sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Quando um filósofo ateu combate (sem querer) a teologia da prosperidade

O filósofo suiço Alain de Botton deu uma ótima entrevista ao ator Dan Stulbach no programa "Saia Justa" do canal a cabo GNT (da Globosat), falando basicamente sobre seu livro recém-lançado no Brasil, "Religião para Ateus".

São apenas 4 minutos de entrevista, mas extremamente reveladores, que podem ser conferidos no vídeo abaixo.

Primeiramente, o filósofo fala que o ser humano inventou a religião por - basicamente - dois fatores: a inevitabilidade da morte e a necessidade de se controlar o instinto atávico da violência.

Até aí não há nenhuma novidade, mas não deixa de ser estranho que ele menospreze tanto a capacidade tão humana de amar.

A não ser que tenha embutido o amor na ideia da solidão (vai saber...). Deve fazer parte do instinto negativista do ateu. Pelo menos Alain de Botton reconhece que "nós temos certas necessidades que não desapareceram" com o passar dos milênios, e nem com o avanço da tecnologia.

Por que será? Agostinho já dizia 1.500 anos atrás que essas "necessidades não preenchidas" se chamam "vazio de Deus".

Mas é exatamente neste ponto que a porca torce o rabo e o filósofo suiço, sem querer (diga-se de passagem), levanta uma questão que afronta a perniciosa "teologia da prosperidade".

Esta, digamos, "revelação", lhe vem no momento em que compara essas necessidades básicas da religião com o consumismo do mundo atual.

Alain de Botton diz que as pessoas (ele, inclusive) se sentem confortáveis com uma entidade (no caso, a Igreja) que lhes diga o que devem e o que não devem fazer, do tipo "Seja bom!", "Seja gentil!", "Perdoe!", etc.

Aí ele faz o contraponto do discurso mundano atual: "Lembre-se de comprar um carro hoje!", "Compre uma camisa nova!", "compre!", "compre!", etc., no típico jargão consumista, no que o filósofo constata: "Essas mensagens não ajudam em nada a nossa vida interior".

Alain de Botton sabe, mas não se deu conta de que são essas mesmas mensagens que são pregadas em muitos (talvez a maioria) dos púlpitos evangélicos do mundo todo hoje em dia.

O crente faz "negócios", "propósitos", "campanhas" com Deus justamente para "tomar posse" de um carro 0km.

Que o filósofo ateu não nos ouça ou leia, mas ele chegou atrasado: muitos "cristãos" já substituíram a religião pelo materialismo faz tempo, lamentavelmente.

O que ele não disse, mas se pode inferir de suas palavras, é que a pregação da "teologia da prosperidade" é - no fundo - um ateísmo disfarçado.

Tudo isso deveria fazer qualquer cristão sério do mundo ficar estupefato ao ver um ateu declarando que a sua grande preocupação é como a a modernidade está paulatinamente substituindo a religião: com materialismo e amor romântico.

Não por acaso, muitas "igrejas" combinam as duas coisas no seu discurso (que não merece ser chamado de "pregação"): a prosperidade material e os encontros românticos para os encalhados.

Relações pessoais (amorosas e sexuais inclusas no pacote) e dinheiro são as forças que movem o mundo, na visão do filósofo, mas que têm prazo de validade, limitadas à juventude e à idade adulta antes da maturidade e da velhice, quando esses poderes não atraem tanto como quando a pessoa era mais nova.

Por fim, Alain de Botton propõe que a arte e a cultura seriam as substitutas ideais para a religião, esquecendo-se convenientemente de que quase a totalidade da arte e da cultura foi gerada e desenvolvida no seio da Igreja e das universidades confessionais ao longo dos séculos.

Faz ainda uma defesa final da beleza e da sabedoria como os grandes valores pelos quais ele luta, que dão o sentido à sua vida.

Se é assim, Alain de Botton está perdendo tempo: se não quiser ler Provérbios e Eclesiastes, fica a sugestão para que leia o capítulo 28 de Jó. Lá ele vai encontrar a verdadeira sabedoria. Fique agora com a entrevista na íntegra:





2 comentários:

  1. Cara, que preconceituoso você é, o que é "o instinto negativista do ateu" ? E quase a totalidade da arte e da cultura foi gerada no seio da igreja? você vive em uma bolha, existem muitos outros livros para ler, muitos deles escritos antes de que qualquer igreja que tenha sobrevivido até hoje tivesse sido sido fundada, inclusive a católica. Abra sua mente e pare de professar mentiras. Se você conhece a verdade, a compreensão e a beleza da vida, não precisaria de mentiras para fortalecer seus pontos de vistas preconceituosos.

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  2. Caro Anônimo,

    Muito obrigado por ter se dado ao trabalho de vir até aqui confirmar não só o "instinto negativista do ateu" como também o mau humor que os assola. Já que você falou em "muitos outros livros para ler", aproveite e leia-os, quem sabe assim você aprende um pouco e ganha mais condições de debater.

    Abraço!

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