequeno grupo social.

Por isso o mundo tem sua atenção chamada a um patricídio ocorrido em circunstâncias bastante improváveis num canto isolado de um país supostamente avançado.

Ali, um menino de 10 anos mata o pai neonazista, que o havia doutrinado dentro dos princípios de fascismo, violência e racismo que caracterizam o seu discurso.

Ao contrário do Brasil, nos Estados Unidos a legislação é até certo ponto omissa sobre maioridade penal. O juiz decidirá em cada caso se a criança ou adolescente tinha mínimas condições mentais e emocionais de avaliar a gravidade do seu ato infrator.

Como ficamos, então, diante de um garoto de 10 anos, exposto a uma ideologia deletéria desde a mais tenra idade, que mata o pai nazista? Como julgar a sua culpabilidade?

Bondade, maldade, vida, morte, como é que essa pequena cabeça foi formada? É desse dilema que trata a matéria abaixo, publicada no Terra:

Inicia nos EUA julgamento de menino que matou pai neonazista

Um menino de 12 anos de idade que matou seu pai, um líder de um grupo neonazista nos Estados Unidos, está sendo julgado a partir desta terça-feira no Estado da Califórnia. O incidente aconteceu em maio do ano passado, quando a criança ainda tinha 10 anos de idade.

Na madrugada do dia 1º, o menino foi à sala de estar, onde seu pai dormia, e o matou a tiros. Desde então, a criança está em um centro de detenção para menores aguardando o julgamento. O caso está provocando polêmica nos Estados Unidos, pois os juízes terão de decidir se, ao ser criado por um homem que pregava o nazismo, o jovem conseguia discernir entre o bem e o mal.

"Os fatos levantam diversas questões mais filosóficas que, dependendo de como forem levadas em consideração pelo juiz, poderão determinar o resultado do julgamento", afirma o jornal americano The New York Times. "Entre elas: se racismo virulento pode ser considerado uma espécie de abuso; se uma criança exposta a tanto ódio pode entender a diferença entre o certo e o errado, e se alguém que cresce em circunstâncias tão tóxicas pode ser culpada por querer uma saída".

Discussão e morte

O homem morto tinha 32 anos e era encanador, mas estava desempregado. Ele liderava na costa oeste o grupo neonazista Movimento Nacional Socialista, a maior organização do tipo nos Estados Unidos, com 400 integrantes em 32 Estados.

No dia anterior à sua morte, ele organizou um encontro em sua casa para discutir um plano para formar esquadrões armados na fronteira dos Estados Unidos com o México. Um repórter do New York Times, que escrevia um artigo sobre grupos neonazistas, esteve presente no encontro e testemunhou uma discussão do pai com o filho.

O promotor Michael Soccio diz que o filho foi espancado pelo pai após o encontro, e que a criança teria dito a um familiar que mataria seu pai. Soccio disse ao jornal americano que as ações do menino não têm nenhuma relação com nazismo, e que o caso é apenas um assassinato. "Se isso tivesse acontecido com qualquer pessoa, não haveria dúvida de que se trata de um assassinato. Foi planejado. Foi premeditado. Foi levado a cabo a sangue frio. É um assassinato", diz o promotor.

Já os advogados de defesa defendem que o menino tem problemas psicológicos agravados por sua exposição à ideologia nazista e às surras que recebia de tempos em tempos. "Este menino está condicionado à violência. É preciso se perguntar: este menino realmente sabia que esse ato era equivocado, baseado em todas essas coisas? Ele achou que estava fazendo o correto", disse o advogado Matthew Hardy.



terça-feira, 24 de maio de 2011

Quando a tentação é ser bom


Em seu livro "Eichmann em Jerusalém" (Companhia das Letras, 1999), a filósofa alemã de origem judia Hannah Arendt, com a perspicácia que lhe é peculiar (e que lhe rendeu muitas polêmicas também), consegue captar as nuances que (de)formaram o caráter da população alemã no período do Terceiro Reich, e resume de maneira brilhante a situação do "homem médio" nazista diante da possibilidade de cometer um ato que ele sabia ser criminoso (de acordo com a lei ou o direito natural ou sua consciência) e pecaminoso (de acordo com a religião que professava):

E assim como a lei de países civilizados pressupõe que a voz da consciência de todo mundo dita "Não matarás", mesmo que o desejo e os pendores do homem natural sejam às vezes assassinos, assim a lei da terra de Hitler ditava à consciência de todos: "Matarás", embora os organizadores dos massacres soubessem muito bem que o assassinato era contra os desejos e os pendores normais da maioria das pessoas. No Terceiro Reich, o Mal perdera a qualidade pela qual a maior parte das pessoas o reconhecem - a qualidade da tentação. Muitos alemães e muitos nazistas, provavelmente a esmagadora maioria deles, deve ter sido tentada a não matar, a não roubar, a não deixar seus vizinhos partirem para a destruição (pois eles sabiam que os judeus estavam sendo transportados para a destruição, é claro, embora muitos possam não ter sabido dos detalhes terríveis), e a não se tornarem cúmplices de todos esses crimes tirando proveito deles. Mas Deus sabe como eles tinham aprendido a resistir à tentação.
(p. 167)

Não é à toa que o subtítulo do livro de Arendt é "um relato sobre a banalidade do mal". 

Retrata uma inversão de valores levada aos extremos mais absolutos entre bem e mal, bondade e maldade, dever e consciência, até chegar ao ponto em que um se converte no outro (e o outro se converte no um) de maneira que o único sentimento válido restante é aquele amalgamado pela ideologia do totalitarismo, personificada na suprema vontade do Führer, que se confunde com a vontade de Deus e a vontade do próprio povo, sobrepondo-se a elas e subvertendo também o ditado popular vox populi vox dei ("a voz do povo é a voz de Deus"), que - curiosamente - é a negação da Bíblia desde que Moisés deixou claro que "não seguirás a multidão para fazeres o mal, nem numa demanda darás testemunho, acompanhando a maioria, para perverteres a justiça" (Êxodo 23:2). 

Um dos meios utilizados por Hitler foi aproveitar e exacerbar o preconceito antissemita que já estava introjetado em grande parte da população alemã, e onde existe o preconceito já está lá instalada, também, a predisposição para concretizá-lo e levá-lo às últimas consequências, lamentavelmente. 

Mesmo assim, entretanto, o resultado é que a tentação muda de figura, não significando mais fazer o que é moralmente errado ou legalmente proibido, mas (in)justamente o contrário. 

Ainda que houvesse farta legislação antijudaica (as famigeradas leis de Nuremberg de 1935), mesmo que a consciência o acusasse, o nazista se sentia compelido a fazer o que era mau e errado. 

Na sua deturpada visão de mundo, sentir que deveria fazer o que era bom e correto não passava de uma tentação a ser evitada a todo custo, e o resultado disso, quando não era traduzido em atos monstruosos de aniquilação dos diferentes, foi uma gigantesca omissão coletiva que ajudou a matar milhões de pessoas. 

É verdade que houve alguns poucos alemães que mantiveram a lucidez de identificar onde estava o perigo (e boa parte deles morreu lutando contra as forças das trevas), mas esta definição de Hannah Arendt sobre a, digamos, "inversão da tentação" não pode jamais ser esquecida, não só por razões religiosas, mas sobretudo para manter vivo o aprendizado (e o exercício) da democracia e da cidadania contra todos aqueles que querem solapá-las.


domingo, 15 de maio de 2011

Cientistas agora querem definir (e banir) o mal

A notícia foi dada pela agência Reuters no último dia 5 de maio, e passou despercebida salvo em alguns círculos muito restritos, mas não deixa de ser interessante o fato de que Simon Baron-Cohen, cientista britânico britânico de alta reputação acadêmica sobretudo no campo das pesquisas sobre teoria da mente, psicopatologias e autismo, diz que não está mais satisfeito com o termo "mal", justo ele que tem como objeto de estudo desde agressões de rua até casos de serial killers e genocídios.

O cientista de origem judia diz que "nós herdamos esta palavra e a usamos para expressar nossa repugnância quando pessoas fazem coisas horrendas, geralmente atos de crueldade, mas eu não acho que isto seja algo mais do que outra palavra para expressar algo ruim. E para um cientista como eu isto não me parece que explique muita coisa. Então, eu tenho procurado uma alternativa - nós precisamos de uma nova teoria sobre a crueldade humana".

Simon Baron-Cohen (não confunda com o humorista Sacha Baron-Cohen de "Borat" e "Brüno") é diretor do Centro de Pesquisas sobre Autismo da Universidade de Cambridge, e acaba de lançar um livro no qual ele conclama a comunidade científica a uma, digamos, "retitulação", "renomeação" ou um "reposicionamento" (rebranding) do mal para se chegar a uma explicação mais científica da razão pela qual as pessoas matam e torturam, ou têm enorme dificuldade em comprender os sentimentos dos outros, ou seja, em ter empatia. A tese de Baron-Cohen é que o mal deve ser entendido como uma falta de empatia - uma condição que, a seu ver, pode ser medida e monitorada, além de ser suscetível a educação e tratamento.

O cientista britânico define, então, empatia em duas partes, primeiro como o impulso (no sentido de "intenção dirigida") de identificar os pensamentos e as emoções de outra pessoa, e, em segundo lugar, como o impulso a responder adequadamente a esses mesmos pensamentos e emoções, pelo que considera a empatia como um dos recursos mais valiosos que estão à nossa disposição no mundo, e que são lamentavalmente pouco utilizados. Acrescenta ainda: "Nós todos temos graus de empatia... mas talvez não os estejamos usando no seu completo potencial", potencial este que ele aplica não só ao indivíduo e aos pequenos grupos sociais e familiares, mas também à comunidade das nações, citando como exemplo o encontro de Nelson Mandela com o então presidente sulafricano F. W. de Klerk, no começo dos anos 90, que pôs fim ao apartheid na África do Sul: "Empatia tem a ver com duas pessoas - duas pessoas que se encontram e passam a conhecer uma à outra, ajustando-se ao que a outra pessoa está pensando e sentindo... O progresso que veio desse relacionamento específico - bem, talvez tenha sido o último recurso depois que todos os outros métodos tinham falhado -, teve um custo muitíssimo menor em termos de vidas humanas".

A inspiração para o interesse sistemático de Baron-Cohen em desconstruir o que se pensa hoje sobre a crueldade humana vem de seu passado como filho e neto de judeus que sofreram as consequências da barbárie nazista. Seu livro será lançado no próximo mês de julho, e terá o título de "Zero Degrees of Empathy" ("Zero Grau de Empatia") na Grã-Bretanha e "The Science of Evil" ("A Ciência do Mal") nos Estados Unidos, e o pouco que se pode adiantar é que Baron-Cohen tenta dissecar e definir os componentes da empatia, incluindo hormônios, gens, ambiente, alimentação e experiências da infância. Com base em décadas de pesquisas científicas, ele diz que existem pelo menos 10 regiões do cérebro que podem ser chamadas, por assim dizer, de "circuito da empatia". Quando alguém fere outra pessoa, de maneira casual ou sistemática, partes daquele circuito não estariam funcionando bem. Portanto, a grosso modo, não seria o caso de chamar este acontecimento de "mal", mas de uma pessoa, digamos, "descapacitada para o bem" de acordo com os graus da escala de 0 a 6 que Baron-Cohen propõe para se medir a empatia.

Não deixa de ser um relato interessante de uma pessoa que tem credenciais científicas para dizer o que diz, mas enquanto o livro não é lançado, talvez seja o caso de investigar se essas evidências todas sobre bem e mal não estavam pululando aqui e ali há vários milênios, desde a história (quer você a considere mito ou não) do primeiro assassinato registrado na Bíblia, como já tivemos oportunidade de escrever aqui sobre "Caim e Abel, um clamor por justiça". A resposta de Caim à "pergunta-teste" de Deus sobre onde estava seu irmão (já morto) em Gênesis 4:9 é o exemplo clássico de falta de empatia: "Não sei; por acaso sou eu o guarda do meu irmão?". E, com o devido respeito ao brilhante cientista britânico, tentar redefinir o mal como "ausência de empatia" também não é nada original. Neste sentido eu prefiro a definição proposta por C. S. Lewis, assumida e reconhecidamente insuficiente, da maldade como sendo a "bondade corrompida", no texto Bondade x Maldade que também já foi postado aqui. Isto se a gente quiser ficar só nas questões filosóficas, obviamente, porque do ponto de vista teológico tudo se resume a duas palavrinhas só: "pecado original".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Epicuro e a existência de Deus

Atribui-se a Epicuro a frase 'Se Deus pode acabar com o mal mas não quer, é monstruoso; se quer, mas não pode, é incapaz; se não pode nem quer, é impotente e cruel; se pode e quer, por que não o faz?', que é comumente usada para se questionar a existência de Deus, muitas vezes sem a referência correta, até para que se evitem as seguintes observações:

Primeiro, Epicuro, filósofo grego pai do epicurismo (muitas vezes confundido com o hedonismo), acreditava na existência de Deus, conforme se pode ver no começo da "Carta a Meneceu", que pode ser lida clicando aqui.

Segundo, a frase é propositalmente contraditória, pois, argumentativamente falando, duvidar da existência de Deus é - pelo menos para Ele - intrinsecamente mau, logo, se Deus acabasse com o mal, acabaria também com a possibilidade de se discutir a Sua existência.

Terceiro, acabar com o mal, na visão cristã, significa acabar com a humanidade, já que a maldade é inerente ao homem pelo pecado original. A proposta cristã é a da redenção final futura pela fé em Jesus.

Quarto, segundo C. S. Lewis, a maldade é, no fundo, uma bondade corrompida (leia o texto clicando aqui), já que a pessoa má busca através da maldade que faz uma bondade pervertida, ou seja, algo que lhe dá um determinado prazer mórbido. Logo, uma interpretação possível da frase de Epicuro, é que Deus é tão bom que permite que o homem livre faça uma maldade imaginando que ela seja perversamente boa para si mesmo.

Bondade x Maldade - por C. S. Lewis



"Qual é então o problema? O de um universo que contém muitas coisas evidentemente más e aparentemente desprovidas de sentido, mas que contém igualmente criaturas como nós, que sabem que existem coisas más e absurdas. Ora, há apenas dois pontos de vista que levam em consideração todos os dados desse problema. Um deles é o cristão, segundo o qual este mundo é um mundo bom que se corrompeu em boa parte, mas que continua a manter viva a memória do que deveria ter sido. O outro é o do chamado dualismo, segundo o qual há dois poderes iguais e independentes por trás de todas as coisas, um bom e outro mau, e este universo é o campo de batalha em que travam um contra o outro uma guerra sem fim. Pessoalmente, penso que, depois do cristianismo, o dualismo é a ideologia mais nobre e sensata que se encontra à disposição no mercado. Mas padece de um defeito de fabricação.

Os dois poderes, ou espíritos, ou deuses – o bom e o mau -, são vistos como completamente independentes. Ambos existem desde toda a eternidade. Nenhum deles fez o outro, nenhum deles tem mais direito que o outro de chamar-se Deus. Cada um, presumivelmente, pensa que ele é que é bom e outro é mau. Um deles aprecia o ódio e a crueldade, o outro prefere o amor e a misericórdia, e cada um está disposto a defender o seu ponto de vista. Ora bem, que queremos nós dizer quando chamamos a um deles o Poder Bom e ao outro o Poder Mau? Há apenas duas opções: ou estamos dizendo simplesmente que preferimos um ao outro – como quem prefere cerveja a vinho -, ou estamos dizendo que um deles realmente está errado ao considerar-se bom, pouco importando o que eles próprios pensem a respeito um do outro e qual deles nós, os homens, prefiramos no momento.

Ora, se o que queremos dizer é apenas que, pessoalmente, preferimos o Poder Bom, então temos que deixar de lado de uma vez por todas as expressões “bem” e “mal”. Porque a palavra Bem significa justamente aquilo que se deve preferir sempre, sejam quais forem os nossos gostos ou disposições num determinado momento. Se “ser bom” não significasse mais do que alistar-se na facção que nos “caiu bem” sem termos qualquer motivo real para fazê-lo, então o Bem não mereceria ser chamado Bem. Portanto, afirmar que há um “Poder Bom” e outro “Mau” só faz sentido se pretendemos significar que um deles está objetivamente errado e o outro objetivamente certo.

No momento em que reconhecemos esta verdade, porém, estamos aceitando implicitamente que existe no universo uma terceira coisa além desses dois poderes: algum tipo de lei, de padrão ou regra do bem, com o qual um desses poderes – o bom – está de acordo, e o outro não. Mas, se ambos devem ser julgados por esse padrão, então esse mesmo padrão – ou o Ser que o fez – é anterior e superior aos dois: ele é que é o verdadeiro Deus. Na verdade, o que queríamos dizer ao falar num Poder Bom e num Poder Mau era apenas que um deles está na relação correta com o verdadeiro e definitivo Deus, e o outro numa relação errada.

Podemos chegar à mesma conclusão por outro caminho. Se o dualismo fosse verdadeiro, o Poder Mau teria que consistir num ser que amasse a maldade pela maldade. Ora, não conhecemos absolutamente ninguém que ame a maldade simplesmente por ser má. O que mais se aproxima disso é a crueldade. Mas, na vida real, uma pessoa só é cruel por uma de duas razões: ou porque é sádica, isto é, sofre de uma perversão sexual que a faz encontrar prazer na prática da crueldade; ou porque é capaz de tirar da crueldade algum benefício, como dinheiro, poder ou segurança. Mas o prazer, o dinheiro, o poder e a segurança são coisas boas em si mesmas, embora apenas de maneira limitada. O mal consiste em procurar obtê-las por métodos errados, ou por meios ilícitos, ou ainda em medida excessiva.

Não quero dizer com isto que uma pessoa que pratique a crueldade não possa ser terrivelmente perversa. Quero dizer que a maldade, se nos detivermos a examiná-la, se revela apenas como procura de algum bem de uma maneira errada. Ou seja, podemos ser bons por simples amor à bondade, mas não podemos ser maus por simples amor à maldade. Podemos realizar uma ação boa quando não nos sentimos bons nem nos dá prazer nenhum realizá-la, unicamente porque a bondade é correta; mas nunca ninguém cometeu uma ação cruel unicamente porque a crueldade é errada – mas apenas porque a crueldade lhe era aprazível ou útil. Noutras palavras, a maldade não consegue sequer ser má da mesma forma que a bondade é boa. A bondade é, por assim dizer, ela mesma; a maldade não passa de bondade corrompida."

(C. S. Lewis, “Mero Cristianismo”, Ed. Quadrante, 1997, págs. 53/55)

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