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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Saiu da igreja e foi conversar com um mendigo. Era seu irmão que ele não via desde menino.


Coincidência? A história inusitada foi contada pela BBC Brasil:

Britânico conversa com morador de rua e descobre irmão que não via desde bebê

O soldado britânico reformado Roy Aspinall saía de uma igreja em Wigan, na região metropolitana de Manchester, no Reino Unido, no último dia 12 de novembro quando viu um morador de rua sentado ali. "Ele parecia muito, muito familiar. Seus traços faciais eram como os meus", disse Roy à BBC.

O homem era Billy White, até então um sem-teto que circulava pelas ruas desta cidade no norte da Inglaterra. "Estava ali para me sentar um pouco antes de achar um local para dormir", disse Billy.

Roy aproximou-se do desconhecido e ofereceu um cigarro a ele. "Ele começou a me perguntar várias coisas: qual era meu nome, quem era minha irmã... Então, ele disse: 'Sou Roy Aspinall. Sua mãe é a minha mãe, e sou seu irmão".

Roy, de 36 anos, cresceu sem conhecer todos seus irmãos e não via Billy há mais de 20 anos. Billy, de 28 anos, sabia que tinha um irmão mais velho, mas pensava não ter como encontrá-lo. Depois do encontro inesperado, os dois compararam suas certidões de nascimento. "Mesma mãe, mesmo sobrenome e mesmo endereço", disse Roy.

Ele disse ter "ficado muito emocionado" quando percebeu o acaso: "Liguei para a minha irmã e, quando vimos quem Billy era, eu estava em lágrimas". Billy também se emocionou com o encontro. "Não dá para explicar o sentimento. É louco. Ainda estou em choque. Minha mãe sempre falou de Roy", contou.

Roy disse que conhecer seu irmão o fez se sentir completo. "Era como se houvesse um quebra-cabeça gigantesco, mas eu não conseguia achar a última peça e, agora, parece que encontrei".

Vida nova

Os dois irmãos dizem ter estabelecido uma conexão profunda entre si. "Sinto como se nunca tivéssemos nos separado. Ver meus traços faciais no rosto de outra pessoa é algo que eu nunca havia experimentado antes", disse Roy, que se lembra de ter visto Billy pela última vez quando o irmão ainda era um bebê, na casa de um parente.

"Dizer 'eu tenho um irmão', usar essas palavras, é tão estranho. Mas é um sentimento muito novo para mim –de alegria, não de tristeza".

Os dois são filhos de Lorraine White, mas, por questões de família, Roy foi criado por sua tia. Anos mais tarde, Lorraine teve Billy e cuidou dele até seus 10 anos de idade, quando o menino foi entregue aos cuidados do serviço social britânico.

Ele passou três períodos de sua vida morando na rua. O mais recente durou oito meses e acabou quando houve o encontro entre os irmãos. Agora, Billy não vive mais nas ruas. Pouco antes do Natal, passou a morar na casa de Roy a convite do irmão, que tem seis filhos.

Também conseguiu um emprego como assistente de motorista de uma empresa de logística. "A minha vida mudou quando Roy me encontrou. Hoje, ele cuida de mim como um irmão mais velho", disse.

Os irmãos ainda estão se familiarizando um com o outro. "Percebemos que temos tantas coisas em comum", disse Billy.

"Pensava ser o único na família que bebe café. Mas, quando perguntei o que ele queria beber, ele disse café com leite e dois cubos de açúcar, que é exatamente igual a mim. Ambos temos covinhas. Não paramos de conversar o tempo todo. Mas agora temos o resto das nossas vidas para nos conhecermos."



sábado, 12 de agosto de 2017

A religiosidade brasileira e sua "fé de conveniência"

Interessante análise do jornalista britânico Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil (e talvez o mais brasileiro dos ingleses), sobre a religiosidade nacional (de lá e - principalmente - de cá), não por acaso publicada na BBC Brasil, como era de se imaginar:

Tim Vickery: A religiosidade brasileira muitas vezes é fé de conveniência

Estou sozinho agora na casa da minha mãe, nos arredores de Londres, porque ela foi à igreja - ela faz parte de uma minoria da sociedade britânica, de talvez 5%, que ainda tem o hábito de ir ao culto.

E essa fatia minúscula não é de fanáticos. Uma vez, numa visita anterior, eu (que não tenho nenhum sentimento religioso) comentei que não consigo ver a ligação entre a morte de Jesus Cristo e nossos pecados.

"Estranho", respondeu a minha mãe. "O meu pastor falou exatamente a mesma coisa na semana passada."

Trata-se de uma doutrina fundamental de qualquer religião cristã, mas até um empregado da Igreja Anglicana não acredita nele. A igreja dele tem pouco a ver com religião, mais a ver com uma missão vaga de ser "um bom sujeito".

Tudo isso, claro, nada mais é do que uma consequência do recuo da fé cega a partir do Iluminismo, no século 16, e a descoberta de que a Terra gira ao redor do Sol. Por que acreditar naqueles que afirmavam o contrário?

Uma pesquisa recente aponta que somente 28% da população britânica acredita em Deus ou em qualquer poder espiritual, ante 38% totalmente sem tal fé. Me lembra bem a minha época na escola, quando uma sessão de zombaria da professora sempre começava com a pergunta "Senhora, você acredita em Deus?"

Como a situação é diferente nas Américas! Nos Estados Unidos, por volta de 60% da população vai para a igreja. E, no Brasil, não acreditar em Deus é inconcebível para muitos.

As minhas enteadas ficavam tão fascinadas com o assunto que cada vez que alguém me visitava da Inglaterra isso sempre era a primeira pergunta que tinha que traduzir.

Uma vez a resposta a respeito de religiosidade foi "Não, não tenho nenhuma tolerância para superstições medievais", frase que foi um desafio e tanto para suas mentes então pré-adolescentes.

Mas - e estou ciente de estar entrando em uma generalização vasta e vulgar - se a crença na existência de Deus é quase total no Brasil, a fé, em muitos casos, parece bastante rasa.

Quando vejo políticos corruptos dando benção para dinheiro ilegal, ou jogadores de futebol louvando depois de cavar um pênalti, fico com a sensação de que a religiosidade brasileira, com frequência, trata-se de uma fé de conveniência.

É menos um código que determina como viver a vida e mais um recurso que se pega ou se larga conforme as circunstâncias.

Pode ser que seja uma extensão da tara brasileira por parentesco fictício. A figura do pai ausente é muito importante numa terra de padrinhos, onde o personagem político de mais destaque na formação do país, Getúlio Vargas, cultivava um tipo de fascismo benigno do tio universal.

É bastante factível que vários brasileiros imaginem Deus como uma espécie de Vargas celestial, bonzinho e indulgente.

Vargas também desempenhou um papel importante no desenvolvimento da religião no Brasil, e não me refiro à aproximação com a Igreja Católica que leva à estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Muito mais importante é a urbanização do país que ele promoveu.

O interessante aqui é que, no exemplo inglês, o crescimento das cidades foi um fator significativo no declínio da religião.

No caso da minha mãe, por exemplo, ela é uma mulher do interior que cresceu com o hábito de ir à igreja e nunca o perdeu. Mas não é de hoje que as igrejas nas cidades vivem vazias - na verdade, nunca encheram. A mudança para uma vida urbana acabou cortando a prática de ir à igreja.

No Brasil, entretanto, o que mais se vê na periferia das cidades são igrejas - só que nesse caso a Igreja Católica tradicional perdeu, mas as evangélicas novas ganharam espaço.

E seu público, em grande parte, são os migrantes internos, que trocaram a vida do campo pelas oportunidades da cidade grande - e também as suas complexidades, problemas a ameaças.

Nesse ambiente novo, complexo e confuso, as igrejas evangélicas não somente oferecem o conforto espiritual da fé, mas também uma rede de apoio social.

Nesse cenário, não é somente a ausência da figura paternal que impulsionou o crescimento da religião, mas também a ausência do Estado.

*Tim Vickery é colunista da BBC Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick.



quinta-feira, 6 de julho de 2017

Teria sido um bispo inglês medieval o primeiro a ensinar o "big bang"?


A matéria é da BBC Brasil:

Como um bispo medieval adiantou a teoria do Big Bang no século 13

O livro bíblico do Gênesis, no capítulo 1, versículo 3, conta: "E Deus disse: faça-se a luz! E a luz foi feita".

Mas esse foi apenas o começo da criação do universo. Isso, de acordo com a Bíblia, é o que Deus fez depois da luz:

"E disse Deus: Haja luzeiros no firmamento do céu para dividir o dia e a noite, e para sinais e para estações, e para dias e anos;
e sirvam de luminares no firmamento do céu para alumiar a terra. E assim foi.
E fez Deus os dois grandes luminares, o luminar maior para governar o dia e a luz menor para governar a noite; fez também as estrelas.
E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra, e para governar o dia e a noite, e para separar a luz das trevas. E Deus viu que isso era bom."

No século 13, um estudioso inglês da ordem dos franciscanos mergulhou nesse tema.

Robert Grosseteste trabalhou em um dos grandes centros de aprendizagem em Oxford, local que as pessoas já tinham começado a chamar de "faculdade".

Para Grosseteste, tudo tinha a ver com a luz, até o ato divino primordial da própria criação.

Mas como exatamente Deus fez a criação?

A resposta do religioso foi a primeira tentativa de descrever os céus e a Terra usando um conjunto de leis.

Do ponto de vista de Grosseteste, tudo começou com a luz e a matéria explodindo a partir de um centro: uma versão medieval do Big Bang.

Sua história mostrou como a fé em princípios científicos, combinada com a crença em um cosmos ordenado por Deus, resultou em uma ideia surpreendentemente profética. Inicia com luz...

Mas o que é a luz? Essa pergunta nunca foi simples.

Alguns dos primeiros escritores cristãos pensavam que havia dois tipos diferentes de luz.

A lux, como era chamado em latim, era o que Deus usou para fazer o cosmos, uma espécie de força criativa divina, quase uma manifestação do próprio Deus.

A outro era lúmen, luz comum que emana de corpos celestes e nos permite ver as coisas.

Essa visão fica evidente para qualquer pessoa que tenha estado em uma catedral gótica inundada pela luz que entra através dos vitrais das janelas.

Sacerdotes e teólogos pensavam que, ao contemplar a bela lúmen da igreja, os fiéis seriam atraídos pela lux bendita de Deus.

Religião e ciência

Embora hoje pareça haver um conflito entre ciência e religião, durante grande parte da história a religião foi uma grande motivação para a busca de conhecimento no mundo.

Nas escolas das catedrais dos séculos 11 e 12 - predecessoras das universidades - alguns estudiosos pensavam que era seu dever aprender mais sobre o universo que, para eles, havia sido criado por Deus.

Eles não consultavam apenas a Bíblia: liam os escritos dos antigos gregos como Platão, Aristóteles e Hipócrates, que tinham sido preservados em traduções feitas por escritores islâmicos.

O aprendizado sobre o mundo natural floresceu na era das grandes catedrais góticas, e muitos historiadores falam de um primeiro Renascimento no século 12.

A mais bela das entidades

No início do século 13, ele era um professor proeminente, erudito e, como todos os pesquisadores em Oxford, cristão devoto. Em 1235, tornou-se bispo de Lincoln, na Inglaterra.

Para ele, a luz era uma das mais maravilhosas criações de Deus.

"A luz física é a melhor, a mais deleitável, a mais bela de todas as entidades que existem. A luz é o que constitui a perfeição e a beleza de todas as formas físicas", escreveu.

Mas Grosseteste não se conformava com apenas apreciar a luz que entrava pelas grandes janelas da catedral gótica de Lincoln. Ele começou a estudá-la como um cientista. Analisou, por exemplo, a passagem da luz através de um copo de água.

Ele percebeu que lentes poderiam ampliar objetos, e quando alguém lê o que o bispo escreveu sobre o assunto, começa a se perguntar por que demorou mais de 300 anos para que telescópios e microscópios fossem inventados.

"Esta parte da ótica, quando bem compreendida, mostra-nos como podemos fazer as coisas que estão a uma distância muito grande parecerem como se estivessem muito próximas, e as coisas grandes que estão perto parecerem muito pequenas, e como podemos fazer as pequenas coisas que estão distantes parecerem de qualquer tamanho que queremos, de modo que poderia ser possível ler as letras mais pequenas a distâncias incríveis ou contar a areia ou sementes ou qualquer tipo de objetos minúsculos", escreveu Grosseteste.

Além disso, ele notou que a luz muda de trajetória ao passar do ar para a água, um efeito chamado de refração.

Como outros antes dele, Grosseteste viu que a luz poderia dividir-se em um espectro colorido como um arco-íris, e escreveu um tratado sobre o fenômeno, no qual chegou perto de explicar sua origem: pensou que as nuvens agiam como uma lente gigante que refratava a luz e a enchia de cor.

"De luce"

Em 1225, Grosseteste reuniu o que havia concluído sobre a luz em um livro chamado "De Luce" (Sobre a Luz).

Era uma mistura de teologia, ciência, metafísica e especulação cósmica.

Mas tratava, em particular, da questão de como Deus fez todo o cosmos usando a luz.

Em vez de tratar a criação como uma espécie de ato mágico, Grosseteste começou a transformá-la em um processo natural, algo que hoje chamaríamos de "estudo científico".

Como muitos de seus contemporâneos, ele acreditava que Deus trabalhava com princípios simples, baseados em regras que a humanidade poderia compreender pela lógica, geometria e matemática.

"Todas as causas de efeitos naturais devem ser expressadas por meio de linhas, ângulos e figuras, porque caso contrário seria impossível ter conhecimento da razão destes efeitos", escreveu.

E como o universo era governado pela matemática, era também ordenado e racional - e seria possível deduzir suas regras.

Na verdade, a descrição de Grosseteste da criação divina é tão precisa, que pode ser expressada em um modelo matemático, algo que historiadores e cientistas da Universidade de Durham, no Reino Unido, fizeram com a ajuda de um computador.

A máquina do mundo

Para Grosseteste e seus contemporâneos, o universo consistia na Terra, que ficaria no centro, e todos os corpos celestiais - o Sol, a Lua, os sete planetas conhecidos e as estrelas que giravam ao seu redor em círculos perfeitos.

Mas, para ele, tudo começou com uma espécie de Big Bang, no qual uma explosão de luz - do tipo lux - fez com que uma densa esfera da matéria se expandisse, tornando-se cada vez mais leve e diluída.

"Essa expansão dispersaria a matéria 'dentro de uma esfera do tamanho da máquina do mundo', que é como ele chama o cosmos", diz Tom McLeish, um dos físicos da Universidade de Durham que traduziu a teoria cosmológica de Grosseteste para um modelo matemático.

"Mas logo encontra um problema: (a matéria) não pode se expandir infinitamente, porque nessa época o universo era enorme, mas finito. Como pará-lo? Com uma brilhante ideia científica. Pensando como um físico, recorre a algo simples para explicar não apenas como (o universo) deixa de expandir, mas como as esferas são formadas."

Uma luz brilhante na escuridão

"Se você não pode alcançar o vazio, porque a natureza tem aversão a ele", reflete Grosseteste, "deve haver uma densidade mínima, e quando chega-se a ela, a (matéria) tem que cristalizar".

Seguindo essa linha de raciocínio, isso ocorreria em primeiro lugar na parte mais distante: o firmamento. Esse se cristaliza primeiro e se aperfeiçoa, adquirindo luz - lúmen-, que também empurra a massa, neste caso, para dentro, e, portanto, são criadas as esferas nas quais residem os planetas, o Sol, a Lua e a Terra.

"Outro pensamento moderno que ele teve foi que, quando olhamos para o céu, o universo que vemos de alguma forma contém os rastros ou eco dos processos que o formaram", disse McLeish.

"Isso é precisamente o que os cosmólogos pensam hoje em dia. Lembre-se da busca por microondas no eco do Big Bang", acrescentou com entusiasmo.

"A única parte obscura da Idade das Trevas (entre a queda de Roma e o Renascimento) é a nossa ignorância sobre essa época. Grosseteste é um pensador impressionante", disse McLeish.

"A história que me contaram quando era jovem era que antes de 1600 não havia mais do que misticismo, teologia e dogmatismo. E de repente apareceram Galileu, Kepler, uau! Tudo é luz e iluminação, e voltamos a andar com a ciência ", diz o físico.

"Mas a verdade é que a ciência não funciona assim. Todos nós damos pequenos passos e, como disse Isaac Newton, todos nós subimos nos ombros de gigantes. E Grosseteste é um daqueles gigantes em cujos ombros subiram os primeiros cientistas modernos."



sábado, 22 de abril de 2017

Sobre falar, engasgar e soltar pum


Alegre o seu feriadão com a leitura divertidíssima da crônica de Luis Fernando Verissimo, publicada no Estadão em 06/04/17:

Em comum

Uma das teorias sobre o nascimento de fonemas é que o ser humano teria começado a imitar os sons dos animais, sendo a última vez em que o mundo teve uma linguagem comum

O homem é o único animal que fala pela mesma razão que é o único animal que se engasga. Algo a ver com a localização da laringe. Ou é da faringe? Enfim, algo no homem lhe dá o dom da expressão verbal que nenhum bicho tem, mas os bichos, em compensação, nunca se veem na situação embaraçosa de dizer o que não deviam ou se engasgar na mesa.

O fato também sugere uma questão: foi a necessidade que o homem — ou, mais provavelmente, a mulher — sentiu de falar que determinou a eventual localização privilegiada da laringe, ou foi o acaso da laringe humana evoluir como evoluiu que determinou a fala?

O ser humano desenvolveu a fala por um acidente anatômico e assim virou gente ou a linguagem foi uma etapa lógica da sua evolução, porque para ser gente só faltava falar?

O próprio Darwin chegou a especular que a fala começou com a pantomima, com os órgãos vocais inconscientemente tentando imitar os gestos das mãos.

A linguagem oral teria se desenvolvido porque, antes da invenção do fogo, a linguagem gestual não era vista no escuro e as pessoas, ou as pré-pessoas, não podiam se comunicar. A linguagem é filha da noite!

Teorias estranhas sobre a origem da linguagem não faltam.

No século XVII um filólogo sueco afirmou com certeza que no Jardim do Éden Deus falava sueco, Adão falava dinamarquês, e a serpente falava francês (Sempre a má vontade com os franceses).

Na sua infância — a palavra “infância”, por sinal, vem do latim “incapacidade de falar” — a humanidade não produzia palavras mas certamente produzia sons, e uma das teorias sobre o nascimento de fonemas é que o ser humano teria começado a imitar os sons dos animais para identificá-los e que esta foi a última vez em que o mundo teve uma linguagem comum.

Foi chamada de “teoria bow-wow”, e o nome já a desmentia, pois “bow-wow” é como latem os cachorros anglo-saxões, enquanto os luso-brasileiros fazem “au-au” e os japoneses, segundo os japoneses, “bau-bau”.

A única linguagem comum a toda a humanidade é a dos ruídos involuntários do nosso corpo.

Toda a espécie humana espirra e tosse da mesma maneira, não há como variar a pronúncia de um arroto e nada simboliza melhor a nossa igualdade intrínseca do que o pum, que todos dão da mesma maneira, não importa o que digam do pum alemão.

Eis uma receita para o entendimento, inclusive entre os grupos e facções em choque no Brasil de hoje, esquerda x direita, políticos x Lava-Jato etc. Todos os confrontos entre partes litigantes deveriam começar com um coro de ruídos elementares, para enfatizar nossa humanidade em comum.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Ganhadora culpa loteria britânica por sua "infelicidade"


E você aí achando que ganhar na Mega-sena vai resolver todos os seus problemas, né...

A notícia é do Estadão:

Britânica que ganhou prêmio aos 17 anos quer processar loteria por 'arruinar sua vida'

Jane Park recebeu 1 milhão de euros na Euromillions; aos 21 anos, ela afirma que a empresa não deveria ter repassado o valor

A jovem Jane Park conseguiu algo improvável: aos 17 anos, ganhou 1 milhão de euros no primeiro bilhete adquirido na Euromillions, a loteria britânica. No entanto, hoje, aos 21 anos, ela afirma que o prêmio "arruinou a sua vida" e pretende processar a empresa por conceder o valor a menores de 18 anos - atualmente, a idade mínima é 16 anos.

Em entrevista ao The Mirror, Jane afirmou que o valor, em vez de deixar sua vida 10 vezes melhor, "deixou 10 vezes pior". Ela revelou que está "cansada de comprar produtos de designers famosos", "lutando para encontrar um namorado que não a queira apenas pelo dinheiro" e que vive "sobrecarregada pelo estresse de ser milionária".

A jovem afirmou que preferiria não ter ganhado o dinheiro e que, apesar dos bens materiais, sua vida está vazia. "Minha vida seria muito mais fácil se eu não tivesse ganhado. As pessoas olham para mim e pensam: 'eu gostaria de ter a vida e o dinheiro dela'. Mas elas não percebem o tamanho do meu estresse", declarou.

Antes de tornar-se milionária, Jane trabalhava meio turno em um restaurante e faturava 8 euros por hora. Quatro anos depois, após fazer um implante de silicone, adquirir um Range Rover e duas propriedades e comprar várias roupas e acessórios de marca, ela diz que o dinheiro não mudou sua vida.

A jovem teve um relacionamento de 18 meses que não terminou bem, apesar de "ter comprado um Rolex e um carro para ele". "Eu achei que isso deixaria ele feliz", declarou.

Hoje, ela voltou a morar com a mãe, que lava suas roupas. "Não há ninguém no mesmo barco que eu, ninguém me entende. Sinto-me como uma mulher de 40 anos". Apesar dos incômodos e das reclamações, quando perguntada pelo The Mirror se enão prefere doar todos os seus bens para livrar-se do peso, Jane nem hesita: "O quê? Não!".

A empresa responsável pelo prêmio afirmou ao The Mirror que quem define a idade mínima de 18 anos para receber o valor é o Parlamento britânico.



sábado, 18 de fevereiro de 2017

O bacharel mulato e filho de padre que peitou D. Pedro I e as agruras do séc. XIX

Pelo jeito, o mundo não mudou nada desde então.

Talvez tenha até perdido muito em senso de humor, segundo se depreende do artigo de Mary del Priore em História Hoje:

O bacharel mulato que desafiou D. Pedro I

No Brasil imperial, época de mudanças, um personagem importante invadiu a cena: o mulato. Em seu clássico Sobrados e Mocambos, Gilberto Freyre foi dos primeiros a observar fenômeno: ele era uma força nova e triunfante. Segundo Freyre, o mulato vinha se constituindo em elemento de diferenciação da sociedade rural e patriarcal no universo urbano e individualista. Ele estaria se integrando, ou melhor, se acomodando, entre os extremos: o senhor e o escravo. A urbanização do Império, a fragmentação das senzalas em quilombos, o crescimento de alforrias e a inserção nos cargos públicos e na aristocracia de toga, deu visibilidade aos mulatos, “aos morenos”.

Nos jornais, notícias e avisos sobre “Bacharéis formados”, “Doutores” e até “Senhores Estudantes”, principiaram, desde os primeiros anos do século XIX a anunciar o novo poder daqueles que agiam e se expunham em becas escuras. “Trajes de casta capazes de aristocratizar” seus portadores, diz Freyre. Muitos não dispunham de protetores políticos para chegar à Câmara nem subir à diplomacia. Muitos estudaram ou se formaram graças “ao trabalho de uma mãe quitandeira ou um pai funileiro”. Outros faziam casamento com moças ricas ou de famílias poderosas. Mas eram visíveis em toda a parte.

É o mesmo Gilberto Freyre quem conta o exemplo de José da Natividade Saldanha, bacharel mulato e protagonista de uma história surpreendente. Filho de padre, Saldanha estudou para padre no Seminário de Olinda, mas rebelou-se contra o Seminário. Durante a Revolução Pernambucana, em 1817, ele deixou a cidade com os familiares e rumou para Coimbra, a fim de continuar os estudos. Na volta ao Recife, se insurgiu contra Dom Pedro I e sua constituição. Foi eleito secretário do governo de Manoel de Carvalho Paes de Andrade e encontrava tempo para escrever relatórios sobre a revolução, pensando em deixar para a posteridade as informações do acontecido. Com a derrota dos insurretos, Natividade Saldanha fugiu.

Na primeira tentativa frustrada de refugiar-se na França, perdeu o navio e escondeu-se novamente em Olinda. O cônsul americano James Hamilton Bennet o ajudou na fuga para Filadélfia, Estados Unidos, onde sofreu discriminação, por ser mulato. Viajou, então, para a França, onde conseguiu um passaporte português. Sob perseguição do governo brasileiro, ele foi expulso do país pela polícia local. Foi à Inglaterra e, de lá, à Venezuela, onde sofreu privações. Na Venezuela, Natividade Saldanha conheceu o General Abreu e Lima, que o encaminhou a Simon Bolívar. Conseguiu, então, exercer a advocacia naquele país. Ali, comentou a sentença de um juiz branco, Mayer, na qual ele, Saldanha era chamado de mulato. E retrucou:
”[…] Esse tal mulato Saldanha era o mesmo que adquirira prêmios quando ele, Mayer tinha aprovação por empenho e quando o tal mulato recusava o lugar de auditor de guerra em Pernambuco, ele, Mayer, o alcançava por bajulação”.
Saldanha abandonou Caracas e foi à Colômbia pela selva, passando a residir em Bogotá, onde passou a ensinar Humanidades. Soube, então, que tinha sido condenado à morte por enforcamento no Brasil. Tomando conhecimento que um antigo amigo exercia atividade no tribunal que o condenou, enviou-lhe uma procuração com os seguintes termos:
“Pela presente procuração, por mim feita e assinada, constituo por meu bastante procurador na Província de Pernambuco ao meu colega Dr. Tomaz Xavier Garcia de Almeida, para em tudo cumprir a pena que me foi imposta pela Comissão Militar, podendo este morrer enforcado, para o que lhe outorgo todos os poderes que por lei me são conferidos.
Caracas, 3 de agosto de 1825.
Texto de Mary del Priore. “Histórias da Gente Brasileira: Império (vol.2)”, Editora LeYa, 2016.



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Como os escoceses reagem ao haka do rugby neozelandês?


Veja na divertida propaganda abaixo:





domingo, 3 de julho de 2016

100 anos da batalha que matou 1 milhão na 1ª Guerra Mundial

Saltando as trincheiras sangrentas na Batalha do Somme:
1 milhão de mortos para conquistar apenas 9 km de território inimigo.

Além de denunciar a estupidez e a inutilidade de qualquer guerra, a Batalha do Somme foi determinante na sequência da barbárie que dominou o mundo no século XX, e sua influência nefasta perdura até hoje.

Somente no primeiro dia de confrontos, o infame dia 01/07/1916, foram mortos 19.240 soldados britânicos, sem contar as demais nacionalidades envolvidas (franceses e alemães, sobretudo).

A matéria é da BBC Brasil:

O centenário da batalha que matou mais de 1 milhão e traumatizou a Europa

"Cavamos por alguns metros
E lá os deixamos para descansar
Mas o sangue à noite ainda é vermelho
Sim, mesmo à noite
E a face de um homem morto é branca"

O poema de Leslie Coulson, de 1916, é apenas mais um registro dos horrores da Batalha do Somme, uma das mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial e, de acordo com historidadores, uma das maiores chacinas da história da humanidade.

Esta sexta-feita marca o início de um combate em que, durante cinco meses, forças britânicas e francesas enfrentaram tropas alemãs ao longo do rio Somme, na França, em uma frente de apenas 24 km, mas em uma horrenda guerra de atrito que resultou em mais de 1 milhão de mortes.

Apenas no primeiro dia de enfrentamentos, pelo menos 30 mil soldados teriam morrido. A Batalha do Somme se tornou um dos símbolos do trauma provocado pela Primeira Guerra no imaginário europeu e seu impacto teve influência em aspectos não muito óbvios - o escritor J.R.R. Tolkien, por exemplo, lutou nas trincheiras do Somme e muitos acadêmicos dizem que a experiência inspirou a trilogia O Senhor dos Anéis.

E há especialistas que veem a carnificina como desnecessária - cujo resultado final, na prática, foi um avanço de apenas 9 km por território controlado pelo inimigo.

A batalha

A Ofensiva do Somme teve como objetivo reforçar as tropas francesas que lutavam na região de Verdun e enfraquecer as tropas alemãs. Ao contrário dos dois países, porém, o Reino Unido na época da Primeira Guerra não tinha um Exército forte e enviou para o front um imenso número de voluntários, que, em um primeiro momento, não conseguiam penetrar as linhas alemãs.

Apenas no primeiro dia de combates, pelo menos 19 mil soldados britânicos morreram, um número altíssimo de baixas que não convenceu o comandante Douglas Haig a diminuir a intensidade do ataque. Mas aos poucos a superioridade numérica dos aliados começou a falar mais alto - os britânicos, por exemplo trouxeram pelotões de então colônias como Austrália e África do Sul.

Em agosto, os alemães já contabilizavam mais de 250 mil mortos e feridos e ainda tinham de lidar com outros problemas. O maior poder naval britânico e francês resultou em bloqueios no Mar do Norte e no Adriático, causando severa escassez de alimentos na Alemanha.

O quadro apocalíptico fez com que o comandante das forças alemães, Erich von Falkenhayn, renunciasse. Em setembro, mesmo a resistência frenética alemã e os rigores do inverno não pareciam capazes de frear o avanço aliado. Mas foi apenas em novembro que a a última escaramuça da Batalha do Somme teve lugar, nas proximidades do rio Ancre.

Nos 141 dias de batalha, as forças aliadas ganharam apenas 9 km de território inimigo. Mas mesmo esse pequeno avanço teve sua importância: historiadores dizem que levou à maturação da tropas britânicas e à vantagem psicológica obtida sobre os alemães quando o inimigo recuou.

Tecnologia no front

A Batalha do Somme marcou a entrada no teatro militar de importantes inovações tecnológicas. Em 15 de setembro, na Batalha de Flers Courcelette (que fez parte de Somme), os britânicos usaram uma arma secreta: o tanque de guerra. 48 tanques Mark I participaram dos combates, embora apenas 21 tivessem conseguido chegar à linha de frente - 17 quebraram no caminho.

Aviões jã faziam parte do teatro de operações da Primeira Guerra desde o início, em 1914, especialmente para operações de reconhecimento. No Somme, o poder aéreo foi muito mais importante neste sentido, embora pilotos já estivessem equipados com armamento para ataques e pequenos bombardeios.

Batalhões de camaradas

O recrutamento de voluntários para o Exército britânico teve sucesso devido à estratégia de usar o espírito cívico e comunitário como principal isca: milhares de "batalhões de camaradas", recrutados localmente em vez de nacionalmente, sob o raciocínio de que homens se sentiriam mais estimulados a servir com pessoas conhecidas.

Infelizmente, isso também tornou o trauma da guerra mais intenso - com a gradual dizimação de pelotões e mais pelotões. Cidades inteiras choraram a perda de vidas. Um exemplo: o 11º Regimento de East Lancashire enviou para a frente do Somme 784 "camaradas" em 1º de julho - apenas no primeiro dia, quase 600 estavam mortos ou feridos, e rumores de que apenas sete tinha sobrevivido causaram violentos protestos nas ruas da cidade de Accrington, de onde vinham os voluntários.

Guerra nas telas

Pela primeira vez na história, uma guerra foi filmada. E 20 milhões de pessoas no Reino Unido - quase metade da população em 1916 - correu para os cinemas para assistir ao documentário A Batalha do Somme, que usou cenas reais do front.

O filme teve imenso impacto e até hoje é um dos mais vistos na história do cinema britânico - teve mais espectadores que o episódio original de Star Wars. Pessoas conhecidas no front

Tolkien não foi a única pessoa conhecida que participou dos combates no Somme. O compositor Ralph Vaughan Williams já tinha composto The Lark Ascending (uma das peças de música erudita preferidas do público britânico até hoje) quande se alistou como soldado do corpo médico britânico e foi enviado ao front.

Do lado alemão, havia Otto Frank, nascido em Frankfurt, cuja filha Anne ficou famosa ao escrever um diário sobre os anos em que sua família, judia, viveu escondida da perseguição nazista na Holanda. Ele viria a ser o único da família a sobreviver ao Holocausto.

Também estava nas trincheiras um jovem austríaco, de 25 anos, que havia se voluntariado para a guerra. Seu nome? Adolf Hitler.


sábado, 25 de junho de 2016

Papa se manifesta sobre saída da Grã-Bretanha da União Europeia


A matéria é do IHU:

Francisco sobre a Brexit: “É a verdade manifestada pelo povo. 
Requer de nós uma grande responsabilidade”


O Papa já está na Armênia. Poucos minutos antes das 13h, o voo papal aterrissou no aeroporto de Erevan. Sua Santidade foi recebido por um coro de crianças, vestidas com os trajes típicos da Armênia, e pelo presidente do país, Serj Sargsian, e pelo líder da Igreja apostólica armênia, Karenin II, a quem deu um longo abraço. 

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 24-06-2016. A tradução é de André Langer.


Começa uma viagem complicada e polêmica, com a questão do “genocídio armênio” sobre o papel. Não se espera que Francisco faça referência explícita ao assunto, embora exija à comunidade internacional respeito e reparação ao dano causado no sábado, durante a sua histórica visita ao Memorial de Tzitzernakaberd.

Faz calor em Erevan, de certa forma mitigado pela brisa. Uma representação do Exército acompanha o Pontífice até sua chegada ao Palácio Presidencial, onde acontece a cortesia ao presidente da República. À tarde, o Papa fará um discurso às autoridades civis e ao corpo diplomático, ao passo que o último ato do seu primeiro dia na Armênia será um encontro pessoal com o Catholicos, no Palácio Apostólico.

Antes, durante o voo papal – e contra a prática comum de conceder uma entrevista coletiva na volta – Francisco quis dar sua opinião sobre o resultado do referendo no Reino Unido e a assinatura do cessar-fogo entre o Governo colombiano e as FARC.


A votação sobre o Brexit é, segundo o Papa, “a vontade manifestada pelo povo. Requer de nós uma grande responsabilidade”. Francisco deixou o protocolo de lado e respondeu a duas perguntas feitas pelo padre Lombardi.

Sobre o Brexit, o Papa foi conciso e prudente: “Fiquei sabendo do resultado final aqui no avião, porque quando saí de casa ainda não estava nada definido”.

“Foi a vontade manifestada pelo povo – continuou Francisco – e isto exige de todos nós uma grande responsabilidade para garantir o bem do povo do Reino Unido e também o bem e a convivência de todo o continente europeu”.

Sobre o acordo de paz na Colômbia, Francisco disse: “estou feliz com esta notícia, que recebi ontem. Mais de 50 anos de guerra, de guerrilha, muito sangue derramado! Foi uma bela notícia; espero que os países que trabalharam para fazer a paz sejam fiadores, deem a garantia para que isto prossiga”.






sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Começa hoje na Inglaterra a Copa do Mundo de Rugby 2015


O mundo do rugby está hoje em festa, pela volta do esporte ao seu lar, a Inglaterra, só que desta vez para a realização da Copa do Mundo 2015.

Treze estádios serão utilizados para o evento, sendo doze na Inglaterra (três em Londres) e um em Cardiff, capital do País de Gales, um dos integrantes do Reino Unido (juntamente com Escócia e Irlanda do Norte).

A Irlanda tem uma particularidade interessante no que diz respeito ao rugby. Sua seleção é representada por jogadores da República da Irlanda (capital Dublin) e da Irlanda do Norte (capital Belfast), numa união que não é vista em nenhum outro esporte de massas e muito menos na política.

Tal fato se explica, talvez, pela importância que se dá à confraternização com o time adversário no rugby.

Apesar das partidas serem disputadas, aos olhos do leigo, com algo que ele chamaria de "truculência", o respeito e a lealdade entre os jogadores são fatores sempre incentivados e vividos na prática. Rivalidade só dentro de campo.

Assim como do futebol, a Inglaterra é o berço do esporte que nasceu na cidade de Rugby, de onde tomou seu nome.

Naquela época, se praticava um esporte parecido com o futebol moderno, onde não havia, por exemplo, limite no número de jogadores por equipe.

Por sinal, essa estranha forma de futebol primitivo havia sido proibida pelo rei Eduardo III (1312-1377), por considerá-lo um esporte "não cristão".

No começo do século XIX, o futebol estava de volta à Inglaterra, sendo disputado principalmente nos colégios.

Diz a lenda que, em 1823, um jovem estudante do colégio de Rugby, chamado William Webb Ellis, revoltado com o excessivo número de jogadores em campo e a dificuldade de praticar o jogo com os pés, pegou a bola com as mãos e saiu correndo até a linha de fundo adversária.

Teria surgido aí o esporte que hoje conhecemos como rugby, cujas regras, a exemplo do que ocorreu com o futebol, foram sendo atualizadas e fixadas com o passar do tempo. No rugby, a bola terminou oval.

Embora haja controvérsias sobre a "lenda" contada acima, não há dúvidas de que o esporte realmente nasceu em Rugby, e o troféu que é dado à seleção campeã da Copa do Mundo, não por acaso, tem o nome de William Webb Ellis.

Esta será a oitava edição da Copa do Mundo de Rugby. Nova Zelândia (os "All Blacks"), Austrália (os "Wallabies") e África do Sul (os "Springboks"), com 2 títulos cada, e Inglaterra, com 1, integram a restrita galeria de quem já levou o troféu para casa. São também as grandes favoritas para o título de 2015.

Ao seu lado, com chances de vitória, poderíamos escalar França, País de Gales e Irlanda, que correm por fora como azarões.

Ainda incipiente no Brasil, os fãs sul-americanos do esporte vão ter que torcer para a Argentina (os "Pumas"), que tem uma seleção tradicional nas competições mundiais, com alguma chance de pelo menos surpreender algum dos favoritos na edição de 2015.

A imperdível final será disputada no mítico estádio de Twickenham, em Londres, no dia 31 de outubro de 2015.

Os jogos poderão ser acompanhados, no Brasil, pela transmissão dos canais por assinatura da ESPN. A abertura do campeonato ocorre hoje às 15:45h de Brasília, com a partida Inglaterra x Fiji.

Apesar de todo o carinho que sente pela Argentina, este que vos escreve, como sempre, vestirá sua camiseta dos All Blacks e torcerá pela Nova Zelândia, a atual campeã e, a exemplo do Brasil no futebol, a seleção "queridinha" do rugby no mundo.

Se você ainda não conhece o rugby, aproveite a Copa do Mundo que começa hoje para começar a entendê-lo e apreciá-lo. 

Há grandes chances de você, no mínimo, se divertir bastante.

Hoje o troféu William Webb Ellis começa a ser assediado pelas principais seleções do mundo.




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