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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Sumô luta para sobreviver após 15 séculos de tradição no Japão


A matéria foi publicada na BBC Brasil:

'Chorava todos os dias': o lado obscuro da vida dos lutadores de sumô no Japão

Rebecca Seales

De pé em meio ao frenesi dos flashes disparados em sua direção, o lutador anuncia com os olhos marejados sua aposentadoria imediata. "Desculpem-me do fundo do meu coração", ele diz após se curvar e permanecer nessa posição por um longo tempo.

Harumafuji é um grande campeão do sumô, conhecido em japonês como yokozuna. Em 25 de outubro, ele agrediu um lutador mais jovem em um bar, fraturando seu crânio, um caso que foi alvo de um inquérito policial e permaneceu nas manchetes por semanas.

O atleta, de 33 anos, chegou a pedir desculpas pelo ocorrido e decidiu se aposentar do esporte, mas foi acusado formalmente de agressão na última quinta-feira. Ele deve pagar uma multa, em vez de ser julgado em um tribunal.

De acordo com relatos, Harumafuji teria ficado furioso quando tentou dar conselhos ao rapaz e este continuou olhando o próprio celular.

O incidente reacendeu uma discussão sobre o esporte nacional do Japão, e não é a primeira vez que algo assim acontece. Há uma década, a reputação do sumô entrou em crise quando um rapaz de 17 anos que treinava para ser lutador morreu após levar uma surra com uma garrafa e um taco de baseball.

Os agressores eram seus toshiyoris, ou anciãos, como são chamados os ex-lutadores que assumem posições de autoridade, podendo ser treinadores e gerentes de um ginásio de sumô.

Em 2010, o esporte levou um novo golpe com a descoberta do envolvimento de um atleta e de um treinador em um esquema ilegal de apostas em partidas de baseball que teria ligações com a máfia japonesa, a yakusa.

No mesmo ano, o mentor de Harumafuji, o grande campeão mongol Asashoryu, deixou o sumô após se envolver, embriagado, em uma briga do lado de fora de uma boate na capital do país, Tóquio. Depois, vieram à tona provas da combinação prévia de resultados na segunda divisão do esporte.


Seriam sinais de que o sumô está em declínio e que a disciplina que um dia o definiu está em decadência? Ou será simplesmente que, após 15 séculos, o lado obscuro do esporte está finalmente vindo à tona? 


'Os mongóis estão chegando'


Uma forma de responder essas questões é olhar para a origem do esporte e para o duro regime de treinos ao qual os lutadores são submetidos.

Ainda que o sumô tenha surgido a partir de rituais de templos japoneses entre 1,5 mil e 2 mil anos atrás, o país não domina mais o circuito internacional da luta. Até a aposentadoria de Harumafuji, havia quatro grandes campeões. Três deles, inclusive o do agora aposentado Harumafuji, eram da Mongólia.

Rússia, Havaí, Samoa e países do leste europeu costumam enviar lutadores promissores para os ginásios de sumô do Japão, locais em que mestres treinam adolescentes na arte que um dia foi a grande atração das cortes imperiais da nação asiática.

O sumô não é apenas um esporte no país. É uma cerimônia que abre uma janela para o passado, calcada na tradição e na essência do que é ser japonês. Rituais rígidos estabelecem um código de conduta, e ser nascido no exterior não é desculpa para não receber um tratamento tão duro quanto o conferido aos nativos.

Todos os lutadores devem usar trajes tradicionais em público, inclusive um coque como o de samurais. Nas competições, o triunfo e o fracasso devem gerar a mesma reação impassível. Em conversas, o lutador deve ser um modelo de humildade e falar suavemente, comportando-se com hinkaku, ou dignidade. O status é tal que estranhos se curvam quando cruzam com eles na rua.

Cada um dos 45 centros de sumô no país aceita treinar apenas um estrangeiro, ou gaikokujin, de cada vez, por ordem da conservadora Associação de Sumô do Japão. E, quando conseguem chegar lá, normalmente aos 15 anos e com no máximo 23, devem comer, falar, vestir e respirar como japoneses.

Cozinhando, limpando – sem nada para o café da manhã

"(Os lutadores) São como soldados recebendo treinamento básico", explica Mark Buckton, um ex-comentarista e colunista de sumô do jornal Japan Times. "São eles que cozinham, limpam, descascam batatas... E todos aprendem japonês."

O ginásio de sumô é regido por uma hierarquia rigorosa, com um mestre – um ex-lutador – no comando. "Não é como no futebol, em que você pode se transferir de um time para outro", diz Buckton à BBC.

"Você faz parte de um ginásio para o resto da vida. A única forma de sair dele é abandonando o sumô."

Os lutadores deixam o cabelo crescer, normalmente até o meio das costas, para que o cabeleireiro do ginásio possa fazer um penteado tradicional. Só lavam o cabelo a cada uma ou duas semanas, e passam nele bintsuke, um tipo de cera feita a partir de soja com um cheiro adocicado que acompanha o lutador aonde ele vá.

As refeições, geralmente compostas de um caldo quente rico em proteína com vegetais, são tão controladas quanto o regime de treinos, em que os jovens passam horas tentando empurrar seus enormes colegas em um círculo coberto por areia. "Eles comem muito. Mas o crucial é ir dormir logo após de comer", diz Buckton.

"Eles não tomam café da manhã. Todo o treinamento ocorre pela manhã. Eles almoçam quase o mesmo que uma pessoa normal, talvez um pouco mais. Mas comem isso com uma grande quantidade de arroz. Depois, vão para a cama e só acordam no meio da tarde. Comem de novo à noite e vão dormir cedo, porque se levantam às 5h, 6h da manhã para treinar."

Ginásios mais rigorosos costumam gerar lutadores melhores? "Com certeza, com certeza", afirma o especialista.

Sem salário, namoradas ou telefones

Há seis competições profissionais de sumô por ano, todas no Japão. Um lutador ganha ao forçar seu oponente a sair do círculo ou ao fazê-lo tocar o chão com alguma parte do corpo que não os pés. Conforme acumula vitórias, o lutador sobe no ranking.

Há cerca de 650 lutadores nas seis divisões, mas apenas cerca de 60 disputam a primeira. Eles não recebem salários nas quatro divisões inferiores. Um lutador talentoso pode levar de dois a três anos para começar a receber um salário.

Quando há pagamento, ele é bom: cerca de US$ 12 mil (R$ 39,6 mil) por mês na segunda divisão, um valor que pode chegar a US$ 60 mil (R$ 198 mil) na elite do esporte, incluindo contratos de patrocínio.

Os lutadores mais jovens devem usar um traje de tecido de algodão fino, o yukata, e geta, ou sandálias de madeira, mesmo no auge do inverno. Dirigir não é permitido, mas os melhores lutadores têm motoristas, algo que é tanto um símbolo de status quanto uma necessidade, já que seu tamanho dificulta a vida ao volante.

Celulares e namoradas são tecnicamente proibidos abaixo das duas primeiras divisões, ainda que haja uma tolerância crescente com isso. Mulheres não podem morar nos ginásios, e lutadores não podem se casar ou morar em outro local com sua namorada até atingir ao menos a segunda divisão.

Caso se machuque e caia para a terceira divisão, o lutador deve deixar sua mulher e filhos para trás e voltar a morar no ginásio.

O que acontece se os jovens não atenderem os padrões dos mestres ou criticarem o regime quase monástico do ginásio? "Ah, eles são terríveis", diz Buckton. "Antes do rapaz ser morto em 2007, havia espancamentos frequentes. Você via os caras com marcas nas costas e na parte de trás das pernas por não se esforçarem o suficiente."

No ano passado, segundo relatos, um lutador recebeu quase 32,4 milhões de ienes (R$ 946,3 mil) de indenização após de ter sido maltratado diariamente e ficar cego de um olho.

Depois que Takashi Saito, de 17 anos, foi espancado até a morte por ter ameaçado deixar seu ginásio, o grande campeão mongol Hakuho relatou experiências chocantes de surras que chegam a durar 45 minutos.

"Você pode olhar para mim agora e ver um semblante feliz, mas, na época, eu chorava todos os dias", disse. "Os primeiros 20 minutos são muito dolorosos, mas, depois, fica mais fácil, porque mesmo que você esteja apanhando, começa a sentir menos dor. Claro que chorei e, quando meu ancião disse que isso era para meu próprio bem, chorei de novo."

Quebrando o silêncio

Mas por que - em um esporte que submete seus maiores talentos a anos de punição corporal - Harumafuji foi forçado a se aposentar após agredir um lutador mais jovem? "Bem, ele bateu no rapaz em um bar...", afirma Buckton.

O escritor Chris Gould, que acompanha o universo do sumô há três décadas, diz que o "pacto de silêncio" no esporte é bem poderoso.

"Há uma consistência impressionante em como o treinamento e as punições são aplicados em diferentes ginásios e ao longo do tempo. Isso significa que, quando ocorrem incidentes como o de Harumafuji, não se fala sobre o assunto para preservar o grupo", diz Gould.

No episódio mais recente, o técnico do lutador agredido foi quem fez a denúncia e defendeu mudanças no esporte. "É interessante ver um técnico ser criticado por quebrar o código de silêncio. Na maioria dos esportes, ele seria celebrado como um herói."

Com esse tipo de atitude, é possível esperar que jovens continuem se interessando pelo esporte?

Os dias em que a promessa de duas boas refeições diárias atraía jovens de famílias pobres do Japão rural para o sumô ficaram no passado, e esportes como o futebol e o baseball oferecem salários melhores sem o risco de sofrer violência.

Mas, apesar de tudo isso, a popularidade do sumô vem crescendo. Em janeiro, foi consagrado o primeiro campeão japonês em quase duas décadas, para a alegria dos fãs. A Associação de Sumô do Japão também tem feito campanhas publicitárias para voltar a tornar o esporte atraente.

Na visão de Chris Gould, a previsões sobre a ruína do sumô foram prematuras. "Ainda não é hora de entrar em pânico quanto ao futuro. Mas a associação precisa divulgar o que o sumô defende ou não, seus valores fundamentais. A não ser que isso aconteça, o número de grandes lutadores em potencial que nem chegam a entrar para o esporte só vai continuar a crescer."



quarta-feira, 6 de setembro de 2017

7 anos depois, Juca Kfouri tripudia sobre "furo" com lesão de Kaká

Em 2010, pouco antes da Copa do Mundo na África do Sul, o jogador Kaká entrou numa polêmica com o jornalista Juca Kfouri, a quem acusou de divulgar notícias falsas sobre seu real estado de saúde, denunciando que - em vez de ter dado um "furo" jornalístico -, Kfouri o perseguia pelo fato dele ser cristão enquanto o perseguidor é ateu, conforme noticiamos aqui no blog naquela época.

2010 foi um ano realmente complicado para Kaká, para dizer o mínimo.

No final daquele ano, ele romperia uma ligação antiga com os líderes da igreja Renascer em Cristo, o casal Hernandes, e entraria nos anos seguintes em uma crise conjugal que terminaria com a separação definitiva de sua então esposa Carol Celico.

O casamento acabou em 2015.

Agora, em entrevista ao Estadão, Kaká confirma - inadvertidamente - que Juca Kfouri estava certo quanto ao diagnóstico de seu quadro de saúde, ao que o jornalista não perdeu tempo em relembrar a confusão, tripudiando em seu blog no UOL:

Kaká confessa e prova que nada 
como um dia após o outro

No dia 21 de junho de 2010, em plena Copa do Mundo na África do Sul, publiquei a coluna abaixo cujo trecho inicial reproduzo:



Sabe-se lá por que, Kaká reagiu mal ao que era verdade e, bem considerado, valia como um elogio a ele, capaz de se sacrificar pela Seleção. Talvez a referência ao eventual abreviamento da carreira tenha falado mais alto, mas fato é que na entrevista coletiva no dia seguinte à publicação da coluna, sem que eu estivesse presente, Kaká desmentiu que houvesse problema maior e atribuiu a informação ao fato de ele ser evangélico e eu ateu.

Disse ele ao repórter da ESPN Brasil, André Kfouri, meu filho:

“Há algum tempo os canhões do seu pai são disparados contra mim. A artilharia dele está voltada contra mim. Eu queria aproveitar a pergunta para responder às críticas que ele vem fazendo, e o que me deixa triste é que o problema dele comigo não é profissional, mas porque ele não aceita minha religião. Porque eu sou uma pessoa que segue Jesus Cristo. Eu o respeito como ateu, e gostaria que ele me respeitasse como seguidor de Jesus Cristo, como alguém que professa a fé em Jesus Cristo. Não só a mim, mas a todos os milhões de brasileiros que creem em Deus.”

Bobagem maior, impossível, até porque não havia crítica alguma, mas assim foi.

Eis que hoje ele diz o seguinte, em entrevista ao repórter Robson Morelli, de “O Estado de S.Paulo”, publicada nesta segunda-feira:





sábado, 12 de agosto de 2017

A religiosidade brasileira e sua "fé de conveniência"

Interessante análise do jornalista britânico Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil (e talvez o mais brasileiro dos ingleses), sobre a religiosidade nacional (de lá e - principalmente - de cá), não por acaso publicada na BBC Brasil, como era de se imaginar:

Tim Vickery: A religiosidade brasileira muitas vezes é fé de conveniência

Estou sozinho agora na casa da minha mãe, nos arredores de Londres, porque ela foi à igreja - ela faz parte de uma minoria da sociedade britânica, de talvez 5%, que ainda tem o hábito de ir ao culto.

E essa fatia minúscula não é de fanáticos. Uma vez, numa visita anterior, eu (que não tenho nenhum sentimento religioso) comentei que não consigo ver a ligação entre a morte de Jesus Cristo e nossos pecados.

"Estranho", respondeu a minha mãe. "O meu pastor falou exatamente a mesma coisa na semana passada."

Trata-se de uma doutrina fundamental de qualquer religião cristã, mas até um empregado da Igreja Anglicana não acredita nele. A igreja dele tem pouco a ver com religião, mais a ver com uma missão vaga de ser "um bom sujeito".

Tudo isso, claro, nada mais é do que uma consequência do recuo da fé cega a partir do Iluminismo, no século 16, e a descoberta de que a Terra gira ao redor do Sol. Por que acreditar naqueles que afirmavam o contrário?

Uma pesquisa recente aponta que somente 28% da população britânica acredita em Deus ou em qualquer poder espiritual, ante 38% totalmente sem tal fé. Me lembra bem a minha época na escola, quando uma sessão de zombaria da professora sempre começava com a pergunta "Senhora, você acredita em Deus?"

Como a situação é diferente nas Américas! Nos Estados Unidos, por volta de 60% da população vai para a igreja. E, no Brasil, não acreditar em Deus é inconcebível para muitos.

As minhas enteadas ficavam tão fascinadas com o assunto que cada vez que alguém me visitava da Inglaterra isso sempre era a primeira pergunta que tinha que traduzir.

Uma vez a resposta a respeito de religiosidade foi "Não, não tenho nenhuma tolerância para superstições medievais", frase que foi um desafio e tanto para suas mentes então pré-adolescentes.

Mas - e estou ciente de estar entrando em uma generalização vasta e vulgar - se a crença na existência de Deus é quase total no Brasil, a fé, em muitos casos, parece bastante rasa.

Quando vejo políticos corruptos dando benção para dinheiro ilegal, ou jogadores de futebol louvando depois de cavar um pênalti, fico com a sensação de que a religiosidade brasileira, com frequência, trata-se de uma fé de conveniência.

É menos um código que determina como viver a vida e mais um recurso que se pega ou se larga conforme as circunstâncias.

Pode ser que seja uma extensão da tara brasileira por parentesco fictício. A figura do pai ausente é muito importante numa terra de padrinhos, onde o personagem político de mais destaque na formação do país, Getúlio Vargas, cultivava um tipo de fascismo benigno do tio universal.

É bastante factível que vários brasileiros imaginem Deus como uma espécie de Vargas celestial, bonzinho e indulgente.

Vargas também desempenhou um papel importante no desenvolvimento da religião no Brasil, e não me refiro à aproximação com a Igreja Católica que leva à estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Muito mais importante é a urbanização do país que ele promoveu.

O interessante aqui é que, no exemplo inglês, o crescimento das cidades foi um fator significativo no declínio da religião.

No caso da minha mãe, por exemplo, ela é uma mulher do interior que cresceu com o hábito de ir à igreja e nunca o perdeu. Mas não é de hoje que as igrejas nas cidades vivem vazias - na verdade, nunca encheram. A mudança para uma vida urbana acabou cortando a prática de ir à igreja.

No Brasil, entretanto, o que mais se vê na periferia das cidades são igrejas - só que nesse caso a Igreja Católica tradicional perdeu, mas as evangélicas novas ganharam espaço.

E seu público, em grande parte, são os migrantes internos, que trocaram a vida do campo pelas oportunidades da cidade grande - e também as suas complexidades, problemas a ameaças.

Nesse ambiente novo, complexo e confuso, as igrejas evangélicas não somente oferecem o conforto espiritual da fé, mas também uma rede de apoio social.

Nesse cenário, não é somente a ausência da figura paternal que impulsionou o crescimento da religião, mas também a ausência do Estado.

*Tim Vickery é colunista da BBC Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick.



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Jornal destaca MMA da igreja Renascer na periferia de SP


A matéria foi publicada no Estadão em 10/07/17:

Pancadaria e orações entre os lutadores de Deus

Igreja Renascer em Cristo de São Mateus tem time de artes marciais cujo treinador também é pastor

Gonçalo Junior

Os 70 fiéis que acompanham o culto das oito na igreja Renascer em Cristo de São Mateus não estranham a pancadaria que rola no andar de cima do prédio. O pastor Jefferson Paiva não interrompe sequer as orações. Às segundas e às quartas-feiras, virou rotina a boa convivência entre os cultos no térreo e as aulas de MMA, oferecidas pela própria igreja, no primeiro andar. A Renascer tem até uma equipe de artes marciais mistas, chamada Reborn Team.

Luta e oração se misturam em alguns momentos. O pastor e treinador Roberto Pedroso interrompe a sequência de chutes e socos para pregar. Isso acontece no início, no meio e no fim dos treinos.

Mesmo esbaforido e pingando suor, Walker Araújo Mendes, aluno há quatro meses, fecha os olhos e ouve o pastor falar que todos enfrentam diversas lutas, mas uma delas é a mais importante: ter uma vida espiritual bem treinada. Que é preciso exercício para ficar longe da maldade e que cada um precisa vencer também dentro do seu octógono espiritual. Todos respondem “Glória a Deus” e a porrada volta. “Pastor, eu tenho de chutar quantas vezes?”, pergunta Angel Hayashida, de 17 anos apenas, apontando para o protetor que a companheira segura com dentes cerrados.




“Todo esporte combina com a igreja. Alguns gostam de futebol. Nós gostamos de luta. Quando tem luva, é esporte. Quando não tem luva, é violência”, diz Pedroso, mais conhecido como pastor Giraia. “Unimos a disciplina da arte marcial e a verdade da palavra de Deus”.

Quem tem mais de 30 anos sabe de onde vem o apelido Giraia. Para os mais jovens, Jiraiya – essa é a grafia oriental – foi o um seriado japonês de TV dos anos 1990. É da família do Jaspion. Como Roberto tinha cabelos longos e seus olhos são meio puxados, o apelido pegou.

Foi ele que ampliou a prática da luta na Renascer a partir de 2009, quando surgiu uma equipe para disputar torneios dentro e fora da igreja. O time é abençoado. O grupo fez crescer a ideia inicial de oferecer uma atividade esportiva para atrair mais jovens e hoje conta com atletas de todas as idades. Em oito anos, mais de seis mil pessoas já passaram por ali. O MMA começou na Vila Industrial, zona leste, chegou a São Mateus e hoje está em dezenas de unidades da terceira maior igreja neopentecostal do Brasil.

Fundada em 1986 por Estevam Hernandes e Sônia Hernandes, a Renascer possui cerca de 600 templos, mas não divulga o número dos fiéis seguidores.

Tirando as orações e a proibição de palavrões, o treino é idêntico ao de uma academia tradicional. Puxado. Tem condicionamento físico, trabalho técnico e muscular. Na primeira aula, quase todos perguntam se é preciso frequentar a igreja. Não é. O espaço recebe amadores, gente que quer aprender a lutar, emagrecer ou melhorar o condicionamento, e também oito profissionais, aqueles que vivem do esporte. Ou deveriam viver.


Zé Reborn é o cara...

Zé Reborn é o principal lutador do ‘time de Deus’. Ele já atuou no Jungle Fight, grande competição brasileira de MMA, mas precisa de um patrocínio para se dedicar só aos treinos. Juntando vários torneios, soma 31 lutas com dez derrotas e hoje atua na categoria até 57 kg. “Eu queria me dedicar só aos treinos. Mas tenho de sustentar meus filhos. Sem patrocínio, não dá”, diz o alagoano de 29 anos que se chama, na verdade, José Alexandre e trabalha na área de limpeza de condomínios. “Chamar só Zé não tem graça para um lutador, né? Zé Reborn traz o nome da igreja e é mais chamativo”.



quarta-feira, 12 de julho de 2017

Jogador do Bahia enfrenta preconceito ao se declarar adepto do candomblé


Segunda-feira passada, comentamos aqui sobre a iniciativa do novo técnico do Santos F. C., Levir Culpi, em barrar as manifestações religiosas dentro de campo, que - a seu ver - estavam prejudicando o bom desempenho do time.

Agora é a vez de Feijão, volante do E. C. Bahia de Salvador (BA), ser perseguido nas redes sociais por não esconder sua condição de seguidor do candomblé.

A matéria é da ESPN Brasil:

Adepto do candomblé, volante do Bahia sofre preconceito e rebate: 'Tenho muito orgulho e espero que respeitem'

Marcus Alves

Um dos xodós da torcida, o volante Feijão, do Bahia, sofreu preconceito por causa de sua religião.

Adepto do candomblé, o prata da casa de 23 anos foi criticado nas redes sociais após publicar foto recente e fazer referência ao orixá Ogum. Uma das principais lideranças dentro do vestiário tricolor, ele retrucou ao ser chamado de “macumbeiro” por um usuário e pediu respeito. Os crimes resultantes de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional preveem reclusão de um a três anos e multa.

A princípio, o atleta não pretende levar o caso adiante.

Procurado pelo ESPN.com.br, ele se manifestou sobre o assunto.

“O cara confundiu as coisas, confundem muito religião com futebol. Nada contra nenhuma religião. Respeito todas as religiões. Espero que respeitem a minha. Sou candomblé, tenho muito orgulho. Tem várias outras pessoas também do candomblé. Agora, espero que tenha coragem de chegar e falar na minha frente. Falar em rede social é muito fácil”, afirmou, através da assessoria de imprensa do clube.

“Querem fazer tumulto, principalmente, comigo, que sou prata da casa, um dos líderes do grupo. Reagi normalmente. Vida que segue. É tranquilidade”, completou.

Entre as religiões, o candomblé e umbanda - colocadas na mesma categoria em censo realizado pelo IBGE em 2010 - estão na quarta posição entre as mais populares da Bahia, atrás da católica, da evangélica e da espírita.

O Rio Grande do Sul é o Estado que reúne o maior número de seguidores da religião brasileira de matriz africana.

“Que diabo de Ogum, por isso que não vai pra frente”, escreveu o suposto torcedor para Feijão, em sua conta no Instagram.

“Ô (sic) seu macumbeiro não venha pra cá tirar sua onda não que eu não como regue (sic) de você sua carniça. Saia do Bahia miséria (sic)”, prosseguiu, após réplica inicial do volante.

“Sou macumbeiro não tenho vergonha não pai quem é você para min (sic) manda embora do bahia também não tenho medo de você não pai vamos si (sic) bater em salvador um dia!”, respondeu o jogador do Bahia.

Em pesquisa realizada pelo jornal Correio* em 2015, nenhum jogador da dupla Ba-Vi se declarou adepto do candomblé na ocasião.

O resultado provocou estranheza porque, especialmente nos anos 80, os dois estiveram representados por Lourinho, torcedor símbolo do Bahia famoso por fazer despachos que teriam ‘amarrado’ adversários na campanha do título de 1988, e Carcaça, massagista do Vitória.

O Bahia volta a campo contra o Fluminense, no próximo domingo, às 16h (de Brasília), na Arena Fonte Nova, em Salvador.



segunda-feira, 10 de julho de 2017

Técnico do Santos quer mais futebol e menos "igrejinha" no clube


A julgar pelos 3x2 no São Paulo na partida de ontem, parece que a estratégia antigospel funcionou.

O problema é se o "pastor" Ricardo Oliveira querer continuar com sua pregação sem jogar nada de futebol.

Será que vai dar certo? Sei não...

A matéria é do Globo Esporte:

Levir quer menos religião e mais futebol no Santos e estuda abolir concentração

Técnico pede a jogadores deixem manifestações religiosas para quando estiverem fora do clube: "Religião dentro do trabalho, não"

O técnico do Santos, Levir Culpi, estuda abolir a concentração antes das partidas e não quer que cultos religiosos sejam organizados dentro do clube.

– Se você adquire a confiança do grupo, como fiz no Atlético-MG, podemos tirar a concentração. Há essa possibilidade, mas vai depender das situações. Sobre o culto religioso, quando entramos pelo portão do Santos vamos falar de trabalho e de futebol. Agora, quando saímos, cada um vai para onde quiser. Pode ser umbandista ou ateu, mas religião dentro do trabalho, não – disse Levir, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

O treinador reuniu o elenco para uma longa conversa na última sexta-feira. Dentre os assuntos, Levir, que afirma não ser religioso, falou sobre a concentração e os cultos. O elenco santista possui vários jogadores evangélicos. O atacante Ricardo Oliveira, um dos líderes do grupo, é pastor e costuma convidar colegas para cultos. Nas comemorações, os santistas costumam se ajoelhar e apontar ao céu, agradecendo.

O comandante ainda proibiu os jogadores de voltarem para casa após os jogos sem seus próprios carros – eles precisam deixar os veículos no CT. Neste sábado, Levir já deu um indício do fim da concentração. O elenco se apresentou no Hotel Recanto dos Alvinegros apenas às 22h. O jogo contra o São Paulo será às 19h deste domingo.

O atacante e pastor evangélico Ricardo Oliveira é a principal liderança religiosa no elenco. Os cultos eram realizados com frequência sob o comando do ex-técnico Dorival Júnior.



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Nadador brasileiro dá sunga amarela ao papa


A bem da verdade, não há registro de que a sunga em questão tenha sido entregue ao pontífice, mas que o nadador brasileiro Bruno Fratus tirou uma foto segurando-a e a divulgou nas redes sociais, a prova está aí acima. 

César Cielo, campeão olímpico dos 50 metros nado livre em Pequim 2008 e atual detentor dos recordes mundiais nas provas de 50 e 100 m no mesmo estilo, também estava presente no evento realizado no sábado, 24/06/17, em que o papa recebeu dezenas de nadadores italianos no Vaticano.



Na ocasião, conforme divulgou a Rádio Vaticano, o papa aproveitou para fazer um apelo pela despoluição da água em todo o mundo.

Como alguns atletas brasileiros estavam por lá, também foram convidados a visitar o papa e - obviamente - não perderam a ocasião.

Quanto à sunga, se é um presente de mau gosto ou não, fica a seu critério dizer já que ninguém sabe o seu destino, mas quem conhece os argentinos já percebeu que eles consideram vergonhoso usar uma sunga em público, razão pela qual você já deve ter observado que eles só utilizam suas bermudas quando visitam as praias brasileiras e todos sentem enorme desconforto quando veem homens usando sunga no mesmo espaço.

Já pensou o papa Francisco de sungão amarelo na intimidade de seu quarto no Vaticano, se é que existe intimidade por lá?

Não, melhor não, né...



domingo, 4 de junho de 2017

Corpo de Garrincha some do cemitério

Garrincha driblou a vida e segue driblando a morte, ou vice-versa, ninguém sabe ao certo a ordem
da eternidade e genialidade dessas pernas tortas.

Coisas incríveis que acontecem no Brasil, segundo noticia o Extra:

Cemitério na Baixada Fluminense não sabe onde está sepultado corpo de Garrincha

Quando era vivo, o atacante do Botafogo e da seleção brasileira Manuel Francisco dos Santos, ou simplesmente Mané Garrincha, era impossível de ser marcado. Com seus dribles, deixava frequentemente os adversários no chão. Morto em 1983, aos 49 anos, em decorrência do alcoolismo, Garrincha foi sepultado no Cemitério municipal de Raiz da Serra, em Magé, na Baixada Fluminense. Agora, 34 anos após o funeral, o craque dribla, involuntariamente, quem procura por seus restos mortais.

Parentes de Mané e a Prefeitura de Magé confirmaram, nesta terça-feira, que não sabem onde está enterrado o jogador, bicampeão mundial na seleção. O caso gerou repercussão na imprensa esportiva internacional.

A administração do cemitério admite a hipótese de que os restos mortais de Garrincha possam até ter se perdido durante um processo de exumação. A Prefeitura de Magé vai bancar o exame de DNA nos restos mortais.

— Pelo que a gente pesquisou, não se tem certeza de que ele está enterrado. Houve uma informação de que o corpo foi exumado e levado para um nicho (gaveta no cemitério), mas não há documento da exumação — disse Priscila Libério, atual administradora do cemitério.

No local, existem duas sepulturas como o nome de Garrincha. A primeira é coletiva e fica na parte baixa do terreno. É o local onde originalmente Mané foi sepultado, além de outros parentes do craque.

A segunda fica na parte superior do cemitério. Distante 200 metros do primeiro túmulo, foi construída em 1985 pela Prefeitura de Magé, que marcou o ponto com um obelisco. Uma das filhas do jogador, Rosângela Santos diz que a família sofre sem saber onde Garrincha está sepultado:

— Meu pai não merecia isso

O corpo de Garrincha teria sido retirado, há cerca de dez anos, do túmulo onde originalmente foi sepultado. Segundo João Rogoginsky, de 70 anos, primo do jogador, outra pessoa da família morreu e precisou ser enterrada naquele jazigo. Ele foi informado, na época, de que a ossada do atleta foi retirada para ser colocada num nicho. Mas João não assistiu à exumação.

— Eu não vi. Só me disseram que haviam tirado e colocado num nicho na parte superior do cemitério. Não deram nenhum documento disso — afirmou.

A atual administração da Prefeitura de Magé descobriu, por acaso, que o destino do corpo é incerto. O prefeito Rafael Tubarão queria fazer uma homenagem ao craque, que completaria 84 anos em outubro. Ele procurou saber o local exato do sepultamento e recebeu da Secretaria de Ação Social um relatório de um recadastramento no cemitério, feito em anos anteriores, que dizia que o corpo tinha sido exumado. O documento se baseia em informações de João e Rosângela, que não presenciaram a exumação.

— Se a família concordar, faço exumação nas sepulturas. E um DNA para saber se algum corpo é o de Garrincha — concluiu Tubarão.

A sepultura onde Mané Garrincha foi enterrado originalmente, em 1983, tem pelo menos um erro de informação. A data da morte do jogador está incorreta. O craque morreu no dia 20/01/1983.

Na sepultura, a informação que consta é que ele morreu 20/01/1985, ou seja, dois anos após a data correta. A única semelhança é a de que as duas sepulturas onde consta o nome do craque estão em péssimo estado de conservação.

A filha de Garrincha disse que seu pai foi sepultado num jazigo que pertencia à irmã do jogador.

- Fui informada pelo cemitério que haviam tirado o corpo do meu pai do local onde havia sido sepultado. Era uma cova que pertencia a uma tia que também já morreu. Disseram que estaria num nicho, mas não se tem certeza de nada. Ninguém da família foi informado da exumação do corpo. É difícil para mim e para minhas irmãs não saber onde está o corpo do nosso pai - concluiu.



sexta-feira, 17 de março de 2017

Nike lança véu para atletas muçulmanas


Nike, a gigantesca multinacional do material esportivo, anunciou que lançará - em breve - um véu especialmente fabricado para as atletas muçulmanas que preferem (ou são obrigadas) a seguir os preceitos mais estritos do islamismo em relação às mulheres.

O véu em questão será fabricado com um tecido bastante leve que permitirá e facilitará a circulação do ar e a respiração do corpo.

Espera-se que o novo material étnico-religioso incentive uma nova geração de jovens muçulmanas a se interessar pela prática das mais diversas modalidades desportivas.

Para a confecção do véu, a Nike contou com a colaboração de atletas muçulmanas que recebem seu patrocínio, a levantadora de pesos Amna al Haddad e a patinadora Zahra Lari, ambas representantes dos Emirados Árabes Unidos (EAU).

Desta forma, a Nike entra num nicho já explorado por outras marcas destinadas ao vestuário feminino segmentado para o mundo muçulmano, também conhecido como "moda islâmica" ou "modest fashion", como a DKNY e a Dolce e Gabbana.

As informações aqui reproduzidas têm sua fonte no jornal chileno El Mercurio.





quarta-feira, 15 de março de 2017

Padre Neimar garante 1ª vitória do Brasil na Copa do Mundo (dos Padres)


Delicie-se com a notícia real, divertida e esquisitona que vem do EsporteFera:

Jesus amado, que partida foi essa?
Brasil vence na Copa do Mundo dos Padres

Time brasileiro tem o capitão padre Neimar como destaque

O Brasil fez sua estreia na Clericus Cup, a Copa do Mundo dos Sacerdotes Católicos, neste domingo, contra a Bélgica. Abençoados, os representantes do Colégio Pio Brasileiro conquistaram a vitória por 2 a 1.

A equipe brasileira é formada por padres e seminaristas que estudam em Roma. Um dos destaques do time é o capitão padre Neimar, com (i) mesmo, o meia de 34 anos é comparado ao craque Neymar. Mas não foi ele que brilhou na partida deste domingo, foi o padre Leandro Nunes que salvou o jogo quando conseguiu evitar um gol do time adversário em cima da linha.

Reconhecendo falhas do time, Neimar diz que "temos que corrigi-las para a próxima partida e rezar mais", brinca durante entrevista ao O Dia, do portal IG. A próxima partida dos padres brasileiros será contra o Vaticano Anselmiano, no próximo domingo.

A COMPETIÇÃO

Diferente do futebol tradicional, o Campeonato Mundial Pontifício apresenta novas regras ao esporte. São 404 padres de 66 nacionalidades em 18 times, que disputam a competição. O tempo de partida muda para 30 minutos em cada tempo. Os cartões amarelo e vermelho, como conhecemos, não existem. Apenas um cartão impõe disciplina aos atletas, o verde. Quem receber essa "punição" terá que parar por oito minutos para pensar no que fez e se arrepender da falha que cometeu. Sendo assim, xingar a mãe do juiz está fora de cogitação. Não é mesmo, feras?

Padre Neimar, surfando na fama do xará, apresenta o troféu da Clericus Cup




segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Bernardinho diz que "pacto com Deus" o levou a deixar a seleção de vôlei


A matéria foi publicada no blog Esporte Fera do Estadão em 14/01/17:

Bernardinho diz que 'pacto com homem lá de cima' o 'forçou' a deixar a seleção

Treinador comandou o time masculino de vôlei do Brasil por 16 anos e foi bicampeão olímpico

Poucos dias após oficializar a sua saída da seleção brasileira masculina de vôlei, a vida seguiu para Bernardinho. O treinador, que dirige o Rio de Janeiro na Superliga Feminina, comentou sobre sua saída da seleção pela primeira vez e revelou que uma promessa que fez antes de ser campeão olímpico pela segunda vez na carreira foi fundamental para ele deixar o cargo.

"Em certo momento da Olimpíada, fiz um pacto. Não sou muito religioso, mas pedi para me ajudar um pouco a sair de uma situação e falei que, se fizesse isso, prometia que iria embora. Então você não pode fazer uma promessa com o homem lá de cima e não cumprir. Estava na hora de cumprir. Eu deveria ter saído logo depois para evitar tudo isso (carinho da torcida). Eu fico constrangido, mas ao mesmo tempo muito grato por tudo isso", disse o treinador, logo após a vitória por 3 sets a 0 de sua equipe para cima do Valinhos.

Visivelmente emocionado, Bernardinho também resolveu virar a página de todas as polêmicas que entrou enquanto estava à frente da seleção e fez um agradecimento especial ao ponteiro Murilo, que foi cortado do grupo que disputou a Olimpíada no Rio de Janeiro e, após o anúncio da saída do treinador, fez diversos elogios no Twitter e mostrou a sua gratidão. "Agradeço a cada pessoa que convivi nesse período, peço desculpas a quem fiz sofrer, aqueles que cortei, mas no fundo todos sabem que tentei fazer o melhor. Recebi mensagens muito gratificantes, como a do Murilo, que foi cortado agora, e para mim isso é o mais importante. Agora tenho a oportunidade de responder a ele em cadeia nacional, e agradeço tudo o que ele fez e a grandeza que teve por ter me agradecido", completou.



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