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domingo, 30 de julho de 2017

Cerveja brasileira incomoda fundamentalistas hindus


A matéria é do Diário de Notícias de Portugal:

Hindus pedem que cerveja brasileira Brahma mude de nome

Brahma é o nome de um deus hindu

Um grupo de hindus pediu a mudança da marca de cerveja brasileira Brahma, propriedade da multinacional cervejeira Anheuser-Busch InBev, com sede em Lovaina, na Bélgica, argumentando que é inapropriado uma bebida alcoólica ter o nome que um deus hindu.

O líder norte-americano/hindu Rajan Zed, numa declaração feita na quarta-feira no estado do Nevada, nos Estados Unidos, disse que no hinduísmo Brahma, Vishnu e Shiva formam a grande tríade das suas divindades.

De acordo com Zed, ligar o deus Brahma com uma bebida alcoólica é muito desrespeitoso.

O uso inadequado das divindades, conceitos ou símbolos hindus para o comércio ou outros fins não é aceitável e fere a sensibilidade dos devotos, de acordo com Zed, que é presidente da Sociedade Universal do Hinduísmo.

"O hinduísmo é a terceira maior religião do mundo com cerca de 1,1 mil milhões de seguidores e um vasto pensamento filosófico e não deveria ser encarada de modo frívolo. Símbolos de qualquer fé, maior ou menor, não devem ser desrespeitados", de acordo com Rajan Zed.

"Além disso, o caráter sagrado de (divindade) Brahma não fica bem em propagandas e anúncios da cerveja Brahma, declarou Rajan Zed.

Celebridades de Hollywood, como Megan Fox e Jennifer Lopez, já atuaram em anúncios da cerveja Brahma.

A Anheuser-Busch InBevtem mais de 500 marcas de cerveja em cerca de 150 países, entre as quais as brasileiras Brahma e Skol, e outras como a Budweiser e Corona.



segunda-feira, 20 de março de 2017

Igreja belga vira bar após o culto

Bélgica e cerveja, tudo a ver, não é mesmo? E não só aquelas famosas cervejarias dos monges trapistas do país...

Segundo a notícia abaixo, do UOL Tabloide, uma igreja protestante de um vilarejo belga teve uma ideia no mínimo esquisita.

E se a moda pega?

Dá uma conferida pra ver o que você acha:

Único bar de cidade belga fecha e igreja passa a servir cerveja a fiéis

Sabe aquela cervejinha de domingo na hora do almoço? Em Brielen, uma pequena aldeia belga de apenas 700 habitantes, ela era uma tradição e costumava ocorrer sempre depois da missa. Mas, quando o último bar local fechou as portas, o padre (sim, o padre!) teve que tomar uma atitude, no mínimo inusitada: transformar a igreja em um botequim.

Para o padre, que também passou a quebrar um galho como garçom aos domingos, a transformação da igreja em bar após as missas foi uma oportunidade de unir a comunidade e atrair mais gente para a igreja protestante do lugar.

Para tal propósito, ele pediu permissão para as autoridades locais e, com o sinal verde, foi em frente com sua ideia. No domingo seguinte, após a missa, mesas com panos brancos e cadeiras foram instaladas na "casa de Deus" para que os frequentadores/fiéis se sentissem como se estivessem no antigo pub fechado.

Mas será que eles ficaram à vontade? Sim, ficaram. Segundo o padre, eles continuaram a beber o mesmo tanto que bebiam no bar, ainda que piadas, deboches, música e dança ficassem, obviamente, proibidos.

Outra restrição se deu no "horário de funcionamento": às 13h, sem atraso, era necessário fechar as torneiras do "chopp de Jesus". Além disso, para frequentar o "bar" era obrigatório assistir a missa antes.

Será que novos fiéis foram arrebanhados com a instalação do "bar celestial" na cidade?



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Aqueles calvinistas beberrões do Recife

Artigo publicado na Revista de História:

Bebem, sim, e vão conquistando

Na tomada de Pernambuco, holandeses se embriagaram o quanto puderam, para espanto e reprovação dos luso-brasileiros

João Azevedo Fernandes

O Recife dos holandeses era “um burgo de beberrões. Pessoas da melhor posição social eram encontradas bêbadas pelas ruas. Os próprios observadores holandeses da época se espantavam do contraste entre sua gente e a luso-brasileira”, como relatou o escritor Gilberto Freyre. E essa característica própria dos invasores poderia ser vista desde o início da conquista de Pernambuco.

Ao subirem as íngremes ladeiras da vila de Olinda, os soldados da poderosa Companhia das Índias Ocidentais (Westindische Compagnie, ou WIC) estavam bem cansados. Além da longa travessia do oceano, eles haviam marchado mais de seis quilômetros pela praia, sob um sol escaldante e travando combates com uma resistência que se esvaía conforme se aproximavam da orgulhosa capital de Pernambuco.

Apesar das dificuldades, o ataque foi um total sucesso. Os poucos portugueses e habitantes da terra que não haviam fugido foram dominados, e às 4 horas da tarde de 16 de fevereiro de 1630, a bandeira holandesa estava erguida na parte mais alta da vila. Imediatamente, os soldados livraram-se da disciplina militar e trataram de saquear o que pudessem. As igrejas foram despojadas de suas riquezas e as casas dos grandes senhores olindenses invadidas. Dos vários produtos encontrados nas casas e armazéns, um em especial agradou em cheio ao gosto dos recém-chegados: o vinho, disponível em grande quantidade.

Durante três dias, soldados e oficiais se embriagaram à farta, afogando as agruras da viagem e dos combates. Protestantes em sua maioria, usavam os cálices sagrados como copos e os panos das igrejas como “capas” — com as quais imitavam e zombavam de portugueses e espanhóis, caindo de bêbados pelas ruas, dando rebates falsos de ataque, “como brutos irracionais”, no dizer de um relato da época. Posteriormente, tanto holandeses quanto portugueses afirmaram que, se os alcoolizados invasores tivessem sofrido um contra-ataque, acabariam expulsos da vila por sua absoluta falta de condições para reagir.

O que aconteceu naqueles dias não foi um fato isolado. Durante todo o período holandês no Brasil (1630-1654), os luso-brasileiros e os invasores travaram uma verdadeira batalha de culturas, para além das ações militares. O estranhamento entre conquistadores e conquistados começava pela religião e estendia-se para a própria definição do viver em sociedade, refletida nas práticas cotidianas — que incluíam os costumes etílicos dos holandeses, totalmente inusitados para os homens da terra.

Essa distância entre as práticas etílicas tinha origens milenares, separando duas áreas culturais desde os tempos de gregos e romanos. De um lado, os povos mediterrâneos, bebedores de vinho, que associavam a bebida aos alimentos e tendiam a valorizar a temperança e a moderação no beber. De outro lado, os povos do norte da Europa, herdeiros das culturas célticas e germânicas, bebedores de cerveja, que valorizavam a embriaguez como um ato nobre e próprio dos grandes heróis, como Beowulf, e deuses, como Thor e Odin. Não é por acaso que esses povos foram os primeiros a popularizar o uso de novas bebidas destiladas, como o conhaque e o gim, a partir de fins da Idade Média.

Os holandeses eram vistos como grandes concorrentes ao título de maiores bebedores da Europa. William Temple, embaixador inglês em Haia na segunda metade do século XVII, dizia que a bebida era indispensável àquele povo, para que o espírito pudesse ser despertado sob um “clima tão pesado”, e que as condições climáticas impediam que os efeitos da bebida fossem mais “calamitosos”. Para Temple, não existia holandês que não houvesse se embebedado pelo menos uma vez na vida, pois sua existência austera só conhecia uma alegria e um luxo: o álcool.

O ato de se reunir em banquetes, onde se bebia muito e bem, era parte integrante da identidade holandesa, construída em sua luta de independência: a Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648) contra os espanhóis, inimigos mortais do calvinismo e do modo de vida dos holandeses. Pintores como Jan Steen e Pieter de Hooch exibiam ricos mercadores e gente do povo divertindo-se em suntuosas salas de jantar e tabernas, misturando homens e mulheres que bebiam e se embriagavam. As bebedeiras eram tão típicas do “ser holandês” que o hábito comum de “animar” (com álcool) os soldados antes dos combates era chamado de dutch courage, “coragem holandesa”.

Ao conquistarem Pernambuco, a região açucareira mais rica do mundo, os holandeses trouxeram seu modo de vida para o Recife, urbanizado pelo conde Maurício de Nassau (1604-1679). Por mais que os naturais da terra devotassem simpatia a esse notável estadista, eles jamais deixaram de considerar os conquistadores como um povo herege, sem rei, governado por comerciantes sovinas, que dava excessiva liberdade às mulheres e que, para completar, se entregava de forma entusiasmada e descontrolada à bebida.

Os holandeses, por sua vez, afirmavam que, na raiz desta apartação cultural, estava a moderação e mesmo a abstinência de muitos luso-brasileiros. Relatórios holandeses observavam que “a bebida dos portugueses é principalmente água da fonte, que é muito boa e agradável”, ressaltando especialmente a abstinência feminina: “poucas são as que bebem vinho, e há muitas que em sua vida nunca provaram dele”.

Alguns funcionários da Companhia procuraram apresentar os costumes portugueses como um ideal a ser seguido por aqueles que desejassem prosperar no Brasil. Enquanto os luso-brasileiros viviam “de água, farinha, um pouco de bacalhau ou qualquer comida vulgar, de modo que em alguns engenhos não há vinho por muito tempo”, os neerlandeses não se contentavam “com tomar à mesa um trago de cerveja ou de vinho”, mas também se reuniam com os amigos, fazendo muitas despesas.

Entre os holandeses que tentavam coibir os costumes etílicos estavam os pregadores calvinistas. Dedicados à missão catequizadora, eles lamentavam o pendor dos índios para a embriaguez: quando bebiam, dizia um pregador, “passavam os dias e as noites pulando e cantarolando”, vício do qual nasciam “brigas e outros maus costumes”. Os religiosos chegaram a pedir para o Conselho dos XIX — responsável pela WIC em Amsterdã — que enviasse ao Brasil apenas “pessoas honradas para servir de mestres-escolas, não sendo pessoas inclinadas a bebidas já que os índios são muito chegados a este vício”. Mas essa preocupação estava longe de ser majoritária: o próprio Supremo Conselho do Recife costumava enviar “presentes de aguardente” aos índios. Em 1644, os holandeses desistiram oficialmente de seu ensaio de catequização.

Recepções, banquetes e jogos etílicos permaneceram no cotidiano dos conquistadores, tal como faziam na Holanda. O frade português Manuel Calado (1584-1654) — formalmente prisioneiro, mas íntimo de Nassau a ponto de frequentar sua casa e seus banquetes — dizia que a bebedeira era o “ordinário costume” dos holandeses. O que mais lhe chocava era a facilidade com que os homens, e ainda mais as mulheres, esvaziavam garrafas e copos.

O papel das mulheres nos “beberetes” era um dos principais motivos da repulsa luso-brasileira àqueles estranhos costumes, o que revela uma diferença marcante no papel social exercido por elas nas duas sociedades. Enquanto que nos Países Baixos as mulheres tinham ativa presença no mundo extra-doméstico, participando de festas de rua, indo às tavernas e recebendo convidados em casa, as portuguesas eram bastante segregadas e colocadas à parte dos assuntos públicos.

Quando o conde Maurício de Nassau convidou algumas mulheres luso-brasileiras para banquetear com ele, recebeu, segundo o frade Calado, a pronta resposta de que “não era uso, nem costume entre os portugueses comerem as mulheres, senão com seus maridos, e ainda com estes era quando não havia hóspedes em casa (...) porque nestes casos não se vinham assentar à mesa”. Essa postura era totalmente contrária à das estrangeiras do Recife. Nos banquetes que o conde ofereceu em homenagem à aclamação de D. João IV, em 1640, “as mais lindas damas que em Pernambuco havia”, holandesas, inglesas e francesas, bebiam alegremente, tanto ou mais do que os homens, dizendo que esse era “o costume de suas terras”.

Outra cerimônia presenciada pelo frade português, que também revela o abismo cultural entre conquistadores e conquistados, foi o funeral do irmão de Maurício de Nassau, conde João Ernesto, que morreu no mar e foi enterrado no Recife. Calado ficou impressionado com a gravidade da “diabólica cerimônia”, na qual “não havia música, nem preces, nem lágrimas”, mas o que o estarreceu de fato foi a enorme quantidade de alimentos e bebidas disponíveis aos convidados, algo típico nos funerais holandeses na Europa. Entre inúmeros brindes e discursos, foram esvaziados muitos frascos de vinho espanhol e francês, cerveja e aguardente, com as consequências previsíveis — “e estes eram os Pater Noster [Pai Nosso], e responsos, que rezavam pelo defunto”.

“Era o costume de suas terras”. Essas palavras, repetidas muitas vezes por Manuel Calado, eram um verdadeiro emblema da segregação auto-imposta pelos luso-brasileiros com relação aos invasores. Vivia-se uma luta entre dois mundos irremediavelmente separados, pela religião certamente, mas também pelas diferenças sobre o que fazer ao redor de uma mesa. E sobre o que fazer com uma garrafa.

João Azevedo Fernandesé professor da Universidade Federal da Paraíba e autor de “A contenção e o excesso: Bebida, embriaguez e identidades étnicas no Brasil Holandês (1630-1654)”, em Actas do Congresso Internacional Espaço Atlântico de Antigo Regime: poderes e sociedades (Lisboa, 2005, disponível em bit.ly/QFtL2M).

Saiba mais - Bibliografia

CALADO, Frei Manoel. O Valeroso Lucideno e o Triunfo da Liberdade. Recife: CEPE, 2004.
MELLO, Evaldo Cabral de (org.). O Brasil Holandês.São Paulo: Penguin Classics, 2010.
SCHAMA, Simon. O desconforto da riqueza: a cultura holandesa na Época de Ouro, uma interpretação. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

50 elefantes bêbados incomodam muita gente

Dumurkota é um pacato vilarejo no leste da Índia que passou por uma situação inusitada alguns dias atrás. Foi atacada por 50 elefantes bêbados.

Quando sóbrios, os simpáticos paquidermes pertencem a uma manada que vaga pela região indiana de Mahua, em busca de comida.

Entretanto, numa de suas andanças pelas redondezas, onde há muitas plantações de chá e de arroz, os elefantes sentiram um estranho e convidativo cheiro de álcool que emanava de uma tenda vizinha.

Atraídos pelo embriagante aroma, os elefantes não tiveram dúvida: saquearam o local e beberam 18 barris (cerca de 500 litros) de um licor etílico que ali estava armazenado.

O efeito foi devastador. Como alcoólatras que vagam de bar em bar, os elefantes já ébrios invadiram a pequena aldeia próxima e destruíram pelo menos 3 casas em sua busca ensandecida por mais álcool.

No meio da confusão, as plantações locais foram pisoteadas pelos animais, que - felizmente, como acontece com seus similares humanos - conseguiram se acalmar com a chegada da polícia, que os fizeram voltar à comunidade numerosa (cerca de 120 espécimes) da qual fazem parte.

Não se sabe, ainda, quais foram os efeitos da mais pesada ressaca que o planeta já presenciou.

Como o elefante é um animal sagrado no país, representado pelo popular semideus (metade homem, metade elefante) Ganesh do hinduísmo, ninguém lhes quis fazer mal, mas o estrago - lamentavelmente - já estava feito.

Entre outros epítetos, Ganesh é conhecido pela cultura popular indiana como o "deus da boa sorte" ou "o destruidor de obstáculos", mas parece que Dumurkota só foi apresentada a esse seu último aspecto.

Não é tão raro assim ver elefantes (e outros animais) embriagados, especialmente na África, onde encontram frutas que - uma vez fermentadas - atingem alto teor alcoólico, como a amarula, condição que lhes provoca profunda alteração nos sentidos, como se pode ver no vídeo abaixo.

Voltando à Índia, resta saber se os pobres aldeões receberão ajuda governamental para começarem a se refazer do (literalmente) pesadelo alcoólico e dos prejuízos causados pelo infausto dia de fúria paquidérmica que tiveram o azar de enfrentar.


Fonte: Daily Mail





quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Fé ajuda a vencer o alcoolismo

É o que diz uma matéria publicada no Diário do Grande ABC:

Apego à fé ajuda a deixar o alcoolismo

Willian Novaes

A fé é uma das saídas que milhares de pessoas utilizam no Grande ABC para deixar o alcoolismo. Trocar a bebida, a cocaína e o crack por uma Bíblia tem o seu efeito positivo. A equipe do Diário ouviu diversos relatos de dependentes químicos que conseguiram "segurar a onda", como eles dizem, apenas com a religião, mesmo depois de passar por inúmeros tratamentos e internações.

A força de vontade de quem quer ser curado da doença chamada alcoolismo é um dos primeiros passos para conquistar a sobriedade. Na semana passada, o Diário revelou que cerca de 5.800 alcoólatras são atendidos mensalmente pelos serviços de Saúde das prefeituras - apenas Rio Grande da Serra não respondeu.

Fora esses atendimentos clínicos, os dependentes procuram a religião por diferentes motivos, mas depois que entram nas salas e sentam nos bancos de madeira para celebrar uma missa ou um culto, os sentimentos são parecidos. As palavras mais citadas são coragem, persistência e o prazer em viver, que muitos afirmaram que foi deixado de lado no momento de bebedeiras e drogadição.

"Eu me via abrindo a minha cova. Não sei o que acontecia. Sabia que estava fazendo mal comigo e com minha família, mas, mesmo assim, não conseguia seguir o caminho certo da vida", comenta emocionado André, 27 anos, em Ribeirão Pires. Ele diz que está há quatro meses em abstinência.

O rapaz franzino entrou no "mundo cão", como ele mesmo diz, aos 10 anos para ganhar respeito na escola. "Como era muito magro e tinha 22 graus de miopia, era muito zoado na classe", fala. Para conquistar espaço entre os amigos da escola e da rua, na periferia de Diadema, o jovem começou a fumar maconha e beber com os "caras mais velhos". "Depois disso foi só desgosto para a minha mãe", diz ele, ao lembrar dos quase 17 anos que passou viciado em álcool e outros tipos de droga.

Atualmente, André e mais 70 dependentes químicos passam por tratamento de desintoxicação e reinserção social nas três clinicas mantidas pelo padre Fernando Sobrereo, da Paróquia de São Judas Tadeu, no Jardim Caçula em Ribeirão Pires. Além disso, eles participam dos grupos de autoajuda organizados pela Pastoral da Sobriedade. No Grande ABC existem 16 locais que oferecem ajuda para cerca de 1.000 dependentes em álcool e outras drogas, como tabaco, crack e cocaína.

"Essa foi uma maneira de a igreja criar métodos de ajuda de acordo com o tempo atual. Não tínhamos mais como fugir deste tema", comenta o padre argentino Fernando Sobrero, que chegou ao Brasil em 1998 e em 2006 iniciou os trabalhos da Pastoral da Sobriedade na região e hoje é o coordenador da pastoral no Grande ABC.


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ateu bêbado não pode ser anônimo

Primeiramente, peço desculpas se o título deste texto fere a suscetibilidade de alguém. É que esta é uma daquelas notícias que a gente fica sem saber direito se é trágica ou cômica, e qualquer nome que se der ao acontecido corre o risco de ser inadequado. O jornal canadense Toronto Star informou no último dia 3 de junho que a cidade de Toronto, no Canadá, enfrenta uma disputa inusitada entre os membros da versão local da organização Alcoólicos Anônimos (AA), conhecida em todo o mundo, inclusive no Brasil. Os AA dizem ter 113.000 grupos sob sua jurisdição em todo o mundo e só na cidade de Toronto são realizadas 500 reuniões semanais. Dois grupos seculares - formados há pouco tempo - foram desfiliados da seção dos AA na área metropolitana de Toronto por rejeitarem a fé como um dos fundamentos do processo de terapia e controle do alcoolismo. Esses dois grupos se chamam "Beyond Belief" ("Além da Crença") e "We Agnostics" ("Nós, Agnósticos"). O imbroglio começou quando o primeiro desses grupos postou no site dos AA de Toronto uma versão secular (digamos, "desespiritualizada") do famoso guia de recuperação dos alcoólicos, mais conhecido como os "Doze Passos", em que a referência a Deus e à fé é uma constante, com quatro menções explícitas do nome de Deus no manual. Talvez o exemplo mais clássico desta influência religiosa nos AA seja a oração da serenidade, de autoria do teólogo protestante norteamericano Reinhold Niebuhr:

Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar,
coragem para modificar aquelas que podemos
e sabedoria para distinguir umas das outras.

Foi justamente esta espiritualidade - que é uma marca característica dos AA - que foi suprimida da versão ateia e agnóstica das reuniões terapêuticas e dos Doze Passos, o que gerou toda a controvérsia que resultou na eliminação pura e simples dos dois grupos do rol de núcleos de AA na Grande Toronto. Como o próprio nome dos AA sugere, as entrevistas foram dadas no anonimato, e o grupo dos AA em Toronto se defende dizendo que não se opõe a que outras organizações copiem seus métodos e manuais para atenderem suas necessidades específicas, apenas não querem que utilizem o nome dos AA para referendá-los. Já os grupos excluídos reclamam que os AA deveriam ser mais inclusivos para ajudarem um maior número de pessoas a alcançar a sobriedade independentemente do que eles creem ou deixam de crer. Não deixa de ser, entretanto, mais uma incursão ateísta em terrenos tradicionalmente religiosos, demonstrando que os movimentos ateus querem, no fundo, ser reconhecidos como uma "nova religião sem religião". Enquanto isso, muito gelo ainda vai se amontoar e derreter em Toronto até que esta polêmica diminua. E sem conhaque ou quentão pra aguentar o tranco...

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