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quarta-feira, 2 de março de 2016

Mark Driscoll acusado de estelionato por sua ex-igreja

Mark Driscoll querendo esganar alguém (risos)

Em agosto de 2014 anunciamos aqui no blog que a Mars Hill Church, mega-igreja de Seattle (Estado de Washington), havia botado Mark Driscoll pra correr.

Pedimos desculpas ao leitor que não conhece o histórico de Driscoll e estranhe o nosso linguajar, mas é este o estilo dele falar, ao qual nos adaptamos ao longo do tempo.

Enquanto ele nadava de braçada na igreja que fundou em Seattle em 1996, e era o pastor pop de uma nova geração de evangélicos americanos, parece que ele se sentiu autorizado a falar qualquer asneira sem que fosse cobrado por isso.

Entretanto, a sua pretensa imunidade às críticas não resistiu à sucessão de controvérsias e polêmicas.

Primeiro, chamou os dirigentes de louvor de "afeminados". Depois disse que "masturbação é uma forma de homossexualidade". Posteriormente, insinuou que Ester teria sido prostituta e disse que não estava "nem aí para o aquecimento global".

As coisas assim prosseguiram até que a direção da Mars Hill Church não aguentou mais a prepotência e - por que não dizer - a vaidade de Driscoll e, de uma maneira não tão velada como queriam, o defenestraram.

Já naquela época, pesavam sobre ele acusações de plágio, de malversação dos fundos da igreja e do tratamento rude que ele dispensava aos líderes e membros da igreja.

Driscoll tirou uma licença de algumas semanas e em outubro de 2014 renunciou à liderança da Mars Hill Church, avisando que se dedicaria a um período de reflexão e meditação.

A catástrofe foi tão grande que a própria Mars Hill Church desmoronou qual um castelo de cartas e fechou as portas em dezembro daquele ano.

Esse exílio autoimposto terminou no começo de fevereiro deste ano, quando Mark anunciou que estava fundando uma igreja em Phoenix, capital do Estado do Arizona, com o nome de "The Trinity Church".

Menos de um mês após sua reaparição pública, chega a notícia de que ex-líderes de sua antiga igreja decidiram processá-lo pela malversação de fundos tipificada no direito penal norteamericano como "racketeering".

Não existe um equivalente exato para este crime no Brasil. O mais próximo que o nosso Código Penal chega dele é um meio-termo entre estelionato e extorsão. "Racketeering" é um delito típico da máfia americana.

A acusação que pesa sobre Driscoll é a de que ele teria utilizado o nome da igreja para arrecadar fundos para missões e desviou este dinheiro para promoção pessoal.

A petição de denúncia ("plaintiff") foi disponibilizada na íntegra pelo portal "The Daily Beast" para aqueles que gostam do tema e têm familiaridade com a terminologia jurídica em inglês, e pede, entre outras coisas, uma espécie de "prestação de contas" de Driscoll e do antigo executivo da igreja, John Sutton Turner.

Só que Driscoll, quem diria, pode terminar arbitrando lutas de MMA na prisão, vai saber...

Seattle, ah, Seattle, tão bela, tão agradável, prepare-se para mais nuvens negras no horizonte.

A fonte das informações aqui repassadas é o "Religion News Service".



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Mark Driscoll vai pro paredão

Mark Driscoll é um pastor evangélico norteamericano de 43 anos de idade, que até ontem respondia pela liderança da Mars Hill Church de Seattle, no Estado de Washington, mega-igreja da qual foi um dos fundadores em 1996.

Nascido em 11 de outubro de 1970, Driscoll foi criado numa família católica até que, aos 19 anos de idade, se converteu ao evangelicalismo e se graduou em Teologia no Western Seminary de Portland, Oregon.

Logo após a fundação da Mars Hill Church, Driscoll teve muito êxito ao fazer uma espécie de mistura do movimento da igreja emergente com pitadas de neocalvinismo, ajudando a organizar redes de plantação de igrejas como a Atos 29 e The Resurgence ("A Ressurgência"), que reuniam pregadores jovens dos Estados Unidos na propagação do evangelho para uma sociedade pós-moderna.

O figurino era (e continua sendo) mais ou menos o seguinte, com pequenas variações: uma igreja "cool" com nome descolado e gente antenada, um pastor jovem que prega mensagens moderninhas com um viés neocalvinista para uma plateia de jovens bem sucedidos, que querem tirar um tempinho de suas semanas agitadas para obter conforto para suas perturbadas almas (ou consciências, vai saber).

No início, até que foi tudo bem, conferências lotadas, zilhões de livros vendidos, mas parece que Driscoll começou a exagerar na mão, ou no gogó, se é que me entende.

A partir de 2011, o consagrado pastor de Seattle começou a fazer algumas declarações, digamos, estranhas, que inclusive já repercutimos aqui no blog nos seguintes artigos, cujos títulos - por si só - dão uma pequena ideia da verborragia driscolliana:



O evangelho macho de Driscoll e Piper (sim, até o John Piper entrou na dança)



Seatlle, terra do grunge, Pearl Jam, Alice in Chains, Nirvana, Kurt Cobain e.... Mark Driscoll, é claro!

A coisa degringolou de vez este ano, entretanto. Acusações de plágio em seus livros, questionamentos sobre uso de fundos da igreja e o tratamento rude e grosseiro (chulo, até) que ele dispensava aos líderes de sua igreja começaram a pipocar aqui e ali, de maneira que desenterraram denúncias de 10 anos atrás, que já davam conta de que havia algo podre no reino da Driscollândia.

Só que muito pouca gente sabia até então...

Alguns dias atrás, a rede Atos 29 excluiu Mark Driscoll dos seus quadros, e ele teve que cancelar a realização da próxima conferência da The Resurgence, sobre a qual tem mais controle.

São tantas as denúncias, e tão complexas, que não vamos nos deter muito em listá-las aqui, por uma questão de tempo e espaço para fazê-lo, mas aqueles que quiserem se aprofundar no tema e têm fluência no inglês, poderão acessar a página The Mark Driscoll Controversy e ler o artigo publicado no (nada mais, nada menos) The New York Times na última sexta-feira, 22 de agosto de 2014.

Parece que ver seu nome pululando (negativamente) nas páginas do NYT foi demais para o ego de Driscoll.

Ainda que timidamente, ontem, 24 de agosto de 2014, ele anunciou que está tirando uma licença de 6 semanas da Mars Hill Church para que a liderança da igreja investigue essas denúncias e avalie se Driscoll deve permanecer por lá ou não, segundo publica o The Huffington Post.

Ele deveria retornar de suas férias ontem, mas enviou uma mensagem pré-gravada para ser exibida à congregação e, bem ao seu estilo, se "desculpou" jogando a culpa nos outros, dizendo:
Eu quero dizer à minha família passada e presente da Mars Hill que eu sinto muito. Eu genuinamente sinto (...) Sinto pelas vezes que eu tenho estado nervoso, rasteiro ou insensível. Desculpem-me por qualquer coisa que eu tenha feito para nos desviar de nossa missão mediante a abertura à crítica, controvérsia e atenção negativa da mídia (...) Comecei a me encontrar com uma equipe profissional de cristãos maduros que me proverão com sábios conselhos para me ajudar no meu desenvolvimento pessoal e na maturidade diante de Deus e dos homens.
Lembra de um certo "pastor" brasileiro que gosta de atacar os "críticos"?

Eles nunca têm culpa de nada, mas parece que o Driscoll acaba de fundar (mais) uma espécie de "rehab" cristã...




quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mark Driscoll quer que o mundo exploda

Mark Driscoll é uma figuraça (no mau sentido, infelizmente). Aqui no blog já tivemos a triste oportunidade de registrar algumas declarações desastradas do famoso pastor da Mars Hill Church de Seattle, Estado de Washington, nos EUA:

3) que Ester era prostituta antes de se tornar rainha;

E não é que ele não consegue controlar a própria boca?

Talvez esteja faltando na Bíblia que Driscoll lê o versículo de Mateus 12:36, em que Jesus avisa que "de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo".

Na recente conferência Catalyst, realizada em Dallas (Texas) entre os dias 1 e 3 de maio de 2013, Mark Driscoll afirmou que ele "não está nem aí para o aquecimento global".

Afinal, segundo palavras do pastor americano boquirroto, "sem essa de salvar o meio-ambiente, pois eu conheço quem criou o meio-ambiente, e sei que ele vai queimar tudo no final, logo eu continuo dirigindo minha caminhonete", conforme várias pessoas presentes ao evento relataram no twitter:



Há muitas observações que poderiam ser feitas para refutar a verborragia queima-tudo de Driscoll, mas nos limitaremos a algumas.

Primeiro, se Driscoll realmente conhecesse o Criador (ou fosse criacionista) ele saberia que Gênesis 2:15 diz que "tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no Jardim do Éden para o cultivar e GUARDAR".

Segundo, no último versículo do livro do profeta Jonas (4:11), Deus, que ameaçara Nínive com a total destruição, diz a Jonas que Ele teve compaixão das 120 mil pessoas que habitavam a cidade e - também - dos muitos animais que ali havia.

Terceiro, à própria terra era reservado pela lei mosaica um ano sabático, para que ela descansasse e pudesse voltar a produzir nos anos seguintes (Levítico 25:4).

Quarto, o capítulo 11 do profeta Isaías prediz um mundo final em que a natureza estará em paz e o meio-ambiente em perfeito equilíbrio.

Fica a dica para que algum assessor do Mark Driscoll sempre leve uma fita crepe a cada evento em que ele for tentado a abrir a boca...



terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mark Driscoll diz que Ester era prostituta antes de se tornar rainha

Mark Driscoll só pensa naquilo...

Depois de ter dito não existe nada mais puro do que dois homens seminus lutando MMA num octógono e que masturbação é uma forma de homossexualismo, o pastor da igreja de Mars Hill resolveu avançar um pouco mais no seu, digamos, “evangelho da testosterona”.

A vítima da vez, além da boa interpretação bíblica, é Ester, personagem do livro homônimo do Velho Testamento, uma moça judia virtuosa que se casa com Assuero, rei da Pérsia, e salva seu povo da aniquilação.

Faz cerca de 3.000 anos que Ester anda bem na fita, com a sua reputação ilibada ao longo de centenas de gerações de bons intérpretes judaicos e cristãos. Bem, estava, porque finalmente alguém diz que "descobriu" os seus segredos de alcova.

É que o pastor Mark Driscoll não consegue se conformar com a doce simplicidade e beleza desse roteiro épico. Na sua página na internet, não sem antes dizer que “a história de Ester tem sido muito mal interpretada”, ele a resume da seguinte maneira:
Ela cresceu numa família muito religiosa como uma órfã criada pelo seu primo. Bonita, ela permite que os homens se rendam às suas necessidades e faz as suas decisões. O comportamento dela é pecaminoso e ela passa cerca de um ano no spa sendo "embonecada" para perder sua virgindade com o rei pagão, assim como faziam centenas de outras mulheres. O desempenho dela é tão bom que ele a escolhe como sua favorita. Hoje, a sua história seria a de uma linda jovem que mora na cidade grande e permite aos homens que satisfaçam suas necessidades, passa por vários tratamentos de beleza para ficar ainda mais bela, e vai ao programa “The Bachelor” (“O Solteirão”) concorrer para uma noite maravilhosa na cama com um cara muito rico. Ela é simplesmente uma pessoa sem nenhum caráter até que o seu próprio pescoço esteja ameaçado, e então ela se levanta para salvar a vida do seu povo, momento em que ela se converte para uma fé real em Deus.
No popular, Mark Driscoll está dizendo que Ester era uma prostituta antes de se casar com o rei. E, ao afirmar que ele é o primeiro a descobrir isso, ele está se mostrando portador de uma revelação especial, o que faz dele - mesmo que contra a sua vontade - uma espécie de adepto do gnosticismo, alguém tão iluminado que só ele é capaz de decifrar o "segredo"  escondido em um texto por três milênios.

Além disso, a referência que Driscoll faz a um programa da TV americana deixa claro, ainda que inadvertidamente, como seu "evangelho" é influenciado pelo show business e pelo consumismo midiático. 

Assim, uma história bíblica pura e singela precisa ser "apimentada" com pinceladas eróticas e esqueletos no armário para que seja mais, digamos, "vendável" e palatável a um público ávido por detalhes sórdidos. 

Dando ainda vazão às suas paixões machistas, Driscoll acrescenta:
As feministas têm tentado mostrar a vida de Ester como um conto trágico de dominação masculina e liberação feminina. Muitos evangélicos têm ignorado os pecados sexuais dela e o seu comportamento ímpio para transformá-la numa figura do tipo de Daniel, o que é inapropriado. Alguns têm inclusive tentado modernizar a sua história comparando-a com o atual tráfico de escravas sexuais, mesma condição em que ela foi entregue ao rei poderoso como parte do seu harém.
Como você percebe, Driscoll tem uma fixação mórbida com detalhes sexuais de personagens e situações bíblicas e mundanas. No popular, isso também tem nome: fetiche. Ele bem que podia cuidar disso em privado e não tornar públicas as suas aberrações e fofocas supostamente "iluminadas".

E quando um líder evangélico de destaque – como ele é – começa a dar palpites sobre condições morais e sexuais de quem quer que seja na base da metralhadora giratória e do chutômetro, o resultado costuma ser desastroso.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

O evangelho macho de Driscoll e Piper

Alguma coisa estranha anda acontecendo nas igrejas evangélicas dos Estados Unidos. 

Existe uma certa, digamos, "masculinização" do evangelho no ar e o cheiro parece não ser agradável. Mark Driscoll já vinha provocando polêmicas com sua insistência na testosterona gospel, como quando elogiou a beleza máscula e "pura" de lutadores (suados e ensanguentados) de MMA no octógono e ridicularizou líderes de louvor afeminados, conforme já escrevemos aqui no texto "O bullying afeminado de Mark Driscoll", numa declaração - no mínimo - fora de propósito. 

Que Driscoll dê umas bolas fora de vez em quando, isso a gente já está lamentavelmente acostumado. 

Agora, para nossa surpresa, a bola de vez é o respeitabilíssimo pastor John Piper, de quem se pode discordar eventualmente numa ou outra ênfase de sua pregação, mas em geral ela é bem exposta e calcada na Bíblia, de maneira que fica difícil refutá-la. 

Entretanto, na última terça-feira, dia 31 de janeiro, durante a conferência anual de pastores patrocinada por sua organização "Desiring God", Piper entrou por uma seara que, se não era exatamente nova na sua pregação, teve suas implicações largamente expandidas. 

Segundo o renomado pastor, a intenção de Deus para o cristianismo é que ele tenha uma "sensação masculina", já que "Deus se revelou a Si mesmo na Bíblia penetrantemente como rei e não rainha; pai e não mãe (...) a Segunda Pessoa da Trindade é revelada como o Filho eterno e não a filha; o Pai e o Filho criaram homem e mulher à sua imagem e deram a eles o nome de homem, o nome do macho". 

Continua Piper: "Deus apontou todos os sacerdotes do Velho Testamento como sendo homens; o Filho de Deus veio ao mundo para ser um homem; Ele escolheu 12 homens para ser Seus apóstolos; os apóstolos apontaram que os cuidadores da Igreja deveriam ser homens; e com respeito ao casamento eles ensinaram que o marido deveria ser a cabeça. Portanto, de tudo isso eu concluo que Deus deu ao cristianismo uma sensação masculina. E sendo Deus um Deus de amor, Ele fez isso para o nosso máximo deleite, tanto machos como fêmeas". 

A conferência já havia sido aberta por Piper, na segunda à noite, com o tema "Deus, Masculinidade e Ministério - Construindo Homens para o Corpo de Cristo", com um apelo tanto à masculinidade como a paternidade que seriam os dois principais assuntos abordados durante sua preleção.

De fato, o tema masculinidade associado à paternidade não é novo no mundo evangélico, embora saia de cena por longos períodos. Daí podemos concluir que é perfeitamente compreensível e louvável a iniciativa de John Piper em trazer de novo esse assunto à baila. 

O que talvez possa ser criticado é se a ênfase na masculinidade não ultrapassou os limites do razoável, e mesmo que Piper seja um ícone (no bom sentido da palavra) dos bons pregadores cristãos que ainda restam no mundo, parece que ele forçou um pouco a mão no cozido que pretendia fazer (macho também cozinha, gente!). 

Primeiro, por que o subtema "Construindo Homens para o Corpo de Cristo" e não "para a Noiva de Cristo", como a Igreja é - repetida e femininamente - chamada no Novo Testamento, em especial no Apocalipse? 

Claro que a Igreja é apresentada como o masculino Corpo de Cristo, mas também como a Noiva. Afinal, não existe universo mais exclusivamente feminino - que perpassou e transcendeu culturas e gerações - do que o da "noiva". 

Curioso que o próprio Jesus se refere a Si próprio como Deus numa referência também bastante feminina e, digamos, "ecológica", ao chorar sobre Jerusalém clamando: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!" (Mateus 23:37 e Lucas 13:34). 

É no mínimo inacreditável, portanto, que Piper tenha se esquecido dessas duas alegorias tão importantes e femininas. 

Isto para não citar outras tantas passagens bíblicas onde as mulheres são reverenciadas, nem entrar no tema "Maria, Mãe de Deus" para evitar frissons anticatólicos. É forçoso reconhecer, também, que o conhecido pastor procurou minimizar a masculinização pregada, dizendo que "Deus não quer que as mulheres se sintam frustradas ou de qualquer maneira sofram ou não desfrutem de gozo pleno e duradouro nesse cristianismo masculino (...) pelo que posso inferir que o mais completo deleite de mulheres e homens acontece em igrejas e famílias que têm essa sensação masculina". 

Sabendo de antemão das controvérsias que sua pregação causaria, ele já apresentou também sua defesa: "Quando eu digo 'cristianismo masculino' ou 'ministério masculino' com uma sensação masculina, aqui está o que eu quero dizer: a teologia, a igreja e a missão são marcadas por uma supremacia divina de liderança masculina no espírito de Cristo com um ethos de força e ternura, coragem contrita, determinação de assumir riscos, e prontidão ao sacrifício em prol de liderar, proteger e prover comunidade. Todas as quais são possíveis somente através da morte e ressurreição de Jesus".

Por mais que John Piper se auto-explique, não deixa de ser estranho sentir tanta, digamos, "testosterona" em sua pregação, que talvez ficasse menos surpreendente de ouvir na boca de Mark Driscoll, acostumado que ele é à apologia da masculinidade e da "pureza" de lutadores suados e ensanguentados no octógono. 

Curioso que, depois dessa alocução, muita gente deve estar se questionando (sem qualquer ofensa ou duplo sentido) se não via e ouvia as pregações de John Piper com três características que são rotineiramente mais associadas à feminilidade: a delicadeza, a paixão e o amor. 

Justo ele de quem poderíamos dizer que "manifesta em todo lugar a fragrância do Seu conhecimento [de Deus]" (2ª Coríntios 2:14). 

Suspeito, entretanto, que Piper tenha tido outra motivação que merece ser discutida mais a fundo. 

Quando utiliza a expressão de que Deus se revelou na Bíblia como "rei" e não "rainha" ("queen" em inglês), ele está utilizando uma palavra, "queen", que já significou um eufemismo pejorativo associado aos homossexuais (também conhecidos jocosamente por "queers", sem falar nas "drag queens"). 

Talvez essa, digamos, masculinização excessiva ("machista", no popular) do evangelho pregado nos Estados Unidos (agora assumida por John Piper) tenha muito a ver, curiosamente, com o movimento gay e não com uma certa teologia feminista que teve dias melhores. 

Se esta ligação (por oposição) com a agenda gay for verdadeira, desconfio que as lideranças evangélicas, tanto nos Estados Unidos como no mundo, estão deixando a pregação cristocêntrica de lado e se envolvendo - por vontade própria, diga-se de passagem - numa disputa ideológica com elementos externos ao evangelho puro e simples da cruz, que fatalmente terminarão minando os seus esforços em levar o reino de Deus adiante. 

Quando gente como John Piper, conhecido por sua pregação bíblica e cristocêntrica, adere a esse movimento, talvez seja o caso de pensar melhor. 

Opor-se à agenda gay dentro dos estritos limites da convivência democrática é uma causa legítima. Deixar que ela dite a pauta da sua pregação é algo completamente diferente. 

Permitir o perigoso reducionismo do evangelho a questões de gênero ou trans-gênero representa o empobrecimento radical de uma preciosíssima mensagem radicalmente transformadora. 

Ainda bem que Deus não depende disso, senão o cristianismo estaria irremediavelmente perdido.



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mark Driscoll diz que "masturbação é uma forma de homossexualidade"

Mark Driscoll precisa descobrir logo as virtudes do silêncio.

Ele está precisando de um retiro espiritual longo, pra meditar profunda e sistematicamente no ditado popular de que "em boca fechada não entra mosquito". 

A não ser que ele queira ficar mais conhecido por exegeses bíblicas e interpretações teológicas, digamos, muito particulares, para não dizer exóticas. 

Parece também que o festejado pastor americano vê sexo (com pitadas de homossexualidade) em tudo no mundo, circunstância que pode, eventualmente, ter outro nome: fetiche. 

Algum tempo atrás, defendendo as lutas de MMA, ele disse que "não existe nada mais puro do que dois homens lutando num ringue, sem bolas, bastões, varas, ajuda, time, só pra ver qual deles é melhor", isso no meio de outra confusão em que ele se meteu sobre sexualidade (veja "O bullying afeminado de Mark Driscoll"). 

Driscoll acaba de lançar um livro na forma (eBook) online, intitulado "Porn Again Christian - A Frank Discussion on Pornography and Masturbation for God's Men", fazendo um jogo de palavras (em inglês) com a expressão "Born Again" ("Nascido de Novo") e seu correspondente "Porn" ("Pornô"). 

O título do livro seria traduzido para o português, então, por algo como "Porn Again Cristão - Uma Discussão Franca sobre Pornografia e Masturbação para Homens de Deus". 

No quinto capítulo do livro (em inglês, disponível aqui), Mark Driscoll elenca como primeira razão para não masturbar o fato de que "a masturbação pode ser uma forma de homossexualidade porque é um ato sexual que não envolve uma mulher. 

Se um homem tivesse que se masturbar enquanto envolvido em outras formas de intimidade sexual com a sua esposa, então ele não estaria fazendo isso de uma maneira homossexual.

Entretanto, qualquer homem que faz isso sem a sua esposa no quarto está na beira de uma atividade homossexual, particularmente se ele estiver se olhando no espelho e se excitando com o seu próprio corpo de macho". 

Bom, alguém poderia afirmar que aí estaríamos diante de um quadro clássico de narcisismo, mas seria melhor que alguém habilitado para tanto dissecasse o assunto. Driscoll bem que podia poupar sua fértil imaginação de voar tão alto.

A estranha fixação de Mark Driscoll com homossexualidade, masturbação e afins tem provocado grande reação no meio evangélico norteamericano, tendo chegado inclusive a ser comentado no The Huffington Post, que não é exatamente um portal cristão, e que ironiza o fato de Driscoll ter se "esquecido" - no seu livro - de que as mulheres também se masturbam, o que deixaria, portanto, as lésbicas livres para fazer o que bem entendessem da vida. 

O fato de Driscoll ter escrito um livro, digamos, "machocêntrico", além do episódio dos "dois homens lutando num ringue", mostra que ele tem uma visão muito masculina do mundo, talvez excessivamente máscula, uma overdose de testosterona.

Em suma, dando ao outro sempre o benefício da dúvida, desconfie de toda e qualquer pessoa que, dizendo-se cristã, tira o foco da sua pregação da cruz de Cristo, e passa a querer regular - nos mínimos e mais higiênicos ou eróticos detalhes - o que suas ovelhas ou seus irmãos fazem entre 4 paredes. 

O grande risco é que os outros sejam menos presas dos seus pecados sexuais do que o próprio pregador seja refém do seu mórbido fetiche.



quinta-feira, 14 de julho de 2011

O bullying afeminado de Mark Driscoll


O momento atual do conhecido pastor Mark Driscoll, da Mars Hill Church em Seattle (WA), nos Estados Unidos, é uma polêmica que ele próprio - talvez inadvertidamente - criou. A "bola dividida" começou com uma pergunta que ele fez na sua página do facebook:


("Então, qual história você tem pra contar sobre o anatomicamente macho líder de louvor mais afeminado que você já tenha testemunhado pessoalmente?") 

Ainda que a questão tenha sido proposta de maneira um tanto quanto enviesada e enigmática (mesmo em inglês), a repercussão não demorou muito pra se manifestar, e Mark Driscoll se viu envolvido numa polêmica com os próprios irmãos na fé. 

Uma das primeiras reações, segundo informa o site Urban Christian News, veio da escritora cristã Rachel Held Evans, que acusou Driscoll de bullying, acrescentando que "se esta questão do facebook fosse a primeira ofensa do Pr. Mark Driscoll, não seria necessária uma resposta forte. 

Mark, entretanto, desenvolveu um padrão de imaturidade e falta de gentileza que tem permanecido largamente negligenciada pela sua igreja. 

Nos círculos evangélicos ele age como o garoto de colégio que faz piadas cruéis em qualquer oportunidade que se apresenta, utiliza as palavras "gay" e "bicha" para descrever as coisas que ele mais detesta, encorajando seus amigos a sujeitar ao ridículo os garotos impopulares, e rebaixa os caras que não são "machos" ou "másculos" o suficiente para estar no seu clube". 

Um trecho do texto de Rachel H. Evans merece ser traduzido e ampliado por se aplicar a tantas situações conflituosas da vida cristã:



Homens de Deus ajudam as pessoas, e não tiram sarro delas.
Homens de Deus honram as mulheres, e não as rebaixam.
Homens de Deus amam seus próximos gays e lésbicas, e não os ridicularizam.
Homens de Deus celebram a feminilidade, e não a espancam.
Homens de Deus estão seguros de sua sexualidade, e não precisam ostentá-la.
Homens de Deus buscam a paz, e a ela não renunciam.
Homens de Deus pairam sobre a violência, e não a glorificam.
Homens de Deus constroem a Igreja, e não a envergonham.
Homens de Deus imitam a Cristo - que louvou os misericordiosos e aqueles que buscam a paz, que esteve ao lado dos explorados e abusados, que mostrou compaixão pelos caídos e oprimidos, que valorizou as mulheres, e que amou seus inimigos ao ponto de morrer por eles.



A reação à pergunta foi tão forte que, após pouco mais de 600 comentários, ele a retirou do seu perfil no facebook, escrevendo posteriormente uma espécie de pedido de desculpas (que não atingiu o objetivo de se desculpar, se é que Driscoll o teve), em que diz que às vezes publica opiniões que deveriam ser melhor trabalhadas pessoal e intimamente. 

Entretanto, o estrago já estava feito, e muitos crentes - que sofreram bullying na escola por serem afeminados - também comentaram sobre o tema, como Tyler Clark, que disse que, felizmente, teve o apoio de sua igreja e seu pastor quando tinha apenas 13 anos de idade, para vencer o preconceito e ser um homem adulto, cristão, feliz e realizado. 

Muitos dirigentes de louvor de conceituadas igrejas evangélicas norteamericanas se mostraram igualmente ofendidos com o preconceito escancarado de Driscoll. 

Outros, como Tony Jones, foram mais duros com o pastor de Mars Hill, satirizando a sua paixão por MMA (Mixed Martial Arts - o antigo "vale-tudo"), fazendo uma espécie de "bullying reverso" com a declaração de Mark Driscol de que "não existe nada mais puro do que dois homens lutando num ringue, sem bolas, bastões, varas, ajuda, time, só pra ver qual deles é melhor" (frase em inglês na primeira gravura acima, além do vídeo abaixo). 

Para Jones, "não existe nada mais homoerótico do que MMA", questionando o gosto de Driscoll por dois machos suados lutando com sungas apertadas. 

Enfim, tudo se resume em um festival de ofensas (algumas bem baixas) disparadas por cristãos contra cristãos, e - simplesmente - nada disso teria acontecido se Driscoll tivesse pensado melhor antes de pressionar a tecla ENTER. 

Parece que é sempre bom você contar até 10 antes de publicar as suas ideias na internet, ainda mais se você é um pastor pop como Mark Driscoll. 

Nesta era de pastores-celebridades (para o bem e para o mal), nunca é demais lembrar que a vaidade é o pecado que mora ao lado.




Agora, cá entre nós, será que o Mark Driscoll viu esses lutadores de MMA se beijando?


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