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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Testemunhas de Jeová no meio da confusão entre Índia e Paquistão


De maneira inadvertida, por causa de um hino e do furor nacionalista, as Testemunhas de Jeová terminaram se envolvendo no imbroglio da ópera bufa e tragicômica que Índia e Paquistão insistem em encenar.

Detalhe sinistro: além da população gigantesca nos dois lados, os países em questão têm um arsenal militar imenso que dispõe de bombas atômicas.

A notícia foi publicada no Estadão em 16/02/17:

Cantar o hino pode passar a ser obrigatório 
a estudantes indianos

Buscar formas para reforçar o nacionalismo indiano passou a ser uma preocupação do governo de Narendra Modi

Primeiro, foi o cinema. Agora, as escolas. A execução do hino nacional passou a ser um dever na Índia antes de cada sessão de cinema desde o fim do ano passado, com prisão de quem teimar em ficar sentado. Agora, o governo quer expandir a medida para as escolas.

O problema é que a obrigação de cantar o hino é incompatível com uma norma de mais de 30 anos que isenta crianças pertencentes a alguns credos, como as Testemunhas de Jeová, de entoar o hino. O argumento é que isso equivaleria a uma forma de adoração.

A Suprema Corte quer revisar o julgamento de 1986 que favoreceu as crianças dessa corrente religiosa. A decisão de então considerou que forçá-las a cantar o hino seria ilegal. Segundo o jornal Indian Express, o tribunal afirma que a discussão, neste momento, é necessária porque “é extremamente importante estimular um senso de nacionalismo desde a infância”.

Buscar formas para reforçar o nacionalismo indiano passou a ser uma preocupação do governo de Narendra Modi desde a escalada na violência na Caxemira, em julho. As tensões entre a Índia e o Paquistão foram elevadas após a operação de repressão de forças indianas contra a dissidência na parte da Caxemira controlada por Nova Délhi. Os dois países, donos de armas nucleares, disputam o território.

Em setembro, os cinemas paquistaneses pararam de exibir filmes da Índia em “solidariedade” às Forças Armadas do país. As relações pioraram mais quando militantes mataram 18 soldados em um ataque a uma base do Exército indiano que a Índia atribui aos paquistaneses. Em resposta, a Índia realizou “ataques cirúrgicos” na Caxemira administrada por Islamabad, uma manobra que o Paquistão repudiou.

A disputa na indústria do entretenimento cresceu. A Associação Indiana de Produtores Cinematográficos, uma entidade pequena de cineastas, proibiu seus membros de contratarem atores paquistaneses. A mídia indiana, ainda em setembro, noticiou que o líder de um partido regional de direita, Maharashtra Navnirman Sena, deu um prazo de dois dias para atores paquistaneses deixarem a Índia ou serem “empurrados para fora”.



segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O pastor presbiteriano paquistanês que se refugiou no Brasil

A dura vida dos cristãos no Paquistão

Uma história de perseguição que está bem próxima de nós, segundo noticia a BBC Brasil:

'A perseguição destrói tudo dentro de você', diz cristão paquistanês refugiado no Brasil

Cláudio Goldberg Rabin

Três anos atrás, S. Masih vivia em uma cidade no Estado de Punjab, no sudeste do Paquistão, onde era o principal pastor de uma igreja presbiteriana com 3 mil membros. Vestia-se bem, tinha 10 auxiliares e morava com os três filhos pequenos e a mulher.

Hoje, ele é pastor assistente em uma igreja na Penha, bairro da zona leste de São Paulo. Chegou ao Brasil sem a família, com visto de turismo, mas recebeu o status de refugiado — fugiu da perseguição religiosa em seu país, onde os cristãos representam 2,59% da população.

Nos últimos anos, a comunidade cristã paquistanesa foi alvo de diversos atentados terroristas. O maior deles, na Páscoa de 2015, deixou 17 mortos e dezenas de feridos. Dois anos antes, um atentado a uma igreja matou 80 pessoas.

No momento, o pastor aguarda por uma autorização para sair do país pela primeira vez desde que chegou. Quer voltar ao Paquistão para resgatar sua família e rever a mãe, que está doente. Para toda a operação, calcula que precisará de R$ 35 mil, quantia que ainda não conseguiu arrecadar.

Masih, 41 anos, pediu que não fosse identificado por medo de represálias a sua família. Contudo, revelar seu último nome não é um problema: no Paquistão a maior parte dos cristãos tem o mesmo sobrenome, que é conferido pelo Estado.

"Não escolhi o Brasil. Eu não conhecia nada daqui. Tinha pedido visto para a Tailândia, porque era mais perto e mais fácil, mas minha avó morreu na época e o visto venceu. Mas eu precisava sair", disse o refugiado que já fala português, entrevistado pela BBC Brasil em uma tarde de agosto.

Perseguição

Os problemas do pastor começaram em 2009, quando recebeu em seu escritório na igreja um homem que o convidou a se converter ao islã. Ele negou. "Fui educado, porque no Paquistão você não pode xingar", disse Masih. A necessidade de polidez não era apenas por educação, era medo de ser acusado de blasfêmia, um crime para o qual a punição pode ser a morte.

"Ele voltou duas ou três semanas depois e falou a mesma coisa. Na terceira vez, ele me disse: 'te ofereci o islã três vezes e você o desonrou três vezes. Agora, fique pronto para as consequências."

A pressão veio rápido: duas semanas depois do último encontro, Masih recebeu uma carta do tribunal local no qual o ofendido exigia que o pastor lhe pagasse US$ 70 mil (cerca de R$ 220 mil) pela ofensa cometida. Ele teve dificuldades em conseguir um advogado, pois, segundo conta, ninguém queria defender um cristão.

O caso se arrastou no tribunal por quatro anos até que o juiz decidiu por um valor menor, algo dentro das possibilidades de Masih. O perseguidor, porém, não queria o dinheiro, mas a conversão. No começo de 2013, ele conta ter sido agredido.

"O meu acusador chamou um bando de fanáticos que me atacaram na minha casa. Me bateram na frente dos meus filhos e da minha esposa. Quando cansaram, disseram que iriam me acusar de blasfêmia". O risco se tornara grande demais para ficar no Paquistão.

O relatório 2015/2016 da ONG Anistia Internacional diz que Punjab é o Estado paquistanês onde as leis sobre blasfêmia são empregadas com maior vigor, sendo "desproporcionalmente usadas contra as minorias religiosas". O caso mais famoso é o de uma cristã chamada Asia Bibi, condenada à morte em 2010. O então governador de Punjab, Salman Taseer, a apoiou publicamente e acabou morto por um de seus seguranças, posteriormente condenado e executado. Bibi segue presa.

Brasil

A ideia de sair do país partiu da esposa. A sugestão do lugar, o Brasil, veio um amigo padre. Era a época da Jornada Mundial da Juventude e da visita do papa Francisco, o que tornava mais fácil conseguir um visto de turista. Masih chegou ao Rio de Janeiro sem nem saber que língua os brasileiros falavam.

"Quando eu estava saindo do Paquistão, minha mãe me perguntou: 'onde é o Brasil? Fica na Inglaterra? Na Arábia?'. Respondi que era longe. Ela me perguntou se eu conhecia alguém lá e eu respondi: 'Sim, Jesus.'"

Masih saiu do aeroporto do Galeão com US$ 13 mil (cerca de R$ 41 mil) numa maleta, pegou um táxi e o motorista o levou até um hotel na Lapa. Cobrou R$ 80 pela corrida. Depois o levou a uma igreja presbiteriana no bairro Santíssimo ao custo de R$ 200.

"A igreja era pequena, mas eles me acolheram rapidamente sem me questionar. Me deram uma casa e, depois de seis meses, comecei a dar aulas de inglês. Também fui apresentado como missionário e recebi muitos convites de pregação em outras igrejas".

Um desses convites o levou a Natal, no final de 2014, onde conheceu o pastor Amaury Costa de Oliveira, que há cinco anos acompanha as igrejas perseguidas na Ásia e Oriente Médio e que se interessou pela história de Masih. Ficaram amigos e o pastor brasileiro convidou o paquistanês para trabalhar em seu ministério, na Igreja Presbiteriana da Penha.

"Ele teve uma boa aceitação na igreja. Quando escutam a história dele, as pessoas o acolhem bem. Masih acaba conscientizando os fiéis sobre o que acontece com os cristãos em outros lugares do mundo", disse Oliveira.

Agora, Amauri, em colaboração com a ONG Preparando o Caminho, é um dos responsáveis pela arrecadação de fundos para ajudar o refugiado paquistanês a voltar ao seu país, onde vai buscar sua família. Masih vai passar pelo menos um mês na sua terra natal e reencontrar a mãe. "Ela quer ficar lá, mas pediu para me ver uma última vez".

O pai ele perdeu no ano passado. "O dia que ele faleceu me machucou muito. Você deixa seu pai, ele te dá um abraço e um beijo de despedida, com a promessa de um reencontro em breve. Mas ele não estará mais lá. A perseguição destrói tudo dentro de você."

Quando retornar ao Brasil depois da visita ao Paquistão, Masih vai seguir pregando no templo da Penha e vai morar por um tempo com a família em uma casa de passagem que está sendo construída ao lado da igreja. Dois dos pedreiros são jovens cristãos paquistaneses e também pediram para que o nome não fosse revelado. O sobrenome de um deles pode ser divulgado sem risco — também é Masih.



terça-feira, 19 de maio de 2015

Adolescente paquistanesa luta contra os casamentos infantis


A matéria é da BBC Brasil:

Ativista de 14 anos luta contra casamentos infantis no Paquistão

Mudar a mentalidade e as tradições de uma sociedade conservadora nunca é fácil - principalmente para uma menina.

Mas isso é exatamente o que uma adolescente ativista no vale do Swat, no noroeste do Paquistão, está tentando fazer.

Hadiqa Bashir, de 14 anos, enfrenta o desafio de tentar acabar com o casamento infantil em sua comunidade - onde casamentos do tipo são considerados a norma, e onde meninas podem ser oferecidas para acabar com uma disputa ou para manter terras na família.

A repórter Shaimaa Khalil conversou com ela.




segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Arábia Saudita proíbe casamento com estrangeiras

Matéria da BBC Brasil que vai pra gaveta das notícias esquisitonas:

Arábia Saudita proíbe casamento com estrangeiras de quatro países

O governo da Arábia Saudita ampliou as restrições ao casamento de seus cidadãos com estrangeiras, incluindo uma proibição expressa ao matrimônio com mulheres de quatro países.

Os homens sauditas estão proibidos de se casarem com mulheres nascidas no Paquistão, Bangladesh, Chade e Myanmar e que estejam vivendo na Arábia Saudita. Segundo estatísticas não oficiais, 500 mil mulheres desses países vivem hoje na Arábia Saudita.

A Arábia Saudita possui um dos maiores contingentes de mão de obra estrangeira entre os países do Golfo. São 9 milhões de pessoas – ou 30% da população. A nova medida gerou polêmica em jornais e revistas do Golfo e do Paquistão. Leitores do jornal paquistanês Pakistani Dawn acusaram a Arábia Saudita de racismo.

Já o diário saudita Saudi Gazette questionou o fato de que o novo decreto afetar apenas mulheres desses quatro países.

Divórcio e poligamia

Pelas novas regras, os noivos que quiserem se casar com estrangeiras têm de encaminhar à polícia o documento de identidade original junto com a proposta de casamento assinada pelo prefeito da cidade onde moram. A papelada será então remetida ao governo para apreciação, explicou o chefe de polícia de Mecca, Assaf Al-Qurshi.

Os solicitantes precisam ter idade superior a 25 anos. Caso tenham se divorciado, terão que esperar seis meses antes de um novo casamento, informou o jornal Makkah.

Para homens casados, o requerente "deve incluir um relatório de um hospital federal atestando que sua esposa está sofrendo de uma doença crônica ou é estéril".

Enquanto isso, homens casados com mulheres saudáveis precisam provar que suas esposas autorizam o segundo matrimônio. A Arábia Saudita permite a poligamia - um homem pode ter várias esposas.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A mulher barbada da religião sikh

O sikhismo é uma religião originária da região do Punjab, na fronteira entre Índia e Paquistão, que, talvez por essa, digamos, "conflagração geopolítica", seja constantemente confundida com o hinduísmo ou o islamismo, conforme a visão de quem a observa.

Afinal, apesar da tênue paz intercalada com guerras obtida após a independência dos dois países do imperialismo britânico em 1947, com Mahatma Gandhi à frente, Índia e Paquistão continuam com questões fronteiriças pendentes, o que inclui o Punjab e - sobretudo - a Caxemira.

É nesse contexto religioso e territorial que surgiu o sikhismo, no século XV, consolidado que foi pelo guru Nanak (1469-1539).

Com elementos comuns a ambas as religiões, o sikhismo crê, por exemplo, num Deus único (como os muçulmanos) e em ciclos de reencarnações (como os hindus).

O termo "sikh" significa, em língua punjab, "discípulo forte e tenaz". Seu local de culto mais famoso é o Templo de Ouro de Amritsar ("Harimandir Sahib").



Feitas essas considerações iniciais, chama a atenção a notícia abaixo, publicada no Page Not Found, sobre uma característica curiosa da religião sikh:

Inglesa deixa barba crescer e diz se sentir mais sexy



Harnaam Kaur, de 23 anos, sofre da síndrome do ovário policístico. Por causa disso, pelos são constantes no seu rosto, braços e peito desde os 11 anos.

A condição fez Harnaam ser vítima de bullying na escola e receber até ameaça de morte na internet.

Agora, a mulher de Slough (Inglaterra), decidiu não depilar mais o rosto (fazia duas vezes por semana) já que a religião na qual foi recentemente batizada - sikh - proíbe que as mulheres retirem quaisquer pelos.

"Jamais retirarei os meus pelos porque Deus me fez assim, e estou feliz com a forma como estou. Agora eu me sinto mais feminina, mais sexy, e acho mesmo que aparento isso também", disse ela à Barcroft Media.

A decisão de se expor publicamente com pelos não agradou aos pais de Harnaam.

"Eles temem que eu não consiga arrumar casamento", comentou a inglesa, que trabalha como assistente de professora em escola primária.



domingo, 20 de outubro de 2013

Malala não tem medo de morrer

Quando tinha 15 anos de idade, um ano atrás, Malala Yousafzai, esta linda moça da foto ao lado, foi baleada no ônibus escolar do povoado em que vivia, na fronteira do Paquistão com o Afeganistão.

Seu crime? Lutar pelo direito das meninas paquistanesas em ter pleno e livre acesso à educação.

Um "crime" cuja pena é a morte, segundo os fanáticos seguidores do Taleban, milícia afegã que opera clandestinamente na região. 

Recuperada do atentado, tratada e refugiada na Grã-Bretanha, ela agora quer continuar sua campanha pela valorização da mulher no seu país.

O fato de ser uma menina-mulher-guerreira não a impede de ser fã do futebol brasileiro.

Confira na matéria publicada pelo Estadão em 13/10/13:

‘Jà tive medo de morrer. Agora não tenho mais’

Malala Yousafzai diz querer ganhar o Nobel 'no futuro' e afirma que adora o futebol brasileiro

TANIA MENAI

Como boa paquistanesa, ela ama o futebol brasileiro. E como toda menina de 16 anos, adora escutar Justin Bieber e Selena Gomez. Também não perde um capítulo de Ugly Betty e faz questão de contar que levanta a voz para os irmãos. Esse é o lado menina da ativista Malala Yousafzai.

Na quinta-feira, ela concedeu, ao lado de seu pai, Ziauddin Yousafzai, uma entrevista à apresentadora da CNN Christiane Amanpour perante uma plateia de centenas de convidados, na instituição cultural judaica 92Y, em Manhattan. Simpática, Malala divertiu o público, mas também arrancou lágrimas ao declarar que pretende ser a primeira-ministra do Paquistão. O evento foi aberto com o discurso de Samantha Power, a embaixadora americana para as Nações Unidas, que ressaltou o status de celebridade que Malala tem hoje - mas não uma celebridade de reality show. "O reality show dela é bem diferente", disse Power, ao dar um breve panorama da vida de crianças paquistanesas.

A entrevista será televisionada hoje, às 20 horas, horário de Brasília, pela CNN International, como parte do documentário The Bravest Girl in the World. Ao mesmo tempo, o evento comemorou o lançamento de sua biografia, I am Malala, cuja página oficial no Facebook tem mais de 25 mil seguidores. Essa foi sua primeira visita a Nova York, cidade que ela definiu como uma "Karachi desenvolvida". "Tem muito tráfego e muita gente buzinando a toda hora. Na Grã-Bretanha não é assim - lá só há silêncio", disse ela, que vive há um ano em Birmingham e foi convidada a visitar, em breve, a rainha Elizabeth no Palácio de Buckingham.

Talvez isso seja um pouco demais para uma menina que nasceu no distrito pashtun de Swat, de 1.250 habitantes, perto da fronteira com o Afeganistão, e há pouco tempo fazia feira com a mãe - analfabeta. "Minha mãe pedia para eu cobrir o rosto, porque os meninos estavam me olhando. E eu falava: 'Mas eu também estou olhando para eles, mamãe!'".

A semana passada marcou o aniversário de um ano do atentado, ocorrido em 9 de outubro de 2012, que quase lhe tirou a vida. Ao voltar para casa em um ônibus escolar, Malala levou um tiro na cabeça que a deixou em coma por sete dias. "Não lembro de nada daquele dia. Mas me recordo que estávamos preocupadas, comparando as nossas notas de um teste, quando dois meninos entraram no ônibus. Um foi falar com o motorista. O outro estava muito perto de mim e gritou: 'Quem é Malala?'. Quando descobriu, disparou dois tiros e um deles pegou do lado esquerdo da minha cabeça. A bala desceu pelo ombro e afetou também a minha audição. É um milagre eu estar viva", disse Malala, que usa vocabulário adulto e fala de forma articulada.

"Durante o coma, eu sonhava com aquele ônibus. Queria falar, mas não conseguia", recordou. "Quando acordei, estava com um tubo na minha garganta. Notei que eu não estava no Paquistão, porque lá só se falava inglês. Aí, pedi um papel e escrevi: 'Onde está o meu pai e a minha mãe?'. Disseram-me que meu pai chegaria em breve. Então logo pensei: 'Ele deve estar se endividando, pedindo dinheiro emprestado para pagar tudo isso. Será que ele deve estar vendendo aquele terreno que ele tem? Mas é apenas um terreninho, o dinheiro jamais vai pagar a conta deste hospital'."

A declaração arrancou risadas da plateia, mas um ano depois do atentado, Malala não tem mais que se preocupar com contas a pagar. Hoje ela é um fenômeno de mídia, coleciona condecorações, como o Prêmio Humanitário de Harvard e da Anistia Internacional, além de ter uma fundação em prol da educação com seu nome, a Malala Fund. Sua passagem pelos EUA foi documentada pelos mais importantes entrevistadores da televisão e a fila para o evento da CNN dava voltas no quarteirão, seguindo regras rígidas de segurança, como não levar bolsa.

Malala tem sido constantemente ameaçada de morte pelo Taleban, mas, pelo menos em discurso, ela diz que isso não a afeta. "Eles não me ameaçam - eles apenas me dão uma lembradinha. Eu já tive medo de morrer, agora não tenho mais. Um tiro pode até afetar o meu corpo. Mas não os meus sonhos", afirmou. "Ninguém imaginava que eu seria um alvo do Taleban. Pensávamos que eles iriam atrás do meu pai. Eu achava que eles teriam um pouco de 'bons modos' e não atacariam crianças diretamente, algo que eles normalmente não fazem", disse Malala, que tem um irmão mais velho e um mais novo.

Seu pai, um poeta, professor e ativista na área de educação, revelou que, mesmo depois do atentado, não se arrependeu de ter incentivado a filha, desde pequena, a ser porta-voz das meninas de seu país, onde apenas uma em cada cinco vai para a escola. Ele mesmo criou um colégio, em 1994, com quatro alunos e, hoje, soma 1,1 mil estudantes.

"Normalmente é uma vergonha em nossa cultura ter filhas. Mas eu nunca pensei assim", disse Ziauddin Yousafzai. "Quando me perguntam o que eu fiz pela minha filha, eu falo o que eu deixei de fazer: deixei de cortar suas asas", declarou ao Estado. "Não só o governo tem de dar escola, mas a sociedade tem de querer."

Ao receber alguns convidados em coquetel após a entrevista, Malala foi saudada por meninas da sua idade, executivos da editora que publicou seu livro e recebeu presentes. Ali, disse efusivamente ao Estado: "Adoro o futebol brasileiro".

Malala cumprimenta, escuta mais do que fala e olha nos olhos, sempre sob a supervisão dos responsáveis por sua biografia. A jovem ativista só perde o bom humor quando fala de mão de obra infantil e, principalmente, casamento infantil - situações que provocam evasão escolar. "Uma das minhas melhores amigas, Sara, sumiu da escola. Dois anos mais tarde, ela me ligou dizendo que foi obrigada a se casar com um homem muito mais velho. Hoje, ela tem a minha idade e dois filhos. Vocês podem imaginar?"

Malala acredita ainda ser muito jovem para ganhar o Prêmio Nobel. Ela diz que pretende colocar muita gente na escola e, aí sim, merecer o prêmio. "Quando eu era pequena, eu queria ser médica, porque era o que todas as meninas da minha classe diziam. Mas se eu for política, posso cuidar de muito mais gente."



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Como juntar música gospel e islâmica

Música gospel, no caso, é aquela autêntica, no melhor estilo norteamericano. Por "música islâmica" aqui se entende o qawwali, ritmo típico da escola sufista do Paquistão e das regiões muçulmanas da Índia. Dessa surpreendente fusão de culturas e religiões surge uma belíssima canção, "Amen-Amin", executada pelo grupo gospel Holy Ecstasy e pelo músico paquistanês Faiz Ali Faiz, que merece ser conferida no vídeo abaixo:



Faiz Ali Faiz é craque em fazer essas fusões inesperadas, como acontece no caso da apresentação abaixo, em que junta qawwali ao flamenco, sempre lembrando que a Península Ibérica foi por muitos séculos território islâmico, com forte influência no ritmo sevilhano. Neste caso, acompanham o músico paquistanês os espanhóis Juan "Duguende" Cortes, Miguel Poveda e Juan "Chicuelo" Gomes, executando "Allah Huu". Delicie-se:





sábado, 19 de novembro de 2011

Jesus não tem celular no Paquistão

Parece que a liberdade de expressão está cada vez mais ameaçada no mundo inteiro, especialmente nos países muçulmanos. A agência reguladora das telecomunicações no Paquistão (a "ANATEL" deles) proibiu a veiculação de várias palavras e expressões através dos "torpedos" (SMS), entre elas "Jesus Cristo", considerando-as "obscenidades" que os olhos dos paquistaneses não podem mais ler. Se a moda pega, não vai demorar muito para darem um jeito de censurar pensamentos também. Ou os próprios muçulmanos combatem o extremismo religioso, os excessos e as ameaças à liberdade nos seus países, ou o futuro do mundo se anuncia - desde já - tenebroso. A assustadora notícia vem do caderno Link do Estadão:

Paquistão proíbe termos ‘obscenos’ em SMS

Operadoras do país terão de bloquear mensagens de texto com palavras de conteúdo sexual, xingamentos e até ‘Jesus Cristo’

ISLAMABAD – Quem manda mensagem de texto no Paquistão vai precisar moderar suas palavras. A agência de telecomunicações do país enviou uma carta às operadoras de celular ordenando o bloqueio de mensagens de texto (SMS) contendo o que a agência considera serem obscenidades, disse a porta-voz da operadora Telenor Pakistan, Anjum Nida Rahman, nesta sexta-feira, 18. A agência também enviou uma lista de 1.500 palavras em inglês e urdu que deverão ser bloqueadas pelas operadoras.

A ordem faz parte de uma tentativa da agência reguladora de bloquear mensagens de spam enviadas aos celulares, disse Rahman. A Autoridade de Telecomunicações do Paquistão se recusou a comentar a iniciativa.

Muitas das palavras que serão bloqueadas são termos sexualmente explícitos e xingamentos, de acordo com uma cópia da lista obtida pela agência de notícias Associated Press. Ela também inclui termos relativamente mais brandos, como “soltar pum” e “idiota”.

Mas as razões para bloquear algumas palavras, incluindo “Jesus Cristo”, “faróis dianteiros” e “absorvente”, eram menos claras, levantando questões sobre liberdade religiosa e praticidade. Qualquer palavra pode fazer parte de uma mensagem de spam.

A carta, que também foi obtida pela AP, tem data de 14 de novembro e dá às empresas sete dias para garantir o cumprimento.

Rahman, porta-voz da Telenor, disse que a empresa recebeu a carta na quinta-feira, 17, e estava discutindo como proceder. ”É uma grande questão, então está sendo examinada com cuidado por todos os pontos de vista”, disse Rahman.

A carta diz que a ordem era baseada em uma lei de 1996 que impede que as pessoas enviem informações “falsas, fabricadas, indecentes ou obscenas” por meio de sistemas de telecomunicações.

Ela também diz que a liberdade de expressão pode ser restringida “pelo interesse da glória do Islã”.

Sob pressão de islamitas, o Paquistão já bloqueou sites de conteúdo pornográfico e páginas consideradas anti-islâmicas. No ano passado, o país baniu temporariamente o acesso ao Facebook por causa de conteúdo considerado ofensivo ao Islã.



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Paquistão já tem ateus organizados

Quem diria que já existe um grupo organizado de ateus no Paquistão? Pois é, o país é muito mais conhecido pelos seus extremistas islâmicos, afinal foi lá que Bin Laden se refugiou e foi morto pelas tropas americanas, além dos constantes conflitos com a Índia por causa do histórico confronto entre hindus e muçulmanos. Agora, entretanto, o Pakistani Atheists and Agnostics (PAA - algo como "Ateus e Agnósticos Paquistaneses") quer mostrar ao mundo e - principalmente - aos seus compatriotas que existe a possibilidade de se declarar e viver como ateu ou agnóstico no seu próprio país. Apesar da aparente coragem em lançar um website ateu num país tão afetado pelo radicalismo religioso, o grupo diz que o projeto foi gestado lentamente, testando inclusive o site por alguns dias até que o lançamento se deu no último dia 14 de agosto, resultado das dúvidas e expectativas de vários ateus e agnósticos paquistaneses a respeito de sua capacidade em se organizar publicamente como uma alternativa para os conterrâneos que não encontram respaldo para seu estilo de vida, digamos, não-religioso. A proposta do PAA, segundo eles próprios definem, é a seguinte:
Primeiramente, nós iremos consertar a imagem enferrujada de pessoas sem fé entre os paquistaneses em geral. No passado, os ateus paquistaneses criticaram o Islã mais em função do seu ódio do que tentar ajudar os muçulmanos a encontrarem os grandes buracos na sua religião. A maioria dos paquistaneses pensa que nós somos imaturos, preconceituosos e rudes. É tempo de mostrarmos a eles a beleza de como as coisas funcionam no nosso mundo sem fé.
Em segundo lugar, nós temos como objetivo nos contrapormos ao inegável preconceito negativo sobre o Paquistão na mídia internacional. Nós contaremos a eles coisas que eles nunca mostram sobre o Paquistão, mas que são uma parte integral de nós. Ao mesmo tempo, nós ajudaremos os ateus paquistaneses, que têm sido envolvidos neste preconceito internacional, a combater a sua crise de identidade e mostrar ao mundo como o Paquistão é parte do seu sangue.
Em terceiro lugar, tentaremos interagir com a sociedade paquistanesa o máximo possível e ao mesmo tempo estudar o seu comportamento e seus padrões de pensamento em termos científicos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Muçulmanos paquistaneses pedem perdão por massacre de cristãos

A notícia é da agência católica Zenit:

“Mea culpa” de muçulmanos pelo ocorrido em Gojra

Ações de fanáticos são consideradas “contrárias ao espírito do Islã”

GOJRA, quinta-feira, 18 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Dois anos depois dos trágicos acontecimentos ocorridos em Gojra, no Paquistão, que, na noite de 30 de julho de 2009, afetaram a comunidade local cristã, dois líderes religiosos islâmicos pediram perdão publicamente por “uma das piores manifestações do ódio aos cristãos no Paquistão”.

O pedido de perdão aconteceu durante um encontro depois de uma Missa em sufrágio pelas vítimas, presidida pelo arcebispo de Faisalabad, Dom Joseph Coutts.

O diretor de uma escola islâmica da região, Israr Bihar Shah, e o chefe de uma mesquita próxima, Hafiz Abbul Haui, acusaram explicitamente os “fanáticos” como responsáveis pelo ocorrido e condenaram suas ações como “contrárias ao espírito do Islã”.

O chefe da polícia já havia entoado o mea culpa em 2010; as forças da ordem foram acusadas, de fato, de não terem intervindo de forma alguma para frear a violência.

Há dois anos, uma multidão de 3 mil muçulmanos invadiu o bairro cristão de Gojra, cidade do Punjab paquistanês. Incendiaram duas igrejas (que Ajuda à Igreja que Sofre [AIS] está ajudando a reconstruir) e mais de 150 edifícios.

No grande incêndio, 8 pessoas morreram queimadas – entre elas, 4 mulheres e uma criança de 7 anos – e outras 20 ficaram gravemente feridas.

A origem da violência foi a acusação de alguns líderes religiosos islâmicos a três cristãos – Mukhtar Masih, Talib Masih e Imran Masih –, culpados, segundo eles, de ter queimado algumas páginas do Alcorão.

Esta ação, aplicando a infame lei antiblasfêmia paquistanesa, prevê a cadeia perpétua.

Em defesa dos três homens se declarou, imediatamente, o então ministro para as minorias, Shahbaz Bhatti – assassinado em um atentado em 2 de março de 2011 – que sustentava firmemente sua inocência.

“São afirmações de importância extraordinária”, declarou a AIS o diretor da Comissão para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso de Faisalabad, Pe. Aftab James Paul.

Falando com AIS, o sacerdote destacou que os dois líderes islâmicos, ainda que não tenham estado envolvidos no ataque de 2009, tiveram a coragem de pedir perdão em nome da sua comunidade por todo o ocorrido.

“Pronunciaram frase muito importantes – acrescentou –, afirmando que a religião islâmica não aceita, de forma alguma, o homicídio e que os culpados por tais ações não compreendem o verdadeiro espírito do Islã.”

O Pe. Aftab acrescentou que, ainda que sejam declarações não-oficiais realizadas no final do encontro, as palavras dos dois líderes religiosos são duplamente preciosas, porque essas duas pessoas são muito conhecidas na comunidade e dessa forma “influenciarão os demais fiéis”.

sábado, 14 de maio de 2011

Advogado brasileiro é preso por perturbar muçulmanos no Paquistão

A gente tá tão quietinho aqui no nosso canto no fim do mundo Sul, onde o vento faz a curva, e vai um brasileiro lá do outro lado do mundo, onde a chapa tá cada dia mais quente, invadir uma mesquita do Paquistão para provocar muçulmanos, segundo noticia a Folha, que acrescenta que o indivíduo em questão teria "problemas mentais". Se esta é a situação dele, será que não dava para fazer "turismo" em lugares mais aprazíveis e menos conturbados? Confira:

Brasileiro é preso em Islamabad após perturbar orações

IGOR GIELOW
ENVIADO ESPECIAL A ISLAMABAD


O advogado brasileiro Rodrigo Moreto foi preso na tarde de sexta-feira na principal mesquita do Paquistão, a Faisal, por perturbar as tradicionais orações que acontecem naquele dia.

Além disso, Moreto estava com o visto vencido e disse ter visitado as cidades de Quetta (Baluquistão) e Peshawar ("capital" das áreas tribais do país). Como são cidades cheias de extremistas islâmicos, isso levantou a suspeita da polícia, que afirmou que irá investigar seu itinerário.

Moreto, de cerca de 30 anos, tentou entrar na área reservada a muçulmanos na mesquita. Gritou palavras sobre a Virgem Maria --na sexta foi comemorado o dia de Nossa Senhora de Fátima.

Isso é ofensa gravíssima neste país, em que há leis severas para o que é considerado blasfêmia. "Aparentemente o rapaz tem problema mentais. Falamos com ele e a família, que confirmaram a condição. Ele sabe que errou, e creio que teremos esse problema resolvido rapidamente", afirmou o embaixador brasileiro no Paquistão, Alfredo Leoni.

Moreto está preso em um quarto na sede da polícia local de Islamabad, com cama e ar-condicionado. Está sendo tratado bem, segundo Leoni. Ele estava hospedado no hotel Pearl Continental de Rawalpindi, junto a Islamabad, e viajava pelo país havia cerca de três semanas.

Segundo Leoni, o incidente é inédito, e a polícia paquistanesa pediu um tempo para averiguar exatamente se Moreto esteve em Quetta e Peshawar e, afinal, o que fez por lá.

A família do rapaz disse que ele trabalha para o Banco do Brasil, mas Leoni não tinha como confirmar as informações ontem. Sua intenção era liberar Moreto e colocá-lo no primeiro voo disponível de volta ao Brasil --o que aconteceria, se tudo desse certo, na madrugada de domingo (começo da noite de sábado no Brasil).

Há hoje apenas 33 brasileiros no Paquistão, que tem mais de 180 milhões de pessoas. Cinco deles trabalham na Embaixada do Brasil.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

EUA dizem ter encontrado farta pornografia no refúgio de Bin Laden

O terrorista não está mais aí pra se defender, agora podem acusá-lo de qualquer coisa (também com o "currículo" dele...), mas a notícia vem da TVi24 de Portugal:

Encontrada pornografia na casa de Bin Laden

Não se sabe se pertenceria pessoalmente ao líder da Al Qaeda

Foi encontrada uma grande quantidade de material pornográfico na casa em que o líder da Al Qaeda se escondia no Paquistão. A revelação é feita pela agência Reuters, que cita antigos e actuais responsáveis dos EUA.

Segundo estas fontes, que pediram para não serem identificadas, as tropas especiais norte-americanas recolheram na casa de Bin Laden, em Abbottabad, pornografia vídeo em suporte electrónico.

Estes responsáveis disseram à agência noticiosa não saber precisar em que parte do complexo é que este material se encontrava, nem se pertenceria, pessoalmente, a Bin Laden, ou mesmo se o líder terrorista saberia da sua existência.

Apesar de a casa não estar ligada à Internet, nem a outro tipo de comunicações, os militares encontraram vários discos de armazenamento digital e outro material informático.

Num vídeo divulgado pela administração norte-americana também foi possível observar Bin Laden a assistir a imagens numa televisão, que teriam sido previamente gravadas.

A Reuters salienta ainda que, três das fontes contactadas, indicaram que não é invulgar encontrar material pornográfico neste tipo de operações que visam militantes islâmicos.

sábado, 7 de maio de 2011

Os vídeos caseiros de Bin Laden

Notícia do UOL e vídeo do UOL Mais:

EUA revelam vídeos caseiros de Bin Laden recolhidos de seu esconderijo

O Pentágono revelou neste sábado cinco vídeos caseiros de Osama bin Laden. Nos vídeos, o líder da Al Qaeda aparece no seu esconderijo, provavelmente na casa em Abbottabad, no Paquistão, no que parece um ensaio de discursos propagandísticos com diferentes atuações e revisões diante da câmera.

Os vídeos foram exibidos a um grupo de jornalistas no Pentágono, em Washington, e são parte de material obtido pela operação militar americano que matou Bin Laden.

Em um desses vídeos, o Bin Laden aparece sentado em uma cadeira e segurando um controle remoto da TV. Segundo a BBC, a barba do líder da Al Qaeda parece muito mais grisalha neste vídeo do que nos vídeos de propaganda da rede extremista.

Outro vídeo, filmado entre outubro e novembro de 2010, Bin Laden é mostrado usando uma espécie de pequeno chapéu branco e uma túnica branca, enquanto fala diretamente para a câmera, no mesmo estilo dos pronunciamentos em vídeo anteriores do líder da rede extremista.

Não há som no vídeo, mas autoridades do Pentágono afirmam que se tratava de uma mensagem de Bin Laden para os Estados Unidos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vizinhos católicos de Bin Laden temem por suas vidas

Um detalhe que passou desapercebido na operação militar que terminou com a morte de Osama Bin Laden em Abbottabad, no Paquistão, foi o fato de que naquela cidade há cerca de 150 paquistaneses que professam a fé católica. Este número reduzido de cristãos em meio a uma multidão de muçulmanos revoltados pela morte de um ícone (ainda que controvertido) do Islã gera temores de retaliação, segundo declarou à UCA News (reproduzida pela Aciprensa, agência católica de notícias em espanhol) o padre Akram Javed Gill, da paróquia local de São Pedro Canisio.

Depois que o presidente norteamericano Barack Obama anunciou ao mundo a morte de Bin Laden, no último domingo à noite, o pároco teve que suspender suas visitas pastorais aos poucos lares católicos de Abbottabad, bem como todos os demais serviços religiosos, inclusive para as próximas festividades do calendário da igreja, na qual quatro policiais paquistaneses estão em alerta máximo para proteger a minoria cristã da cidade.

O padre Akram está a cargo dessa paróquia desde 2007, e vai se reunir com os representantes das outras 4 denominações cristãs presentes naquela região para formularem uma estratégia conjunta de sobrevivência e convivência diante da nova realidade que passaram a enfrentar, agora que Abbottabad ficou mundialmente conhecida como o esconderijo em que morreu o terrorista mais procurado da história. Ainda segundo o sacerdote católico, "é crucial manter a paz para as comunidades minoritárias dispersas nessa zona. Podemos mudar o lugar de reunião no último momento para evitar a filtragem da informação do nosso encontro em um ambiente de tanta tensão".

Padre Akram, que também dirige a única escola católica da cidade, onde estudam cerca de 200 crianças (na maioria, muçulmanos) acrescentou, ainda, que viu o dia do assalto militar ao esconderijo de Bin Laden: "Nunca vi helicópteros voando tão baixo. Ninguém sabia o que estava acontecendo e num primeiro momento pensamos que se tratava de um exercício militar". Falou ainda da necessidade que teve de construir muros altos no complexo paroquial, em 2009, depois que os muçulmanos se opuseram à colocação de uma estátua da Virgem Maria numa gruta do terreno, além de ter sido "convidado" pelas autoridades locais a queimar vários folhetos que promoviam a devoção mariana entre os católicos de Abbottabad.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Obama mata Osama


Osama Bin Laden foi morto na noite passada, segundo informou o presidente norteamericano Barack Obama, conforme a notícia abaixo do site Terra. Um foto do que seria o cadáver de Bin Laden já começou a circular, embora tenha sido desautorizada por já estar circulando na internet há um bom tempo, e se noticia também que seu corpo teria sido atirado ao mar. Confira:

"A justiça foi feita", 
diz Obama ao anunciar 
morte de Bin Laden

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um pronunciamento na noite de domingo (madrugada desta segunda-feira no Brasil) em que confirmou a morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden. Ele disse que "a justiça foi feita", ao anunciar que as forças americanas mataram o terrorista em uma operação ocorrida em uma mansão, localizada na cidade de Abbottabad, perto de Islamabad, capital do Paquistão. "Foi um trabalho muito duro, muitas famílias tiveram que pagar um preço alto, mas esta noite elas viram o resultado", disse. "Matar Osama bin Laden passou a ser nosso passo número um e, depois de anos de trabalho, conseguimos".

Obama disse que, antes de agir, comunicou o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, que Bin Laden havia sido localizado em um complexo e que os EUA iriam agir. "Ligamos para o presidente paquistanês para deixar claro que não estávamos declarando guerra ao governo", disse. "Os EUA não estão nem nunca estarão contra o Islã, mas contra a Al-Qaeda e seus líderes", afirmou. O presidente americano disse também que a operação esteve sob o seu comando. "Hoje, sob a minha direção, os militares lançaram operação contra esse complexo", disse, enfatizando que todo cuidado foi tomado para se evitar a morte de civis. "Esses homens mataram Osama bin Laden", declarou.

Obama disse que Bin Laden foi um símbolo da Al-Qaeda e que sua morte marca o primeiro e maior passo para a derrota do grupo terrorista. Ele afirmou que os EUA permanecerão vigilantes interna e externamente contra possíveis ataques que possam ocorrer por conta da morte anunciada e conclamou os americanos a "voltar ao sentimento de união que prevaleceu depois dos ataques" de 11 de setembro de 2001. Ao finalizar, Obama disse que valeram os esforços para tornar o mundo melhor e que os EUA vão sempre defender a justiça e a liberdade para todos.

Obama iniciou seu pronunciamento à nação às 23h30 (horário local). Cerca de 30 minutos mais cedo, havia começado a circular em canais de notícias norte-americanos, como CNN, CBS e NBC, a informação de que Osama bin Laden havia sido morto numa ação no Paquistão, nas proximidades das capital Islamabad. O corpo, segundo informavam as emissoras, teria sido identificado e estaria sob posse das forças norte-americanas atuantes na região.

A morte de Bin Laden representa, até agora, o ápice da chamada "guerra contra o terror", iniciada em 2001, depois que a Al-Qaeda, sob seu comando, coordenou os ataques ao World Trade Center. A queda das Torres Gêmeas, somada às aproximadamente três mil mortes envolvidas, pôs os Estados Unidos, então governados pelo presidente George W. Bush, numa campanha de exermínio do terror. O resultado imediato foi a invasão do Afeganistão, ainda em 2001, país em que as tropas americanas permanecem até hoje.



Abaixo, o vídeo do pronunciamento de Barack Obama:





Abaixo, o vídeo do esconderijo de Bin Laden em Abbottabad, filmado hoje pelo seu vizinho, o consultor de informática paquistanês Sohaib Athar, que - sem saber - tuitou em tempo real a operação desencadeada pelas forças norteamericanas, através do seu twitter Really Virtual, e se tornou uma celebridade mundial instantânea:







Há algo curioso, entretanto. No último dia 26 de abril, segundo indica a data do post, o site Defence Talk informava que a organização terrorista Al Qaeda prometia uma catástrofe nuclear ("a nuclear hellstorm") se o seu líder Bin Laden fosse preso ou morto. Esta retaliação dos asseclas de Osama teria sido revelada em (mais) um vazamento do Wikileaks, reproduzindo declarações de um dos cabeças da Al Qaeda, Khalid Sheikh Mohammed durante interrogatórios na base militar de Guantanamo, em Cuba, apontando ainda vários outros possíveis alvos de operações do terror. Haveria, segundo ele, uma bomba nuclear escondida em algum lugar da Europa, prestes a ser detonada em reação a qualquer iniciativa contra Bin Laden. Espera-se, obviamente, que tudo tenha ficado apenas na bravata de um prisioneiro impotente diante de seus guardas, mas não deixa de ser estranho que esta notícia tenha sido vazada apenas alguns dias antes da morte de Osama Bin Laden.



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