Mostrando postagens com marcador meditação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador meditação. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

TJSP promove palestra sobre yoga e meditação para seus funcionários


Se a situação anda estressante para o Tribunal de Justiça de São Paulo, imagina para quem depende dos seus serviços, não é mesmo?

A notícia zen é do próprio Tribunal:

Tribunal promove palestra sobre os benefícios da meditação e yoga

Evento aconteceu na Sala do Servidor do FJMJ.

A Secretaria da Área da Saúde (SAS) promoveu hoje (10), com apoio da Escola Judicial dos Servidores (EJUS), a palestra Meditação e yoga: benefícios físicos e psíquicos contra o sedentarismo no trabalho.

O palestrante Jefferson Flausino é diretor da Escola Dharma. Formado pelo Instituto de Psicossomática e Yoga Integral, de Torino, Itália, e pela Bujinkan Budo Taijutsu do Japão e World Genbukan Ninpo Bugei Federation, é instrutor de artes marciais, meditação e yoga, autor, palestrante e pesquisador de tradições filosóficas orientais.

Ele iniciou a apresentação ensinando uma técnica de meditação. “A proposta da meditação da yoga é administrar o estresse. Pare, observe e questione-se. Quando paramos, observamos as coisas com propriedade e questionamos a maneira que estamos vivendo. Somos o que pensamos”, afirmou.

Para o convidado, o start surge quando olhamos para dentro da nossa consciência, não gostamos do que vemos, e então percebemos que está na hora de começar a fazer algo diferente na vida. “O momento de começar essa mudança é agora, no presente”, ressaltou.

“Faça algo antes de precisar. A meditação previne doenças, mas deve ser praticada antes de perder a saúde, porque depois é mais difícil recuperar o que se perdeu. A meditação ajuda a controlar a mente e os pensamentos, ajuda as pessoas a entender que elas têm a fórmula para produzir mudanças. Mudar é difícil, mas não mudar é fatal. A meditação funciona como uma higienização mental”, ponderou o palestrante.

Em seguida, ele explicou o significado do termo yoga e o objetivo de sua prática regular, antes de responder às perguntas feitas pelos participantes. “Derivado da palavra em sânscrito ‘yuj’, que significa ‘unir ou integrar’, yoga é um conjunto de conhecimentos de mais de cinco mil anos. Trata-se da prática de harmonizar o corpo com a mente, por meio de técnicas de respiração (pranayamas), posturas (ásanas) e meditação, e sua prática constante ajuda a combater situações de descontrole e raiva. Transforme-se. Cuidar da saúde física e mental é prioridade para viver bem.”

Ao final, ele recebeu da Diretora de Assistência e Promoção de Saúde, Andréa Cristina Menezes, certificado do TJSP. Direcionada a servidores e magistrados, a palestra foi acompanhada por 869 pessoas nas modalidades presencial e a distância. Também esteve presente o desembargador Louri Geraldo Barbiero.

Comunicação Social TJSP – SO (texto) / DG (fotos)



terça-feira, 13 de setembro de 2016

Faleceu o Pastor Paulo Solonca


Faleceu ontem, dia 12/09/16, o Pastor Paulo Solonca, após três décadas de profícuo ministério, sendo os dezessete últimos anos na Primeira Igreja Batista de Florianópolis, capital de Santa Catarina.

Expressamos nossos sentimentos de pesar à sua família, aos seus amigos e às suas ovelhas, e - em homenagem e gratidão ao seu legado intelectual e espiritual - reproduzimos abaixo um excerto de seu inspirador e edificante livro "Raios de Esperança", que já havíamos publicado aqui no blog em fevereiro de 2010, uma pequena meditação de sua autoria com enorme significado para nossas vidas. 

Obrigado, Pastor Paulo Solonca! "Venha e participe da alegria do seu Senhor" (Mateus 25:21,23).



A ARTE DA RENÚNCIA



“Jesus dizia a todos: 
Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, 
tome diariamente a sua cruz e siga-me. 
Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; 
mas quem perder a sua vida por minha causa, 
este a salvará. 
Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, 
e perder-se ou destruir a si mesmo?”
(Lucas 9:23-25)

      Aprende a arte de renunciar. É na renúncia das vontades e escolhas pessoais que Te aperfeiçoo. Ninguém pode ser Meu discípulo se não aprender tal ensinamento. Renunciei aos céus. Renunciei à glória. Aprendi os caminhos da humilhação, desconforto, e incompreensão. Pude então, compreender melhor o comportamento dos homens. Estou formando em ti um caráter semelhante ao Meu. Para que isso aconteça, é necessário trilhares os meus caminhos. Quero que estejas preparado para a obra que deverás realizar. Este processo, aparentemente indesejável, te dará a têmpera ideal para o combate. Lembra-te, a alma humana é aperfeiçoada na adversidade e no rugir dos acontecimentos. As tensões deste processo te aproximam de minha graça. Por esta razão, tenho enviado provas sobre ti a fim de que aprendas o caminho da vida. Não fujas de tal processo espiritual, pois, se tentares amenizar o calor da fornalha, não alcançarás a tão desejada pureza. Quando te sentires incapaz, exercita tua fé. Ela te foi dada exatamente para isto. Quero que desfrutes das aventuras do universo da fé. O mundo lá fora não pode adentrar ao palco sagrado dos grandes acontecimentos sobrenaturais. É um privilégio de Meus filhos a realização de obras impossíveis para a mente humana. Por esta razão te admoesto: “Aprende a arte de renunciar”. Assim, Me permitirás agir em tua vida.


(Paulo Solonca, em “Raios de Esperança”)

domingo, 20 de setembro de 2015

Desacelere a sua mente, elimine o excesso de informação e viva melhor!


É o que aconselha o neurocientista Daniel Levitin em entrevista concedida a Lúcia Guimarães e publicada no Estadão:

Contemplar o capim

Em livro, neurocientista desmonta o mito das multitarefas e mostra que descansar a mente libera espaço para as grandes ideias

Folgo e convido minha alma,
deito-me e folgo à vontade vendo
uma lança de capim no estio.
(CANÇÃO DE MIM MESMO, POEMA DE FOLHAS DE RELVA, DE WALT WHITMAN)

Quem tem tempo de se espalhar na grama e admirar a lança de capim em vez de conferir a tela do smartphone? Em 1855, o poeta Walt Whitman não sabia nem precisava saber o que era ser multitarefas, mas já ensinava, em seu poema clássico, que a mente precisa vadiar. Vivemos uma era de aceleração de fontes de informação como nenhuma outra na história da humanidade. Mas o nosso cérebro tem a mesma capacidade fisiológica de enfrentar esse ataque de dados que tinha o cérebro do poeta. Em um livro best-seller escrito para você e para mim, não para cientistas, o celebrado autor Daniel Levitin oferece recursos para impedir que o leitor seja soterrado pela avalanche diária de informação. A Mente Organizada combina a apresentação das descobertas recentes em estudos sobre o cérebro e sugere rotinas para assumir o controle do ecossistema de informação, e não ser controlado por ele. Levitin é um neurocientista, especialista em psicologia cognitiva e músico, autor de outro best-seller, A Música no Seu Cérebro.

Ele dirige um laboratório de percepção musical na McGill University, em Montreal, e é cofundador e diretor do programa de Ciências Sociais do Projeto Minerva, universidade fundada em 2012 em San Francisco. O Minerva é um programa de graduação com 120 alunos que visa a reformar a educação superior do século 21 para enfrentar as rápidas mudanças em vários campos de conhecimento. “Não achamos honesto cobrar altas anuidades de estudantes que, ao se formar em certos campos profissionais, não podem mais usar o que aprenderam porque seu conhecimento já está superado”, diz Levitin, em entrevista exclusiva ao Aliás. “Temos foco em pensamento crítico, solução de problemas e 25% do currículo é concentrado em promover a comunicação efetiva.” Engraçado: na era dos nerds esquisitões da tecnologia, uma escola de vanguarda privilegia o diálogo.

Em A Mente Organizada, Levitin observa o que têm em comum as pessoas bem-sucedidas e produtivas. Sugere estratégias de organizar a memória – esvaziá-la com exercício e instrumentos que chama de extensões do cérebro, como calendários eletrônicos, smartphones e cadernos de anotação. Curiosamente, ele notou, entre seus mais ocupados interlocutores, um apego físico a objetos analógicos, pequenos cadernos de anotação, fichas, canetas e lápis. E especula sobre as vantagens de manter esse hábito.

O cérebro precisa de resets neurais. São esses resets que nos tiram de situações como a de um carro atolado na lama. É frequente, depois de uma pausa de repouso, encontrar a solução para um problema que parecia fora de alcance. A neurociência, conta Levitin, comprova que contemplar a natureza oferece um poderoso reset – até mesmo olhar imagens da natureza.

A eficiência em organizar a informação nos torna mais do que produtivos. É um instrumento de libertação para o ócio, para os momentos em que podemos contemplar a grama e ter grandes ideias. Como ter inspiração para escrever o maior clássico da poesia norte-americana.

Por que falamos em sobrecarga de informações?

Para os cientistas, a sobrecarga é a diferença entre a quantidade de informação com que somos bombardeados e a capacidade do nosso cérebro de lidar com ela.

O que é a obsolescência evolucionária, que o senhor aponta como parte do obstáculo para lidar com o excesso de informação?

Todos os organismos vivos estão constantemente se adaptando ao meio ambiente. A seleção natural exerce influência sobre essa adaptação. Por exemplo, nós nos adaptamos à erosão da camada de ozônio e pessoas que adquirirem maior resistência aos raios ultravioleta transmitirão aos descendentes o gene de sobrevivência a eles. Mas é um longo e lento processo. Nosso cérebro evoluiu para lidar com um ambiente que existia há 10, 20 mil anos. O genoma humano precisa de tempo para se adaptar. Para você ter uma ideia, em 30 anos quintuplicou a quantidade de informação que recebemos a cada dia. Pense nisso como o equivalente a ler 175 jornais de ponta a ponta diariamente. Outro número extraordinário: em 1976, nos Estados Unidos, havia cerca de 9 mil produtos únicos à venda num supermercado. Hoje, há cerca de 40 mil. O consumidor americano, que compra uma média de 150 produtos, tem que navegar entre uma quantidade muito maior de escolhas.

Embora a evolução do cérebro esteja “atrasada”, há duas gerações essa obsolescência era muito menos sentida, certo?

Vamos considerar um aprendizado que foi necessário para nossos avós. Eles tiveram que aprender a usar o telefone uma ou duas vezes – tiveram que fazer chamadas com ajuda de telefonistas e depois aprenderam a discar. Hoje, os smartphones não param de mudar. Você troca de modelo e tem que aprender inúmeras funções, que daqui a poucos anos serão trocadas.

Há um site chamado “Deixe eu googlar isto pra você” inspirado na exasperação que muitos sentem quando alguém faz uma pergunta que pode ser respondida online. Qual a importância de ter tanta informação disponível em poucos segundos?

Quando eu cursava a Universidade Stanford, na Califórnia, gostava de estudar dentro da enorme biblioteca principal. Havia ali respostas para tudo o que eu queria saber. Mesmo se eu me distraísse e quisesse conferir algo que não tinha ligação direta com o trabalho em questão, era preciso levantar, localizar um livro ou publicação num sistema de classificação. Hoje, a nossa atenção é desviada o tempo todo para novas fontes e isso afeta a possibilidade de recuperar o foco inicial. Há enorme variação na nossa capacidade de virar a chave da atenção. Mulheres e jovens tendem a ser mais rápidos do que homens e idosos. Mas varia muito. Se me distraio de algo, demoro uns cinco minutos para retomar a concentração.

A palavra multitarefas, executar várias tarefas ao mesmo tempo, é indissociável da rotina do século 21. Mas o senhor diz que multitarefas não passam de ficção.

Não existem multitarefas, é um mito. O cérebro simplesmente não comporta isso. A pessoa pensa que está lidando com várias coisas ao mesmo tempo quando, de fato, o cérebro está experimentando rápidas mudanças de foco que mal percebemos, o que resulta numa atenção fragmentada a várias coisas e nenhuma atenção sólida a uma que seja. Recentemente ficou provado que conseguimos prestar atenção a, no máximo, três ou quatro coisas de uma vez. O cérebro é eficaz em provocar autoilusão. Achamos que estamos no controle das coisas. Mas executar várias tarefas ao mesmo tempo libera um hormônio de estresse, o cortisol. O cortisol tem um papel evolucionário, mas também provoca ansiedade, nervosismo e afeta a clareza de pensamento. Comparo o ato de fazer várias tarefas ao mesmo tempo com uma espécie de embriaguez. Há trabalhos que exigem essa capacidade, como tradutor simultâneo ou controlador de tráfego aéreo. E não é à toa que, nessas funções, as pessoas são obrigadas a fazer várias pausas de descanso para recuperar a capacidade de se concentrar.

No entanto, há uma noção de que as pessoas bem-sucedidas, e o senhor entrevistou mais de 100 para escrever o livro, são as que têm o poder de acumular mais tarefas do que os outros.

Exato, mas a história e a ciência de laboratório nos provam o contrário. Estudos mostram que o trabalho de quem mantém o foco numa tarefa é mais criativo. Isso vale tanto para grandes empresários, atletas e inovadores como para artistas. Valia para Da Vinci e Michelangelo. Olhe para o alto na Capela Sistina, considere grandes conquistas como o cubismo, a 5ª Sinfonia de Beethoven, a obra de William Shakespeare – tudo é resultado de atenção sustentada ao longo do tempo.

Por que o senhor diz que as crianças devem aprender na escola, já aos 10 anos, a enfrentar a sobrecarga de informação?

Qualquer criança alfabetizada sabe que pode encontrar uma informação em segundos. Mas a maior parte do que está online é desinformação. Ficções mascaradas de fatos. Até estudantes universitários se deixam confundir. Recolhem informações sem perguntar quem está por trás. Como saber que a fonte é confiável? Na escola, os professores devem ensinar, para começo de conversa, que websites não são iguais. Devem incutir um questionamento crítico na pesquisa. À medida que os alunos crescem, vão adquirindo mais nuances para se informar. Por exemplo, se a criança quer um brinquedo, pode-se ensinar a ela que o website do fabricante não é a fonte mais confiável sobre a segurança do brinquedo. Antes, no ecossistema analógico, tínhamos curadores de informação, era mais fácil distinguir a credibilidade de fontes.

O senhor diz que as pessoas mais produtivas são as que melhor estabelecem prioridades.

A maioria de nós chega ao trabalho hoje em dia e é bombardeada com o “por fazer”. É como entrar cambaleando num ambiente em que há muitas exigências e começamos a atacar o que passa pela frente. Não fazemos um esforço consciente e deliberado de evitar que o ambiente em volta nos domine. Isso aumenta o cansaço e diminui a produtividade. Todas as pessoas altamente bem-sucedidas com quem converso têm em comum o fato de que elas anotam o que há por fazer e já começam a trabalhar cientes de prioridades.

O senhor diz que uma ferramenta útil para priorizar são os chamados exercícios de limpeza da mente.

Sim. O David Allen, um guru da produtividade e autor de A Arte de Fazer Acontecer, aponta para a importância de externalizar a informação. Recomenda anotar tudo o que está se passando na sua cabeça, coisas que têm a ver com a tarefa em questão e preocupações que podem distrair a pessoa. É um processo neurológico, porque o cérebro teme esquecer o que é importante. Quando o cérebro sabe que a informação foi arquivada externamente, nas anotações, e o efeito é de nos acalmar, é libertador. Retira o entulho mental que prejudica a atenção.

A sobrecarga de informação se estende ao excesso de objetos. Por que o senhor defende uma gaveta de bagunça?

Um profissional precisa saber exatamente onde estão seus instrumentos. Pode ser um cirurgião, um dentista, um bombeiro. Este tipo de organização nos libera para pensar e tomar decisões. Mas excesso de organização é contraprodutivo, uma perda de tempo. O importante é deixar visíveis os objetos que utilizamos regularmente. Quantas vezes você encontra um parafuso, uma peça e não se lembra de onde vem? Jogue na gaveta de bagunça, a que tem objetos de utilidades diferentes. Isso é uma forma de fazer economia cognitiva, porque não é preciso classificar tudo.

O senhor aponta a correlação entre eliminar o excesso de informação e de pertences e a felicidade.

Se quiser destilar tudo o que se conhece sobre pessoas que se consideram felizes, a frase é a seguinte: elas se satisfazem com o que têm. E são as que querem conquistar algo, não receber prêmios e elogios. O que é diferente de não ter ambição pessoal ou criativa. O empresário Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo, com uma fortuna de mais de US$ 70 bilhões, mora na mesma casa há mais de cinco décadas. Ele inventou o neologismo “satisficing”, sobre as coisas que bastam. Não perde tempo com o que não lhe interessa e tem uma agenda diária de trabalho quase vazia, de poucas reuniões, que o deixa livre para ser produtivo.



domingo, 6 de setembro de 2015

É possível meditar caminhando...


Artigo publicado no Brasil Post:

Dicas práticas para transformar uma simples caminhada numa meditação completa

Amy Packham

Mindfulness - a arte de trazer toda a sua atenção para o momento presente - é uma forma de desenvolver a paz e a felicidade em nossas vidas, de acordo com Thich Nhat Hanh.

Hanh é líder espiritual e já publicou mais de 100 títulos sobre meditação e mindfulness, e o seu livro mais recente - Silence (Silêncio, em tradução livre) - foca em como permanecer em silêncio em um mundo barulhento.

No capítulo Mindfulness Means Reclaiming Attention (“Mindfulness Significa Recuperar a Atenção”) Hanh explica como praticar a meditação através de caminhadas, incentivando aqueles que não acreditam que consigam meditar e que na verdade é sim muito fácil.

Ele dá orientações sobre como se concentrar quando sua mente está cheia de pensamentos e também mostra como é possível meditar em qualquer lugar e a qualquer hora.

O seguinte trecho foi retirado do livro Silence de Thich Nhat Hanh:

Não-pensar é uma arte e, como qualquer arte, requer paciência e prática. Recuperar a atenção e manter a sua mente e o seu corpo juntos, mesmo que por dez respirações, pode ser muito difícil no começo.

Mas com prática contínua você pode recuperar a sua capacidade de estar presente e aprender a apenas ser. Encontrar alguns minutos no seu dia para sentar-se calmamente é a maneira mais fácil de começar a treinar e abandonar sua habitual forma de pensar.

Quando você se senta calmamente, você consegue observar como seus pensamentos vão surgindo acelerados e você pode praticar não ruminá-los e, em vez disso, deixá-los ir e vir concentrando-se na sua respiração e no silêncio interior.

Eu conheci uma mulher que decidiu que nunca meditaria porque "não dava certo".

Então eu a chamei para uma caminhada comigo.

Eu não chamaria de "caminhada de meditação", mas nós andamos lentamente com consciência, apreciando o ar e a sensação dos nossos pés no chão.

Quando voltamos os seus olhos estavam brilhantes e ela parecia revigorada e livre.

Se você puder tirar apenas alguns minutos para si mesmo e acalmar desta forma o seu corpo, seus sentimentos, suas percepções, a alegria torna-se possível.

Caminhar é uma ótima maneira de limpar a mente sem tentar limpar a mente. Você não diz: "Agora eu vou meditar!" ou ainda "Agora vou parar de pensar!" Você apenas anda e quando você está se concentrando na caminhada, a alegria e a atenção plena vêm naturalmente.

Para poder aproveitar bem os passos que você dá ao caminhar, permita que sua mente se esvazie completamente de planos ou preocupações. Você não precisa gastar muito tempo e esforço para se preparar em parar de pensar. Com uma inspiração você já parou.

Você respira e dá um passo.

Você pode dar um passo a cada inspiração e um a para cada expiração. Se a sua atenção divagar, gentilmente volte a se concentrar na respiração.

10 ou 20 segundos não é muito tempo. Um impulso nervoso, uma ação em potencial, precisa de apenas um milésimo de segundo. Se quiser você pode se dar ainda mais tempo. Nesse curto tempo você pode sentir a alegria, o prazer, a felicidade de parar.

Durante esse tempo de parada o seu corpo é capaz de curar a si mesmo. A sua mente também tem a capacidade de curar a si mesma. Não há nada, nem ninguém, para impedi-lo de continuar a sentir a alegria que você produziu com um segundo passo, uma segunda respiração.

Os seus passos e a sua respiração estão sempre lá para ajudá-lo a curar-se.

Ao caminhar é possível ver a sua mente sendo empurrada e puxada pelo velho e arraigado hábito de sentir a energia da raiva ou do desejo.

Quando você reconhecer isso, simplesmente sorria e dê a esse impulso um bom banho de atenção plena e de acolhedor e amplo silêncio.

O silêncio não significa apenas não falar.

Grande parte do barulho que ouvimos é a conversa agitada dentro da nossa própria mente. Pensamos e repensamos demais, em círculos.

É por isso que no início de cada refeição devemos nos lembrar de comer apenas a nossa comida e não os nossos pensamentos. Nós praticamos dar atenção plena ao ato de comer. Não há pensamentos; nós apenas focamos toda a nossa atenção para a comida e para as pessoas que estão próximas de nós.

Isso não significa que nunca devemos pensar ou reprimir nossos pensamentos. Significa apenas que ao caminhar nós nos damos o presente de pausar o nosso pensamento, mantendo a nossa atenção em nossa respiração e em nossos passos. 
Se realmente precisamos pensar em algo nós podemos parar de andar e pensar na questão dando a ela toda a nossa atenção.

Não falar, por si só, já pode nos trazer um grau significativo de paz. Se pudermos também oferecer a nós mesmos o silêncio mais profundo de não pensar, poderemos encontrar nesse silêncio uma maravilhosa leveza e liberdade.

Deslocar a atenção para longe dos nossos pensamentos e voltar para casa para o que está realmente acontecendo no presente, é uma prática básica de mindfulness.

Podemos fazer isso a qualquer momento, em qualquer lugar, e encontrarmos mais prazer na vida. Seja cozinhando, trabalhando, escovando os dentes, lavando as roupas ou comendo, nós podemos desfrutar desse silenciamento revigorante dos nossos pensamentos e de nosso discurso.

A verdadeira prática de mindfulness não requer estar sentado meditando nem observando formas exteriores de prática. Implica olhar profundamente e encontrar a calma interior. Se não pudermos fazer isso, não poderemos tratar as energias de violência, medo, covardia e ódio em nós.

Quando nossa mente está a mil e barulhenta, a calma externa é apenas uma pretensão. Mas quando podemos encontrar espaço e calma interior, em seguida, sem nenhum esforço irradiamos paz e alegria.

Nós temos a capacidade de ajudar os outros e criar um ambiente de cura ao nosso redor sem dizer uma única palavra.

Extraído do Silence de Thich Nhat Hanh

(Tradução: Simone Palma)



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Milionário indiano doa fortuna e vira monge

A informação é da BBC Brasil:

'Rei do Plástico', milionário indiano doa fortuna e larga tudo para virar monge

Um dos homens mais ricos da Índia renunciou a sua fortuna para seguir uma vida espiritual de total austeridade.

Bhanwarlal Doshi, que criou um império do plástico avaliado em US$ 600 milhões (R$ 1,8 bilhão) pela revista Forbes, tornou-se monge do jainismo, uma das religiões mais rigorosas e tradicionais da Ásia.

O jainismo não só exige a renúncia a bens materiais, como também professa uma vida de profundo respeito à vida, em que se evita violência até contra insetos ou mesmo micróbios.

Doshi, que era casado e só usava roupas de marcas de luxo, agora será celibatário, usará somente uma túnica e caminhará descalço. As intensas atividades sociais darão lugar à meditação e quase toda a sua fortuna será doada para obras da religião.

De milionário a monge

A busca de um caminho espiritual é algo comum na Índia, mas a mudança radical na vida de Doshi para alcançar seu moksha – ou salvação – não tem precedentes, segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC.

Tampouco foi uma decisão tomada repentinamente, por causa de alguma crise mental ou moral que o empresário teria sofrido. Bhanwarlal Doshi, na verdade, passou décadas pensando em abandonar sua riqueza e entregar-se à espiritualidade.

Ele discutiu seus planos com sua família que, no início, rejeitou a ideia. Doshi queria receber a diksha, cerimônia de consagração, há três anos, mas seus familiares não permitiram.

Ele levou todo esse tempo para convencê-los, mas, no fim, foi iniciado como monge em uma cerimônia em três dias na cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia.

"Estamos orgulhosos dele. A honra e o respeito que ele recebeu quando anunciou sua decisão é algo que precisamos ver para crer", disse seu filho, Rohit, ao jornal indiano Ahmedabad Mirror.

Regime rigoroso

De certo modo, Doshi imitou um dos precursores do jainismo, Majavira, um rei que viveu entre os séculos 6 e 5 a.C.

Segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC, Majavira era um monarca que abandonou seu reinado, atormentado pela miséria que o rodeava para dedicar-se a fazer o bem à humanidade.

Dwivedi explica que duas grandes religiões surgiram na Índia mais ou menos na mesma época: o jainismo e o budismo.

O último se estendeu até o leste, com grande aceitação na China, no Tibete, no Japão e em outros países. Mas o jainismo, por causa de seu regime mais rigoroso, não encontrou o mesmo apoio e está concentrado em uma pequena área na parte ocidental da Índia. Seu número de praticantes foi diminuindo até quase a extinção, de acordo com o jornalista da BBC.

Após a iniciação como monge, Doshi enfrentará uma vida de celibato e completa austeridade, sem nenhuma das comodidades nem elementos que consideramos indispensáveis na vida moderna, como telefone, relógio, acessórios ou roupas elaboradas.

Ele se levantará todas as manhãs às quatro da manhã para praticar o ritual da alochana, a autocrítica, que consiste em refletir sobre as atividades do dia anterior e os momentos em que ele pode ter ferido algum animal.

Extremos

A consideração por todos os seres vivos é o motivo pelo qual os seguidores do jainismo não usam sapatos – para não pisar por engano em algum pequeno invertebrado no caminho.

Alguns adeptos extremos da religião também cobrem a boca para evitar que moscas entrem nela e até para não inalar micróbios no ar.

Naturalmente, os jainistas são vegetarianos, mas eles não podem dedicar-se à agricultura por receio de matar os animais que vivem na terra.

A única profissão exercida por eles é o comércio, porque consideram que, assim, não prejudicam nada e ninguém, segundo Amresh Dwivedi.

O ex-milionário Bhanwarlal Doshi é justamente um comerciante, mas de grande porte. Ele é dono da DR International, uma das maiores produtoras de plástico da Índia.




sábado, 2 de maio de 2015

Yoga contra depressão e ansiedade em idosos

Matéria publicada no Brasil Post:

Yoga evita depressão e ansiedade em idosos, diz pesquisa

Não é segredo que praticar Yoga faz bem. O corpo ganha flexibilidade, os músculos se fortalecem e a postura se aperfeiçoa. Além disso, a atividade previne os problemas cardíacos e doenças, como osteoporose e artrite. Mas a lista de benefícios não para de crescer. Recentemente, um grupo de pesquisadores um grupo de universidades, como Universidade Nacional de Singapura avaliou os efeitos da atividade em homens e mulheres com mais de 60 anos. O estudo foi feito com base em 15 trabalhos realizados ao longo das duas últimas décadas sobre a prática da Yoga.

A análise, publicada no jornal Aging and Mental Health chegou à conclusão de que a Yoga é extremamente eficaz para aliviar a ansiedade e a depressão entre os idosos.Há várias explicações para isso. Como a Yoga consiste na realização de movimentos lentos, aprende-se aos poucos a diminuir o ritmo da respiração e a controlar a ansiedade. A técnica também ajuda a treinar o equilíbrio e evitar quedas. Além disso, o fato da Yoga muitas vezes ser praticada em grupos, isso facilita a socialização entre os idosos. Diz Elisa Kozasa, neurocientista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. "Essa é uma maneira de interagir com outras pessoas que vivem a mesma fase e que também estão comprometidas em melhorar seu estilo vida".

As pesquisas na área de meditação e Yoga começaram a interessar a comunidade científica a partir da década de 70. Mas somente a partir de meados dos anos 90, sobretudo com o aperfeiçoamento dos exames de imagem, tornou-se possível observar os efeitos da técnica no organismo com mais detalhes. Pesquisadores da Universidade Harvard, por exemplo, estão conduzindo estudos que mostram os efeitos da Yoga na memória e cognição. Trata-se de uma excelente notícia para quem quer envelhecer de maneira mais saudável.



terça-feira, 14 de abril de 2015

Já existe aula de yoga com maconha na California


A matéria é do Catraca Livre:

Professora inaugura aula de yoga com maconha na Califórnia

Em São Francisco, na Califórnia, EUA, a maconha para uso medicinal já é legalizada desde a década de 1990. Recentemente, a professora canadense Dee Dussault resolveu criar a Ganja Yoga, que consiste em uma aula de yoga em que os alunos são convidados a fumar a erva antes, durante e depois da prática. As informações são do Vírgula, da UOL.

A professora é especializada em Hatha Yoga e, em entrevista à CBC San Francisco, disse que as aulas de yoga 420 são "um caminho para que as pessoas possam desfrutar de relaxamento, alívio das dores, sensualidade e paz interior".

A ideia, que está fazendo muito sucesso, funciona da seguinte maneira: os primeiros 15 minutos são de consumo de maconha, seguidos de 90 minutos de prática de Hatha Yoga.

Os benefícios da prática de conciliar a atividade física com a maconha ainda não foram estudados. Algumas pessoas afirmam que a erva pode atrapalhar, pois tira o foco do aluno, já outros acreditam que os canabinoides potencializam o relaxamento e a dedicação durante as posturas. Para participar das aulas, é necessário ter o registro de usuário medicinal.



segunda-feira, 9 de março de 2015

Meditação ajuda o cérebro a envelhecer melhor


Matéria publicada no Brasil Post:

Meditação pode proteger o cérebro dos sinais do envelhecimento, aponta estudo

Carolyn Gregoire

Meditar faz bem para o cérebro. Uma nova onda de pesquisas associa a antiga prática a vários benefícios cognitivos, de mais atenção e foco à redução dos sintomas de ansiedade e depressãoe a melhor controle cognitivoe funcionamento executivo.

Segundo um novo estudo do Centro de Mapeamento do Cérebro da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), a meditação também pode proteger o cérebro do envelhecimento. Pesquisadores da UCLA e da Universidade Nacional da Austrália descobriram que os cérebros de pessoas que meditam há muitos anos são menos afetados pelo envelhecimento que os daqueles que não meditam.

O declínio do cérebro começa aos 20 anos, e o órgão continua a diminuir de volume e peso ao longo da vida. Além de melhorar o bem-estar físico e emocional a qualquer altura da vida, a meditação pode ser uma maneira eficaz de prevenir doenças neurodegenerativas como demência, Alzheimer e Parkinson, assim como adiar o declínio cognitivo que vem com a idade. A estratégia é gratuita e não tem efeitos colaterais.

O novo estudo aprofunda uma pesquisa realizada pela mesma equipe em 2011, que mostrou que pessoas que meditam mostram menos atrofia relacionada ao envelhecimento na massa branca do cérebro, material que compõe cerca de metade do órgão e é composto de fibras nervosas usadas pelo cérebro para se comunicar.

No novo estudo, os pesquisadores observaram a ligação entre a meditação e a preservação de massa cinzenta, o tecido onde ocorre a cognição e onde são guardadas as memórias. Eles examinaram os cérebros de 100 participantes, 50 dos quais meditavam havia 20 anos em média e outros 50 que não meditavam. Ambos os grupos eram compostos por 28 homens e 22 mulheres de 24 a 77 anos.

Os cérebros dos participantes foram escaneados com ressonância magnética. Os dois grupos apresentaram diminuição de massa cinzenta por causa da idade, mas ela era menor entre os que meditavam. Em outras palavras, aparentemente a massa cinzenta ficou mais bem preservada.

"Entre os adeptos da meditação, essa relação entre perda de massa cinzenta e idade não era tão pronunciada”, disse Florian Kuth, co-autor do estudo, ao The Huffington Post. “Surpreendentemente, ela não era tão pronunciada em várias regiões do cérebro. Esperávamos ver isso só em algumas pequenas regiões... mas o que vimos foi o cérebro quase inteiro. Foi uma grande surpresa.”

Os resultados não provam causalidade – personalidade, estilos de vida e diferenças genéticas podem ser parte da explicação --, mas são promissores. O próximo passo seria um estudo longitudinal acompanhando os cérebros de um grupo de meditadores e não-meditadores ao longo de vários anos, para examinar as mudanças que ocorrem como resultado direto de anos de meditação, disse Kuth.

Numa época em que os americanos estão vivendo cada vez mais, mas sofrendo de altos índices de doenças degenerativas como Alzheimer, a pesquisa é um lembrete importante de que a meditação pode ter impacto de longo prazo no cérebro.

“Se esses resultados forem replicáveis, vai ser algo importante”, disse Kuth. “Poderia ter um impacto enorme.”

A pesquisa foi publicada online na revista Frontiers in Psychology.



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Djokovic, o tenista holístico

holistic life

OK, nós confessamos: amamos tênis! E temos a suprema felicidade de pertencer a uma geração que pôde ver em ação - entre outros - tenistas como Bjorn Borg, John McEnroe, Jimmy Connors, Pete Sampras, Ivan Lendl, Andre Agassi, Guga Kuerten e os três gênios da atualidade, Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic.

É sobre este último a matéria publicada no Brasil Post:

Como uma 'abordagem holística da vida' transformou Novak Djokovic em campeão


Paul Vale

O campeonato de Wimbledon de 2013 foi memorável (pelo menos para os britânicos) pela quebra de um dos recordes mais notáveis do tênis - o final de uma longa espera por um campeão britânico masculino no All England Club, espera que durava desde a década de 1930.

No entanto, nas semanas antes da final, quando Andy Murray acabou sendo coroado como vencedor, a notícia que circulava era que Novak Djokovic, o atual jogador número 1 e oponente de Murray naquela final, havia visitado um templo budista em Londres para fazer sessões de meditação.

As sessões não se tratavam de um exercício religioso para o sérvio (que é membro devoto da tradicional Igreja Ortodoxa de seu país), mas faziam parte do que ele descreve como a 'abordagem holística' que ele aplica não só à vida mas ao tênis também - que inclui a prática da meditação, juntamente com o ioga, hábitos alimentares específicos, um padrão regrado de sono e, é claro, treinamento intensivo do tênis.

Nos últimos anos, Djokovic tornou-se não só um dos maiores jogadores a empunhar uma raquete, mas tornou-se também um tipo de ícone de como a consciência e bem-estar estão sendo incorporadas aos mais altos níveis de competição esportiva -- uma abordagem que permitiu ao vencedor de quatro títulos ser o favorito para a conquista de uma quinta vitória no Australian Open ainda esse mês.

Se o jovem de 27 anos nascido em Belgrado alcançou o ápice do esporte através de um estilo de vida equilibrado, o seu início no jogo foi graças a uma única pessoa, Jelena Gencic, o técnico que com toda sua experiência nutriu o talento do jovem sérvio no balneário das montanhas de Kopaonik. Djokovic explica a influência de Gencic como sendo - "uma das figuras mais importantes na minha vida" - em um dos três filmes preparados para Jacob's Creek antes do torneio em Melbourne.

Mas Gencic foi mais do que apenas um técnico, ele "cuidava de cada aspecto" da "vida profissional e privada" da futura estrela do tênis, um papel que segundo Djokovic relatou ao HuffPostUK, incluía as notas que ele tirava na escola, o tipo de música que ele ouvia até o quanto ele dormia -- uma preparação para a atitude abrangente que hoje ele adota como mantra.

Antes dos campeonatos, Djokovic usa técnicas de respiração para ajudá-lo a "alinhar os pensamentos" e "manter a compostura" - ato que ele considera parte essencial na preparação de qualquer atleta para uma competição. Isso é necessário especialmente no tênis, ele argumenta, já que o jogador precisa enfrentar sozinho "as pressões e expectativas".

Famoso por rebater com firmeza independente do nível de pressão (um aspecto psicológico do jogo enfrentado pela maioria dos jogadores profissionais), Djokovic utiliza a respiração para "atingir o nível máximo de auto-controle", apesar de admitir que essa é apenas "uma das peças do quebra-cabeça".

"Seu estilo de vida, seu treino, a forma em que você encara a vida... tudo isso é muito importante", ele diz.

A nutrição é outro aspecto que tem um papel importante na formação de um campeão.

Djokovic é famoso por adotar uma alimentação sem glúten, por ter sido diagnosticado com intolerância ao trigo em 2009. Essa revelação transformou um jogador que mostrava potencial, porém com tendência a problemas respiratórios e cansaço, em um campeão do Grand Slam.

Em seu livro de 2013, "Sirva Para Vencer", Djokovic relatou com detalhes como ele se sentia antes do diagnóstico da intolerância: "Cada vez que eu dava um grande passo em direção ao meu sonho, sentia como se houvesse uma corda amarrada em meu tórax que me puxava para trás. Fisicamente, eu não conseguia competir. Mentalmente, também não sentia que pertencia na mesma quadra que os melhores do jogo".

O diagnóstico o levou a mudar totalmente a sua alimentação, resultando em sete títulos individuais do Grand Slam e mais do que 129 semanas na primeira posição do ranking mundial da ATP. Hoje Djokovic segue uma dieta rígida de alimentos orgânicos; ele mesmo tenta preparar muitas de suas próprias refeições.

O jogador também o sono bastante regrado, tentando sempre dormir "de 8 a 10 horas por noite para recuperar e revitalizar o corpo, especialmente em época de competição".

"É difícil dar uma fórmula geral para o sucesso", ele diz, "mas eu acredito que um estilo de vida holístico, equilibrado é a melhor abordagem que se pode ter [no esporte]. Por outro lado, também é o mais complexo e requer muito tempo para entender quem você é, qual o seu caráter e os aspectos do seu caráter que precisam ser fortalecidos".

Ele conclui dizendo: "Isso é importante não só para ser o melhor atleta possível, mas também a melhor pessoa possível".

Nos vídeos 'Made By Films' de Jacob's Creek, Djokovic revela histórias inéditas sobre a sua vida, celebrando as pessoas, lugares e paixões que fizeram dele o campeão de tênis que é hoje.



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Meditação contra depressão

Artigo da Forbes traduzido e adaptado por Natasha Romanzoti para o HypeScience:

Meditação é tão eficaz quanto remédios para tratar depressão?

Aposto que você já ouviu falar de pelo menos um ou dois benefícios da meditação, por exemplo, que ela melhora o sistema imunológico ou que aumenta a nossa capacidade de atenção.

Cada vez mais cientistas descobrem as vantagens dessa prática, principalmente para o cérebro. O tratamento da depressão pode ser a mais nova a ganhar respaldo científico.

Um novo estudo da Universidade Johns Hopkins (EUA), uma revisão de pesquisas sobre o assunto, concluiu que a meditação de atenção plena pode rivalizar com antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão.

A revisão é notável porque os autores analisaram milhares de estudos anteriores sobre meditação, chegando a um pequeno número de ensaios clínicos randomizados (o padrão de ouro na ciência) para exame. Meditação de atenção plena pode não curar tudo, mas quando se trata de depressão, ansiedade e dor, a prática pode ser tão eficaz quanto medicação.

47 ensaios clínicos randomizados, que juntos englobaram mais de 3.500 participantes que ou praticaram meditação (atenção plena ou mantras) ou se engajaram em um outro tratamento, como exercício físico, foram analisados.

Alguns definiam a atenção plena como a prática de prestar atenção aos próprios processos internos (pensamentos e/ou sensações corporais) de maneira curiosa, mas sem julgamento. “Muitas pessoas têm a ideia de que meditação é sentar e não fazer nada. Isso não é verdade. A meditação é um treinamento ativo da mente para aumentar a conscientização, e diferentes programas abordam isso de formas diferentes”, afirma o principal autor do estudo, Madhav Goyal.

O tamanho do efeito da meditação sobre a depressão foi considerado moderado, de 0,3. O que torna esse resultado impressionante é que o tamanho médio do efeito da medicação antidepressiva, principal método de tratamento da doença, também é 0,3. Assim, no que diz respeito a tratar da depressão, doença com uma taxa de cura notoriamente baixa, a meditação pode ser uma escolha igual ou ainda melhor do que drogas, já que, ao contrário dos remédios, não possui efeitos colaterais.

Não houve evidência de um efeito da meditação sobre outras medidas, como atenção, humor positivo, uso de substâncias, hábitos alimentares, sono e peso. Mantras não pareciam ter o mesmo sucesso que a meditação de atenção plena, mas isso pode ser, em parte, porque os pesquisadores tinham muito poucos estudos sobre a modalidade para tirar conclusões reais.

Goval ainda alerta que a maioria dos estudos incluídos na revisão utilizaram períodos de treino muito curtos – geralmente oito semanas ou menos – e que é possível que os resultados sejam ainda melhores com períodos mais longos de meditação.

“Em comparação com outras habilidades, a quantidade de treinamento recebida pelos participantes nos estudos foi relativamente breve. No entanto, vimos um benefício pequeno, mas consistente para sintomas de ansiedade, depressão e dor. Então, podemos ver efeitos maiores com mais treinamento e prática”, diz.

O próximo passo do estudo, inclusive, deve se concentrar nesta questão.

Como não há nenhum grande mal conhecido da meditação, e a prática não vem com quaisquer efeitos secundários, uma boa opção é se engajar na atividade junto com outros tratamentos que o paciente já esteja recebendo.

“É importante mencionar que a psicoterapia ou terapia da conversa, particularmente a terapia cognitivo-comportamental, é conhecida por ser pelo menos tão eficaz quanto antidepressivos e ainda mais eficaz quando combinada com os remédios”, argumenta Goval.

Embora os mecanismos por trás do efeito da meditação sobre a depressão não sejam totalmente claros, os pesquisadores têm alguns palpites. A prática pode aumentar a regulação de atenção, a consciência corporal e a regulação emocional, bem como alterar a autoperspectiva das pessoas (por exemplo, descentramento), o que por sua vez pode desempenhar um papel na doença.

Em um nível puramente biológico, exames de ressonância magnética mostraram que a meditação está ligada a uma redução de atividade na amígdala, a área do cérebro que regula a resposta ao estresse, e também a uma redução da atividade na rede do cérebro que fica “acesa” quando nossa mente está vagando de pensamento em pensamento, situação que muitas vezes causa sentimentos de infelicidade e estresse.



sábado, 21 de dezembro de 2013

Prática da meditação avança no mundo empresarial


Artigos publicados no jornal Valor Econômico em 07/10/13:

Meditação para aguentar a crise

Por John Paul Rathbone | Do Financial Times

Nos últimos 20 anos, todos os dias, duas vezes por dia, o executivo encarregado de aplicar dezenas de bilhões de dólares do fundo soberano de investimentos de Cingapura não pensa em nada. Ele faz isso sentando-se em silêncio e repetindo algo em sua cabeça. Depois de alguns minutos, sua respiração fica mais calma, os músculos de seu rosto relaxam e suas pálpebras param de tremer.

Sei disso porque estou sentado diante de Peter Ng. Mas, ao contrário dele, sou amador em meditação. Na metade de nossa sessão de 20 minutos, abri meus olhos após me ocupar com um pensamento: será que isso é mesmo compatível com o mundo cruel das finanças? A pergunta faz sentido, uma vez que Ng está sentado em uma almofada com uma propaganda do Chartered Financial Analysts Institute (CFA), um organismo definidor de normas para gestores de fundos e analistas financeiros.

Ao longo da última década, a meditação - a prática de se libertar dos pensamentos e emoções que representam nosso fluxo de consciência - deixou de ser algo esotérico para se transformar em uma atividade quase tão onipresente quanto os exercícios físicos ou o uso do fio dental. O Google e a General Mills, por exemplo, encorajam a prática para tornar seus funcionários mais produtivos.

Agora, a meditação também está entrando na área de finanças. Ray Dalio, fundador do Bridgewater, o maior fundo de hedge do mundo, com US$ 150 bilhões em ativos, não tem dúvidas quanto aos seus efeitos. "A meditação, mais do que qualquer outra coisa, é responsável por todo sucesso que já tive", garante. "Quando medito, adquiro uma tranquilidade que me permite ver as coisas de uma perspectiva mais elevada e, assim, tomar decisões mais sábias."

Lord Myners, ex-presidente do conselho de administração da Marks & Spencer e ministro do Tesouro britânico, também busca na prática uma ajuda para se concentrar. "A meditação faz com que eu me acalme e consiga ver as coisas de forma mais clara e abrangente", afirma. "Provalmente eu seja mais eficiente por causa dela, embora não vá dizer que a meditação me tornou uma pessoa melhor. Isso seria medonho!"

A ideia de que a meditação pode proporcionar uma sensação maior de tranquilidade já foi provada em testes clínicos e é conhecida pela neurociência. O CFA Institute ministra aulas de meditação e as escolas de negócios cada vez mais oferecem cursos sobre suas "vantagens comportamentais". No ano que vem, como parte de seu programa de MBA, a Universidade Georgetown terá um módulo liderado por Laurence Freeman, um monge beneditino que preside a Comunidade Mundial de Meditação Cristã.

Embora faça proselitismo dos benefícios da prática, Freeman é ciente de que seu componente espiritual pode afugentar muitas pessoas. "A meditação é um aspecto de uma tradição cristã muito antiga e universal que pode ser compartilhada com qualquer um", diz. "A distância que ela mantém das religiões formais proporciona uma zona de conforto."

Mesmo assim, muitos se mostram céticos de que "executivos macho-alfa" possam deixar seus egos de lado enquanto meditam. Grande parte dos profissionais do mercado financeiro ainda veem a prática como uma atividade "new age" duvidosa. Lord Leitch, presidente do conselho de administração da Bupa, organização privada de serviços de saúde, diz que a meditação pode gerar reações negativas. "Às vezes recebo olhares estranhos quando menciono algo sobre isso. Definitivamente não é para todos, mas acho que deveríamos estar abertos para técnicas que possam ser úteis em nossa vida."

Um problema mais difícil é encontrar tempo. "É o maior desafio, e o motivo que mais leva as pessoas a parar", diz Dalio, que medita desde 1969 e garante que as pessoas que a praticam por seis meses nunca mais voltam atrás. "Não consigo dizer qual é a diferença entre as pessoas que meditam e as que não, mas é possível notar uma mudança de comportamento em alguém que faz isso regularmente."

Para Sean Hagan, conselheiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), que começou a meditar há 30 anos quando era um advogado novato do J.P. Morgan, é preciso estabelecer prioridades. "Você chega ao escritório todas as manhãs e sempre há muitas coisas para fazer. Essa situação é opressiva e pode provocar uma sensação de pânico", afirma. A meditação, desse modo, o ajuda a manter o foco e a fazer, com calma, uma coisa de cada vez. "Como a prática me proporciona muitos benefícios, ela é uma prioridade para mim", diz.

Outros, como Philipp Hildebrand, vice-presidente do conselho de administração da BlackRock e ex-presidente do Swiss National Bank, que medita há sete anos, arrumam um espaço em suas agendas quando podem - o que inclui aeroportos ou quando estão em trânsito entre reuniões. "Em um mundo de telas, textos, celulares e informação por toda parte, passar 20 minutos sem pensar em nada é uma coisa maravilhosa", diz Hildebrand.

Dominar a mente pode ajudar gestores a ter mais energia na vida profissional diária, mas é particularmente útil durante uma crise, "quando mercados voláteis e suas implicações para os lucros e as perdas podem realmente desequilibrar você", enfatiza Ng.

Nenhum dos entrevistados sugeriu que a meditação é um passaporte para o nirvana, ou algo incrível que acontece quando você simplesmente desliga o iPhone. "Não se trata de mágica", diz Lord Leitch. Na verdade, embora pareça estranho que profissionais do mercado financeiro, sempre criticados pela falta de ética, estejam interessados em meditação na esteira da crise, pode ser exatamente por causa dos problemas na economia que muitos estejam se voltando para ela.

"Em períodos de turbulência, as pessoas, especialmente as mais jovens, procuram você não só em busca de conhecimento técnico", diz Hildebrand. Nesse contexto, a meditação parece ter aumentado a disposição de alguns executivos em explorar sua própria interioridade. Se isso fará alguma diferença na ética do mundo financeiro, porém, ainda não se sabe.




Hábito zen desperta certo preconceito

Por Letícia Arcoverde | De São Paulo

No Brasil, o operador de ações da BI&P Indusval Fabio Galdino de Carvalho tem como hábito meditar entre 30 e 40 minutos antes de começar o dia. Quando "o corpo pede", o executivo até repete a dose à noite, após o expediente. Para ele, a prática ajuda no condicionamento físico e mental, e especialmente no relacionamento com clientes e colegas de trabalho.

Hoje no cargo de "equity sales trader", Carvalho trabalha no mercado financeiro há 28 anos e sabe que esse ambiente pode ser muito estressante. "Tenho mais discernimento para reagir em uma situação adversa", diz. "A meditação diminui o conflito, e tento transmitir isso para quem estou atendendo durante o dia". O costume começou em 2008, quando participou de uma atividade de autoconhecimento por sugestão de um colega do banco onde trabalhava. Isso abriu portas para outros cursos - um deles sobre meditação.

No entanto, ele conta que nem todos entendem como o hábito zen se relaciona com o trabalho e diz que há até um certo preconceito. "A meditação é algo que não tem apelo material, e o ambiente do mercado é oposto. Esses caminhos alternativos não fa



LinkWithin

Related Posts with Thumbnails