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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Tribunal Federal de SP autoriza inseminação artificial com espermatozoides do cunhado

Boaz "resgata" Rute, pela antiga lei do levirato, agora revisitada pelo TRF-3.

O que não deixa de ser uma espécie de retorno à antiga lei judaica que mandava o irmão mais novo gerar descendência ao irmão falecido (Deuteronômio 25:5-10).

Aquela era a antiquíssima "lei do levirato" (ou levirado), que - quem diria! - parece que está ganhando nova interpretação em pleno século XXI, claro que adaptada aos usos e costumes atuais.

No caso, parece que o irmão casado com a futura mãe não faleceu, e a descendência que lhe será gerada pelo irmão (cunhado da progenitora) se dará por inseminação artificial, mas o cunhado desde já fica sabendo que jamais poderá exigir quaisquer direitos em relação ao filho que apenas biologicamente é seu.

O Velho Testamento é pródigo em relatos do levirato, cuja interpretação foi bastante expandida (para outros parentes do lado masculino) ao longo dos séculos, desde a relação de Tamar, Onã e Judá (Gênesis 38) até Rute e Boaz (Rute 4). 

Como diria o Pregador em Eclesiastes, "não há nada de novo sob o sol" (Eclesiastes 1:9).

Estranhezas à parte, não deixa de ser digna de nota a relação de amor e confiança que envolve esta família abençoada, não é mesmo?

A informação curiosa vem do TRF-3  Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS):

TRF3 AUTORIZA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM MULHER COM ESPERMATOZÓIDES DO CUNHADO

Anonimato pleiteado pelo Conselho de Medicina só deve proteger doador ou receptores quando não há interesse em se conhecer a origem dos gametas

A Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) deu provimento à apelação de um casal para a realização de inseminação artificial na mulher a partir de espermatozóides doados pelo cunhado (irmão do marido).

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) era contra o procedimento, afirmando que violaria as normas éticas previstas na Resolução 2.121/2015 do Conselho Federal de Medicina e que a doação dos gametas deveria ser anônima.

Os julgadores entenderam que o caso deve ser analisado a partir do artigo 226, parágrafo 7, da Constituição Federal, que trata do planejamento familiar. Afirmaram que o artigo 9 da Lei 9.263 de 1996, que regula o dispositivo, garante liberdade de opção quanto aos métodos e técnicas de concepção e contracepção cientificamente aceitos, desde que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas.

Para os desembargadores federais, não haveria impedimento na realização da fertilização, uma vez que nada indica que a utilização dos gametas do irmão do impetrante (marido) possa colocar em risco a integridade física da futura mãe, do pai ou mesmo do nascituro.

“O que deve ser analisado é se a lei que rege o planejamento familiar impede que, por ato voluntário e consciente, os doadores de gametas conheçam a identidade dos receptores e vice-versa. Com efeito, a resposta é negativa”, afirmou o voto.

Segundo o acórdão, o anonimato previsto na Resolução 2.121 de 2015 do Conselho Federal de Medicina visa proteger o doador ou os receptores quando não existe interesse ou vontade de se conhecer a origem dos gametas fornecidos.

Assim, a Quarta Turma autorizou o procedimento, mas ressaltou que o pai biológico, no caso o irmão do impetrante, não poderá futuramente, para quaisquer fins, postular o reconhecimento da paternidade da criança gerada a partir de seu espermatozóide, nem tampouco a criança poderá fazê-lo em face do pai biológico.

Os nomes dos envolvidos foram omitidos, pois o processo tramita sob segredo de justiça.

Assessoria de Comunicação Social do TRF3

Tamar teve muito trabalho para fazer seu sogro Judá cumprir a lei do levirato - Gênesis 38




segunda-feira, 10 de abril de 2017

Caderno 2 do Estadão resenha Bíblia de Estudo da Reforma da SBB


É raro, para não dizer "inédito", que a edição de uma Bíblia (ainda mais de tradição protestante) consiga penetrar no catálogo secular de resenhas literárias publicadas na imprensa em geral.

Parece que os 500 anos da Reforma Protestante, a serem comemorados no próximo mês de outubro, já produziram este primeiro milagre em terras tupiniquins.

Quem rompeu este cerco sagrado no sábado passado foi a Bíblia de Estudo da Reforma, com uma interessante e honesta resenha que pode ser lida no Estadão:

'Bíblia de Estudo da Reforma' traz ampla biografia de Martinho Lutero

Obra faz homenagem ao monge alemão

José Maria Mayrink

O mais novo lançamento da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) é uma homenagem a Martinho Lutero, por sua dedicação às Escrituras Sagradas, centro e base de sua espiritualidade e de sua teologia. O luxuoso volume da Bíblia de Estudo da Reforma, de 2.304 páginas, abre com minuciosa biografia do monge agostiniano alemão que rachou a Igreja Católica no século 16 e inaugurou uma nova comunidade cristã, embora não fosse sua intenção se separar de Roma.

Além da vida de Lutero, ilustrada por belas gravuras dele, de sua mulher Catarina von Bora, de seus pais e de vários personagens da época, aliados ou adversários, com fotografias das casas, conventos e igrejas, essa edição da Bíblia reproduz os prefácios que o reformador escreveu para cada livro do Antigo e do Novo Testamento.

É uma edição rica na apresentação, capa em couro sintético, e riquíssima no conteúdo. Mais de 40 mil notas de rodapé, cerca de 120 quadros, mapas e diagramas, 220 artigos e introduções aos textos bíblicos e citações dos pais ou padres da igreja, a começar por São Jerônimo, autor da Vulgata, em latim, são fruto do trabalho de tradutores e revisores da Sociedade Bíblica do Brasil. O original de todo esse material é da The Lutheran Study Bible, publicado em 2009 pela Concordia Publishing House, nos Estados Unidos. A tradução do texto bíblico é de João Ferreira de Almeida, revista e atualizada. O mesmo texto, portanto, usado em todas as edições SBB.

A história de Lutero narra cronologicamente em detalhes os primeiros passos de sua vocação religiosa, a rotina no convento de Erfurt, a viagem a Roma, o combate à venda de indulgências, o casamento com a ex-monja Catarina von Bora e a propagação pela Europa da doutrina evangélica que ficou conhecida como protestantismo. Por tabela, o texto divulga o perfil de papas, príncipes e teólogos no cenário político da Alemanha. É uma biografia densa, suficiente para dar aos leitores uma visão clara e, enquanto possível, imparcial de Martinho Luder, sobrenome que ele mudou para Lutero, ou Elêuteros, em grego, cujo significado se traduz por livre ou independente.

“Essa edição é uma contribuição grande para as igrejas evangélicas na comemoração dos 500 anos da Reforma pelas abundantes citações de Lutero e pela transcrição de textos dele”, disse o reverendo Erni Walter Seibert, secretário de Comunicação, Ação Social e Arrecadação, da Sociedade Bíblica do Brasil. Lançada em fevereiro com 11 mil exemplares, a Bíblia de Estudo da Reforma deverá dobrar a tiragem até o fim do ano. Conforme observa Seibert, o reformador Martinho Lutero provocou uma revolução na teologia, com repercussão na política e na educação. Sua tradução da Bíblia para o vernáculo, contribuiu para a unificação da língua alemã e deu ao povo a possibilidade de ler os textos sagrados, antes só disponíveis em latim.

Algumas observações na narração da vida de Lutero são particularmente interessantes. Por exemplo, a suspeita de que não foi do próprio reformador, mas de seguidores seus, a iniciativa de afixar as 95 teses contra as indulgências na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, onde ele costumava pregar. Outra informação, curiosa e honesta para um texto quase hagiográfico, é o registro da aversão de Lutero aos judeus. Depois de ter aconselhado uma mudança de atitude em relação ao povo judaico nos anos 1520, ele escreveu a obra A Respeito dos Judeus e de Suas Mentiras, publicada em 1543, na qual afirma que os judeus não passam de filhos de Satanás e que a presença deles entre os cristãos representaria um grande perigo para todos os crentes.

“Hoje, essas ofensas que Lutero, ao final de sua vida, proferiu contra os judeus são vistas como a principal mácula na biografia do Reformador”, observa o texto da Bíblia de Estudo da Reforma, acrescentando que “por ter sido tão rigoroso em seus juízos e pronunciamentos, Lutero não foi seguido em tudo, nem mesmo por seus contemporâneos e enquanto ele ainda vivia”.

O professor luterano Lauri Wirth contou ao Estado que, ao ler na sala de aula trechos do que Lutero escreveu sobre os judeus, seus alunos da Universidade Metodista de São Bernardo do Campo disseram que não sabiam quem era o autor, mas que só podia ser um nazista.

A Bíblia de Estudo da Reforma soma-se à Bíblia Sagrada com Reflexões de Lutero, lançada em 2012 pela SBB, que também apresenta uma breve biografia, comentários sobre alguns trechos dos dois Testamentos, o Catecismo Menor para pastores e pregadores indoutos e, uma preciosidade, uma seleção de hinos compostos por Martinho Lutero, com a transcrição de letra e partitura.

BÍBLIA DE ESTUDO DA REFORMA
Tradução: Almeida Revista e Atualizada
Editora: Sociedade Bíblica do Brasil (2.304 págs.,R$ 159,90)



domingo, 19 de fevereiro de 2017

A Bíblia na língua dos esquimós


A informação é da Gaudium Press:

Bíblia é traduzida para o idioma dos esquimós

Toronto - Canadá (Sexta-feira, 17-02-2017, Gaudium Press) A Bíblia foi o primeiro livro impresso no mundo e já foi traduzida para inúmeros idiomas. Agora foi divulgada uma nova tradução das Sagradas Escrituras para o idioma 'inuíte', a língua dos esquimós, um dos poucos idiomas que não possuía uma versão do livro sagrado.

Recentemente estudiosos e biblistas do Alasca, Nunavut e da Groenlândia se reuniram em Toronto, Canadá, para o primeiro congresso sobre a tradução da Bíblia para este idioma, que é usado pelos habitantes do Ártico além de aproximadamente 30 mil esquimós que vivem no Canadá, no Alasca e na Groenlândia.

A tradução demandou um trabalho de 30 anos. Em 2012 a Bíblia havia sido traduzida para um dialeto do 'inuíte', o 'inuktitut'. "Traduzir os textos sagrados em vários dialetos locais ajuda a conservá-los e transmiti-los às futuras gerações", afirmou Rejean Lussier, um dos estudiosos que participaram do projeto.

De acordo com os responsáveis pelo projeto, nenhum livro contribuiu tanto para a alfabetização e a conservação da língua tradicional da população do Ártico como a Bíblia. (EPC)



domingo, 14 de dezembro de 2014

Mais reis que deuses no novo filme sobre Moisés


Resenha publicada no IHU:

Êxodo, mais reis que deuses. Um colossal com pouca inspiração


Êxodo: Deuses e Reis nos recorda que o relato bíblico é uma fonte inesgotável de argumentos para o cinema. Neste caso colocando a serviço do espetáculo audiovisual todo o novo aparato tecnológico (3D, efeitos especiais especialmente para as massas e nas pragas, assim como para reconstruções históricas do contexto). O argumento centra-se na rivalidade entre Moisés e Ramsés, com a vitória do primeiro, que abre o caminho para a libertação de seu povo obedecendo ao mandamento de Deus, neste caso representado, com originalidade e acerto, por uma criança. 


A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 06-12-2014. A tradução é de André Langer.


O britânico Ridley Scott já havia ressuscitado o gênero do peplum(*) no oscarizado Gladiador (2000), onde um bom roteiro ficou completado com uma grande produção que contou com as atuações destacadas de Russell Crowe e Joaquin Phoenix. Entre seus primeiros filmes recordamos Alien, o 8º passageiro (1979), Blade Runner (1982) e Thelma e Louise (1991), que se converteram em obras de culto. No entanto, em seus últimos filmes parece ter perdido a inspiração. Em que grupo devemos incluir Êxodo: Deuses e Reis? Entre os filmes imprescindíveis ou entre os exclusivamente comerciais?

Se há algo de significativo em Êxodo: Deuses e Reis é uma realização sensacional onde em muitos momentos se vê a mão de um mestre da composição. Ressaltemos especialmente a batalha dos hititas, as 10 pragas e o milagre da passagem do mar. No entanto, o filme se ressente de um roteiro superficial em relação ao estudo das fontes históricas egípcias e bíblicas, com desequilíbrio e desproporção no relato, na falta de dramaticidade dos personagens secundários e na desorientação da temática de fundo. Vê-se que a acumulação de roteiristas, inclusive do sobressalente Steven Zaillian – de quem devemos destacar Tempo de Despertar (1990), A Lista de Schindler (1993) e Gangues de Nova York (2002) – não é sinônimo de acerto.

O filme gira em torno do eixo, durante a maior parte do excessivo metragem (150 minutos), do enfrentamento entre Moisés, o melhor do filme é a atuação de Christian Bale, e Ramsés, correto Joel Edgerton. Ambos sob o olhar, no começo, do faraó Seti, interpretado por John Turturro. Para depois ficar quase sozinho o duelo de interpretações assinalado, com a companhia fugaz e limitada de Nun (Ben Kinsgley), de Séfora a mulher de Moisés interpretada por María Valverde, de Tuya (Sigourney Weaver) e de Josué (Aaron Paul), entre outros. Após uma interessante apresentação da vocação de Moisés no episódio da sarça ardente, um desenvolvimento sensacional das pragas e da passagem pelo mar, o filme acaba mal e com pressa passando na ponta dos pés pelo Sinai e fazendo apenas uma alusão à terra prometida.

O filme referência de Os 10 Mandamentos (1956), do reincidente Cecil B. DeMille, que também fez outro filme com o mesmo título, é um modelo ruim. Os tempos não apenas mudaram nas técnicas, mas também na interpretação dos textos que servem de base. Os grandes temas do relato, assim como a eleição e a aliança, o deserto e a terra prometida ou, em definitiva, a constituição do povo de Deus ficam eclipsados por tanto fogo de artifício.

Pontos obscuros

Teria sido inteligente colocar um narrador-escritor bíblico, o que teria dado mais jogo às possíveis interpretações que vencem uma leitura literal. Assim, por exemplo, a figura do menino para representar Deus teria ficado mais simbolicamente coerente, embora seja uma das melhores descobertas do roteiro. A apresentação das pragas e a questão dos primogênitos oferece mais o espetáculo do que o sentido. Ao final, fica uma imagem de um Deus sádico, por mais menino que seja. A intenção do texto bíblico é ressaltar a defesa por parte de Deus dos primogênitos de Israel como futuro da humanidade. “Deus tem um desígnio para o seu povo e, através dele, para a humanidade; e que a oposição a este desígnio, nesse momento e outras muitas vezes depois, acarreta inevitavelmente sofrimento” (Joseph Blenkinsopp). A ausência de protagonismo de Aarão, Josué e os próprios Nun, Jetro e Séfora concentra muito a ação sobre Moisés apagando a imagem do seu povo. Assistimos, pois, a um bom espetáculo durante duas horas e meia, mas a visão comercial, que segue os mesmos parâmetros das velhas glórias de Hollywood, sacrifica o sentido. Colossal sim, mas com pouca inspiração.

(*) peplum = nome dado ao gênero "espada e sandálias" de filmes, geralmente bíblicos (do grego antigo πέπλος , translit. péplos: 'túnica')



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Já existe Bíblia com GPS


Bom, não é exatamente isso o que você está pensando, mas aproveite para ler a matéria que foi publicada no Estadão:

A 'Bíblia' se diversifica para atrair mais leitores

JOSÉ MARIA MAYRINK

Edições requintadas convivem com outras despojadas

De edições despojadas de uso cotidiano a versões requintadas para pesquisa e estudo, as editoras evangélicas e católicas usam a criatividade no marketing, o aprimoramento das traduções e uma renovação gráfica aprimorada para atrair mais leitores da Bíblia, o livro mais vendido no mercado editorial.

A Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) distribuiu mais de 131 milhões de textos das Escrituras Sagradas, desde a inauguração de sua gráfica, em setembro de 1995, até 25 de outubro de 2014. Foram 114.926.286 da Bíblia completa e 16.742.102 do Novo Testamento.

Em 2013, foram distribuídas 7.910.360 exemplares do Antigo Testamento, com crescimento de 7% em comparação com o ano anterior. Essa tem sido a média anual, informa o pastor luterano Erni Seibert, secretário de Comunicação e de Ação Social da SBB.

O total de Escrituras - somando-se a Bíblia completa, Novo Testamento, livretos com trechos escolhidos e folhetos - alcança 265.151.267 de publicações. A SBB tem parceria com Edições Paulinas, católica, para publicação da Bíblia católica, com os oito livros canônicos não reconhecidos pela Reforma protestante.

“Um de nossos lançamentos mais recentes é a Bíblia GPS, projeto vindo da Alemanha e climatizado no Brasil, com um roteiro de referências e mapas que ajuda o leitor a situar-se no texto”, explica Seibert. A interligação entre diferentes passagens permite ao leitor ter acesso a informações, por exemplo, sobre que relação existe entre o Antigo e o Novo Testamento. O termo GPS, moderno instrumento de localização para se traçar um roteiro entre pontos geográficos, deve ser entendido, nessa apresentação das Escrituras, como uma analogia.

O texto inclui-se na série de edições destinadas a acadêmicos e estudiosos, mas, ao alcance dos leitores comuns, na grande maioria evangélicos de várias igrejas. A mesma coisa ocorre com outras versões da Bíblia. A SBB adapta apresentação gráfica e explicações a segmentos bem definidos. A editora tem A Bíblia da Mulher, Bíblia Sagrada Entre Meninas e Deus, Bíblia Missionária de Estudo, Bíblia do Samaritano e outras variações, além de panfletos com histórias bíblicas para crianças. A tradução da maioria delas é a Almeida (Antônio Ferreira de Almeida) Revista e Atualizada, na linguagem de hoje.

No caso da Bíblia GPS, a editora parceira é a Esperança, ligada à Allianz Mission na Alemanha, com trabalhos em mais de 20 países, entre os quais China e Vietnã. Edições do Antigo Testamento em hebraico e do Novo Testamento em grego, nos dois casos com tradução interlinear, são dirigidas a professores, estudantes e biblistas evangélicos, católicos, ortodoxos e judeus.

Uma edição do Novo Testamento, Salmos e Provérbios em chinês, lançada em parceria com a Sociedade Bíblica de Hong Kong, destina-se à colônia chinesa no Brasil e aos cristãos na China. No Brasil, há traduções para línguas indígenas (guarani e kaingang) e para dialetos alemães falados por pequenos grupos no Sul e do Espírito Santo. O Livro de Rute foi publicado em Calon Chibi em parceria da SBB com a Missão Amigos dos Ciganos. A SBB tem também edição em Braile.

O best-seller da editora é a Bíblia de Lutero, editada em 2012. A tradução do alemão para o português (Almeida Revista e Atualizada) é baseada na versão protestante de Martinho Lutero que, na Reforma, lançou as Escrituras em língua vernácula, quando a Igreja Católica só oferecia o texto da Vulgata em latim. Essa edição contém mais de 900 reflexões de Lutero intercaladas no texto e anexos com partituras e hinos de autoria do reformador. Essa Bíblia despertou enorme interesse também entre os católicos, com a aproximação, incentivada pelos últimos papas, entre Roma e os luteranos. A diferença das bíblias evangélicas em relação às católicas é que elas não incluem oito livros que Lutero e outros reformadores não consideram canônicos, ou seja, de inspiração divina.

A publicação anual da SBB corresponde a cinco vezes a tiragem somada da Bíblia nas principais editoras católicas, que venderam ano passado cerca de 1,6 milhão de exemplares. A Ave Maria publicou 600 mil cópias. Seu produto mais conhecido é a Bíblia Sagrada Ave Maria, cuja primeira edição saiu em 1959. Foi uma novidade na época, porque a Igreja Católica não divulgava traduções em português. A editora lançou em 2009 Minha Primeira Bíblia com a Turma da Mônica, em forma de historinhas infantis.

Além da Editora Ave Maria, publicam a Bíblia, em diversos modelos e traduções, as editoras católicas Loyola, Paulinas, Paulus, Santuário e Vozes. Outras editoras, como a da Canção Nova, participam de coedições. A Paulus, dos padres paulinos, lançou, em 2013, a Nova Bíblia Pastoral, em linguagem acessível a tradução feita das línguas originais. Em 1990, Edições Paulinas (das irmãs paulinas) havia publicado a Bíblia Sagrada - Edição Pastoral. O texto só foi ligeiramente revisado. As diferenças mais notáveis estão nas notas de pé de páginas e nos entretítulos. A Bíblia Pastoral é muito utilizada nas comunidades eclesiais de base e nos movimentos populares da Igreja.

Há sete anos no mercado, a Edições CNBB lançou uma versão comemorativa pelos 500 anos de evangelização do Brasil e dos 50 anos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 2001. “No próximo ano, será lançada a Bíblia Sagrada, resultado de oito anos de estudos de doutores em Bíblia”, informa o diretor geral da Edições CNBB, padre Valdeir dos Santos Goulart.



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Novo filme sobre o Êxodo chegará às telas brasileiras no Natal


Nessa era de efeitos digitais que, a bem da verdade, substituem as atuações e os roteiros no cinema, chega mais um filme com temática bíblica, "Exodus - Gods and Kings" ("Êxodo - Deuses e Reis"), cuja estreia está prevista para o dia 25 de dezembro (sim, no Natal!) aqui no Brasil.

Parece que a computação gráfica se tornou uma grande aliada de Hollywood na tarefa de refilmar grandes clássicos inspirados na Bíblia, como o recente "Noé".

Afinal, o sucesso de bilheteria é garantido, o que não pode se dizer a respeito da fidelidade à narrativa bíblica, já que há que agradar uma geração que não vai mais à igreja (até porque fica sentada na frente do computador) e pode não saber do que o filme está falando.

Pelo trailer abaixo, disponibilizado anteontem, 09/07/14, pela 20th Century Fox, você pode perceber que a nova produção inspirada no livro de Êxodo tem lá uma certa linguagem de videogame, uma mescla assim, digamos, de Assassin's Creed com League of Legends mais preocupada - talvez - em atingir esse público jovem não necessariamente religioso.

A julgar pelas imagens do trailer, os bons tempos dos sensacionais (à época) efeitos especiais de "Os Dez Mandamentos" (1956), dirigido por Cecil B. DeMille e com Charlton Heston no papel principal (Moisés, caso você não se recorde) e Yul Brynner como faraó, lembrarão algo parecido como uma televisão a lenha.

"Exodus - Gods and Kings" tem Christian Bale no papel de Moisés (com visual gamer de Prince of Persia) e Joel Edgerton como o faraó Ramsés, sob a direção de Ridley Scott.

Aliás, a filmografia de Ridley Scott dá uma ideia do tipo de abordagem que ele prefere. No extenso currículo do diretor, você pode encontrar blockbusters como "Alien, o Oitavo Passageiro (1977)", "Blade Runner, o Caçador de Androides" (1982), "Thelma e Louise" (1991), "1492 - A Conquista do Paraíso" (1992), "Gladiador" (2000) e "Cruzada" (2005).

Confira o trailer então:




sábado, 17 de maio de 2014

Raízes bíblicas da igualdade

Artigo publicado no IHU:

As raízes da igualdade na Bíblia

Cada um é chamado a ser justo em sua geração, mesmo que esta última não o seja; no entanto, por sua vez, a pessoa está necessariamente condicionada pelo ethos de seus contemporâneos.

A opinião é do filósofo e biblista italiano Piero Stefani, especialista em judaísmo e em diálogo judaico-cristão, e ex-professor das universidades de Urbino e de Ferrara. O artigo foi publicado no blog Il Pensiero della Settimana, 04-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O horizonte de gerações na Bíblia, em muitos aspectos, não é muito diferente do atual. Ele indica uma pertença comum, um lugar de transmissão e um terreno em que a comunicação nem sempre é fácil. No entanto, na Bíblia, a palavra "geração" também indica uma dimensão mais fundamental.

Lemos no Gênesis: "Este é o livro das gerações de Adão ('adam) no dia em que Deus criou o homem ('adam), ele o fez à semelhança de Deus (bidmut ' Elohim), macho e fêmea os criou e os abençoou e deu-lhes o nome de 'homem' ('adam), quando foram criados. Adão viveu 130 anos e gerou à sua imagem (zelem) e semelhança (demut) um filho e lhe chamou Set" (Gn 5,1-3 ). Nessa passagem há uma mudança do nome comum "homem" ('adam) para o nome próprio "Adão" ('Adam). Nessa operação está implicitamente afirmada a constituição da pessoa humana como um ser relacional no seu próprio dar-se como homem e mulher (Gênesis 1:27). O nome original de 'adam dado por Deus para o ser humano é uma coisa só com o seu ser homem e mulher; em virtude dessa condição e da bênção selada, o 'adam é capaz de transmitir à próxima geração a mesma imagem e semelhança. Por assim dizer, somos colocados diante do desdobramento de uma propriedade transitiva. O versículo bíblico, de fato, não significa que Set tem apenas a semelhança de seu pai (e onde foi parar a mãe?); isso significa muito mais e que também o filho tem impressa a imagem e semelhança de Deus.

Esse texto (na verdade, julgado pelo velho mestre judeu Ben Azzay como a maior regra da Torá) é a base para a igualdade radical entre toda a humanidade. É um princípio que se transforma em um julgamento final contra todas as formas de desigualdade e exploração da história de ontem e de hoje.

A afirmação da igualdade inter-humana é correta, mas também é isenta de confirmações comuns e compartilhadas dentro da já longa vida do gênero humano. Diante dessa perene negação factual, as alternativas são essencialmente duas: a primeira entrega a perspectiva de igualdade à esfera dos sonhos incapazes de serem refletidos na realidade; com isso, o princípio é privado de todo o julgamento sobre a realidade; a segunda alternativa, no entanto, baseia-se na maravilha do fato de que a humanidade desenvolveu a ideia de que a condição de que todos nós somos iguais é um princípio básico de tal forma a não ser refutado até mesmo por suas perenes negações factuais. Compreende-se por que, justamente nesse ponto, Deus seja chamado em causa.

Por essa ótica, mesmo no caso em que fosse conjugado de forma laica, o "dever ser" aparece, no entanto, mais fundamental do que o "ser". Tudo isso não protege da ansiedade para a condição humana; de fato, precisamente essa perspectiva é a que mais pungentemente destaca a disparidade intransponível entre o que sabemos ser bom e o que realmente acontece. Paulo, que percebeu essa lacuna de forma dramática ("Eu não faço o bem que quero, mas aquele que não quero"), explicou-a, dizendo que vivemos sob o poder do pecado (Rm 7,14-24). A igualdade é posta à prova também pela diversidade de comportamentos assumidos pela humanidade ao longo do tempo. Nesse sentido, nem todas as gerações são idênticas: não há as melhores e as piores. O livro do Gênesis, quando fala de Noé, diz que ele era um homem justo e perfeito em sua geração, a geração do dilúvio (Gn 6,9).

Em sua típica pluralidade de interpretação, o comentário rabínico fornece duas interpretações opostas (ou mais provavelmente complementares) dessa passagem. A primeira diz que é uma limitação: era justo para aquela geração da mesma forma em que o caolho é abençoado no reino dos cegos. Noé era justo em sua geração, mas se ele tivesse vivido naquela de Abraão não teria sido tal. Na verdade, podemos acrescentar que Noé aceita sem questionar a destruição de todos os seus contemporâneos, enquanto Abraão negocia com Deus a salvação das corruptas cidades de Sodoma e Gomorra (Gênesis 18,17-32). A outra interpretação argumenta, por outro lado, que, se alguém fosse capaz de ser justo dentro de uma geração perversa teria sido ainda mais em uma geração melhor.

A conclusão, aparentemente simplista, é que cada um é chamado a ser justo em sua geração, mesmo que esta última não o seja; no entanto, por sua vez, a pessoa está necessariamente condicionada pelo ethos de seus contemporâneos.



sábado, 12 de abril de 2014

Bíblia: a nossa estrada comum


Artigo publicado no IHU:

Bíblia e literatura: o Nazareno beat. 
Artigo de Gianfranco Ravasi


Apesar de toda rejeição ou desmemoriamento, a Bíblia é – nas palavras do título do célebre ensaio de Northrop Frye – "o grande código" da nossa cultura; o Evangelho é a fonte da nossa civilização, como asseverava Kant; e o cristianismo, a "língua materna" da Europa, para usar uma definição bem conhecida de Goethe. 


A opinião é do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado no jornal Il Sole 24 Ore, 30-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto. 

Eis o texto.


Nietzsche estava convencido de que Jesus tinha morrido jovem demais: "De fato, ele mesmo teria renegado a própria doutrina se tivesse chegado à minha idade" (em Assim falou Zaratustra). O autor do Anticristo, então, estava persuadido de que o apóstolo Paulo era um deletério "desangelista", isto é, anunciador de uma "má nova", ao contrário dos evangelistas, e propunha no Ecce Homo a substituição de Dionísio no lugar de Cristo sobre os altares da civilização ocidental, elevando assim Atenas e Roma à ribalta, e afundando Jerusalém nos abismos, ao contrário do que sonhava João no Apocalipse. No entanto, o mesmo filósofo foi forçado a reconhecer em Aurora que, para nós, ocidentais, entre a experiência da leitura dos Salmos e a de Píndaro ou de Petrarca, há a mesma diferença existente entre a pátria e a terra estrangeira.

Não há dúvida: apesar de toda rejeição ou desmemoriamento, a Bíblia é – nas palavras do título do célebre ensaio de Northrop Frye – "o grande código" da nossa cultura; o Evangelho é a fonte da nossa civilização, como asseverava Kant; e o cristianismo, a "língua materna" da Europa, para usar uma definição bem conhecida de Goethe.

Eis, então, há muito tempo, a multiplicação de textos que aprofundam a chamada Wirkungsgeschichte, ou seja, a "história dos efeitos" que as Sagradas Escrituras e, mais em geral, o patrimônio cultural cristão induziram no nosso pensar, dizer e agir. O último livro que prossegue – obviamente, por sondagens e por símbolos – nessa busca vê como autora uma teóloga que também é filóloga clássica e anglicista, a alemã Karin Schöpflin, professora em Göttingen.

As suas páginas se entrelaçam ao longo da trama diacrônica da Bíblia, partindo, portanto, do incipit genesíaco, avançando de etapa em etapa através dos livros históricos, sapienciais e proféticos do Antigo Testamento, para chegar aos Evangelhos, à Igreja das origens dominada pela figura de Paulo e à tela grande final pintada pelo Apocalipse joanino.

Em cada uma dessas etapas, a autora demarca o seu discurso sobre dois registros: um é puramente exegético ("biblicamente"), o outro, ao invés, é dedicado à exemplificação da recepção literária das narrativas, dos personagens, dos símbolos, dos temas bíblicos ("literariamente"). Tem-se, assim, a intersecção de dois textos que, por si sós, também poderiam ser usados autonomamente, a fim de obter, no fim, uma introdução à Bíblia, de um lado, e uma vasta antologia literária, de outro.

A multidão de autores envolvidos – respondem ao apelo todos os maiores, de Alighieri a Tolstoi, apenas para evocar os extremos alfabéticos mais significativos – revela uma surpreendente sintonia com as Sagradas Escrituras, às vezes de formas inesperadas, outras vezes de modo provocativo. Assim, por exemplo, pode surpreender que – diante da infindável tradição literária que se agarrou àquela obra-prima que é o livro de Jó, até empurrá-lo ao longo de territórios estranho (pensemos em Resposta a Jó, de Jung) – Schöpflin tenha escolhido, além do drama Jedermann (Cada um) de von Hofmannsthal, a última novela do Decamerão, a de Gualtieri, Marquês de Saluzzo, e da pobre Griselda.

No interminável "paratexto" que flui a partir do "texto" evangélico e do seu protagonista, Jesus Cristo, emerge uma trilogia que vê dois sujeitos imponentes como o Messias, de Klopstock, e a Ressurreição, de Tolstoi, mas surpreendentemente também a "fábula de inverno" Deutschland, de Heine, com um Cristo "fracassado", mas transformador do mundo.

E, se quisermos voltar ao Bere'shit, o "No princípio" do Gênesis, eis que vêm ao nosso encontro necessariamente o Paraíso Perdido, de Milton, mas também o insuspeito Frankenstein, de Shelley (aquele horror, de fato, é sutilmente teológico, por ser prometeico e, portanto, obra de uma decriação antidivina), o menos conhecido Gellert, um poeta do século XVIII, e o "metafísico" do século XVII Marvell com o seu The Garden, centrado na desconcertante interpretação do paraíso como solidão absoluta, rompida pela presença do outro (Eva), verdadeiro pecado original.

Detemo-nos, sem continuar em uma leitura de extraordinária atração e de muitas iridescências. Fazemo-lo para abrir espaço não para uma resenha, mas apenas para uma sinalização de outro livro ainda mais fascinante que engloba, mas também transborda, o gênero agora proposto. Antonio Spadaro é o jesuíta nascido em 1966 que se tornou conhecido em todo o mundo pela entrevista com o Papa Francisco que publicada na Civiltà Cattolica, por ele dirigida.

Na verdade, ele é também um finíssimo intérprete da cultura norte-americana contemporânea e manifesta isso agora descrevendo a sua paisagem literária, porque se trata de uma verdadeira paisagem existencial e espiritual que se cruza com a histórico-geográfica. Esse afresco da América na sua pele e nas suas veias (como diz o título) se transforma em uma cavalgada ao longo de milhares de páginas poéticas e narrativas que são evocadas por Spadaro com a agudeza das suas análises, mas também com a entrada direta das vozes dos protagonistas através do encaixe das citações.

Vai-se do profeta e pioneiro Whitman e da inesquecível Dickinson, da "comédia humana" da antologia de Lee Masters ou ainda do "anel metafísico do mundo selvagem" de London, até a "inteligência lírica" de Ferlinghetti, à "épica das coisas e das imagens" e às suas epifanias de um Williams ou de Bishop. Mas se vai além, até personagens que sempre emocionam como Carver, Sylvia Plath, a O'Connor de Wise Blood e aquele "estranho solitário louco místico católico", como Kerouac se autodefine.

É justamente o retrato desse ícone da beat generation que nos surpreende pela sua insone espiritualidade, confiada a cartas, orações, poesias, invocações dirigidas a Deus, a Jesus, até mesmo a São Paulo: "Deus, devo ver o teu rosto esta manhã, o Teu Rosto através dos vidros empoeirados da janela, entre o vapor e o furor; devo ouvir a tua voz acima do clamor da metrópole...".

E, assim, Na estrada se torna uma peregrinação, e beat é a primeira "batida" evangélica de bem-aventurança: "Uma tarde, eu fui para a igreja da minha infância em Lowell, Massachusetts, e, de repente, com lágrimas nos olhos, quando ouvi o sagrado silêncio da igreja, tive a visão do que eu realmente quis dizer com a palavra Beat, a visão que a palavra Beat significava bem-aventurado...".



segunda-feira, 24 de março de 2014

Quando um rio renasce no deserto de Israel


Localizado em Bersebá (בְּאֵר שֶׁבַע), em pleno deserto do Negueb (ou Negev), no sul de Israel, rio Zin não é, digamos, exatamente um rio na acepção usual do termo, já que tudo o que se vê é uma ilusão hídrica num leito seco, já que água propriamente dita poucas vezes foi vista por ali ao longo da história da Terra Santa.

Na semana passada, depois de anos de seca em Israel, chuvas torrenciais que caíram nas montanhas próximas fizeram com que o rio Zin voltasse a correr belo e caudaloso, para delírio dos habitantes locais, conforme você pode ver no vídeo abaixo.

Em momentos como esse, é inevitável a associação do ocorrido com textos proféticos, sobretudo de Isaías:

Isaías 35:4 Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis o vosso Deus! com vingança virá, sim com a recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.
5 Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão.
6 Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.
7 E a miragem tornar-se-á em lago, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos.
8 E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para os remidos. Os caminhantes, até mesmo os loucos, nele não errarão.
9 Ali não haverá leão, nem animal feroz subirá por ele, nem se achará nele; mas os redimidos andarão por ele.
10 E os resgatados do Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.

Isaías 43:18 Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas.
19 Eis que faço uma coisa nova; agora está saindo à luz; porventura não a percebeis? eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo.
20 Os animais do campo me honrarão, os chacais e os avestruzes; porque porei águas no deserto, e rios no ermo, para dar de beber ao meu povo, ao meu escolhido,
21 esse povo que formei para mim, para que publicasse o meu louvor.

Isaías 58:9 Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente;
10 e se abrires a tua alma ao faminto, e fartares o aflito; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia.
11 O Senhor te guiará continuamente, e te fartará até em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca falham.




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Novos ateus rejeitam Deus mas querem igreja e Bíblia

Pedindo antecipadamente perdão por colocar esta introdução em primeira pessoa, eu tenho amigos ateus muito queridos com os quais aprendemos juntos a encontrar um terreno comum de respeito e afeição.

Aprendi também a (pelo menos) tentar compreender a sua aversão à fé, e de certa forma a admirar suas posturas antirreligiosas quando elas se baseiam em opiniões próprias que não têm por fundamento o mero esforço (condenado ao fracasso) de vestir a descrença com as roupas da crença, após descoloridas e lavadas a seco.

Talvez por isso mesmo eu estranhe tanto as iniciativas do neoateísmo em fornecer aos seus seguidores a, digamos, "roupagem" de religião para as suas necessidades de aprendizado e comunhão, como tem acontecido com o surgimento das assim chamadas "igrejas ateístas", fenômeno cada vez mais comum em várias partes do globo.

Fica parecendo que o que esses neoateus realmente sentem é, por assim dizer, uma "saudade de Deus", algo parecido com o que vejo em alguns amigos ateus, que é o engolido desejo de crer sem ter forças para concretizar sua fé, o que não os faz, entretanto, buscar substitutos metafísicos tão óbvios para celebrar a sua não-crença.

A iniciativa neoateísta não deixa de ser uma curiosa manobra para desconstruir a religião usando as ferramentas da própria religião.

Em sua edição de ontem, 09/02/14, o Estadão trouxe a entrevista do filósofo inglês A. C. Grayling (foto acima), que compilou vários textos humanistas com o título de "O Bom Livro" (com o subtítulo "Uma Bíblia Laica") na vã tentativa de substituir a Bíblia judaico-cristã e propiciar aos neoateus uma, digamos, "escritura sagrada" para ser utilizada em seus rituais supostamente seculares.

Leia abaixo a entrevista e o primeiro capítulo do livro de Grayling e tire as suas conclusões:



Autor inglês A. C. Grayling troca santos e parábolas por artistas e filósofos

Escritor diz que não pretendia criticar religiões, mas acrescentar elementos humanistas ao debate

Lúcia Guimarães

Uma Bíblia sem Deus? Isto mesmo. Depois de anos de um pequeno boom editorial do ateísmo, com livros como Deus Não É Grande, de Christopher Hitchens, um filósofo britânico lançou um livro inspirado na Bíblia – mas na sua forma e não no conteúdo.

O Bom Livro, que acaba de sair no Brasil, é uma bíblia humanista que o autor oferece como alternativa à Bíblia cristã. Ao longo de 30 anos, o acadêmico que hoje é Mestre do New College of Humanities, em Oxford, reuniu trechos contidos em 2.500 anos de literatura, filosofia e ciência do Oriente e do Ocidente. O Bom Livro é apresentado em versos e organizado em 12 livros com títulos como Gênesis e Lamentações. Mas os textos são de autores como Confúcio, Heródoto, Aristóteles, Montaigne e Bacon.

Grayling acredita que a história do mundo seria outra se o pensamento científico e filosófico secular tivesse influenciado os autores da Bíblia. Embora o filósofo britânico tenha querido se inserir no debate sobre o ateísmo ele diz que O Bom Livro não é um ataque à religião e sim uma contribuição, uma espécie de terceira via humanista para o debate.

Ele vê o atentado às Torres Gêmeas no 11 de setembro de 2001, em Nova York, como um marco para o reexame da religião. “Até então”, diz, “a agenda religiosa ainda era encarada com certa deferência”. “O 11 de setembro mudou isso mas veja que é ainda muito cedo. Os cristãos estão acostumados a se submeter a alguma perseguição”, argumenta. “Mas a tolerância de islâmicos para a dissidência é bem menor.”

O senhor diz que começou a escrever o livro há 30 anos. Qual foi a motivação inicial? 
Eu estudava para o doutorado em Oxford e comecei a refletir sobre perspectivas éticas diversas. E me perguntei se a história do mundo teria sido diferente se os autores da Bíblia tivessem mergulhado na escrita secular, buscado inspiração em poetas, escritores, figuras que tinham uma compreensão melhor da condição humana. Então comecei a colecionar material não religioso, textos que seriam reunidos como foi reunida a Bíblia.

Críticos que admiram o livro questionam a decisão de fazer o paralelo com a Bíblia. Não seria melhor ter oferecido um livro sem a comparação? 
A Bíblia é organizada e escrita de maneira bastante acessível. Você pode abrir aqui e ali, recorrer ao volume quando quiser e encontrar inspiração. Considero a organização da Bíblia um bom modelo. Uma primeira preocupação minha foi tornar o livro acessível. A segunda foi mostrar que a sabedoria de filósofos, historiadores e poetas era maior do que a de profetas religiosos.

Qual a importância do fato de que o senhor foi criado numa família sem religião?
Sim, fui criado sem acreditar em Deus. Eu encontrei a religião na escola, comecei a observar as crenças diferentes e me causou alguma estranheza. Havia esta ideia de que não haveria “salvação” a não ser que fosse cristão, judeu, hindu. Eu me dediquei a ler a fundo livros sobre diferentes tradições religiosas e percebi que havia restrições assustadoras. Mas devo dizer que aprecio a grande beleza poética de passagens desses livros. Infelizmente, eles não ajudaram muito o progresso humano.

O material foi colecionado ao longo de três décadas mas o livro saiu logo após a explosão do novo ateísmo, de autores como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Sam Harris.
Uma das minhas motivações foi publicar a tempo de fazer parte neste debate. Queria argumentar que, na discussão sobre acreditar ou não em Deus, não prestamos atenção na grande alternativa que é o Humanismo. Quando o debate esquentou, três questões foram separadas. Primeiro, a metafísica, sobre a existência do divino. Depois a questão da relevância do secularismo. E, por fim, o que me parece mais importante, a questão de como nos comportamos e conduzimos nossa vida moral. Não existe o “tamanho único” como resposta. O Humanismo vem de uma tradição, desde Aristóteles e Sócrates, em que nós devemos escolher caminhos compatíveis com nosso potencial. Pode-se viver a “boa vida” de várias maneiras.

Na última década, os Estados Unidos tomaram a liderança, no mundo desenvolvido, de uma tendência cultural que muitos consideram obscurantista. Cito, como exemplo o fato de que o ensino da Teoria da Evolução foi prejudicado em favor do ensino religioso sobre a criação do mundo, nas escolas.
Sim, mas chamo atenção para outro fato que explica esta radicalização. Estima-se que a direita evangélica nos Estados Unidos tenha 60 milhões de pessoas e a maioria delas considera que detém o monopólio da verdade. Mas a população que não declara vínculo religioso é cada vez maior, entre os americanos, especialmente os que têm menos de 35 anos. Então, acredito que há uma minoria vociferando e se debatendo sob pressão. Acredito, também, que vai haver um retrocesso para o fundamentalismo religioso no mundo. Veja que os fundamentalistas islâmicos estão sobretudo se matando uns aos outros. A rivalidade, especialmente entre xiitas e sunitas, que ficou quieta durante séculos, explodiu. É um mundo que está ruindo sob a pressão da globalização. Quando a cultura visual, o cinema, por exemplo, chega a uma comunidade que não está acostumada a questionar seus valores, o desconforto é enorme.

O senhor começou a escrever o livro tendo um leitor em mente? O quanto o seu leitor mudou ao longo dos últimos 30 anos?
Bem, enquanto colecionava o material, fui me inspirando para escrever outros livros e entender quem seria o leitor. Destaco que o livro que lancei em seguida, The God Argument, que lida com questões de deificação e é uma espécie de complemento. Como viajei muito e falei em público sobre os dois volumes, passei a compreender melhor os problemas que mobilizavam o público. Notei que, à medida que a religião perde espaço, há uma grande busca, especialmente entre os que têm mais educação, por recursos que orientem as escolhas de vida. Vejo nesta busca parte da explicação para o sucesso de meus amigos, como Richard Dawkins e Christopher Hitchens. Porque muitos destes leitores vivem entre pessoas que têm fé religiosa e encontraram nos autores ateus alguém que compreendeu seus dilemas. Outra explicação que me ocorreu ao participar de um seminário em Austin, no Texas: a comunidade não religiosa aprendeu com o movimento gay. Os gays americanos bradaram “sou gay e tenho orgulho disso”. Pense nas dificuldades tradicionais do ateu. Se você é um encanador numa cidade sulista americana, ninguém quer contratar seu serviço! E os ateus americanos perceberam que quebrar o isolamento seria a chave da aceitação.

O quanto o colapso econômico do final da década passada, nos Estados Unidos e na Europa, e a alienação provocada pelo desemprego em massa endossam um livro como o seu?
Durante décadas, o debate sobre a moralidade da organização social foi enfraquecido, o lucro endeusado. Mas, ainda que a ideia do socialismo como modelo econômico tenha sido desbancada, pelo menos na Europa, a ideia da justiça social nunca morreu. Quando os sistemas financeiros entraram em colapso, o pêndulo voltou a favorecer essa ideia. Mesmo assim, entre meus alunos, ainda vejo uma erosão do interesse por Humanidades, uma atração excessiva por profissões ligadas a negócios. Quando pais de estudantes vêm me dizer que querem seus filhos com diplomas que favoreçam o emprego a curto prazo eu respondo: a educação não é para um só emprego, é para a vida.





Leia o primeiro capítulo de 'O Bom Livro', de A. C. Grayling

Ao longo de 30 anos, A. C. Grayling, mestre do New College of Humanities, em Oxford, reuniu trechos contidos em 2.500 anos de literatura, filosofia e ciência do Oriente e do Ocidente. O Bom Livro (Objetiva) é apresentado em versos e organizado em 12 livros com títulos como Gênesis e Lamentações, com textos de autores como Confúcio, Heródoto, Aristóteles, Montaigne e Bacon. Leia a seguir o primeiro capítulo.

Gênesis - Capítulo 1

1. No jardim há uma árvore. Na primavera ela dá flores; no outono, frutos.

2. Seu fruto é o conhecimento, ensinando o bom jardineiro a entender o mundo.

3. Assim ele aprende como a árvore passa da semente ao rebento, do rebento à maturidade, pronta para gerar mais vida;

4. E da maturidade à velhice e ao sono, de onde ela retorna aos elementos das coisas.

5. Os elementos por sua vez alimentam novos nascimentos; tal é o método da natureza e seu paralelo com o curso da espécie humana.

6. Foi da queda do fruto de uma árvore assim que nasceu uma nova inspiração para examinar a natureza das coisas,

7. Quando Newton se sentou em seu jardim e viu o que ninguém vira antes: que uma maçã atrai a terra e a terra atrai a maçã,

8. Por uma força mútua da natureza que mantém todas as coisas, dos planetas às estrelas, unidas entre si.

9. Assim todas as coisas se unem numa coisa só: o universo da natureza, onde existem muitos mundos; os orbes de luz numa imensidão de tempo e espaço,

10. E entre eles seus satélites, num dos quais há uma parte da natureza que reflete a natureza em si mesma,

11. E pode meditar sobre sua beleza e seu significado, e pode procurar entendê-la: é a espécie humana.

12. Todas as outras coisas, em seus ciclos e ritmos, existem em si e por si;

13. Mas na espécie humana há também a experiência, que é o que cria o bem e seu contrário,

14. E nos quais a espécie humana procura apreender o sentido das coisas.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Filmes bíblicos invadirão cinemas em 2014


2014 promete: a Bíblia invadirá as telonas!

É que nada mais, nada menos que 5 possíveis blockbusters ("estouros de bilheteria") estão programados a serem lançados neste ano.

Por mais que tenham os tradicionais fins mercadológicos, não deixa de ser interessante essa retomada de temas bíblicos numa sociedade cada vez mais afastada de Deus.

Confira a lista:

1) "Filho de Deus" ("Son of God")

Previsto para estrear em fevereiro, o filme é baseado na série televisiva "A Bíblia" que foi reproduzida recentemente no Brasil pela Record, com o ator português Diogo Morgado no papel de Jesus.


2) "Noé" ("Noah")

Conforme já comentamos em novembro de 2013, um elenco estelar foi escalado para exibir nos cinemas a narrativa bíblica do dilúvio dos tempos de Noé, ao que parece com muito mais "licença poética" do que se esperaria.

Com Russel Crowe no papel-título, Anthony Hopkins, Jennifer Connely e Emma Watson completam o time de celebridades hollywoodianas que compõem o elenco.


3) "O Céu é de Verdade" ("Heaven is For Real")

Ainda que não tenha explicitamente uma temática bíblica, "O Céu é de Verdade" se baseia no livro de mesmo nome que conta a história do garoto Colton Todd Burpo, filho do pastor evangélico americano Todd Burpo, que, pouco antes de completar 4 anos de idade, teve uma experiência de quase-morte e, segundo alega, teria ido ao paraíso e conversado com o próprio Jesus Cristo.

Com lançamento previsto para pouco antes da Semana Santa, ao que parece se trata de uma estranha versão gospel de "Esqueceram de Mim", com roteiro ao contrário, se é que dá para entender o que isto significa.


4)"Êxodo" ("Exodus")

Se você pensava que, depois do gigantesco sucesso de "Os Dez Mandamentos" (1956), ninguém em Hollywood ousaria fazer outro filme com base no relato bíblico do livro de Êxodo, pode tirar o seu cavalo da chuva e botá-lo no deserto do Sinai.

Para o papel que consagrou Charlton Heston, o Moisés da vez será o ex-Batman Christian Bale, com a ex-Alien Sigourney Weaver segurando as pontas do outro lado dessa superprodução que, ao que tudo indica, também usará e abusará da licença poética para imaginar, digamos, variantes não escritas no texto de Êxodo.

O diretor é Ridley Scott, conhecido por vários outros bons filme de época, como "Gladiador" e "Cruzada", e se especula que será o grande sucesso de bilheteria do Natal de 2014.


5) "Mary, Mother of Christ" ("Maria, Mãe de Cristo")

Também prevista para o Natal de 2014, depois de uma série de atrasos na produção (para você ter uma ideia, Peter O'Toole, falecido em dezembro de 2013, participou do filme), "Maria, Mãe de Cristo" tem seu foco, como o próprio nome indica, na vida de Maria.

Compõem o elenco, entre outros, Ben Kingsley e Julia Ormond, com a jovem atriz israelense Odeya Rush, de 16 anos de idade, no papel-título.

Um dos grandes promotores do filme é Joel Osteen, o pastor-celebridade da Lakewood Church de Houston (Texas) e amigo de Oprah Winfrey nas horas vagas.

Ainda não há trailer oficial.





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