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sábado, 26 de dezembro de 2015

Onde é proibido comemorar o Natal?

Matéria publicada na BBC Brasil:

Quais são os países que proíbem o Natal?

O Natal é uma das celebrações mais difundidas no mundo, mas não é vista com bons olhos em todos os lugares.

Em alguns países, as celebrações natalinas são reguladas ou totalmente proibidas.

Em outros lugares a compra e venda de certos produtos e até as reuniões familiares são limitadas.

O país que mais recentemente entrou na lista dos que proíbem a festividade é o Tajiquistão, na Ásia central. Nesta semana autoridades do país anunciaram que endurecerão as restrições para a celebração do Natal.

O Tajiquistão é uma república faz fronteira com o Afeganistão ao sul, com a China ao leste, com o Quirguistão ao norte e com o Uzbequistão a oeste. O governo proibiu as seguintes tradições natalinas:

  • Árvores de Natal (naturais ou artificiais)
  • Fogos de artifício
  • Comidas natalinas
  • Troca de presentes
  • Arrecadação de dinheiro
  • Fantasia de Papai Noel


A religião muçulmana é maioria no país e cresce desde que o Tajiquistão se separou da União Soviética em 1991.

Outros países

Em Brunei, no sudeste asiático, proibiu-se o uso em público de gorros de Papai Noel ou qualquer outro tipo de indumentária relacionada. As pessoas não muçulmanas são autorizadas a celebrar o Natal, desde que não em público.

O Islã é a religião oficial do país e o sultão é o chefe religioso neste reino, que faz fronteira com a Malásia.

Como ocorre anualmente, a Arábia Saudita emitiu uma regulamentação anual que proíbe "sinais visíveis" da celebração do Natal.

Tanto muçulmanos como visitantes não podem participar da celebração. O governo determina que todos devem se orientar pelo calendário lunar e não pelo gregoriano.

Na Arábia Saudita também é proibida a celebração do Dia das Bruxas.

Em 2012, 41 cristãos foram detidos pela polícia religiosa árabe acusados de "conspirar para celebrar o Natal".

Enquanto isso, na China, onde convivem a abertura ao capitalismo de mercado e a proteção das tradições, há zonas onde as festividades natalinas seguem vetadas.

Uma das cidades onde a celebração é proibida é Wenzhou (na China oriental), cuja prefeitura vetou todas as celebrações natalinas nas escolas e nos centros comunitários.

Natal entre refugiados

O Natal é celebrado com moderação no Iraque e na Síria, locais onde aumentaram os ataques a centros de culto cristãos desde que a guerra civil se agravou. Um grupo de voluntários chegou a ir ao Iraque para celebrar com os cristãos que vivem em campos de refugiados.



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Fazer pão é uma arte no Tadjquistão


No último domingo, comentamos sobre as agruras de se levar uma vida feliz no Tadjquistão, mas nem tudo é só tristeza e repressão.

Há beleza também, como você pode observar no vídeo abaixo, da National Geographic, que mostra o belo ritual para fazer pães, a principal fonte de calorias da população local.

O vídeo foi gravado em Kumsangir, a 50 km da fronteira com o Afeganistão.




domingo, 30 de agosto de 2015

Tadjiquistão proíbe comemorar aniversário em público

O Tadjquistão é um país de maioria muçulmana encravado na Ásia Central, fazendo fronteira com o Quirguistão e o Uzbequistão (também ex-repúblicas soviéticas) a Norte e a Oeste, além da China e do Afeganistão a Leste e ao Sul.

Pelo jeito os tajiques não são muito chegados a comemorações públicas, ainda mais se referirem à tradição cristã, como foi o caso do assassinato de um indivíduo que se vestiu de Papai Noel em 2012, que repercutimos aqui no blog.

Engana-se quem acha que, por isso, o islamismo é privilegiado ou incentivado por lá. Em 2011, preocupado com o crescente radicalismo islâmico no país, o governo tajique proibiu que menores de 18 anos frequentassem as mesquitas, como também divulgamos aqui no blog.

Agora chega daquelas estranhas paragens montanhosas perdidas na Ásia Central a notícia de que um homem foi multado por ter comemorado seu aniversário em ambiente público, no caso um café, o que é proibido por lá.

Pela draconiana lei local, se um tajique quiser cantar "parabéns pra você", vai ter que fazê-lo no recôndito do seu lar, e olhe lá...

Parece que reuniões públicas e liberdade religiosa assustam demais o governo local.

Aos tajiques, reserva-se a felicidade de estarem vivos, o que já é lucro diante da repressão oficial.

A informação é da BBC Brasil:

Homem é multado em R$ 2 mil em país que proíbe celebrar aniversário em público

Um homem no Tadjiquistão foi multado em cerca de R$ 2 mil por celebrar seu aniversário em público.

Isayev Amirbek foi "enquadrado" pelas autoridades da ex-república soviética, localizada na Ásia Central, por desrespeitar uma lei que proíbe comemorações deste tipo fora da privacidade do lar.

O país tem um dos regimes mais repressores do mundo.

Amirbek foi descoberto ao postar no Facebook fotos da comemoração, em um café. As fotos foram usadas como prova em um processo em que Amirbek foi acusado de violar o Artigo 8º de uma lei regulando costumes e tradições.

Ele alegou ter "se entusiasmado" após buscar o bolo de aniversário em uma confeitaria. E que a celebração não tinha sido planejada. Ele contou até com o depoimento de um garçom do café, que garantiu ter havido a ausência de cumprimentos a Amirbek.

Mas o juiz que analisou o caso não se sensibilizou e decidiu pela multa. A lei supostamente foi criada para evitar gastos excessivos com festas.

Segundo um site de notícias do Tadjiquistão, houve 394 violações do tipo em 2014, com base em estatísticas do Comitê Nacional de Regulamentação de Costumes e Tradições Nacionais.



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Grupo muçulmano mata Papai Noel no Tadjquistão



Vida de Papai Noel não anda fácil.

Onde é que você esteja no mundo, pense bem e conte até 10 antes de arranjar um bico de fim de ano, ou mesmo representar o bom velhinho numa festa de família. Outro dia, a polícia espancou um homem vestido de Papai Noel no Chile (clique aqui para ler a notícia).

Agora chega do Tadjquistão, uma das 15 repúblicas que formavam a extinta União Soviética, a informação de que na cidade de Dushanbe um jovem de 24 anos de idade, de nome Parviz Davlatbekov, resolveu usar a roupa do bom velhinho para alegrar a festa de fim de ano da família, quando foi vítima de cerca de 30 fanáticos muçulmanos, que gritando repetidamente a palavra "Tu kofiri!" ("Infiel!"), o abordaram na porta de sua casa e o esfaquearam várias vezes.

Parviz chegou a ser socorrido, mas morreu pouco depois no hospital.

As autoridades locais ainda tentaram tirar a motivação religiosa do crime, classificando-o como uma rixa qualquer, mas o país de maioria muçulmana está ficando cada vez mais intolerante, como já comentamos aqui no artigo "Tadjquistão proíbe menores de 18 anos de praticar sua religião".

Na noite de reveillon, por exemplo, o líder muçulmano Saidmukarram Abdukodirzoda fez questão de declarar publicamente que árvores de Natal, danças e jogos são elementos etranhos à cultura tadjique, e contrários às leis islâmicas.

Seja no Chile, seja no Tadjquistão, quando Papai Noel começa a ser espancado e morto mundo afora, é melhor a gente arranjar outro planeta pra viver rapidinho...


Fonte: The Voice of Russia



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Tadjiquistão proíbe menores de 18 anos de praticar sua religião


O Tadjiquistão (ou Tajiquistão) é uma das antigas repúblicas que fizeram parte da extinta União Soviética, cuja dissolução resultou na independência do país em 1991. 

Está localizado na Ásia Central, encravado entre Quirguistão, China, Afeganistão e Uzbequistão, com uma população de cerca de 7,5 milhões de habitantes, a grande maioria deles muçulmanos (majoritariamente sunitas), ainda que haja uma presença pequena das Igrejas Ortodoxas Russa e Ucraniana. 

Registra-se, ainda, uma ínfima presença de católicos, batistas, adventistas, armênios e judeus. 

Ao que parece, o governo tajique está muito preocupado com o crescimento do radicalismo islâmico no país, e não quer engrossar as estatísticas de jovens recrutados por milícias religiosas extremistas, pelo que recentemente aprovou uma lei que proíbe certas práticas religiosas, não só muçulmanas, mas também cristãs e de qualquer outra organização religiosa, especialmente aos menores de 18 anos de idade, que seriam, portanto, impedidos de exercer sua fé, segundo informa o site Central Asia Online

A notícia abaixo é do The New York Times, traduzida e publicada pelo IG - Último Segundo:

No Tajiquistão, crescimento do islã preocupa o governo

Legisladores aprovam lei que proíbe menores de 18 anos de frequentar serviços religiosos nas mesquitas do país

O islã está florescendo no Tajiquistão. Barbas estão na moda. Lenços sobre a cabeça também. Lojas passaram a lucrar com a venda de tapetes de oração, gravações de áudio religiosas e relógios no formato dos locais sagrados dos muçulmanos.

Depois de décadas de secularismo forçado, as pessoas da empobrecida ex-república soviética voltaram à sua religião tradicional, com todo zelo adotado por movimentos renascidos em qualquer lugar do mundo.

O governo autoritário local não poderia estar mais preocupado. Assustados com o fantasma do radicalismo islâmico e os desafios representados por líderes religiosos cada vez mais influentes, as autoridades tajiques têm trabalhado intensamente para conter a expressão religiosa.

Homens barbudos têm sido detidos de forma aleatória e as mulheres, impedidas de frequentar serviços religiosos. Esse ano, o governo exigiu que os estudantes de universidades de lugares como Egito, Síria e Irã voltassem para casa. A polícia fechou mesquitas privadas e websites islâmicos, e os censores do governo agora monitoram os sermões de sexta-feira, intervindo quando os muftis desviam da linha permitida pelo governo.

No mês passado, os legisladores adotaram o que muitos disseram ser uma medida ainda mais drástica: eles aprovaram uma lei que, entre outras coisas, proíbe menores de 18 anos de frequentar os serviços religiosos nas mesquitas.

Ela é chamada de lei "sobre o poder paternal para educar e criar os filhos" e, de acordo com as autoridades, destina-se a evitar que as crianças faltem à escola para participar de orações – os pais podem ser penalizados caso não cumpram a lei.

'Estilo soviético'

Críticos do governo comparam a postura atual à uma tentativa de estilo soviético de reverter a disseminação do islã. Muitos advertem, no entanto, que a proibição aos jovens pode ter o efeito oposto.

"Depois que a lei entrar em vigor e o governo e os serviços de segurança começarem a colocar pressão, os jovens podem ser atraídos para as organizações ilegais", disse Mahmadali Hait, vice-presidente do Partido do Renascimento do Islã no Tajiquistão. "E é possível que o nível de radicalização no país aumente."

Religiosidade crescente no Tajiquistão e nas vizinhas ex-repúblicas soviéticas é vista como uma ameaça pela região de entrincheirados líderes autoritários, muitos dos quais têm estado no poder há décadas. Ao contrário da arena política ou da mídia, o islã é uma fonte potencial de dissidência que, até agora, não se tem conseguido monopolizar.

A insurgência do Taleban no vizinho Afeganistão tem apenas agravado o temor, especialmente agora que os EUA planejam retirar suas tropas do país. Confrontos ao longo da extensa fronteira do Tajiquistão com o Afeganistão são frequentes, e as autoridades ligaram militantes estrangeiros a diversos ataques contra a polícia e unidades militares locais no ano passado. Viajar entre os dois países é relativamente fácil, e vários tajiques entrevistados disseram ter visitado o Afeganistão para obter formação religiosa.

"Temos observado nos últimos anos tentativas de movimentos extremistas em influenciar a visão de mundo dos nossos filhos", disse o presidente do Tajiquistão, Emomali Rakhmon, argumentando a necessidade da lei sobre responsabilidade parental. "Os líderes de grupos extremistas e de várias correntes começaram a aparecer em instituições acadêmicas para recrutar jovens inexperientes."

Peritos independentes dizem que há poucas evidências de que grupos militantes islâmicos tenham encontrado muitos seguidores no Tajiquistão. Em vez disso, dizem eles, os líderes regionais costumam usar a ameaça do extremismo islâmico como um pretexto para reprimir a oposição política e seus apoiadores.

Rakhmon e seu grupo, cuja maioria é de ex-seculares apparatchiks (funcionários do Partido Comunista) soviéticos, lutaram e venceram uma guerra civil brutal contra uma coalizão de grupos de oposição muçulmana e secular na década de 90. Apesar de ex-comandantes de campo da oposição terem recebido promessas de cadeiras no governo após a guerra, muitos foram presos, exilados ou assassinados.

"Aqui nós temos o extremismo secular ", disse Akbar Khodzhi Turadzhonzoda, um proeminente líder islâmico e ex-membro do Parlamento do Tajiquistão. Discutir o radicalismo islâmico no Tajiquistão, disse ele, "é uma fraude".

"Isso é feito apenas para enganar o povo, fortalecer ditaduras e gastar mais dinheiro em armas e no serviço secreto”.

A lei proibindo crianças de frequentar as mesquitas ainda não entrou em vigor. Rakhmon, que propôs a medida, ainda deve assiná-la. Mas os críticos do governo e figuras religiosas dizem que as autoridades começaram a aplicá-la em alguns lugares, invadindo mesquitas, retirando jovens e adultos, multando os acusados de ensinar a religião sem a permissão do governo.

Multas

Depois que a lei for assinada, os pais podem enfrentar multas exorbitantes e até mesmo pena de prisão caso se arrisquem a desafiá-la.

A lei não impede que as crianças ou qualquer outra pessoa rezem, disse Mavlon Mukhtorov, vice-presidente do Comitê de Assuntos Religiosos, um órgão do governo que está promovendo a medida. Mas ele insistiu que os tajiques, muitos dos quais são religiosos novos, precisam de orientação - e contenção.

"Esta lei foi aprovada para que os pais dessas crianças cumpram as suas responsabilidades em criá-las", disse Mukhtorov. "Os alunos deveriam estar na escola. Se todos forem às mesquitas para as orações e deixarem de lado seu trabalho escolar eles não serão capazes de aprender”.

A lei não impediria os estudantes de estudar o islã em uma das escolas de religião do Tajiquistão ou em departamentos de teologia nas universidades, disse ele. Há apenas cerca de 20 escolas desse tipo no Tajiquistão, país de 7,6 milhões de pessoas, embora Mukhtorov diga que o governo planeja abrir mais. Todas as crianças, disse ele, podem participar dos cultos especiais nas mesquitas.

Os governos ocidentais, incluindo os Estados Unidos, condenaram a medida, bem como o que um diplomata americano descreveu recentemente como a "sistemática violação da liberdade religiosa” perpretada pelo governo tajique. Mas os temores do extremismo islâmico são graves o suficiente para que muitos tajiques, incluindo muçulmanos praticantes, apoiem a lei.

"O governo está trabalhando para garantir que as estruturas terroristas estrangeiras não influenciam os jovens, distorcendo suas impressões sobre o islã", disse Zaur Chilayev, 32 anos, engenheiro que fazia parte de uma multidão de pessoas presente na mesquita central de Dushanbe para as orações de sexta-feira. "As ameaças estão sempre presentes, especialmente tendo em conta os nossos vizinhos”.

Outros criticaram a campanha do governo como equivocada. Se são eficientes ou não em sufocar fanáticos religiosos, tais leis, para esses críticos, fariam pouco para enfrentar a causa principal do extremismo. A pobreza no Tajiquistão, juntamente com todos os problemas a ela associados, é endêmica, e as autoridades têm feito pouco para aliviá-la.

Tais problemas estavam expostos recentemente na mesquita central, onde um bando de meninos de rua, alheios aos apelos do muezzin, pediam esmolas no pátio. Quando questionado por que não entrou na mesquita para as orações, um dos rapazes respondeu timidamente: "Nós somos muito jovens".

*Por Michael Schwirtz

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