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sexta-feira, 19 de junho de 2015

O difícil acordo entre católicos e ortodoxos sobre a data da Páscoa


Matéria publicada no IHU:

Patriarca de Moscou ao Papa: sobre a Páscoa um gesto de boa vontade, mas não alteraremos tradições milenárias

A Igreja ortodoxa russa acolheu com cautela a disponibilidade expressada pelo Papa Francisco de estabelecer uma data comum para a Páscoa, de modo que católicos, ortodoxos e protestantes possam festejar a Ressurreição no mesmo dia. Segundo o intérprete Nikolai Balaschov, vice-presidente do Departamento das relações eclesiásticas externas do Patriarcado de Moscou, as palavras do Pontífice transmitidas pela mídia não são suficientes para compreender de modo correto qual é a essência de sua proposta. “Preferirei conhecer as exatas declarações do Papa Francisco, transmitidas por diversas fontes de informação”, declarou Balashov, numa entrevista com a agência Tass, sublinhando que “se a Igreja de Roma pretende abandonar a Páscoa segundo o calendário gregoriano, introduzido no século XVI, e voltar à data antiga (juliana), utilizada na época em que a Igreja do Oriente e Ocidente eram unidas e utilizada até agora pelos ortodoxos, esta intenção é bem-vinda”. Se, ao invés, a ideia é a de “ter uma data fixa para a Páscoa e não liga-la ao primeiro plenilúnio após o equinócio da primavera, como foi estabelecido tanto no Oriente como no Ocidente pelo Concílio de Nicéia de 325, então tal proposta é totalmente inaceitável para a Igreja ortodoxa”, advertiu Balashov. “Esperamos a publicação nas fontes oficiais do Vaticano”, acrescentou.

A reportagem é de Nina Achmatova, publicada pelo sítio AsiaNews, 15-06-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

O representante dos ortodoxos russos quis depois recordar que Constantinopla e Moscou não estão em desacordo sobre a Páscoa e que diversamente de quanto foi referido pela imprensa, no programa do Concílio pan-ortodoxo não é prevista a discussão sobre a revisão da data na qual celebrar a Páscoa. De qualquer modo, Balashov reconheceu que o Papa “quis realmente dar um passo em direção aos ortodoxos. Trata-se de um gesto de boa vontade. Esta aproximação, no entanto, não pode ser realizada através de uma mudança radical das nossas comuns tradições do primeiro milênio do cristianismo”. Como a Igreja católica, também a Igreja ortodoxa festeja a Páscoa no domingo subsequente à primeira lua nova plena, mas seguindo um calendário diverso. Neste ano, a Páscoa católica foi festejada no dia 5 de abril, enquanto a ortodoxa no dia 12 de abril. Na próxima vez na qual a Páscoa dos católicos e dos ortodoxos coincidirá será o dia 16 de abril de 2017.

Parece que a proposta do Pontífice não tenha sido discutida no encontro de 16 de junho, no Vaticano, com o metropolita Hilarion de Volokolamsk, presidente do departamento para as relações eclesiásticas externas do Patriarcado de Moscou. Segundo o que foi reportado pelo centro de comunicações da Igreja ortodoxa russa, o colóquio teve no centro da discussão “a situação dos cristãos no Oriente Médio e na África, bem como a necessidade de uma ação comum para proteger a concepção tradicional de família na sociedade laica de hoje”. Antes de ser recebido pelo Papa, Hilarion teve um encontro com o presidente do Pontifício conselho para a promoção da unidade dos cristãos, o cardeal Kurt Koch.



domingo, 31 de março de 2013

Ressurreição: o fim do começo


por Lloyd John Ogilvie:

Leitura bíblica: João 19:30; 17:4-13; 6:38

Versículo-chave: “Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.” (João 19:30)

Meditação: O que estava consumado? Jesus não disse: “Estou consumado”, mas “está consumado”. A obra que ele veio realizar, com o clímax da cruz, estava completa. Ele viera revelar o amor de Deus, comunicar a graça, trazer a realidade do Reino e libertar as pessoas do poder do pecado e da morte. Sua obra estava realizada, e, contudo, apenas havia começado.

Pense por um instante no que teria sido a obra consumada de Cristo sem a ressurreição. Pode ser que nos lembrássemos dele como um grande líder que sacrificou tudo, mas teria a sua mensagem e os seus atos continuado a viver? Não, temos certeza de que teriam sido enrolados nas páginas da história e esquecidos.

Deus deu a palavra final. Ele tomou a obra consumada de Cristo e fê-la o fundamento da salvação do homem para sempre. Terminada sua obra na carne, sua obra eterna continua. O episódio seguinte no drama da revelação de seu propósito e plano foi a ressurreição.

A obra de Cristo não está consumada. Continua em mim e em você. Devemos experimentar a morte do eu e a ressurreição para uma nova qualidade de vida. Jesus Cristo está vivo, e continua a fazer o que começou tanto tempo atrás.

Quando, ao máximo de nossa capacidade, terminamos o que Deus nos deu para fazer, a ressurreição de nossos fracos esforços encontra-se próxima. Ele tomará nossas tentativas humanas e as usará para sua glória, fazendo algo glorioso daquilo que batalhamos por fazer grande.

Pensamento do dia: Ao terminarmos, Cristo estará apenas começando.

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 08 de abril)




Cristo já ressuscitou, aleluia!




domingo, 8 de abril de 2012

Páscoa no cristianismo primitivo

Trecho de artigo do Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs transcrito no e-cristianismo:
I. O Conteúdo teológico da festa. R. Cantalamessa mostrou como é necessário distinguir, na tradição cristã, duas concepções da Páscoa, que se originam ambas do judaísmo.

1. A tradição judaica. No início, a Páscoa é uma festa nômade (provavelmente em relação com a transumância); o rito do sangue do cordeiro aspergido na arquitrave e nos umbrais da porta tem um significado de esconjuro: deve proteger contra o Exterminador. Na religião israelita, aquele que “passa” é Deus, que poupa as casas de seu povo (Ex 12,27). A esta primeira concepção acrescentou-se uma segunda: a Páscoa foi posta em relação com a lembrança do êxodo do Egito, que recorda aos israelitas a libertação do homem de sua escravidão (Ex 13,8.14; Dt 16,1). No judaísmo helenista (cf., por ex., Fíl., Leg. spec. II, 147), e no posterior à destruição do segundo Templo, esta concepção antropológica da festa prevaleceu sobre a primitiva.

2. A tradição cristã. Jesus morreu por ocasião de uma Páscoa judaica (quer se trate de 14 de Nisan, segundo a cronologia de S. João, quer de 15 de Nisan, segundo a cronologia dos sinóticos). Esta coincidência não podia deixar de influir sobre a tradição cristã. Assiste-se a uma progressiva “pascalização do acontecimento da Sexta-feira Santa, com base na interpretação tipológica do AT. Característico é o fato de que, desde as origens, as duas concepções judaicas sobre a Páscoa estejam presentes na tradição cristã (cf. 1Cor 5,7-8). Todavia, podem-se distinguir dois tipos de teologia pascal:

a) no tipo asiático, a Páscoa é posta em relação com πασχειν/passio e recebe uma significação quase exclusivamente cristológica (o conteúdo da festa é a comemoração do passado e a férvida expectativa dos acontecimentos escatológicos). É esta Páscoa quartodecimana que se reflete, entre outras, na homília Sobre a Páscoa de Melitão de Sardes. Notemos, no entanto, que a Páscoa romana não se diferencia da festa asiática por seu conteúdo, mas apenas pela data (a origem da Páscoa romana poderia aliás remontar, também ela, à Igreja primitiva).

b) no tipo alexandrino, a Páscoa é posta em relação com a ideia de transitus-passagem, e assume uma significação quase exclusivamente antropológica (passou-se da sombra à realidade, vive-se no presente, antecipando a verdade escatológica e celeste; a tendência à “desistorização” da festa é aqui bem clara). É esta a teologia de um Clemente, de um Orígenes, que se confundirá com a tradição asiática na patrística grega posterior.

c) na patrística latina, que se baseia sobretudo na tradição asiática, a tradição alexandrina se introduz a partir de Ambrósio (De sacr. I, 4, 12; De Cain et Abel I, 8, 31; Ep. 1,10) e de Jerônimo (Comm. In Evang. Matth. IV, 26,2). Será mérito de Agostinho operar uma nova síntese cristológica das duas tradições, com base em Jo 13,1 (Tract. in Evang. Ioh. 55,1). “Foi com sua paixão que o Senhor 'passou' da morte para a vida e abriu para nós, crentes, a via para sua ressurreição, a fim de que nós passemos da morte à vida” (Enarr. in Psalm. 120,6; cf. De civ. Dei XVI, 43). Esta síntese lhe permite – e permitirá a seus sucessores – combinar o aspecto histórico, sacramental, místico e escatológico da festa da Páscoa.

Leia a íntegra do artigo no e-cristianismo



A primeira carta pascal de Atanásio

Atanásio, patriarca de Alexandria entre os anos 328 e 373 da era cristã, costumava escrever suas "cartas festivas" por ocasião da Páscoa. Eram tão importantes para o cristianismo primitivo que - só para citar um exemplo - na de nº 39 ele listou os 27 livros que considerava divinamente inspirados para a formação do cânon do Novo Testamento, e a sua opinião foi decisiva, prezada que era a sua autoridade espiritual. Abaixo, segue o trecho final da primeira delas - escrita no ano 329 - que continua atualíssima e pode ser lida na íntegra no e-cristianismo, traduzida que foi pelo Gustavo, co-editor deste blog:

9. Desde então nós passamos por aquele tempo de sombras e não mais executamos seus ritos, mas nos voltamos, por assim dizer, ao Senhor, “Pois o Senhor é o Espírito, e onde o Espírito do Senhor está, há liberdade” – como nós ouvimos a sagrada trombeta, não mais matando um cordeiro material, mas aquele verdadeiro Cordeiro foi morto, o nosso próprio Senhor Jesus Cristo, “Que foi levado como um cordeiro ao matadouro e foi mudo como um cordeiro diante de seus tosquiadores”, sendo purificado pelo Seu precioso sangue, que fala coisas mais excelentes que aquele de Abel, tendo nossos pés calçados com a preparação do Evangelho, segurando em nossas mãos o bastão e o cajado do Senhor, pelo qual aquele santo foi confortado, aquele que diz “Teu bastão e Teu cajado me confortam” e para resumir, sendo em todos os respeitos preparados e sem cuidado por nada, como o abençoado Paulo disse, “O Senhor está aí”. E como nosso Salvador disse, “Em uma hora que não pensamos, o Senhor virá – Observemos a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da malícia e pecaminosidade, mas com o pão ázimo da sinceridade e verdade. Despindo do velho homem e seus atos, revistamos do novo homem, que é criado em Deus”, em humildade de mente e uma consciência pura, em meditação na lei de dia e de noite. E jogando fora toda a hipocrisia e fraude, afastando de nós todo orgulho e engano, nos tomemos de amor a Deus e a nosso próximo, para que sendo novas [criaturas] e recebendo o novo vinho, que é o Espírito Santo, nós possamos apropriadamente observar a festa, que é o mês destes novos [frutos].

10. Nós começamos o santo jejum no quinto dia de Pharmuthi (31 de Março) e adicionando a ele de acordo com o número aqueles seis santos e grandiosos dias, que são o símbolo da criação deste mundo, que descansemos e paremos (de jejuar) no décimo dia do mesmo Pharmuthi (5 de Abril), no santo sabbath da semana. E quando o primeiro dia da semana santa raiar e se levantar sobre nós, no décimo primeiro dia do mesmo mês (6 de Abril), de onde novamente contamos todas a sete semanas uma por uma, para observarmos a festa do santo dia de Pentecostes – naquele que era uma vez para os judeus, tipicamente, a festa das semanas, onde eles concediam perdão e liquidação de dívidas. E de fato aquele dia foi de libertação em todos os respeitos. Observemos a festa no primeiro dia da grandiosa semana, como um símbolo do mundo que virá, que recebemos promessas aqui onde teremos vida eterna. Então, tendo passado por isto, nós observaremos uma festa perfeita com Cristo, enquanto nós clamamos e dizemos, como os santos, “Eu passarei para o lugar do maravilhoso tabernáculo, para a casa de Deus, com a voz de alegria e gratidão, o grito daqueles que se rejubilam”, de onde dor, sofrimento e gemido fugiram e sobre nossas cabeças alegria e felicidade virão para nós! Que sejamos considerados dignos de compartilhar estas coisas.

11. Que nos lembremos do pobre e não esqueçamos de ser gentis aos forasteiros. Sobre tudo, que amemos Deus com toda nossa alma, poder e forças e amemos nosso próximo como a nós mesmos. Assim poderemos receber aquelas coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram e que não entraram no coração do homem, que Deus preparou para aqueles que O amam, através de seu único Filho, nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, através de Quem, para o Pai somente, pelo Espírito Santo, seja glória e domínio para sempre.

Amém.

Saúdem uns aos outros com um beijo. Todos os irmãos que estão comigo vos saúdam.



sábado, 7 de abril de 2012

Quando comer chocolate era pecado

Artigo delicioso (e quase pecaminoso) da Revista de História da Biblioteca Nacional:

Doce pecado

Na nossa sociedade é de costume se desejar “Feliz Páscoa” a alguém dando de presente um ovo de chocolate. Mas nem sempre esta delícia de cacau foi bem recebida pela religião.

Em nossa tradição, é impossível não associar o chocolate à Páscoa, festa maior do cristianismo. Desejar “Feliz Páscoa” a alguém é um costume que quase sempre vem acompanhado de um presente previsível: um ovo de chocolate – ou, simplesmente, um “ovo de Páscoa”. Mas a relação entre a iguaria e a religião que está na base da cultura ocidental nem sempre foi pacífica.

A guloseima, originalmente consumida por “pagãos” americanos e que caiu no gosto das altas rodas da Europa, era cercada de mistérios, como no caso dos chocolates aromáticos das cortes italianas, como revela Eddy Stols nesta edição. Os Médici, titulares do grão-ducado da Toscana, mantinham segredo absoluto sobre a receita do chocolate com aroma de jasmim, cobiçado por outras casas européias. Sua fórmula era guardada em uma caixa-forte. A Igreja, como se sabe, não via com bons olhos mistérios que não estavam sob sua guarda.

Mas o apreço pelo produto não era resultado apenas do aroma irresistível ou do paladar inigualável. Além de saboroso, o chocolate era apreciado por suas virtudes terapêuticas. Em meio a um verdadeiro frenesi, não tardaram a surgir, no século XVII, as primeiras denúncias de abuso na sua ingestão. E numa época profundamente marcada pela religião, o debate se dava na esfera da Igreja. De um lado, jesuítas cantavam as delícias do cacau; do outro, os dominicanos lamentavam o novo vício europeu.

A Europa, terra do vinho, era aos poucos invadida por legiões de beberrões de chocolate – inicialmente a Espanha, e posteriormente o resto do continente; nos cafés que se multiplicavam no rastro de outra bebida famosa, homens amanheciam em busca das primeiras doses do líquido turvo; nos palácios e nas casas mais refinadas, as xícaras passavam a figurar ao lado das taças, em lugar de destaque. Quente ou gelado, líquido ou pastoso, puro ou com aguardente, tomava-se chocolate de todas as maneiras, com o objetivo de estimular os sentidos de formas inusitadas.

Acreditava-se ainda que o chocolate possuía a propriedade de aquecer o sangue, despertando “virtudes” que eram sistematicamente combatidas pela Igreja. O italiano Francesco Arisi, autor de um tratado intitulado Il cioccolato, de 1736, versejava contra a iguaria:

Nos torrões já é usado,

Nas tortas é o principal.
Penso, pois, que ainda um dia,
Vão servi-lo com codornas,
Desdenhando o santo pão
Ou colocando-o de parte.
Os próprios jesuítas, que elogiaram seu uso na Itália, chegaram a dizer em Portugal, onde o hábito de beber chocolate se alastrou no século XVIII, que o produto era um estimulante sexual. Contrariando a interpretação tradicional de S. Tomás de Aquino, para quem líquidos não quebravam o jejum, exigiram sua proibição durante o período da Quaresma, quando os cristãos deveriam se afastar dos prazeres da carne (em todos os sentidos). Tentativa inútil, pois o papa, em Roma, cedendo à pressão dos primeiros chocólatras, e para a felicidade de quase todos, autorizou o pecado durante o ano inteiro.



domingo, 24 de abril de 2011

A ressurreição e um piano

Não precisa entender as poucas legendas em inglês do vídeo abaixo. Basta apreciar as obras de arte que compõem um painel da vida, morte e ressurreição de Jesus, ao som de "Clair de Lune" de Claude Debussy, na brilhante execução ao piano de Rory Sade.

domingo, 4 de abril de 2010

O Sermão da Páscoa, de S. João Crisóstomo

Há alguém que é amante devoto de Deus?

Deixa-os desfrutar esta festa resplandecente!

Há alguém que é um servo grato?

Deixa-os se deleitarem e entrarem na alegria de seu Criador!

Há alguém aborrecido com o jejum?

Deixa-os receber agora suas remunerações!

Se alguém trabalhou na primeira hora, deixa-os receberem suas gratificações!

Se alguém chegou após a terceira hora, deixa-o juntar-se à Festa com gratidão!

E ele, que chegou após a Sexta hora, não o deixa duvidar; ou ele também sustentará a perda.

E se alguém se atrasou até a nona hora, não o deixa hesitar; mas deixa-o vir também.

E ele, que chegou somente na décima-primeira hora, não o deixa ter medo por sua demora.

Pois Deus é bondoso e recebe o último igual ao primeiro.

Ele dá paz àquele que chega na décima-primeira hora, tanto quanto se ele tivesse trabalhado desde a primeira hora.

A estes Ele dá e junto aos outros Ele concede.

Ele aceita o trabalho tanto quanto acolhe o esforço.

A proeza, Ele honra, e a intenção, Ele aprova.

Vamos todos entrar na alegria de Deus!

Primeiro e último, igualmente recebem sua recompensa; rico e pobre, se alegram juntos!

Sensato e preguiçoso, celebram o dia!

Você que guardou o jejum, e você que não jejuou,

alegrem-se hoje, pois a mesa está farta com opulência!

Festeja regiamente, o novilho é cevado.

Não deixe ninguém ir com fome. Participem todos da taça da fé!

Desfrutem todas riquezas de Sua bondade!

Não permita que ninguém se aflija em sua miséria,

Pois o reino universal foi revelado.

Não deixa ninguém lamentar-se porque caiu de novo e novamente;

pois o perdão ergueu-se do túmulo.

Não deixa ninguém temer a morte, pois a morte do nosso Salvador nos libertou.

Ele a destruiu por tê-la suportado.

Ele destruiu o Inferno quando desceu até ele.

Ele o colocou num túmulo mesmo que ele tivesse o gosto de Sua carne.

Isaíais profetizou isto quando disse,

"Você, oh inferno, se perturbou quando O defrontou"

O inferno estava em tumulto porque foi liquidado.

Ele estava em tumulto porque está escarnecido.

Estava em tumulto pois está destruído.

Está em tumulto, pois está aniquilado.

Está em tumulto, pois agora está prisioneiro.

O inferno pegou o corpo, e descobriu Deus.

Tomou a terra e encontrou o Céu.

Tomou o que viu, e foi vencido pelo que não viu.

Oh, morte, onde está sua tormenta?

Oh, inferno, onde está sua vitória?

Cristo está ressuscitado, e você, oh morte, está aniquilada!

Cristo está ressuscitado, e os perversos estão derrubados!

Cristo está ressuscitado, e os Anjos se alegram!

Cristo está ressuscitado, e a vida está libertada!

Cristo está ressuscitado, e o túmulo está vazio da morte; pois Cristo se ergueu da morte,

Estão vindo os primeiros-frutos daqueles que adormeceram.

A Ele a Glória e o Poder para todo o sempre. Amém!

São João Crisóstomo, em grego Ιωάννης ο Χρυσόστομος, (349, Antioquia da Síria, hoje Antakya, no sul da Turquia - 14 de Setembro de 407) foi um teólogo e escritor cristão, Patriarca de Constantinopla no fim do século IV e início do V. Sua deposição em 404 produziu uma crise entre a Santa Sé e a Sé Patriarcal. Pela sua inflamada retórica, ficou conhecido como Crisóstomo (que em grego significa «boca de ouro»).

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