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sábado, 13 de janeiro de 2018

O primeiro imperador chinês queria ser (literalmente) imortal

Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China

A curiosa informação foi publicada na BBC Brasil:

Como fracasso na busca de imperador chinês por 'elixir da vida' deu origem ao Exército de Terracota

O enorme poder de Qin Shi Huang tinha apenas um limite: a morte.

O primeiro imperador da China, o "senhor dos dez mil anos", o filho do sol, o senhor de todas as terras e dos céus, descobriu precocemente que apenas a imortalidade estava fora do seu alcance.

E, por isso, tentou alcançá-la de todas as maneiras possíveis.

Conforme revelado por um estudo recente com base em textos milenares encontrados em 2002, o imperador tornou-se tão obcecado com a ideia da imortalidade que ordenou uma busca desesperada por um elixir da vida em todos os cantos da China.

Os textos, de 2 mil anos de idade e escritos em milhares de lâminas de madeira (utilizados antes da invenção do papel), dão contam de uma incrível cruzada que tomou o país asiático na busca pela poção mágica.

Os documentos, encontrados em um poço na província de Hunan (região central do país), incluem um decreto imperial pelo início das buscas e, também, as ambíguas e desanimadas respostas de comunidades que não tinham outra opção senão dar uma resposta negativa ao imperador.

Uma localidade identificada como Duxiang, por exemplo, informou ao soberano que nenhum remédio milagroso havia sido encontrado ali.

O exército de terracota, um legado impressionante para a humanidade.

Mas a comunidade não deu o braço a torcer: disse que continuaria com as buscas.

Outro local, chamado Langya, parte da atual província de Shandong (no leste do país), indicou a existência de uma milagrosa planta que poderia ser colhida em uma "montanha sagrada".

Mas nenhuma planta ou poção mágica funcionou e Qin Shihuang morreu em 210 a.C., após 11 anos de reinado.

O imperador, que conquistou, um após o outro, os seis reinos que integravam a China, dando forma ao país como o conhecemos hoje, morreu aos 49 anos, segundo historiadores. E, até os últimos momentos da vida, obcecado com a imortalidade.

Huang construiu a Grande Muralha, forjou um vasto império - impondo sistemas únicos de escrita, dinheiro, pesos e medidas e encomendando canais e estradas - e ordenou que um exército "eterno" de guerreiros o acompanhasse ao reino da morte.

Foi assim que seus súditos construíram o formidável Exército de Terracota, uma coleção de esculturas de 8 mil soldados, cavalos e carros que foram enterrados junto com o imperador, depois que este perdeu sua última batalha: contra a morte.

8 mil soldados "acompanharam" o imperador até o além.



terça-feira, 12 de julho de 2016

Arqueólogos encontram cemitério filisteu em Israel

A Filisteia em tempos bíblicos: englobando a atual Faixa de Gaza em
meio às tribos israelitas retornadas do Egito

A questão é bem mais complicada do que a matéria abaixo, da BBC Brasil, quer fazer parecer, com o perdão da tripla locução verbal.

É que a etimologia do topônimo "Palestina", caso você ainda não tenha percebido, deriva do termo grego antigo Philistia, que evoluiu para o nome que ficou conhecido durante o Império Romano, Palaistinē (Παλαιστίνη, em grego, e Palæstina em latim).

Logo, fica complicado para o atual Estado de Israel lidar com uma necrópole enterrada no seu atual território, em que estão sepultados filisteus, já que toda a justificativa para a posse da terra se fundamenta na ocupação ancestral (desse mesmo espaço geográfico limitado do planeta) pela sua etnia.

Eis o artigo:

Arqueólogos fazem 'descoberta inédita' de cemitério filisteu em Israel

Pesquisadores em Israel afirmam ter descoberto um cemitério filisteu - seria, segundo eles, o primeiro a ser encontrado na história.

O achado, ocorrido em 2013 e tornado público neste domingo, pode trazer respostas sobre o antigo mistério em torno da origem do povo.

A descoberta marcou o fim da escavação realizada pela Expedição Leon Levy na região do Parque Nacional de Ashkelon, no sul de Israel. Os trabalhos duraram 30 anos.

Os líderes da pesquisa dizem ter encontrado 145 conjuntos de restos mortais em várias câmaras fúnebres, algumas cercadas por perfume, comida, joias e armas.

As ossadas são originárias do período compreendido entre os séculos 11 a.C. e 8 a.C.

Povo migrante

Os filisteus são mencionados na Bíblia como arqui-inimigos dos antigos israelitas.

Acredita-se que eles tenham migrado para as terras de Israel por volta do século 12 a.C, vindos de áreas do oeste.

O filisteu mais famoso nos dias atuais é Golias, guerreiro gigante que, segundo o livro sagrado, foi vencido pelo jovem Davi antes de ele se tornar rei.

"Após décadas estudando o que os filisteus deixaram para trás, nós finalmente ficamos cara a cara com essas pessoas", afirmou Daniel M. Master, um dos líderes da escavação.

"Com essa descoberta, nós estamos próximos de desvendar o segredo em torno de suas origens."

Segredo de três anos

O achado foi mantido em segredo por três anos até que os trabalhos fossem finalizados. O objetivo era evitar atrair a atenção de ativistas judeus ultraortodoxos, que já haviam feito atos contra escavações.

Os manifestantes acusavam os arqueólogos de perturbar locais de sepultamento.

"Nós tivemos que segurar as nossas línguas por um longo tempo", disse Master.

Especialistas que estudaram o período divergem sobre a origem geográfica dos filisteus - Grécia, sua ilha Creta, Chipre e Anatólia, na Turquia, são apontados.

A equipe da expedição está agora fazendo exames de DNA, de datação por radiocarbono e outros testes nos restos mortais em uma tentativa de apontar com previsão sua ascendência.

A maioria dos corpos não foi enterrada com itens pessoais, afirmam os pesquisadores, mas perto de alguns havia utensílios onde eram guardados perfumes, jarras e pequenas tigelas.

Poucos indivíduos foram sepultados com pulseiras e brincos. Outros, com armas.

"É assim que filisteus tratavam seus mortos, e esse é o 'livro de códigos' para decifrar tudo", disse o arqueólogo Adam Aja, um dos participantes da escavação.



sábado, 23 de maio de 2015

Um rio de mercúrio corre embaixo de pirâmide mexicana


Notícia interessante publicada no Brasil Post:

Um rio de mercúrio líquido, descoberto sob uma pirâmide no México, pode lançar nova luz sobre a antiga cidade de Teotihuacán

Macrina Cooper-White

Mais de 10 anos após a sua descoberta, um túnel misterioso escondido sob uma pirâmide no centro do México está revelando novos segredos.

Arqueólogos dizem que encontraram "grandes quantidades" de mercúrio no fim de um túnel de uns 100 metros, que se encontra sob o lendária pirâmide do Templo da Serpente Emplumada, na antiga cidade de Teotihuacán, cerca de 30 milhas (pouco mais de 48 km) a nordeste da Cidade do México.

"É algo que nos surpreendeu completamente", disse Sergio Gomez, diretor da escavação do túnel, à Reuters, acrescentando que sua equipe ainda não sabe por que o metal líquido foi colocado lá.

O mercúrio foi encontrado em três sítios arqueológicos na América Central, reportou o Guardian. Os arqueólogos acreditam que esse elemento pode ter tido significado ritual, talvez simbolizando uma espécie de rio para o submundo.

"Alguns exemplos foram encontrados na área Maya, mas é muito raro na antiga Mesoamérica", disse o Dr. George Cowgill, antropólogo da Universidade Estadual do Arizona e um dos maiores especialistas do mundo em Teotihuacán, que não está envolvido na descoberta, ao The Huffington Post, por email.

Gomez espera que a descoberta mostre o caminho que leva ao lugar de descanso final de um dos governantes de Teotihuacán. Sem o lugar do enterro o governante nunca foi encontrado - e isso deixa os arqueólogos coçando a cabeça sobre como a cidade pré-histórica foi governada.

Escavações anteriores no túnel levaram a dezenas de milhares de artefatos, incluindo joias, esculturas em pedra e pontas de flechas.

"Essa descoberta pode aumentar um pouco mais as chances de encontrar uma tumba real, mas a incerteza é emocionante", disse Cowgill no e-mail. Isso nos deixa com um monte de suspense e aguardando ansiosamente os novos desenvolvimentos."

No seu auge, entre o 1º e o sétimo séculos D.C., Teotihuacán media cerca de 14 milhas quadradas, com uma população de mais de 100.000 habitantes. A antiga cidade foi designada como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1987.



sexta-feira, 6 de março de 2015

Quando a Arábia era cristã


Matéria publicada no Gaudium Press:

Arqueólogos descrevem presença cristã na Arábia no século V

Beirute - Arábia Saudita (Quinta-feira, 29-01-2015, Gaudium Press) Recentemente, uma descoberta feita por arqueólogos franco-sauditas revelou a presença de uma comunidade cristã viva e atuante no deserto saudita no século V.

Orientados pelo Professor Frédéric Imbert, da Universidade de Aix-Marseille, na França, os pesquisadores acabaram descobrindo centenas de cruzes que haviam sido esculpidas em rochas, e até mesmo nomes de cristãos e bíblicos, mais precisamente mártires mortos durante as perseguições que assolavam a região na época.

De acordo com informações da agência de notícias francesa "Orient-Le Jour", a descoberta nas paredes de rocha de Jabal Kawkab (a montanha da estrela), no Emirado de Najran, situado no sul da Arábia Saudita, foi apresentada pelo Professor Imbert em conferência realizada na Universidade Americana de Beirute.

De acordo com Imbert, as cruzes e as inscrições são consideradas "o mais antigo livro dos Árabes", tendo sido escrito "nas pedras do deserto", uma "página da história dos Árabes e do cristianismo".

Conforme o professor, "as cruzes não são as únicas conhecidas na Arábia do Sul e do Leste, mas, sem dúvida, são as mais antigas cruzes cristãs em um contexto que remontamos o ano 470 da nossa era", junto com diversos textos encontrados, feitos ainda no período do Reino himairita de Shurihbil Yakkuf, governante da Arábia do Sul de 470 a 475.

Durante o governo de Shurihbil, tiveram início as perseguições cristãs no local, sendo mortos Marta e Rabi, ambos inscritos na lista dos martírios de Najran, no chamado "Livro dos Himairiti".

Propagado no século IV, o cristianismo na Arábia "difundiu-se na região do Golfo, nas regiões costeiras do Iêmen e de Najran", graças aos missionários persas do Império Sassânida e aos missionários siríacos. Naquele tempo, dois bispos consagrados em 485 e 519, pertenciam à comunidade siríaca, provavelmente oriundos do Iraque. (LMI)



domingo, 21 de setembro de 2014

De Stonehenge à pré-história de Israel


Duas notícias recentes que deixaram o mundo arqueológico de boca aberta, ambas publicadas na versão brasileira do El País (link para a primeira matéria aqui, e para a segunda aqui):

Novos monumentos de Stonehenge são revelados com sondagens avançadas

Estruturas de rituais desconhecidas até agora emergem ao se realizar um mapa digital detalhado do famoso sítio arqueológico pré-histórico no Reino Unido

ALICIA RIVERA

O mítico conjunto monumental de Stonehenge, na Inglaterra, é muito mais do que se conhece, do que se vê. Uma equipe científica realizou, com técnicas avançadas de prospecção não invasivas, um mapa detalhado da área e descobriu numerosas novas estruturas, abrindo o caminho para descobrir mais sobre o lugar e sua evolução de mais de 11.000 anos. Emergiram 17 monumentos rituais até agora desconhecidos do período em que o famoso conjunto de blocos de pedra adquiriu sua forma; dezenas de sepultamentos foram cartografados com detalhe, incluindo um grande túmulo com uma estrutura de madeira que era provavelmente utilizada para sepultamentos rituais dos mortos após um complicado processamento dos cadáveres, expondo-os e descarnando-os antes de serem cobertos formando um monte funerário, explicam os pesquisadores da Universidade de Birmingham, que lideram o projeto Entornos Ocultos de Stonehenge, junto com especialistas do Instituto Ludwig Boltzmann de Prospecção Arqueológica e Arqueologia Virtual (Alemanha).

O projeto, dizem os cientistas, "transformará nosso conhecimento deste entorno icônico". Além das estruturas até agora desconhecidas, o mapa digital revelou informação inesperada sobre os monumentos já conhecidos. O círculo Durrington, a pouca distância de Stonehenge, é um imenso monumento ritual, "provavelmente o maior deste tipo no mundo", enfatizam os especialistas de Birmingham, tem uma circunferência de mais de um quilômetro e meio. E as novas sondagens revelaram uma fase primitiva na qual estava ladeado por uma fileira de até 60 enormes postes ou pedras, talvez de até três metros de altura. E alguns podem ainda está lá, sugerem os arqueólogos.

Situado a 15 quilômetros ao norte de Salisbury (Inglaterra), a parte mais famosa do complexo de Stonehenge é formada por circunferências concêntricas de grandes blocos de pedra, de aproximadamente 4.500 anos, do final do neolítico, explica o English Heritage. O eixo principal está alinhado com o eixo solsticial, de maneira que o Sol sai e se põe em pontos concretos do monumento no solstício de verão e no de inverno. "No ciclo das estações, esses dias do ano eram obviamente importantes para o povo pré-histórico que construiu e utilizou Stonehenge", acrescenta o English Heritage.

No mapa digital aparecem novos tipos de monumentos como enormes fossos pré-históricos, alguns dos quais parecem ter alinhamento astronômico. Também foram recolhidos com grande detalhe dados de centenas de sepultamentos da idade do Bronze, a idade do Ferro, e de assentamentos romanos. "Ainda que Stonehenge seja o monumento pré-histórico mais icônico e ocupe um dos sítios arqueológicos mais ricos do mundo, grande parte de seu entorno segue sendo terra desconhecida" comenta o líder britânico do projeto, Vincent Gaffney. "Este projeto revelou que a área que rodeia Stonehenge está cheia de sítios arqueológicos até hoje desconhecidos", acrescenta. O trabalho realizado até agora será apresentado em uma grande série de documentos da BBC Two intitulada Operação Stonehenge.

"O desenvolvimento de métodos não evasivos para documentar nossa herança cultural é um dos grandes desafios de nosso tempo e só pode ser feito adaptando a tecnologia de ponta como georadares e magnetômetros de alta resolução", acrescenta Wolfgang Neubauer, diretor do instituto alemão.





Descoberto em Israel um monumento de pedra mais antigo que o Stonehenge

A pesquisa de um estudante de doutorado revela uma estrutura com 5.000 anos

CARMEN RENGEL

Rujum En Nabi Shuaayb era até agora um promontório de pedras perto do Mar da Galileia, em Israel, que muitos acreditavam ser remanescente de uma muralha centenária. Agora, graças à pesquisa do estudante de doutorado Ido Wachtel, da Universidade Hebraica de Jerusalém (HUJI), foi descoberto que essa enorme estrutura em forma de meia-lua é na realidade um monumento completo, com 5.000 anos. É possível que seja mais antigo que o complexo megalítico de Stonehenge, no Reino Unido, e que as pirâmides do Egito, que datam do ano 2.600 antes de Cristo, aproximadamente.

Conforme Wachtel expôs no Congresso Internacional de Arqueologia no Antigo Oriente Médio, neste verão, e revela na revista Live Science, a estrutura fica a 13 quilômetros do lago Tiberíades, perto da fronteira entre Israel e o território palestino da Cisjordânia. Tem 14.000 metros cúbicos de volume, com uma base de 150 metros de cumprimento por 20 metros de largura e uma altura de até sete metros. “Maior que um campo de futebol americano”, explica a revista. Nas proximidades, foram encontrados restos de cerâmica elaborada entre 3050 e 2650 a. C., que ajudaram a datar a descoberta.

O doutorando explicou em sua palestra que pode se tratar de “um marco destacado na paisagem natural, que serve para sinalizar a posse da terra” ou para “fazer valer a autoridade e os direitos sobre os recursos naturais” por parte de um determinado povo. Mas também pode ser um monumento religioso, erguido em homenagem ao deus Sin da antiga Mesopotâmia, cujo símbolo era uma meia-lua como a que essas pedras formam.

A 29 quilômetros do local da construção também foi encontrado, na era contemporânea, o povoado de Bet Yerah, literalmente “a casa do Deus da Lua”, conhecido pelo culto a essa divindade oriental, já bastante documentada. O pesquisador acredita que o imenso muro tenha também “ajudado” a marcar as fronteiras daquele vilarejo e seus domínios, já que a meia-lua se destaca claramente na paisagem. Mas ele descarta que se trate de uma fortificação comum, por causa de sua distância em relação ao núcleo urbano, habitado.

Os cálculos do especialista indicam que foram necessários entre 5.000 e 35.000 dias de trabalho para levantar a estrutura, com cerca de 200 operários em dedicação exclusiva durante cinco meses, um prazo que, segundo ele, deve ter se prorrogado por muito tempo, já que os construtores deviam ser os próprios agricultores da região, que não podiam tirar as mãos por muito tempo da terra que provia seu sustento.

O Departamento de Antiguidades do Governo de Israel lembra que a área onde está o Rujum En Nabi Shuaayb – também conhecida como Túmulo de Jetro, em homenagem a um antigo líder druso da região – é praticamente um corredor de restos megalíticos até as Colinas de Golã, onde foram encontrados conjuntos de pilastras e círculos possivelmente ainda mais antigos.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Arqueólogos poloneses alegam haver encontrado tumba de Alexandre no Egito


Alexandre, o Grande não tem descanso. Pelo menos o que restou de seus ossos, se é que eles estão enterrados em algum lugar, não podem "dormir" em paz.

Em agosto de 2013, traçamos aqui no blog um breve perfil de Alexandre e do mistério que envolve o destino final de seu sarcófago de ouro, quando se especulou que ele estaria enterrado na Grécia.

Apesar do furor que a notícia causou mundo afora naquela época, não se soube mais dos desdobramentos da busca pela tumba perdida de Alexandre em terras gregas.

Agora vem do Egito a notícia de que Alexandre continuaria sepultado em Alexandria, último local onde se sabe que seu sarcófago esteve, até o início da era cristã.

O World News Daily Report informa que uma equipe de arqueólogos e historiadores poloneses encontrou um estranho mausoléu enquanto exploravam a cripta de uma antiga igreja cristã na cidade egípcia que leva o nome do antigo rei macedônio.

A tumba seria feita de mármore e ouro, e estaria situada numa área conhecida como Kom el-Dikka, no centro da cidade de Alexandria, apenas 60 metros distante da mesquita de Nebi Daniel.

Trata-se, segundo os pesquisadores, de um grande monumento, aparentemente selado e escondido durante o século III ou IV depois de Cristo, momento em que o cristianismo se tornou a religião hegemônica do Império Romano.

A decoração do mausoléu seria, também, uma homenagem à natureza multicultural do império conquistado por Alexandre, combinando influências artísticas e arquitetônicas de origem grega, egípcia, macedônia e persa, com inscrições em grego, além de alguns hieroglifos egípcios, mencionando que a tumba é dedicada ao "rei dos reis, e conquistador do mundo, Alexandre III".

Haveria ainda um sarcófago quebrado, feito de cristal, possivelmente danificado durante os distúrbios políticos e religiosos que sacudiram Alexandria durante o reinado de Aureliano, por volta de 270 d. C.

Dentro do sarcófago haveria ainda 37 ossos, na maioria quebrados, provavelmente pertencentes a uma única pessoa adulta do sexo masculino, que, somente após a datação por carbono-14, poderá determinar a que era pertenceram.

Como você percebe, usamos e abusamos aqui de verbos no condicional, já que tudo que envolve Alexandre, o Grande, é sempre objeto de muitas especulações e falsificações.

Além disso, a notícia foi divulgada em portais um tanto quanto desconhecidos, sobre os quais, entretanto, não paira nenhuma suspeita anterior de, digamos, desinformação, mas todo cuidado é pouco.

O próprio fato de existir uma equipe polonesa investigando uma antiga igreja cristã em território copta no Egito já soa um tanto quanto estranho, convenhamos, a começar pelo fato de que os "poloneses" representam para as piadas que os americanos contam o papel que os brasileiros destinam aos "portugueses" nos seus chistes.

Piadas à parte, o Centro Polonês de Arqueologia, apesar de pouco conhecido, goza de alguma reputação não manchada até agora e - talvez - o que chama mais a atenção é o fato de que eles escavavam uma antiga igreja cristã e teriam encontrado algo totalmente inesperado.

Divulgamos a notícia com o fim de que ela seja mais conhecida e mais pessoas acompanhem o desenrolar do processo.

Aguardemos, então, maiores informações sobre o suposto achado, se é que elas algum dia virão.



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Selo assírio de Sargão II é encontrado em Israel

Alto-relevo representando Sargão II da Assíria
A Assíria foi o segundo grande império que a humanidade conheceu, depois do Egito. 

A bem da verdade, houve duas fases bastante distintas do Império Assírio: a primeira, do século XX ao século XV antes de Cristo, em que a capital era Assur; e o Império Neo-Assírio, entre os séculos X e VII a. C., em que a capital mais conhecida foi Nínive, com um longo declínio de seu poderio entre os dois períodos.

Nínive foi a maior cidade do mundo no seu tempo, local da pregação do profeta Jonas, e os assírios eram particularmente conhecidos pela crueldade com que travavam suas guerras e pelo tratamento impiedoso com que castigavam os povos conquistados.

Situada na Mesopotâmia, a Assíria foi o grande terror dos israelitas durante boa parte do relato bíblico do Velho Testamento, mais especificamente nos livros de II Reis, II Crônicas e do profeta Isaías. Este grande profeta registrou (cap. 20, v. 1):
No ano em que Tartã, enviado por Sargão, rei da Assíria, veio a Asdode, e guerreou contra Asdode, e a tomou;
O rei assírio a que Isaías se refere é Sargão II, que reinou de 721 a 705 a.C., grande conquistador dos povos vizinhos, entre os quais o reino do Norte, conhecido como Israel, pelo que foi responsável pela primeira diáspora judaica, levando-os cativos e dispersando-os entre as nações que ele havia subjugado.

Seu filho, Senaqueribe (705 a 681 a.C.) aumentou ainda mais o poder da Assíria, e invadiu o reino hebreu do Sul, mais conhecido como Judá, tendo chegado às portas de Jerusalém (2ª Reis caps. 18 e 19), de onde retornou sem invadir a cidade sagrada em razão da intervenção milagrosa de um anjo que, numa só noite, matou 185 mil de seus soldados (2ª Reis 19:35-36).

Esse contexto histórico faz com que se receba com enorme surpresa a notícia veiculada pelo jornal israelense Ha'aretz ontem, 29 de abril de 2014, de que um selo da época de Sargão II foi encontrado em Israel.

Não há maiores especificações sobre o local e em que circunstâncias se deu o achado, mas o selo está sendo examinado pela professora Ziona Grossmark, da Universidade de Tel-Hai, em conjunto com o pesquisador Baruch Brendl, da Autoridade Israelense de Antiguidades.

Segundo a professora Grossmark, "o selo mostra uma batalha entre uma figura alada e um touro apoiado em suas patas traseiras", acrescentando que "uma pesquisa comparativa nos permite datá-lo no tempo de Sargão II" e que "aparentemente, o selo foi trazido a Israel por um de seus súditos. O que aconteceu com o selo depois disso permanece um mistério, mas selos antigos como este são muito raros - apenas alguns dessa natureza têm sido encontrados em ruínas do período romano, a maioria em sepulturas e templos".

Como sempre alertamos aqui no blog, quando se trata de achados arqueológicos dos tempos bíblicos, é melhor esperar maiores detalhes que possam ser analisados por investigadores independentes, a fim de se ter certeza da autenticidade da descoberta, mas, a se confirmar sua veracidade, teremos mais um objeto que emerge das milenares areias do Oriente Médio para confirmar os escritos do Velho Testamento.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Inscrição mais antiga já encontrada em Jerusalém pode confirmar relato bíblico


O jornal israelense Haaretz informou na sua edição de 02/01/14 que a inscrição de um pote encontrado em Jerusalém pertence ao tempo do Rei Salomão, o que o tornaria a mais antiga inscrição já descoberta na capital de Israel.

Quem a decifrou foi Gershon Galil, professor de Estudos Bíblicos e História Antiga na Universidade de Haifa.

Sua importância deriva do fato de que está escrita em hebraico arcaico e porque mostra que já havia o domínio do alfabeto em Israel no século X a. C.

O que pode ser ainda mais interessante, dependendo do ponto de vista com que se analise a descoberta, é que o pote era utilizado para guardar vinho, e a palavra "halak" nele inscrito significa "vinho barato".

"Halak" era um termo enológico na língua ugarítica, de Ugarit, no norte da região onde hoje se localiza a Síria.

Na época, havia três tipos de vinho, o de boa qualidade, o - digamos - "regular" - e o "vinho barato", de má qualidade.

De acordo com o professor Galil, o vinho "halak", muito provavelmente, era destinado aos milhares de operários que trabalharam nas grandes obras do reino de Salomão, como o primeiro Templo de Jerusalém, por exemplo.

O Primeiro Livro de Reis, no Velho Testamento, informa em seu versículo 5:15 que "tinha também Salomão setenta mil que levavam as cargas, e oitenta mil que talhavam pedras nas montanhas".

Um dos grandes questionamentos que os céticos opõem ao texto bíblico diz respeito à magnitude dos reinos de Davi e de Salomão, que, segundo alegam, não eram tão grandes como o relato bíblico faz crer.

Muitos chegam a afirmar que Jerusalém mal passava de uma vila pequena e desinteressante, sem qualquer importância no contexto do mundo antigo.

A se confirmarem as observações do professor Galil, o reino de Salomão passará a ser visto como bem administrado e que tinha um comércio internacional altamente significativo para a época.

Não se pode esquecer, entretanto, que outro grupo de arqueólogos alegou ter encontrado outra inscrição mais antiga de Jerusalém, conforme comentamos aqui no blog em julho de 2013.

Não fica claro, pela matéria do Haaretz, se se trata da mesma descoberta, então atribuída ao reino de Davi (também no século X a. C.), mas - ao que tudo indica até agora - parece se tratar do mesmo artefato.

Segue esta linha de raciocínio o Times of Israel, que teve acesso ao parecer do pesquisador e se adianta dizendo que se trata realmente daquela inscrição que foi descoberta em julho de 2013 (vide abaixo).

Aguardemos, então, maiores detalhes e análises independentes para saber se estamos realmente diante de uma descoberta espetacular para a arqueologia bíblica.






segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Adeus a Peter O'Toole, o Lawrence da Arábia do cinema

Para tristeza de todos os fãs da sétima arte, morreu no dia 14/12/13 o grande ator irlandês Peter O'Toole, aos 81 anos de idade.

Ainda que relativamente desconhecido para os jovens apreciadores do cinema, felizmente, não passou despercebido o seu falecimento.

Homenagens mais que merecidas foram feitas ao redor do mundo.

Alguns críticos de cinema e cinéfilos dizem que - curiosamente - o "grande pecado" de O'Toole foi ter começado por cima.

Tendo iniciado sua carreira na telona em 1960, já em 1962, aos 30 anos de idade, emplacou o papel-título pelo qual ficaria eternamente conhecido: Lawrence da Arábia.

Com apenas dois anos de filmografia, portanto, Peter O'Toole já havia alcançado o ápice a que um ator com sua fleuma e seu gabarito poderia almejar.

A partir daí, suas atuações em tantos outros filmes como "O Homem de La Mancha" (1972), "Calígula" (1979), "O Último Imperador" (1987) e "Troia" (2004), ou a brilhante e esquecida obra televisiva "O Caçador" ("Rogue Male", 1977), se tornaram meras notas de rodapé à sua inesquecível encarnação de "Lawrence da Arábia", dirigido por David Lean e inspirado no vulto histórico T. E. Lawrence, personagem real de uma das grandes aventuras da época da Primeira Guerra Mundial.

O que pouca gente sabe é que tanto Peter O'Toole como T. E. Lawrence, a quem ele deu vida no cinema a ponto se ser confundido com o personagem, tinham profundas raízes cristãs, que, cada um a seu modo e tempo, foram sendo diluídas durante suas trajetórias no planeta.

De origem galesa, T. E. Lawrence (1888-1935), que passou para a posteridade como o "Lawrence da Arábia", foi uma das mais emblemáticas figuras que emergiram do primeiro conflito que envolveu o mundo todo, de 1914 a 1918.

Numa época em que o colonialismo europeu iniciava sua decadência e aquela certa dose de, digamos, "cavalheirismo" medieval cedia vez à barbárie da (ainda incipiente) tecnologia moderna de guerra, T. E. Lawrence viajou em 1911 à Arábia, então pertencente ao Império Otomano (hoje Turquia), como assistente nas escavações arqueológicas promovidas pelo Museu Britânico.

Ainda que seu trabalho no Oriente Médio tenha se concentrado nas ruínas dos hititas e das Cruzadas, seu esforço científico lançou as bases da moderna arqueologia bíblica naquelas terras.

As profundas raízes cristãs de sua família - enfronhada em Oxford - fizeram com que Lawrence, desde a mais tenra idade, se interessasse pelos relatos bíblicos, e já em 1909 a sua correspondência enviada à Grã-Bretanha dava conta de que ele havia visitado e esquadrinhado 36 castelos e fortalezas (a maioria em ruínas) na região da Síria, Líbano e Palestina.

Com o estouro da Primeira Grande Guerra, em 1914, Lawrence, então na Inglaterra, é chamado de volta pelo exército britânico para trabalhar no Oriente Médio, que ele conhecia tão bem.

Seus laços com a comunidade nativa árabe, cultivados durante suas viagens nômades e seu trabalho arqueológico, fizeram com que Lawrence, insuflado pelos britânicos, os estimulasse a lutar contra o imperialismo otomano, que, aliado à Alemanha, era o inimigo comum de ambos os povos naquela zona conflagrada.

Antes de T. E. Lawrence morrer por
traumatismo craniano decorrente de um
acidente de motocicleta, ninguém pensava
em usar esse tal "capacete".
Depois de ajudar a consolidar a independência dos países árabes em relação à nascente Turquia, embora colocando-os sob a esfera britânica, Lawrence voltou para a Inglaterra, onde levou uma vida relativamente pacata até morrer num acidente de motocicleta em 19 de maio de 1935.

Curiosamente, outra de suas contribuições para a humanidade, ainda que involuntária, é que somente depois de sua morte o governo britânico investiu na cultura do capacete para motociclistas, o que veio a salvar milhões de vidas no mundo todo a partir de então.

Peter O'Toole, por seu lado, foi criado como católico na anglicana Leeds, tendo inclusive estudado num colégio de freiras durante os bombardeios nazistas da Segunda Guerra Mundial, embora tenha abandonado a fé a partir de sua adolescência.

Além de "Lawrence da Arábia", foi indicado 8 vezes ao Oscar da Academia de Hollywood, sendo sempre preterido até que finalmente, cônscios de seu erro, lhe outorgaram um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra em 2003.

Entretanto, o já consagrado ator não conseguiu deixar a lembrança de Jesus para trás. Mais tarde, confessou: "Ninguém consegue tirar Jesus de mim... não há qualquer dúvida que ele foi uma figura histórica de tremenda importância, com enormes ensinamentos. Como a paz, por exemplo".

Não se sabe a extensão exata da fé de O'Toole e Lawrence, mas a feliz congruência desses dois grandes homens num personagem cinematográfico da maior relevância neste mundo moderno tão contraditório e ansioso por símbolos de fé e de coragem, faz com que a gente agradeça o privilégio de  ter conhecido as suas histórias de vida.

Peter O'Toole no papel-título de "Lawrence da Arábia" (1962)

Foto autografada de Peter O'Toole no papel de um dos três
anjos que visitam Abraão no épico "A Bíblia" (1966)



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sacrifícios rituais moviam a economia da antiga Jerusalém


A edição de setembro/2013 do Journal of Archaeological Science traz os resultados de uma pesquisa feita com os ossos de animais encontrados nos limites externos da antiga muralha que protegia a cidade de Jerusalém nos tempos bíblicos.

Mais especificamente, os pesquisadores dataram os ossos entre o início do reinado de Herodes (ano 37 a.C.) e a revolta começada no ano 66 d. C., que terminou por destruir a cidade santa.

A conclusão básica a que chegaram foi a de que o grande motor econômico de Jerusalém era representado, naquela época, pelos sacrifícios rituais exigidos dos judeus pelas leis mosaicas e pelo Talmude rabínico.

Um dos co-autores da pesquisa, Gideon Hartman, da Universidade de Connecticut, diz que o achado mostra que havia um enorme mercado regional de animais que eram comercializados em todas as áreas do território judeu (e mais além) para atender as demandas do Templo, o centro da religiosidade hebraica tanto nos tempos de Salomão (Primeiro Templo) como no de Herodes (Segundo Templo).

Só assim - dizem os estudiosos - se justifica que Jerusalém tenha florescido ao longo dos séculos, já que a cidade estava no centro de uma região desértica, com parcos recursos naturais, longe dos portos e das principais rotas de comércio do mundo antigo.

Entendem os arqueólogos que Jerusalém só se sustentou como metrópole por todo aquele período porque havia uma maciça operação de troca, compra e venda de animais para os sacrifícios rituais previstos nas leis judaicas.

Peregrinos vinham de todas as partes do mundo nas datas festivas do calendário judaico e necessitavam comprar os animais específicos para cada ritual religioso que precisavam realizar. E não havia outro local para isso a não ser Jerusalém.

As fontes históricas e religiosas apontam o dedo para o massivo abate de animais. O Talmude chega a dizer que os sacerdotes, algumas vezes, realizavam seu trabalho com sangue até os joelhos, e o historiador judaico-romano Flávio Josefo relata a enorme operação de matadouro que havia em Jerusalém.

A descoberta de uma enorme quantidade de ossos animais em poços no exterior da antiga cidade murada confirma, portanto, esses relatos históricos.

Como a carne era um item pouco comum na dieta judaica daquele tempo, e os ossos achados pertenciam a animais jovens, os arqueólogos concluíram que eles eram criados especificamente para atender as necessidades ritualísticas do povo judeu.

A pesquisa foi mais longe e comparou os isótopos de nitrogênio e carbono dos ossos encontrados em Jerusalém com aqueles da mesma época que foram descobertos em outras regiões do Oriente Médio.

Para surpresa dos arqueólogos, os resultados mostraram que em Jerusalém estavam enterrados ossos de animais que haviam vindo de muito longe, a centenas de quilômetros de distância, como da região da Jordânia e da Península Arábica.

Suspeita-se que uma das razões para essa gigantesca operação de compra e venda de animais foi o fato do primeiro Templo ter sido destruído em 586 a. C., o que levou com que os judeus se dispersassem por uma área muito maior do que o território que lhes era destinado.

Desta maneira, quando o segundo Templo foi construído, havia uma população judaica espalhada pelo mundo então conhecido, e que se deslocava até Jerusalém para cumprir as obrigações ritualísticas para com sua religião, e, ao que tudo indica, traziam também animais para trocarem ou comercializarem quando chegassem à cidade santa.

Toda essa operação econômica terminava enriquecendo não só os peregrinos, mas fortalecia sobretudo a capital do povo judeu.

Como você pode perceber, a relação entre religião e dinheiro é muito mais antiga do que você imaginava.

A fonte das informações acima é o LiveScience.



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Arqueólogos pensam ter encontrado a tumba de Alexandre, o Grande

Alexandre, o Grande, é um dos vultos históricos mais importantes da história da humanidade, que viveu entre 356 e 323 a. C., 32 anos de uma curta vida repleta de realizações gigantescas.

Filho do rei Felipe II da Macedônia e educado por ninguém menos que o grande filósofo Aristóteles, sucedeu o pai e reinou entre 336 e 323 a. C. com o nome de Alexandre III, período em que transformou o mundo então conhecido com as suas impressionantes conquistas militares que atropelaram a Babilônia e levaram o império macedônico até o Himalaia, já no subcontinente indiano.

Coube a Alexandre, por exemplo, helenizar vastos territórios que passaram a ter o grego como língua franca, o que permitiu que o mundo em que Jesus e os apóstolos viveram falasse e escrevesse na mesma língua, facilitando a propagação do evangelho como o recebemos pelo Novo Testamento.

De certa forma, até o idioma que falamos, com suas raízes greco-latinas, poderia não ser o mesmo se Alexandre não tivesse levado às últimas consequências sua sede de expansão territorial.

Poucos seres humanos, portanto, deixaram um legado tão importante que perdura até os dias de hoje.

Após sua breve e significativa vida, um dos mistérios sobre Alexandre que persistem até hoje é o local onde ele foi sepultado.

A julgar pelos relatos da época, supõe-se que o grande guerreiro tenha sido vitimado por uma febre tifoide (ou malária) na Babilônia, no dia 10 de junho de 323 a. C.

Os generais de Alexandre dividiram entre si o império que Alexandre havia conquistado, o seu corpo foi embalsamado e alojado num valiosíssimo sarcófago de ouro, e a partir daí pouco se sabe sobre o seu destino final.

Alguns supõem que o corpo teria sido enterrado no cemitério da família real em Aigai (atual Vergina), na Grécia. Outros dizem que ele passou por Mênfis, no Egito, antes de ir para Alexandria.

Ali teria ficado durante toda a dinastia ptolomaica e o corpo (ou dublê de corpo) teria sido frequentemente visitado pelos imperadores romanos que faziam visitas rituais à tumba do grande líder do passado.

Nos séculos III e IV depois de Cristo, a tumba teria sido gradualmente destruída, sendo que um tsunami devastador em 21 de julho de 365 deixou Alexandria arrasada.

Atribui-se também a uma revolta cristã do ano de 391 a destruição do que havia restado do mausoléu, e a partir daí se perderam totalmente os rastros, ainda que fictícios, dos restos mortais de Alexandre.

Só que agora, dezesseis séculos e centenas de especulações depois, arqueólogos gregos ameaçam derrubar por terra todas as versões ancestrais sobre o local do sepultamento do grande imperador.

A antiga cidade de Anfípolis, a 575 km ao norte de Atenas, seria a grande candidata a ter tamanha honra, segundo divulgou o jornal britânico Daily Mail em 23 de agosto de 2013.

Acaba de ser descoberta na região uma impressionante muralha revestida de mármore, cuja datação remete ao período da morte de Alexandre.

Com impressionantes 500 metros de comprimento e 3 metros de altura, os arqueólogos suspeitam que ela contenha alguma sepultura real, a julgar por sua suntuosidade.




O arqueólogo Aikaterini Peristeri está esperançoso de encontrar algum personagem importante enterrado por ali, mas o Ministério da Cultura da Grécia tenta acalmar o furor causado pela revelação, alertando que ainda é muito cedo para se associar o achado à tumba perdida de Alexandre.

Como todo início de descoberta arqueológica, todo cuidado é pouco. Seria espetacular saber que foi finalmente encontrado o local onde o grande imperador está sepultado, com o seu corpo minimamente preservado, mas por enquanto a situação toda parece se aventurar no terreno da fantasia.

Deleitemo-nos com esse ínfimo fio de esperança, portanto.



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Arqueólogos israelenses alegam ter encontrado palácio de Davi

Os leitores do blog devem estar curiosos com a profusão de notícias sobre arqueologia bíblica que estão sendo publicadas aqui nos últimos dias, mas é importante esclarecer que se trata apenas de uma feliz coincidência.

É que, sabe-se lá por quê, vários achados foram divulgados nos últimos dias, como a inscrição mais antiga de Jerusalém, a esfinge de 4.500 anos que estava em Israel, e o Tabernáculo de Siló.

Obviamente, todos eles estão sujeitos a maiores averiguações que já estão sendo levadas a cabo, assim como deverá causar muita polêmica a notícia divulgada ontem, 18 de julho de 2013, pela Autoridade Israelense de Antiguidades.

O órgão israelense anunciou que escavações que acontecem na região das planícies do país (conhecida como Sefelá), desenterraram duas grandes construções que seriam datadas do século X a.C., período do reinado de Davi.

Os arqueólogos da Universidade Hebraica que lideram o trabalho disseram que passaram sete anos trabalhando no local denominado Khirbet Qeiyafa, que corresponde a uma cidade fortificada dos primórdios de Israel, referida na Bíblia como Saraim (Josué 15:36, 1ª Samuel 17:52, 1ª Crônicas 4:31).

Os pesquisadores Yossi Garfinkel (da Universidade Hebraica) e Saar Ganor (da Autoridade Israelense de Antiguidades) garantem que um dos edifícios encontrados seria um dos palácios do rei Davi, e o outro seria uma espécie de enorme celeiro real.

O que levou os arqueólogos a essa conclusão (que alguns estudiosos já consideram precipitada) são as enormes dimensões das estruturas encontradas, que incluem seções específicas para postos administrativos, ferreiros e ceramistas, além de restos de alabastro que teria sido importado do Egito.

O local ainda teria proeminência na gigantesca planície que o circunda, o que lhe dava uma privilegiada visão à distância, desde o Mar Mediterrâneo no Oeste até as colinas de Jerusalém ao Leste.

Infelizmente, além dos danos causados por todas as batalhas históricas entre os reinos e impérios que dominaram a região ao longo dos séculos, quase todo o suposto palácio foi destruído 1.500 anos depois de Davi e Salomão, por uma fortaleza construída no período do Império Bizantino.

Apesar da notícia aparentemente espetacular, é preciso ter muito cuidado antes de confirmá-la peremptoriamente, como acontece com toda descoberta que envolve a arqueologia bíblica.

Aguardemos, portanto, estudos mais aprofundados e investigações independentes que confirmem se Khirbet Qeiyafa é realmente tudo isso o que os arqueólogos israelenses estão afirmando que é.

O fato é que - a se confirmarem os achados referidos acima - o mês de julho de 2013 passará para a história como um dos mais férteis no campo da arqueologia bíblica.

Abaixo você pode ver fotos do local, bem como um vídeo da antiga cidade de Saraim.








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