terça-feira, 12 de junho de 2012

Jerusalém vai controlar DNA de cocô de cachorro

Os seguidores novidadeiros de seitas apocalípticas já podem começar a procurar algum sinal do fim dos tempos nessa notícia que chega pelo Estadão:

Contra fezes nas ruas, Jerusalém cria banco de DNA de cães

Prefeitura quer identificar e multar donos que não recolhem sujeira deixada por seus animais.

A Câmara Municipal de Jerusalém aprovou uma lei que obriga proprietários de cachorros a registrar o DNA de seus animas para identificar e multar donos que não limparam as fezes de seus cães nas ruas da cidade.

Com amostras de saliva dos animais, as autoridades criarão um banco de dados de DNA. Os donos de cães que se recusarem a fornecer a amostra serão multados.

Esquemas semelhantes foram introduzidos em municípios menores nos Estados Unidos e na Espanha. Mas o veterinário-chefe da prefeitura de Jerusalém, Zohar Dvorkin, disse à BBC Brasil que esta é a primeira vez que um projeto dessa dimensão é implementado no mundo. Em Jerusalém, há cerca de 12,5 mil cães.

Fiscais da prefeitura passarão a recolher amostras de fezes nas calçadas da cidade, que serão analisadas em laboratório para identificar os responsáveis.

A multa para os donos de cães que deixam fezes nas ruas é de 750 shekels (cerca de R$ 400). Até então, os fiscais da prefeitura só podem multar os proprietários dos animais quando o cachorro e seu dono são pegos em flagrante.

"Muitas vezes os donos dos cães fogem ao ver os fiscais", disse Dvorkin. "Mas com o novo método eles não poderão mais fugir."

Segundo o veterinário-chefe, o objetivo da prefeitura "não é ganhar dinheiro, mas sim criar um clima de dissuasão".

Dvorkin diz que, além do incômodo criado aos transeuntes, as fezes de cães nas ruas também disseminam bactérias e parasitas, que podem transmitir doenças tanto a outros cães como a pessoas.

Técnicas

Dvorkin explicou que em casos de cães agressivos é mais difícil recolher amostras de saliva. Veterinários da prefeitura estão analisando outras fontes de DNA dos animais como amostras das raízes dos pelos.

Outra questão que está sendo analisada é o limite de tempo no qual o DNA dos cachorros poderá ser identificado nas fezes.



Palestina preocupada com acordo entre Israel e o Vaticano

A agência palestina de notícias Ma'an informa que as autoridades locais estão preocupadas com informações vazadas sobre o rascunho de um acordo econômico entre Israel e o Vaticano.

Por esse documento, o Vaticano reconheceria a anexação israelense de Jerusalém Oriental e de outras áreas na Cisjordânia.

Quem divulgou a informação foi a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), entidade que andava meio esquecida desde a morte de seu líder Yasser Arafat em 2004.

O reconhecimento do Vaticano quanto à autoridade em territórios palestino se daria de maneira indireta, pela admissão de regras legais e fiscais concernentes à tributação de produtos e serviços nas áreas ocupadas por Israel em desacordo com a Resolução 242 da ONU, de 1967.

A Comissão Bilateral Permanente entre Israel e o Vaticano estaria reunida em Roma durante esta semana para ultimar os detalhes finais do acordo.

Enquanto isso, as autoridades palestinas se movimentam para que o Vaticano mantenha as posições anteriores em relações ao assunto, favoráveis ao reconhecimento do território e do Estado da Palestina.

A presença de vários locais sagrados espalhados entre a Palestina e o Israel vai fazer o papa ter que sapatear em ovos, com enorme risco de desagradar ambas as partes.



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Espiritualidade sem fé e a era do desencanto

O filósofo francês Luc Ferry escreveu vários livros instigantes, entre eles "A Tentação do Cristianismo", e o caderno Sabático do Estadão do último sábado, 09/06/12, publicou uma longa entrevista com ele, imperdível para quem quiser - pelo menos - tentar entender o mundo atual e ter uma visão global de que caminho ele está tomando:

Uma nova ordem mundial

O francês Luc Ferry fala, em entrevista ao ‘Estado’, sobre a revolução provocada com o estabelecimento de uma espiritualidade laica - a filosofia do amor, que domina seu pensamento

Em 1979, quando o filósofo francês Jean-François Lyotard lançou A Condição Pós-Moderna, ensaio que abordava o declínio da ideia de emancipação e de outras metanarrativas nascidas com o Iluminismo, a crítica acadêmica internacional se fissurou. De um lado, seguiram os fiéis ao projeto moderno, calcado na construção de um futuro melhor e na ideia de um “dever ser”; de outro, os que abandonaram as ideologias, e adotaram a convicção de que o hedonismo e o presente são a melhor resposta às obsessões totalitárias.

Há 40 anos, essa segunda “tendência” acadêmica era marginalizada. Hoje, o curso da história lhes dá razão. E, em lugar de controvérsia, autores que advertem para os efeitos da ruptura das metanarrativas e dos valores tradicionais são premiados com o sucesso. Esse é o caso do filósofo francês Luc Ferry, autor de pelo menos dois best-sellers acadêmicos, Pensamento 68 – Ensaio Sobre o Antihumanismo Contemporâneo (1985) e A Nova Ordem Ecológica (1992), que lança no Brasil o ensaio A Revolução do Amor – Por uma Espiritualidade Laica (Objetiva) e O Anticonformista – Uma Autobiografia Intelectual (Difel).

Publicado em 2010 na França, A Revolução... teve acolhida calorosa de crítica e público. Esse sucesso talvez se explique pelo fato de que Ferry mergulha em um universo com o qual nos identificamos. Mesmo que se valha de autores como Rousseau, Kant, Nietzsche, Sartre, Husserl e Heidegger para construir sua argumentação, o livro é simples e não é difícil concordar com sua ideia básica: vivemos uma era de ruptura, e não estamos mais dispostos a nos sacrificar em nome de grandes ideias alheias, de utopias, mas sim em nome de nossos pais, filhos ou amigos. Um humanismo secular; uma espiritualidade sem fé. “Existem dois tipos diferentes de espiritualidade. Um age por meio de Deus e é, certamente, o conjunto das religiões; o outro, sem Deus, é o grupo das grandes filosofias”, explica ele no livro.

O Anticonformista, que Ferry lançou em seu país no ano passado, resulta de uma série de conversas com Alexandra Laignel-Lavastine, doutora em filosofia e especialista na história da intelectualidade. Dos anos de formação aos embates entre direita e esquerda, passando por sua experiência como ministro da Educação da França (2002-2004), a obra sublinha que a espiritualidade laica “constitui a pedra angular que hoje subentende toda a minha filosofia”. Não por acaso, A Revolução do Amor conduz a entrevista a seguir, concedida por e-mail pelo pensador ao Sabático.

Sua tese é de que o amor, ou melhor, o casamento por amor, e não mais por interesses, está no centro da nova ordem social. Ela gera uma segunda globalização, que sucede à do Iluminismo. A Revolução..., embora otimista, não é uma obra ingênua. É forte, não só pela temática e análise da desconstrução dos valores tradicionais, mas também por uma constatação: a de que as revoluções em curso, pelo menos no Ocidente, prosseguem – e sem armas.

Sobre A Revolução do Amor, comecemos por sua ideia de base: algo de revolucionário teria acontecido há alguns séculos: a invenção do casamento por amor na Europa. Qual é a amplitude desta revolução?

É imensa! A “revolução do amor” é o nascimento da família moderna, ou seja, a passagem do casamento arranjado ao escolhido. Esta revolução exige uma nova filosofia. Mas também chacoalha nossa relação com a coletividade. É o que chamo de “segundo humanismo”. O primeiro foi o da lei e da razão. Era o do Iluminismo e dos direitos humanos, dos republicanos franceses e de Kant. O segundo humanismo é da fraternidade. Existe desde então uma única visão do mundo movida por este sopro de uma utopia possível. Porque o ideal que ela visa a realizar não é o das ideias revolucionárias. Não se trata mais de organizar os grandes massacres em nome de princípios mortíferos, mas de preparar o futuro para os que nós amamos, as gerações futuras.

Essa revolução produziu efeitos sobre a arte e a moral, mas há efeitos ainda em progresso, como a evolução da condição da mulher e dos homossexuais, por exemplo. Quais são os indícios desta revolução hoje?

Esta revolução do casamento de amor, escolhido e não imposto, começa na Europa e se estende a todo o mundo cultural ocidental. Isso quer dizer que no resto do mundo o casamento imposto continua a ser a regra. No Ocidente, temos vivido desde o século 20 a desconstrução dos valores tradicionais. Ela teve efeitos negativos, mas também formidavelmente positivos, em especial para os homossexuais e as mulheres. Observe que um país como a Suíça, o último cantão a conceder o direito de voto às mulheres o fez, pense bem, em 29 de abril de 1991! Isso quer dizer que, até então, as mulheres ainda eram vistas como crianças. Na França, foi um pouco mais cedo, mas, enfim, foi preciso esperar o fim da 2.ª Guerra para que as mulheres tivessem direito de voto. Quanto aos homossexuais, lembre-se o que a Organização Mundial da Saúde definia a homossexualidade como doença até 1990! Sim, nosso mundo ocidental mudou mais nos 50 anos da segunda metade do século 20 do que nos 500 anos anteriores!

Tratemos agora da destruição dos valores tradicionais. No seu entender, parte desse processo vem do fato de que as ideias não merecem mais sacrifício, só o humano. É isso o retorno da “sacralização”, do reencantamento do mundo?

Como a “consciência infeliz” da qual falava Hegel, nós temos sempre a tendência de nos dar conta na história do que se destrói e morre, quase nunca do que toma forma e vida. Logo, temos uma propensão ao pessimismo. Ao contrário do otimismo, sempre um pouco simplório, ele confere à primeira vista uma presunção de inteligência. Às vésperas do século 21, é verdade, a maior parte dos valores tradicionais, em especial a nação de direito e a revolução de esquerda, desmoronaram, ao menos na Europa. Logo, devemos constatar, pelo menos na Europa, que os motivos tradicionais do sacrifício coletivo foram liquidados. Quem desejaria hoje, ao menos nos países de cultura europeia, morrer por Deus, pela pátria ou revolução? Não muita gente. É uma grande notícia. Quanto à estupidez mortífera do maoismo, com dezenas de milhões de mortos, quem, fora alguns intelectuais corroídos pelo desejo de se pretender interessantes, poderia não se felicitar da sua liquidação?

Isso não quer dizer que vivemos a era do desencantamento do mundo? Há mesmo lugar ainda, hoje, para alguma espiritualidade?

Não creio que vivamos uma era do desencantamento do mundo. Aí está até mesmo a ilusão arquetipal desta consciência infeliz que adora tanto não adorar. O que nós vivemos não é de forma alguma a liquidação do sagrado, o eclipse dos valores (da espiritualidade), mas sua encarnação em nova face, a da humanidade. Questione-se honestamente: por quem ou pelo que você estaria pronto a arriscar sua vida? Em outros termos, o que considera sagrado no sentido próprio, como digno de sacrifício? A resposta para a imensa maior parte seria: é o homem que é sagrado, o próximo, mas também o seu contrário, o seguinte. Em todo caso, não são as abstrações vazias da religião e da política tradicionais. Vivemos o nascimento de uma nova face do humanismo, que não é mais aquele de Voltaire e Kant, dos direitos do homem e da razão, desses iluminismos que portaram, é verdade, um vasto projeto de emancipação, mas que conduziram também ao imperialismo. Trata-se, ao contrário, de um humanismo pós-colonial e pós-metafísico, da transcendência do outro e do amor. Precisaremos, então, dessas novas categorias filosóficas (uma espiritualidade sem Deus) para refletir sobre suas armadilhas e perspectivas.

O senhor diz que a globalização tem um papel na desconstrução dos valores. Estamos na era do consumo de massa e da economia global, o que causa um impacto social e altera nossa maneira de ver o mundo, certo?

Sim. O verdadeiro motor da desconstrução dos valores tradicionais foi o capitalismo moderno. Marx já dizia que o capitalismo era a revolução permanente. Por quê? Porque a competição leva à lógica da inovação permanente. Uma empresa que não inova o tempo todo está fadada a morrer. Mas há mais do que isso. Os que desconstruíram os valores tradicionais no século 20 eram com frequência de esquerda. A verdade do século é que esta grande desconstrução serviu aos interesses do capitalismo.

Fale mais sobre isso.

Foi necessário que os valores e as autoridades tradicionais fossem desconstruídas pelos boêmios, jovens de cabelos longos, libertários, para que o capitalismo, ele também moderno e fadado à inovação pela inovação, pudesse fazer entrar nossos filhos na era do grande consumo de massa sem o qual seu futuro globalizado não teria sido possível. Eis uma verdade que vai crescer no século que está aí. Se nossos filhos tivessem os mesmos valores que nossos avós, eles não comprariam um telefone celular por ano, ou MP3. Do contrário, se nossos antepassados pudessem ver um grande centro comercial, achariam provavelmente que estes novos templos edificados ao deus do consumo escoam besteiras. Talvez pensassem que estas bugigangas que transbordam das vitrines nos distanciam dos verdadeiros valores. Logo, foi necessário que as visões tradicionais do mundo fossem desconstruídas para que pudéssemos nos consagrar ao consumo sem complexos, ao menos no limite de nosso poder de compra.

Sua ideia de reencantamento é um paradoxo à de Max Weber, que falava no início do século 20 do desencantamento do mundo. Minha questão é: o reencantamento é só positivo, ou também tem sua “parte do diabo”?

Tem razão, há uma parte do diabo. Quando falo da revolução do casamento escolhido, não quero dizer que entramos no mundo ideal. Antes de mais nada, porque o reverso da medalha do amor, é o ódio. Não há rosas sem espinhos, nem amor sem ódio. Além disso, o amor dos seus, dos próximos, pode levar a um egoísmo louco. O amor que dá sentido a nossas vidas não é mais o amor pela nação, revolução. A questão que as gerações futuras vão definir, como os ecologistas já compreenderam, é: que mundo vamos deixar a nossos filhos? Essa nova questão política não diz respeito só à ecologia, mas à dívida pública, ao futuro da proteção social na época da globalização ou à regulação financeira.

Quando falamos em um mundo no qual o casamento de amor está no centro de uma revolução, como devemos ver as civilizações em que ele ainda é determinado por interesses?

Sem defender o eurocentrismo, é preciso reconhecer que nosso velho continente inventou algo único: a cultura da autonomia dos indivíduos, de sair dessa “menoridade” infantil – como dizia Kant sobre o Iluminismo – mantida por todas as civilizações religiosas, teocracias e regimes autoritários. Este movimento caminha em direção à autonomia, como aconteceu primeiro com a arte, desde o século 17, quando deixou de ser exclusivamente religiosa, depois se infiltrou em toda a civilização europeia, da filosofia, racionalista, à política, laica e democrática, passando pela ciência, hostil aos dogmatismos clericais, e pela vida privada, quando o casamento decidido pelo amor substitui o casamento racional imposto pelos pais. Este é o gênio da Europa que acabaria por abolir a escravidão e a colonização, por se desfazer dos totalitarismos, por se desfazer dos totalitarismos. Nada, nesta valorização da civilização europeia, implica menor racismo, menor tendência neocolonial. Outras civilizações são igualmente grandiosas, mas a europeia inventou a autonomia política, como a democracia, assim como a autonomia privada, como o casamento por amor e a família escolhida.

O senhor diz que o sagrado reencarna na cultura ocidental. Mas e as revoluções no mundo árabe, marcadas por princípios modernos, como a liberdade e a democracia? Devemos esperar uma nova onda de revoluções? A dinâmica do Ocidente é válida para todo o mundo?

Sim. As revoluções árabes, embora corram o risco de serem apropriadas pelo islamismo radical, são apesar de tudo uma novidade magnífica. Observe como o mundo evoluiu nos últimos 50 anos. Quando eu era criança, a Europa estava tomada por ditaduras. Franco ainda era vivo e a Grécia sofria o regime fascista dos coronéis! A Rússia e os países do leste viviam na pior tirania, e a América Latina estava povoada de ditaduras. Tudo mudou para melhor. O paradoxo é: vamos viver um declínio econômico e social na Europa, mas ao mesmo tempo uma vitória dos valores da democracia europeia. Estou certo que um “segundo humanismo” vai se seguir ao primeiro.



Há judeus no Irã

Sinagoga em Teerã
Apesar do Malafaia já ter pago anúncio na imprensa contra o Irã (sem especificar de onde saiu o dinheiro para essa sua desventura diplomática... aquele dinheiro que ele pede para "anunciar o evangelho", lembra?...  tá sobrando grana, hein, Silas!), ele deveria ler interessante matéria publicada na Folha de S. Paulo de ontem, 10/06/12:

Judeus no Irã têm liberdade com limites


Proibida de contato com Israel, comunidade judaica no país persa é a segunda maior no Oriente Médio, com 20 mil 

Minoria religiosa se define como ortodoxa e não é submetida à legislação islâmica em questões civis e morais


SAMY ADGHIRNI 
DE TEERÃ

Homens com quipá na cabeça entram na sala. Acomodam-se em pé um ao lado do outro e começam a ler a Torá, enquanto balançam o corpo. Mulheres estão numa área separada. Cânticos suaves em hebraico ecoam.

A sinagoga Abrishami seria idêntica a tantas outras pelo mundo não fosse pelo fato de estar situada em Teerã, capital de um país cujo presidente questiona o Holocausto e defende que Israel seja varrido do mapa.

O Irã governado por Mahmoud Ahmadinejad abriga até hoje a segunda maior comunidade judaica no Oriente Médio, depois de Israel.

Ao menos 20 mil judeus vivem hoje espalhados pelo país persa -eram 80 mil até a Revolução Islâmica de 1979.

Eles enfrentam algumas restrições e são vistos com desconfiança por setores ultrarradicais. Mas, vivendo sob reconhecimento e proteção do regime, formam uma das minorias judaicas com maior liberdade religiosa nos países de maioria islâmica.

"Nossa vida é tranquila, ninguém nos incomoda", diz a dona de casa Sarah, 47, na sinagoga Abrishami, uma das 11 em Teerã.

Numa comunidade que se define como ortodoxa, judeus iranianos mantêm escolas israelitas para os filhos e não estão sujeitos à lei islâmica em questões civis e moral. Quem dá a palavra final em divórcio ou herança são rabinos consultados pelo regime.

A comunidade, que diz rejeitar a ideia de um ataque israelense ao Irã, também tem direito de adquirir ou produzir vinho para uso em cerimônias religiosas. Para os iranianos muçulmanos, bebida alcoólica pode levar à cadeia.

NEGÓCIOS

A maior parte das famílias judias tem atividades empresariais bem-sucedidas. "Nossa mente é voltada para a economia, como a dos judeus no resto do mundo", brinca o empresário Yoram, 29.

Os judeus são presentes na política por meio de uma cadeira no Parlamento. O atual representante é Ciamak Moreh Sedgh, reeleito em março para mais quatro anos.

Ele diz manter excelentes relações com os outros deputados e com o Executivo.

"Sou iraniano acima de tudo. Minha língua é o farsi, e minhas raízes estão aqui", afirma Moreh Sedgh, um médico de carreira que dirige o hospital judaico Sapir, instituição de caridade em Teerã.

"Tenho muito mais afinidade com iranianos muçulmanos do que com judeus no Reino Unido", diz.

Na mesa do seu escritório, há um candelabro judaico, e, na parede, um retrato do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.

O deputado afirma que um antissemitismo organizado, "do tipo europeu", não existe no Irã. Mas ele admite se incomodar com as dúvidas emitidas por Ahmadinejad sobre o Holocausto.

"Já falei com ele pessoalmente sobre esse tema. Eu sei que 6 milhões de judeus foram exterminados na Segunda Guerra Mundial".

Sobre os reiterados apelos do presidente pelo desaparecimento de Israel, ele diz que se trata de "uma declaração política, não militar".

ELOGIO A AHMADINEJAD

Apesar da retórica incendiária, Ahmadinejad é visto por alguns como o presidente do Irã mais preocupado com a minoria judaica.

Moreh Sedgh diz que o hospital israelita de Teerã, dependente de doações, foi salvo da falência em 2008 pelo presidente, cujo escritório contribui desde então com US$ 2 milhões anuais.

Ahmadinejad também é elogiado por Farhad Aframian, 32, que diz ser o único advogado judeu do Irã.

Ele diz que a principal revista da comunidade judaica sobrevive graças a doações do escritório presidencial.

Mas muitos judeus iranianos odeiam Ahmadinejad.

"Como alguém que se diz acadêmico pode dizer tanta besteira? Esse cara é doente", murmura um dos fiéis na sinagoga Abrishami.

Alguns se queixam de discriminação na hora de conseguir emprego e de festivais de caricaturas antijudaicas promovidos pelo regime.

Mas o que mais incomoda é a proibição de qualquer elo com Israel, linha vermelha traçada pelo regime. Há relatos de judeus presos por telefonar a conhecidos em Tel Aviv ou Jerusalém.

É consenso que o regime nos últimos anos passou a fazer vista grossa para cidadãos que viajam a Israel, mas qualquer manifestação de apoio ao Estado judaico é passível de pena de morte. "Essa lei vale para todos, não só para judeus", diz Aframian.



domingo, 10 de junho de 2012

Dia de Portugal

Nossa singela homenagem ao glorioso povo português com a primeira estrofe de seu lindo hino

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!


e o belo texto

por Fabio Ruben Lopes Paulos

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía."

Luíz Vaz de Camões



Hoje é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Hoje é o dia em que podemos mostrar que temos ainda algum amor pela nossa pátria, pelo nosso passado e confiança num futuro melhor. Portugal já viu melhores dias, mas também já vivemos dias bem piores. Actualmente queixa-se muito e fazê-se pouco, antigamente queixa-se muito e fizemos muito. Deixamos as nossas terras e partimos à descoberta de um Novo Mundo, começamos com a globalização, trouxemos nova vida a uma Europa velha e caída nas trevas da Idade Média. Deixamos a nossa marca em muitos pontos do Globo. A Língua de Camões é falada por mais de 250 milhões de pessoas, fazendo do Português a sexta língua mais falada no mundo.

Como é que durante um tempo tivemos um grande império, e agora somos um país pequeno!? Talvez foram as más politicas, talvez fosse o destino, talvez fosse o facto de sermos fracos, talvez fosse o facto de não nos sabermos impor, talvez foi culpa do povo português. Mas isso tudo é passado, passado que não se pode mudar, passado que viverá para sempre connosco seja mau ou bom. O que nos devemos preocupar agora é viver o presente e tornar o futuro melhor.

Estamos em crise, mas já vivemos muitas, talvez piores, os nossos avós/pais viveram tempos muito piores do que nós, e no entanto sobreviveram e estão aqui, eles souberam lutar pelo seu futuro, eles souberam trabalhar, eles souberam fazer crescer um país.

Está na hora de deixarmos o pessimismo de lado, está na hora de lutar, trabalhar, e deixar de reclamar. Há coisas que estão mal e só vão ao sitio com trabalho. Há coisas que estão bem e que merecem ser mostradas. Não vejam só o lado negativo de Portugal. Somos um país tão pequeno, mas com tantas coisas, tantas oportunidades, temos que nos fazer ver novamente ao Mundo, Portugal não está morto, está bem vivo, mas precisa de vocês Portugueses. Um País não se constrói sem um povo, um país não vai para a frente se o povo não quiser.

Não é só nestes dias que devemos mostrar amor pela pátria, não é porque somos mal governados que temos que virar as costas ao país que nos viu nascer e crescer. O Povo Português precisa de gostar mais de si próprio, precisa de gostar mais da sua Terra. Juntos podemos seguir em frente, podemos voltar a ser grandes, poderemos voltar a ser respeitados, só precisamos que nos respeitemos primeiro.





sábado, 9 de junho de 2012

A "unção" do helicóptero

Para "enriquecer" o repertório de bailados esotéricos que infestam as igrejas evangélicas brasileiras, agora chega a "unção" do helicóptero do vídeo abaixo. Se bem que está mais para "unção" da garça atolada no pântano...





sexta-feira, 8 de junho de 2012

Azerbaijão é o melhor amigo de Israel contra o Irã

Há ligações improváveis e perigosas que desmentem a lógica da guerra religiosa, como a que une Israel ao muçulmano Azerbaijão, segundo comenta Gustavo Chacra:

Como o Azerbaijão virou o melhor amigo de Israel na Guerra Fria contra o Irã

O Azerbaijão, com este nome que pode ser confundido com outras nações terminadas em “ão” no Cáucaso, é seguramente um dos países mais importantes geopoliticamente do mundo.

E é justamente na capital Baku que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, desembarca hoje para discutir não apenas o conflito envolvendo azeris e armênios no enclave de Nagorno Karabakh, como também o importante suporte do Azerbaijão a Israel na questão iraniana.

Isso mesmo, os azeris são hoje os melhores amigos dos israelenses na hora de enfrentar o que Israel considera ser a ameaça iraniana. Com a Turquia adotando um tom populista com Erdogan na hora de falar de seus antigos aliados em Jerusalém, com o Cairo passando por uma transição incerta e o rei Abdullah da Jordânia sob pressão de opositores, ninguém contribui mais no mundo islâmico com Benjamin Netanyahu do que seus aliados de Baku.

Nos últimos meses, os serviços de segurança do Azerbaijão prenderam 22 suspeitos ligados ao regime de Teerã que estariam planejando atentados contra alvos americanos e israelenses. Os azeris são também os maiores fornecedores de petróleo para Israel.

Israel também cumpre a sua parte. Em fevereiro deste ano, vendeu US$ 1,6 bilhão em armas para as Forças Armadas azeris. Segundo artigo de Ilya Bourtman no Middle East Journal, uma publicação acadêmica sobre Oriente Médio em Washington, os israelenses também “cuidam da segurança do aeroporto de Baku e do próprio presidente, Ilham Aliyev, ao exterior”. O líder do Azerbaijão está no poder desde 2003 e é alvo de protestos de entidades de direitos humanos.

Além disso, de acordo com relatos não confirmados por nenhuma das partes e tampouco pelos EUA, o Azerbaijão teria autorizado Israel a usar uma pista de pouso militar em seu território. Desta forma, os israelenses não teriam necessidade de sobrevoar longas distâncias sobre os céus de nações com as quais não mantém relações, como Arábia Saudita, Síria e Iraque, para alvejar as instalações nucleares iranianas.

Os EUA vêem com cautela esta possibilidade, segundo artigo publicado por Mark Perry na revista Foreign Policy. O governo de Barack Obama é contra um ataque israelense às instalações nucleares iranianas neste momento, preferindo esperar o resultado de duras sanções contra o setor petroleiro e o banco central iranianos que começam a entrar em vigor a partir de julho. Além disso, há o novo canal de negociações diplomáticas entre Teerã e o Sexteto, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, mais a Alemanha.

O regime de Teerã, por sua vez, acusa o serviço secreto do Azerbaijão de ter colaborado com os EUA e Israel para matar cientistas iranianos envolvidos com o programa nuclear do país que, segundo o Irã, tem fins civis. Americanos e israelenses dizem que o objetivo final é construir armamentos nucleares.

O Azerbaijão se sente ameaçado pelo Irã, com quem tem disputas territoriais no Mar Cáspio, uma fonte importante de petróleo. Além disso, há uma proeminente minoria azeri no norte iraniano. Nos EUA, existe pressão para vender armas a Baku, mas estas ações esbarram no forte lobby armênio em Washington.

A Armênia, com o apoio da Rússia, disputa com o Azerbaijão a região de Nagorno Karabakh, onde oito soldados foram mortos ontem, sendo cinco azeris e três armênios. Hillary pediu calma às duas partes

Joshua Kucera, colunista do diário Eurasianet.org, especializado na região do Cáucaso, afirma que Baku usa “a ameaça iraniana para conseguir simpatia no Ocidente. Mas também é verdade que a retórica do Irã contra os interesses estratégicos de Baku no Cáspio aumentou”.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Presidente mais pobre do mundo dá "dízimo" ao contrário

Já que ontem falamos de Ferrari, hoje falaremos de Fusca. A gente fica imaginando se os políticos e certos "pastores" e "bispos" do Brasil e do mundo não gostassem tanto de dinheiro e tivessem a mesma atitude de José Pepe Mujica, presidente do Uruguai, que diferente o mundo seria. A primeira matéria é do Portal Vermelho e a segunda do Opera Mundi:

Pepe Mujica é o presidente mais pobre do mundo

Como prometido antes da eleição, o presidente do Uruguai José Pepe Mujica ainda mora em sua pequena fazenda em Rincon del Cerro, nos arredores de Montevidéu. A moradia não poderia deixar de ser modesta, já que o dirigente acaba de ser apontado como o presidente mais pobre do mundo.

Pepe recebe 12.500 dólares mensais por seu trabalho à frente do país, mas doa 90% de seu salário, ou seja, fica somente com 1.250 dólares ou 2.538 reais ou ainda 25.824 pesos uruguaios. O restante do dinheiro é distribuído entre pequenas empresas e ONGs que trabalham com habitação.

“Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com menos”, diz o presidente.

Aos 77 anos, Mujica vive de forma simples, usando as mesmas roupas e desfrutando a companhia dos mesmos amigos de antes de chegar ao poder.

Além de sua casa, seu único patrimônio é um velho Volkswagen cor celeste avaliado em pouco mais de mil dólares. Como transporte oficial, usa apenas um Chevrolet Corsa. Sua esposa, a senadora Lucía Topolansky também doa a maior parte de seus rendimentos.

Sem contas bancárias ou dívidas, Mujica disse ao jornal El Mundo, da Espanha, que espera concluir seu mandato para descansar sossegado em Rincon del Cerro.





Presidente do Uruguai oferece palácio do governo para moradores de rua

José Mujica teme que não haja vagas suficientes em abrigos durante o próximo inverno

O presidente do Uruguai, José Mujica, ofereceu nesta quinta-feira (31/05) sua residência oficial para abrigar moradores de rua durante o próximo inverno caso faltem vagas em abrigos oficiais do governo.

Ele pediu que fosse feito um relatório listando os edifícios públicos disponíveis para serem utilizados pelos desabrigados e, após os resultados, avaliará se há a necessidade da concessão da sede da Presidência.

De acordo com a revista semanal Búsqueda, Mujica disponibilizou ainda o palácio de Suarez y Reyes, prédio inabitado onde ocorrem apenas reuniões de governo.

No último dia 24 de maio, uma moradora de rua e seu filho foram instalados na residência presidencial por sugestão de Mujica ao Ministério de Desenvolvimento Social. Logo após o convite, contudo, encontraram outro local para se alojar.

O presidente não mora em sua residência oficial, pois escolheu viver em seu sítio, localizado em uma área de classe média nas redondezas de Montevidéu. Nem mesmo seu antecessor, o ex-presidente Tabaré Vázquez (2005-2010), ocupou o palácio durante seu mandato. Ambos representam os dois primeiros governos marcadamente progressistas da história do Uruguai.

No inverno do ano passado, pelo menos cinco moradores de rua morreram por hipotermia. O fato causou uma crise no governo e acarretou na destituição da ministra de Desenvolvimento Social, Ana Vignoli.

Moradias populares

Em julho de 2011, Mujica assinou a venda da residência presidencial de veraneio, localizada em Punta del Este, principal balneário turístico do país, para o banco estatal República. A operação rendeu ao governo 2,7 milhões dólares e abrirá espaço para escritórios e um espaço cultural.

A venda dessa residência estava nos planos de Mujica desde que assumiu a Presidência em março de 2010. Com os fundos amealhados, será incrementado o orçamento do Plano Juntos de Moradias. Também é planejado o financiamento de uma escola agrária na região, onde jovens de baixa renda poderão ter acesso a cursos técnicos.




Aliás, essa figuraça hipersimpática chamada Pepe Mujica tem uma maneira toda própria de ir ao barbeiro:





quarta-feira, 6 de junho de 2012

Uma Ferrari em nome de Jesus


Uma reflexão do querido amigo e irmão Almir Albuquerque, que merece ser divulgada:





terça-feira, 5 de junho de 2012

Transplante de cérebros e livre-arbítrio

Um artigo um tanto quanto delirante e interessante sobre corpo-alma-espírito, causalidade e livre-arbítrio, publicado no IHU:

''Os cristãos não precisam de alma''.

Artigo de Franca D'Agostini

Basta reconhecer que a realidade sobre a qual a ciência nos fala é estratificada e complexa, e que das micropartículas às sociedades humanas existem diversos tipos de causalidades e agentes causais para entender que intencionalidade e livre-arbítrio não são, de fato, incompatíveis com o nosso ser físico.

A opinião é da filósofa italiana Franca D'Agostini, professora do Politécnico de Turim e da Università del Piemonte Orientale. É autora, em português, de Analíticos e Continentais (Ed. Unisinos, 2002) e Lógica do Niilismo: Dialética, Diferença e Recursividade (Ed. Unisinos, 2002). O artigo foi publicado no jornal La Stampa, 18-05-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Um dos muitos paradoxos sobre a identidade pessoal que têm circulado nos últimos anos é o caso do idoso e muito douto professor que propõe a um estudante seu, jovem e bonito, mas de pouca inteligência, que se troquem os cérebros: o estudante receberá um cérebro repleto de sabedoria e de doutrina, o professor terá um corpo novo e atraente. Sim, mas quem fica com o cérebro vazio e o corpo decadente? A resposta depende de como você concebe a identidade pessoal: se, para você, somos o nosso corpo, quem fica é o aluno; se, para você, somos o nosso cérebro, quem fica é o professor.

Felizmente, os transplantes de cérebro ainda são eventualidades distantes. Mas o problema de fundo permanece em aberto: quem somos, em definitivo, se realmente somos alguma coisa? E, dado que o que somos é diferente do nosso corpo, como quer o "dualismo cartesiano", onde se coloca, exatamente, a mente, ou a alma, ou a consciência? A questão interessa primeiramente à religião e particularmente à religião cristã, desde sempre às presas com uma antropologia complicada e discutida, que prevê estranhas misturas de corpo e espírito, e almas que adormecem para despertar na ressurreição.

Nesse quadro, é realmente surpreendente a posição de Nancey Murphy, teóloga cristã, professora do Fuller Theological Seminary, de Pasadena, hoje em Turim para o importante congresso sobre "Matéria, vida, espírito", organizado pelo Centro Luigi Pareyson e pelo Centro de Cultura Evangélica Arturo Pascal.

Murphy defende categoricamente: "Os cristãos não têm nenhuma necessidade da alma". Ou, melhor, o cristianismo é-pode ser uma religião decisivamente fisicalista: pode admitir que somos corpos, sobretudo. Em Bodies and Souls, or Spirited Bodies? (2006), Murphy escreve: "Não há necessidade de postular nenhum elemento metafísico adicional, como uma alma, ou um espírito, ou uma mente", e acrescenta: "Isso não nega que sejamos seres inteligentes, morais e espirituais. Somos complexos organismos físicos, além do mais formados por milhares de anos de cultura. Somos, muito simplesmente, corpos espiritados (spirited bodies)". Daí tem início o particular "fisicalismo não reducionista" de Murphy, uma perspectiva em que a religião não "dialoga" com a ciência, mas, ao invés, se fundamenta na ciência.

Em um ambiente como o italiano, ainda afligido por inúteis guerras culturais entre ciência e humanities, ciência e religião, o pensamento de Nancey Murphy é uma lufada de ar fresco, não porque a sua posição seja cauta e ecumênica, mas ao contrário: porque é extrema e radical, na sua originalidade iluminadora.

Naturalmente, Murphy é consciente das complexas implicações histórico-doutrinais que a sua posição implica. E todo o seu trabalho consiste na paciente elaboração das razões que possam levar o cristão a pensar a si mesmo e o mundo de modo coerente com a ciência e a filosofia contemporâneas, e com o bom senso comum. Em Did My Neurons Make Me Do It? (2007, com W. S. Brown), Murphy aborda a questão do livre arbítrio na perspectiva da neurobiologia. Sempre há elementos neuronais na base das nossas ações, mas isso não significa que eles sejam a causa das nossas ações. Embora muitas vezes as razões dos gestos mais extremos dos seres humanos sejam descuidos neuronais, explica Murphy, "quase nunca é apropriado dizer 'a culpa é dos meus neurônios'".

Mas, então, se tudo é tão simples, por que temos tanta dificuldade para entender como surgem responsabilidades e intencionalidades do nosso ser físico? O problema, diz Murphy, é que, "apesar das mudanças na física e na neurobiologia, uma grande parte da nossa cultura ainda está funcionando com base em concepções arcaicas (newtonianas, cartesianas) da causalidade e da consciência".

Mas basta reconhecer que a realidade sobre a qual a ciência nos fala é estratificada e complexa, e que das micropartículas às sociedades humanas existem diversos tipos de causalidades e agentes causais para entender que intencionalidade e livre-arbítrio não são, de fato, incompatíveis com o nosso ser físico.

Em outras palavras, seria preciso "fechar o teatro quando o ator [o eu] foi embora". Muitas discussões filosóficas hoje, de fato, parecem isto: estranhos teatros em que o público debate, acaloradamente, sobre um espetáculo inexistente, diante de um palco vazio.



segunda-feira, 4 de junho de 2012

O que acontece na hora da morte?

Uma animação de Steve Cutts, "In The Fall" ("Na Queda"), que tem uma visão interessante e bastante didática do que acontece na hora da morte. Adianto que não é muito bom ver o vídeo em plena segunda-feira:





domingo, 3 de junho de 2012

Ateus retiram acusação contra padre da "cruz do World Trade Center"

A notícia vem do Gaudium Press:

Ateus retiram acusação contra sacerdote nos EUA

Nova York (Sexta-feira, 01-06-2012, Gaudium Press) A acusação não só não tinha fundamento como era também contra a liberdade de religião nos EUA. Por hora, os querelantes abandonaram seus requerimentos contra o Padre Brian Jordan, franciscano, e sua paróquia, a igreja do Santo Nome de Jesus. Este é o histórico.

Após os ataques às torres gêmeas em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001, equipes de resgate encontraram vigas de aço que haviam se fundido entre si e adquirindo a forma de uma Cruz. Muitos dos trabalhadores cristãos que participaram desse duro ofício encontraram a Cruz assim formada que lhes levou consolo e lhes deu ânimo. Nada mais compreensível que isto.

Isso mesmo sentia e pensava o padre franciscano Jordan, que abençoou a cruz, e celebrou várias missas junto dela: "Passei muitos, muitos meses atendendo os trabalhadores de resgate na Zona Zero. Seus espíritos se elevaram ao recordar que Deus está ainda conosco, inclusive quando ocorre um desastre inimaginável.

E, assim, a Cruz do World Trade Center converteu-se em uma fonte de inspiração para aqueles trabalhadores".

Agora a cruz está no National September 11 Memorial & Museum, de propriedade estatal. Mas sua presença ali não pode ser suportada pela American Atheists, Inc., que interpôs uma acusação contra o Museu, contra a Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, contra o estado de Nova Jersey e contra o Padre Jordan e sua igreja, pois ela é "responsável pela colocação de um símbolo religioso do cristianismo em uma propriedade do governo, em conjunto com uma cerimônia religiosa".

A demanda alegava que o padre Jordan "levou a cabo uma cerimônia religiosa dirigida para a colocação de um símbolo do cristianismo em uma propriedade do governo".

Nenhum fundamento

É claro, entretanto, que o Padre Jordan não tem nenhum poder decisivo quanto a colocação da cruz.

Explicam também analistas como Gerard J. Russello - editor de The University Bookman -, que a demanda não tinha nenhum fundamento, posto que "a Constituição claramente aplica-se somente a ações governamentais que ‘estabelecem' uma religião ou proíbam o ‘livre exercício' de uma crença religiosa de uma pessoa ou entidade religiosa. As pessoas privadas, inclusive sacerdotes, não podem violar a Primeira Emenda, porque não são atores do governo".

Assim mesmo Russello afirma que as próprias acusações dos ateus podem ser usadas contra eles pelos crentes: "Que passa com a maioria dos cristãos que pode sentir que uma decisão de rechaçar a inclusão de um objeto em forma de cruz em um museu nacional é uma afronta a suas crenças religiosas?", afirma.

Em qualquer caso, a demanda dos ateus tem o caráter de um ataque ao exercício público da religião. Sem embargo, a "liberdade de praticar o catolicismo (...), está protegida pela Cláusula do Livre Exercício da Primeira Emenda" da Constituição Americana, expressou também Rusello.

Gaudium Press / Saúl Castiblanco


Traduzido por: Emílio Portugal Coutinho



sábado, 2 de junho de 2012

Exército sírio é comandado por cristão

Os cristãos do Oriente Médio não sabem para onde correr, e talvez tenham pego o bonde errado, segundo essa excelente análise de Gustavo Chacra no Estadão:

Cristãos comandam Exército de Assad, acusado de crimes contra a humanidade

O ex-comandante das Forças Armadas da Síria e atual ministro da Defesa, general Dawoud Rajiha, é cristão ortodoxo. Como ele, a quase totalidade dos cristãos sírios apóia o regime de Bashar al Assad. A chegada da oposição ao poder, na visão deles, poderia culminar no fim do cristianismo sírio.

Ao verem TV, eles se preocupam mais com os acontecimentos no Egito do que com o massacre em Houla. Notam como a Irmandade Muçulmana e os salafistas começam a impor suas políticas no Cairo e em Alexandria. A tal ponto que os cristãos coptas estão votando em massa para Ahmad Shafik, ex-integrante do regime de Hosni Mubarak.

Nas missas em Bab Touma, aos domingo, os cristãos sírios encontram os cristãos caldeus, do Iraque. Estes afirmam que viviam bem nos tempos de Saddam Hussein, quando o vice-presidente era Tariq Aziz, um cristão. Quando começou a guerra, quem os acolheu foi Assad, não as monarquias islâmicas do Golfo Pérsico.

A Rússia também defende Assad porque existem estes laços históricos entre os cristãos sírios e russos. A Igreja Ortodoxa Russa, conforme mostra reportagem do New York Times de hoje, abertamente apóia o regime sírio.

O mesmo se aplica ao patriarca maronita do Líbano, Bechara Rai, que também declarou apoio a Assad. Os cristãos libaneses, especialmente os seguidores de Michel Aoun, estão a favor do regime no conflito sírio porque temem o caráter radical islâmico de alguns braços da oposição.

Por incrível que pareça, na Síria, os cristãos estão com Assad. Mas o Ocidente cristão tenta ocultar isso (verdade seja dita, o New York Times dá um show de cobertura ao mostrar as ligações do cristianismo a Assad e eu, modestamente, falo do assunto há meses aqui no blog, incluindo reportagens in loco em cidades cristãs da Síria).



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pais muçulmanos acusados na Inglaterra de matarem filha porque ela era "ocidental" demais

A notícia é do Terra:

Irmã diz ter visto pais sufocarem até a morte filha de 17 anos

Os pais de uma adolescente britânica morta em 2003 estão sendo acusados pela morte da jovem, e a irmã é apontada como a principal testemunha do crime.

Segundo a Promotoria de Cheshire, norte da Inglaterra, a irmã de Shafilea Ahmed testemunhou a morte. A causa apontada do crime eram os hábitos ocidentais de Shafilea - os pais queriam que Shafilea aceitasse um casamento arranjado com um paquistanês, mas ela se recusava e queria namorar e se tornar uma advogada.

Os pais de Shafilea, Iftikhar e Farzana Ahmed, negam o crime. Eles foram indiciados e estão sendo julgados. Shafilea desapareceu em setembro de 2003, e seu corpo foi encontrado cinco meses depois em avançado estado de decomposição, em um rio localizado a 12 km de distância da casa da jovem.

Em discurso ao júri do caso, o promotor Andrew Edis disse que a irmã mais nova de Shafilea, Alesha, viu os pais sufocarem a menina com uma sacola em sua boca. Depois, viu eles com sacos e fita isolante, dando a entender que eles planejavam esconder o corpo.

Ocidentalizada

Edis descreveu Shafilea como uma jovem que sonhava em cursar a universidade e em ter namorados, "como outras garotas de sua idade". Segundo ele, porém, os pais da garota respondiam a esses anseios com violência, na tentativa de forçá-la a um estilo de vida mais tradicional.

Um poema atribuído à jovem e lido na corte diz: "Só queria me encaixar, mas minha cultura é diferente; mas minha família ignorou". Shafilea chegou a ser mandada à casa dos avós, em uma região rural do Paquistão, aparentemente para se casar, mas ingeriu água sanitária. Foi levada de volta à Grã-Bretanha para tratamento.

A Promotoria diz que ela bebeu água sanitária "num ato de desespero" para evitar ser casada à força. Já a defesa alega que a ingestão ocorreu por engano e que Shafilea pensou se tratar de um produto de limpeza bucal. Depois de meses internada, ela teria retomado seu estilo de vida "ocidentalizado", o que, segundo a Promotoria, "entrava em conflito com o conceito de vergonha e honra de seus pais".

A adolescente foi vista viva pela última vez em 11 de setembro de 2003, quando sua mãe a buscou na escola. Seu desaparecimento não foi reportado à polícia pelos pais, mas sim por uma professora de Shafilea, que teria ouvido falar que a irmã da jovem, Alesha, havia confessado a amigos que o crime fora cometido pelos pais. Alesha, porém, logo negou ter dito isso. Os pais alegaram não saber do paradeiro de Shafilea.

"Confissão"

O caso avançou pouco nos anos seguintes. A Promotoria diz que Alesha não falou sobre o ocorrido durante sete anos, até que foi presa por ter participado de um roubo à casa dos próprios pais. Na ocasião, ela teria confessado à polícia que seus pais "agiram em conjunto" para matar a irmã.

Alesha deverá ser chamada para testemunhar perante a corte. O júri do caso também ouviu da Promotoria que a polícia colocou escutas na casa da família Ahmed, após o desaparecimento de Alesha, e gravou Iftikhar falar a seus outros quatro filhos que eles "não deveriam comentar nada na escola, ou haveria problemas sérios".



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