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terça-feira, 4 de julho de 2017

Papa afasta cardeal crítico de suas reformas


A informação é da Deutsche Welle:

Papa destitui responsável por doutrina da Igreja

Cardeal conservador alemão é conhecido por se opor às reformas no Vaticano e criticar posições do pontífice. Ele foi substituído na chefia da Congregação para a Doutrina da Fé por um espanhol que é jesuíta, como o papa.

O papa Francisco destituiu o cardeal alemão Gerhard Müller de seu cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou neste sábado (01/07) o Vaticano. Müller, que ocupava um dos cargos mais influentes do Vaticano, é considerado conservador e conhecido por sua oposição às reformas dentro da Igreja Católica.

Ele será substituído pelo espanhol Luis Francisco Ladaria Ferrer, de 73 anos, que também é jesuíta, como Francisco, e atua atualmente como secretário da congregação. Ladaria Ferrer é visto já há alguns anos como a "mão direita" do papa e tem opinião semelhante a ele na maioria dos assuntos.

Jornais italianos, como La Stampa e Il Messaggero, informaram que o papa se encontrou na véspera com Müller, de 69 anos, para comunicá-lo que seu mandato terminaria neste domingo, justamente quando ele completa cinco anos no posto. O religioso alemão fora nomeado em 2 de julho de 2012.

As razões para a demissão não são conhecidas, mas o cardeal alemão, considerado linha-dura, era tido como contrário às reformas na Igreja Católica. Além disso, ele é um crítico da exortação apostólica Amoris Laetitia, do papa Francisco, publicada no ano passado e que sugeria que pessoas divorciadas e novamente casadas poderiam, sob circunstâncias especiais, participar da comunhão.

A congregação de Müller também foi acusada em março por Marie Collins, uma vítima de abuso sexual por padres, de fazer resistência à comissão criada pelo papa Francisco para combater abusos sexuais de menores na Igreja Católica. Collings disse à revista jesuíta America ​​que a atitude "vergonhosa" da Congregação a levou a se retirar da comissão.

A notícia vem depois de, na quinta-feira, o cardeal australiano George Pell, de 76 anos, responsável pelas finanças e "número três" do Vaticano, ter se afastado temporariamente para se defender de acusações de abuso sexual em seu país.

A Congregação para a Doutrina da Fé, dirigida por Müller, é responsável por difundir a doutrina católica e defender os pontos da tradição católica que possam estar em perigo devido a doutrinas novas não aceitáveis pela Igreja. Ela também é responsável por investigar casos de abuso. No final de fevereiro, ele negou haver ocultado sistematicamente casos de abusos na Igreja Católica. "A Igreja não esconde nada. Em alguns casos pode ter havido desconhecimento, mas não sistemático", disse, na época, ao jornal italiano La Repubblica.



segunda-feira, 5 de junho de 2017

TJRS absolve homem que tentou comprar sexo com menina de 11 anos

Alguma coisa muito estranha acontece com o nosso Judiciário, segundo mostra notícia publicada no Consultor Jurídico:

Tentar comprar sexo com menina de 11 anos não é favorecimento à prostituição infantil

Jomar Martins

Tentar comprar sexo de menor de idade uma única vez, sem nenhum contato físico ou ameaça verbal, não é crime de favorecimento de prostituição de crianças e adolescentes, tipificado no artigo 218-B do Código Penal. Assim decidiu a 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que, por maioria, manteve sentença que absolveu um homem denunciado depois de oferecer R$ 50 para fazer sexo com uma menina de 11 anos.

Segundo a sentença da juíza Graziella Casaril Tonial, da Vara Judicial da Comarca de Igrejinha, o "programa" só não se consumou porque a menina não aceitou a proposta. Mas a juíza entendeu que o fato narrado na denúncia não se amolda à conduta descrita no artigo 218-B — conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menor de 14 anos para satisfazer lascívia própria ou de outrem.

"Não restou demonstrada nos autos a habitualidade da conduta, de molde a induzir ou instigar a infante à prostituição ou outra forma de exploração sexual, que são atividades que se prolongam no tempo. Para caracterizar o delito em questão, [é] necessária a presença da habitualidade, o que não ocorre no presente feito", ponderou a julgadora. Como o fato denunciado não constituiu infração penal, como prevê o artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal, o réu foi absolvido.

Conduta reprovável

O relator da Apelação na 6ª Câmara Criminal, desembargador Ícaro Carvalho de Bem Osório, concordou com a juíza. Para ele, a conduta prevista por lei é submeter criança ou adolescente à prostituição ou exploração sexual. E este contexto exige relação de poder sobre a vítima, o que não ocorreu no caso concreto. Em síntese, apesar de o réu ter oferecido dinheiro em troca de sexo, não se pode concluir que tenha havido exploração sexual da menor.

"Ainda que na órbita moral se revele reprovável a conduta atribuída ao réu, que representa abordagem inadequada de um homem adulto a uma criança ainda em plena formação de seu caráter, a conduta do apelado não se amolda ao tipo penal denunciado que, como dito, exige habitualidade para se configurar", encerrou, sendo seguido pelo voto do desembargador Aymoré Roque Pottes de Mello.

Voto divergente

A desembargadora Bernadete Coutinho Friedrich discordou dos colegas e votou por condenar o réu por tentativa de estupro de vulnerável.

Ela reconheceu que a conduta descrita não se amolda ao tipo penal capitulado na denúncia oferecida pelo Ministério Público. "Essa conclusão não se dá por não ter restado demonstrada a habitualidade da conduta, na medida em que submeter a infante à prostituição ou outra forma de exploração sexual prolonga-se no tempo e, sim, porque caracterizada a prática de crime diverso", explicou no voto divergente.

Para a desembargadora, em se tratando de estupro de vulnerável, nem sempre há a presença real de grave ameaça ou violência. Há quem ofereça doces à vítima, faça "juras de amor" ou use de qualquer outro artifício para convencer a criança ou adolescente a praticar algum ato libidinoso. No caso dos autos, a estratégia foi a oferta de dinheiro.

Como a peça descreve uma atitude diferente do tipo penal apontado pela acusação, seria possível reclassificá-la, procedendo à emendatio libelli [corrigir acusação no aspecto da qualificação jurídica do fato], na medida em que a conduta descrita na denúncia permanece inalterada, afirmou a desembargadora.

Ela reconheceu que não é possível dar nova definição jurídica ao fato delituoso no segundo grau, como proíbe expressamente a Súmula 453 do Supremo Tribunal Federal. Entretanto, é possível, sim, finalizou, atribuir-lhe definição jurídica diversa, na forma do artigo 383 do Código de Processo Penal. Mas ficou vencida.

Clique aqui para ler o acórdão.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Ex-prefeito pedófilo do AM é solto por indulto de Michel Temer




Nossos "parabéns" a todos os que apoiaram (mais) esta indecência, retrato perfeito e acabado da ignorância política da população brasileira.


A notícia é do Congresso em Foco:


Ex-prefeito acusado de pedofilia tem pena de 11 anos de prisão extinta

Acusado de chefiar uma rede que explorava sexualmente meninas de 9 a 15 anos, conforme mostrou série de reportagem do Fantástico em 2014, o ex-prefeito de Coari (AM)
Adail Pinheiro recebe indulto natalino, ganha liberdade e se livra de processo

EDSON SARDINHA

Condenado a 11 anos de prisão por exploração sexual de crianças e adolescentes, o ex-prefeito de Coari (AM) Adail Pinheiro recebeu indulto e teve sua pena extinta nessa quarta-feira (24). Com isso, o político acusado de chefiar uma rede que explorava sexualmente meninas de 9 a 15 anos, conforme mostrou série de reportagem do Fantástico em 2014, ganhará liberdade e se livrará das acusações.

A decisão que o beneficiou foi tomada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), com base em parecer favorável do Ministério Público estadual, que concluiu que Adail se encaixava nos requisitos do perdão presidencial, definido em decreto assinado no final de 2016 pelo presidente Michel Temer. O ex-prefeito cumpria pena em regime domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

O decreto presidencial prevê o indulto a condenados em crimes praticados sem grave ameaça ou violência à pessoa e quando a pena não for superior a 12 anos de prisão. O preso, no entanto, precisa ter cumprido um quarto da pena, se não for reincidente, ou um terço, se tiver reincidido em crime.

A sentença foi assinada pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Luís Carlos Valois, que alega ter analisado apenas a conformidade do parecer do Ministério Público com o decreto presidencial do indulto.

“A pena aplicada e o período de pena cumprido, somados à ausência de infração disciplinar (requisito subjetivo disciplinado no art.9º do mesmo decreto) indicam que realmente o apenado preenche os requisitos do decreto, na forma do que já foi esclarecido nos autos, nesta decisão e no parecer do Ministério Público”, escreveu Valois na decisão em que determina a soltura do político.

Celular na cadeia

Adail foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas, em novembro de 2014, a 11 anos e 10 meses de prisão em regime fechado por exploração sexual de crianças e adolescentes. Ele já estava preso preventivamente à época em processo que apura outros casos de pedofilia. Em novembro do ano passado, passou a cumprir a pena em prisão domiciliar.

Embora a decisão que o livrou da pena ateste seu bom comportamento, em julho de 2016 uma revista na cela onde Adail estava preso com outros dois ex-prefeitos encontrou três aparelhos celulares, dois carregadores e R$ 100. O político já havia sido preso, em 2008, por suspeita de desviar R$ 40 milhões dos cofres públicos, na Operação Vorax, da Polícia Federal.

A família do ex-prefeito ainda exerce forte poder político em Coari, cidade de 77 mil habitantes localizada às margens do Rio Solimões. O filho dele, Adail Junior foi eleito prefeito no ano passado. A vice, Mayara Pinheiro, também é filha dele. Jeany Pinheiro, a vereadora mais votada, é irmã de Adail. Um sobrinho dele também é vereador, segundo o jornal A Crítica, de Manaus.

Uma série de reportagens do Fantástico mostrou, no início de 2013, depoimento de adolescentes e familiares, além de outras testemunhas, que apontavam Adail como chefe de uma quadrilha que explorava sexualmente meninas de 9 a 15 anos. “Eu tinha 9 anos. E a minha mãe cozinhava no barco. Eu ficava lá brincando, enquanto minha mãe estava trabalhando. Ele me estuprou dentro do barco mesmo, entendeu. Eu fiquei muito apavorada, com vergonha, nunca consegui colocar isso para fora. Hoje em dia, ele quer a minha filha”, contou uma vítima. “Ela tem 11 anos, então ele está destruindo a minha vida inteira, porque aconteceu comigo, aconteceu com o meu sangue e agora ele quer a minha filha. É monstruoso demais”, acrescentou.

Adail sempre negou as acusações.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Pedófilos americanos querem usar Bíblia em sua defesa no tribunal

Esten (o filho, à esquerda) e Timothy (o pai, à direita) sendo levados ao Tribunal.

O horror, ah, o horror... sempre encontra formas fantasmagóricas para se apresentar no mais alto grau de depravação.

Parece que, a cada dia que passa, aumenta o número de pessoas que acha que pode fazer o que quiser se invocar alguma suposta "unção" que lhe foi outorgada por uma autoridade divina.

Leia a matéria do ConJur abaixo se tiver estômago:

Americanos acusados de estupro querem usar só a Bíblia em suas defesas

Por João Ozório de Melo

Quando o julgamento de Timothy Ciboro e Esten Ciboro, pai e filho, começar nesta semana, a mesa da defesa terá apenas um livro: a Bíblia.

Na audiência preliminar na sexta-feira (20/1), o pai, acusado de estuprar a filha adotiva, e seu filho, acusado de estuprar a irmã adotiva, disseram à juíza Linda Jennings, de um tribunal de Toledo, Ohio, que querem usar a Bíblia em sua defesa (que eles mesmos irão fazer) porque esse é “o único livro que realmente importa”.

“Há uma grande quantidade de estratégias nas Escrituras. E eu uso essas estratégias para tudo o que faço na vida. É uma parte importante de tudo o que faço”, declarou o filho. Ele e o pai disseram à juíza que não têm fé na lei dos homens e nas pessoas que a praticam.

De acordo com a acusação, o pai, 53, e o filho, 28, estupraram a criança por três anos (de 2012 a 2015). No último ano, eles a mantinham amarrada no porão da casa. Mas um dia, com 13 anos de idade, ela conseguiu escapar, quando os dois passaram o dia fora. A polícia a encontrou na estrada, com uma mochila e duas sacolas, pedindo ajuda.

Os dois foram presos em maio deste ano. A polícia disse ao jornal The Blade, de Toledo, que eles a alimentavam com restos de comida e a obrigavam a urinar em um balde com amônia. O pai também é acusado de estuprar a irmã mais nova da menina.

Além de estupro, eles são acusados de sequestro e de colocar a vida de uma criança em perigo. Isso significa muitos anos de prisão, o que levou a juíza a insistir que fossem representados por um advogado. Eles recusaram a oferta.

“Profissionais construíram o Titanic. Amadores construíram a arca”, eles disseram. Por isso, eles preferiam confiar em sua fé do que em qualquer profissional, incluindo advogados.

Mesmo assim, a juíza nomeou um advogado para acompanhá-los no julgamento, caso tenham alguma dúvida.

A juíza também permitiu a eles levar uma Bíblia para o tribunal do júri, mas advertiu-os que não poderão usá-la na inquirição de testemunhas. “É a opinião da corte que, embora a Bíblia seja muito importante, não é um livro jurídico que possa ser usado no tribunal do júri”, ela disse.

Os dois protestaram, porque era seu propósito confrontar as testemunhas “com a sagrada palavra de Deus”. “Acreditamos que o uso da Bíblia é fundamental para a nossa defesa”, afirmaram.

Igreja e Estado

Problemas da Justiça americana com religiosos, que afirmam nos tribunais não reconhecer outra lei que não a “Lei de Deus”, acontecem ocasionalmente. Normalmente se baseiam em legislações estaduais como a Lei da Restauração da Liberdade Religiosa — e não na Bíblia.

No estado de Indiana, uma mulher disse que bateu em seu filho com um cabide por causa de convicções religiosas. Ela foi condenada a um ano de prisão com suspensão condicional da pena.

Também em Indiana, um homem processado por sonegar imposto de renda se defendeu, no tribunal, com a mesma lei. Ele alegou que pagar imposto de renda ia contra suas convicções religiosas.

Há religiosos que buscam os tribunais para mover ações judiciais contra qualquer coisa que afronte suas crenças. O exemplo mais recente é o de empresas, de propriedades de religiosos, que foram à Justiça contra o Obamacare, o seguro-saúde dos pobres. Elas se recusam a cobrir, no seguro saúde que oferecem a seus empregados, quaisquer custos de relacionados a controle de natalidade.

Os religiosos também têm ido à Justiça para garantir o que acham que é um direito: fazer orações antes do início de assembleias públicas e sessões legislativas. Ou de manter uma cruz na frente de órgãos públicos.



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Repercute suicídio de padre colombiano acusado de pedofilia



A notícia foi publicada pela acidigital em 16/12/16:

Sacerdote acusado de abusos se suicida na Colômbia

CALI, 16 Dez. 16 / 05:30 pm (ACI).- No último fim de semana se suicidou na Colômbia um sacerdote acusado de abusos sexuais. A Arquidiocese de Cali já tinha o afastado do seu ministério, enquanto realizavam a investigação correspondente.

Em declarações a ‘Notícias Caracol’, o advogado Elmer Montaña afirmou que o Pe. William Lasso Mazuera, que foi encontrado morto em uma propriedade de La Cumbre, no Valle del Cauca, era acusado de abusar de um menor de 14 anos e também haveria “outras crianças supostamente abusadas por este sacerdote”.

“Foi realizada uma investigação de primeira instância, conforme mencionado, corresponde a um suicídio”, afirmou por sua parte o general Nelson Ramírez, comandante da Polícia de Cali, a respeito do sacerdote.

O Pe. William Lasso Mazuera já foi sepultado em Cali.

Em um comunicado publicado no dia 13 de dezembro, a Arquidiocese de Cali assinala acerca do caso do falecido sacerdote que, “desde quando a Cúria recebeu a denúncia, iniciaram o processo estabelecido pela Santa Sé e pelo direito canônico”.

Por isso, explica a Arquidiocese, “o mencionado presbítero foi retirado ad cautelam do exercício do ministério”.

Do mesmo modo, prossegue o texto, “pediram aos denunciantes para que realizassem a denúncia ante as autoridades competentes e pediram reiteradamente ao presbítero Lasso Mazuera para que se apresentasse ante as autoridades como prova da sua suposta inocência”.

“Como Arcebispo de Cali, me uno publicamente à dor da família Lasso Mazuera, do presbitério de Cali, dos paroquianos e dos amigos do sacerdote falecido, por quem oferecemos orações e súplica do perdão divino, se como tudo indica, cometeu suicídio, o qual não impede como ensina a Igreja para reconhecer fatores que 'podem diminuir a responsabilidade do suicida', para esperar um arrependimento salvador nem para deixar de 'orar pelas pessoas que atentam contra sua vida'”.

O Arcebispo de Cali, Dom Darío de Jesus Monsalve, também reiterou seu apelo a “estar vigilantes e denunciar ante as autoridades civis e ante a Cúria ou qualquer autoridade eclesiástica de maneira imediata acontecimentos ou comportamentos suspeitos contra menores”.

“Unamos os esforços construtivos para enfrentar social e culturalmente esta degradação da sexualidade da sociedade humana e a convivência das gerações sem ocultar o verdadeiro mal e suas verdadeiras causas”, concluiu.



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Discurso de ódio apertou gatilho da chacina de Campinas


Estamos vivendo tempos perigosíssimos.

A chacina da noite de Ano Novo, ocorrida em Campinas (SP), que vitimou treze pessoas, ainda terá capítulos que se desdobrarão para tentar explicá-la.

As investigações certamente envolverão questionamentos de insanidade mental, abuso sexual e alienação parental.

Entretanto, a julgar pela carta que o assassino deixou, há claros sinais de como o extremismo político-ideológico influenciou uma mente já perturbada e a levou a perpetrar o absurdo ato.

O discurso de ódio que é divulgado fartamente na imprensa e nas redes sociais (sobretudo nas cartas do leitor e caixas de comentários), por gente aparentemente "normal", seus amigos, parentes, irmãos da igreja, não é muito diferente da carta-testamento da infâmia que o atirador deixou.

Todo cuidado é pouco quando se está lidando com extremistas e fanáticos em geral.

Faça sua parte: melhor contar até 10 antes de compartilhar esse tipo de lixo tóxico.

A matéria é do Estadão:

Autor de chacina em Campinas escreveu carta sobre seu plano; veja trechos

Homem que matou a ex-mulher, o filho e mais dez pessoas em festa de réveillon enviou texto a amigos dizendo: "vou levar o máximo de pessoas daquela família comigo"

CAMPINAS - O técnico de laboratório Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, deixou cartas e áudios gravados tentando justificar por que matou a ex-mulher, o filho e mais dez pessoas na noite de Réveillon. No material, obtido com exclusividade pelo Estado, ele afirma que as acusações de que teria abusado do menino são mentira, diz que foi vítima de uma injustiça e de uma “sacanagem” e que não conseguia mais “suportar tudo isso.”

Para se referir à ex-mulher, Isamara Filier, à mãe dela e a outras mulheres da família dela, ele só usa uma palavra, o tempo todo: “vadia”. E revela os planos de matá-las. “Quanto mais ela distanciar ele de mim, mais ódio eu fico dela e menos peso na minha consciência eu vou ter”, diz em um dos áudios, endereçado “aos policiais”, modificado pela última vez no dia 30.

Logo no começo deste arquivo, ele pede desculpas. “Quero pedir desculpa até mesmo para a polícia, para o resgate. Vou gerar muito transtorno para vocês.” O plano original, pelo que diz nos arquivos, era cometer o crime no Natal. “Eu tentei pegar a vadia no almoço do Natal e dia da minha visita, assim pegaria o máximo de vadias da família, mas como não tenho prática não consegui.”

A princípio, parecia que não tinha a intenção de também matar o filho, já que ele direciona cartas a ele e também fala diretamente com o menino nos áudios. Mas em um dado momento, no final da gravação “aos policiais”, parece ter outra ideia, ao se comparar a Deus. “Filho, papai te ama muito. Julguem o que quiser julgar, cada um tem seu jeito de amar. Deus não crucificou o filho dele por amor aos outros filhos, como fala na Bíblia? Eu não vou deixar você sofrer na mão dessa vadia mais não, filho”, diz.

Antes, alega inocência e acusa Isamara e a mãe dela, já morta, de mentirosas. Diz que quer ir para o inferno para “buscar essa velha maldita”, em relação à ex-sogra. “Até peço para meus amigos... eles sabem que eu não acredito mais em Deus porque Deus sabe da verdade. Existem quatro seres que sabem da verdade. Deus, o diabo, a vadia e a mãe dela. Elas sabem que eu nunca fiz mal para o João Victor. Se me garantir que eu vou para o inferno me enterrar de ponta-cabeça, eu peço para me enterrarem de ponta-cabeça.”

Veja abaixo alguns trechos de duas cartas. Foram excluídas citações que ele faz de outras pessoas e acusações sem comprovação. Foram deixadas apenas as partes em que ele relata seu plano de matar a família e comentários políticos. Também foi mantida a sua própria grafia.
"Não tenho medo de morrer ou ficar preso, na verdade já estou preso na angustia da injustiça, além do que eu preso, vou ter 3 alimentações completas, banho de sol, salário, não precisarei acordar cedo pra ir trabalhar, vou ter representantes dos direito humanos puxando meu saco, tbm não vou perder 5 meses do meu salário em impostos.

Morto tbm já estou, pq não posso ficar contigo, ver vc crescer, desfrutar a vida contigo por causa de um sistema feminista e umas loucas. Filho tenha certeza que não será só nos dois quem vamos nos foder, vou levar o máximo de pessoas daquela família comigo, pra isso não acontecer mais com outro trabalhador honesto. Agora vão me chamar de louco, más quem é louco? Eu quem quero justiça ou ela que queria o filho só pra ela? Que ela fizesse inseminação artificial ou fosse trepar com um bandido que não gosta de filho.

No Brasil, crianças adquirem microcefalia e morrem por corrupção, homens babacas morrem e matam por futebol, policiais e bombeiros morrem dignamente pela profissão, jovens do bem (dois sexos) morrem por celulares, tênis, selfies e por ídolos, jornalistas morrem pelo amor à profissão, muitas pessoas pobres morrem no chão de hospitais para manter políticos na riqueza e poder!

Eu morro por justiça, dignidade, honra e pelo meu direito de ser pai! Na verdade somos todos loucos, depende da necessidade dela aflorar! A vadia foi ardilosa e inspirou outras vadias a fazer o mesmo com os filhos, agora os pais quem irão se inspirar e acabar com as famílias das vadias. As mulheres sim tem medo de morrer com pouca idade.

Aproveitando, peço aos amigos que sabem da minha descrença, que não rezem e por mim, se fazerem orações façam por meu filho ele sim irá precisar! Quero ser enterrado com a cabeça para baixo se garante que assim posso ir pro inferno buscar a velha vadia (que era até ministra de comunhão na igreja) que morreu antes da hora. Demorei pra matar ela pq me apaixonei por um anjo lindo!

(...)

Ela não merece ser chamada de mãe, más infelizmente muitas vadias fazem de tudo que é errado para distanciar os filhos dos pais e elas conseguem, pois as leis deste paizeco são para os bandidos e bandidas. A justiça brasileira é igual ao lewandowski, (um marginal que limpou a bunda com a constituição no dia que tirou outra vadia do poder) um lixo!

Se os presidentes do país são bandidos, quem será por nós?

Filho, não sou machista e não tenho raiva das mulheres (essas de boa índole, eu amo de coração, tanto é que me apaixonei por uma mulher maravilhosa, a Kátia) tenho raiva das vadias que se proliferam e muito a cada dia se beneficiando da lei vadia da penha!

Não posso dizer que todas as mulheres são vadias! Más todas as mulheres sabem do que as vadias são capazes de fazer!

Filho te amo muito e agora vou vingar o mal que ela nos fez! Principalmente a vc! Sei o qto ela te fez chorar em não deixar vc ficar comigo qdo eu ia te visitar. Saiba que sempre te amarei! Toda mulher tem medo de morrer nova, ela irá por minhas mãos!"

"(...) eu ia matar as vadias (eu já tinha a arma e raspei a numeração pra não prejudicar quem me vendeu, ela precisava de dinheiro). Família de policial morto não recebe tantos benefícios com a família de presos. Cadê os ordinários dos direitos humanos? Estão sendo presos por ajudar bandidos né? Paizeco de bosta.

Sei que me achava um frouxo em não dar uns tapas na cara dela, más eu não podia te dizer as minhas pretensões em acabar com ela! Tinha que ser no momento certo. Quero pegar o máximo de vadias da família juntas.

A injustiça campineira me condenou por algo que não fiz! Espero que eles sejam punidos de alguma forma. Chega!! Ela tem que pagar pelo que fez."




quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Coronel, religioso e... pedófilo!


Lamentamos ter que divulgar essas notícias nojentas, mas esta continua sendo a melhor maneira de alertar as pessoas a tomarem cuidado quando se trata de proteger crianças indefesas.

Na dúvida, desconfie sempre e denuncie às autoridades competentes. Todo cuidado é pouco.

A matéria é do El País:

De dia, coronel religioso. De noite, suspeito de estuprar crianças

Coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro é flagrado com criança de dois anos nua no seu carro

O coronel da reserva da PM Pedro Chavarry Duarte, de 62 anos, estava, no sábado, dentro de um carro no estacionamento de uma lanchonete no bairro de Ramos, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ), quando ouviu as sirenes de uma viatura se aproximarem. Tentou fugir, pois no interior do veiculo havia uma menina de dois anos nua, confirmando a denuncia anônima que os agentes tinham recebido. O coronel, que era o presidente da Caixa Beneficente da Polícia Militar do Rio, quis subornar os policiais, mas acabou sendo preso sob suspeita de ter cometido estupro de vulnerável ­– crime que pode ser castigado com até 15 anos de prisão – e corrupção ativa – com pena de até 12 anos. Não era a primeira vez que Chavarry, homem que se declara profundamente religioso, via-se implicado em um caso que envolvesse crianças: em 1993, segundo O Globo, Chavarry foi preso por suspeita de tráfico de bebês, mas não foi condenado.

“Segunda-feira, eu resolvo tudo. Vamos acabar com essa ocorrência, entendeu? Eu resolvo tudo. Segunda-feira vai fazer sol. Está ventando hoje”, disse Chavarry a um dos policiais que o abordaram. Este, enquanto gravava a cena com o celular, responde que não está entendendo e o coronel prossegue: “Segunda-feira, eu resolvo tudo. Quero saber sua escala. Você vai me procurar e eu vou te procurar. Você e o seu parceiro. Tá certo? Fica atento para acabar com essa ocorrência, tá? Dentro das normas”.

A investigação aponta que várias testemunhas declararam que Chavarry costumava andar acompanhado de crianças. Durante a abordagem, uma mulher disse aos policiais que ele cuidava dessa menina de dois anos e de uma outra de 12. Outra mulher informou que ele pagava para sair com elas. Uma outra testemunha, que trabalha perto da lanchonete onde ele foi preso, declarou que já tinha visto o coronel acompanhado de meninas em outras ocasiões. Segundo o jornal O Dia, foi uma funcionária da lanchonete quem se alarmou quando entregou o lanche ao acusado no carro e viu a menina nua. “Ela voltou ao caixa assustada e falou com a gente. Disse que a menina estava nua, de pernas abertas, e que não foi a primeira vez que viu esse homem aqui. No outro dia, era um menino”, contou ao jornal outra funcionária.

A menina foi levada ao coronel por Thuanne Pimenta dos Santos, de 23 anos, que teve a prisão temporária decretada. O irmão dela é casado com uma tia da criança. A jovem, que fazia serviços de faxina para o coronel, não deixou claro o que ela fazia com a criança, enquanto a mãe dela trabalhava, nem por que a deixou nas mãos do militar. “Ela entrou em múltiplas contradições durante o depoimento, mas há indícios de que ela entregou a criança propositalmente ao coronel”, explica a delegada responsável pelo caso, Cristiana Bento. Thuanne também trabalhou para Chavarry distribuindo panfletos quando este resolveu se candidatar, sem sucesso, a deputado federal pelo Partido Social Liberal (PSL) em 2014.

A Polícia Civil investiga agora se há mais pessoas envolvidas e se o coronel pode formar parte de um esquema muito maior de tráfico de crianças. “Pense na quantidade de meninos e meninas que desaparecem todo ano. Temos que investigar a fundo, quem sabe se o caso não tem relação com alguns desses sumiços”, explica Bento.

Chavarry, formado em direito e com mais de quatro décadas na corporação, ocupava a presidência da Caixa Beneficente da PM, que dispõe de uma rede de benefícios de aposentadoria para os associados, há seis anos. Seu currículo contempla passagens pelos gabinetes de quatro comandantes-gerais, cargo como relações públicas da Polícia Militar ou membro da mesa diretora da irmandade de Nossa Senhora das Dores da PM. Nas publicações da instituição exalta-se a figura do seu presidente como gestor e homem estratégico, além de um homem religioso e de família. Num perfil, publicado pelo jornal da Caixa Beneficente pouco depois de ele assumir a presidência, Chavarry conta que deve todo o seu sucesso a Deus e aos companheiros de trabalho e lamenta não passar mais tempo com sua mulher e sua filha: “Após uma carreira de 37 anos, em que não tive Carnaval, Natal e Ano Novo, assumi uma empreitada dessa magnitude. Eu deveria estar aposentado e curtindo mais a minha família. Eles têm, infelizmente, ficado em segundo plano”.

Questionado sobre o que gosta de fazer nas horas vagas, ele responde determinado: “No meu tempo livre, eu tenho dedicação à Igreja Católica Apostólica Romana, onde costumo participar ativamente das atividades religiosas. Em outras ocasiões, costumo tirar alguns dias para viajar com a família e recuperar as forças”. Neste domingo, Chavarry não participou das liturgias que ele dizia frequentar. Está preso no Batalhão Especial Prisional (BEP) da PM, em Niterói.



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Pesquisa do IBGE mostra que 4% dos adolescentes sofreram abuso sexual

Foto: Fábio Motta / Estadão

Os dados assustadores foram publicados no Estadão:

4% dos adolescentes entre 13 e 15 anos sofreram abuso sexual, diz IBGE

Entre os jovens forçados a ter relações, 11% disseram que o agressor foi pai, mãe, padrasto ou madrasta; 26,6% afirmaram que foi namorado, namorada ou amigo

Luciana Nunes Leal

RIO - Pela primeira vez, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), coordenada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), investigou casos de jovens que tiveram relação sexual forçada, violência que atingiu 4%, ou 105,2 mil alunos.

A pesquisa foi realizada em todo País entre abril e setembro de 2015, com 102.301 alunos do 9º ano do ensino fundamental, de um universo de 2,630 milhões de estudantes desta série. Entre os entrevistados, 88% tinham de 13 a 15 anos - 51% tinham 14 anos, idade adequada para este nível de ensino.

RIO - Pela primeira vez, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), coordenada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), investigou casos de jovens que tiveram relação sexual forçada, violência que atingiu 4%, ou 105,2 mil alunos.

A pesquisa foi realizada em todo País entre abril e setembro de 2015, com 102.301 alunos do 9º ano do ensino fundamental, de um universo de 2,630 milhões de estudantes desta série. Entre os entrevistados, 88% tinham de 13 a 15 anos - 51% tinham 14 anos, idade adequada para este nível de ensino.

Entre os meninos, 3,7% relataram ter sofrido abuso e entre as meninas, 4,3%. Os casos são mais frequentes nas escolas públicas (4,4%) do que particulares (2%).

Entre os forçados a ter relações sexuais, 11% disseram que o agressor foi pai, mãe, padrasto ou madrasta e 19% responderam ter sido outros parentes. A maior parte dos alunos (26,6%) disse ter sido obrigada a transar com namorados ou namoradas e com amigos (21,8%).

Entre os jovens, 14,5% (381,3 mil) disseram ter sido agredidos fisicamente por algum parente nos trinta dias anteriores à pesquisa. Houve pequena diferença entre escolas públicas (14,8%) e privadas (13%).



terça-feira, 9 de agosto de 2016

Padre pedófilo que ficou mundialmente conhecido se suicida em MG

A informação é da Agência Brasil:

Padre pedófilo citado no filme Spotlight se suicida em presídio de Três Corações

Leo Rodrigues

O padre Bonifácio Buzzi, que estava preso por pedofilia em um presídio de Três Corações (MG), foi encontrado morto ontem (7). Ele tinha 57 anos e estava em uma cela individual. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) do Governo de Minas Gerais, ele cometeu suicídio se enforcando com uma teresa (corda) feita utilizando um lençol.

O caso do padre é citado no filme Spotlight, um dos vencedores do Oscar 2016, que se baseia na história real do trabalho de repórteres do jornal norte-americano The Boston Globe, que desvendou como a igreja católica escondia crimes de pedofilia. Em 2015, Bonifácio Buzzi figurou na lista internacional de sacerdotes que abusaram sexualmente de crianças e adolescentes.

Crimes em série

Ao fim do filme, junto aos créditos, é apresentada a lista de cidades onde esses crimes foram cometidos. Mariana (MG) é citada por ser o município onde Bonifácio Buzzi abusou de um garoto de 9 anos. O caso ocorreu em 2001 no distrito de Mainart. O padre foi condenado a 20 anos de prisão e ficou preso entre 2007 a 2015, quando passou a cumprir a pena em liberdade.

Entretanto, novas denúncias o levaram de volta à prisão. Após ser colocado em liberdade no ano passado, ele teria abusado sexualmente de dois meninos na zona rural de Três Corações (MG).

A suspeita levou um juiz da cidade a determinar sua prisão preventiva. Bonifácio Buzzi foi encontrado na última sexta-feira (5), em Barra Velha (SC), numa ação que contou com a cooperação de policiais catarinenses. No sábado, Bonifácio Buzzi deu entrada no presídio de Três Corações (MG), um dia antes de cometer o suicídio.

Edição: Kleber Sampaio



sábado, 9 de julho de 2016

Arcebispo da Paraíba renuncia após polêmica sobre pedofilia no clero


A notícia é do HuffPost Brasil:

Papa aceita renúncia de bispo paraibano acusado de acobertar padres pedófilos

O papa Francisco aceitou a renúncia de um bispo brasileiro acusado de fazer vista grossa a supostos padres pedófilos de sua diocese, informou o Vaticano nesta quarta-feira (6).

O Vaticano disse que Francisco acolheu a abdicação do bispo paraibano Aldo di Cillo Pagotto, de 66 anos, citando uma determinação da lei eclesiástica da Igreja Católica segundo a qual os bispos têm obrigação de se demitir se estiverem doentes ou se houver uma "causa grave".

Em circunstâncias normais, ele teria continuado na função até completar 75 anos.

No ano passado, a igreja tirou de Pagotto o poder de ordenar padres, enquanto as acusações contra ele eram investigadas.

Pagatto foi acusado de permitir que homens se inscrevessem nos seminários de sua diocese para se tornarem padres, mesmo tendo sido rejeitados em outros locais do país por serem suspeitos de pedofilia.

Em uma carta publicada no site da diocese, Pagotto disse:
"Acolhi padres e seminaristas com a intenção de lhes oferecer novas oportunidades na vida. Mais tarde alguns se tornaram suspeitos de terem cometido faltas graves... cometi erros por confiar demais, com misericórdia ingênua."
No mês passado, Francisco emitiu um novo decreto dizendo que no caso de bispos que se descobrir terem sido negligentes ao lidar com casos de abuso sexual podem ser investigados e afastados do ofício se não pedirem para renunciar.

O decreto exige que o Vaticano inicie uma investigação se forem encontrados "indícios sérios" de negligência. O bispo tem chance de se defender. Em última instância, o Vaticano pode emitir um decreto para afastá-lo ou pedir que renuncie dentro de 15 dias.

O porta-voz do Vaticano disse que o caso de Pagatto foi tratado segundo os procedimentos pré-existentes.



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

TJSC condena tia que abusou de sobrinho

A depravação humana continua sem conhecer limites, conforme mostra a notícia do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:

Tia que abusou de sobrinho de apenas sete anos tem condenação mantida pelo Tribunal

A 1ª Câmara Criminal do TJ confirmou sentença que condenou uma mulher à pena de nove anos e sete meses de prisão por abuso sexual cometido contra o próprio sobrinho, de apenas sete anos. Segundo a denúncia, a tia se aproveitava do laço familiar com a criança e levava filmes pornográficos para assistirem enquanto estavam sós. Durante as sessões, a mulher perpetrava os ataques, cujos avanços assustaram a criança até forçá-la a se queixar para pais e professores.

A defesa, em apelação, pediu absolvição por inexistência de provas além dos depoimentos da vítima, contraditórios entre si. Creditou a denúncia a vingança arquitetada pela mãe da criança, cunhada da ré, enraivecida após separar-se do marido. Seus argumentos, contudo, não foram levados em consideração. A câmara entendeu que os depoimentos prestados pela vítima e testemunhas foram firmes e coerentes entre si.

Para a desembargadora Marli Mosimann, não se vislumbrou nenhum elemento indicador de que os fatos tenham sido fruto de invenções do menino, ou que este tenha sido influenciado a relatar tais acontecimentos. Segundo a magistrada, apesar de a vítima ter tenra idade, seus depoimentos foram esclarecedores, nada contraditórios e muito menos incoerentes. "Os relatos da criança são vívidos", acrescentou. A decisão foi unânime.

Responsável: Ângelo Medeiros - Reg. Prof.: SC00445(JP) 
Textos: Américo Wisbeck, Ângelo Medeiros, Daniela Pacheco Costa e Sandra de Araujo



domingo, 2 de agosto de 2015

Mórmons não querem líderes gays dos escoteiros nos EUA


Matéria publicada no IHU:

Igreja Mórmon dos EUA se opõe a decisão dos escoteiros de permitir líderes gays


A organização de escoteiros Boy Scouts of America suspendeu na segunda-feira (27/7) sua proibição nacional de líderes adultos abertamente homossexuais. 



A reportagem é de Erik Eckholm, publicada pelo jornal The New Yorl Times e reproduzida pelo portal Uol, 29-07-2015.

A nova política, entretanto, permite que as unidades patrocinadas por igrejas escolham os líderes das unidades locais que compartilham seus preceitos, mesmo que isso signifique a restrição desses cargos a homens heterossexuais.

Mesmo com esta exceção, a Igreja Mórmon disse que poderá deixar a organização. Sua postura surpreendeu a muitos e levantou dúvidas se outros patrocinadores conservadores, incluindo a Igreja Católica Romana, não seguirão o exemplo.

"A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está profundamente preocupada com o resultado da votação de hoje pelo Conselho Executivo Nacional dos Boy Scouts of America", disse um comunicado emitido pela igreja momentos depois dos escoteiros anunciarem sua nova política. "Quando a liderança da Igreja retomar a sua programação regular de reuniões em agosto, a associação de um século com os escoteiros terá de ser reavaliada".

Há apenas duas semanas, a Igreja Mórmon deu a entender que poderia permanecer associada ao grupo, desde que suas unidades pudessem escolher seus próprios líderes.

Os principais líderes escoteiros, incluindo Robert M. Gates, atual presidente e ex-secretário de defesa que promoveu a nova política, não responderam imediatamente à declaração mórmon. Em declarações anteriores, Gates manifestou a esperança de que, com a aprovação da isenção para grupos religiosos, os escoteiros pudessem evitar uma fragmentação devastadora.

Muitos líderes dos Boy Scouts of America disseram que não esperavam a resposta dura da Igreja Mórmon e sua ameaça de deixar a parceria.

"Minha suposição era de que a decisão votada hoje tinha sido avaliada, de modo a evitar surpresas desnecessárias", disse Jay Lenrow, líder escoteiro e voluntário de longa data em Baltimore, que está no comitê executivo da região nordeste e atua no comitê nacional de relações religiosas da organização.

"Eu só posso dizer que eu estou esperançoso de que, quando a liderança da Igreja se reunir e discutir a questão, encontrará uma maneira de continuar a apoiar os escoteiros", acrescentou Lenrow.

Os mórmons usam os Boy Scouts of America como sua principal atividade não religiosa para meninos, e as unidades que patrocinam foram responsáveis por 17% de todos os jovens no escotismo em 2013, o último ano para o qual foram publicados dados.

Sob a política adotada na segunda-feira, a discriminação com base na orientação sexual também será banida em todos os escritórios dos Boy Scouts of America e todos os empregos remunerados –uma medida que visa evitar ações na justiça em Nova York, Colorado e outros Estados que proíbem a discriminação no emprego.

Uma ameaça jurídica foi imediatamente evitada. Em resposta à mudança, o procurador geral de Nova York, Eric T. Schneiderman, anunciou na segunda-feira que seu escritório estava arquivando sua investigação dos escoteiros por violação das leis estaduais de combate à discriminação.

O conselho executivo nacional dos escoteiros, composto de 71 líderes civis, empresariais e da igreja, aprovou as alterações com 79% dos votos daqueles que participaram da reunião por telefone, de acordo com um comunicado emitido pelos escoteiros. O anúncio não disse quantos conselheiros estavam ausentes.

A mudança de política, que já era esperada, foi amplamente vista como um divisor de águas para uma instituição que tem enfrentado crescente turbulência sobre a sua posição em relação a pessoas homossexuais, enquanto se esforça para deter um declínio de longo prazo. Ela foi elogiada por organizações de defesa dos direitos gays como um grande passo, apesar de incompleto, para acabar com a discriminação.

Em 2013, enfrentando crescente pressão pública e interna, os escoteiros decidiram que jovens abertamente gays poderiam participar das atividades, mas não adultos. Essa abordagem não satisfez a ninguém. Ela forcou a expulsão dos homossexuais Eagle Scouts quando completavam 18 anos, mas ainda não impediu a saída de alguns conservadores.

Gates fez uma advertência urgente em maio dizendo que, por causa da cascata de mudanças sociais e legais, a organização não tinha escolha senão acabar com a proibição de líderes gays.

Em uma declaração em 13 de julho, a Igreja Mórmon pareceu sugerir que aceitaria a solução adotada na segunda-feira. A declaração dizia que qualquer novo padrão de liderança deveria preservar "o direito de selecionar líderes escoteiros que adiram aos princípios morais e religiosos consistentes com nossas doutrinas e crenças".

Mas o tom da declaração dos mórmons de segunda-feira após o anúncio formal da nova política de Escoteiros foi marcadamente mais negativo.

"A Igreja sempre recebeu todos os meninos em suas unidades de escoteiros, independentemente da orientação sexual", disse a declaração da sede da Igreja Mórmon. "No entanto, a admissão de líderes abertamente homossexuais é incompatível com as doutrinas da igreja e os valores tradicionais dos Boy Scouts of America".

A declaração também sugeriu outra razão pela qual os mórmons estão pensando em deixar os Boy Scouts of America: a possível criação de uma organização similar própria para servir aos seus membros em todo o mundo.

"Como uma organização global com membros em 170 países, a Igreja há muito vem avaliando as limitações que metade de seus jovens enfrenta onde o escotismo não está disponível", disse o comunicado.

Algumas igrejas evangélicas conservadoras cortaram os laços com os escoteiros após a decisão de 2013 ao admitir jovens abertamente gays. O total de jovens matriculados, que tinha declinado em alguns pontos percentuais em muitos anos anteriores, caiu 6% em 2013 e 7% em 2014, para 2,4 milhões.

É provável que outros conservadores religiosos se afastem, disse Russell D. Moore, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul. Moore expressou ceticismo sobre a promessa dos escoteiros em deixar que unidades patrocinadas pela igreja excluíssem líderes gays por motivos religiosos.

"Depois que os escoteiros mudaram a regra de adesão, eles disseram aos grupos religiosos que isso não afetaria as lideranças", disse ele. "Agora, estão dizendo que essas mudanças não afetarão os grupos de base religiosa. As igrejas sabem que esta é a palavra final somente até o próximo desdobramento".

Por outro lado, com a mudança de segunda-feira, os executivos dos escoteiros esperam renovar os laços com doadores corporativos, escolas e órgãos públicos e atrair pais que tinham afastado seus filhos do escotismo por causa de sua política.

"Vamos continuar a focar em alcançar e servir os jovens, ajudando-os a crescer para se tornarem cidadãos bons e fortes", disse o comunicado dos Boy Scouts of America na segunda-feira.

O desafio mais difícil, dizem os líderes escoteiros, talvez seja conquistar o tempo e o entusiasmo dos jovens cada vez mais urbanos, diversificados e atarefados de hoje. Para aumentar seu apelo, os escoteiros construíram novos campos de aventura com atividades como mountain bike e tirolesa, e criaram novas medalhas de mérito em áreas como robótica e animação.



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