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sábado, 20 de maio de 2017

Será que Sheherazade vai amarrar filha de Silvio Santos no poste?


Rachel Sheherazade, a jornalista fascista da Paraíba que apresenta o telejornal noturno do SBT, e que se autointitula "evangélica", está com tudo e não está prosa nesta semana.

Já no dia 18 de maio, ela arranjou uma confusão no Twitter com um pessoal da esquerda, dizendo que Hitler havia fundado o PT da Alemanha, já que o nazismo - a seu ver - é uma ideologia de direita.




Essa é uma bobagem comumente dita por fãs de Bolsonaro e outros expoentes da direita, que não resistem a uma análise histórica simples e geralmente não são nem levados a sério por outros debatedores.

Afinal, é uma ideia tão tola que não compensa debater, e a gente indica alguns caminhos para que cada um faça a sua pesquisa.

Dois conselhos a respeito, apenas. Procure saber nos seus livros de História favoritos:

1) o sufoco que foi para o Hitler cumprir o prazo que ele dera a si próprio para o ataque à Polônia em 1º de setembro de 1939 (que deflagrou a Segunda Guerra Mundial). Joachim von Ribbentrop, seu ministro de Relações Exteriores levou uma carta dele próprio a Stalin (algo que Hitler abominou ter que fazer) implorando para que se finalizasse o pacto de não-agressão o quanto antes, o que foi feito em 23 de agosto de 1939 por von Ribbentrop e seu homólogo soviético Viatcheslav Molotov (sim, aquele do "coquetel"). Com isto, Stalin ganhou metade do território da Polônia e Hitler pôde concentrar todos seus esforços na frente Leste enquanto tinha garantido os inesgotáveis recursos naturais da União Soviética, com a qual ele tinha agora uma fronteira comum que invadiria em 22 de junho de 1941.


Stalin, entre von Ribbentrop e Molotov.
No fundo, ele não entendia direito o que Hitler queria, mas seus ganhos eram grandes demais para dizer não.


2) uma quase anedota: por que a suástica nazista está virada para a direita? A suástica é um símbolo ancestral, encontrado em culturas tão antigas e distintas como os astecas e os budistas do Tibete, geralmente no sentido anti-horário. Hitler desenhou a bandeira nazista (posteriormente alemã) girando a suástica para a direita porque não queria nenhuma referência à esquerda.


Buda com suástica girando à esquerda


Se alguém insistir muito, mas muito mesmo, a gente indica uma bibliografia, tá...

Feitos esses esclarecimentos singelos, já que não nos interessa aqui essa discussão inútil, hoje as redes sociais estão em polvorosa com a delação de Ricardo Saud, diretor da JBS-Friboi, dizendo que Patrícia Abravanel, filha de Sílvio Santos, esteve presente num jantar em que o magnata negociava uma propina para o sogro de Patrícia, Robinson Faria, hoje governador do Rio Grande do Norte pelo PSD.

Patrícia teria participado do jantar na casa de um dos donos da JBS, Joesley Batista, ao lado do seu atual marido, o deputado Fábio Faria (PSD-RN).

Aí, então, a internet foi à loucura com a ilustre empregada do SBT, Rachel Sheherazade, que trabalha para Sílvio Santos, pai de Patrícia e dono da rede de televisão, lembrando o triste episódio em que a nervosinha gospel ironizou um ladrão que havia sido preso a um poste e linchado.




Todos estavam querendo saber se Sheherazade, esse exemplo maravilhoso de "amor cristão", não ia querer prender Patrícia Abravanel num poste também.

Dois pesos e duas medidas?



terça-feira, 11 de abril de 2017

Sílvio Santos fez Rachel Sheherazade experimentar do próprio veneno


Na semana passada, por uma dessas lamentáveis infelicidades da vida, eu estava passando na sala quando a TV estava sintonizada no telejornal noturno do SBT, de cujo nome não me lembro nem pretendo lembrar.

Parei para observar a matéria que era tristemente interessante, a tortura aplicada a um jovem numa unidade militar do Rio de Janeiro, que teve, como um dos seus lamentáveis resultados, a perda de um testículo pela vítima.

Foram 2 ou 3 minutos de um excelente material jornalístico, deve-se reconhecer, e a câmara voltou para a apresentadora Rachel Sheherazade, que - impávida - passou para a própria notícia como se ninguém tivesse acabado de ouvir o relato de uma barbárie.

Foi inevitável comparar a reação da moça com aquela que ela teve em 2014, quando, ao ver a tortura de um rapaz negro amarrado a um poste, chamou-o de "marginalzinho" e lançou a campanha "adote um bandido!" num discurso fascista típico do seu raciocínio rasteiro e troglodita travestido de "evangélico", já que é assim que ela - religiosamente - se apresenta.

A repercussão foi tão negativa que até Silvio Santos, patrão e incentivador de Sheherazade, com medo de perder seu ganha-pão (a concessão de TV que ele ganhou bajulando a ditadura militar) fez a justiceira paraibana se calar a partir de então, e - parafraseando o jogador e senador Romário -, Rachel calada é uma poeta, não é mesmo?

Sheherazade se calou, o tempo passou, e no último domingo, na entrega do tal Troféu Imprensa, uma bobagem também patrocinada por Sílvio Santos e sua caricata rede de televisão, numa conversa ao vivo com a apresentadora, Silvio Santos disse, sem mais nem menos, que ela era paga por ser bonita, para ler notícias e não para dar opinião.

Foi o suficiente para que as redes sociais explodissem contra o discurso machista do magnata da TV, dito em tom de brincadeira, mas já invadindo as raias do escárnio, assim como as opiniões que a sua funcionária emitia quando ainda podia falar besteiras.

De fato, mesmo sendo alguém afeita aos mesmos arroubos fascistas, é muito constrangedor que Rachel Sheherazade seja exposta a este ridículo discurso retrógrado que reduz a mulher profissional a um objeto de prazer mórbido, um arremedo de subserviência, achincalhando-lhe a honra e a dignidade.

Quem sabe, ao experimentar do próprio veneno, Rachel não começa a pensar nos outros como seres humanos dignos de um mínimo de respeito, não é mesmo?



segunda-feira, 27 de junho de 2016

Rachel Sheherazade anuncia fim do seu casamento



Conhecida por suas opiniões polêmicas e radicais arrotando regras sobre tudo, além de se apresentar como ferrenha defensora da família, a jornalista Rachel Sheherazade anunciou o fim do seu casamento através de uma singela publicação no instagram na última sexta-feira, dia 24 de junho de 2016 (vide mais abaixo). 

Sem indignação nem arrogância, afinal - agora descobrimos - ela é humana também.

O rompimento ocorre pouco depois da apresentadora do SBT lançar seu livro "O Brasil Tem Cura", e Rachel Sheherazade entra para o time de celebridades evangélicas para as quais quando o casamento não tem cura, o jeito é separar mesmo.

Sim, seria apenas mais um divórcio no meio evangélico, sem nenhuma repercussão, não fosse Sheherazade referência  e "autoridade" para uma legião de evangélicos (principalmente pastores) quando se trata de política, moral e bons costumes cristãos...

A matéria é do Estadão:

Rachel Sheherazade anuncia, em rede social, o fim do seu casamento

A jornalista explicou que o relacionamento de 12 anos acabou de forma tranquila

Na última sexta-feira, 24, a âncora do SBT Brasil, Rachel Sheherazade, anunciou o término de seu casamento de 12 anos com o marido Rodrigo Porto.

A jornalista publicou um texto em seu Instagram com a revelação, minutos antes de iniciar a apresentação do telejornal. Ela destacou que ambos continuam amigos e companheiros.

"Eu e Rodrigo seguimos, agora, nossos caminhos. Estamos em paz, confiantes em Deus e certos de que tudo ocorrerá da melhor forma possível para o bem de nossas crianças. Vida que segue!", disse em trecho.

O casamento resultou em dois filhos, que Sheherazade destaca como "o mais sagrado e importante na vida".





sexta-feira, 31 de julho de 2015

Evangélico inocente confundido com bandido é linchado no RJ


Quando nos debatemos aqui contra a histeria coletiva que quer fazer justiça com as próprias mãos, à la Rachel Sheherazade, logo aparece um monte de gente, boa parte deles se apresentando como "cristãos" e "evangélicos", para defender a barbárie.

Eles não conseguem compreender que o nosso maior medo é exatamente este: a morte de um inocente provocada pelo comportamento de manada de uma turba motivada pelo boato, pela fofoca, pelo pânico infundado e pelo raciocínio rasteiro (se é que se pode ser chamado de "raciocínio") de quem não pára 5 segundos para refletir.

Esta tragédia é agravada ainda mais em tempos de redes sociais, onde qualquer foto ou "notícia" compartilhada por alguém se torna instantaneamente verdade absoluta que demanda uma punição imediata sem que ninguém se dê ao cuidado de checar os fatos para confirmar a sua veracidade.

Não há maior desgraça para a Justiça (com "J" maiúsculo), como valor filosófico e fator de organização da sociedade, do que a condenação de um inocente e - pior ainda - de maneira sumária, instantânea, sem direito à defesa.

Por isso mesmo, evite acender o pavio da histeria coletiva. A vítima pode ser alguém que você conheça, ou até mesmo você...

A notícia é d'O Dia:

Homem amarrado e agredido no Grajaú não era bandido, diz polícia

Carlos Santos levou socos e pontapés e teve pés e mãos amarrados depois que mulher o acusou de ser assaltante

EDUARDO FERREIRA

Rio - Uma tentativa de justiçamento por pouco não provocou a morte de um homem inocente nesta quinta-feira no Grajaú, Zona Norte. Carlos Santos, 40 anos, foi acusado por uma mulher de ser assaltante e isso quase lhe custou a vida. Ele teve pés e mãos amarrados e foi agredido com socos e pontapés.

Espancada no meio da rua, a vítima precisou ser socorrida por bombeiros para o Hospital Federal do Andaraí, recebeu alta e foi à 20ª DP (Vila Isabel) prestar depoimento. Ninguém apareceu na delegacia para prestar queixa contra ele.

O espancamento ocorreu um dia após o governador Luiz Fernando Pezão visitar a 1ª Companhia Integrada de Polícia de Proximidade (CIPP), no Grajaú, e elogiar a queda da criminalidade da região. A base da CIPP fica a 800 metros do local onde Carlos foi agredido.

Ainda confuso e com hematomas na cabeça e no rosto Carlos contou na DP que estava a caminho de uma igreja evangélica na Rua Teodoro da Silva quando foi amarrado e espancado. Um testemunha, que não quis se identificar, disse ao DIA que o homem gritava muito e parecia estar alterado, no meio da Rua Barão do Bom Retiro.

Uma mulher teria se assustado com ele e corrido para uma padaria pedindo ajuda. Foi quando os "justiceiros" apareceram, amarraram Carlos e o agrediram.

A Polícia Civil informou que vai apurar quem são os agressores, fazer diligências e solicitar imagens de câmeras de segurança. Grávida de oito meses, Luciene Maria, 34, esposa de Carlos, espera justiça. “É muita maldade. Meu marido é trabalhador e nunca fez mal a ninguém”, contou.

Casos semelhantes em outros pontos da cidade

Vários casos de linchamento ocorreram nos últimos dias. Segunda-feira, um suspeito de estuprar uma mulher na comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, sofreu várias agressões. Segundo a polícia, Sandro Roberto dos Santos, de 40 anos, foi socorrido e autuado em flagrante por tentativa de estupro. No último dia 20, um homem identificado como Newton Costa Silva foi linchado por 15 homens na Favela da Rocinha, na Zona Sul. Com um histórico de problemas psiquiátricos, ele teria sido torturado, espancado e morto após invadir uma casa vizinha.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sheherazade, a metaleira

Calma, fãs da Sheherazade! Quem diz isso (e outras coisas esquisitas) é Anna Virginia Balloussier, em artigo publicado na Folha de S. Paulo

De nossa parte, só temos muita saudade da (antiga) época em que a Editora Mundo Cristão tinha o cuidado de se concentrar na pregação do evangelho e não se associava a figuras tão polêmicas:

O primeiro livro de Sheherazade

“Mulher, dona de casa, mãe de duas crianças e ainda jornalista” por autodefinição, “Sheherazeda”, “bosta falante” e “queridinha do Silvio Santos” pelo que fãs preferem creditar à intriga da oposição, Rachel Sheherazade vai virar escritora.

A apresentadora do SBT, que ontem escrevia contos infantis e hoje tem na cabeceira o filósofo Olavo de Carvalho (“O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota”), lançará seu primeiro livro pela editora Mundo Cristão.

O mínimo que você precisa saber para entender a estreia literária da mulher de Rodrigo e mãe de Clara e Gabriel, batizada na Igreja Batista e nascida há 40 anos em João Pessoa, na Paraíba: “Abordarei questões como corrupção, justiça, liberdade, cultura e valores”, diz em entrevista por e-mail (a única opção aceita).

Ainda sem título, a obra está prevista para o segundo semestre. A tiragem inicial é de 15 mil exemplares, cinco vezes a média nacional.

Adepta da “boa política, em prol da maioria” e sem descartar carreira nessa área, a autora quer publicar antes das eleições.

Fã do heavy metal de Iron Maiden, Sheherazade frequenta todos os domingos uma igreja próxima ao condomínio de luxo onde mora em Alphaville, a 23 Km de São Paulo. Diz compartilhar com a Mundo Cristão, que também distribui títulos sobre os evangélicos Marina Silva e Justin Bieber, “princípios em comum, princípios cristãos”.

Renato Fleischner, diretor de operações da editora, afirma que a proposta “não é publicar uma obra para simplesmente chocar as pessoas, mas colocar no debate sobre o atual momento da sociedade brasileira uma perspectiva que possa, em alguma medida, estar afinada com os valores nos quais acreditamos”.

Sheherazade, a âncora que faz do “SBT Brasil” uma batalha naval de opiniões polêmicas, ganhou projeção nacional em 2011. Virou hit no YouTube após criticar o Carnaval de João Pessoa, “festa dos ricos” que teria virado um aspirador de recursos públicos.

“Muitas coisas hoje me revoltam no Carnaval. Uma delas é ouvir a boa música ser calada à força por hits do momento, como o ‘Melô da Mulher Maravilha’ e similares que não ouso nem citar”, disse à época.

Foi quando o telefone tocou novamente, ela foi atender, e era um Abravanel. Leon, diretor de produção do SBT, convidava a paraibana para conhecer a rede de seu tio Silvio Santos.

Em fevereiro, com três anos de casa, a jornalista elogiou no ar “justiceiros” que tiraram a roupa e prenderam um adolescente num poste no Rio, usando tranca de bicicleta. Sugeriu a quem discordasse da ação: “Adote um bandido”.

A fala causou celeuma, e os jornalistas do canal acabaram temporariamente proibidos de emitir opinião ao vivo.

Sheherazade sabe fazer barulho, mas prefere escrever “no momento mais quieto e solitário” do seu dia: sempre à noite, entrando na madrugada, quem sabe após folhear seu Olavo de Carvalho –o título foi presente de um colunista da revista “Veja” com quem tem “grandes afinidades ideológicas”.

Abaixo, um pouco da ideologia de Rachel Sheherazade em 1.001 caracteres:

Quais é a expectativa para as eleições?
Não revelo meu voto. Mas posso dizer que sou uma adepta da renovação constante na política.

Seria candidata a algo?
Minha missão hoje é como jornalista. Somos os olhos e a voz do povo. No futuro, não descarto a possibilidade. Acho que as pessoas de bem deveriam se interessar mais por política e entrar no jogo para virar o placar em favor dos justos. A política é, também, uma nobre missão.

Você é “maiden maniacal”. Isso entra em conflito com sua fé?
Gosto do Iron Maiden pela melodia das músicas, pela profundidade das letras, que abordam temas que vão de história mundial a questionamentos sobre vida e morte. No Evangelho, aprendi que devemos examinar tudo e reter o que é bom.

Como está a relação com o SBT?
Não há polêmicas. Entre mim e o SBT há confiança recíproca. É por isso que continuamos nossa parceria de sucesso até 2018.

Já pensou em seguir vocação religiosa na igreja?
Nunca. Acho que não tenho o dom. Mas, se receber o chamado, atenderei.



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Compaixão à la Sheherazade


Esclareçamos logo de largada: Rachel Sheherazade e seus discípulos têm todo o direito a manifestar sua opinião, ainda que abjeta. Ponto.

Entretanto, quando ela se apresenta como “evangélica” e utiliza uma concessão pública para defender a violência, também deve estar preparada para ser contraditada. Faz parte do jogo democrático que, apesar de reconhecidamente falho, ainda não inventaram nada melhor.

Além disso, toda e qualquer questão polêmica tem vários ângulos pelos quais pode ser analisada. Portanto, quando a opinião se baseia em apenas um ponto de vista rasteiro, ela deve ser esmiuçada para que as pessoas que debatem (ou acompanham o debate) possam chegar à sua própria conclusão.

Quando Rachel Sheherazade lançou a campanha “adote um marginalzinho” em apoio ao quase linchamento de um rapaz negro e menor de idade, sua ironia barata apenas mostrava que o ovo da serpente estava chocando.

E seu veneno é tão tóxico que impede as pessoas de analisarem e dialogarem construtivamente sobre o caso.

Imediatamente se associa quem se opõe a esse raciocínio raso de Sheherazade a algum tipo de “amante do crime” ou “protetor de criminosos”, quando – na verdade – se trata de algo totalmente distinto, que a pressa em julgar e condenar não permite alcançar.

Quem prefere que as pessoas sejam investigadas, presas e condenadas segundo o rito previsto em lei não está apoiando o crime. Isto não significa que elas gostam de criminosos ou lhes queiram bem.

Tampouco se trata de divergências ideológicas entre direita e esquerda. O que se discute aqui é o respeito mínimo a regras de convivência em sociedade.

Significa apenas que os opositores do julgamento sumário (mais conhecido por “linchamento”) querem evitar o pior dos pesadelos na aplicação da justiça humana: a execução de um inocente.

Nesses casos, o comportamento de manada justiceira que se segue à indicação de alguém como responsável por um crime, como a própria expressão sugere, declina rapidamente para o instinto animal e impede que os passos lógicos da razão sejam seguidos para que se tenha certeza da culpabilidade do suposto criminoso, para somente então aplicar-lhe a punição cabível.

Essas regras básicas da vida em sociedade, entregando o suspeito às autoridades constituídas para que ele seja investigado e julgado segundo os ditames legais, nos permitem ter a consciência tranquila de que não vamos condenar um inocente à morte.

Se – mesmo assim – não estamos imunes aos erros judiciários, imagine o risco que corremos ao tomar a espada da Justiça em nossas mãos e decepar cabeças em “julgamentos” instantâneos.

Alegar que as autoridades constituídas para tanto não cumprem o seu papel (o que é absoluta realidade no Brasil em todos os níveis e esferas de responsabilidade), não basta para que combatamos a barbárie com a barbárie, o crime com o crime e o desrespeito com o desrespeito.

O fato de não vivermos num mundo ideal não nos isenta de buscar o equilíbrio e a racionalidade possíveis na sociedade e realidade ingratas que compartilhamos.

Um erro não justifica o outro!

A indignação contra a desídia, lentidão e impunidade patrocinadas pelas autoridades não pode servir de desculpa para que tomemos a justiça em nossas próprias mãos. Se eles erram por ação e – sobretudo – por omissão, nós corremos o risco de errar muito mais com “soluções” equivocadas e irreversíveis.

O linchamento de Alailton Ferreira às margens da BR 101 em Serra (ES), um jovem negro de 17 anos de idade e – supostamente - doente mental, revela o quanto a nossa sociedade pode ficar enferma quando um formador de opinião como Sheherazade, ainda que por via transversa e se valendo de uma concessão pública como é a televisão, defende a atitude execrável de fazer justiça com as próprias mãos.

Obviamente, a culpa que eventualmente se possa atribuir a Sheherazade deve ser diluída no caldeirão de descaso e indiferença para com os anseios de segurança da população, que as autoridades constituídas vêm cultivando ao longo de décadas, mas não há como eximi-la de responsabilidade, nem aqueles que repercutem seus delírios nas redes sociais.

Pior ainda é que muitos deles se dizem cristãos. Esquecem-se convenientemente de que foi o cristianismo que introduziu os conceitos de compaixão, perdão e reabilitação (conversão) na história do Direito e da Justiça.

Antes da influência cristã vigorava, nesses casos, a justiça retributiva dos gregos e a lei hebraica do talião: dente por dente, olho por olho. Ainda assim, pelo menos um simulacro de julgamento era necessário. Mesmo que fosse para soltar Barrabás.

Em 2014, no Brasil, nem isso mais é possível. Basta uma acusação qualquer que, em questão de segundos, o suposto meliante é executado pela massa ignara. Com direito a replay.

E pessoas que se dizem cristãs - e compartilham emotiva e hipocritamente lindos trechos bíblicos em suas redes sociais – disputam no tapa o delirante privilégio de atirar a primeira pedra.



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