“Na verdade, todo homem anda qual uma sombra; na verdade, em vão se inquieta, amontoa riquezas, e não sabe quem as levará." (Salmo 39:6)
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terça-feira, 28 de junho de 2016

Ladrões matam pastor da Universal e levam R$ 800 das ofertas

Gonçalo Alves Neto, pastor da Universal morto no assalto

A notícia é do Estadão:

Pastor da Igreja Universal é morto em assalto na zona leste

ALEXANDRE HISAYASU


Segundo a polícia, ele havia acabado de sair de um culto e transportava dinheiro de ofertas; ladrões levaram R$ 800

SÃO PAULO - Gonçalo Alves Neto, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, foi morto na tarde deste domingo, 26, durante um assalto, em Arthur Alvim, na zona leste da capital. Segundo a polícia, ele estava com a mulher em um carro quando foi fechado por um Siena ocupado por criminosos.

O crime foi gravado por câmeras de segurança. O Siena dos ladrões fecha a Rua Afonso Porto e um dos bandidos desce e vai em direção ao carro do pastor. Ele percebe e tenta fugir, mas acaba atingido por um tiro, e o veículo dele bate contra um muro.

O ladrão vai até a porta do passageiro, abre e leva a sacola com o dinheiro. Os bandidos fogem em seguida. O carro deles foi encontrado na Vila Jacuí. O caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).




segunda-feira, 9 de novembro de 2015

TRT-PR condena mórmons por demitirem empregado que não dava o dízimo

imagem meramente ilustrativa

A informação é do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná):

Igreja deverá indenizar trabalhador 
demitido porque não pagava o dízimo

Um coordenador de ensino que trabalhava para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias deverá receber R$ 30 mil de indenização por ter sido demitido depois de deixar de pagar o dízimo à instituição religiosa. A decisão dos desembargadores da 5ª Turma do TRT do Paraná, da qual cabe recurso, considerou a dispensa discriminatória e confirmou a sentença dada pelo juiz José Wally Gonzaga Neto, da 4ª Vara de Curitiba.

O funcionário trabalhava há 12 anos na igreja quando foi despedido, sem justa causa, em março de 2012. Pouco tempo antes da demissão, um documento emitido pelo bispo e líder eclesiástico da instituição informou ao empregador que o coordenador de ensino não estava em dia com a contribuição mensal, que corresponde a 10% do salário. A igreja também havia constatado que, enquanto pagava o dízimo, o empregado foi promovido e recebeu um acréscimo nos rendimentos, mas não aumentou o valor da doação.

Com o contrato rescindido, o profissional ajuizou ação na Justiça do Trabalho alegando ter sido vítima de discriminação e pedindo ressarcimento pelos danos morais.

Em depoimento, o representante do empregador argumentou que, sendo também membro da igreja, o funcionário deveria observar as normas da instituição religiosa e que o pagamento do dízimo é obrigação de todos os crentes. Não fazer as doações mensais corretamente, segundo o preposto, é considerada falta gravíssima a ponto de justificar a demissão.

O juiz de primeiro grau concluiu que, apesar de ter dispensado o trabalhador sem justa causa, a instituição agiu motivada pela ausência das contribuições, conduta que demonstrou a invasão da esfera religiosa sobre o campo da Constituição Federal e das leis trabalhistas. Para o magistrado, a postura do coordenador como profissional não poderia ser simplesmente encerrada por disposição moral da igreja.

Ao confirmar a sentença, os desembargadores da 5ª Turma ressaltaram que a atitude foi ilegal e inconstitucional. "O empregador não pode impor condições que direta ou indiretamente afetem o princípio da intangibilidade salarial ou imponham qualquer hipótese de redução salarial (de -10%, no caso) como requisito de manutenção de emprego, diante do disposto também na Constituição Federal (art. 7º, VI) (fl. 485)", afirmou o desembargador relator do acórdão, Archimedes Castro Campos Júnior.

Notícia publicada em 28/10/2015
Assessoria de Comunicação do TRT-PR
(41) 3310-7313
ascom@trt9.jus.br



terça-feira, 16 de junho de 2015

Igreja do Neymar perde ação contra Band por causa de dízimo

Todo mundo sabe que Neymar nunca fez questão de esconder sua condição de evangélico, apesar de suas festinhas nada religiosas e de ser o próximo garoto-propaganda da PokerStars.


Tanto isto é verdade que, no último dia 6 de junho, quando o Barcelona derrotou o Juventus da Itália, conquistando a Champions League 2015, o craque barcelonês fez questão de comemorar com uma faixa na cabeça dizendo que ele é "100% Jesus".



Desde seus tempos de Santos F. C., entretanto, Neymar já chamava a atenção pelo valor do dízimo que doava à Igreja Batista Peniel de São Vicente (SP), como comentamos aqui em 2011.



Naquela época, quando o jogador já aguardava o nascimento do primeiro filho (sem ser casado), o pastor da igreja fazia questão de dizer que "Neymar tem reconhecida influência de Deus sobre seu comportamento".

Com a transferência para o Barcelona em 2013, por um valor astronômico numa negociação nebulosa sobre a qual ainda pairam dúvidas cruéis, o jornalista Marcondes Brito publicou matéria no seu blog na Band (hoje o texto está fora do ar), comentando que Neymar teria pago - supostamente - 13 milhões de reais de dízimo à igreja em razão da negociação com o futebol europeu, e este valor teria sido "depositado na conta do pastor".

Inconformada com o teor da publicação, a Igreja Batista Peniel entrou com ação na Justiça paulista requerendo indenização por danos morais do jornalista e da Rede Bandeirantes de TV, perdendo em primeira instância, o que a levou a apelar ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

No dia 19 de maio de 2015, a apelação da igreja foi julgada pela 1ª Câmara de Direito Privado do TJSP, e melhor sorte não lhe acudiu: perdeu de novo.

No Acórdão de 2ª instância, da lavra do Desembargador Dr. Francisco Loureiro, disponibilizado publicamente no dia 12 de junho de 2015 e que pode ser lido na íntegra (inclusive com o teor completo da matéria do jornalista atacada pela igreja) clicando aqui, o Tribunal rechaçou o pleito da apelante dizendo, entre outras coisas:

Embora a um primeiro exame impressione a hipótese levantada pelo jornalista, de que R$ 13 milhões possivelmente foram pagos por Neymar e sua família a título de dízimo à Igreja, em termos jurídicos a tese não tem maior relevância.
A ilicitude da matéria jornalística, ao menos para efeito de responsabilidade civil, não se dá pela intenção ou isenção de quem a elabora ou divulga, mas sim pelo interesse público, veracidade e pertinência de seu conteúdo.
[...]
Parece claro que não é a malícia do jornalista ou do editor que torna a matéria ilícita, mas sim o seu conteúdo.
No caso concreto, o que fizeram as matérias foi simplesmente suscitar uma hipótese relativa à considerável contribuição do jogador Neymar à Igreja frequentada por sua família.
Em outras palavras, os apelados meramente conjecturaram a respeito do pagamento de vultuoso dízimo à instituição religiosa autora, com a ressalva expressa de que se trata de uma questão de “convicção de uma pessoa fiel aos seus princípios”. Foi realmente a dimensão da possível contribuição que chamou a atenção do jornalista requerido, e ensejou as publicações em análise.

[...]

Há nítida prossecução de interesse público e social nas matérias objetos de apreciação. As publicações objetivaram informar aos internautas certos detalhes relativos à transação que culminou na transferência do jogador de futebol Neymar a um clube europeu, lembrando que a negociação foi amplamente noticiada pela imprensa por suposta omissão dos reais valores envolvidos, o que levou até mesmo à propositura de ações judiciais entre os envolvidos.

É bem verdade que, nas matérias em análise, foi dado especial enfoque à suposta contribuição feita por Neymar à Igreja autora. No entanto, inegavelmente as matérias se revestem de interesse público.

[...]

No caso concreto, os requeridos tiveram o cuidado de, a todo instante, tratar em tom hipotético o pagamento de dízimo milionário pelo jogador Neymar à Igreja autora.

Como se não bastasse, a conjectura baseou-se em declarações anteriores do pai do atleta, também seu empresário, dando conta de que, não obstante o considerável aumento dos ganhos do jogador ao longo do tempo, o pagamento do dízimo à Igreja continuou sendo feito.

[...]

No caso em tela, como já dito anteriormente, em nenhum momento foram lançadas críticas diretas à Igreja e ao recebimento de contribuições de seus fiéis, tampouco a imagem da instituição religiosa foi vinculada à prática de ilícito pelo jogador Neymar.
Foi justamente a possibilidade de que o atleta tenha contribuído com mais de R$ 13 milhões para a instituição, de uma só vez, que motivou a veiculação das matérias.
Em outras palavras, foi o próprio vulto do dízimo possivelmente pago pelo jogador que ensejou as publicações e, nesse sentido, as narrativas mostraram-se absolutamente pertinentes.
Em suma, não vejo, no caso concreto, após minucioso exame das matérias, ausência de interesse público, falta de veracidade dos fatos noticiados, ou ausência de pertinência entre os fatos e a narrativa.
Não é possível vislumbrar os alegados danos à honra objetiva da autora em virtude das publicações veiculadas pelos réus na Internet.
Logo, a improcedência da ação foi bem reconhecida pela sentença, que deve ser integralmente mantida.
Diante do exposto, pelo meu voto, nego provimento ao recurso.
Obviamente, a igreja ainda pode recorrer do Acórdão do TJSP. Resta saber se vale a pena insistir na tese da indenização.



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Justiça de SP nega indenização a ex-seguidor da Universal


A notícia é da Tribuna do Direito:

Fiel arrependido não receberá indenização da Igreja Universal

Ele alegou ter sido obrigado a pagar o dízimo

O Tribunal de Justiça de São Paulo negou indenização a fiel da Igreja Universal que se dizia coagido a pagar o dízimo. A decisão é da 3ª Câmara de Direito Privado.

De acordo com o autor, a coação acontecia quando os pastores afirmavam que coisas ruins lhe aconteceriam caso não pagasse regularmente o dízimo. Como não conseguia arcar com a contribuição, era humilhado perante outras pessoas. Em razão do constrangimento e da pressão sofrida, pediu indenização vitalícia por danos morais.

A decisão de 1ª instância, proferida pela 30ª Vara Cível da Capital, julgou a ação improcedente sob o fundamento de que se o autor optou por fazer parte do grupo religioso, não poderia acusar a igreja de coação ou de pressão psicológica indevida. De acordo com a sentença, “aceitar a tese de que a exigência do pagamento de dízimo, sob pena de sofrer consequências horríveis, configuraria ato ilícito, estar-se-ia admitindo a interferência estatal no conteúdo de dogmas e postulados de determinada instituição religiosa o que não apenas é um absurdo, como também, consiste em grave violação ao direito constitucional fundamental à liberdade de crença”.

O relator do recurso, desembargador Egidio Giacoia, entendeu que não há como reconhecer no apelante a condição de vítima e a alegada situação de pressão. Os desembargadores Viviani Nicolau e Carlos Alberto de Salles, também integrantes da turma julgadora, acompanharam o voto, mantendo a sentença na íntegra. (Apelação nº 0155997-26.2007.8.26.0100)



domingo, 27 de janeiro de 2013

Jornal diz que igrejas arrecadaram R$ 20 bilhões em 2011


Três artigos muito interessantes, essenciais para se entender o atual fenômeno econômico e religioso brasileiro, publicados na Folha de S. Paulo de hoje, 27/01/13:


FLÁVIA FOREQUE

Em um país onde só 8% da população declaram não seguir uma religião, os templos dos mais variados cultos registraram uma arrecadação bilionária nos últimos anos.

Apenas em 2011, arrecadaram R$ 20,6 bilhões, valor superior ao orçamento de 15 dos 24 ministérios da Esplanada --ou 90% do disponível neste ano para o Bolsa Família.

A soma (que inclui igrejas católicas, evangélicas e demais) foi obtida pela Folha junto à Receita Federal por meio da Lei de Acesso à Informação. Ela equivale a metade do Orçamento da cidade de São Paulo e fica próxima da receita líquida de uma empresa como a TIM.

A maior parte da arrecadação tem como origem a fé dos brasileiros: R$ 39,1 milhões foram entregues diariamente às igrejas, totalizando R$ 14,2 bilhões no ano.

Além do dinheiro recebido diretamente dos fiéis (dos quais R$ 3,47 bilhões por dízimo e R$ 10,8 bilhões por doações aleatórias), também estão entre as fontes de receita, por exemplo, a venda de bens e serviços (R$ 3 bilhões) e os rendimentos com ações e aplicações (R$ 460 milhões).

"A igreja não é uma empresa, que vende produtos para adquirir recursos. Vive sobretudo da doação espontânea, que decorre da consciência de cristão", diz dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Entre 2006 e 2011 (último dado disponível), a arrecadação anual dos templos apresentou um crescimento real de 11,9%, segundo informações declaradas à Receita e corrigidas pela inflação.

A tendência de alta foi interrompida apenas em 2009, quando, na esteira da crise financeira internacional, a economia brasileira encolheu 0,3% e a entrega de doações pesou no bolso dos fiéis. Mas, desde então, a trajetória de crescimento foi retomada.



IMPOSTOS

Assim como partidos políticos e sindicatos, os templos têm imunidade tributária garantida pela Constituição.

"O temor é de que por meio de impostos você impeça o livre exercício das religiões", explica Luís Eduardo Schoueri, professor de direito tributário na USP. "Mas essa imunidade não afasta o poder de fiscalização do Estado."

As igrejas precisam declarar anualmente a quantidade e a origem dos recursos à Receita (que mantém sob sigilo os dados de cada declarante; por isso não é possível saber números por religião).

Diferentemente de uma empresa, uma organização religiosa não precisa pagar impostos sobre os ganhos ligados à sua atividade. Isso vale não só para o espaço do templo, mas para bens da igreja (como carros) e imóveis associados a suas atividades.

Os recursos arrecadados são apresentados ao governo pelas igrejas identificadas como matrizes. Cada uma delas tem um CNPJ próprio e pode reunir diversas filiais. Em 2010, a Receita Federal recebeu a declaração de 41.753 matrizes ou pessoas jurídicas.

PENTECOSTAIS

Pelo Censo de 2010, 64,6% da população brasileira são católicos, enquanto 22,2% pertencem a religiões evangélicas. Esse segmento conquistou 16,1 milhões de fiéis em uma década. As que tiveram maior expansão foram as de origem pentecostal, como a Assembleia de Deus.

"Nunca deixei de ajudar a igreja, e Deus foi só abrindo as portas para mim", diz Lucilda da Veiga, 56, resumindo os mais de 30 anos de dízimo (10% de seu salário bruto) à Assembleia de Deus que frequenta, em Brasília.

"Esse dinheiro não me pertence. Eu pratico o que a Bíblia manda", justifica.






RICARDO MARIANO

Desde a separação republicana entre Estado e igreja no Brasil, toda organização religiosa depende da contribuição financeira de seus adeptos para se sustentar.

A Igreja Católica obtém recursos com empresários, festas e quermesses, cobra pela realização dos rituais encomendados e, cada vez mais, exorta os fiéis a contribuir.

No kardecismo, espera-se que a clientela dos médiuns, após receber gratuitamente mensagens, passes e curas, doe alimentos, roupas e dinheiro para obras assistenciais.

As religiões afro-brasileiras são geridas por microempreendedores que, em troca de remuneração, ofertam bens e serviços mágico-religiosos: despachos, descarregos, amarrações, patuás, consultas aos búzios e ritos iniciáticos.

O inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal veda ao Estado instituir impostos sobre "templos de qualquer culto", veto que, conforme o parágrafo 4º, compreende "o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais" das entidades religiosas.

Fins que se referem normalmente a templos, cultos, assistência religiosa, atividades filantrópicas e de formação teológica.

A imunidade tributária, avalia-se, protege a liberdade religiosa ao impedir o Estado de obstruir economicamente o funcionamento dos cultos.

Já o artigo 19 prevê que, em caso de "colaboração de interesse público", cultos podem auferir subsídios do Estado.

Nossa legislação, porém, parece despreparada para lidar com a proliferação de igrejas-empresas, conglomerados cujos líderes fazem fortuna, adquirindo jatinhos, helicópteros, mansões, fazendas, gravadoras, editoras, emissoras e redes de TV. Sempre à custa de rebanhos esmagadoramente pobres e socialmente vulneráveis.

Tanto que igrejas neopentecostais e suas controversas técnicas de arrecadação baseadas na teologia da prosperidade ensejaram a popularização dos trocadilhos "templo é dinheiro" e "templo de vendilhões".

Nelas, a adesão religiosa, embora opcional e voluntária, implica o compromisso de fazer doações financeiras polpudas e sistemáticas para garantir a propagandeada retribuição divina aqui e agora.

A religião tocada como negócio ou atividade econômica está a demandar uma nova regulação pública do religioso, seja para privá-la de privilégios fiscais ou para obstar sua mercantilização, prática em tudo avessa aos fins visados e resguardados pela dispendiosa concessão estatal de isenção tributária.






A arrecadação das igrejas em Estados do Nordeste cresceu quase o triplo da média nacional nos últimos anos.

No período de 2006 a 2011, o volume declarado pelos templos religiosos de todas as denominações religiosas nessa região aumentou 35,3% --um salto de R$ 1,45 bilhão para quase R$ 2 bilhões.

Ao mesmo tempo, o crescimento da arrecadação em todos os Estados da Federação se limitou a 11,9%.

O ritmo mais acelerado foi impulsionado, principalmente, pelos Estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba --que registraram evolução de receita de 130% e 60,3% nesse período, respectivamente.

De acordo com o Censo de 2010, a região Nordeste é a mais católica do país: 72,2% da população diz seguir a religião. No Brasil, esse percentual é de 64,6%. Ao mesmo tempo, porém, a região segue o movimento de queda de católicos de outras áreas --e de crescimento evangélico.

Em 2000, 10,3% da população do Nordeste declararam ser evangélicos. Em 2010, o índice subiu para 16,4%.



O total arrecadado pelos nove Estados do Nordeste, no entanto, é modesto se comparado ao volume de recursos declarados à Receita Federal pelas organizações religiosas do Sudeste.

Os quatro Estados da região concentraram quase R$ 14 bilhões do montante de R$ 20,6 bilhões informado à Receita Federal em 2011.

Somente São Paulo responde por praticamente metade de toda a arrecadação do segmento religioso no Brasil --R$ 10,2 bilhões.

É no Estado, aliás, que estão alguns dos maiores templos religiosos e onde se concentram as principais obras de expansão das igrejas.

No final do ano passado, por exemplo, o padre Marcelo Rossi inaugurou o Santuário Theotokos - Mãe de Deus na região de Interlagos, na zona sul da capital paulista.

Ele poderá abrigar 100 mil fiéis quando estiver totalmente pronto --sendo considerado o maior espaço católico no país. Na abertura, ainda incompleto, reuniu em uma missa 50 mil pessoas, de acordo com estimativa da Guarda Civil Metropolitana.

Também é na capital paulista que a Igreja Universal do Reino de Deus planeja construir uma réplica do Templo de Salomão, na zona leste.

A previsão é que a igreja ocupe 70 mil metros quadrados de área construída. O espaço poderá abrigar 10 mil pessoas sentadas.

Depois do Estado de São Paulo, as maiores arrecadações das igrejas no país estão no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná.

O Centro-Oeste também registrou crescimento expressivo de arrecadação religiosa --o volume subiu de R$ 1 bilhão para R$ 1,3 bilhão (variação de 32,89%).

Entre 2006 e 2011, apenas as organizações religiosas da região Sul tiveram queda no valor arrecadado --de pouco menos de 19%.

CENSO

Os números do último Censo do IBGE mostraram que o catolicismo perdeu 1,7 milhão de adeptos no Brasil entre os anos de 2000 e 2010.

O movimento foi seguido pela expansão das religiões evangélicas --que conquistaram 16,1 milhões de fiéis no período e passaram a representar 22,2% da população.

Os grupos de sem religião e espíritas também tiveram crescimento no Brasil ao longo da última década.

O peso deles no cenário nacional, no entanto, é bem menor --de 8% e 2%, respectivamente. (FLÁVIA FOREQUE)



terça-feira, 28 de agosto de 2012

Torcida gospel


Já que existem denominações evangélicas que se comportam como torcida organizada, e torcidas organizadas que se inspiram nas igrejas, que aprendam como fazer (ou não fazer) com o programa do Marcelo Adnet, o Furfles MTV.

Torcida gospel é assim: dá parabéns para o gol do time adversário e se comporta até na hora de desejar mal ao outro, sem esquecer do dízimo, é claro:





sábado, 28 de julho de 2012

Carrossel gospel



Ouvindo e analisando a letra da música-tema da novela Carrossel do SBT, até que faz sentido. Fica a dica para alguém que tiver suficientes talento e paciência, e quiser fazer uma montagem com a canção e inúmeros girocópteros cóspel que a fauna gospel brasileira proporciona (infelizmente):





quinta-feira, 7 de junho de 2012

Presidente mais pobre do mundo dá "dízimo" ao contrário

Já que ontem falamos de Ferrari, hoje falaremos de Fusca. A gente fica imaginando se os políticos e certos "pastores" e "bispos" do Brasil e do mundo não gostassem tanto de dinheiro e tivessem a mesma atitude de José Pepe Mujica, presidente do Uruguai, que diferente o mundo seria. A primeira matéria é do Portal Vermelho e a segunda do Opera Mundi:

Pepe Mujica é o presidente mais pobre do mundo

Como prometido antes da eleição, o presidente do Uruguai José Pepe Mujica ainda mora em sua pequena fazenda em Rincon del Cerro, nos arredores de Montevidéu. A moradia não poderia deixar de ser modesta, já que o dirigente acaba de ser apontado como o presidente mais pobre do mundo.

Pepe recebe 12.500 dólares mensais por seu trabalho à frente do país, mas doa 90% de seu salário, ou seja, fica somente com 1.250 dólares ou 2.538 reais ou ainda 25.824 pesos uruguaios. O restante do dinheiro é distribuído entre pequenas empresas e ONGs que trabalham com habitação.

“Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com menos”, diz o presidente.

Aos 77 anos, Mujica vive de forma simples, usando as mesmas roupas e desfrutando a companhia dos mesmos amigos de antes de chegar ao poder.

Além de sua casa, seu único patrimônio é um velho Volkswagen cor celeste avaliado em pouco mais de mil dólares. Como transporte oficial, usa apenas um Chevrolet Corsa. Sua esposa, a senadora Lucía Topolansky também doa a maior parte de seus rendimentos.

Sem contas bancárias ou dívidas, Mujica disse ao jornal El Mundo, da Espanha, que espera concluir seu mandato para descansar sossegado em Rincon del Cerro.





Presidente do Uruguai oferece palácio do governo para moradores de rua

José Mujica teme que não haja vagas suficientes em abrigos durante o próximo inverno

O presidente do Uruguai, José Mujica, ofereceu nesta quinta-feira (31/05) sua residência oficial para abrigar moradores de rua durante o próximo inverno caso faltem vagas em abrigos oficiais do governo.

Ele pediu que fosse feito um relatório listando os edifícios públicos disponíveis para serem utilizados pelos desabrigados e, após os resultados, avaliará se há a necessidade da concessão da sede da Presidência.

De acordo com a revista semanal Búsqueda, Mujica disponibilizou ainda o palácio de Suarez y Reyes, prédio inabitado onde ocorrem apenas reuniões de governo.

No último dia 24 de maio, uma moradora de rua e seu filho foram instalados na residência presidencial por sugestão de Mujica ao Ministério de Desenvolvimento Social. Logo após o convite, contudo, encontraram outro local para se alojar.

O presidente não mora em sua residência oficial, pois escolheu viver em seu sítio, localizado em uma área de classe média nas redondezas de Montevidéu. Nem mesmo seu antecessor, o ex-presidente Tabaré Vázquez (2005-2010), ocupou o palácio durante seu mandato. Ambos representam os dois primeiros governos marcadamente progressistas da história do Uruguai.

No inverno do ano passado, pelo menos cinco moradores de rua morreram por hipotermia. O fato causou uma crise no governo e acarretou na destituição da ministra de Desenvolvimento Social, Ana Vignoli.

Moradias populares

Em julho de 2011, Mujica assinou a venda da residência presidencial de veraneio, localizada em Punta del Este, principal balneário turístico do país, para o banco estatal República. A operação rendeu ao governo 2,7 milhões dólares e abrirá espaço para escritórios e um espaço cultural.

A venda dessa residência estava nos planos de Mujica desde que assumiu a Presidência em março de 2010. Com os fundos amealhados, será incrementado o orçamento do Plano Juntos de Moradias. Também é planejado o financiamento de uma escola agrária na região, onde jovens de baixa renda poderão ter acesso a cursos técnicos.




Aliás, essa figuraça hipersimpática chamada Pepe Mujica tem uma maneira toda própria de ir ao barbeiro:





segunda-feira, 4 de julho de 2011

O dízimo do Neymar


Notícia da RedeTV!:



Neymar chega a pagar R$ 13 mil de dízimo para igreja

Fiel a Igreja Batista Peniel, craque do Santos recebe elogios de seu pastor

O craque do Santos e da seleção brasileira, Neymar da Silva Santos Júnior, paga até R$ 13 mil de dízimo por mês para a Igreja Batista Peniel, em São Vicente, no litoral de SP. A informação vem do pastor da instituição, Newton Lobato. De acordo com o religioso, que concedeu entrevista à revista 'Veja São Paulo' desta semana, Neymar contribui mensalmente com a igreja desde o início da carreira. "Ele é generoso, começou a ser dizimista ainda criança. Contribuía com 10 ou 20 reais. Agora a mãe dele entrega um envelope em seu nome, que varia entre R$ 12 mil e R$ 13 mil por mês", revela. "Neymar tem reconhecida influência de Deus sobre o seu talento", completa.

Sobre a descoberta de que Neymar vai ser pai, o pastor não critica. "Prego que as pessoas não façam sexo antes do casamento, mas não fecho a porta para ninguém", diz Newton.

sábado, 4 de junho de 2011

R. R. Soares cria o dízimo automático compulsório

A notícia de mais essa sandice profana e escandalosa já repercutiu em vários blogs e portais da internet, mas merece - infelizmente - ser ainda mais divulgada para que se exponha à execração pública a loucura a que chegou uma parte significativa da igreja que se diz "evangélica" no Brasil, que ainda é escondida e protegida por outra parte não menos importante que, a pretexto do "não julgueis", do "não toqueis no ungido" e do "é nóis contra eles", hipócrita e cinicamente quer varrer toda essa sujeira pra baixo do tapete do supermercado gospel. Confira a notícia da Folha.com:

Na TV, pastor inova e cria o dízimo no débito automático

RICARDO FELTRIN

Não é por falta de criatividade que as igrejas deixarão de arrecadar dinheiro dos seus fiéis. Maior exemplo de inovação é o missionário R.R.Soares, líder da Igreja Internacional da Graça, que acaba de lançar uma nova modalidade de coleta de dízimo, por meio de débito automático em conta-corrente.

Segundo Soares divulgou em seu programa na Band, o membro da igreja poderá fazer suas doações mensalmente de forma mais prática. Para isso o fiel deve preencher um cadastro nos sites da igreja e passar seus dados bancários.

É o doador, afirma Soares, quem decide quanto quer doar. Quem se cadastrar, diz ele, ganha "um brinde de Jesus", sem dizer o que é.

O missionário garante ainda que, se por acaso o doador não tiver saldo num determinado mês para dar o dízimo automático, ele não será debitado e "o fiel não será incluído no SPC ou no Serasa". A doação mensal voltará a ser debitada no mês seguinte, sem acumular a que não foi paga.

Para criar o "dízimo em conta corrente", a Igreja Internacional da Graça firmou parceria com Itaú, Banco do Brasil e Bradesco.

"Heaven Card"



Além do dízimo automático, o pastor R.R.Soares também lançou o cartão de crédito da Igreja Internacional da Graça de Deus. Entre outras vantagens, o cartão permite pagar as compras "em até 40 dias, financiar no crédito rotativo e fazer saques de emergência no Brasil e exterior".

Segundo a igreja, o cartão "é mais uma forma de você contribuir com as ações e obras sociais da igreja". Além da Internacional da Graça, a Universal e a Mundial também aceitam o pagamento de dízimos e doações por meio de cartão de crédito e débito. As operações são legais.

Romildo Ribeiro Soares, 64, é cunhado de Edir Macedo (casado com a irmã de Macedo, Maria Magdalena) e co-fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Deixou o parente por suposta divergência no final dos anos 70 e criou sua própria igreja em 1980.

Sua igreja tem negócios com várias emissoras, de quem compra horários, e também é proprietária de uma operadora de TV paga, cujos pacotes não oferecem nenhum canal que exiba cenas de violência, erotismo ou tenha linguajar chulo.


sábado, 25 de setembro de 2010

Justiça social no Velho Testamento - 4

Parte 4 - O dízimo e os excluídos


por Richard Foster

Nos regulamentos relacionados ao dízimo podemos ver a preocupação especial de Deus com os indefesos e os necessitados, que é sempre um ingrediente importante na simplicidade. A cada três anos, o dinheiro do dízimo devia ser juntado e usado especificamente para aqueles que eram incapazes de cuidar de si mesmos. “Ao fim de cada terceiro ano levarás todos os dízimos da tua colheita do mesmo ano, e os depositarás dentro das tuas portas. Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), o peregrino, o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda obra que as tuas mãos fizerem” (Deuteronômio 14:28-29). Em uma sociedade agrária, a terra era o meio principal de sustento, e assim o levita e o estrangeiro ficavam de fora do meio normal de ganhar a vida. Na cultura patriarcal, os órfãos e as viúvas também ficavam de fora dos meios normais de sustento. Dada a estrutura da cultura judaica naquele período, estes quatro grupos de pessoas eram os menos capazes de cuidar de si mesmos. E devido ao interesse compassivo de Deus para com eles, esta provisão foi escrita no dízimo.

Faríamos bem em considerar, dado o estado da sociedade moderna, se há pessoas hoje que equivalem aos levitas, aos estrangeiros, aos órfãos e às viúvas. Pela própria natureza da nossa cultura, há grupos que ficam de fora dos meios normais de renda para sustento próprio? Se há, será que o restante de nós não tem obrigação de responder à sua necessidade?

Deveria ser notado que o Novo Testamento não usa o dízimo nem as primícias. Jesus tinha uma porção de coisas a dizer sobre a nossa atitude para com os bens materiais, mas menciona o dízimo apenas duas vezes, em ambos os casos negativamente (Lc 18:21, Mt 23:22). O apóstolo Paulo teve uma porção de coisas a dizer sobre dar, mas qualquer referência à lei do dízimo está notoriamente ausente. Nem Jesus nem Paulo jamais fez do dízimo a base para a administração cristã dos bens materiais.

Talvez o patriarca Abraão devesse ser o paradigma para a nossa compreensão do princípio de generosidade. Ali estava um homem a quem foi dada grande riqueza. Contudo, nunca foi uma riqueza a ser acumulada; antes, foi livremente repartida com o clã. De fato, Abraão demonstrou uma postura incomum de tranquila indiferença para com os bens materiais. Quando o espírito cobiçoso de Ló os colocou em conflito, Abraão literalmente deu-lhe o direito de escolher a terra que quisesse (Gn 13:5-12). De graça ele recebeu, de graça deu.

(FOSTER, Richard. Celebração da Simplicidade. Campinas: United Press, 1999, pp. 38-39)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Justiça social no Velho Testamento - 3


Parte 3 - As primícias e o dízimo

por Richard Foster

A lei das primícias também ilustra como nossa generosidade flui da generosidade de Deus. Esta lei estipulava que os primeiros frutos da safra a amadurecer fossem dados a Deus. Era, na realidade, um ato de confiança na generosidade de Deus. Eles davam na confiança de que conseguiriam colher o restante da safra. Era um confissão palpável de Deus como o Doador gracioso de todas as coisas boas.

Semelhante à lei das primícias, o dízimo era um conceito de celebração jubilosa. Nos dias de Jesus esta regra encantadora tinha se tornado tão distorcida e abusada quando tem sido em nossos próprios dias. É triste pensar que o dízimo, projetado para expressar liberação e liberdade, tem sido tantas vezes transformado em outra forma de escravizar as pessoas.

O costume de dar o dízimo é mencionado na Bíblia pela primeira vez em conexão com Abraão. Quando voltou de um ataque-surpresa de retaliação, Abraão deu alegremente a Melquisedeque um décimo dos despojos e deu 100 por cento do restante ao rei de Sodoma. Embora o rei protestasse, Abraão insistiu: “para que não digas: Eu enriqueci a Abraão” (Gn 14:17-24). Abraão deu generosamente em celebração do poder de Deus sobre seus inimigos. Ele não estava contando cada siclo para assegurar sua parte justa – queria se livrar de tudo aquilo. Havia um espírito de alegria e liberdade ligado à doação.

A lei mosaica mantém este senso de alegre festividade. O total de dez por cento da renda dos israelitas, além das primícias, era para ser dado em celebração da provisão graciosa de Deus. O dinheiro era usado para cuidar dos levitas, do forasteiro e dos pobres e necessitados. Era usado também para financiar as despesas das festividades envolvidas na celebração da generosidade de Deus.

Deuteronômio 14:22 Certamente darás os dízimos de todo o produto da tua semente que cada ano se recolher do campo.
23 E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus por todos os dias.
24 Mas se o caminho te for tão comprido que não possas levar os dízimos, por estar longe de ti o lugar que Senhor teu Deus escolher para ali por o seu nome, quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado;
25 então vende-os, ata o dinheiro na tua mão e vai ao lugar que o Senhor teu Deus escolher.
26 E aquele dinheiro darás por tudo o que desejares, por bois, por ovelhas, por vinho, por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; comerás ali perante o Senhor teu Deus, e te regozijarás, tu e a tua casa.
27 Mas não desampararás o levita que está dentro das tuas portas, pois não tem parte nem herança contigo.

Com efeito, isso equivalia a um feriado religioso com todas as despesas pagas. O dinheiro do dízimo usado para uma gloriosa festa santa! No cerne do dízimo estava um espírito alegre de generosidade, adoração, celebração.


(FOSTER, Richard. Celebração da Simplicidade. Campinas: United Press, 1999, pp. 36-37)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pastor não aceita dízimo de loteria

Calma, gente! Isto não aconteceu no Brasil. 

Tem muito pregador televisivo que adoraria receber o dízimo da megasena acumulada, mas o fato aconteceu na Flórida (EUA), em julho de 2008. Robert Powell ganhou 6 milhões de dólares na loteria local, e quis dar o dízimo (algo em torno de 600 mil dólares, hoje equivalentes a pouco mais de 1 milhão de reais) à Primeira Igreja Batista de Orange Park, que frequentava à época, segundo noticiou o site First Coast News

O pastor David Tarkington, entretanto, rejeitou a oferta, dizendo educadamente que a Igreja em questão não aceita dízimos oriundos de prêmios ganhos na loteria. 

Já o pastor Lorenzo Hall, da Igreja da Santidade Divina El-Beth disse que é contra a loteria, mas se algum dos membros da igreja ganhasse o prêmio, ele esperaria que entregasse o dízimo, porque 600 mil dólares serviriam para fazer muitas coisas boas, sem especificá-las. 

O pastor Hall fez questão de frisar, ainda, que não pergunta onde é que os membros da igreja conseguem seu dinheiro, o que me lembra uma história que teria acontecido na Roma Antiga, quando o imperador Vespasiano, preocupado com o desequilíbrio orçamentário, resolveu tributar as latrinas (banheiros) públicas. 

Seu filho, Tito, ficou indignado com a fúria arrecadadora do pai e com a cobrança do tributo, a que chamou de "dinheiro sujo". 

Vespasiano, então, pediu-lhe uma moeda e, levando-a ao nariz, disse em bom latim: "pecunia non olet" ("o dinheiro não tem cheiro").


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O capitalista de fé



Calma, gente! Não vou falar de "pastores" que montam seus impérios para amealhar milhões... de reais! Estes são os "capitalistas DA fé". Já "o capitalista DE fé" é o título de uma longa matéria publicada hoje no jornal O Estado de S. Paulo, a respeito do empresário católico Estevam de Assis, de 53 anos de idade, um dos sócios do grupo Bretas, uma rede de varejo com 59 lojas e 12 postos de gasolina nos Estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia, que vale hoje algo em torno de R$ 1 bilhão, segundo análise do mercado, e é cobiçada por grandes redes varejistas do Brasil.

Enquanto tem muito "pastor" e "missionário" evangélico que ouviu o "chamado" pra morar em mansões nos condomínios de Boca Raton, na Flórida, dirigindo seus BMW e Mercedes conversíveis, Estevam de Assis mora num apartamento alugado, de 3 quartos, em Belo Horizonte, não tem televisão nem computador em casa, e dirige seu veículo 1.0. 

Segundo informa o Estadão:

Assis e a mulher fizeram voto de simplificação total de vida. Só gastam com o que é absolutamente necessário. Ele fica com apenas 5% dos rendimentos e doa o restante. "Não é voto de pobreza, porque não sou pobre", explica o empresário. "Mas eu não posso comprar mais nada. Se ganho uma camisa, tenho de doar outra do armário. Eu descobri essa alegria, essa liberdade de ser feliz precisando de pouca coisa."

A cultura empresarial do grupo Bretas, uma sociedade de 12 irmãos, parece seguir o mesmo modo franciscano de ser: os executivos não recebem salários exorbitantes nem têm secretárias exclusivas, e muito menos aqueles bônus milionários que todo diretor paparicado pelas revistas de negócios papa no fim do ano. 

Ainda segundo o jornal, Estevam gasta a maior parte do dinheiro pagando terapia a padres e freiras, o que é algo até discutível, já que certamente alguém poderia apontar obras muito mais carentes de ajuda financeira dentro da própria Igreja Católica, mas, cá entre nós, o dinheiro é do Estevam e ele faz o que quiser com ele. 

Pelo menos faz o contrário de muito "pastor", "bispo" e "apóstolo" que tem por aí: usa o seu próprio dinheiro para ajudar a sua igreja em vez de se servir dele e dela. 

O único problema é algum "pastor" esperto aproveitar o exemplo de Estevam de Assis, omitir que ele é católico, e arrecadar ainda mais dinheiro dos incautos, para a sua própria perdição. 

Afinal, a isca desses lobos é a teologia da prosperidade, e como é que eles vão justificar à sua "torcida igrejeira" que Deus está abençoando um católico? Abafa, Estevam!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O trigésimo do Valdemiro

A gente acha que já viu de tudo, mas a sandice continua correndo solta nesses arremedos de "igreja evangélica" que infestam o Brasil. Agora é o autoproclamado "apóstolo" Valdemiro Santiago que pede para seus fiéis doarem 30% de seu salário neste mês de dezembro, para o chamado "grande projeto" da organização que dirige. Além da justificativa fajuta para a arrecadação ("10% você deve a Deus, e mande pra nós mais 20% da sua parte, ficando com 70% todos seus"), o tal "apóstolo" nem se envergonha de dizer que o trigésimo (ou trízimo)  corresponde - PASMEM! - à parte de cada Pessoa na Santíssima Trindade, ou seja, 10% do Pai, 10% do Filho e mais 10% para o Espírito Santo, como se as Três Pessoas Co-Substanciais da Divindade Única agora cobrassem royalties. Prepare seu estômago e confira a blasfêmia no vídeo abaixo. Com o perdão do raciocínio trágico, na imaginação doentia de Valdemiro, ele separa cada Pessoa da Trindade, como se cada Uma quisesse ter a Sua própria conta no banco celestial, presidido pelo "apóstolo" em questão. Ele não tá nem aí pra Trindade. Por dinheiro, ele joga no lixo qualquer doutrina essencial do cristianismo. É blasfêmia sobre blasfêmia, profano sobre profano, e o (no passado) bom nome de "evangélico" no Brasil vai descendo às profundezas da lama sem fim.



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