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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Sumô luta para sobreviver após 15 séculos de tradição no Japão


A matéria foi publicada na BBC Brasil:

'Chorava todos os dias': o lado obscuro da vida dos lutadores de sumô no Japão

Rebecca Seales

De pé em meio ao frenesi dos flashes disparados em sua direção, o lutador anuncia com os olhos marejados sua aposentadoria imediata. "Desculpem-me do fundo do meu coração", ele diz após se curvar e permanecer nessa posição por um longo tempo.

Harumafuji é um grande campeão do sumô, conhecido em japonês como yokozuna. Em 25 de outubro, ele agrediu um lutador mais jovem em um bar, fraturando seu crânio, um caso que foi alvo de um inquérito policial e permaneceu nas manchetes por semanas.

O atleta, de 33 anos, chegou a pedir desculpas pelo ocorrido e decidiu se aposentar do esporte, mas foi acusado formalmente de agressão na última quinta-feira. Ele deve pagar uma multa, em vez de ser julgado em um tribunal.

De acordo com relatos, Harumafuji teria ficado furioso quando tentou dar conselhos ao rapaz e este continuou olhando o próprio celular.

O incidente reacendeu uma discussão sobre o esporte nacional do Japão, e não é a primeira vez que algo assim acontece. Há uma década, a reputação do sumô entrou em crise quando um rapaz de 17 anos que treinava para ser lutador morreu após levar uma surra com uma garrafa e um taco de baseball.

Os agressores eram seus toshiyoris, ou anciãos, como são chamados os ex-lutadores que assumem posições de autoridade, podendo ser treinadores e gerentes de um ginásio de sumô.

Em 2010, o esporte levou um novo golpe com a descoberta do envolvimento de um atleta e de um treinador em um esquema ilegal de apostas em partidas de baseball que teria ligações com a máfia japonesa, a yakusa.

No mesmo ano, o mentor de Harumafuji, o grande campeão mongol Asashoryu, deixou o sumô após se envolver, embriagado, em uma briga do lado de fora de uma boate na capital do país, Tóquio. Depois, vieram à tona provas da combinação prévia de resultados na segunda divisão do esporte.


Seriam sinais de que o sumô está em declínio e que a disciplina que um dia o definiu está em decadência? Ou será simplesmente que, após 15 séculos, o lado obscuro do esporte está finalmente vindo à tona? 


'Os mongóis estão chegando'


Uma forma de responder essas questões é olhar para a origem do esporte e para o duro regime de treinos ao qual os lutadores são submetidos.

Ainda que o sumô tenha surgido a partir de rituais de templos japoneses entre 1,5 mil e 2 mil anos atrás, o país não domina mais o circuito internacional da luta. Até a aposentadoria de Harumafuji, havia quatro grandes campeões. Três deles, inclusive o do agora aposentado Harumafuji, eram da Mongólia.

Rússia, Havaí, Samoa e países do leste europeu costumam enviar lutadores promissores para os ginásios de sumô do Japão, locais em que mestres treinam adolescentes na arte que um dia foi a grande atração das cortes imperiais da nação asiática.

O sumô não é apenas um esporte no país. É uma cerimônia que abre uma janela para o passado, calcada na tradição e na essência do que é ser japonês. Rituais rígidos estabelecem um código de conduta, e ser nascido no exterior não é desculpa para não receber um tratamento tão duro quanto o conferido aos nativos.

Todos os lutadores devem usar trajes tradicionais em público, inclusive um coque como o de samurais. Nas competições, o triunfo e o fracasso devem gerar a mesma reação impassível. Em conversas, o lutador deve ser um modelo de humildade e falar suavemente, comportando-se com hinkaku, ou dignidade. O status é tal que estranhos se curvam quando cruzam com eles na rua.

Cada um dos 45 centros de sumô no país aceita treinar apenas um estrangeiro, ou gaikokujin, de cada vez, por ordem da conservadora Associação de Sumô do Japão. E, quando conseguem chegar lá, normalmente aos 15 anos e com no máximo 23, devem comer, falar, vestir e respirar como japoneses.

Cozinhando, limpando – sem nada para o café da manhã

"(Os lutadores) São como soldados recebendo treinamento básico", explica Mark Buckton, um ex-comentarista e colunista de sumô do jornal Japan Times. "São eles que cozinham, limpam, descascam batatas... E todos aprendem japonês."

O ginásio de sumô é regido por uma hierarquia rigorosa, com um mestre – um ex-lutador – no comando. "Não é como no futebol, em que você pode se transferir de um time para outro", diz Buckton à BBC.

"Você faz parte de um ginásio para o resto da vida. A única forma de sair dele é abandonando o sumô."

Os lutadores deixam o cabelo crescer, normalmente até o meio das costas, para que o cabeleireiro do ginásio possa fazer um penteado tradicional. Só lavam o cabelo a cada uma ou duas semanas, e passam nele bintsuke, um tipo de cera feita a partir de soja com um cheiro adocicado que acompanha o lutador aonde ele vá.

As refeições, geralmente compostas de um caldo quente rico em proteína com vegetais, são tão controladas quanto o regime de treinos, em que os jovens passam horas tentando empurrar seus enormes colegas em um círculo coberto por areia. "Eles comem muito. Mas o crucial é ir dormir logo após de comer", diz Buckton.

"Eles não tomam café da manhã. Todo o treinamento ocorre pela manhã. Eles almoçam quase o mesmo que uma pessoa normal, talvez um pouco mais. Mas comem isso com uma grande quantidade de arroz. Depois, vão para a cama e só acordam no meio da tarde. Comem de novo à noite e vão dormir cedo, porque se levantam às 5h, 6h da manhã para treinar."

Ginásios mais rigorosos costumam gerar lutadores melhores? "Com certeza, com certeza", afirma o especialista.

Sem salário, namoradas ou telefones

Há seis competições profissionais de sumô por ano, todas no Japão. Um lutador ganha ao forçar seu oponente a sair do círculo ou ao fazê-lo tocar o chão com alguma parte do corpo que não os pés. Conforme acumula vitórias, o lutador sobe no ranking.

Há cerca de 650 lutadores nas seis divisões, mas apenas cerca de 60 disputam a primeira. Eles não recebem salários nas quatro divisões inferiores. Um lutador talentoso pode levar de dois a três anos para começar a receber um salário.

Quando há pagamento, ele é bom: cerca de US$ 12 mil (R$ 39,6 mil) por mês na segunda divisão, um valor que pode chegar a US$ 60 mil (R$ 198 mil) na elite do esporte, incluindo contratos de patrocínio.

Os lutadores mais jovens devem usar um traje de tecido de algodão fino, o yukata, e geta, ou sandálias de madeira, mesmo no auge do inverno. Dirigir não é permitido, mas os melhores lutadores têm motoristas, algo que é tanto um símbolo de status quanto uma necessidade, já que seu tamanho dificulta a vida ao volante.

Celulares e namoradas são tecnicamente proibidos abaixo das duas primeiras divisões, ainda que haja uma tolerância crescente com isso. Mulheres não podem morar nos ginásios, e lutadores não podem se casar ou morar em outro local com sua namorada até atingir ao menos a segunda divisão.

Caso se machuque e caia para a terceira divisão, o lutador deve deixar sua mulher e filhos para trás e voltar a morar no ginásio.

O que acontece se os jovens não atenderem os padrões dos mestres ou criticarem o regime quase monástico do ginásio? "Ah, eles são terríveis", diz Buckton. "Antes do rapaz ser morto em 2007, havia espancamentos frequentes. Você via os caras com marcas nas costas e na parte de trás das pernas por não se esforçarem o suficiente."

No ano passado, segundo relatos, um lutador recebeu quase 32,4 milhões de ienes (R$ 946,3 mil) de indenização após de ter sido maltratado diariamente e ficar cego de um olho.

Depois que Takashi Saito, de 17 anos, foi espancado até a morte por ter ameaçado deixar seu ginásio, o grande campeão mongol Hakuho relatou experiências chocantes de surras que chegam a durar 45 minutos.

"Você pode olhar para mim agora e ver um semblante feliz, mas, na época, eu chorava todos os dias", disse. "Os primeiros 20 minutos são muito dolorosos, mas, depois, fica mais fácil, porque mesmo que você esteja apanhando, começa a sentir menos dor. Claro que chorei e, quando meu ancião disse que isso era para meu próprio bem, chorei de novo."

Quebrando o silêncio

Mas por que - em um esporte que submete seus maiores talentos a anos de punição corporal - Harumafuji foi forçado a se aposentar após agredir um lutador mais jovem? "Bem, ele bateu no rapaz em um bar...", afirma Buckton.

O escritor Chris Gould, que acompanha o universo do sumô há três décadas, diz que o "pacto de silêncio" no esporte é bem poderoso.

"Há uma consistência impressionante em como o treinamento e as punições são aplicados em diferentes ginásios e ao longo do tempo. Isso significa que, quando ocorrem incidentes como o de Harumafuji, não se fala sobre o assunto para preservar o grupo", diz Gould.

No episódio mais recente, o técnico do lutador agredido foi quem fez a denúncia e defendeu mudanças no esporte. "É interessante ver um técnico ser criticado por quebrar o código de silêncio. Na maioria dos esportes, ele seria celebrado como um herói."

Com esse tipo de atitude, é possível esperar que jovens continuem se interessando pelo esporte?

Os dias em que a promessa de duas boas refeições diárias atraía jovens de famílias pobres do Japão rural para o sumô ficaram no passado, e esportes como o futebol e o baseball oferecem salários melhores sem o risco de sofrer violência.

Mas, apesar de tudo isso, a popularidade do sumô vem crescendo. Em janeiro, foi consagrado o primeiro campeão japonês em quase duas décadas, para a alegria dos fãs. A Associação de Sumô do Japão também tem feito campanhas publicitárias para voltar a tornar o esporte atraente.

Na visão de Chris Gould, a previsões sobre a ruína do sumô foram prematuras. "Ainda não é hora de entrar em pânico quanto ao futuro. Mas a associação precisa divulgar o que o sumô defende ou não, seus valores fundamentais. A não ser que isso aconteça, o número de grandes lutadores em potencial que nem chegam a entrar para o esporte só vai continuar a crescer."



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Rio de Janeiro faz "esfihaço" para abraçar imigrante sírio que foi vítima de xenofobia

O imigrante sírio feliz da vida na foto de Matheus Pereira, do G1

Meus amigos "evangélicos góspeis", é essa a atitude cristã em relação aos fracos e desfavorecidos, não essa xenofobia e esse ódio aos pobres e ao diferente que vocês demonstram ao apoiar um certo candidato cujo nome não deve nem merece ser pronunciado, mas dificilmente vocês entenderão.

Cristãos acolhem, amam e pregam o evangelho puro de Jesus Cristo, e se tiverem que morrer para tanto, serão martirizados como "ovelhas destinadas ao matadouro" (Romanos 8:36), sem mais.

Como Tertuliano já dizia, "o sangue dos mártires é a semente da igreja", mas quem era Tertuliano (±160-220 d.C.) perto dos nobilíssimos, santíssimos e poderosíssimos líderes evangélicos brasileiros atuais, não é mesmo?

Não são "apóstolos do ódio", como alguns famosos "pregadores" hoje se propõem, simples assim...

Talvez somente quando alguns dedos misteriosos escrevam "mene mene tequel parsim" nas paredes dos seus lautos banquetes de autolouvaçao desenfreada (Daniel 5), meus caros religiosos fascistas, vocês perceberão que o seu tão propalado "reino" político-ideológico padece de autofagia.

Aí será tarde demais...

A matéria é do G1:

Cariocas fazem fila em 'esfihaço' para apoiar refugiado sírio agredido em Copacabana

Após divulgação de vídeo em que é hostilizado por outros ambulantes, Mohamed Ali recebe apoio dos brasileiros. Perto dali, no Arpoador, grupo protestou contra muçulmanos.

Matheus Rodrigues


Uma longa fila se formou neste sábado (12) nas ruas de Copacabana em torno de um carrinho de salgados árabes. Ninguém duvida do sabor das esfihas e quibes, mas o motivo para tanta gente em torno do vendedor é outro: dar apoio ao refugiado sírio Mohamed Ali, que dias atrás foi vítima de hostilizado por outros ambulantes, na esquina da Rua Santa Clara com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Entre uma foto e outra entrevista, Mohamed não sabia definir o que estava sentindo. Muitos cariocas foram à mesma esquina para prestar solidariedade.

Os insultos foram registrados por quem passava e a imagem, rapidamente, se espalhou pelas redes sociais (veja nas reportagens acima). Mohamed Ali foi agredido verbalmente depois de ter o carrinho empurrado pelos agressores. Algumas mercadorias caíram no chão.

O ambulante que aparece no vídeo com dois pedaços de madeira na mão fala para Mohamed voltar para o país dele, sair do Brasil, e o ofende.

"Sai do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba miseráveis que mataram crianças, adolescentes. São miseráveis. Vamos expulsar ele!", disse.

Mohamed não postou o vídeo e não foi à polícia. "Eu não quero problemas, só quero trabalhar. Eu não quero problema para ninguém", disse Mohamed Ali.

Solidariedade


O evento teve fila de quem estava disposto a ajudar...
Um empresário promoveu o “esfihaço” deste sábado e iniciou uma "vaquinha on line" para conseguir um food truck para o amigo. Guilherme Benedictis resolveu promover o evento “Comer esfiha na barraca do Mohamed” em uma rede social. Até este sábado, o evento tinha confirmação de 11 mil pessoas e despertou o interesse de outras 33 mil.

Mohamed tem 33 anos, é filho de pai sírio e mãe egípcia, nasceu na Síria e foi criado no Egito, de onde saiu há três anos. Diz que no Brasil as pessoas respeitam a religião do outro, e ele pode viver "em paz". Mesmo após a agressão, ele defende o país. "Eu amo o Brasil".

O sírio é casado com uma brasileira e tem um filho. Fugiu da guerra no Oriente Médio e não quer mais conflitos por aqui. "Eu fui para a guerra lá, cheguei aqui e não quero guerra aqui."

Na quinta-feira (10), Mohamed recebeu das mãos do prefeito Marcelo Crivella uma licença para trabalhar em Copacabana.

Protesto contra muçulmanos


Mas o ódio "religioso" nunca pode ser ignorado, há sempre gente disposta ao pior que o ser humano pode oferecer...


Enquanto o sírio era homenageado após sofrer ataques de xenofobia e intolerância religiosa, um grupo de cerca de 20 pessoas fez um protesto com ataques contra muçulmanos a poucos quilômetros dali, no Arpoador. Vestidos de preto e com cartazes com palavras como "muçulmanos: assassinos, sequestradores, estupradores", eles caminhavam em silêncio.

A educadora Débora Garcia estranhou a movimentação e, ao ler os cartazes, resolveu fotografar.

"Minha primeira reação foi não entender o que estava acontecendo. Até porque as mensagens pareciam misturar alhos com bugalhos. Pareceu um movimento 'cristão' radical contra muçulmanos, [grifamos] fazendo algum tipo de analogia louca com assassinatos, sequestros e estupros. Como se pra cometer esses crimes tivesse que ter alguma relação com algum credo em especial", disse, em entrevista ao G1.

"Estranhei a quantidade de cartazes e o uniforme preto. Primeiro, achei que era em defesa de migrantes, estrangeiros. Depois, que vi que eram totalmente contra praticamente um pedido para que saiam daqui", contou.



sábado, 29 de abril de 2017

Após vitória de Le Pen em sua cidade, prefeito francês renuncia para não "dedicar sua vida a um bando de imbecis"

A notícia é da Rádio França Internacional:

Prefeito de cidade que votou em Marine Le Pen anuncia demissão

O prefeito socialista da cidade de Annezin, no norte da França, Daniel Delomez, declarou que não iria “dedicar sua vida a um bando de imbecis”.

Annezin é uma pequena cidade de 6000 habitantes situada no norte do país. Neste domingo (23), no primeiro turno da eleição presidencial, 38,09% de sua população votou na representante do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen. Uma desilusão difícil de superar para o Daniel Delomez, de 70 anos, prefeito da cidade há nove anos. “É uma catástrofe!”.

Nesta segunda-feira (23),o prefeito admitiu “ que se exasperou”, mas a essência de sua opinião “continuava a mesma”. Ele também disse que o clima de domingo à noite na cidade o incomodou. “Fiquei incomodado com tantas pessoas votando na Frente Nacional”, explicou Delomez.

Extrema-esquerda em segundo lugar

Boa parte da população de Annezin representa o eleitorado padrão de Marine Le Pen, formado por operários de baixa renda e pouca instrução. Na cidade, o candidato da extrema-esquerda, Jean Luc Mélenchon, obteve 19,25% dos votos e o do centro, Emmanuel Macron, 17,29% dos votos. No cômputo geral, a candidata da extrema-direita teve 21,5% dos votos e Macron 23,7%. Esta é a primeira vez na história da França que a extrema-direita obtém esse resultado.



quinta-feira, 6 de abril de 2017

Candidato de muitos evangélicos, Bolsonaro consegue ser racista na Hebraica do RJ

Amiguinhos gospel de ocasião... 

Manja aqueles "evangélicos" super coerentes que defendem o direito à vida quando lhes perguntam sobre o aborto e votam em quem defende tortura, linchamentos de menores de idade e assassinatos sumários em tempos de ditadura?

Talvez - para eles - o direito à vida seja só uma questão da idade do feto ou de sua ideologia, não é mesmo?

Pois é... o candidato deles, cujo nome não se deve falar, ou pelo menos economizar ao máximo a referência a esse fascista, conseguiu ser convidado a dar uma "palestra" no clube Hebraica do Rio de Janeiro, após sua similar em São Paulo ter rejeitado tamanha desonra.

Na Hebraica carioca,  o Lord Voldemort gospel soltou pérolas racistas como essas:
“Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Nem pra procriador ele serve mais”.
“Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Não, porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual a essa raça que tá aí embaixo, ou como uma minoria que tá ruminando aqui do lado”
Nesta última fala, o nazifascista tupiniquim se referia ao protesto que judeus faziam na porta do clube naquele momento, e o cineasta Silvio Tendler resumiu assim o constrangimento deles num vídeo publicado no Youtube:




quinta-feira, 30 de março de 2017

Arcebispo primaz chama de traidores os mexicanos que ajudarem a construir o muro de Trump


A informação é da ACIDigital:

Se mexicanos construíssem muro de Trump seriam “traidores da pátria”, diz Arquidiocese

Cidade do México, 29 Mar. 17 / 08:00 am (ACI).- O semanário ‘Desde la Fe’, da Arquidiocese Primaz do México, advertiu que aqueles empresários mexicanos que participarem na construção do muro na fronteira com os Estados Unidos “deveriam ser considerados como traidores da pátria”.

Em seu editorial do dia 26 de março, intitulado “Traição à pátria”, o semanário católico assinalou que “qualquer empresa com intenções de investimento no muro do fanático Trump seria imoral, mas sobretudo, seus acionistas e proprietários deveriam ser considerados como traidores da pátria”.

Desde a campanha eleitoral na qual foi escolhido presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ofereceu construir um “grande muro ao longo da fronteira sul” e assegurou que “o México pagará pelo muro”.

Este muro, segundo Trump, ajudaria a combater a imigração ilegal do México aos Estados Unidos.

Em 2016, as autoridades americanas prenderam mais de 415 mil imigrantes ilegais na fronteira com o México. Cerca de 46,4% dos presos eram mexicanos.

‘Desde la Fe’ assinalou que “com o passar dos meses, as políticas migratórias de Donald Trump enfrentam a realidade. Foi fácil a demagogia na campanha, mas as ações, na prática, se tornam difíceis ante a notável oposição da sociedade civil, igrejas e ativistas, que enfrentam um governo errático cujas promessas não são de fácil consolidação”.

“Trump designou um orçamento de dois bilhões de dólares para a construção do muro, o qual deve reunir características sólidas de infraestrutura e de suave estética para esconder, sob a pintura e as luzes, o ódio, a mutilação e a divisão”, assinalou o semanário.

Para a publicação católica, “é lamentável que, deste lado da fronteira, há mexicanos prontos a colaborar com um projeto fanático que aniquila a boa relação no concerto das duas nações que compartilham uma fronteira comum”.

“Não se trata de duas ou três, pois são mais de 500 empresas que buscam conseguir boas fatias econômicas. Para elas, o fim justifica os meios”, criticou e, além disso, lamentou que as autoridades mexicanas “não demonstraram firmeza contra estes empresários”.

Para a publicação da Arquidiocese Primaz do México, que assegura que a construção do muro é um “direito inalienável” dos Estados Unidos, “são estes mesmos míopes que não conseguem ver que o muro é uma grande ameaça que vulnera as relações e a paz social”.

“Recordemos que, em nome da ideologia, nações e continentes inteiros foram divididos, conduzindo milhares de pessoas na incerteza. A única voz predominante foi a das armas, das balas, da repressão e do assassinato legal para qualquer pessoa que se atrevesse a cruzar uma fronteira em busca de liberdade”.

‘Desde la Fe’ assegurou que as empresas mexicanas que se somarem ao projeto de Trump alimentarão “todas estas formas de discriminação que ao longo da história submeteram milhões de seres humanos. Praticamente, unir-se a um projeto que é uma grave afronta à dignidade, é atirar no próprio pé”.



domingo, 5 de março de 2017

Em pleno 2017, bolivianos são vendidos como escravos em feira livre de SP

Constatação: fracassamos miseravelmente como sociedade.

A prova cabal é a notícia - inacreditável sob todos os parâmetros - que foi publicada no Estadão em 04/03/17, para nosso horror e vergonha coletiva:

Na Justiça do Trabalho, há até caso de bolivianos 'à venda'

Caso ocorreu em 2014, mas decisão foi proferida na semana passada; dono de confecção foi acusado de tentar 'vender' três adolescentes em feira livre em SP


SOROCABA - A Justiça do Trabalho de Jundiaí, interior de São Paulo, obrigou ao cumprimento das leis trabalhistas uma confecção de Cabreúva, na mesma região, suspeita de submeter trabalhadores bolivianos à condição análoga à escravidão. O dono da empresa foi acusado de ter posto à venda três adolescentes bolivianos numa feira livre do Brás, em São Paulo, em 2014.

A liminar, dada na última quinta-feira, em ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), obriga a oficina a contratar formalmente os trabalhadores estrangeiros e a se abster de aliciar mão de obra, sob pena de multa de R$ 50 mil por trabalhador lesado em seus direitos.

A Justiça proibiu a empresa de manter mais de uma família de empregados na mesma casa e obrigou a garantir as condições de higiene, além de prover cuidados básicos à saúde e de proteção do trabalho.

A decisão foi dada em ação que pede a condenação da empresa ao pagamento de indenização de R$ 3 milhões aos jovens bolivianos postos à venda. O mérito do processo ainda será julgado.

Em 2014, a Polícia Militar resgatou três bolivianos com idades entre 16 e 17 anos que estariam “à venda” numa feira. O homem que levava os rapazes fugiu, mas foi identificado e detido em Cabreúva. Segundo a denúncia do MPT, ele tinha aliciado os bolivianos com promessa de salário de US$ 500 cada por mês, mas ao chegar ao Brasil, eles descobriram que teriam de pagar as passagens e outras despesas, inclusive alimentação. Ao se negarem a continuar trabalhando, o dono da oficina teria decidido vendê-los a outros empresários na feira do Brás para se ressarcir do suposto prejuízo.

A fiscalização flagrou mais 14 estrangeiros trabalhando em condições degradantes na oficina. A empresa tinha contrato de exclusividade com uma lavanderia da capital, a qual foi incluída pelo MPT no polo passivo da ação e responderá de forma solidária por eventual descumprimento da liminar. O dono da confecção se mudou de Cabreúva e não foi localizado. A lavanderia da capital informou que a ação não teve julgamento final e que não se manifestaria sobre o assunto.





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

É de uma muçulmana o rosto dos protestos anti-Trump nos EUA


O artigo foi traduzido e publicado no UOL Notícias:

Conheça Munira, a muçulmana cujo rosto se tornou um símbolo da resistência a Trump

Christina Cauterucci, para o Slate

Além das imitações de Donald Trump feitas com pães de queijo, Munira Ahmed talvez tenha sido o rosto mais visível nos protestos durante a posse no último fim de semana e na Marcha das Mulheres em Washington. Uma foto de Ahmed, uma muçulmana de 32 anos e intérprete autônoma que vive no bairro de Queens, em Nova York, serviu de inspiração para uma das imagens mais populares da resistência a Trump: uma mulher usando uma bandeira americana como "hijab", o lenço de cabeça usado por algumas muçulmanas.

Shepard Fairey, o artista que criou a imagem icônica "Esperança", da candidatura de Barack Obama, transformou a foto de Ahmed feita por Ridwan Adhami em um retrato da resiliência muçulmana e da contestação feminina, interpretadas em vermelho, branco e azul. Fairey faz parte do conselho consultivo da Fundação Amplifier, um grupo de artistas-ativistas que ofereceu várias imagens dele e de outros de graça para download e impressão nas semanas que antecederam a posse de Trump. A imagem de Ahmed foi um dos cartazes mais comumente vistos nos protestos e na marcha.

Ahmed participou dos protestos na McPherson Square, em Washington, no dia da posse, e esteve na Marcha das Mulheres no National Mall no dia seguinte. Ela falou comigo por telefone sobre o significado da imagem original, o que significou posar com um hijab, sendo que normalmente ela não usa o lenço, e como se sentiu ao ver seu rosto como símbolo da resistência à agenda de Trump. (Nossa conversa foi condensada e editada para ficar mais clara.)

Slate: Quando foi tirada a foto original em que você usa o hijab de bandeira?

Munira Ahmed: Foi tirada em 2007, durante uma sessão de fotos para a revista "Illume". Na época, era uma pequena publicação voltada para questões muçulmano-americanas, e as capas eram muito atraentes. [O fotógrafo Ridwan Adhami] teve a ideia de tirar a foto na frente do prédio da Bolsa de Nova York --na época havia uma grande bandeira americana pendurada na fachada. A proximidade do Ponto Zero [do atentado de 11 de Setembro] lhe dava um significado impactante. Desde então ela foi usada várias vezes em artigos e editoriais online. Com frequência sou assinalada em comentários no Facebook que dizem "Ei, é você, não é?". Certa vez, quando minha amiga me marcou e disse: "Quero que você saiba que sionistas pró-Israel que estão online usam essa imagem e fizeram uma espécie de editorial sobre os muçulmanos que são americanos, dizendo que são lobos em pele de cordeiro e não são confiáveis". Essa foi a imagem que usaram. Eu disse: "Puxa, que maravilha". [Risos]

Slate: Você esperava que a foto durasse tanto?

Ahmed: Eu sabia que ela tinha um aspecto atemporal, mas não esperava que tivesse tanta repercussão. Sei que é uma linda foto, tecnicamente bem iluminada, mas não sabia quanta gente diria "Seu olhar naquela foto, meu Deus!" Eu apenas pensava, honestamente, que pareceria qualquer mulher muçulmana usando uma bandeira no estilo de um hijab. Eu realmente não via o aspecto de eu estar lá. Tenho parentes, nenhum dos quais é meu amigo no Facebook, que me perguntam até hoje: "Então, qual é a história daquela foto sua usando uma bandeira como hijab? É uma linda foto, mas nunca ouvi você falar sobre isso".

Slate: O que passou pela sua cabeça quando Ridwan tirou a foto perto do Ponto Zero?

Ahmed: Havia muitas emoções misturadas. Eu nasci em Nova York, e vi o segundo avião [do 11 de Setembro] da janela da minha classe quando eu estava no colegial. Meu colégio era o Brooklyn Tech. Eu não sabia até aquele dia, para ser muito franca, que o centro do Brooklyn era tão próximo geograficamente do centro de Manhattan. Eu era uma garota de Queens que pegava o trem G, evitava Manhattan para chegar à escola. Por isso não fazia sentido para mim quando o céu se encheu de fumaça preta. Pensamos que fosse um incêndio em uma casa ou um prédio. Estávamos no quinto ou sexto andar do prédio. Houve um aviso pelo alto-falante alguns minutos depois, dizendo o que estava acontecendo, então olhamos pela janela e todos diziam "Oh, meu Deus, é isso, bem ali, o World Trade Center". E literalmente vimos o segundo avião chegar.

Todos ficaram arrasados naquele dia. Durante anos depois disso, quando eu pensava a respeito, tinha de parar o que estivesse fazendo, sentar-me e chorar. E [a foto do hijab] foi em 2007, acho. Então foi seis anos depois, e foi naquele lugar, e [eu estava pensando] aqui é tão escuro. Estar realmente perto daquele ataque como uma nova-iorquina.

Eu sabia que havia muita coisa acontecendo que fazia os muçulmanos serem acusados. Mesmo nós, que éramos pessoas comuns, ouvíamos: "Você não se manifesta o suficiente. Você não fala contra esses terroristas". E eles não têm ideia de que estamos constantemente fazendo isso --dizendo que eles não são como nós, que são pessoas que cometem pecados contra o islã. Quando dizemos essas coisas, os EUA não escutam. Houve muitas emoções de simplesmente me sentir cansada, mas também realmente dominada pela emoção de onde eu estava.

Slate: Como a foto acabou chegando a Shepard Fairey para o cartaz de resistência?

Ahmed: Pelo que eu sei, [a Fundação Amplifier] tinha imagens em mente para recriar para essa campanha. E Mark Gonzales, seu diretor de parcerias estratégicas, disse que apresentou essa imagem dizendo que devia ser considerada. Shepard me disse que lhe apresentaram muitas imagem de mulheres usando uma bandeira americana como hijab. Ele falou: "Munira, não sei se você sabe disso, mas há muitas fotos que têm uma mulher muçulmana usando uma bandeira como hijab". E: "Quando eu vi a sua, decidi na hora". E ele fez um comentário sobre a resiliência em meus olhos ou algo assim. E apenas disse: "Parece que você é uma pessoa normal --muitas outras fotos parecem modelos posando, e a sua foto fala sobre o que estava acontecendo muito mais que as outras".

Slate: Você sabia antes que a foto fosse escolhida que poderia ser o centro de uma enorme campanha?

Ahmed: Não! Eu não sabia de nada até que o fotógrafo me procurou, há cerca de um mês, e me disse: "É isso que vamos fazer, e eu quero que você seja a primeira a saber... e preciso da sua aprovação e autorização para fazer isso".

Slate: Você hesitou antes de aceitar?

Ahmed: Sim. Eu sou dessas pessoas que precisam saber de todos os detalhes possíveis antes de seguir em frente com qualquer coisa. Eu sempre estou meio na retaguarda desse jeito. Precisava ter mais consciência do que realmente ia acontecer com essa foto. Quando eu recebi mais informação foi quando troquei e-mails com Mark Gonzales. Então comecei a me sentir mais à vontade e embarquei.

Slate: O que a imagem simboliza para você? E o que você acha que as pessoas sentem quando a veem em um cartaz?

Ahmed: O que é mais aparente e simbólico na imagem, não importa quem esteja olhando, é que é uma mulher muçulmana e americana, e ela é as duas coisas e não está fazendo um compromisso.

Slate: Como essa intersecção de identidades ocorre na sua vida?

Ahmed: Sou uma mulher muçulmana --fui muçulmana toda a minha vida, e também sou americana desde que nasci. Por isso não posso separar as duas coisas. Não poderia nem que quisesse. Mesmo que um dia eu pensasse em deixar minha religião --o que não vou fazer--, ser muçulmana está entranhado em quem eu sou.

Já tive alguns choques racistas, mesmo com desconhecidos. Houve um em particular --eu estava sentada em um ônibus e uma mulher começou a falar alto e deixar claro que falava sobre mim, e dizia para sua amiga: "Esta aqui, não sei de que maldito lugar ela vem". E as pessoas ignoravam o que estava acontecendo, ou apontavam e riam, divertindo-se com a cena. Quando eu percebi o que estava acontecendo, eu disse: "Desculpe-se", para que ela soubesse que eu estava escutando. E ela disse: "Volte para o seu maldito país". E eu: "Eu nasci aqui, sua cadela", porque não consegui segurar a raiva que senti. Não acho apropriado chamar alguém que você não conhece de cadela, mas também acho que eu não devia deixar de me defender. Realmente me fez sentir que não sou deste país porque não sou parecida com você.

Slate: Eu li que você normalmente não usa hijab. O que você pensou ao fazer essa foto e se tornar um símbolo da mulher com hijab?

Ahmed: Quando Ridwan me apresentou o conceito, lembro que pensei: "É apropriado alguém que não usa hijab posar com um hijab?" Porque eu não vejo isso como uma simples roupa. Sei que é um símbolo de muito mais. Mas também sei que sou tão muçulmana quanto uma mulher com hijab. E quero que elas saibam que respeito sua escolha. É bonito. Muitas mulheres realmente se tornam mais poderosas e radiantes quando o usam, ao contrário do que as pessoas pensam, que é oprimida ou vítima patriarcal.

O que me fez achar que devia fazer isso foi quando naquela época li algo que disse que David Chapelle era muçulmano. E quando alguém lhe perguntou sobre sua identidade islâmica, ele disse: "Eu realmente não quero falar sobre isso, porque não quero que alguém associe as coisas ruins que há em mim com algo que é tão bonito". E quando eu li isso pensei: "Puxa, não seria bacana se ele não se importasse e simplesmente fosse muçulmano, e todo mundo neste país saberia que uma das figuras mais populares da cultura deste país é muçulmano, que isso fosse sabido por todos?" Eu queria que as pessoas vissem que você pode ser alguém que não é perfeito, tem vícios, talvez fale palavrões, talvez estrele um filme chamado 'Pra Lá de Bagdá', e ainda pode ser um muçulmano. Não somos caricaturas, somos pessoas reais.

Slate: Como foi ver seu rosto em toda parte nos protestos da posse e na Marcha das Mulheres?

Ahmed: Foi realmente surreal. Eu não sabia que ia estar em todo lugar daquele jeito. Sabia que muita gente baixou a foto no site da Amplifier. Só não sabia se seria principalmente nas cidades onde há sedes da Amplifier, ou em Nova York. Não sabia que na própria Washington estaria em todo lugar, na marcha principal. Foi incrível! Só digo isso, foi incrível. Mas o interessante é que ninguém me reconheceu nela. Não é uma cópia exata da foto. É como uma versão de quadrinhos de super-herói daquela foto, o que foi legal, porque eu pude me aproximar das pessoas que seguravam a foto e dizer: "Oi, posso tirar uma foto sua com esse cartaz?" Havia uma mulher que a usava como um broche. Eu apontei e disse: "Oi, gostei do seu broche", só para ser simpática. E ela: "Este broche? Este?", e eu disse: "Bacana". Só queria ver o que ela diria, por que ela gostava da imagem. E afinal ela tirou o broche e o deu para mim. Foi quando percebi que ela era surda. Quando tentei devolver, ela insistiu que eu o guardasse e indicou que tinha muitos outros iguais.

Foi um lindo dia. Sinceramente, acho que o que fizemos foi algo que realmente entrará na história. Todas as marchas de irmãs em todo o mundo fizeram-me sentir que eu faço parte de uma coisa obviamente muito maior que eu, mas que também me inclui.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Bispo católico de San Diego peita Trump em defesa dos imigrantes

Placa alerta imigrantes ilegais na fronteira dos EUA com o México

Hummmm... pensando aqui, o que será de Boca Raton, Florida, o campo missionário mais carente do mundo, segundo os evangélicos brasileiros que moram lá?

Sorte dos demais latinos que há católicos nos EUA dispostos a defendê-los e protegê-los.

A matéria é do IHU:

O bispo de San Diego enfrenta Trump e promete uma “mobilização em massa” caso deportar os imigrantes

Em caso de deportações em massa, “mobilizações em massa” da Igreja. O bispo de San Diego, Robert McElroy, enfrentou Donald Trump, e qualificou o plano do presidente eleito dos Estados Unidos de expulsar mais de 10 milhões de imigrantes indocumentados como “um ato de injustiça que mancharia a nossa honra nacional”.

A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 02-12-2106. A tradução é de André Langer.

Falando, na semana passada, em uma conferência na Universidade de San Diego, o bispo comparou as já anunciadas deportações em massa do magnata republicano com as expropriações históricas de terras dos indígenas nos Estados Unidos ou com o encarceramento de soldados japoneses no país durante a Segunda Guerra Mundial. Uma grande injustiça social, disse, diante da qual os católicos não devem se calar.

“Para nós, é impensável que nos mantenhamos quietos enquanto 10% do nosso rebanho é arrancado de nós e deportado”, denunciou McElroy. “É igualmente impensável que nós, como Igreja, presenciemos a destruição da nossa acolhida histórica aos refugiados em um momento em que a necessidade de oferecer santuários aos refugiados está crescendo em todo o mundo”.

Perguntado depois de sua intervenção por quais medidas concretas a Igreja pode tomar a favor dos imigrantes sob a sombra das políticas propostas por Trump, o bispo de San Diego primeiro mostrou-se consciente do medo que muitos deles estão experimentando, inclusive afirmando que “Eu também tenho medo”.



Simpatizar com os imigrantes indocumentados, no entanto, não é suficiente para os católicos, e inclusive o medo que muitos deles sentem pode fazer parte do problema.

“Quando falamos com a comunidade de indocumentados”, disse McElroy, “não podemos dar uma falsa sensação de serenidade. A nossa única esperança é dizer que nos manteremos unidos”. Solidariedade com os imigrantes que pode passar, inclusive, pela conversão dos templos católicos em santuários, ou que os católicos utilizem estratégias dos movimentos históricos pelos direitos civis.

“Todos os passos da campanha pelos direitos civis terão que ser empregados no caso de ter de enfrentar uma deportação em massa que destruísse famílias”, asseverou McElroy, referindo-se às lutas de políticos como Martin Luther King ou sacerdotes como Maurice Ouellet pela igualdade dos afro-americanos no sul dos Estados Unidos durante as décadas de 50 e 60.

“Temos que ter a mesma energia, compromisso e agilidade que caracterizaram a oposição católica ao aborto ou à liberdade religiosa em anos recentes”, animou o prelado os participantes da conferência, antes de acentuar novamente que, dada a situação em que se puseram em marcha as políticas racistas de Trump, “a Igreja nunca pode estar de acordo ou colaborar com um mal tão grande em nossa sociedade”.

Parece que não restou outra alternativa à Estátua da Liberdade...




quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O dia em que a América acabou

Parece que ninguém - a não ser o próprio - esperava que Donald J. Trump vencesse as eleições americanas da última terça-feira, dia 8 de novembro de 2016, que entrou para a história como o dia em que a América acabou.

O candidato foi tratado por anos a fio como um bufão, uma espécie de bobo da corte que jamais teria chances de vitória diante da profusão de asneiras que insistia em pronunciar a cada minuto.

O establishment da política e da mídia nacionais e internacionais, reunidos em torno do hoje cadáver político de Hillary Clinton, se deliciaram com o ar canastrão, o jeito de falar de caricatura, enfim, a piada pronta chamada de Trump.

Só que os seus piores medos se tornaram realidade e Donald é hoje presidente eleito dos Estados Unidos, e não há mais nada a fazer senão aceitar o fato consumado.

Como se diz no popular, "aceita que dói menos"...

Afinal, se Donald Trump cumprir tudo o que prometeu na campanha eleitoral, da construção da muralha da fronteira com o México até o banimento de latinos e muçulmanos do território dos EUA, pouco restará a fazer senão esvair-se em lágrimas, coisa que já estão fazendo pessoas enquadradas nessa situação.

Curioso, entretanto, é ver evangélicos fundamentalistas norte-americanos e líderes russos comemorando juntos, irmanados, a eleição de Trump para a presidência dos Estados Unidos.

Sim, amigos, evangélicos e "comunistas" juntos festejando a vitória política de alguém no continente americano. 

Isto pode, sim, mas só fora do Brasil, já que aqui continuarão imperando as falácias, a ignorância e a mediocridade sem fim.

Resta saber se o mundo vai nos acompanhar nesta jornada de bonde (ou tanque) sem freio em direção ao caos total.



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