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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Rodrigo Maia doa dinheiro público brasileiro a igreja em Belém (Israel)


Manja aquele ditado popular "fazer moral com o chapéu alheio"?

Pois é... a informação é do MSN Notícias:

Maia doa R$ 792 mil de cofres públicos para restaurar templo cristão

No comando interino do Palácio do Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), doou R$ 792 mil dos cofres públicos para a restauração da Basílica da Natividade, em Belém, na Cisjordânia.

Os recursos foram autorizados por meio de medida provisória, publicada nesta sexta-feira (26), e serão repassados ao governo palestino por meio de dotação orçamentária do Ministério das Relações Exteriores.

O aporte ocorre três meses depois de Maia ter viajado com uma comitiva parlamentar para a cidade de Belém e feito uma visita ao templo religioso.

Na época, foi solicitada à comitiva brasileira a doação de recursos para a finalização da obra de restauração. Em Jerusalém, ficaram hospedados no hotel de luxo David Citadel, cuja diária é de cerca de R$ 1.400 por quarto.

A viagem feita no final de outubro foi duramente criticada por acontecer em um momento crítico da política brasileira e pelo fato de ter sido custeada pelos cofres públicos.

A Basílica da Natividade é um dos templos cristãos mais antigos do mundo e, segundo a lenda, foi construída sobre o local onde Jesus Cristo teria nascido. Com informações da Folhapress.



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Para os restaurantes, clientes paulistanos são os mais chatos do mundo



Finalmente, alguém conseguiu colocar em palavras algo que eu já havia percebido nos meus muitos anos em que fui um feliz habitante da capital bandeirante, e que eu já havia comentado sob outro ângulo no texto intitulado "A síndrome do turista paulista".

O artigo foi publicado no blog Cozinha Bruta do portal da Folha de S. Paulo:

Cliente paulistano é o mais chato do mundo – e paga caro por isso no restaurante

POR MARCOS NOGUEIRA

Mimado, exigente, arrogante e rude, o cliente de restaurantes paulistano é o mais chato do mundo. É por isso que ele paga caro pela comida.

Eu, tão paulistano quanto a estátua do Borba Gato, estou no balaio. Ouso dizer que já fui mais chato do que a maioria dos chatos – depois de medicado corretamente pela minha psiquiatra, melhorei bastante.

Claro que existem chatos de muitos tipos (caso você tenha interesse em se aprofundar no assunto, sugiro a deliciosa leitura do “Tratado Geral dos Chatos”). Em algumas partes do país, é corriqueiro o tipo de cliente que chega ao restaurante e se comporta como se fosse dono do lugar. Fala alto para caramba e deixa as crianças quicando pelo salão. Se a mesa estiver perto da entrada, estaciona o carro em frente e liga o som. Em geral, fala com os funcionários como se fosse seu melhor amigo. E não estressa com a lentidão do serviço.

Essa modalidade não é muito comum em São Paulo. Não nos lugares que eu costumo frequentar.

O cliente paulistano é folgado à sua própria maneira. Por ser pagante, ele julga merecer tratamento de realeza.

O indivíduo – gênero neutro, repare – chega ao restaurante e pede uma mesa. Caso haja espera, a pessoa supõe que haja também uma área em que ela possa esperar sentada. Se a espera não permitir o consumo de bebidas e petiscos, o sujeito fica contrariado. A espera muito longa irrita sobremaneira essa gente.

(Reservar mesa não é para o paulistano médio. Ele presume que a mesa estará à sua disposição em qualquer hora e situação.)

Uma vez acomodado, trata os garçons como serviçais particulares.

O cliente exige disponibilidade total. O atendente anota as bebidas e, quando as entrega, comanda o suco de acerola da Valentina, que a mamãe esqueceu de pedir antes. Ao trazer o suco, é instado a substituir o copo do pequeno Enzo, que queria apenas gelo, não gelo e limão. Com o copo em mãos, alguém na mesa resolve pedir lula frita. O garçom anota. Assim que ele entrega a comanda na cozinha, é chamado de volta porque deve trocar a lula por mandioca – o João Vítor é alérgico a frutos do mar, mas o tio não sabia. Então, eu um ato audaz, ele sugere que a mesa peça os pratos principais: todos entram em pânico e solicitam o cardápio novamente, numa clara manobra protelatória.

E assim vai até o pagamento da conta.

Quando viaja dentro do país, o paulistano quase enlouquece nos restaurantes. Especialmente se o destino é Salvador. No estrangeiro, se comporta bem. Porque sabe que vai tomar uma bela invertida de quem serve a mesa – e porque não tem repertório linguístico para encarar uma discussão.

Em países mais, hum, desenvolvidos, os restaurantes informais costumam ser familiares. Os pais são donos e os filhos servem as mesas, ou algo do tipo. Mesmo quando o negócio é um pouco maior, o número de garçons é muito limitado. A pessoa tem pouco tempo de atenção a dispensar para cada mesa. Então, ela supõe que o freguês peça tudo ao mesmo tempo – a cozinha se encarrega de soltar primeiro as entradas, depois os principais.

Menos funcionários no salão, menos custo. Matemática elementar.

Em São Paulo, esperamos que o botequim tenha o mesmo padrão de serviço do Fasano. Essa pressão faz com que as casas contratem mais gente. E o custo, é evidente, aparece na dolorosa.



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

TJSP garante posse de funcionária pública com síndrome de Asperger



Justiça garante posse de candidata com Síndrome de Asperger

Autora foi reprovada na perícia.

A 12ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo garantiu o direito a nomeação e posse de uma pessoa com deficiência em cargo da Secretaria de Administração do Município de Osasco. A candidata, que possui síndrome de Asperger, foi aprovada em concurso para o cargo de fiscal tributário, dentre as vagas reservadas a pessoas com deficiência, mas reprovada na perícia médica. Segundo os médicos da Prefeitura, a aspirante à vaga não apresentava deficiência alguma. A candidata entrou com mandado de segurança contra a avaliação médica que a impediu de ser nomeada.

Em primeiro grau, o juiz José Tadeu Picolo Zanoni, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Osasco, garantiu a nomeação e a posse, diante da documentação nos autos que comprova a deficiência da candidata e, também, com base na legislação que considera como deficiente a pessoa com “transtorno do espectro autista”, no qual a síndrome de Asperger se inclui.

Em reexame necessário do mandado de segurança, foi confirmada a decisão judicial, pelos mesmos fundamentos. Em seu voto, o relator do caso, desembargador José Manoel Ribeiro de Paula, afirmou que “existe farta documentação nos autos que atesta a deficiência da impetrante, ou seja, relatórios médicos desde 2013 assinados por médicos que compravam a existência da doença”.

Participaram do julgamento os desembargadores Edson Ferreira da Silva e José Roberto de Souza Meirelles. A votação foi unânime.

Reexame Necessário nº 1009260-43.2017.8.26.0405

Comunicação Social TJSP – DM (texto)



sábado, 30 de setembro de 2017

Mórmons abrem ao público seus acervos genealógicos


A matéria foi publicada no Estadão em 25/09/17:

Mórmons ajudam a descobrir raízes

Grupo libera acesso a arquivos de cartórios e igrejas para quem pesquisa sobre antepassados

Edison Veiga

SÃO PAULO - Vocês querem catalogar a humanidade inteira, é isso? A pergunta deste repórter não tirou o foco de Mario Silva, gerente de relacionamento do FamilySearch no Brasil. “Olha, sabemos que é algo impossível. Mas nossa pretensão é fazer o máximo possível nessa direção”, respondeu ele, ciente de que dados de sua instituição guardam 3,5 bilhões de cópias de documentos, microfilmados, em um imenso arquivo-cofre de mais de 6 mil metros quadrados localizado na Granite Mountain, em Salt Lake City, nos Estados Unidos.

Estamos falando do maior acervo de registros genealógicos do mundo, trabalho iniciado em 1894 pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os mórmons. Para esses religiosos, pesquisar a genealogia é mais do que uma curiosidade. “De acordo com nossa doutrina, os laços familiares são eternos”, explica Silva. “Assim, somos incentivados a conhecer os antepassados.”

Aos poucos, em esforço que hoje mobiliza 10 mil arquivos e mais de 200 mil voluntários em todo o mundo, o FamilySearch foi montando seu impressionante acervo. No sistema, hoje digitalizado, estão livros de cartórios e de cemitérios, fichas de imigrantes, certidões emitidas por igrejas católicas e diversos outros tipos de documentos que ajudam a reconstituir árvores genealógicas.

Essas informações sempre estiveram ao alcance de todos, religiosos ou não religiosos, nos Centros de História da Família que funcionam anexos aos templos dos mórmons. De graça. “Entendemos que seria egoísmo restringir essas informações apenas aos membros da igreja”, afirma Silva. Desde 1999, entretanto, com o lançamento do site www.familysearch.org, o acesso a tais materiais pode ser feito de qualquer lugar – com algumas restrições, já que por razões de segurança alguns documentos ainda só podem ser visualizados dos centros físicos.

Atualmente, o site recebe 10 milhões de visitantes por dia. Já são 9 milhões os usuários cadastrados. No sistema, há um banco de 6 bilhões de nomes com pelo menos um documento cada. “Todo indivíduo tem o desejo, ainda que latente, que descobrir de onde vem”, acredita o gerente.

Dos 305 Centros de História da Família do Brasil, um terço está no Estado de São Paulo. A reportagem esteve no maior deles, que fica na sede da instituição no bairro paulistano do Caxingui. Voluntários e funcionários da igreja auxiliam nas pesquisas em computadores e incentivam as pessoas a mergulharem fundo nas suas genealogias. Por mês, o endereço recebe cerca de 300 pesquisadores. “A maior parte é da igreja mesmo. Mas ultimamente tenho observado um número cada vez maior de interessados em descobrir detalhes de antepassados para pleitear dupla cidadania”, comenta Marisa Cuellar, diretora desse Centro de História da Família.

De volta para o passado. Quando um antepassado é encontrado, a comemoração costuma ser compartilhada. Foi assim quando a advogada Magna Pereira da Silva, de 65 anos, encontrou o registro de nascimento de seu avô, Afonso Aloi, italiano da Calábria. “O único documento dele que eu tinha era sua certidão de óbito, já que ele morreu aqui no Brasil há 53 anos”, conta. “Mas nela não estava informado o local de nascimento na Itália, então tive de olhar página por página, de várias cidades, até encontrar.”

Muito além da simples curiosidade, o documento será importante para os planos futuros de Magna. Ciente da localização e data exata do nascimento de seu antepassado, ela vai solicitar agora à Itália a cópia da certidão de nascimento do avô para que possa dar início ao processo de reconhecimento de cidadania italiana.

Uma das mais assíduas pesquisadoras é a administradora de empresas Adriana da Cunha Sinibaldi, 39 anos, frequentadora do centro desde os 16. “Pesquisa genealógica não é algo rápido”, diz ela, que vai ao local presencialmente pelo menos uma vez por semana e diariamente também busca informações de sua casa. “Na igreja a gente dá valor à família, à importância de conhecer os antepassados”, explica ela, que é mórmon.

Como o sistema permite que o usuário vá alimentando sua própria árvore genealógica e esta se cruze com outros pesquisadores com antepassados em comum, as ramificações vão recuando no tempo. “No mais longo ramo da minha família cheguei a 166 gerações”, diz Adriana.

A dona de casa Silvana Lemos Noronha Santos, de 49 anos, já está nos anos 1600 em sua própria genealogia. Tomou gosto pelas pesquisas de família por conta do pai, o funcionário público Expedido Justiniano de Noronha, que morreu em 2006. “Aprenda a amar seus antepassados e serás eterno na lembrança dos que vierem depois”, dizia ele. E então, fazia das férias sempre uma peregrinação por cartórios, cemitérios e igrejas espalhadas pelo País, em busca de algum fragmento que ajudasse a compor sua genealogia. “Colocava a gente no fusquinha azul e íamos todos. Depois escrevia tudo à mão. Fui eu quem passei para o computador”, conta Silvana.

Mas de onde vem toda essa informação? No Brasil, é o gerente Mario Silva quem se encarrega de fazer as parcerias. Firma acordos com cartórios, com igrejas católicas, com arquivos públicos. “Oferecemos a digitalização gratuita de todo o material em troca de termos uma cópia. Não há dinheiro envolvido”, afirma. No País, os mórmons têm 30 câmeras trabalhando simultaneamente. Cada uma tem capacidade de produzir 50 mil imagens por mês.



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Traficante se converte e denuncia grupo que planejava matar promotor em SP


Curioso é que deram à operação o nome de "Judas Iscariotes"...

De qualquer maneira, isso sim é um claríssimo sinal de arrependimento (Lucas 3:8). Quisera outras pessoas que "viram evangélicos" tivessem o mesmo comportamento...

A informação foi publicada no Estadão de 23/09/17:

Operação prende 25 de organização que ameaçava matar promotor em Rosana

De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de planejar a morte do promotor público Renato Queiroz de Lima, que atua no município.

José Maria Tomazela

SOROCABA - Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE), na manhã deste sábado (23), prendeu 25 integrantes de uma organização de traficantes de drogas que atuava em Rosana, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo. De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de planejar a morte do promotor público Renato Queiroz de Lima, que atua no município. Foram cumpridos também 30 mandados de busca. A Polícia Civil ainda apura a ligação dos suspeitos com outras organizações criminosas.

De acordo com o delegado Ramon Euclides Guarnieri Pedrão, as investigações foram iniciadas a partir de denúncias anônimas e ganharam corpo depois que um dos envolvidos se tornou evangélico e decidiu “entregar” o grupo – a operação foi batizada de “Judas Iscariotes”, numa referência ao traidor de Jesus Cristo. “Observamos que pequenos grupos de traficantes formavam uma rede em que os líderes se comunicavam e faziam referência a uma liderança maior. Eles se ajudavam e trocavam informações”, disse. A cidade fica na divisa com o Mato Grosso do Sul e está na rota dos carregamentos de drogas procedentes do Paraguai.

O plano de atentar contra a vida do promotor foi revelado por uma testemunha que prestou depoimento sob sigilo. “Foi uma menção clara de dar um tiro no promotor de Justiça que atua no enfrentamento do tráfico de drogas no município. Com as prisões, vamos prosseguir as investigações, em parceria com o Ministério Público”, disse. A Polícia Militar e a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) colaboraram com a operação, com cães farejadores para a busca de drogas. A PM participou com um helicóptero.

Com os suspeitos, foram apreendidos entorpecentes, celulares e rádios comunicadores. Conforme o delegado, os grupos trabalhavam com pequenas quantidades de drogas, uma espécie de varejo do crime. A investigação vai prosseguir para identificar o esquema de fornecimento da droga. Os detidos tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça por 30 dias. Todos foram levados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá, na mesma região.



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Alisson, um brasileiro invisível



Uma história de vida como tantas outras que se vivem e se perdem pelas ruas do Brasil, Alisson diz ao portal São Paulo Invisível no facebook que "tem Deus no coração, mesmo morando na rua e usando droga".

Não sabemos o quê e quanto da história de Alisson é verdade, porque uma vida de drogas e delírios na rua já não sabe mais distinguir entre realidade e fantasia.

Só sabemos que Alisson está em situação de rua e "quer sair deste lugar".

"Quero ter a benção de Deus na minha vida pra largar a maldita dessa droga. É difícil. De verdade."

Alisson é um pequeno retrato do Brasil.

Se for possível ajudá-lo materialmente, acesse a página do São Paulo Invisível e apoie as iniciativas deles.

Se, por qualquer razão, não for possível, pelo menos ore pelo Alisson e/ou divulgue as organizações que tentam tornar sua vida (e as de tantos outros) menos trágica.



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Guarda Municipal do RJ é questionada por fazer censo religioso na corporação


E o Brasil segue firme na sua trajetória de ex-país, segundo informa o G1 Rio:

Prefeitura do Rio faz censo religioso na Guarda Municipal

Questionário pergunta sobre religião de agentes. Alguns servidores se disseram constrangidos com a ação.

A Prefeitura do Rio está fazendo um censo religioso na Guarda Municipal. O comando da corporação quer saber a religião de cada um dos servidores e, pra isso, distruibuiu um questionário. A iniciativa está causando polêmica.

O formulário, demanda do Comando da Guarda Municipal, tem três perguntas. A primeira, se a pessoa professa alguma religião. Se sim, há a opção de responder se é católico, evangélico, espírita ou outra. Há ainda um campo para informar se a pessoa é praticante ou não da religião. Por fim, o agente pode se identificar preenchendo o formulário com nome, matrícula e unidade.

Diante da situação, alguns servidores se disseram constrangidos e denunciaram a obrigatoriedade de preenchimento do formulário. A polêmica, revelada nesta quarta-feira (9) pelo jornal O Dia, levou o deputado Átila Nunes, do PMDB, a entrar com um pedido de suspensão do formulário ao Ministério Público, alegando que a ação fere um direito constitucional.

“Isso é um absurdo. Estão violando, antes de mais nada, a intimidade de cada um, você não pode perguntar, por exemplo, a orientação sexual. Isso é uma violência que nunca aconteceu no serviço público.”, se posicionou o deputado.

Em contrapartida, a comandante da Guarda Municipal, inspetora Tatiana Mendes, esclareceu que o objetivo é criar uma assistência religiosa aos servidores e que eles não são obrigados a se identificar. Ela disse que após o censo, o intuito seria processar os dados para se criar uma capelania.

Na visão da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio, o censo proposto pela Guarda Municpal limita e constrange os profissionais e erra em não incluir outras religiões como a Umbanda e o Candomblé, ambas consideradas patromônio imaterial da cidade do Rio.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, é bispo licenciado da Igreja Universal.



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Rio de Janeiro faz "esfihaço" para abraçar imigrante sírio que foi vítima de xenofobia

O imigrante sírio feliz da vida na foto de Matheus Pereira, do G1

Meus amigos "evangélicos góspeis", é essa a atitude cristã em relação aos fracos e desfavorecidos, não essa xenofobia e esse ódio aos pobres e ao diferente que vocês demonstram ao apoiar um certo candidato cujo nome não deve nem merece ser pronunciado, mas dificilmente vocês entenderão.

Cristãos acolhem, amam e pregam o evangelho puro de Jesus Cristo, e se tiverem que morrer para tanto, serão martirizados como "ovelhas destinadas ao matadouro" (Romanos 8:36), sem mais.

Como Tertuliano já dizia, "o sangue dos mártires é a semente da igreja", mas quem era Tertuliano (±160-220 d.C.) perto dos nobilíssimos, santíssimos e poderosíssimos líderes evangélicos brasileiros atuais, não é mesmo?

Não são "apóstolos do ódio", como alguns famosos "pregadores" hoje se propõem, simples assim...

Talvez somente quando alguns dedos misteriosos escrevam "mene mene tequel parsim" nas paredes dos seus lautos banquetes de autolouvaçao desenfreada (Daniel 5), meus caros religiosos fascistas, vocês perceberão que o seu tão propalado "reino" político-ideológico padece de autofagia.

Aí será tarde demais...

A matéria é do G1:

Cariocas fazem fila em 'esfihaço' para apoiar refugiado sírio agredido em Copacabana

Após divulgação de vídeo em que é hostilizado por outros ambulantes, Mohamed Ali recebe apoio dos brasileiros. Perto dali, no Arpoador, grupo protestou contra muçulmanos.

Matheus Rodrigues


Uma longa fila se formou neste sábado (12) nas ruas de Copacabana em torno de um carrinho de salgados árabes. Ninguém duvida do sabor das esfihas e quibes, mas o motivo para tanta gente em torno do vendedor é outro: dar apoio ao refugiado sírio Mohamed Ali, que dias atrás foi vítima de hostilizado por outros ambulantes, na esquina da Rua Santa Clara com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Entre uma foto e outra entrevista, Mohamed não sabia definir o que estava sentindo. Muitos cariocas foram à mesma esquina para prestar solidariedade.

Os insultos foram registrados por quem passava e a imagem, rapidamente, se espalhou pelas redes sociais (veja nas reportagens acima). Mohamed Ali foi agredido verbalmente depois de ter o carrinho empurrado pelos agressores. Algumas mercadorias caíram no chão.

O ambulante que aparece no vídeo com dois pedaços de madeira na mão fala para Mohamed voltar para o país dele, sair do Brasil, e o ofende.

"Sai do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba miseráveis que mataram crianças, adolescentes. São miseráveis. Vamos expulsar ele!", disse.

Mohamed não postou o vídeo e não foi à polícia. "Eu não quero problemas, só quero trabalhar. Eu não quero problema para ninguém", disse Mohamed Ali.

Solidariedade


O evento teve fila de quem estava disposto a ajudar...
Um empresário promoveu o “esfihaço” deste sábado e iniciou uma "vaquinha on line" para conseguir um food truck para o amigo. Guilherme Benedictis resolveu promover o evento “Comer esfiha na barraca do Mohamed” em uma rede social. Até este sábado, o evento tinha confirmação de 11 mil pessoas e despertou o interesse de outras 33 mil.

Mohamed tem 33 anos, é filho de pai sírio e mãe egípcia, nasceu na Síria e foi criado no Egito, de onde saiu há três anos. Diz que no Brasil as pessoas respeitam a religião do outro, e ele pode viver "em paz". Mesmo após a agressão, ele defende o país. "Eu amo o Brasil".

O sírio é casado com uma brasileira e tem um filho. Fugiu da guerra no Oriente Médio e não quer mais conflitos por aqui. "Eu fui para a guerra lá, cheguei aqui e não quero guerra aqui."

Na quinta-feira (10), Mohamed recebeu das mãos do prefeito Marcelo Crivella uma licença para trabalhar em Copacabana.

Protesto contra muçulmanos


Mas o ódio "religioso" nunca pode ser ignorado, há sempre gente disposta ao pior que o ser humano pode oferecer...


Enquanto o sírio era homenageado após sofrer ataques de xenofobia e intolerância religiosa, um grupo de cerca de 20 pessoas fez um protesto com ataques contra muçulmanos a poucos quilômetros dali, no Arpoador. Vestidos de preto e com cartazes com palavras como "muçulmanos: assassinos, sequestradores, estupradores", eles caminhavam em silêncio.

A educadora Débora Garcia estranhou a movimentação e, ao ler os cartazes, resolveu fotografar.

"Minha primeira reação foi não entender o que estava acontecendo. Até porque as mensagens pareciam misturar alhos com bugalhos. Pareceu um movimento 'cristão' radical contra muçulmanos, [grifamos] fazendo algum tipo de analogia louca com assassinatos, sequestros e estupros. Como se pra cometer esses crimes tivesse que ter alguma relação com algum credo em especial", disse, em entrevista ao G1.

"Estranhei a quantidade de cartazes e o uniforme preto. Primeiro, achei que era em defesa de migrantes, estrangeiros. Depois, que vi que eram totalmente contra praticamente um pedido para que saiam daqui", contou.



sábado, 22 de julho de 2017

14 mortes em 1 mês levantam suspeitas sobre abrigo católico da Grande SP


A notícia foi publicada no Estadão em 19/07/17:

Sob investigação há 6 anos, abrigo a 76 km de SP tem 14 mortes em um mês

9 delas apresentavam quadros de diarreia e vômito, acompanhados de desnutrição; vítimas moravam em sítios da Missão Belém

Fabiana Cambricoli e Luiz Fernando Toledo

SÃO PAULO - Ao menos 14 pessoas que viviam em um centro de acolhida de uma missão ligada à Igreja Católica, que recebe usuários de drogas e moradores de rua em Jarinu, no interior paulista, morreram nos últimos 30 dias. Pelo menos nove delas apresentavam quadros de diarreia e vômito, acompanhados de desnutrição, desidratação ou intoxicação alimentar. Outros 19 foram internados com esses sintomas, mas sobreviveram. As causas dos óbitos ainda estão sendo investigadas.

As vítimas moravam nos sítios da Missão Belém, a 76 km da capital. O espaço recebe, em sua maioria, dependentes vindos da Cracolândia. A entidade, fundada pelo padre Gianpietro Carraro em 2005, atua no Brasil, na Itália e no Haiti e atende 2 mil pessoas. Só nas quatro propriedades de Jarinu, são 850.

Segundo informações dos boletins de ocorrência dos óbitos, aos quais o Estado teve acesso, metade das vítimas eram idosas e a maioria vivia nos sítios da Missão Belém há anos. Eram ex-dependentes químicos, ex-moradores de rua ou pacientes com problemas psiquiátricos rejeitados pela família.

A primeira das 14 mortes aconteceu no dia 18 de junho. A vítima, de 56 anos, teve um mal súbito após receber medicações. Três dias depois, mais um óbito foi registrado, desta vez de um homem de 50 anos internado há oito em Jarinu. Ele foi o primeiro hospitalizado a apresentar diarreia e vômito.

Nas semanas seguintes, casos do tipo aumentaram. Do dia 3 de julho até esta terça-feira, 18, o Hospital de Clínicas de Campo Limpo Paulista, município vizinho de Jarinu, recebeu 25 internos da Missão Belém, dos quais 6 morreram. De acordo com a Prefeitura do município, a maioria dos pacientes chegou ao local “em avançado estado de desidratação, desnutrição e intoxicação alimentar, em alguns casos associados a doenças crônicas, HIV e sequelas de acidente vascular cerebral (AVC)”.

A Vigilância Municipal de Jarinu, órgão vinculado à Prefeitura, diz ter feito fiscalizações no local antes e depois das mortes, mas afirma não ter encontrado sinais aparentes de contaminação. Segundo a Prefeitura, o órgão espera resultados de análises de amostras de água e fezes enviadas ao Instituto Adolfo Lutz e a contaminação por rotavírus já foi descartada pelo órgão. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), toda a cidade de Jarinu - com cerca de 28 mil habitantes - tem média de 14,4 óbitos por mês.

Regulamentação

Desde 2011, a Missão Belém é alvo de investigação do Ministério Público e da Prefeitura de Jarinu. Segundo a promotora Aline Morgado da Rocha, o local funciona, na prática, como uma comunidade terapêutica, mas não tem licença para desempenhar tal atividade. O estabelecimento não tem nem licença de funcionamento da prefeitura.

Norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prevê que espaços que recebam usuários de drogas em regime de residência devem ter licença segundo as leis municipais. Também precisam contar com responsável técnico de nível superior e mecanismos de encaminhamento à rede de saúde.

Para o psicólogo e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Marcos Garcia, há um “limbo legal” no oferecimento deste tipo de serviço. “Alguns têm cadastro como assistência social ou equipamento de saúde, mesmo não seguindo as normas do Sistema Único de Saúde (SUS).”

‘Se Deus levou, não temos culpa’, diz coordenador

O coordenador da Missão Belém, Marcio Antonio dos Santos, afirmou que muitos dos abrigados já chegam ao local doentes e observou que nem sempre é possível reverter seus problemas de saúde. Os boletins de ocorrência dos óbitos mostram, porém, que parte deles já vivia no local há anos.

“Tem uns que sobrevivem e outros não conseguem. O que fazemos de melhor é não deixar ele morrer na rua, como indigente e sem nada. Mas se Deus decide levar, já não é problema nosso. Se Deus levou, não temos culpa”, disse.

O coordenador alegou que os efeitos do crack podem ser os responsáveis pelas mortes e não houve registro de intoxicação alimentar, embora o Hospital de Campo Limpo Paulista tenha confirmado a informação à reportagem. “(As vítimas) estavam com problemas cardiovasculares, problemas ligados ao longo uso de bebida e outros”, diz ele.

O Estado procurou o padre Gianpietro Carraro, fundador do grupo, mas o religioso respondeu por mensagem que não poderia dar entrevista por estar em missão no Haiti. A assessoria de imprensa da Arquidiocese de São Paulo informou que a Missão Belém é independente juridicamente e, por isso, não irá se manifestar.

VÍTIMAS E DATA DE REGISTRO
  • Edson Luiz Ambrozio, de 56 anos, em 18 de junho.
  • Marco Cesar de Moraes, de 50, em 22 de junho
  • Ismael Francisco Nunes, de 53 anos, em 28 de junho
  • Natal Aparecido de Moraes Funck, de 63, em 1º de julho
  • Nicodemos Dias Soares, de 78 anos, em 3 de julho
  • Jamilton José Cerqueira da Silva, de 50, em 4 de julho
  • Gonçalo Galdino da Silva, de 55 anos, em 5 de julho
  • Otaviano Gomes da Silva, de 81, em 6 de julho
  • Nivaldo Santoja, de 56, no dia 7
  • João Crisostomo da Luz Neto, de 75 anos, em 10 de julho
  • Luiz Carlos Vieira, de 62, anos, em 12 de julho
  • Iolando da Silva, de 70, no dia 12 de julho
  • Wlademir Picoralle, de 64 anos, no dia 13 de julho
  • Um desconhecido, nesta terça, 18 de julho




terça-feira, 13 de junho de 2017

Da Cracolândia à faculdade de Direito, passando pela Cristolândia


O título acima é um brevíssimo resumo da história contada pela BBC Brasil:

Como deixei a cracolândia e entrei na faculdade de Direito

Gabriela Di Bella e Gui Christ

"Acharam que eu estava derrotado, quem achou estava errado, eu voltei, tô aqui, se liga só, escuta aí."

É na forma de rap que Tiago Ideal Nogueira, de 35 anos, conta a história de sua sobrevivência a quatro anos na cracolândia, na região central de São Paulo.

O ex-"noia" - forma como os usuários de crack costumam ser chamados na cidade - atualmente é missionário, ajudando dependentes a deixarem a droga, produziu o seu primeiro CD de rap e, em 2016, foi o melhor aluno do curso na faculdade de Direito privada que frequenta na zona leste de São Paulo.

Ele lembra exatamente o momento em que decidiu mudar de vida.

"Entrei pela porta da Cristolândia (ONG que auxilia usuários do crack a deixarem a droga) no dia 8 de maio de 2012, às 15h30, após quatro anos vivendo no fluxo", diz Nogueira à BBC Brasil na praça Princesa Isabel, onde ele foi conversar com usuários da nova cracolândia que se formou no centro paulistano após a mais recente ação policial no local anterior, perto dali.

Agora, após dois anos de tratamento nas fazendas da ONG e um ano como missionário - ouvindo, ajudando no banho, servindo comida e convencendo usuários a aceitarem o tratamento -, ele quer trabalhar no setor público, mas com foco justamente em viciados.

"Meu sonho é ser defensor público", afirma.

Bolsista na faculdade graças a um acordo com a ONG, Nogueira tem notas altas em quase todas as disciplinas. "A matéria que mais gosto de estudar é Direito Civil, e tirei nove notas 10. Estou no segundo ano e luto para manter esse ritmo."

A coordenadora do curso, Eliana Berta Fernandes Corral, afirma que Tiago é destaque em meio aos 600 alunos de seu corpo discente.

"As notas dele são realmente acima da média, e ele sempre participa das aulas e das nossas atividades. Temos orgulho dele na faculdade."

Diálogo

Nascido na zona norte de São Paulo, Nogueira perdeu a mãe aos 12 anos e o irmão mais velho aos 15 - ambos tinham HIV. Sua avó morreu de câncer quando ele tinha 20 anos.

Ele vivia com o tio e diz que nunca lhe faltou nada em termos materiais. "Eu morava bem, trabalhava com meu tio e andava com carrão, bem vestido e perfumado", lembra.

Entretanto, o que mais faltava era diálogo, conta. "Não tive pai, nunca soube quem ele era, e sentia falta de uma orientação, de alguém com quem conversar. Meu tio me dava tudo, menos isso."

Nogueira começou a usar drogas na adolescência, quando saía à noite. "Comecei a usar cocaína na balada, (junto com) bebida. Para um adolescente, estava tudo legal", conta. Até que provou o crack.

"Ele (o crack) seguia sempre comigo. Eu trabalhava e ia para as baladas com ele junto, até o momento em que ele pede exclusividade. E, em 2009, eu fui morar nas ruas por causa disso."

Nessa mesma época começou a se envolver com a pichação, o que envolvia escalar prédios altos - "subi e pichei diversos prédios famosos de São Paulo".

Em 2010, caiu e quebrou vários ossos quando grafitava um edifício da avenida Brigadeiro Luís Antonio, na região central da cidade. Quase morreu. Apesar disso, não abandonou o gosto pela atividade - mas hoje faz grafites pedindo autorização dos donos dos muros.

Sonho

Foi um sonho com a avó que mudou sua vida.

"Um dia sonhei que tomava um refrigerante com a minha vó e conversei muito com ela. Acredito que ela me mandou uma mensagem. Na época, andava de muleta. Acordei, me olhei no espelho e percebi que tinha me tornado um farrapo humano. Estava muito magro, 'noia' e de muleta, tinha passado quatro dias fumando crack direto", lembra. Foi nesse momento que decidiu buscar ajuda na Cristolândia.

Nogueira diz que o período mais difícil foram os primeiros seis meses.

"O corpo pede a droga e você tem que lutar para se manter na abstinência. Tinha muito desejo de fumar, muita fome, e dormir era complicado."

Ainda assim, conta que não teve nenhuma recaída.

Ele se tornou evangélico dentro da Cristolândia. "No começo foi difícil. Eles falavam que Deus é bom, eu só pensava que havia perdido toda minha família - e isso era Deus sendo bom? Eu ficava revoltado", explica. Depois de 15 dias de tratamento, diz ter tido "um encontro com Deus". Hoje se considera um missionário.

Já o rap surgiu dentro das atividades de música durante o tratamento, e hoje ele o utiliza para transmitir apoio aos usuários de crack. Nogueira compõe e canta em igrejas e nos cultos da ONG e gravou um CD que se chama Divinamente Rap.

Também quer desenvolver, com ajuda de um amigo, um aplicativo para agilizar a busca de vagas para tratamento de dependentes químicos, organização da internação e sistemas de logística da ONG que o resgatou.

Abordagens

Nogueira vê com ceticismo a operação policial realizada pelo governo na cracolândia.

"Sabemos que há interesse imobiliário em revitalizar a área, mas é preciso cuidar das pessoas. Só agir com autoritarismo não resolve. Assim, a cracolândia nunca vai deixar de existir", opina.

Ele se queixa de ter sido abordado "a vida inteira" por policiais e ter sido tratado como "negão e bandido".

Em uma viagem recente à praia, foi parado por um policial e retrucou: "Olha o constrangimento que o senhor está me fazendo eu passar. Eu sou missionário, eu dou banho em noia, eu faço aquilo que o senhor não faz".

Sobre a vida na cracolândia, recorda que cada dia era "uma guerra".

"Você levanta de manhã, começa a batalha. Onde você vai comer, e como vai conseguir dinheiro. É impossível não entrar no esquema, você é obrigado a aprender as táticas - sempre ter um cigarro ou uma cachaça na mão para vender."

Do ponto de vista das estatísticas, Nogueira é um sobrevivente: segundo pesquisa da Unifesp, 30% dos usuários de crack morrem antes de cinco anos de consumo da droga. Ele credita sua sobrevivência ao medo "de levar facada", que o fazia evitar dormir na rua - pagava por uma cama nos albergues baratos da região.

Hoje, diz que sua maior luta é contra si mesmo.

"Nunca posso achar que estou bem, sempre estou em progresso. Ajudar as pessoas me faz bem, porque todos os dias me deparo com a realidade que vivi."



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Por que não existem pessoas em situação de rua na Finlândia?


A matéria é da BBC Brasil:

Como a Finlândia conseguiu tirar da rua 
e reintegrar os sem-teto

Londres, Berlim, Paris e outras grandes cidades dos países mais prósperos da Europa têm algo em comum: tentam, sem sucesso, conter ou reduzir o número de sem-teto em suas ruas.

A cena de pessoas desabrigadas dormindo nas ruas ainda faz parte do cotidiano destas sociedades que, apesar de terem sistemas de bem-estar social robustos, não conseguem tirar das ruas e reintegrar os sem-teto na sociedade.

Mas há uma exceção.

A Finlândia é apontada como o único país da União Europeia (UE) que resolveu a questão dos sem-teto.

Problema internacional

A Feantsa, organização que promove o direito à moradia na UE, descobriu que todas as nações do bloco, com exceção da Finlândia, enfrentam uma crise de falta de moradia disponível para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Uma investigação parlamentar no Reino Unido identificou, por exemplo, que o número de moradores de rua na Inglaterra aumentou 30% entre 2014 e 2015.

A Feantsa calcula, por sua vez, que a Dinamarca registrou um aumento de 75% no número de jovens sem-teto desde 2009. Em Atenas, capital grega, a organização estima que uma em cada 70 pessoas durma ao relento.

E como a Finlândia conseguiu ser bem sucedida ao buscar uma solução para o problema?

A estratégia de apoio aos sem-teto que o país nórdico oferece é generosa.

Muitos países apresentam soluções de moradia temporárias e condicionais aos moradores de rua.

Já a Finlândia oferece a eles, desde o início, habitações permanentes, sem impor condições. Concede ainda assistência social para ajudá-los a colocar a vida nos eixos, lidando com questões como vício em drogas e desemprego.

"Começamos concedendo a eles um apartamento com um contrato que lhes dá os mesmos direitos que qualquer inquilino. E, se eles precisam de mais apoio, também é oferecido", diz à BBC Juha Kaakinen, gerente da Fundação Y, que oferece 16.300 moradias a sem-teto na Finlândia.

Rentável

A fundação diz que esta abordagem de conceder habitação permanente é mais eficaz do que abrigos temporários, usados ​​em muitos outros países, uma vez que são computados todos os custos sociais que este programa ajuda a evitar.

"Muitos desabrigados não precisam de ajuda extra. Mas é importante que, se for necessário, eles possam obter", acrescenta.

Segundo Kaakinen, há muitas razões que levam uma pessoa a acabar vivendo nas ruas.

"Uma delas é a falta de habitação a preços acessíveis, outras são razões econômicas, divórcio e muitos outros fatores, a que estão sujeitos os seres humanos", diz.

O executivo explica que a intervenção para ajudá-los deve acontecer o mais cedo possível.

"Se você permanecer nesse estado por muito tempo, é provável que apareçam novos problemas. Por isso, é importante atacar a questão o mais rápido possível".

Há pessoas na rua

Podemos dizer então que a Finlândia está satisfeita com os resultados alcançados? O problema foi definitivamente resolvido?

"Certamente vamos continuar com nossos esforços", afirma Kaakinen.

Segundo uma estimativa, cerca de 7 mil pessoas estavam em situação de vulnerabilidade na Finlândia​​, em 2015, devido à falta de um lar permanente.

"Enquanto houver uma única pessoa sem teto no país, será muito. A Finlândia já não tem gente dormindo nas ruas, mas tem pessoas desabrigadas vivendo temporariamente com a família e amigos. Vamos continuar tentando acabar com o fenômeno por completo", diz Kaakinen.



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