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sexta-feira, 7 de março de 2014

Jejum como prática religiosa e hábito saudável

Matéria publicada no IHU:

O guia de jejum dos monges


Jejuar não é uma questão de moda; é um costume que faz parte de quase todas as religiões, há milhares de anos. No entanto, na atualidade se trata menos de uma iluminação espiritual e mais de perder peso. 

A reportagem é de Tom de Castella, publicada pela BBC Mundo, 23-02-2014. A tradução é do Cepat.


Crescem as evidências apontando que dietas como as 5:2 – que restringem o consumo de calorias duas vezes por semana – podem ser uma forma sadia de eliminar alguns quilos.

Que conselho os monges e padres, que regularmente se privam de comida, podem oferecer?

O padre Alexander da Costa Fernandes, um monge católico da abadia Worth, na Inglaterra, tem uma experiência de 20 anos de jejuns.

Habitualmente, nas quartas e sextas-feiras só toma água e uma xícara de café.

Inicialmente, foi difícil e tinha dores de cabeça. Demorou nove meses para que pudesse jejuar seriamente.

Ele garante que o segredo está em se acostumar gradualmente com a ideia de jejuar. O corpo “anseia o que espera”.

Aconselha a começar deixando de tomar o café da manhã ou o biscoito do meio da manhã. Assim, dominando-se isso, desiste-se de outra coisa. Uma dieta de pão e água é, segundo ele, um enfoque sensato.

Tomar muito líquido é crucial, e o padre Alexander assinala que ajuda a criar a ilusão de um estômago cheio.

Diferentes enfoques

Os significados do jejum variam de pessoa para pessoa.

Um jejum absoluto, praticado por judeus durante 24 horas em Yom Kippur e Tisha B’Av, proíbe tanto a comida como a bebida.

E durante o Ramadã, o nono mês do calendário islâmico, os muçulmanos se abstém de sólidos e líquidos durante as horas do dia.

O jejum também é importante para os hindus, e alguns monges budistas e monjas renunciam as comidas da tarde.

No mundo laico, a dieta 5:2 define o jejum como um consumo de 500 calorias para as mulheres e 600 para os homens, durante dois dias não consecutivos da semana.

Essa forma de dieta não é própria para todo público, e não está isenta de críticas. A posição do sistema de saúde britânico é a de que é necessário realizar mais pesquisas sobre essas dietas intermitentes e aconselha que as pessoas consultem o médico antes de iniciar uma.

O jejum não é apenas fisicamente exigente. Também é psicologicamente duro, destaca o bispo anglicano de Manchester, o reverendo David Walker, que por um dia da semana, na última década, toma apenas café e água.

“À noite, antes de começar, você pensa: ‘como passarei o dia?’”, destaca o bispo Walker. Contudo, garante que nunca é tão difícil como se espera.

A chave é – aconselha – assegurar-se de se manter ocupado durante as horas das refeições. O corpo está condicionado a querer comida de acordo com uma rotina.

Para eliminar os pensamentos de fome da mente, o bispo sugere fazer algo que o mantenha absorto – como um programa favorito de televisão ou um quebra-cabeça – nas horas em que normalmente se estaria sentado na mesa para tomar o café da manhã, almoçar ou jantar.

Cinco dias

Segundo o padre Alexander, qualquer pessoa sadia e em forma é capaz de encarar um jejum curto. O tempo mais longo que ele conseguiu se privar de alimentos foi de cinco dias. “Há muito confete a respeito da comida”.

O padre acrescenta que as pessoas são bombardeadas com mensagens sobre a necessidade de energia e vitaminas. “O que meus cinco dias de jejum me ensinaram é que temos tanta energia em nosso corpo, em forma de gordura, que somente começa a ser usada após alguns dias”.

Os picos de fome são inevitáveis, inclusive para os mais experimentados. Especialmente, quando há um pão retirado do forno ou um sanduíche com bacon rondando por perto.

Quando isso ocorre, o que se pode fazer?

Aprender a disciplina da mente, aconselha o padre Alexander. “Se no dia do jejum você pensa em uma torta de chocolate ou em ter camarões no jantar, então é totalmente inútil”.

O religioso sugere eliminar sutilmente esses pensamentos e se concentrar em algo que se deveria estar fazendo.

Fazer algo como “parte de uma comunidade”, torna o jejum menos pesado, disse, por sua parte, o bispo Walker. Sendo assim, recomenda fazê-lo com amigos ou colegas para não se sentir isolado quando as coisas se tornarem duras.

Todas essas técnicas são úteis. Contudo, para os religiosos ter fome faz parte do trabalho.

“Algumas vezes a sensação de fome ajuda do ponto de vista espiritual”, concede o bispo Walker. “Quando tenho uma pontada de fome, recordo-me que estou jejuando por um propósito religioso. Isso faz com que minha mente vá até Deus e se torne um momento de oração”.

Elevação espiritual

Todas as religiões importantes, como o Sikhismo, usam o jejum para enfocar a mente de uma forma parecida.

Na Bíblia, Jesus disse “Não só de pão vive o homem”. Seus quarenta dias no deserto foi a inspiração para a Quaresma.

Os cristãos usam o jejum para pensar nos pobres, aqueles que têm fome não por decisão própria, mas pelas circunstâncias. Também é visto como uma ajuda para a concentração que aproxima de Deus.

Confidencialmente, um dos benefícios é perder peso. O bispo de Manchester perde uns três quilos em cada quaresma.

Porém, há algumas diferenças de tom e doutrina entre católicos e anglicanos.

“Uma vida de autoindulgência conduz ao desastre”, destaca o padre Alexander.

Fala da “mortificação” da carne – o jejum como penitência –, mas os anglicanos evitam essa palavra. “É uma disciplina espiritual, mas alegre”, esclarece o bispo Walker.

Contudo, um leigo pode sentir elevação espiritual com a dieta? O bispo Walker pensa que sim. “Se está aberto ao fato de que este processo de jejum abrirá as portas para um encontro espiritual, pode ser”.

O bispo acrescenta que o deixar de comer algum dia é algo básico da natureza. Recorda-se de uma vez que visitou o zoológico e leu um cartaz que dizia “Aos leões não se alimenta nas sextas-feiras”. Argumenta que se os carnívoros não necessitam comer todos os dias, nós também não.

Interromper o jejum não é o fim do mundo, destaca o padre Alexander. Seu prato favorito é peixe com batatas fritas, o prato das sextas-feiras à noite no mosteiro.

“Alguns dias, digo: ‘Ok, sorrindo, não posso mais. Preciso de peixe com batatas fritas’. Acredito que nisso há um pouco de sabedoria. É minha decisão pessoal. Não acredito que o jejum seja uma questão de vontade própria, trata-se de crescimento e da Graça Divina”.

Dessa maneira, o padre enfatiza que o benefício do jejum, em certas ocasiões, pode ser compensado pela companhia em compartilhar uma boa comida. Especialmente, quando se trata de peixe com batatas fritas.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A mulher barbada da religião sikh

O sikhismo é uma religião originária da região do Punjab, na fronteira entre Índia e Paquistão, que, talvez por essa, digamos, "conflagração geopolítica", seja constantemente confundida com o hinduísmo ou o islamismo, conforme a visão de quem a observa.

Afinal, apesar da tênue paz intercalada com guerras obtida após a independência dos dois países do imperialismo britânico em 1947, com Mahatma Gandhi à frente, Índia e Paquistão continuam com questões fronteiriças pendentes, o que inclui o Punjab e - sobretudo - a Caxemira.

É nesse contexto religioso e territorial que surgiu o sikhismo, no século XV, consolidado que foi pelo guru Nanak (1469-1539).

Com elementos comuns a ambas as religiões, o sikhismo crê, por exemplo, num Deus único (como os muçulmanos) e em ciclos de reencarnações (como os hindus).

O termo "sikh" significa, em língua punjab, "discípulo forte e tenaz". Seu local de culto mais famoso é o Templo de Ouro de Amritsar ("Harimandir Sahib").



Feitas essas considerações iniciais, chama a atenção a notícia abaixo, publicada no Page Not Found, sobre uma característica curiosa da religião sikh:

Inglesa deixa barba crescer e diz se sentir mais sexy



Harnaam Kaur, de 23 anos, sofre da síndrome do ovário policístico. Por causa disso, pelos são constantes no seu rosto, braços e peito desde os 11 anos.

A condição fez Harnaam ser vítima de bullying na escola e receber até ameaça de morte na internet.

Agora, a mulher de Slough (Inglaterra), decidiu não depilar mais o rosto (fazia duas vezes por semana) já que a religião na qual foi recentemente batizada - sikh - proíbe que as mulheres retirem quaisquer pelos.

"Jamais retirarei os meus pelos porque Deus me fez assim, e estou feliz com a forma como estou. Agora eu me sinto mais feminina, mais sexy, e acho mesmo que aparento isso também", disse ela à Barcroft Media.

A decisão de se expor publicamente com pelos não agradou aos pais de Harnaam.

"Eles temem que eu não consiga arrumar casamento", comentou a inglesa, que trabalha como assistente de professora em escola primária.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Neonazista identificado como autor do massacre em templo sikh de Wisconsin

Qualquer sujeito que perpetra um atentado terrorista já é um idiota por definição, tese mais uma vez confirmada pelo imbecil norteamericano que, pelo jeito, confundiu sikhs com muçulmanos para desfechar o seu ódio ontem nos Estados Unidos.  Inteligência não parece ser o forte desses facínoras.

O autor do massacre de Wisconsin se chamava Wade Michael Page, morto no tiroteio, tinha 40 anos de idade e era "ex-especialista em operações psicológicas" do exército americano, segundo informa o G1, complementando nota abaixo da Veja:

Atirador de Wisconsin era veterano do Exército, diz CNN

Homem seria 'supremacista branco' e tinha tatuagem dos ataques de 11/09

O homem que matou seis pessoas e feriu outras três ao invadir um templo sikh na cidade de Oak Creek, em Wisconsin, nos Estados Unidos, era um veterano do Exército que acreditava na ‘supremacia branca’, informou nesta segunda-feira uma fonte do governo à rede americana CNN. A identidade do atirador, que foi morto pelas autoridades locais após ferir um policial, deve ser revelada ainda nesta segunda-feira.

No domingo, o FBI disse que ainda não havia determinado o motivo para a matança no templo, mas que os investigadores procuravam provas de que se trata de um ataque classificado como ‘terrorismo doméstico’.

Um membro da comunidade sikh local afirmou que as testemunhas do massacre descreveram o atirador como um homem branco e careca, vestido com uma calça preta e uma camiseta branca, com uma tatuagem dos atentados de 11 de setembro no braço – o que poderia indicar que houve ‘algum nível de crime de ódio ali’, segundo a CNN. Devido à barba e ao turbante que usam, os homens sikh são frequentemente confundidos com muçulmanos, que viraram alvo de crimes de ódio após os ataque de 11 de setembro. A primeira vítima a ser atacada como ‘retaliação’ pelos atentados ao World Trade Center foi, inclusive, um sikh, Balbir Singh Sodhi, assassinado pelo mecânico Frank Roque no Arizona em 15 de setembro de 2001.

Sikhismo – O sikhismo foi criado em Pujab, noroeste da Índia, pelo Guru Nanak, que nasceu em 1469 na aldeia de Talwandi, a 65 quilômetros da cidade paquistanesa de Lahore. A religião combina elementos do islamismo e do hinduísmo. O termo sikh significa na língua punjabi "discípulo forte e tenaz". Há mais de 20 milhões de sikhs no mundo, a maioria na Índia, entre eles o atual primeiro-ministro, Manmohan Singh. Segundo o Milwaukee Journal Sentinel, cerca de três mil famílias sikhs vivem no sudoeste de Wisconsin, nos EUA. Em todo o país, são 700.000 sikhs, a maioria de origem indiana.



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