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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Paulistas pagarão pedágio até em zona urbana

Sempre é bom lembrar que o governo que cobra o IPVA mais alto do país, ao privatizar as rodovias, está admitindo pelo menos duas coisas:

1) Não sabe administrar o dinheiro dos seus contribuintes;

2) Não consegue encontrar gente competente ou honesta para gerir o suado imposto que a população lhe entrega compulsoriamente.

A privatização das rodovias do Estado de São Paulo está sendo feita há 20 anos pelo governo do PSDB, sob o argumento de que, uma vez pedagiada uma rodovia, o Estado pode investir em outras estradas menos movimentadas. 

Só que muito pouca gente constata no próprio carro a situação de abandono em que estão as estradas vicinais no Estado de São Paulo. Faz parte da estratégia tucana sucatear os bens públicos para depois justificar a sua entrega à iniciativa privada.

Entretanto, os impostos continuarão sendo cobrados. A troco de nada.

Portanto, não chega a ser surpresa a notícia que a Folha de S. Paulo divulga hoje em primeira página, dando conta de que vem mais pedágio por aí, que será cobrado inclusive em zona urbana onde você pagará para ir à escola e ao supermercado se quiser pegar um pequeno trecho da rodovia privatizada.

Enquanto a mina de ouro dos pedágios só enriquece poucos, você, eleitor e contribuinte paulista, que se dane!




Motorista vai pagar pedágio até em trecho urbano de rodovias

JOSÉ BENEDITO DA SILVA

A cobrança eletrônica de pedágio, que o governo de SP vai implantar nas rodovias privatizadas, levará milhões de motoristas a pagar para circular até nos entornos das cidades, onde as estradas são usadas como vias urbanas.

Entre os trechos de tráfego urbano que serão pedagiados estão, por exemplo, aqueles que ligam a capital paulista ao aeroporto de Cumbica (rodovia Ayrton Senna), a São Bernardo (Anchieta) e a Cotia (Raposo Tavares).

Hoje, eles não têm praças de pedágio, mas o deslocamento gratuito vai acabar por conta da instalação dos pórticos ao longo da via, que vão ler chips nos carros para fazer a cobrança.

No teste que está sendo feito na SP-75, entre Indaiatuba e Campinas, há um pórtico a cada 8 km. Com esse intervalo, as vias serão praticamente 100% pedagiadas.

A implantação da cobrança, planejada para 2013 ou 2014, vai depender de um cálculo político difícil para o governador Geraldo Alckmin (PSDB): se, por um lado, o sistema é mais justo e permite reduzir a tarifa, por outro, vai cobrar de muito mais gente.

Nem a Artesp (agência de transportes do Estado) nem as concessionárias sabem quantos usam as rodovias sem pagar. O único estudo feito -e sempre citado como parâmetro- na Dutra, uma via federal, apontou que só 9% dos carros pagam pedágio.

Se o percentual for parecido nas vias estaduais, com o chip, deve multiplicar por dez o número de carros tarifados -foram 790 milhões em 2011. "O ponto crítico, não tenho dúvida, é quem não paga e passará a pagar", afirma Karla Bertocco Trindade, diretora-geral da Artesp. Para ela, porém, o Estado não pode dizer "você paga e você não". "A questão é: usou, pagou."

Haverá impacto em dois casos: em rodovias que são vias urbanas ou metropolitanas e em ligações entre cidades onde hoje não há cabines. Na primeira, estão os exemplos acima e outros, como o da rodovia Dom Pedro 1º, que liga Campinas a três shoppings, condomínios, à Unicamp e à PUC Campinas.

Na segunda, os trechos entre São Carlos e Araraquara (Washington Luís) e Limeira e Piracicaba (Anhanguera).

Em todas as rodovias, porém, haverá um "perde e ganha": alguns usuários pagarão menos e outros, que não pagam, passarão a pagar.

Um exemplo claro é a própria SP-75. Entre Indaiatuba e Campinas há uma praça, que cobra R$ 10,10. Com os pórticos, o valor cai para R$ 4. Na via, porém, quem roda entre Indaiatuba e Sorocaba não paga hoje, mas vai pagar.

ROTA DE FUGA

Nos trechos urbanos, um efeito colateral deve ser a criação de "rotas de fuga". "Será um 'problemaço' porque o motorista tentará fazer sua rota por dentro da cidade", diz Horácio Augusto Figueira, consultor em transportes.

Para ele, que é favorável à cobrança por trecho "sob o ponto de vista da justiça", o aumento das rotas de fuga pode ser impedido se o preço por km rodado for baixo.

Ele cita o Rodoanel, que custa R$ 1,50 no trecho oeste. "As pessoas estão fugindo do Rodoanel? Não, cada dia tem mais movimento."

Usuários da rodovia Dom Pedro 1º já criticam a mudança. A pesquisadora da Unicamp Ana Lúcia Pinto mora em Campinas e percorre 13 quilômetros da rodovia para trabalhar todo dia.

"Acho o ponto a ponto justo, mas o uso em trecho urbano, na cidade, não acredito que deva ser cobrado."

O analista de sistemas André Wohlers usa a via duas vezes por semana, entre Campinas e Mogi Mirim. "Não tem justificativa a cobrança atingir áreas urbanas", afirmou.

O pesquisador Antonio Augusto, também da Unicamp, se diz favorável. "O pedágio é um mal necessário. Sou contra o preço abusivo, mas, se for proporcional, acho correto".

(Colaborou MARÍLIA ROCHA)



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O conto e a conta dos pedágios paulistas


Os contribuintes (e eleitores) paulistas são tão bonzinhos: mesmo os que não usam diretamente os pedágios (mas pagam por eles nos preços embutidos nos produtos e serviços que consomem), todos vão pagar até morrer os prejuízos causados pela privatização das rodovias, e ainda deixarão aos seus filhos, netos e bisnetos, o prazer de continuar pagando os bilhões de reais dos prejuízos causados à DERSA. Como a cada ano que passa, o Estado de São Paulo perde participação no PIB em razão da fuga da indústria e dos serviços para Estados melhor administrados, a conta ficará ainda mais salgada e os pedágios mais rentáveis do mundo (para poucos) continuarão sendo pagos por milhões de paulistas, mesmo que o veículo do futuro seja uma espécie de jatinho espacial (ou finalmente inventem o teletransporte). A matéria é da Carta Capital:

A conta não ficou só nos pedágios

Rodrigo Martins


As privatizações das rodovias paulistas iniciadas no fim dos anos 1990 prometeram o céu: pistas melhores e menos gastos públicos. As estradas são realmente boas. Quanto à redução das despesas do governo… Basta ver a situação da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A), que operou as rodovias por 40 anos e hoje está em situação calamitosa. Em 2010, a empresa de economia mista vinculada à Secretaria Estadual de Logística e Transportes, apurou um prejuízo de 583 milhões de reais. Com esse resultado, o rombo acumulado pela companhia desde a sua fundação ultrapassou a marca dos 8,32 bilhões de -reais. No fim do ano passado, se a empresa tivesse de fechar as portas, o seu patrimônio não seria suficiente para quitar os débitos. Faltariam 967,2 milhões de reais para honrar todos os compromissos.

O cenário é ruim, mas, de acordo com uma auditoria da KPMG, poderia ser melhor caso o governo do estado tivesse quitado as indenizações que deve à empresa pelas rodovias que entregou à iniciativa privada com o Programa Estadual de Desestatização. A dívida soma 2,5 bilhões de reais. Esse valor, por sinal, seria bem maior hoje se a companhia não tivesse abdicado de cobrar juros e correção monetária sobre o débito. O prejuízo da Dersa em 2010, por exemplo, seria 40% menor, uma diferença de ao menos 240 milhões de reais, segundo os cálculos da KPMG.

Em 2009, a empresa perdeu a operação das últimas três estradas que controlava, encerrando uma história de 40 anos como concessionária de rodovias. A Ecopistas pagou 595 milhões de reais e prometeu investir outros 828 milhões para explorar, por 30 anos, o corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto. Já a rodovia D. Pedro I foi outorgada à concessionária Rota das Bandeiras por 1,39 bilhão de reais, mais investimentos de 2,1 bilhões até 2039. Como a Dersa poderia explorar esses corredores por mais 13 anos, ficou acertado que a empresa receberia 1,58 bilhão de reais a título de indenização no primeiro caso e 935 milhões no outro. A Dersa não sabe estimar quanto deixa de arrecadar em pedágios atualmente pela privatização dessas estradas. No último ano em que as operou por 12 meses completos, faturou 281 milhões.

O que chama mais a atenção no relatório da KPMG, datado de 29 de março, é a constatação de que “a continuidade das operações da companhia depende do aporte de recursos financeiros do governo do estado de São Paulo, seu principal acionista, e do recebimento das indenizações citadas anteriormente”. Além disso, o texto assinado pelo auditor Wagner Petelin levanta “dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional” da empresa. É por essa razão que o deputado Luiz Claudio Marcolino (PT), da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa de São Paulo, pretende incluir questionamentos sobre a saúde financeira da Dersa durante uma audiência a ser realizada no parlamento paulista. A oposição espera convocar o presidente da empresa, Laurence Casagrande Lourenço, para esclarecer o excesso de aditivos em obras da Dersa. “Os empreendimentos costumam terminar com um preço bem superior ao do contrato original e causa estranhamento saber que, apesar de estar à frente das maiores obras viárias do estado, a Dersa tenha acumulado prejuízos- tão elevados.”

De acordo com Márcio Cammarosano, professor de Direito Administrativo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), os administradores da Dersa podem exigir o pagamento das indenizações devidas pelo governo paulista, mesmo sendo o estado o seu principal acionista. “Trata-se de uma empresa de economia mista, que também deve satisfações aos seus sócios privados. Se a Dersa tinha direito a explorar essas rodovias por mais tempo e foi impedida, deve ser ressarcida, porque isso pode afetar a economia interna da empresa”, avalia. É pouco provável, no entanto, que os sócios privados da companhia venham requerer alguma coisa. Eles detêm apenas 0,000001% das ações da Dersa. O restante pertence à Fazenda paulista. “Normalmente, numa situação como essa, a administração da empresa entra em acordo com o estado, o principal acionista.”

Por meio de nota, a Dersa diz ter solicitado ao Estado “autorização para converter em capital social a parcela do passivo não circulante, registrada como ‘adiantamento para futuro aumento de capital’”. Em outras palavras, o governo pode autorizar o aporte de 3,4 bilhões de reais para tapar o buraco contábil da empresa. “Tão logo sejamos autorizados pelo nosso acionista, faremos a atualização contábil e passaremos a uma situa-ção de patrimônio líquido positivo”.

Esse investimento, contudo, não diz respeito ao pagamento das indenizações devidas à Dersa pela privatização das rodovias, um débito que deve ser quitado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A nota afirma ainda que a Dersa está negociando com o DER, mas informa que a empresa também possui dívidas com o órgão estadual, sem, no entanto, especificar esses valores. “Ao final das tratativas teremos um encontro de contas, com resultado positivo em favor da Dersa, e um plano de quitação desse débito”, completa o texto. Quanto à decisão de não cobrar juros e correção monetária correspondente às indenizações, a companhia alega ter agido em conformidade com o “princípio da prudência”, uma vez que “não existia naquele momento uma expectativa do correspondente ingresso financeiro imediato”.

Atualmente, a Dersa sobrevive com a receita das travessias de lanchas e ferry-boats que operam no litoral paulista e a prestação de serviços técnicos no campo da infraestrutura de transportes e logística, sobretudo no apoio a grandes projetos viários do governo. A empresa garante não ser dependente do Tesouro paulista, “o que significa que os aportes de capital do acionista são dirigidos somente a investimentos da empresa”. Por essa razão, as contas da Dersa não são registradas no Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), mecanismo de controle dos gastos públicos aberto aos parlamentares. No fim, a empresa virou uma caixa-preta que não permite avaliar até que ponto as privatizações de rodovias prejudicaram a Dersa e, a despeito do pagamento das concessões, criaram, na prática, um rombo a ser coberto pelos cofres públicos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Estradas paulistas cobram mais pedágio do que podem

O pedagiômetro aí ao lado revela que só em 2010, até hoje, os pedágios paulistas renderem quase 5 bilhões de reais. De vez em quando, a imprensa paulista descobre assim do nada o que os motoristas que cruzam as estradas do Estado (e o atual, o futuro e o ex-governador) estão carecas de saber há décadas, conforme a notícia abaixo publicada ontem na Folha de S. Paulo. Pena que só publicam depois das eleições. Se bem que é dos carecas que os paulistas gostam mais...

Principais rodovias cobram pedágio a mais



Governo de SP alterou regra de reajuste, causando valor indevido em vias como Bandeirantes, Imigrantes e Castello

A diferença a mais em 24 praças varia deR$ 0,05 a R$ 0,10; maioria foi beneficiada, diz gestão tucana

ALENCAR IZIDORO
DE SÃO PAULO

Os motoristas pagam desde julho um valor indevido de pedágio, acima do previsto nos contratos de concessão, em 24 praças de São Paulo.

O valor extra afeta inclusive trechos de rodovias movimentadas como Bandeirantes, Anhanguera, Castello Branco, Raposo Tavares, Anchieta e Imigrantes.

A diferença a mais nesses postos de cobrança, que representam 18% do total existente no Estado, varia de R$ 0,05 a R$ 0,10 para carros.

Ela é um efeito colateral de uma decisão do governo Alberto Goldman (PSDB) às vésperas das eleições. Ele resolveu mudar, unilateralmente, a regra contratual de reajuste e arredondamento.

O objetivo divulgado publicamente era atenuar os aumentos, evitando ajustes acima da inflação num momento em que esse tema era motivo de críticas à candidatura de Geraldo Alckmin.

Em 72 praças, os reajustes realmente ficaram menores. Em 39, deu na mesma. O problema é que houve um resultado contrário em 24. Esse efeito colateral, negativo para milhares de motoristas, foi omitido pelo Estado.

Goldman alterou a base de correção da tarifa. Ela ocorreria a partir de um valor exato, previsto em contrato, mas foi aplicada sobre um valor arredondado, cobrado na cabine.

Numa praça da via Anhanguera, por exemplo, a tarifa de R$ 6,10 deveria passar para R$ 6,30 pelo contrato. Ficou em R$ 6,35 com o novo cálculo. Num ponto da Bandeirantes, deveria ter ido de R$ 6,10 para R$ 6,40, mas ficou em R$ 6,35 (veja quadro).

O governo diz que a medida beneficiou ou foi indiferente para 85% dos usuários (o número total não foi informado). Mas há uma estimativa de técnicos de que foram prejudicados por dia de 200 mil a 400 mil, que pagam esse "extra" sem saber.

Um motorista que passa num pedágio desses na ida e outro na volta diariamente pode ter um prejuízo anual de até R$ 73. Ou seja, mais do que a taxa de inspeção veicular paulistana, de R$ 56,44.

Entre os prejudicados estão os que passam na principal rota do litoral. A tarifa no sistema Anchieta-Imigrantes, baseada em cálculos contratuais, deveria ser de R$ 18,40, e não os R$ 18,50 desembolsados desde julho.

Em nota, a Secretaria dos Transportes, chefiada por Mauro Arce, diz que a decisão "se mostrou benéfica para a grande maioria" e, no "pequeno número de praças" onde houve efeito negativo, a tarifa deve ser revista em 2011.

O governo Goldman não comenta valores específicos e nega acesso a processos que revelariam os detalhes.

QUEBRA DE CONTRATO

As concessionárias viram na decisão quebra de contrato que pode motivar pedido judicial de indenização.

Executivos do setor dizem que houve oposição radical do corpo técnico da Artesp, agência reguladora das concessões de rodovias de São Paulo. Mas a mudança foi imposta pelo secretário Arce.

Ele temia a repercussão negativa de uma alta de 16,7% (de R$ 1,20 para R$ 1,40) numa praça de Diadema (ABC), devido aos critérios contratuais de reajuste.

As principais concessionárias formalizaram alertas ao governo. Alegam que, no conjunto, haverá um ônus superior a R$ 8 milhões a ser assumido por Alckmin.

Ressaltam que há praças cobrando tarifas mais caras do que as corretas -e que não haverá como ressarcir quem já passou por elas.



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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Um basta! aos pedágios abusivos

Movimentos organizados de cidadãos paulistas contrários ao alto preço dos pedágios planejam promover uma paralisação geral nas rodovias do Estado no dia 1º de julho, caso não haja negociação com o governo para rever a política de concessões do governo estadual. Infelizmente, a coisa parece estar partidarizada e inserida no contexto da disputa eleitoral PSDB x PT deste ano, mas não deixa de ser um excelente momento para que todos aqueles que não se conformam com os altos preços cobrados para trafegar nas rodovias paulistas aproveitem o momento para colocar o tema em pauta, procurando, sobretudo, tirá-lo do apaixonado e inconsequente debate eleitoral para discuti-lo como política de Estado. Aliás, está mais do que na hora do país sair dessa polarização idiota entre petistas e tucanos, entre direita e esquerda, e tratar as políticas públicas como uma questão pura e simples de exercício de cidadania.

Ainda que todos paguem os seus impostos, inclusive o IPVA, o que - em tese - faz com que construir e conservar estradas boas seja uma obrigação (e não um favor) do Estado, acho que há um certo consenso de que é minimamente aceitável pagar pedágio para ter estradas melhores. A questão é o alto preço dos pedágios, cobrados indistintamente com critérios discutíveis e a preços absurdos. Os governantes se defendem dizendo que a privatização das rodovias - com as consequentes tarifas abusivas -, se justifica pela qualidade e transparência dos serviços prestados, esquecendo-se de que, ao dizer isso, estão confessando que não têm competência para gerir a malha rodoviária, nem dispõem de pessoas honestas para comandá-la. Também não fica claro se as concessionárias contribuem de alguma maneira para o caixa de suas campanhas. Outra alegação corriqueira é a de que só paga pedágio quem é rico, o que é a mais deslavada demagogia, já que o preço pago pelo produtor/prestador na estrada vai inflacionar o preço final que o consumidor paga pelo produto ou serviço que compra, seja ele um tomate ou um automóvel. Além disso, as empresas de ônibus já diluem o preço do pedágio no valor de suas passagens, encarecendo-as a cada nova praça construída. Enfim, não resta ao cidadão senão procurar (e protestar) pelos meios legítimos uma revisão nesta política vergonhosa.

Eis a notícia do movimento antipedágio, do site Cosmo On Line:


Grupo antipedágio ameaça parar rodovia

Caso não haja acordo, a paralisação, organizada entre todos os movimentos contra os pedágios existentes em SP

Venceslau Borlina Filho
Agência Anhanguera de Notícias

Integrantes da Comissão Cidadania Participativa de Indaiatuba ameaçaram ontem (11/02) parar as rodovias paulistas caso o governador José Serra (PSDB) não abra a discussão para rever o modelo de concessão. A intenção é criar, com apoio de deputados estaduais da bancada petista, uma frente parlamentar na Assembleia Legislativa específica sobre o assunto e convocar o Estado para a discussão. Caso não haja acordo, a paralisação, organizada entre todos os movimentos contra os pedágios existentes em São Paulo, já teria data para acontecer: 1º de julho, ficando marcada como o Dia de Mobilização contra os Pedágios no Estado de São Paulo — data-base de reajuste das tarifas.

O recado foi dado durante a 1ª Reunião Estadual dos Movimentos contra os Pedágios Abusivos do Estado de São Paulo organizada pela comissão — grupo que luta pela diminuição da tarifa de R$ 8,80 cobrada na praça do Km 60 da Rodovia Santos Dumont (SP-75). Indaiatuba é uma das que mais sofrem os efeitos de um pedágio na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Em toda a RMC, são 11 praças de pedágio. Se somadas as praças na região expandida, incluindo municípios como Elias Fausto, Itupeva, Atibaia, Louveira, Rafard, entre outros, esse número sobe para 22. “Queremos usar a frente parlamentar para negociar. Se não tivermos avanços, vamos conclamar todos os movimentos a parar os corredores”, disse o coordenador da comissão, José Matos. Serra anunciou na semana passada a diluição do valor da praça de pedágio de Jaguariúna, criando uma praça em Mogi Mirim e dividindo a cobrança da tarifa.

Os deputados petistas Roberto Felício, Marcos Martins e Antonio Mentor apoiaram a iniciativa. A deputada Ana Perugini (PT), apesar de demonstrar preocupação com a paralisação programada, também apoiou a mobilização em torno dos pedágios. Os deputados questionam, principalmente, a outorga da concessão, onerosa aos usuários das rodovias que já contribuem com impostos destinados a conservação de rodovias, como o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Outro ponto levantado foi a comparação entre os modelos de concessão do Estado e do governo federal, cuja diferença está entre o valor da outorga e a exploração pela menor tarifa.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Pedágio? Enjoy!

O Brasil é mesmo um país bem original. Deve ser o único lugar no mundo onde concessionária de pedágio faz propaganda das suas rodovias. Considerando-se que publicidade na televisão não é de graça (pelo contrário, custa muito caro), somos obrigados a deduzir que sobra tanto dinheiro nas receitas provenientes dos valores abusivos dos pedágios no Estado de São Paulo, que a CCR (grupo que reúne as concessionárias das principais rodovias do RJ e de SP) se dá ao luxo de fazer propaganda das suas estradas, talvez preocupada com a crescente cobrança no sentido contrário, ou seja, muita gente simplesmente deixa de viajar, ou escolhe os raríssimos caminhos alternativos (onde há) para fugir da ânsia de lucro do grupo. Quem sabe, se a CCR destinasse o valor da publicidade para a diminuição do valor dos pedágios, trazendo-os a níveis civilizados, o resultado seria melhor para todos.

Veja também: Um basta! aos pedágios abusivos

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Grandes delírios eleitoreiros

Soninha Francine, não contente em ser péssima apresentadora de televisão e crer-se comentarista de futebol, parece querer empobrecer ainda mais as idéias políticas. Em entrevista ao UOL (clique aqui para ler), a atual vereadora e candidata a prefeita pelo PPS propõe instalar o pedágio urbano na cidade de São Paulo, sob o singelo argumento de que se trata de uma correção de injustiças, "porque todo mundo paga pelo efeito do automóvel na cidade, a construção de vias, os custos da poluição e do estresse". Primeiramente, se a idéia principal da nobre candidata é essa, já estamos diante de um caso de alguém que não tem propostas nem a mínima idéia do que seja um programa de governo para a cidade. A exemplo de César Maia, prefeito do Rio, quer apenas lançar factóides na mídia. Em segundo lugar, a demagogia de Soninha se assemelha à de Mário Covas quando defendia os pedágios nas marginais da Rodovia Castello Branco em Alphaville. Dizia o finado governador que "quem paga pedágio é rico", esquecendo-se (convenientemente) de que pobre também passa por lá, e até a sua passagem de ônibus é majorada pelos custos adicionais que ele dizia infligir aos ricos. Estes, por sua vez, repassam aos pobres os seus custos, e todo caminhão de chuchu que passe por esse pedágio vai repassar aos fregueses dos feirantes o pedágio do Covas (e da Soninha também, se ela tivesse alguma esperança de vencer a eleição), transformando tudo num passe-e-repasse sem fim.

Algo, entretanto, não deve nos escapar: toda vez que vemos algum político, seja ele governante ou candidato, dizer que vai instalar pedágios, ou adicionar algum encargo público aos nossos já combalidos bolsos, ele está confessando que não sabe administrar a coisa pública, nem vai coibir a corrupção. O que ele (ou ela) está dizendo, com outras palavras, é o seguinte: "olha, gente, eu não vou impedir a roubalheira nos cofres públicos, pois não sei administrar nem ter idéias ou impor respeito; então, quem vai pagar o pato é o povão, ou seja, vocês!". E dá-lhe outra taxa, tarifa ou imposto. E vamos nos conformando, achando que isto é normal. A cada dia que passa, valores supremos como ética, decência, honestidade, vão se parecendo mais e mais com histórias da carochinha, recordações esmaecidas de um passado que não existe mais. Pelo jeito, Soninha quer adaptar a frase originalmente atribuída a Osvaldo Aranha, transformando São Paulo num deserto de carros, mulheres e idéias.

Veja também: Um basta! aos pedágios abusivos

quarta-feira, 30 de julho de 2008

De pedágio em pedágio - 2

(atualizado em 01/07/2017)

(este blog foi encerrado em 02/02/2018 - nos despedimos neste artigo)

Reparei que muitas pessoas chegam a este blog através do Google (obrigado pela visita!), pesquisando por alternativas que permitam fugir dos preços escandalosos dos pedágios da Rodovia Castello Branco, e outros que procuram saber quantos pedágios existem na Raposo Tavares, especialmente entre Itapetininga e Ourinhos, onde eles (ainda) não existem, e no trecho Bauru - Santa Cruz do Rio Pardo - Ourinhos - Assis - Presidente Prudente, que já foi privatizado em 17/03/09 para a concessionária CART, o que tornou a viagem entre Ourinhos e São Paulo ainda mais cara (veja a comparação mais abaixo). 

Em relação a este último trecho, clique no mapa abaixo para ter uma noção de onde estão as novas praças de pedágio que proporcionam esta nova despesa aos cidadãos que já pagam imposto adoidado:






Veja agora os valores que incluem a SP 225 e a SP 327 (Bauru-Piratininga-Santa Cruz do Rio Pardo-Ourinhos), estradas que ligam o final da Castello Branco a Ourinhos, e também o trecho da Raposo Tavares até Presidente Epitácio:

SP 225 - km 251 - R$ 5,50 - Piratininga
SP 225 - km 300 - R$ 5,20 - Santa Cruz do Rio Pardo
SP 327 - km 014 - R$ 6,40 - Ourinhos
SP 270 - km 413 - R$ 7,60 - Palmital
SP 270 - km 454 - R$ 7,90 - Assis
SP 270 - km 512 - R$ 6,40 - Rancharia
SP 270 - km 541 - R$ 6,50 - Regente Feijó
SP 270 - km 590 - R$ 8,50 - Presidente Bernardes
SP 270 - km 639 - R$ 6,40 - Caiuá

Os valores acima são cobrados nos dois sentidos (interior e capital). Motocicletas também pagam pedágio, na metade do valor em cada local acima. Na dúvida, consulte-os pelo telefone 0800-773- 0090 ou pelo site deles.

Neste trecho (Santa Cruz do Rio Pardo - Ourinhos - Assis - Presidente Prudente - Presidente Epitácio), infelizmente, não há como escapar dos pedágios, salvo no trecho entre Assis e Presidente Prudente, onde você tem a opção de não pagar nada entrando na SP-284 em Assis, tomando a direção de Paraguaçu Paulista.

A distância entre Assis e Presidente Prudente é praticamente a mesma indo pela SP-270 ou pela SP-284, só que nesta última você não precisa pagar nenhum pedágio.

É só entrar na SP-284 no trevo de Assis/Londrina/Maracaí/Paraguaçu Paulista e tomar a direção desta última cidade, depois você passará por Quatá, João Ramalho, Rancharia e Martinópolis, onde a rodovia termina e se encontra com a SP-425 (Rodovia Assis Chateaubriand) que está quase toda duplicada na direção de Presidente Prudente.

Ambas as estradas (SP-284 e SP-425) estão em boas condições de conservação, mas existe o inconveniente de um alto tráfego de caminhões, que já descobriram a opção mais barata e não têm nenhum constrangimento de escolher essas vias sem pagar pedágio.

Também preferem essas rodovias um alto número de carros particulares com placas de Presidente Prudente e de outras cidades do Pontal do Paranapanema. Se você, como eles, não se incomoda com o tráfego intenso, é só tomar as precauções necessárias de segurança e você economizará R$ 20,80 em pedágios na ida (ou na volta). Com a vantagem de conhecer cidadezinhas do interior bem agradáveis, com ótimas opções de serviços, por este percurso.

No trecho São Paulo - Ourinhos, entretanto, considerando que todo cidadão tem o direito de opor-se à cobrança abusiva de pedágios, e procurar maneiras lícitas e econômicas de desviar deles, resolvi escrever uma espécie de manual de sobrevivência a essa tunga indecente, que conseguiu piorar (a partir de 07/07/14) com o novo pedágio no km 135 da Raposo Tavares (em Alambari), que agora cobra absurdos R$ 7,80 nos dois sentidos. 

Até julho de 2014 se cobrava R$ 8,80 apenas no sentido capital, e não há registro de que alguém (nem o Ministério Público) tenha se disposto a investigar mais essa vergonha paulista.

Primeiramente, é necessária uma comparação das tarifas de pedágio nas duas rodovias em questão, considerando apenas os veículos de passeio, em valores de julho de 2017 (atualizamos em 01/07/17 - a atualização da tarifa é anual, todo mês de julho):



1) Rodovia Castello Branco:

1.a) Sentido Interior

km 18 – Alphaville – R$ 4,10
km 33 – Itapevi – R$ 8,20
km 111 – Boituva – R$ 9,10
km 158 – Quadra – R$ 12,50
km 208 – Serra de Botucatu – R$ 12,50
km 278 – Iaras – R$ 8,50

SP 225 - km 300 - R$ 5,20 - Santa Cruz do Rio Pardo
SP 327 - km 014 - R$ 6,40 - Ourinhos

Total Interior = R$ 66,50


1.b) Sentido Capital

SP 327 - km 014 - R$ 6,40 - Ourinhos
SP 225 - km 300 - R$ 5,20 - Santa Cruz do Rio Pardo

km 278 – Iaras – R$ 8,50
km 208 – Serra de Botucatu – R$ 12,50
km 158 – Quadra – R$ 12,50
km 111 – Boituva – R$ 9,10
km 74 – Itu – R$ 11,00
km 20 – Alphaville – R$ 4,10

Total Capital = R$ 69,30

Total ida e volta = R$ 135,80




2) Rodovia Raposo Tavares:

2.a) Sentido Interior

km 46 – Vargem Grande Paulista– R$ 8,80
km 111 – Araçoiaba – R$ 3,70
km 135 - Alambari - R$ 7,80

Total Interior = R$ 20,30

2.b) Sentido Capital

km 135 – Alambari – R$ 7,80
km 111 – Araçoiaba – R$ 3,70
km 79 – Alumínio – R$ 8,40

Total Capital = R$ 19,90

Total ida e volta = R$ 40,20




Percebe-se, portanto, que a economia de pedágios, para quem troca a Castello Branco pela Raposo Tavares no trecho São Paulo - Ourinhos, pode chegar a R$ 95,60, valor que pode ser utilizado para completar um tanque de álcool, por exemplo, sobretudo na região de Ourinhos e Assis, onde o etanol tem o preço mais em conta. 

Existe, ainda, uma ótima opção para quem viaja em direção à capital e tem moderada pressa em chegar. Para evitar os lentos trechos urbanos de Alumínio e Mairinque (atravessar São Roque, Vargem Grande e Cotia está mais fácil agora), o motorista pode entrar no acesso (Rodovia José Ermírio de Morais - "Castellinho") à Castello Branco que existe no km 91 da Raposo Tavares, em Sorocaba. 

São 18 km livres de pedágio até a Castello (só se paga R$ 6,20 na Castellinho no sentido inverso, daí não ser vantagem fazer o caminho contrário). Depois, ao invés de pagar R$ 8,40 em Alumínio, se pagam R$ 11,00 em Itu e R$ 4,10 em Alphaville, o que pode eventualmente favorecer quem tem mais pressa e menos paciência. 

Para conferir e obter os valores atualizados das tarifas de pedágio no estado de São Paulo, consulte o site da ARTESP .

A Raposo Tavares é uma boa opção para quem sai para viajar com tranquilidade, de preferência durante o dia, e fora dos horários de pico. Além do trecho inicial ser bastante movimentado até Cotia, existe um tráfego intenso de caminhões nos 50 km que separam Sorocaba de Itapetininga, que não incomoda mais já que a rodovia foi completamente duplicada entre as duas cidades.

O problema não é tanto o número de caminhões, que não é tão grande assim, mas a sanha arrecadadora do governo do Estado mancomunado com as concessionárias, que fazem de tudo para você pegar a caríssima Castello Branco.

Na Raposo Tavares como um todo, evite toda e qualquer tentação de desrespeitar os limites de velocidades ou ultrapassar na faixa dupla, pois a chance de você ganhar uma multa é muito grande. A Polícia Rodoviária está sempre de tocaia esperando os motoristas incautos e impacientes.

Lembre-se, também, que desde 1º de novembro de 2014, as multas por ultrapassagem proibida estão muito mais pesadas.

Aliás, eu nunca vi os policiais multando caminhões por estarem abaixo da metade da velocidade permitida para o local (100 km/h em quase toda a Raposo, salvo o trecho duplicado entre Sorocaba e Itapetininga, que - inexplicavelmente - tem limite de 80 km/h - preste bastante atenção).

Portanto, resista bravamente à tentação de ultrapassar na faixa dupla. Tome cuidado também com os radares escondidos. Não são muitos, mas sempre estão por lá.

A estrada está em boas condições em quase toda a sua extensão. O trecho entre Ourinhos e Piraju foi recapeado em 2010, mas as chuvas desde então deixaram a pista consideravelmente avariada especialmente nos cerca de 35 km entre Piraju e Ipaussu, o que revela o descaso do Governo do Estado com o dinheiro público, ao pagar dezenas de milhões de reais por um serviço que não durou nem um ano (o trecho foi recapeado algumas vezes desde então e já está bem transitável, mas tenha especial cuidado na estação das chuvas).

Evite passar à noite por este trecho em especial e tenha muito cuidado, porque alta velocidade e desatenção podem comprometer a segurança e a manutenção do veículo. Outro trecho que continua significativamente comprometido é entre Angatuba (km 204) e Itaí (km 275).

Recomenda-se atenção redobrada nas terceiras faixas (há poucas, em geral com dificuldades) e nos trevos em elipse (alongados), não só com os muitos treminhões de cana-de-açúcar como com os muitos buracos que eles sempre deixam por lá. Ali, em especial, jamais ultrapasse com faixa dupla, mesmo com total visibilidade, pois há sempre um policial à espreita.

Com relação a postos de serviço, há boa oferta de combustível, mas nem tanto de serviços e alimentação para uma parada mais agradável. Não espere encontrar um Rodoserv na Raposo Tavares. Não há, infelizmente. 

O melhor posto é o antigo Tibiriçá, no km 244, na entrada para Paranapanema, que foi comprado pela rede Graal e recentemente reformado, e agora se chama Graal Holandês.

Não se sabe o gênio do Graal que trocou o brasileiríssimo nome Tibiriçá (com décadas de tradição) para Holandês, provavelmente em homenagem ao distrito de Holambra II que fica a 10km dali, ao qual você pode fazer uma visita agradável se não estiver com muita pressa.

Nada contra os holandeses, diga-se de passagem, mas se a rede Graal quisesse homenageá-los era só colocar um moinho na frente do posto (o que já foi feito, inclusive), onde também se pode comer um lanche ou fazer uma refeição em condições razoáveis (embora os preços, antes justos, agora seguem o padrão Graal de inflação). 

Pelo menos tiveram a boa ideia de montar uma pequena loja de produtos típicos da Holanda, com artigos simpáticos e preços convidativos.

Outras boas opções para se alimentar, além do Tibiriçá (vai demorar até eu aceitar chamá-lo de Graal Holandês), são o também antigo Borssato (agora se chama Siquelero, no km 159, nas duas direções), o Piraju (km 325) e um restaurante caipira no km 352, entre Chavantes e Ipaussu (que tem uma comida honesta, mas com pouca personalidade e variedade).

O Posto Jurumirim, no km 309, de gloriosa tradição nos anos 60 e 70, antes do prolongamento da Castello Branco, passou por uma longa reforma, e é uma opção razoável para suas refeições. A cozinha do Jurumirim é visivelmente limpa (você pode vê-la através das vitrines dos amplos balcões), mas os banheiros são sofríveis. E o atendimento é dos piores.

Se você faz questão de banheiros rigorosamente limpos, o melhor, disparado, é o do Trevo-Itaí (km 280), onde a comida é boa também, embora sem muita variedade. No quesito "banheiro limpo", destaca-se também o Tibiriçá, recentemente reformado. O Jurumirim chegou a ter banheiros limpos logo após a reabertura, mas ultimamente tem deixado muito a desejar.

Quanto ao abastecimento de combustível, aproveite o Carrefour do Iguatemi - Esplanada Shopping de Sorocaba (km 100 – do lado do Extra e do Íbis Hotel, a 200m do trevo - preste muita atenção nas placas indicativas, a construção das marginais da Raposo em Sorocaba faz com que o acesso seja feito pela via marginal muito antes do shopping). Lá a qualidade é garantida a bons preços, o que não ocorre em toda a rodovia, e você ainda tem a opção do próprio supermercado e do shopping todo para lazer e alimentação.

A melhor parte de viajar pela Raposo Tavares é a paisagem. O rio Paranapanema serpenteia a rodovia a partir do km 230, onde ele ainda é uma bela várzea e ali existe uma vila de pescadores que vendem peixes à beira da estrada.

Depois vêm as grandes represas das usinas de Jurumirim, Piraju e Chavantes, num trecho onde o tráfego é bastante leve e o espetáculo da natureza é garantido. Por isso, também, é melhor passar pela Raposo durante o dia, para apreciar o que ela tem de melhor.

Ah, se puder, dê uma entrada em Piraju, que é uma típica cidadezinha do interior muito agradável, com uma pequena usina hidrelétrica (e a correspondente represa) no meio da cidade. A ponte bucólica passa por cima da barragem. Vale a pena a visita!

À noite, as condições de visibilidade não são tão boas entre Angatuba e Itapetininga, há muitos ônibus escolares e de trabalhadores rurais, e ainda existe a possibilidade de atropelar um tamanduá na pista, como indica o texto anterior deste blog. Melhor preservar a fauna e curtir a viagem tranquilamente.

Pagando menos, de preferência. Até porque eu não sou contra pedágios; só quero que cobrem um preço justo, o que não acontece no Estado de São Paulo.

sábado, 15 de março de 2008

De pedágio em pedágio


Reparei que muita gente chega até este texto pesquisando - no Google - localização e valor dos pedágios na Castello Branco e na Raposo Tavares. Para acessar uma tabela atualizada, clique aqui para acessar outro texto que eu preparei para este blog, com mais informações.


No Forum Atos, meu amigo Fabris comentou que, embora não fosse favorável à cobrança de pedágios, hoje ele sente que são importantes, dada a situação das estradas no país (ver íntegra aqui). 

Foi bom ele ter dito isso porque eu me havia esquecido de esclarecer a minha opinião sobre pedágios. 

Eu nunca fui contra pedágios, acho que é um instrumento legítimo de conservação das rodovias, bem como de controle de tráfego, como hoje estão planejando fazer para um futuro não muito distante nas marginais do Tietê e do Pinheiros, para desafogar o trânsito em São Paulo, embora eu ache que neste caso a medida deva ser emergencial e provisória, e não permanente. 

Entretanto, vivemos no país em que o provisório se torna permanente. Um exemplo clássico: a BR-153 (a Transbrasiliana) cruza com a SP-270 (Raposo Tavares) ali em Ourinhos, na fronteira com o Paraná, e desde que eu me dou por gente, ou seja, há uns 40 anos, tem lá um "desvio provisório", pois nunca ninguém foi capaz de fazer um viaduto ou uma simples rotatória que organizasse o tráfego.

A coitada da placa "Desvio Provisório" sucumbiu ao tempo, não agüentou ficar 30 anos exposta aos elementos, foi desbotando, minguando, enferrujando, até alguém ter pena dela e dar-lhe o descanso final. 

Até houve algumas obras mínimas durante essas décadas todas, mas eu fico imaginando o quanto de dinheiro público se desperdiçou ali sem que ninguém realmente investigasse.

Eu só acho que os pedágios devem ter um preço justo. 

É um absurdo pagar 50 reais só de pedágio para ir de São Paulo a São José do Rio Preto (sem contar a volta), por exemplo. 

Não se tem, ainda, a opção de pegar uma estrada menos conservada, sem pedágios ou com pedágio mais barato, que permita chegar até lá. 

As estradas vicinais, que, de acordo com o programa tucano de privatização das estradas paulistas, deveriam ser sustentadas pelo alto valor dos pedágios, estão em péssimas condições, embora existam empresas terceirizadas pelo DER-SP, que recebem altos valores mensalmente para supostamente conservá-las, mas ninguém fiscaliza esta situação também.

Para quem quer se livrar dos pedágios da Castello Branco, por exemplo, existe a possibilidade de ir pela Raposo Tavares, mas o trecho entre Ourinhos e Piraju está abandonado, embora dê pra passar. 

Agora o Serra vai privatizar também este trecho da Raposo Tavares, mas pelo menos eu acho que vai ser em valores mais baixos do aqueles praticados pelas outras concessionárias.



O que mais me incomoda, na verdade, é esta mania de todos os governos brasileiros, sejam eles de que partido forem, transferirem para o cidadão o ônus que é deles, pelos impostos que nós pagamos regiamente todo santo dia. 

Tem problema de conservação de estrada? Transfira-o para o cidadão. 

Falta transporte público decente em SP? O cidadão que se vire. 

Aumentou o índice de roubos de veículos? Obrigue o cidadão a pagar mais por um GPS de fábrica. 

As mulheres são as maiores vítimas desses roubos? Obrigue-as a blindar os seus carros. 

Eu vou relembrar aqui que, quando o Mário Covas era vivo, na inauguração das marginais pedagiadas entre Alphaville e o Cebolão (passando por Osasco), ele soltou uma de suas pérolas, dizendo que "quem paga pedágio é rico", omitindo o fato de que a maior parte da produção agrícola e industrial do Estado (senão toda), além dos serviços, passa pelo sistema viário pedagiado, e quem paga os valores adicionados é o consumidor final, seja ele rico ou pobre. 

Depois dessa bobagem demagógica dita pelo Covas, nunca mais o levei a sério. 

Enfim, de pedágio em pedágio, de blindagem em blindagem, vamos pagando uma série de "impostos" informais justamente pela incompetência dos governantes em prestar-nos serviços com o mínimo de qualidade. 

É por isso que eu continuo gritando, esperneando, xingando, fazendo o meu barulho, porque eu acho que as posições estão invertidas: os governantes é que são responsáveis por tudo isso, e aos cidadãos cabe criticá-los, questioná-los e, principalmente, demiti-los pelo voto sempre que não se encarregarem das suas funções. 

O problema, me parece, é que pouca gente sabe que tem (ou quer exercer) esse direito de exigir e de mudar, e vamos nos conformando com esse jogo de empurra (pra nós). É... acho que cheguei a conclusão de que provisórios somos nós...

domingo, 9 de março de 2008

Pedágios tucanos

Reparei que muita gente chega até este texto pesquisando - no Google - localização e valor dos pedágios na Castello Branco e na Raposo Tavares. Para acessar a tabela atualizada, veja o site da ARTESP.


Quem viaja muito pelas estradas do Estado de São Paulo sempre reclama do alto valor dos pedágios. E isto não vem de hoje, mas desde o primeiro governo Mário Covas, em que as principais rodovias estaduais foram privatizadas de acordo com o maior preço pago por cada estrada. Até recentemente, dizia a intelligentsia tucana que este tipo de leilão se justificava porque vendiam a concessão da rodovia por um preço alto, de maneira que o excesso do valor seria utilizado para subsidiar os reparos nas outras estradas estaduais onde não havia a viabilidade econômica de concessão. Assim, o DER-SP terceirizou a manutenção de boa parte das estradas sob sua responsabilidade, que supostamente deveriam ter a sua manutenção garantida. Aos motoristas, sobrou o ônus de pagar os maiores pedágios do país. Obviamente, a gritaria foi geral, embora não acompanhada pela imprensa tucana de SP. Quando da inauguração das marginais pedagiadas entre Alphaville e o Cebolão (passando por Osasco), o Mário Covas soltou uma de suas pérolas, dizendo que "quem paga pedágio é rico", omitindo o fato de que a maior parte da produção agrícola e industrial do Estado (senão toda), além dos serviços, passa pelo sistema viário pedagiado, e quem paga os valores adicionados é o consumidor final, seja ele rico ou pobre. Depois dessa bobagem dita pelo Covas, nunca mais o levei a sério. Se fosse o Lula que tivesse dito esta frase, até hoje estaria repercutindo, mas era o Covas, e a imprensa tucana ajudou a criar esta imagem do homem público íntegro imune a bobagens e demagogia.

Pois bem, passados tantos anos, tantas reclamações (e tanto silêncio da imprensa), o fato é que as rodovias vicinais administradas pelo DER estão no mais completo estado de abandono (salvo raras exceções), embora as empresas terceirizadas continuem recebendo pela sua manutenção, mas ninguém vê, ninguém denuncia, ninguém investiga. Parece que tudo está às mil maravilhas nas rodovias paulistas, sejam elas privatizadas ou não. Basta, entretanto, uma visita à Raposo Tavares, entre Piraju e Ourinhos, para ver o estado precário em que se encontra esta importante rodovia, já na mira das próximas privatizações do Serra. Todo mês de janeiro, o Jornal Nacional denuncia os buracos provocados pelas chuvas nas rodovias federais, mas ninguém se dá ao trabalho de verificar o que (não) se passa nas estaduais. É como se não existissem. Pelo menos na imprensa paulista (e nacional), problema do governo tucano de SP só acontece quando um buraco do metrô engole uma rua, alguns veículos e 7 contribuintes.

Há pouco tempo atrás, o governo federal leiloou concessões de rodovias pelo menor valor de pedágio, e o sucesso foi estrondoso. Tão estrondoso que o governo de São Paulo foi obrigado a rever seus critérios, suspendendo os editais de licitação de novas concessões (como a Raposo Tavares) para que não ficasse tão claro o abuso cometido nas privatizações anteriores. Afinal, o valor pago por km nas rodovias federais vai ficar muito mais barato que nas tucanas. Entretanto, matéria do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo de hoje (ver íntegra aqui) mostra que a concessão de rodovias ao setor privado foi o negócio mais rentável do Brasil no ano passado. Nem bancos garantiram tanto retorno. A Folha ainda tenta disfarçar, sem dizer que o grosso deste negócio se situa no Estado de São Paulo, mas os infelizes motoristas que passam por essas plagas sabem muito bem quanto têm que desembolsar a cada cancela e a cada kilômetro. Ninguém é contra pagar pedágio por estradas bem conservadas, desde que o preço seja justo, desde que haja outras opções viáveis, e que o melhor retorno seja garantido ao cidadão, este sujeito que só é lembrado na hora de pagar uma multidão de impostos e de lhe enfiarem tarifas e pedágios goela abaixo.

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