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sábado, 22 de outubro de 2016

Com voto do Brasil, UNESCO desagrada Israel quanto a Jerusalém


Parece que a onda gospel não chegou no Itamarati de José Serra. A informação é do Estadão:

Unesco ignora queixa e adota texto sobre Muro das Lamentações

Resolução proposta por países árabes renega vínculo religioso entre sítio histórico e judeus; Brasil votou a favor

PARIS - Apesar da indignação israelense, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) aprovou formalmente nesta terça-feira, 18, a resolução sobre a Cidade Velha de Jerusalém que, segundo Israel, nega o vínculo milenar entre os judeus e o local. O documento causou polêmica em Israel por usar nomes árabes para se referir a locais sagrados, incluindo o Muro das Lamentações.

O texto foi apresentado por países árabes em nome da “proteção do patrimônio cultural palestino”. A resolução foi aprovada por 24 dos 58 membros do Conselho Executivo da organização, entre eles o Brasil, na quinta-feira, em uma apreciação inicial. Seis países votaram contra – Alemanha, Estônia, EUA, Lituânia, Holanda e Grã-Bretanha – e 28 se abstiveram. Hoje, ela foi adotada formalmente pela entidade. O texto foi proposto por Argélia, Egito, Líbano, Marrocos, Omã, Catar e Sudão.

A adoção provocou irritação em Israel e seu governo anunciou imediatamente a suspensão de sua cooperação com a Unesco em sinal de protesto. Hoje, nenhum dos Estados-membros do Conselho, reunidos em assembleia plenária, pediu a reabertura do debate e, dessa forma, o texto foi confirmado sem a necessidade de uma nova votação.

A resolução, intitulada Palestina Ocupada, critica Israel por restringir o acesso de muçulmanos a um local sagrado na Cidade Velha de Jerusalém e se refere à área somente por seu nome muçulmano. Na interpretação das autoridades e da imprensa israelense, o texto nega a importância do local para a religião judaica ao se referir ao muro e localidades adjacentes, como a Mesquita de Al-Aqsa, pela nomenclatura pela qual é conhecida no mundo muçulmano.

O texto reafirma a importância da Cidade Velha para as três religiões monoteístas – o judaísmo, o cristianismo e o islamismo –, mas teria tomado partido “anti-Israel” ao ignorar os laços dos judeus com o sítio.

A Cidade Velha está dentro dos limites de Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade ocupada desde 1967 por Israel, e anexada posteriormente.

A ONU considera ilegal esta anexação de Jerusalém Oriental, que abriga a Cidade Velha e suas muralhas, local inscrito na lista de patrimônio mundial da Unesco. Na Cidade Velha está localizada a Esplanada das Mesquitas, terceiro lugar mais sagrado do Islã, mas também o local mais sagrado para os judeus, que o chamam de Monte do Templo, e onde fica o Muro das Lamentações. Em virtude de uma herança histórica, a Jordânia administra a Esplanada, mas Israel controla seus acessos.



domingo, 25 de maio de 2014

Papa busca a paz com outras religiões no Oriente Médio


Matéria publicada na Agência Brasil:

Papa quer reforçar diálogo inter-religioso em visita à Terra Santa

O papa Francisco quer reforçar o diálogo inter-religioso e a reconciliação entre igrejas do Oriente, na primeira viagem à Terra Santa, e tentar ultrapassar um conflito regional que continua se agravando. Guerra civil na Síria, impasse no processo de paz israelo-palestino e fortalecimento do fundamentalismo islâmico no Médio Oriente são algumas das preocupações que dominam "a peregrinação" do papa – popular nas comunidades muçulmana, judaica e cristã – a Amã, Belém e Jerusalém, de sábado (24) a segunda-feira (26).

Além de pelo menos 14 discursos e dois banhos de multidão em Belém e Amã, o papa vai participar de cerimônias nos locais mais simbólicos: no Rio Jordão, onde segundo a tradição Cristo foi batizado, na Basílica da Natividade, em Belém, no Santo Sepulcro, Esplanada das Mesquitas, Muro das Lamentações, Memorial do Yad Vashem e no Cenáculo em Jerusalém. Francisco vai ainda se encontrar com refugiados palestinos e sírios.

Um rabino e um professor muçulmano, Abraham Skorka e Omar Abbud, amigos de longa data de Buenos Aires, acompanham Francisco na visita ao berço do cristianismo. De acordo com o papa, o diálogo inter-religioso pode aproximar campos políticos irreconciliáveis e mostrar que a religião não é um fator de ódio.

A unidade entre cristãos do Oriente (católicos e ortodoxos), enfraquecidos pelas divisões até na Ucrânia, é um dos temas em destaque na quarta viagem de um papa à Terra Santa.

Em Amã, depois de ser recebido pelo rei Abdullah II, Francisco vai presidir uma missa no estádio da capital e se encontrar com 600 deficientes e refugiados, muitos oriundos da Síria.

Em Belém, depois de ser recebido pelo presidente da Autoridade Palestinia, Mahmud Abbas, um automóvel aberto vai levar Francisco à Praça da Manjedoura, para a maior missa da viagem.

À noite, já em Jerusalém, o papa vai se encontrar com os patriarcas católicos e ortodoxos na Basílica do Santo Sepulcro, onde está, de acordo com a tradição, o túmulo de Cristo, para uma oração.

No último dia, ele visita a Esplanada das Mesquitas, Cúpula do Rochedo (Grande mesquita de Jerusalém) e o Grande Conselho dos Muçulmanos, o Muro das Lamentações, onde deixará uma mensagem e. Ao cemitério do Monte Herzl (do nome do fundador do sionismo Theodor Herzl) ele levará uma coroa de flores.

O papa vai manter breves encontros com o Presidente Shimon Peres e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, quando as negociações da concordata entre o Vaticano e Israel – acordo sobre o regime fiscal e imobiliário dos bens das congregações católicas – parecem registar algum progresso.



sábado, 4 de janeiro de 2014

Primeira visita de um papa à Terra Santa faz 50 anos hoje

Selo jordaniano comemorava o 1º aniversário da visita de Paulo VI à Terra Santa

Exatos cinquenta anos atrás, no dia 4 de janeiro de 2014, chegava a Amã, capital da Jordânia, o primeiro papa a fazer uma visita à Terra Santa.

Paulo VI foi recebido pelo então rei jordaniano, Hussein I, que providenciou toda a logística para que o pontífice católico pudesse visitar Jerusalém em segurança.

O ano era 1964, e a Jordânia ainda tinha o controle do território da Cisjordânia, onde está compreendida Jerusalém, então dividida em suas partes Oriental (sob controle jordaniano) e Ocidental (sob controle israelense).

Ainda que Jerusalém tivesse sido declarada como capital quando da formação do Estado de Israel, a capital de fato era Tel-Aviv.

Só após a Guerra dos Seis dias de 1967 é que Israel finalmente encamparia Jerusalém como parte do seu território.

Foi nesse contexto que o papa Paulo VI decidiu peregrinar à Terra Santa, sabendo dos problemas que o esperavam.

Entretanto, ao contrário da impressão que os dados acima possam apontar, a tônica da visita papal não foi a política ou a diplomacia entre judeus e árabes.

A ênfase da viagem do papa foi encontrar e se reconciliar com os ortodoxos orientais, os dois grandes ramos do cristianismo que haviam se separado no cisma de 1.054 d. C.

A ida do papa ao Oriente Médio havia sido anunciada somente um mês antes, em 4 de dezembro de 1963, num período em que o Vaticano e Israel ainda não tinham selado laços diplomáticos.

O motivo oficial anunciado pelo Vaticano era "honrar os lugares santos onde Cristo nasceu, viveu, morreu e ressuscitou, e subiu ao céu".

Assim, em sua oração na Basílica do Santo Sepulcro, Paulo VI pediu perdão pelos erros do passado e exortou os ouvintes a "tomarem consciência de nossos pecados, dos pecados de nossos pais, dos pecados da história passada e dos pecados de nossa época".

Além do rei Hussein I da Jordânia, o papa ainda se encontrou com o presidente israelense, Zalman Shazar e os patriarcas armênio e ecumênico de Jerusalém.

O ponto alto da visita, entretanto, foi o encontro de Paulo VI com Atenágoras I, o patriarca ecumênico de Constantinopla, no último dia de sua visita à Terra Santa, em 6 de janeiro de 1964.

O abraço entre os dois líderes abriu um caminho de diálogo e reconciliação entre católicos e ortodoxos que, ainda que não tenha acabado com o cisma até hoje, produziu frutos perenes como a revogação dos decretos de excomunhão mútua de 1.054, que o papa Leão IX e o patriarca Miguel I haviam dirigido um ao outro.

Essa revogação se deu quase 2 anos depois, no dia 7 de dezembro de 1965, com a Declaração de União Católico-Ortodoxa, que anulou as excomunhões recíprocas de 5 séculos antes.

De certa forma, o encontro entre Paulo VI e Atenágoras I marcou todo o diálogo ecumênico que se seguiu. O papa criou naquele mesmo ano de 1964 o Secretariado para as Religiões Não-Cristãs e em 1967 fundaria o Pontifício Conselho Justiça e Paz.

Todo esse esforço de reconciliação era produto, também, do trauma da Segunda Guerra Mundial, em que a religião foi usada para as maiores atrocidades contra os judeus e outras minorias segregadas.

Quando ainda era o padre Giovanni Battista Montini, Paulo VI sentiu na carne os horrores do fascismo na Itália na década de 1920 e, como secretário de Pio XII durante a Segunda Guerra,  viu a que ponto a barbárie nazista podia chegar, como de fato chegou.

Desarmar os espíritos era, portanto, imperativo, e tanto o papa como o patriarca de Constantinopla souberam entender o momentum e começaram a desativar a bomba do fanatismo e da intolerância religiosa, que, lamentavelmente, ainda não foram desarticulados por completo.

Outro fator que pode ser cogitado como causa da reaproximação entre as duas igrejas foi a Guerra Fria que se seguiu ao conflito global.

A ameaça comunista era um fenômeno muito real para ser ignorado por ambas, e os ressentimentos do passado deviam ser abandonados em prol de uma estratégia possível de sobrevivência e convivência.

Demorou bastante, entretanto, para que as relações entre católicos e judeus se estabilizassem e chegassem a um denominador comum.

As relações diplomáticas entre Vaticano e Israel somente foram estabelecidas em 1994, e o papa Francisco visitará Israel, Jordânia e Palestina entre 24 e 26 de maio de 2014 para celebrar os vinte anos de amizade oficial entre os dois Estados e os cinquenta anos da visita histórica de Paulo VI.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Inscrição mais antiga já encontrada em Jerusalém pode confirmar relato bíblico


O jornal israelense Haaretz informou na sua edição de 02/01/14 que a inscrição de um pote encontrado em Jerusalém pertence ao tempo do Rei Salomão, o que o tornaria a mais antiga inscrição já descoberta na capital de Israel.

Quem a decifrou foi Gershon Galil, professor de Estudos Bíblicos e História Antiga na Universidade de Haifa.

Sua importância deriva do fato de que está escrita em hebraico arcaico e porque mostra que já havia o domínio do alfabeto em Israel no século X a. C.

O que pode ser ainda mais interessante, dependendo do ponto de vista com que se analise a descoberta, é que o pote era utilizado para guardar vinho, e a palavra "halak" nele inscrito significa "vinho barato".

"Halak" era um termo enológico na língua ugarítica, de Ugarit, no norte da região onde hoje se localiza a Síria.

Na época, havia três tipos de vinho, o de boa qualidade, o - digamos - "regular" - e o "vinho barato", de má qualidade.

De acordo com o professor Galil, o vinho "halak", muito provavelmente, era destinado aos milhares de operários que trabalharam nas grandes obras do reino de Salomão, como o primeiro Templo de Jerusalém, por exemplo.

O Primeiro Livro de Reis, no Velho Testamento, informa em seu versículo 5:15 que "tinha também Salomão setenta mil que levavam as cargas, e oitenta mil que talhavam pedras nas montanhas".

Um dos grandes questionamentos que os céticos opõem ao texto bíblico diz respeito à magnitude dos reinos de Davi e de Salomão, que, segundo alegam, não eram tão grandes como o relato bíblico faz crer.

Muitos chegam a afirmar que Jerusalém mal passava de uma vila pequena e desinteressante, sem qualquer importância no contexto do mundo antigo.

A se confirmarem as observações do professor Galil, o reino de Salomão passará a ser visto como bem administrado e que tinha um comércio internacional altamente significativo para a época.

Não se pode esquecer, entretanto, que outro grupo de arqueólogos alegou ter encontrado outra inscrição mais antiga de Jerusalém, conforme comentamos aqui no blog em julho de 2013.

Não fica claro, pela matéria do Haaretz, se se trata da mesma descoberta, então atribuída ao reino de Davi (também no século X a. C.), mas - ao que tudo indica até agora - parece se tratar do mesmo artefato.

Segue esta linha de raciocínio o Times of Israel, que teve acesso ao parecer do pesquisador e se adianta dizendo que se trata realmente daquela inscrição que foi descoberta em julho de 2013 (vide abaixo).

Aguardemos, então, maiores detalhes e análises independentes para saber se estamos realmente diante de uma descoberta espetacular para a arqueologia bíblica.






terça-feira, 24 de dezembro de 2013

2000 anos depois, uma mulher ainda dá à luz numa caverna em Israel


É muito provável que a manjedoura de Jesus estivesse localizada numa caverna, junto com os animais, perto da estalagem em Belém na qual "não havia lugar para eles" (Lucas 2:7)

É, portanto, muito curioso que crianças continuem nascendo numa caverna na região que hoje engloba Israel, Palestina e Jordânia.

E, apesar de Herodes ter morrido há mais de 2.000 anos, ainda é muito arriscado para uma mulher criar filhos numa certa caverna da região.

Ela é muçulmana, se chama Sarah Nawajah, e foi numa caverna que ela deu à luz a seus filhos, em meio à conturbada zona de guerra que é o Oriente Médio.

Não há lugar para eles...

E todos nós precisamos mais do que nunca do Príncipe da Paz:
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz.
Isaías 9:6
A interessante matéria foi publicada na Folha de S. Paulo de 22/12/13:



Mulher das cavernas

Muçulmana que mora há 45 anos como beduína relata ataques de autoridades israelenses contra sua família

RESUMO Sarah Nawajah é conhecida no acampamento de Susya, na Cisjordânia, como "a peregrina", por ter ido a Meca, cidade sagrada para o islamismo, na Arábia Saudita. "Mas esta terra também é sagrada", diz, sobre a caverna em que vive - apesar da animosidade dos vizinhos, colonos israelenses de Qyriat Arba.

(...) Depoimento a
DIOGO BERCITO
ENVIADO ESPECIAL A SUSYA (CISJORDÂNIA)

Venho de um vilarejo ocupado, perto de Beer Sheva, tomado em 1948. Meus filhos nasceram aqui, na caverna. É um modo de vida beduíno. Nós vivemos com as ovelhas.

Mudei para cá com meu marido em 1968. Os colonos israelenses tentam nos expulsar. Sofremos muito. Um dia, há cinco anos, eles vieram com seus jipes e destruíram tudo o que nós temos. Eu perdi meu azeite, eles levaram a comida das ovelhas.

No ano passado, estávamos plantando quando nos atacaram. Queimaram nossas videiras, mataram 50 de nossas ovelhas com seus rifles. Eu corria e gritava todo o tempo quando vi aquilo.

Fui reclamar no vilarejo vizinho de Qyriat Arba. Quiseram que eu assinasse um papel dizendo que sou uma causadora de distúrbios. Meus filhos foram presos. Tive de pagar [o equivalente a] R$ 3.500 para tirá-los da prisão.

Há uma torre de vigia aqui perto. Só posso ficar no vale. Se os colonos veem que eu saí, vêm tomar minha casa.

Toda vez que eles me veem, dizem que sou uma puta. Querem tomar a terra.

Tudo o que você vê aqui tem uma ordem de demolição. Não querem que a gente fique aqui. Mas eles, sim, podem ficar. Podem sair. Podem construir. Eu não. Pedi várias vezes ao governo para ter permissão, nunca me deram nada. Querem demolir até o nosso poço de água.

PECADO

Temos dificuldade para trazer ambulâncias. Um dia, meu marido, que já morreu, teve ataque de asma, e o Exército não deixou a ambulância vir. Nós o pusemos em um burro para ir ao hospital.

Dois anos atrás, os israelenses vieram e atiraram um... como se diz? Coquetel molotov. Eles não sabem o que é "haram" [pecado].

Esta é a minha terra. Não quero que tomem de mim. Posso fazer azeite dessas oliveiras e viver disso. Tenho 70 anos. Por quanto tempo consigo lidar com essa situação?

Antes de eles destruírem a caverna, era muito bonito aqui. Nos sentávamos aqui no verão, era lindo. É muito fresco no verão e quente no inverno. Mas eles não querem que a gente viva aqui.

Eu moro na tenda, agora, durante o verão. No inverno, fica frio, então arrumo um canto e venho à caverna.

O governo palestino não pode fazer nada. Nem podem vir até aqui.

SAGRADO

Eu acordo de manhã, rezo, sirvo o café da manhã para as ovelhas e começo o meu dia com os animais. Depois, levo eles para os campos, limpo minha casa e cozinho.

Na temporada, faço manteiga e iogurte do leite das ovelhas. Também planto trigo. Então temos as colheitas.

Na primavera, às vezes a colheita não é boa, então tenho de alimentar os burros com as azeitonas colhidas.

Nossa terra é valiosa. Não vamos entregar aos judeus. Só saio daqui quando morrer. Estou feliz, e só consigo dormir quando estou aqui.

Vou ficar feliz, também, quando todos os colonos forem embora. São monstros.

Uma vez, bati em um soldado. Ele veio nos dizer para sair. Eu atirei um sapato de plástico na cabeça dele. Eles estavam me empurrando!

Fui para a cidade sagrada de Meca duas vezes, por isso me chamam de "hajja [peregrina] Sarah". Mas aqui, esta terra, também é sagrada.

As dificuldades seriam outras se Maria e José
se dirigissem a Belém nos dias atuais...




segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Israel proíbe árvore de Natal no Parlamento

Não que a árvore seja o suprassumo da simbologia do Natal, o que de fato não é, mas enquanto isso, símbolo por símbolo, hordas de turistas cristãos do Brasil e de todo o mundo levam bilhões de cédulas com a efígie de George Washington a Israel e acham que estão abafando...

Alguns "bispos" e "apóstolos" "evangélicos" brasileiros até se especializaram em organizar caravanas rechonchudas o ano todo para Israel, inclusive para fazer supostas "fogueiras" à base de lenha e do engodo dos fiéis incautos.

Já que a desculpa oficial é que a árvore de Natal ficaria instalada por "tempo demais", os turistas e seus dólares poderiam passar lá por "tempo de menos", não é mesmo?

A notícia é do Estadão:

Parlamento de Israel proíbe árvore de Natal

O presidente do Parlamento de Israel, Yuli Edelstein, rejeitou a requisição de um deputado cristão para armar uma árvore de Natal em uma área pública da sede do legislativo.

O pedido foi feito por Hanna Swaid, deputado de oposição ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Segundo ele, a intenção era promover o multiculturalismo e a liberdade religiosa. Representante da minoria árabe-israelense, Swaid é cristão ortodoxo.

Eran Sidis, porta-voz de Edelstein, negou que a rejeição ao pedido de Swaid tenha relação com a preservação do caráter judaico de Israel e disse que o deputado pode montá-la em seu gabinete e no escritório de seu partido se assim desejar.

De acordo com ele, a rejeição ocorreu porque a árvore teria que ficar montada por "tempo demais".



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Míssil atinge embaixada do Vaticano na Síria

A Nunciatura Apostólica ("embaixada") do Vaticano em Damasco, capital da Síria, foi atingida por um míssil na manhã desta terça-feira, 5 de novembro de 2013, segundo informações da Agência Misna.

Eram 6:45h da manhã quando se ouviu um barulho ensurdecedor e - em seguida - se deu o impacto do artefato - uma espécie de morteiro - com um setor da embaixada no qual não havia ninguém naquele momento.

A nunciatura está localizada no exclusivo bairro de Abu Roumanneh, não muito distante do centro de Damasco.

O núncio apostólico Mario Zenari foi imediatamente verificar a extensão dos danos num muro que caiu e na parte superior do edifício, que, felizmente, se restringiram a prejuízos materiais.

Zenari comentou ainda que, se o ataque tivesse acontecido duas horas mais tarde, certamente haveria muitas vítimas fatais.

Não está claro, pelo menos no momento, se o míssil foi realmente direcionado com o fim específico de atingir a embaixada do Vaticano, já que os ataques com mísseis são relativamente comuns no atual estágio da barbárie por que passa a Síria.

O episódio é apenas mais um na guerra civil que assola o país, em que a minoria cristã, aliada do governo de Bashar al-Assad e da maioria muçulmana alauita, virou alvo das facções islâmicas radicais que querem tomar o poder a qualquer custo.

As fontes da informação aqui reproduzida são a ABC News e o Religión Digital.



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Síria se desintegra em meio a sexo, mentiras e videotape


O jornalista americano Boake Carter disse, em 1938, que "em tempos de guerra, a primeira vítima é a verdade", frase que se tornou célebre e foi confirmada por todas as guerras seguintes.

Enquanto a Síria se esfacela como nação, fica quase impossível saber o que é verdade ou mentira nas notícias que saem de lá, conforme artigo publicado no Estadão de 13/10/13:

A jihad do sexo

As principais mentiras elaboradas pela campanha de desinformação do ditador sírio, Bashar Assad

Christoph Reuters, do Der Spiegel

Sexo vende. E a Al-Qeda está impaciente por chamar a atenção. Mas a combinação de ambos - sexo e jihad - é irresistível. Dezenas de jovens mulheres estão se oferecendo aos jihadistas, segundo uma das mais recentes histórias de horror da mídia procedentes da Síria. Um xeque da Arábia Saudita teria emitido uma fatwa que permite que adolescentes proporcionem alívio a combatentes sexualmente frustrados.

No fim de setembro, Rawan Qadah, de 16 anos, apareceu na TV síria e deu um relato detalhado de como teve de satisfazer sexualmente um insurgente extremista. Quando o ministro do Interior da Tunísia informou que as jovens do seu país estavam viajando para a Síria para a jihad do sexo - e mantinham relações sexuais com 20, 30 e até mesmo 100 rebeldes -, a história ganhou as manchetes dos jornais alemães. Na Alemanha, os sites do Bild, tabloide de grande circulação, e da revista Focus atraem os leitores com artigos sobre essa "prática bizarra".

Na esteira do massacre com gás tóxico, dia 21 de agosto, Damasco lançou uma importante ofensiva de relações públicas. Mas, além da propaganda oficial, há uma segunda campanha: uma iniciativa secreta e cuidadosamente elaborada para semear a dúvida e desviar a atenção dos crimes do governo. Como muitos desses artigos fictícios, as histórias da jihad do sexo tentam convencer os críticos no exterior da monstruosa depravação dos rebeldes.

Nenhum outro líder da região - nem Saddam Hussein, no Iraque, nem Muamar Kadafi, na Líbia - recorreu a uma propaganda tão maciça quanto Bashar Assad. Sua equipe de relações públicas divulga incessantemente notícias parcialmente ou completamente fabricadas, referentes a atos terroristas contra cristãos, aumento do poderio da Al-Qaeda e a iminente desestabilização da região. As histórias, veiculadas por TVs russas e iranianas e por emissoras cristãs, acabaram sendo transmitidas pela mídia ocidental.

Um exemplo é a lenda das orgias realizadas com terroristas. A menina de 16 anos apresentada na TV estatal pertence a uma destacada família da oposição, em Deraa. Como o regime não conseguiu capturar seu pai, ela foi sequestrada pelas forças de segurança quando voltava da escola, em novembro de 2012.

No mesmo programa, uma segunda mulher confessou que teve de se submeter a práticas sexuais em grupo com membros da fanática Frente Nusra. Entretanto, segundo a família da jovem, ela foi presa na Universidade de Damasco enquanto participava de um protesto contra Assad. Ambas estão desaparecidas. Suas famílias dizem que foram forçadas a fazer declarações na TV, que a história da jihad do sexo é mentira.

Uma suposta jihadista do sexo da Tunísia também desmentiu as notícias quando foi ouvida pela mídia árabe. "É tudo mentira", afirmou. Ela admitiu que esteve na Síria, mas como enfermeira. Diz que é casada e, desde então, fugiu para a Jordânia.

Duas organizações de defesa dos direitos humanos tentaram averiguar as informações sobre a jihad do sexo, mas não conseguiram nada de concreto. Parece que o ministro do Interior da Tunísia tinha outros motivos para acreditar no boato: centenas de islamistas deixaram seu país e viajaram para a Síria - e ele tenta conter essa migração desacreditando os combatentes. O xeque Mohamed al-Arifi, que estaria por trás da fatwa da jihad do sexo, desmente tudo. "Ninguém em seu juízo perfeito aprovaria isso."

É difícil checar todas as histórias de horror na guerra síria. Isso ocorre quando elas são difundidas de maneira indireta, como o caso da maioria dos relatos sobre a perseguição de cristãos. Isso inclui a foto de uma mulher amarrada a um pilar em Alepo, que apareceu no site LiveLeak, em setembro, como se fosse uma cristã que havia sido sequestrada por rebeldes da Al-Qaeda. Na realidade, embora a foto tenha sido tirada em Alepo, ela data do período em que as tropas de Assad ainda controlavam a cidade. Um vídeo da cena, postado no YouTube no dia 12 de junho de 2012, mostra milícias leais ao regime repreendendo energicamente a mulher.

O regime também forjou a lenda da destruição da aldeia cristã de Maaloula. No início de setembro, rebeldes pertencentes grupos radicais atacaram dois postos militares nos arredores da cidade controlada pelas milícias Shabiha, leais a Assad. Em seguida, os rebeldes se retiraram. O regime, porém, deu a seguinte versão, que chegou a ser publicada pela Associated Press: Terroristas estrangeiros saquearam, queimaram igrejas e ameaçaram decapitar cristãos que se recusaram a converter-se ao Islã.

A história não correspondia aos relatos das freiras do convento de Thekla, em Maaloula, e do patriarca grego ortodoxo de Antioquia. Eles disseram que nada foi danificado e ninguém foi ameaçado. Um repórter russo esclareceu involuntariamente a confusão. Enquanto acompanhava o Exército sírio, ele filmou o ataque a Maaloula, no qual o mosteiro foi bombardeado.

A atual interpretação dos eventos é uma política consciente. A maioria das publicações evita os riscos e o esforço de checar as histórias. Os fatos verdadeiros, como aquele em que os jihadistas queimaram uma igreja na cidade de Rakka, no sul da Síria, mesclam-se com as atrocidades inventadas para influenciar a opinião global.

Até as inconsistências mais gritantes são aceitas sem questionamentos. Quando a mídia oficial noticiou que o imã Mohamed al-Buti, que apoia Assad, foi morto por um suicida em sua mesquita, em 21 de março, todos os rebeldes negaram envolvimento com o ataque. É claro que isso não significa muita coisa, mas mesmo um olho pouco treinado perceberia que as fotos não mostravam sinais de explosão: lustres, ventiladores, tapetes estavam intactos.

Havia, porém, buracos de bala numa parede de mármore e poças de sangue mostravam onde os corpos foram encontrados. Muitas das vítimas estavam com sapatos, o que é extremamente inusitado numa mesquita. Também não havia testemunhas. Tudo alimenta a suspeita de que as vítimas tenham sido forçadas a entrar no edifício e foram assassinadas, para montar o cenário de um ataque que nunca ocorreu.

Depois do ataque com gás sarin, em agosto, a propaganda falhou. Enfrentando uma onda global de indignação, o regime fracassou em explicar a situação. Em primeiro lugar, Assad disse que nada ocorrera. Então, a TV estatal mostrou imagens de um esconderijo rebelde com um tambor com o letreiro descaradamente óbvio "Made in Saudia (sic)". A notícia dizia que se tratava de gás da Arábia Saudita para os "terroristas", que inadvertidamente teriam se envenenado e morrido.

A fonte da história era um site desconhecido, o Mint Press, de Minnesota, norte dos EUA. Um dos autores disse que não tinha nada a ver com o caso. O outro, um jovem jordaniano que usa vários pseudônimos, limitou-se a dizer que estudava no Irã. Entretanto, em um comentário online a um artigo do jornal britânico Daily Mail, ele deu os detalhes que faltavam.

"Algumas pessoas chegaram a Damasco provenientes da Rússia. Fiz amizade com uma delas - que me contou que tinha provas de que os rebeldes haviam usado armas químicas." Dias mais tarde, o chanceler russo citou o artigo como prova da inocência de Assad.

Uma explicação diferente foi apresentada à TV britânica Sky News pela assessora de Assad, Buthaina Shaaban. Ela disse que terroristas haviam sequestrado 300 crianças alauitas, que foram levadas para Damasco e assassinadas para que pudessem ser apresentadas como vítimas. Agora, surge uma nova linha de defesa. Em entrevista à Der Spiegel, Assad diz que o sarin é um gás "de cozinha", porque pode ser feito "em qualquer lugar".

Embora Assad acoberte seus crimes com uma intensa campanha da mídia, ele prefere uma reunião com a imprensa para contar diretamente sua versão. Assim, ele apresenta seu regime como o último baluarte contra o terror global, embora costume ordenar ataques que atribui aos seus adversários. (Tradução de Anna Capovilla)



terça-feira, 20 de agosto de 2013

Cristãos viram alvos no tiroteio do mundo árabe



Afinal, o "tiro ao cristão" está virando uma espécie de esporte macabro no Oriente Médio? Quem está atirando, quem resiste ou foge e quem está tentando protegê-los? 

Você imaginaria que "para os cristãos sírios, quem os protege são a Rússia e o Irã, além de Assad, e não os EUA e a França, a quem consideram aliados do extremismo islâmico"?

Essas são apenas algumas das questões e das surpreendentes contradições geopolíticas e religiosas que artigo bastante detalhado e elucidativo do blog do Guga Chacra tenta explicar no Estadão:


Entenda a situação dos cristãos do Egito

Os cristãos do Egito, majoritariamente coptas, desde a Revolução Arabista de Nasser, nos anos 1950, nunca tiveram a mesma importância dos cristãos do Líbano, do Iraque e da Síria para seus países. Diferentemente de seus pares em Damasco, Bagdá e Beirute, onde integram ou integravam a elite, os egípcios sempre enfrentaram dificuldades no Cairo e Alexandria.

Durante o regime de Hosni Mubarak, muitos deles viviam nos lixões do Cairo, onde criavam porcos. Os cristãos também eram perseguidos e raros, como o ex-secretário-geral da ONU Boutros Boutros Ghali, alcançavam posições de importância.

Apenas como comparação, no Líbano, os cristãos possuem o cargo de presidente, chefe das Forças Armadas, metade do gabinete ministerial e metade do Parlamento. Verdade, representam cerca de um terço da população, enquanto no Egito são 10%. Mas, na Síria, onde a proporção é similar à egípcia, os cristãos sempre tiveram cargos importantes, incluindo, até recentemente o de ministro da Defesa.

Mesmo antes da Primavera Árabe, os cristãos, ao redor do mundo árabe, buscaram se aliar a setores mais fortes em suas sociedades para tentar se proteger. Algo normal para minorias religiosas. Ditadores seculares sempre foram vistos como protetores em Bagdá e Damasco, por exemplo. No Iraque, até 2003, os cristãos eram abertamente a favor do regime de Saddam Hussein – o número dois do regime era o cristão caldeu Tariq Aziz. Na Síria, sempre estiveram ao lado da família Assad.

No Líbano, até a Guerra Civil de 1975 a 90, os cristãos eram os mais poderosos. Depois, em uma nação politicamente nos dias de hoje dividida entre sunitas e xiitas, a maior parte dos cristãos, seguidores de Michel Aoun, buscou em uma aliança com os xiitas do Hezbollah a sua proteção. Outros, como os seguidores de Samir Gaegea, acharam melhor se aliar aos sunitas de Saad Hariri.


No Iraque, a aposta dos cristãos, em se aliar a Saddam, foi um grande erro. A invasão americana fez centenas de milhares de cristãos iraquianos buscar refúgio na Síria e nos braços de Assad que, como o ditador em Bagdá, sempre protegeu os cristãos.

A Guerra Civil da Síria fez os cristãos sírios, incluindo autoridades religiosas, a apoiarem em massa as forças de Assad, um líder secular, embora alauíta, uma vertente moderada do islamismo, e com o apoio da classe média sunita não religiosa das grandes cidades. O medo dos cristãos sírios eram acabar como os iraquianos. Neste caso, a aposta deles tem sido positiva, por um lado, pois Assad está vencendo a guerra. De outro, porém, são alvos dos rebeldes radicais sunitas da oposição que, com o apoio do Golfo e de Nações ocidentais, alvejam vilas cristãs que são alvos de massacres – para os cristãos sírios, quem os protege são a Rússia e o Irã, além de Assad, e não os EUA e a França, a quem consideram aliados do extremismo islâmico.

Os cristãos egípcios, por sua vez, nunca tiveram um protetor. Para eles, não há um Assad ou um Saddam e tampouco uma Rússia ou um Irã para defende-los. E tampouco possuem o poder político e econômico dos cristãos libaneses, que também são elite ao redor do mundo, incluindo em São Paulo.

Já tratados cidadãos de segunda classe nos anos de Mubarak, os cristãos apostaram inicialmente na redemocratização do Egito. Mas, com o presidente Mohammad Morsy, da Irmandade Muçulmana, fazendo propostas que não respeitavam totalmente as demais religiões do Egito, especialmente a cristã, eles se juntaram aos milhões de manifestantes pedindo a queda do então líder egípcios. E decidiram apostar nos militares.

Esta opção, porém, parece não estar sendo eficiente. Os cristãos, que não são responsáveis diretos pelos massacres de membros da Irmandade Muçulmana nesta semana, vem se transformando em bode expiatório por parte da Irmandade. Dezenas de igrejas foram queimadas nos últimos dias. O problema é que, diferentemente de Saddam e de Assad, com todos os seus defeitos de ditadores sanguinários, o general Sisi, assim como Mubarak anteriormente, não está preocupado com os cristãos. De uma certa forma, até os usa como tática de PR para dizer que os membros da Irmandade Muçulmana são radicais no Ocidente.

Uma pena, mas o cristianismo egípcio corre enorme risco. Cada vez mais, o único bastião seguro para os cristãos no mundo árabe é o Líbano e a Cisjordânia, além da Síria, se Assad conseguir vencer a guerra.



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Arqueólogos israelenses alegam ter encontrado palácio de Davi

Os leitores do blog devem estar curiosos com a profusão de notícias sobre arqueologia bíblica que estão sendo publicadas aqui nos últimos dias, mas é importante esclarecer que se trata apenas de uma feliz coincidência.

É que, sabe-se lá por quê, vários achados foram divulgados nos últimos dias, como a inscrição mais antiga de Jerusalém, a esfinge de 4.500 anos que estava em Israel, e o Tabernáculo de Siló.

Obviamente, todos eles estão sujeitos a maiores averiguações que já estão sendo levadas a cabo, assim como deverá causar muita polêmica a notícia divulgada ontem, 18 de julho de 2013, pela Autoridade Israelense de Antiguidades.

O órgão israelense anunciou que escavações que acontecem na região das planícies do país (conhecida como Sefelá), desenterraram duas grandes construções que seriam datadas do século X a.C., período do reinado de Davi.

Os arqueólogos da Universidade Hebraica que lideram o trabalho disseram que passaram sete anos trabalhando no local denominado Khirbet Qeiyafa, que corresponde a uma cidade fortificada dos primórdios de Israel, referida na Bíblia como Saraim (Josué 15:36, 1ª Samuel 17:52, 1ª Crônicas 4:31).

Os pesquisadores Yossi Garfinkel (da Universidade Hebraica) e Saar Ganor (da Autoridade Israelense de Antiguidades) garantem que um dos edifícios encontrados seria um dos palácios do rei Davi, e o outro seria uma espécie de enorme celeiro real.

O que levou os arqueólogos a essa conclusão (que alguns estudiosos já consideram precipitada) são as enormes dimensões das estruturas encontradas, que incluem seções específicas para postos administrativos, ferreiros e ceramistas, além de restos de alabastro que teria sido importado do Egito.

O local ainda teria proeminência na gigantesca planície que o circunda, o que lhe dava uma privilegiada visão à distância, desde o Mar Mediterrâneo no Oeste até as colinas de Jerusalém ao Leste.

Infelizmente, além dos danos causados por todas as batalhas históricas entre os reinos e impérios que dominaram a região ao longo dos séculos, quase todo o suposto palácio foi destruído 1.500 anos depois de Davi e Salomão, por uma fortaleza construída no período do Império Bizantino.

Apesar da notícia aparentemente espetacular, é preciso ter muito cuidado antes de confirmá-la peremptoriamente, como acontece com toda descoberta que envolve a arqueologia bíblica.

Aguardemos, portanto, estudos mais aprofundados e investigações independentes que confirmem se Khirbet Qeiyafa é realmente tudo isso o que os arqueólogos israelenses estão afirmando que é.

O fato é que - a se confirmarem os achados referidos acima - o mês de julho de 2013 passará para a história como um dos mais férteis no campo da arqueologia bíblica.

Abaixo você pode ver fotos do local, bem como um vídeo da antiga cidade de Saraim.








quarta-feira, 10 de julho de 2013

Encontrada inscrição mais antiga de Jerusalém

Obviamente, não foi nada combinado, mas hoje, quinta-feira, 10 de julho de 2013, é um dos dias mais férteis da história em descobertas ligadas à narrativa da Bíblia.

Mais cedo, divulgamos aqui o achado de uma esfinge de 4.500 anos de idade em Israel, lembrando ainda que 2013 está sendo um ano pródigo no terreno da arqueologia bíblica, já que pouco tempo atrás havia sido achado, também, o local onde esteve montado o Tabernáculo em Siló.

Entretanto, fomos (felizmente) atropelados pelos fatos, e a Universidade Hebraica de Jerusalém acaba de divulgar que escavações conduzidas pela equipe liderada pela arqueóloga Dra. Eilat Mazar encontraram a mais antiga inscrição alfabética de que se tem notícia na capital israelense.

A inscrição, supostamente em língua proto-canaanita (segundo as primeiras impressões, sujeitas entretanto a revisões que já estão sendo questionadas), está gravada na borda interna de um vaso de cerâmica que foi desenterrado no lado sul do Monte do Templo, onde jazia com outros seis recipientes.

O local da descoberta é o sítio arqueológico denominado Ophel, e teria sido datada como sendo do século X a. C., ou seja, proveniente do período atribuído aos reinados de Davi e Salomão.

Até então, a inscrição mais antiga que havia sido encontrada em Jerusalém remontava ao reinado de Ezequias, 250 anos depois da época em que se imagina que o artefato de Ophel tenha sido confeccionado.

Maiores detalhes sobre a descoberta serão fornecidos em artigo científico que será publicado em co-autoria da Dra. Mazar com o Prof. Shmuel Ahituv (da Universidade Ben-Gurion do Negueb) e o Dr. David Ben-Shlomo (da Universidade Hebraica), no Israel Exploration Journal 63/1 (2013).

Felizmente, foi divulgado também um vídeo que amplia significativamente as informações que demos acima, e que, apesar de estar em inglês, certamente será de grande serventia para todos os especialistas no tema.



Esfinge de 4.500 anos atrás é descoberta em Israel

Que o mundo anda meio louco, isto todo mundo sabe. Agora o que espanta mesmo é que a arqueologia esteja descobrindo coisas assim, digamos, meio fora de órbita, como uma esfinge em pleno Israel.

A proximidade histórica e geográfica entre Egito e Israel, além de todos os antigos povos que habitaram o Oriente Médio, permite inferir, obviamente, que as duas culturas estejam ligadas por milênios de tradição e intercâmbios de todo tipo, mas soa um tanto quanto rara a notícia de que os restos de uma esfinge acabam de ser encontrados ao norte do Mar da Galileia.

As primeiras informações dão conta de que um grupo de pesquisadores do Instituto de Arqueologia de Israel, escavando o riquíssimo (em História) sítio arqueológico de Hazor, que não por acaso foi declarado pela UNESCO como patrimônio cultural da humanidade, encontrou as patas de uma esfinge.

Não só a datação como a inscrição que estava no artefato indicam que a esfinge estava lá desde o reinado do faraó Miquerinos, a quem, como você já deve ter ouvido, foi dedicada a menor das três gigantescas pirâmides (as duas outras, de Quéops e Quéfren) do Vale de Gizé, cartão postal do Cairo, capital do Egito.

Para se ter uma ideia, a Esfinge de Gizé é considerada por muitos especialistas como o mais antigo monumento feito por humanos, e, apesar de todas as controvérsias que envolvem sua datação, a hipótese mais aceita é de que tenha sido construída durante o reinado do faraó Quéops, que seria o imediato antecessor de Miquerinos, embora haja estudiosos que coloquem o faraó Baka (ou Baefra) entre ambos.

A Grande Esfinge teria sido construído, portanto, por volta de 2.550 a. C. Por outro lado, estima-se que Miquerinos reinou entre 2514 e 2486 a.C., ou seja, 4.500 anos (ou 45 séculos) atrás.

Segundo os arqueólogos, a inscrição nas patas da esfinge recém descoberta diz ainda: "amado pela divina manifestação... que lhe deu vida eterna".

Quanto à esfinge de Miquerinos, ela ainda seria a única que homenageia o faraó da IV Dinastia de que se tem notícia, e a única também a ser encontrada até hoje em terras do outro lado do Mar Vermelho.

Quando Josué conquista Canaã, no século XIII a. C., 1.200 anos após o reinado de Miquerinos, Hazor era provavelmente a mais importante cidade daquela região, já que o seu rei era o "cabeça" de todos os reinos vizinhos (Josué 11:10).

As ruínas de Hazor remontam, portanto, à era do ataque devastador de Josué, mas os arqueólogos não acreditam que a esfinge já estivesse ali desde o século XXV a.C., já que não há qualquer evidência de que - àquela época - houvesse algum tipo de intercâmbio entre os egípcios e os cananitas.

Segundo dizem, é mais provável que a esfinge tenha sido levada a Hazor muito tempo depois, por volta de 1.600 a 1.500 a. C., período da XV Dinastia, em que o Egito foi governado por faraós oriundos dos hicsos, um povo cujas origens estavam de alguma maneira relacionadas com Canaã, atribuindo-se a eles, por exemplo, as deidades Anat e Ba'al, esta última muito frequente no Velho Testamento.

Alguns dias atrás foi divulgada a descoberta do antigo local onde por muito tempo teria estado o Tabernáculo de Siló. 2013 está sendo muito promissor para a arqueologia israelense. Para nossa alegria.

A fonte da informação é o Phys.org.



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