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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Bispo comanda reza por chuva em Bauru


Dom Caetano Ferrari ficou mais conhecido nacionalmente por ter excomungado o ex-padre Beto e por sua querela com a Justiça Eleitoral.

Agora, ele move suas baterias contra (ou a favor, dependendo do ponto de vista) São Pedro, que - na ausência de políticos responsáveis - está levando a culpa por lá, segundo noticia o Estadão:

Bispo de Bauru pede que padres façam orações por chuva

CHICO SIQUEIRA

Na noite desta segunda, moradores interditaram avenida, colocando fogo em madeira e pneus, para protestar contra o desabastecimento

O bispo de Bauru, dom Caetano Ferrari, recorre aos santos e orienta os padres de sua diocese para rezarem pedindo chuva para a região. A campanha de oração já está sendo seguida pelos padres há dois dias. A previsão é de que a chuva continue nos próximos dias na região, segundo os meteorologistas.

Bauru e outras três cidades próximas convivem com o racionamento de água. Em Bauru, 130 mil de 150 bairros abastecidos pelo rio Batalha - responsável por 40% da cidade, de 360 mil habitantes - recebem água dia sim, dia não. E o desabastecimento também atinge outros bairros, na parte mais alta da cidade, onde até estabelecimentos comerciais estão fechando por falta de água.

Na noite desta segunda-feira, moradores interditaram a Avenida Castelo Branco, colocando fogo em madeira e pneus, para protestar contra o desabastecimento. "A situação em Bauru está dramática, os fiéis têm reclamado muito, por isso, estamos pedindo aos padres de nossas 41 paróquias que promovam orações e orientem seus fiéis a rezarem pedindo a bênção da chuva", contou dom Caetano. "Estamos pedindo a São Pedro, que tem as chaves, para abrir as portas e nos enviar uma boa chuva. E também pedimos a Santa Terezinha para que nos façam merecedores das graças da natureza e nos mande chuva para acabar com esta seca terrível", comentou.

Segundo dom Ferrari, os padres já iniciaram neste fim de semana as orações e cabe a cada um fazê-las da maneira como quiser. "Eles escolhem o tipo de liturgia que mais lhes agradam", diz. Dom Caetano está animado: "Parece que já está dando resultado, porque as nuvens escureceram e vem chuva boa por aí".

O Instituto de Pesquisas Meteorológicas, da Universidade Estadual Paulista (Ipmet/Unesp), prevê que esta sexta-feira seja um dia chuva. "Deve chover entre 30 e 40 milímetros o dia todo em todo o município", diz o meteorologista do Ipmet José Carlos Figueiredo. "A chuva deve chegar entre a noite e a madrugada e durar o dia todo", completa. Segundo ele, uma das causas da estiagem foi a falta de chuva nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro deste ano. "Estamos há dez anos recebendo chuva abaixo da média anual", diz.

Enquanto os religiosos recorrem aos céus, vereadores de Bauru pedem a decretação de estado de emergência, mas a proposta foi rejeitada pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Segundo a Prefeitura, o sistema de abastecimento precisa de obras que deveriam ter sido feias anos atrás.



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Bispo de Bauru compra briga com Justiça Eleitoral

O bispo bom de briga
Dom Caetano Ferrari (foto ao lado), bispo da diocese de Bauru (SP), nacionalmente conhecido pela purpurina levantada pela polêmica em que se envolveu ao excomungar o irrequieto padre Beto, agora volta suas baterias contra a Justiça Eleitoral, que cassou cinco vereadores da Câmara Municipal daquela cidade pelo apoio que lhes foi dado pela igreja católica local nas últimas eleições (2012).

Independentemente da questão ética sobre a representatividade política de cada setor da sociedade, do abuso do poder econômico e das relações obscuras que comandam esses apoios eleitorais, cá entre nós, não deixa de ser um tanto quanto hipócrita impedir uma diocese católica de apoiar candidatos num pleito enquanto várias denominações evangélicas têm, cada uma, os seus representantes em todas as esferas de poder.

A notícia foi publicada originalmente no jornal Valor Econômico, e reproduzida pelo IHU:

Dom Ferrari, bispo de Bauru,
luta por vereadores cassados

"Sabe aquele buraco que já fez aniversário na rua da casa? Ou a merenda escolar que não chega até a boca das crianças de sua cidade na quantidade que deveria? Ou o posto de saúde que nunca tem médico para atender? Saiba que a solução para todos esses problemas está na ponta de seus dedos". O texto, ilustrado com uma urna eletrônica, traz a solução: o voto em um dos 20 candidatos católicos, recomendados pelo bispo de Bauru, dom Caetano Ferrari. O apoio da igreja a postulantes a vereador, divulgado em um jornalzinho em Bauru nas eleições de 2012, teve o efeito reverso na cidade do interior paulista. Dos candidatos, 75% foram derrotados e os cinco eleitos foram cassados por conta do apoio católico. Agora, os três vereadores e dois suplentes apoiados pelo bispo lutam na Justiça para voltar ao cargo.

A reportagem é de Cristiane Agostine e publicada pelo jornal Valor, 23-09-2013.

Por trás do folheto, está dom Caetano, um religioso de 71 anos que defende que a igreja "oriente e eduque" os católicos para a política. "É necessário", diz. Com a voz calma e o jeito de desconfiado, o bispo é responsável por guiar 41 paróquias em 14 municípios paulistas, que concentram mais de meio milhão de pessoas.

Nas últimas três eleições, a diocese de Bauru distribuiu folhetos recomendando o voto em candidatos. Em 2012, por meio do conselho de leigos, selecionou os nomes, de diferentes partidos, e organizou o jornalzinho "Voto responsável - informativo dos candidatos a vereador referendados por paróquias da diocese de Bauru". Foram distribuídos 88 mil exemplares aos 248,9 mil eleitores da cidade para divulgar os "idôneos", segundo o bispo. "Não temos partido, mas oferecemos critérios para o pessoal escolher. Não é para votar em corrupto, num mensaleiro", diz dom Caetano. "A igreja indica aos fiéis que, de preferência, votem em católicos".

No entanto, o Ministério Público Eleitoral questionou o material, alegando dois problemas: propaganda ilegal dentro de templo religioso e doação irregular da diocese, já que a legislação proíbe doações da igreja "em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie".

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) concordou e, por unanimidade, cassou o mandato dos vereadores Fabiano Mariano (PDT), Antônio Faria Neto (PMDB) e Fernando Mantovani (PSDB), e dos primeiros suplentes Jorge Sebastião dos Santos (PRB) e José Carlos de Souza Pereira (PT). Os parlamentares não conseguiram reverter a decisão no TRE-SP e recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral, que ainda não julgou o caso. Os suplentes dos três vereadores assumiram no início do mês, alterando a composição da Câmara Municipal, com 17 vereadores.

O bispo está indignado com a decisão. "Vemos nisso uma forma de atacar a igreja católica", afirma. "Todos os candidatos têm base de alguma instituição, de um grupo de pessoas. Pode ser um sindicato, uma igreja ou uma associação de bairro", diz. "Nós orientamos a votar nesses candidatos. Os evangélicos não dizem que elegem poste?"

Os folhetos, diz dom Caetano, não foram distribuídos dentro das paróquias, nem custeados pela diocese. Segundo o bispo, o grupo de leigos escolheu os candidatos que frequentam as paróquias e foram eles que pagaram os R$ 4,2 mil da impressão dos folhetos. O grupo de leigos é ligado à diocese, mas é independente, "com CNPJ próprio", afirma.

"Em vez de a Justiça se preocupar com corruptos que estão por ai, por excesso de rigor acaba praticando injustiça"

"Em vez de Justiça se preocupar em afastar corruptos que estão por aí, por excesso de zelo e de rigor acaba praticando injustiça", critica dom Caetano. "E os bandidos do mensalão que foram condenados e estão exercendo o cargo? O Supremo condenou e os caras ainda estão lá. Que justiça é essa? É o fim da picada".

Políticos católicos que não entraram na lista dos preferidos da diocese, no entanto, não reclamam. É o caso do vereador Milton Sardin, do PP, que assumiu no lugar de Fabiano Mariano, cassado. "O anúncio afirmava que votar naqueles candidatos era voto responsável. E os outros? Seria um voto irresponsável?", diz. "Os candidatos pagaram para estar no jornal. Eu não".

Sentado em uma poltrona na sala da casa onde vive, dom Caetano não se abala com a crítica. Ao seu redor estão inúmeras imagens de São Francisco de Assis, que inspira a ordem dos franciscanos, a mesma do papa. Nascido no interior de São Paulo, o bispo de olhos claros e cabelos brancos é de uma família de religiosos com ascendência italiana. Foi coroinha, ordenou-se frade franciscano há 46 anos, padre há 43 anos e bispo há 11.

Em frente à poltrona, perto da televisão, há uma pintura da imagem de São Francisco ao lado de uma foto do papa Francisco. Em outra parede da sala estão fotos de dom Caetano com João Paulo II e Bento XVI. Na mesa de centro, jornais locais e de circulação nacional. "Sou um humilde frade que por acaso é bispo", diz.

Dom Caetano esteve com o papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, e participou do almoço do religioso com bispos brasileiros, no fim de julho. Falar das impressões sobre o papa deixa seu semblante mais tranquilo. "O papa encarna a simplicidade franciscana, o calor da acolhida, da convivência. Por outro lado, como jesuíta, é firme naquilo que ensina", diz. O bispo cita duas vezes aquilo que se destacou no papa: a ternura, o rigor e a ordem.

Embora defenda que a igreja participe da escolha política dos fiéis, o religioso resiste ao engajamento em lutas sociais, defendido pela Teologia da Libertação, ala católica mais progressista. "Não há fé sem obras. Não pode ser uma igreja mística, que só pensa no céu e se esquece da Terra. Mas também não pode só pensar nas coisas da Terra, na transformação das realidades sociais", diz. "A igreja não é uma ONG, uma instituição de fins filantrópicos, assistenciais. É a Igreja de Cristo, com a missão de anunciar o evangelho, perdoar os pecados, santificar as pessoas", afirma. O religioso discorda de classificações que dividem a igreja entre conservadores e progressistas, apesar de estar mais próximo do primeiro grupo.

Assim que voltou do encontro com o papa Francisco, o bispo viu ressurgir a principal polêmica que enfrentou desde que assumiu a diocese de Bauru, em 2009: a excomunhão de um padre que defende a união civil de homossexuais, o aborto, o sexo fora do casamento e o fim do celibato para padres, entre outros temas polêmicos para a igreja. Depois da visita ao Brasil, quando o papa indagou-se "Quem sou eu para julgar os homossexuais?", Roberto Francisco Daniel, o padre Beto, de Franca, cidade a 300 quilômetros de Bauru, entrou com uma ação na Justiça para tentar reverter a decisão da diocese - e voltou a fazer barulho na imprensa. A ação do ex-padre ganhou ainda mais apelo agora que o papa Francisco, pela segunda vez, voltou a tocar no tema ao dizer á revista jesuíta italiana 'La Civiltà Cattolica' que a Igreja é 'obcecada' por temas como gays, aborto e anticoncepção.

Dom Caetano tensiona sua fisionomia ao falar do caso. O religioso ajeita-se na poltrona, aperta o braço do sofá e dita pausadamente duas frases, destacando palavra por palavra. "Desejo que seja feliz e estou rezando por ele. Não tenho mais nada a declarar". A expulsão do padre que defende gays marcou o bispo. "Foi um caso dolorido para mim e para a igreja. Mas graças a Deus está encaminhado à Santa Sé", diz.

Roberto Francisco Daniel foi excomungado em abril depois de expor suas ideias polêmicas em missas, entrevistas e em vídeos que estão no Youtube. A diocese obrigou o padre a reconhecer que estava errado e dom Caetano chegou a propor a gravação de um vídeo com o pedido de desculpas, mas o padre se negou. Formado em direito e história, Beto é professor universitário, tem um programa no rádio, escreve para jornais, dá palestras e lançou o livro "Verdades Proibidas - Ideias do padre que a Igreja não conseguiu calar".

O bispo considera quase impossível que a Justiça reverta a excomunhão. "Ele declarou pelos meios de comunicação pontos de divergência grave com relação à doutrina da fé e da moral da igreja. Fez isso publicamente", diz. "Beto não foi excomungado. Ele se autoexcomungou com as coisas erradas que disse", afirmou. "E o Estado é laico e não tem nada que se meter. Isso é da disciplina interna da igreja".

A crítica por ter excomungado Beto, diz o bispo, foi "um erro da imprensa". "A decisão não foi por causa dos homossexuais", diz. "Eu também defendo os gays, a igreja defende os gays, papa Francisco defende os gays. Quem sou eu para julgar? A homossexualidade não é matéria de excomunhão, mas a doutrina sim", diz o bispo em entrevista que antecedeu as declarações do papa sobre dogmas tratados como obsessões pela Igreja.

Antes de ir para Bauru, dom Caetano foi bispo de Franca. Naquela cidade, assim que deixou a diocese, um caso de pedofilia envolvendo um padre ganhou repercussão e abalou a igreja. Dom Caetano diz que enquanto estava em Franca não teve conhecimento do problema, nem recebeu denúncias. Afirma que trataria o problema com o mesmo rigor que tratou do padre Beto e diz que a Justiça deve cuidar do caso. No entanto, acha que a excomunhão do padre de Franca não precisaria ter a mesma "declaração formal e pública".

Dom Caetano lidou ainda com outro problema em Franca, antes mesmo de assumir a diocese. Um padre da região havia engravidado uma jovem menor de idade e teve que deixar o sacerdócio. O caso, assim como do padre acusado de pedofilia, foi tratado de forma mais discreta pela igreja, longe dos holofotes.

Ao falar dos casos polêmicos, Dom Caetano reclama de perguntas sobre o motivo de a igreja ter tratado aparentemente com mais rigor o padre midiático do que o processado por pedofilia e o que engravidou uma jovem. Para o bispo, há muita confusão em torno do termo "excomunhão". "Trair a mulher é um pecado mortal, que tira a comunhão. Você não pode comungar. Mas ninguém vai declarar: ele está excomungado. Não precisa fazer escândalo", diz, como exemplo.

Dom Caetano diz que os desvios de conduta dos religiosos já são tratados com rigor pela igreja e que muitos são aconselhados a casar ainda durante a formação. "Pode acontecer algum escândalo como tem acontecido, de padre que deixa [a igreja] para casar, de homossexualismo, de pedofilia, porque esses padres são humanos. Mas isso não se desenvolveu no seminário nem foi patrocinado lá. Muito pelo contrário. Os formadores são muito criteriosos. Dizem: você tem que casar; para você a castidade é impossível. Isso tanto para homossexual quanto para heterossexual", afirma.

Entre a defesa de uma igreja que eduque os fieis para a política e a crítica aos desvios de religiosos, dom Caetano lembra da passagem do papa Francisco pelo Brasil e da pregação por uma igreja mais próxima do povo, junto da periferia e perto de seus problemas cotidianos. Entre eles, os problema que sempre aparecem nas eleições: o buraco na rua, a falta da merenda escolar e o posto de saúde sem médico, como cita o jornalzinho com os 20 candidatos de Bauru. "É sair da sacristia e ir para as ruas", diz.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Padre Beto vai à Justiça comum contra pena de excomunhão

Vai um holofote aí,
padre Beto?
Ai que dó! O ex-padre Beto de Bauru não consegue ficar fora da mídia. Querer aparecer parece ser o seu ofício, com o perdão da redundância.

Depois das declarações polêmicas que o levaram a ser excomungado pelo bispo de Bauru, com direito a passeata a seu favor, além da entrevista à Marília Gabriela e a outros programas menores em busca de holofote, padre Beto volta à carga, agora recorrendo à Justiça comum para reverter a pena de excomunhão.

Padre Beto ainda tenta justificar o injustificável dizendo que não move ação contra a Igreja Católica, mas contra a Diocese de Bauru, como se houvesse diferença entre as duas. A quem ele pensa que engana?

Afinal, não precisa ser um gênio jurídico para adivinhar que a ação não vai dar em nada, a não ser - obviamente - repercussão na imprensa para mais um xororô do ex-padre. 

Desapega, Beto, desapega!

Já que o ex-sacerdote não se conforma com o ostracismo que lhe foi imposto, quem sabe alguma escola de samba do Rio de Janeiro lhe ofereça o cargo de carnavalesco e assim amaine o seu desejo mórbido de aparecer na mídia, pelo menos em fevereiro.

Siga a vida, padre Beto! Seja feliz em outro lugar! Oportunidades não vão lhe faltar.

A notícia é da Folha de S. Paulo de 30/07/13:

Após declaração do papa, padre excomungado por defender gays vai à Justiça contra punição

CRISTINA CAMARGO

Impulsionado pelas declarações do papa Francisco sobre homossexuais, o padre Beto, excomungado em abril deste ano após declarações de apoio a gays, decidiu recorrer à Justiça para tentar anular sua exclusão da Igreja Católica.

Roberto Francisco Daniel, 48, conhecido como padre Beto, contratou advogados e protocolou na segunda-feira uma medida cautelar contra a Diocese de Bauru (329 km de São Paulo). Questiona a forma como foi expulso da igreja, num tribunal em que, segundo ele, compareceu sem saber do que se tratava e sem direito à defesa.

Ele estudava a possibilidade de ir à Justiça desde a época do excomunhão, mas diz que a postura do papa Francisco o estimulou ainda mais. No final de sua visita ao Brasil, o papa fez a mais ousada declaração de um pontífice sobre o homossexualismo. "Se uma pessoa é gay e busca Deus, quem sou eu para julgá-la?", disse.

A ação judicial tramita na 6ª Vara Cível de Bauru. O religioso alega que tratado assinado entre o Vaticano e o governo brasileiro determina que o sistema constitucional e as leis brasileiras sejam seguidos pela igreja. Beto afirma que, além de não ter tido direito de defesa, a decisão foi publicada no mesmo dia em que foi tomada, no site da diocese.

"Fui tratado como um adolescente. Fui exposto publicamente", diz. "Essa ação judicial é também para que todo brasileiro entenda que nenhuma instituição pode fazer isso com uma pessoa".

O ex-padre disse que acreditava que seu processo de excomunhão não estivesse encerrado e ainda teria de ser assinado pelo Vaticano. Ao estudar o caso, descobriu que a decisão da Diocese de Bauru é definitiva na igreja. Por isso resolveu tentar revertê-la na Justiça.

"Não movo uma ação contra a Igreja Católica. Existe igreja e igreja. A ação é contra a diocese", ressalta.

Antes da excomunhão, Beto havia decidido pedir um afastamento temporário de suas funções. Isso aconteceu depois que o bispo de Bauru, Dom Caetano Ferrari, 70, determinou uma retratação por causa de entrevistas em que o religioso falava sobre os homossexuais e questionava o conservadorismo da Igreja Católica.

A Diocese de Bauru ainda não se manifestou sobre a ação judicial. O argumento oficial para a excomunhão foi que Beto "negou categoricamente a cumprir o que prometera em sua ordenação sacerdotal: fidelidade ao Magistério da Igreja e obediência aos seus legítimos pastores".

Depois da excomunhão, Beto seguiu dando aulas em universidades, concedeu entrevistas para programas de TV e escreveu o livro "Verdades Proibidas - ideias do padre que a igreja não conseguiu calar", lançado esta semana.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Bauru vai ter passeata contra excomunhão do padre Beto

Parece que a controvertida excomunhão do (agora) ex-padre Beto extrapolou a esfera católica da diocese de Bauru (SP) e se transformou em uma causa política, já que várias manifestações estão sendo organizadas tanto nas redes sociais como em protestos reais que já foram programados.

A reação não deixa de ser curiosa e um tanto quanto contraditória, já que uma das críticas mais acentuadas que são dirigidas à igreja católica é a sua perda de relevância no contexto atual, mas ao mesmo tempo essas mesmas pessoas que apontam este, digamos, "defeito", fazem questão de, em suma, querer reintegrar um sacerdote excomungado ao seio dela, como se o debate fosse político e não doutrinário ou ritualístico.

O fator político fica claro na notícia abaixo, publicada no Estadão de hoje, 02/05/13, em que um vereador bauruense, chamado de Marquinhos da Diversidade e um dos organizadores da parada gay da cidade (vídeo da campanha dele abaixo), encabeça o movimento de apoio ao ex-padre Beto, que na última campanha eleitoral do município apoiou outro candidato a vereador, o pai-de-santo Ricardo Barreira.

Evite Bauru nas próximas semanas. Coisas estranhas andam acontecendo por lá.


Bauru organiza passeata contra excomunhão de padre

CHICO SIQUEIRA

Moradores de Bauru, no interior de São Paulo, organizam um protesto contra a excomunhão do padre Roberto Francisco Daniel, o padre Beto, que declarou apoio a bissexuais e homossexuais. Passados três dias do anúncio feito pela Diocese de Bauru, milhares de simpatizantes do padre já se declararam contra a decisão.

Uma moção de repúdio pela excomunhão postada na segunda-feira em uma rede social havia recebido, até as 18 horas de ontem, mais de 3,5 mil adesões e a expectativa era de atingir 5 mil até hoje. O grupo Eu Apoio Padre Beto, formado na internet, já tinha mais de 2,1 mil participantes.

Outro protesto está marcado para este sábado, com concentração na frente da Catedral Divino Espírito Santo, na Praça Rui Barbosa, no centro da cidade. Entre os organizadores estão dois grupos de simpatizantes do padre e a Associação Bauru pela Diversidade, a mesma que organizou a Parada Gay na cidade, que reuniu 50 mil pessoas.

O vereador Marcos Souza (PMDB), o Marquinhos da Diversidade, estima que entre 1,5 mil e 2 mil pessoas devam comparecer ao ato. "O padre Beto é muito querido, não só por seu comportamento exemplar de tratar todas as pessoas sem preconceito, mas também pelos trabalhos sociais que ele realiza", disse o vereador.

Sigilo. A Diocese de Bauru disse que o bispo d. Caetano Ferrari não comentaria as declarações do padre Beto sobre a semelhança do ato de excomunhão com as posições do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), conhecido por suas declarações polêmicas sobre homossexuais e negros. Segundo a Assessoria de Imprensa da Diocese, o bispo está proibido de fazer comentários por causa do sigilo imposto pelo processo de demissão do estado clerical que a Igreja move contra padre Beto. Anteontem, o padre ironizou a decisão. "Dou graças a Deus que não existem mais fogueiras", disse ele, em referência à Inquisição.



quarta-feira, 1 de maio de 2013

Padre Beto volta a atacar a igreja católica após excomunhão

Depois da excomunhão provocada por sua recusa em se retratar das declarações polêmicas que irritaram o bispo de Bauru (SP), D. Caetano Ferrari, o ex-padre Beto, hoje o cidadão Roberto Francisco Daniel, não se fez de rogado e resolveu sair atirando da igreja.

Nas duas entrevistas publicadas abaixo, a primeira concedida ao UOL e a segunda ao Estadão, sobra tiro pra todo lado, desde a conhecida e criticada tolerância das autoridades católicas quanto aos casos de pedofilia dentro da igreja até compará-la a Marco Feliciano, a quem ele chama de "extremamente dogmático e fundamentalista.

O teor de suas declarações permite duvidar de sua afirmação de que ficou "indiferente" com a excomunhão que lhe foi aplicada. Confira:

Pedófilos não são excomungados, mas eu fui, desabafa padre de Bauru (SP)

Camila Neuman

Roberto Francisco Daniel, 48, mais conhecido como padre Beto, diz ver com incoerência sua excomunhão da Igreja Católica, já que sacerdotes que cometeram crimes de pedofilia, entre outros, não receberam a mesma punição.

O religioso que atuava na Diocese de Bauru (329 km de São Paulo) desde 2001 foi excomungado nesta segunda-feira (29) pela igreja, após um vídeo no qual ele se mostra favorável à união entre homossexuais ter sido publicado na internet.

Padre Beto conta ter sido recebido ontem pelo bispado da Diocese de Bauru em uma sala que se transformou rapidamente em um tribunal. Lá, ele deveria 'se desculpar pelos crimes contra a igreja', entre os quais o vídeo, que deveria ser retirado do ar.

O combinado, segundo ele, era ir à diocese somente para entregar seu pedido de afastamento, pois não havia aceitado pedir desculpas pelo conteúdo do vídeo. Ao questionar se estava "no banco dos réus", recebeu a afirmativa e, em seguida, abandonou a sala. Depois do episódio, recebeu a notícia da excomunhão.

"Foi com bastante indiferença [que recebi a notícia] porque eu já tinha me desligado. Mas, por outro lado, vejo com muita tristeza a incoerência dela [da Igreja], porque nós sabemos de casos que são notórios e públicos de pessoas, padres e bispos que erraram, que cometeram crimes de pedofilia, outros crimes também, que são punidos pela lei penal, mas não são excomungados. E a gente que simplesmente ajudou na reflexão sobre esses temas é excomungado. Vejo uma incoerência muito grande", disse ao UOL.

Impedido de celebrar missas a partir de então, Beto diz que manterá suas ações como teólogo e professor universitário na cidade, mantendo o diálogo sobre assuntos que envolvem a sexualidade.

"Pretendo continuar uma vida religiosa como teólogo. Sou teólogo formado, tenho doutorado e vou continuar contribuindo com a reflexão sobre Deus, sobre o mundo e como eu já comecei sobre a sexualidade humana, sobre o comportamento humano e sua relação com Deus", disse.

Padre Beto nunca foi um padre 'comum'. Com aparência jovial, vista no piercing em uma das orelhas, na tatuagem aparente e na calça jeans e camiseta, ele atraía jovens universitários e católicos não praticantes para as missas bauruenses. Em muitas delas, as mulheres eram maioria. O motivo? A simpatia e os olhos claros do religioso também costumeiramente chamado de 'padre galã'.

Beto repudiou ainda o discurso da igreja que diz que seus atos provocam escândalo.

"Quando ela [a Igreja Católica] fala em atos, isso é muito grave. Não são atos, são reflexões, é uma grande diferença. Tenho uma vida íntegra, dou a cara para bater. Reflito claramente porque não tenho o que esconder. Tudo o que eu faço é da linha da igreja, nunca feri o celibato, sempre levei a vida na moral cristã. Reflito a igreja, mas ela tem que revisar o conceito", diz.

Para ele, falta a Igreja Católica abrir espaço para a reflexão de temas atuais, como o uso de métodos anticoncepcionais.

"É claro que a maioria dos casais da Igreja Católica usa camisinha, faz laqueadura e ninguém fala. É aquela hipocrisia e não se esclarece que temos que ter uma boa educação sexual, planejar nossas famílias. Agora se isso é escandaloso em pleno século 21, eu não sei em que sociedade estou vivendo", diz.




Igreja se assemelha a Feliciano, diz padre excomungado

CHICO SIQUEIRA

O padre Roberto Francisco Daniel, o padre Beto, de Bauru (SP), disse que, pelo fato de ter sido excomungado, a Igreja Católica tem comportamento que pode ser comparado ao do pastor Marcos Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, conhecido por suas declarações preconceituosas contra os homossexuais e negros. Daniel foi excomungado pela Igreja depois de postar na internet entrevistas defendendo o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo e bissexuais.

"Essa comparação pode ser feita. Acredito que a Igreja, com essa excomunhão, se equipara ao pastor Feliciano, alguém extremamente dogmático e fundamentalista, que está num cargo onde deveria fazer com que os direitos humanos fossem respeitados, mas ao contrário, ele exclui os direitos das pessoas", comentou. Segundo padre Beto, tanto a Igreja Católica quanto Feliciano "deveriam exercer o diálogo e não a exclusão". Para ele, a Igreja foi contra a própria essência do evangelho ao condená-lo por ter defendido os homossexuais.

"A essência do evangelho possui Jesus Cristo como modelo e o evangelho de Jesus Cristo foi exercido com liberdade de expressão e respeito; ele amou as pessoas sem preconceito algum e nunca condenava ou excluía alguém por ser diferente dos outros", disse padre Beto. Segundo o religioso, pelo comportamento da Igreja em relação à sua excomunhão e às declarações de Feliciano, "as pessoas com tendências diferentes dos heterossexuais, como bissexuais e homossexuais, além de serem vistas com preconceito, são consideradas pecadoras".

"Cristo não falou nada sobre sexualidade. As expressões sobre os temas sexuais na bíblia representam a mentalidade de uma época em que as pessoas não tinham condições de analisar a bissexualidade ou a homossexualidade. A ciência evoluiu e a Igreja não pode fechar os olhos para o conhecimento humano, não pode ignorar a realidade da existência de uma diversidade sexual", diz. "A Igreja não pode achar que duas pessoas que se amam, que se respeitam e querem construir um mundo juntos, são pecadoras só porque são do mesmo sexo", completou. Beto diz que vai conversar com um advogado especializado em direito canônico para se defender.

Em nota distribuída nesta terça-feira, 30, pela assessoria do bispado de Bauru (SP), o juiz-instrutor da excomunhão diz que o ato se deu porque padre Beto não obedeceu aos superiores e insistiu em manter um comportamento em desacordo com as regras do sacerdócio. Embora o bispo de Bauru, d. frei Caetano Ferrari, tenha exigido que o padre retirasse da internet os vídeos em que critica a postura da Igreja em relação aos temas sexuais, a nota afirma que o sacerdote não foi excomungado por defender os interesses dos homossexuais porque "isso não é matéria para excomunhão na Igreja"



segunda-feira, 29 de abril de 2013

Bispo de Bauru (SP) excomunga padre Beto

Numa decisão que já era - de certo modo - esperada depois das repercussões das declarações polêmicas do padre Beto, bem como de sua recusa em se retratar e pedir perdão, mas mesmo assim surpreende pela gravidade da pena aplicada, o bispo de Bauru (SP), D. Caetano Ferrari publicou nota oficial no sítio da diocese comunicando a excomunhão do agora ex-pároco, com o seguinte teor (os grifos são nossos):

Comunicado ao povo de Deus da Diocese de Bauru sobre o Rvedo. Pe. Roberto Francisco Daniel

É de conhecimento público os pronunciamentos e atitudes do Reverendo Pe. Roberto Francisco Daniel que, em nome da “liberdade de expressão” traiu o compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal. Estes atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial. Sua atitude é incompatível com as obrigações do estado sacerdotal que ele deveria amar, pois foi ele quem solicitou da Igreja a Graça da Ordenação. O Bispo Diocesano com a paciência e caridade de pastor, vem tentando há muito tempo diálogo para superar e resolver de modo fraterno e cristão esta situação. Esgotadas todas as iniciativas e tendo em vista o bem do Povo de Deus, o Bispo Diocesano convocou um padre canonista perito em Direito Penal Canônico, nomeando-o como juiz instrutor para tratar essa questão e aplicar a “Lei da Igreja”, visto que o Pe. Roberto Francisco Daniel recusa qualquer diálogo e colaboração. Mesmo assim, o juiz tentou uma última vez um diálogo com o referido padre que reagiu agressivamente, na Cúria Diocesana, na qual ele recusou qualquer diálogo. Esta tentativa ocorreu na presença de 05 (cinco) membros do Conselho dos Presbíteros.

O referido padre feriu a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor (obediência esta que prometera no dia de sua ordenação sacerdotal), incorrendo, portanto, no gravíssimo delito de heresia e cisma cuja pena prescrita no cânone 1364, parágrafo primeiro do Código de Direito Canônico é a excomunhão anexa a estes delitos. Nesta grave pena o referido sacerdote incorreu de livre vontade como consequência de seus atos.

A Igreja de Bauru se demonstrou Mãe Paciente quando, por diversas vezes, o chamou fraternalmente ao diálogo para a superação dessa situação por ele criada. Nenhum católico e muito menos um sacerdote pode-se valer do “direito de liberdade de expressão” para atacar a Fé, na qual foi batizado.

Uma das obrigações do Bispo Diocesano é defender a Fé, a Doutrina e a Disciplina da Igreja e, por isso, comunicamos que o padre Roberto Francisco Daniel não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a Santíssima Eucaristia), pois está excomungado. A partir dessa decisão, o Juiz Instrutor iniciará os procedimentos para a “demissão do estado clerical, que será enviado no final para Roma, de onde deverá vir o Decreto .

Com esta declaração, a Diocese de Bauru entende colocar “um ponto final” nessa dolorosa história.

Rezemos para que o nosso Padroeiro Divino Espírito Santo, “que nos conduz”, ilumine o Pe. Roberto Francisco Daniel para que tenha a coragem da humildade em reconhecer que não é o dono da verdade e se reconcilie com a Igreja, que é “Mãe e Mestra”.

Bauru, 29 de abril de 2013.

Por especial mandado do Bispo Diocesano, assinam os representantes do Conselho Presbiteral Diocesano.



sábado, 27 de abril de 2013

Padre Beto desafia bispo de Bauru e larga a batina



Dois dias atrás, mais especificamente em 25/04/13, divulgamos aqui o bafafá que colocou em polvorosa os católicos de Bauru, quando o bispo local, D. Caetano Ferrari, exigiu que o conhecido pároco de sua diocese, Padre Beto, nome pelo qual atende o cidadão Roberto Francisco Daniel, retirasse das mídias sociais as suas declarações em que assume posições heterodoxas em relação às doutrinas consagradas da igreja romana, como o adultério e a homossexualidade, apenas para citar duas das muitas polêmicas que ele enfrentou nos vídeos que estão vinculados àquele artigo.

O prazo para a retratação do padre Beto expiraria na próxima segunda-feira, dia 29 de abril, mas ele se adiantou e hoje pela manhã concedeu entrevista a vários meios de comunicação bauruenses dizendo, basicamente, ainda que não com essas palavras, que deixa a batina.

Na sua página no facebook, o padre Beto publicou a seguinte nota:



O padre deu uma entrevista - com uma camisa com a inscrição "No, gracias" - à TV TEM, afiliada da Rede Globo em Bauru, que pode ser vista clicando aqui, e abaixo segue o vídeo  de sua fala à BauruTV, responsável por extrair do pároco as declarações que foram o estopim de toda a crise atual:




Abaixo transcrevemos um trecho da entrevista que ele concedeu à rádio 94 FM de Bauru, por exemplo:
Padre: - O que eu tenho a dizer é que eu não tenho do que me redimir e muito menos o que ou a quem pedir perdão. Se é pecado refletir, eu sou um pecador porque sempre estarei em reflexão.

Repórter: - Padre, isto significa que o senhor pretende pedir o afastamento da igreja, deixar a batina?

O que me resta é declarar que a partir de segunda-feira eu me afasto do exercício dos ministérios sacerdotais. Eu deixo de exercer a função de padre na Igreja Católica Apostólica Romana.

Como é impossível viver o evangelho de Jesus Cristo numa instituição que no momento não respeita a liberdade de reflexão e a liberdade de expressão.

O nosso modelo de vida é Jesus Cristo. Cristo foi o que mais viveu a liberdade de reflexão e expressão, que fez com que as pessoas refletissem durante toda a sua vida.

É que não é possível ser cristão numa instituição que cria hipocrisia. Nós sabemos que existem regras morais ultrapassadas da igreja católica, nós sabemos que a maioria não vive essas regras morais porque eu duvido que a maioria dos casais não usam métodos anticoncepcionais, a laqueadura ou a vasectomia, por exemplo.

Repórter: - Padre Beto, o afastamento impede que você exerça o sacerdócio em qualquer outra diocese, é isso?

O afastamento, eu não tenho a pretensão de exercer o meu sacerdócio em nenhuma outra diocese, porque eu acredito que o quadro da igreja católica seja geral.

Repórter: - E qual o futuro do Beto, então, e não mais do padre?

Porque uma vez ordenado padre, eu sempre serei padre. É... eu vou continuar com a integridade de padre, eu... é... vou procurar ocupar todos os espaços que a sociedade poderá me oferecer para a reflexão, para a evangelização.

Eu vou ser um ser pensante na sociedade contemporânea. A partir de segunda-feira eu não exerço nenhuma cerimônia dentro da igreja católica.

Repórter: - É uma decisão que não tem volta, padre Beto?

Tem volta se a igreja mudar, se a igreja mudar de postura, ela se tornar menos... aliás, ela deixar de ser dogmatista, é... ela ficar sim com seus dogmas, mas aberta à discussão, então aí ... aí eu retorno de coração aberto, e com a maior vitalidade para poder trabalhar pelo Cristo.
O leitor pode perceber, portanto, que é uma situação sem volta, e ao que tudo indica o padre Beto abandona a igreja católica.

Agora, se os amigos católicos do blog permitem que este que vos escreve dê um pitaco nessa pendenga em outra seara, considerando que não sou de Bauru nem católico, mas protestante (já que "evangélico" é no Brasil de hoje uma designação ideológica e não teológica), tenho a dizer o seguinte:

1) Não sendo de Bauru, mas vendo eventualmente o noticiário televisivo de lá, reparei que o padre Beto era presença constante nas reportagens sobre feriados religiosos, por exemplo.

2) Além disso, tive a infelicidade de acompanhar um determinado horário eleitoral na campanha municipal de 2012, em que o padre Beto pediu voto efusivamente para o candidato a vereador Ricardo Barreira, que terminou como o 40º mais votado, com 1.099 votos (0,61% do total), não se elegendo:


3) Ocorre que "Pai" Ricardo Barreira é babalorixá, conforme o próprio padre Beto diz no vídeo acima que "ele é de outra religião".

4) Nada contra o diálogo entre católicos e umbandistas, ou contra ambos, mas era no mínimo curioso que um padre apoiasse um pai de santo para vereador de Bauru, ainda mais um padre que tem tanto destaque naquela diocese, o que lança imediatamente a dúvida: não havia candidatos católicos idôneos ou viáveis para ele apoiar?

5) Logo, como o próprio bispo de Bauru disse no vídeo que está postado no artigo de 25/04/13, não é de hoje que o padre Beto vem se indispondo com os seus superiores.

6) Ora, o padre fez seminário por muitos e longos anos, sabia muito bem de tudo o que implicava o sacerdócio que exerceu livremente por outros tantos anos, conhecia de cor e salteado todos os dogmas que a igreja católica defende, e agora vem se fazer de desentendido?

7) Quando o padre Beto diz na entrevista acima que "vou procurar ocupar todos os espaços que a sociedade poderá me oferecer para a reflexão", está parecendo mais que ele gostou da campanha política, e podemos ter surpresas nas próximas eleições bauruenses, você não acha?

8) Cá entre nós, dizer que ele volta se a igreja mudar revela uma empáfia gritante. Qualquer leigo, ateu ou não católico sabe muito bem que é praticamente impossível que o Vaticano rompa um milímetro que seja dos seus dogmas, e o padre Beto parece querer que o papa Francisco ligue desesperado pra ele lá de Roma dizendo que vai convocar urgentemente um novo Concílio só para atender os pleitos e socorrer os pruridos de consciência do sacerdote bauruense. Menos, padre Beto, menos...

9) Humildade talvez seja a traço mais característico do seguidor de Cristo. Ao dizer que "não tem do que se redimir" nem "a quem pedir perdão", padre Beto mostra que pouco ou nada entendeu do que significa ser cristão, lamentavelmente. 

10) Beto tem todo o direito de seguir a religião que quiser, e deve ser respeitado por isso. Talvez tenha perdido tempo demais sendo padre católico, e olha que teve tempo muito mais do que suficiente para pensar sobre o que isto significava.

11) Fica estranho ele vir agora, portanto, dizer que sua igreja deve seguir o que ele acha da vida e do mundo, depois dele próprio ter-se valido do título de padre e ter utilizado a estrutura (e a máquina) católica para apoiar candidatos em eleições.

12) Quem deve estar feliz da vida é o bispo de Bauru, que apesar da (talvez) excessiva paciência que teve com o prelado ora revoltado, livrou-se de um pepino daqueles. Pode soltar os rojões, D. Caetano Ferrari!

Prepare-se, Bauru: deve estar vindo aí um novo político ou babalorixá...



Atualização de 29/04/13

O bispo de Bauru excomungou o padre Beto, leia a íntegra da nota da diocese clicando aqui.










quinta-feira, 25 de abril de 2013

Diocese de Bauru exige que padre Beto se retrate sobre declarações polêmicas


Padre Roberto Francisco Daniel, ou "Padre Beto", é uma figura muito conhecida em Bauru, cidade de cerca de 350.000 habitantes no centro do Estado de São Paulo.

Muito querido por boa parte da população local, o sacerdote não se omite na hora de dar declarações sobre assuntos polêmicos, como espiritismo, suicídio, fidelidade, adultério,   bissexualidade, homossexualidade e outros temas controversos, como ocorreu na entrevista que concedeu a pessoas que se identificam como espíritas do portal Bauru TV no youtube, em duas partes, como você pode ver abaixo:



No segundo vídeo, padre Beto diz que "uma pessoa que tem um relacionamento extraconjugal, e que este relacionamento é aceito pelo cônjuge, aqui existe fidelidade. O que é fidelidade? É transparência. Eu estou jogando limpo. Eu estou abrindo o jogo. Eu estou falando: 'é isso o que eu quero. Você aceita?'. Se a pessoa aceitar, é opção dela também. Então aqui todos estão jogando limpo".

Mais adiante prossegue afirmando que “se a ciência humana está constatando que hoje em dia não dá mais para você enquadrar o ser humano em homossexual, bissexual ou heterossexual, nós deveríamos nos enquadrar simplesmente como seres sexuados e que o amor pode surgir em qualquer desses níveis, se a ciência está chegando a este ponto... não é..., de nos levar a esse nível de consciência, a Igreja precisa estudar bem isso, caso contrário ela vai cometer um pecado. Qual pecado? O pecado de não saber amar o seu próximo.  Eu sei amar o meu próximo a partir do momento em que eu conheço esse próximo. Então a Igreja tem que mudar sim, ela vai ter que mudar, mas não porque a sociedade mudou, mas porque a ciência e conhecimento humano evoluiu [sic]”.

Quem não gostou nada das declarações do sacerdote foi o seu superior imediato, D. Frei Caetano Ferrari, bispo da diocese de Bauru, que emitiu nota pública "pedindo" (no popular, exigindo e impondo prazo) que o padre Beto se retrate de suas declarações, com os seguintes dizeres:
Tendo em vista os recentes pronunciamentos do padre Roberto Francisco Daniel (padre Beto) em páginas pessoais da internet, que têm provocado escândalo junto aos fiéis, agora, extrapolando-se o âmbito diocesano e indo para o mundo aberto da mídia eletrônica; tendo em vista, sobretudo, o conteúdo desses pronunciamentos que ocorrem em desacordo com os ensinamentos da Igreja no campo da doutrina, da moral e dos costumes; tendo em vista que não em poucas oportunidades o Bispo Diocesano já lhe vem alertando sobre seus pronunciamentos; e tendo em vista o diálogo realizado hoje, 23 de abril, na Cúria Diocesana, sobre o assunto, determino ao padre Beto a retirar de imediato tudo o que estiver na mídia, com palavras e imagens relativas a estas suas declarações. Determino a se retratar através do mesmo meio utilizado (site, Facebook e YouTube), no prazo até 29 de abril de 2013, confessando humildemente que errou quanto a sua interpretação e exposição da doutrina, da moral e dos costumes ensinados pela Igreja.

Nossa Diocese, que caminha rumo ao Jubileu de Ouro de sua fundação, encontra-se em oração permanente, suplicando ao Divino Espírito Santo, seu padroeiro, que ilumine nossas mentes e nossos corações para caminharmos na busca da conversão, da santidade, da comunhão e da paz.

O bispo D. Ferrari foi entrevistado também pela repórter Nilessa Tait, da TV TEM, afiliada da Rede Globo em Bauru (SP), e pelo jeito ele próprio providenciou uma, digamos, gravação paralela, para se certificar de que suas palavras não seriam desvirtuadas ou manipuladas:


Em entrevista ao portal G1, o padre Beto declarou que "ainda estou analisando o que farei a respeito dessa retratação que eles me pedem. Retirar o que publico das redes sociais é como negar o meu ser e o modo em que eu me relaciono com Deus, além de negligenciar o meu papel como padre”.

Preparem-se, católicos de Bauru e região: vem muito pano pra manga por aí...



Atualização de 29/04/13: o bispo de Bauru excomungou o padre Beto, leia a íntegra da nota da diocese clicando aqui.






quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PSTU diz que pedofilia é obra do capitalismo

No escandaloso caso do advogado pedófilo de Bauru (SP), de nome Sandro Luiz Fernandes, que foi candidato a vereador (2000 e 2008) e prefeito (2004) da cidade pelo PSTU, além de já ter feito da Comissão de Direitos Humanos da OAB local, o PSTU se apressou em lavar as mãos e o nome emitindo uma nota oficial, dizendo que desde novembro de 2008 o acusado não faz mais parte do partido, e que a pedofilia é "fruto do sistema capitalista", o que contrasta gritantemente com a alegação da União Conservadora Cristã de que "a pedofilia é obra da KGB" comunista. O povo tá precisando se entender, porque enquanto eles tratam o problema do ponto de vista ideológico, os pedófilos continuam livres para perpetrar as suas barbáries contra crianças e adolescentes inocentes. Abaixo, primeiro a notícia do Terra sobre o caso e depois a nota oficial do PSTU:

Filha de 18 anos e filho de 9 acusam advogado de abuso em SP

Wagner Carvalho

Um menino de 9 anos afirmou à polícia na manhã desta quarta-feira, em Bauru, a 345 km de São Paulo, ter sido molestado pelo próprio pai, o advogado Sandro Luiz Fernandes, 45 anos, que já fez parte da Comissão de Direitos Humanos de Ordem dos Advogados. O depoimento se soma ao da irmã do garoto, uma estudante 18 anos que diz ter sido abusada sexualmente pelo pai dos 8 aos 16 anos. Fernandes ainda teria abusado de uma cunhada e uma sobrinha.

As primeiras acusações ocorreram há cerca de um mês, quando a filha e a cunhada do advogado procuraram a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e relataram o crime. Segundo elas, que garantem que não chegaram a ser violentadas, o acusado as molestava enquanto elas dormiam ou tomavam banho.

Nervosas, as duas jovens falaram com a imprensa de mãos dadas o tempo todo. Elas decidiram levar a denúncia a publico e falar com a imprensa com a condição de não terem seus nomes revelados. A terceira suposta vítima do advogado, hoje com 14 anos, teria sido molestada quando tinha apenas 10 anos. Ela, que vive hoje no Paraná, também deve ser ouvida pela DDM.

No final da tarde de ontem, a Justiça negou o pedido de prisão temporária feito pela delegada Priscila Bianchini Alferes. O Juiz Jaime Ferreira Menino, da 2ª Vara Criminal de Bauru, negou a solicitação, entendendo que Fernandes não poderia atrapalhar as investigações já que existe uma medida protetiva proibindo o advogado de se aproximar das vítimas.

Com o depoimento dado pelo garoto na manhã de hoje, a delegada informou que poderá pedir novamente a prisão temporária de Fernandes nas próximas horas por estupro de vulnerável, caso haja a comprovação do abuso.

No depoimento, o garoto fez revelações fortes e contou que teria sido abusado pouco antes de Fernandes viajar para a Europa. O depoimento foi inteiramente acompanhado por uma conselheira tutelar. À tarde, o menino passou por exames no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru.

A delegada pretende ouvir ainda nesta semana a mulher do advogado, Fernanda Fernandes, na condição de investigada. Para Priscila, a esposa de Fernandes foi conivente com os abusos. Além de advogado, Fernandes é conhecido político da cidade e assessor jurídico do Sindicato dos Bancários e dos servidores municipais de Bauru. Os dois filhos de Fernandes estão sob a guarda de uma tia.

De acordo com a delegada, foram apreendidos três computadores na casa do advogado. Os equipamentos foram encaminhados para a perícia. O caso foi registrado pela DDM como atentado violento ao pudor, já que a nova lei de estupro, que abrange o crime mesmo quando não há conjunção carnal, entrou em vigor apenas em 2009.




Nota do PSTU de Bauru (SP) sobre as acusações de pedofilia contra o advogado Sandro Fernandes

Desde o dia 27 de setembro, acusações chocantes de pedofilia contra um conhecido advogado da cidade vem estarrecendo a região de Bauru, interior de São Paulo. Como o acusado já pertenceu aos quadros do PSTU, o partido na cidade divulgou a seguinte nota:

PSTU-Bauru

• O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) vem a público esclarecer que o advogado Sandro Luiz Fernandes não pertence a nossa organização desde novembro do ano de 2008. Não sendo, desde então, militante do PSTU.

Soubemos pela imprensa das graves denúncias de pedofilia feitas contra Fernandes. Independentemente de ter feito parte de nosso partido, exigimos que essas sejam devidamente apuradas e, se comprovadas, defendemos que o acusado seja rigorosamente punido, como qualquer um.

A pedofilia é um ataque brutal contra crianças incapazes de se defender e deve ser combatida por toda a sociedade.

Somos um partido conhecido pelo completo repúdio ao machismo e todas as formas de opressão. A opressão machista está intimamente ligada aos nefastos casos de pedofilia, estupros e toda forma de violência sexual.

Reforçamos que essas situações extremas de violência são fruto do modo de produção capitalista, que utiliza a opressão como meio de manter a exploração. É esse sistema que torna a nossa sociedade cada vez mais doente, expondo as crianças a violências de todo tipo.

Bauru, 27 de setembro de 2011

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado




Atualização de 03/10/11 - notícia do Terra:

Defesa de advogado diz que filha inventou abusos por dinheiro

Wagner Carvalho
Direto de Bauru

A defesa do advogado acusado de abusar sexualmente de seus dois filhos, em Bauru (SP), segue sustentando que o caso seria uma invenção da filha de 18 anos. Na sexta-feira, um irmão do suspeito já havia dito que a sobrinha, que é atriz e cantora, teria interesses financeiros. O juiz da 2ª Vara Criminal poderá revogar nesta segunda-feira a prisão de Sandro Luis Fernandes, 45 anos e de sua esposa, Fernanda Fernandes. O magistrado deverá aguardar que Ministério Público se manifeste sobre o caso para só depois apreciar o pedido.

Um dos advogados de defesa, Ricardo Bonzetto, chegou a dizer que a filha de Fernandes cursou uma das melhores faculdades de teatro do Brasil e que estaria encenando toda a situação. "É o primeiro caso que se tem conhecimento em que, antes de uma ação penal, se promove uma ação indenizatória por danos morais", afirmou. A ação referida foi ajuizada no Fórum de Bauru por uma das supostas vítimas e pedia uma indenização de R$ 500 mil por danos morais. O pedido foi negado pelo juiz João Thomaz Diaz Parra, da 2ª Vara Civil.

A defesa ainda considera a prisão do casal arbitrária, já que os motivos apresentados pela delegada Priscila Bianchini Alferes da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) não teriam fundamento. "O que aconteceu foi que (...), às escondidas, enquanto se tomava o tempo da defesa, se fez um pedido de prisão dizendo que Fernandes não estaria predisposto a ficar à disposição da Justiça", afirmou Bonzetto.

O outro advogado do caso, Hélio Marcos Pereira Júnior, também informou que, caso a prisão não seja revogada, a defesa apresentará o pedido de habeas-corpus. A defesa desconhece a existência de uma quinta vítima que não é da família, mas sim, uma empregada que trabalhou na residência do advogado. "Se existe essa pessoa não nos foi apresentada nesse momento, não temos conhecimento desse fato", afirmou Bonzetto.

Entenda o caso

O advogado Sandro Luiz Fernandes, 45 anos, é acusado de abusar sexualmente da filha de 18 anos, do filho de 9 anos, da cunhada de 18 anos e da sobrinha de 14 anos. Ele já foi presidente da Comissão dos Direitos Humanos da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Bauru. A polícia investiga se a mulher do advogado, Fernanda Fernandes, teve participação nos crimes.

A filha contou que foi abusada pelo pai dos 8 aos 16 anos. Já a cunhada afirmou ter sido vítima dos 8 aos 10 anos. A sobrinha, terceira vítima, disse ter sido abusada quando tinha 10 anos. A quarta vítima, o filho de Fernandes, hoje com 9 anos, afirmou que os abusos são recentes.

Entres os abusos relatados pelas três primeiras vítimas, segundo a polícia, o advogado apalpava partes íntimas, olhava as crianças no banho pelo buraco da fechadura e fazia sexo oral nelas, além de obrigá-las a pegar em seu pênis.


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