quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Pais espancam filho até a morte em igreja evangélica dos EUA

O pai Bruce, a mãe Deborah, Joseph Irvin, David Morey, Linda Morey, e a irmã Sarah

A informação absurda mas tristemente real vem da Folha de S. Paulo.

A "razão" para o espancamento (leia-se "tortura") era fazer Lucas (o rapaz morto aos 19 anos de idade) e seu irmão Christopher (de 17, internado em estado grave) confessarem seus pecados e pedirem perdão.

A irmã deles, Sarah Ferguson, também teria participado das agressões.

A Fox31 de Denver, Colorado, acrescenta alguns detalhes interessantes.

Os dois rapazes foram educados em casa, no esquema de "home school" típico de muitas famílias conservadoras americanas.

No total, seis monstros membros da igreja foram presos. Ao macabro trio dos pais e da irmã se juntaram Joseph Irwin, David Morey e Linda Morey. O sexteto do mal está na foto acima.

Ao averiguar o fato, as autoridades locais teriam encontrado algumas crianças na igreja, que foram encaminhadas ao serviço de proteção de menores da cidade.

É fácil atribuir uma loucura dessas ao fanatismo e à ignorância, mas o buraco pode estar mais embaixo.

No fundo, é uma demonstração de sadismo travestido de "piedade". 

Talvez haja muito mais sádicos dissimulados dentro das igrejas evangélicas do que nossa vã consciência consegue perceber.

Não há vez nem espaço para a compaixão...

É muito cômodo pensar que isto é uma exceção dentro das igrejas evangélicas, um fato isolado, mas a profilaxia começa em casa, seria muito interessante analisar como ajudam a reforçar esse quadro de horror o discurso do ódio, a obsessão com o "pecado", a indiferença com o sofrimento alheio e a tolerância pseudoecumênica e parcimoniosa com as heresias que se cometem abundantemente em nome de Cristo.

Eis a matéria da Folha:

Jovem é espancado até a morte 
pelos pais em igreja dos EUA

Um jovem de 19 anos foi morto após ser espancado durante horas dentro de uma igreja por seus próprios pais e irmã, além de outros membros da congregação, segundo informações divulgadas pela polícia nesta quarta (14). Seu irmão também foi espancado no ritual.

Os pais, Bruce Leonard, 65, e Deborah, 59, compareceram diante de um juiz na terça e se declararam inocentes pela morte do filho, Lucas.

Outros quatro membros da congregação da Igreja Palavra da Vida de Chadwicks, cidade de 22 mil habitantes no Estado de Nova York, foram presos e indiciados por torturarem o irmão mais novo de Lucas, Christopher.

"Ambos os irmãos foram continuamente sujeitos a punições físicas durante várias horas com o objetivo de que ambos confessassem seus pecados e pedissem pelo perdão", disse Michael Inserra, chefe da polícia de New Hartford, que investiga o caso.

Lucas Leonard morreu na tarde segunda-­feira após ser levado a um hospital por familiares, os quais mentiram aos médicos dizendo que ele havia sido atingido por um tiro de arma de fogo, segundo a polícia. Os ferimentos de Lucas eram compatíveis com "trauma contundente" em seu tronco e membros.

Por meio de interrogatórios de membros da igreja, a polícia soube que o irmão mais novo de Lucas, Christopher, 17, também havia sido torturado durante a sessão. O rito para a expiação dos pecados era realizado após as missas e presidido pelo pastor ou um membro da congregação, disse Inserra.

A polícia cercou a igreja, onde Christopher era mantido. O adolescente foi transferido para um hospital local e se encontrava em estado grave.

Sarah Ferguson, 33, irmã das duas vítimas, e três outros membros da igreja foram presos e indiciados por agressão.

A fiança dos pais de Lucas Leonard foram estipuladas em US$ 100 mil cada.

Os investigadores não têm muitas informações sobre a Igreja Palavra da Vida, que se descreve simplesmente como uma igreja cristã em uma placa na frente de seu templo.



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Evangélico Neymar se irrita com paparazzo que o flagrou levando 2 loiras para o hotel no RJ


Anda batendo um bolão o menino evangélico Neymar. A matéria é do Extra:

Neymar leva duas loiras para hotel e se irrita com flagra de paparazzo

Neymar voltou ontem para Barcelona após passar o feriadão no Rio e agitar a cidade. Só no sábado, o craque de futebol esteve em três festas e teve fôlego para mais uma, particular, na suíte do hotel em que ficou hospedado, na Barra da Tijuca. Nessa, ele estava acompanhado de duas loiras, com quem deixou, na maior discrição, o show do rapper Ja Rule, por volta das 20h.

O jogador só não contava que estivesse sendo seguido por um paparazzo que registrou o momento em que ele entrava com as duas moças no hotel. Irritado, o craque ordenou que as gatas se escondessem e xingou o fotógrafo.

Um dos seguranças de Neymar partiu para cima do paparazzo na tentativa de evitar que algum registro fosse feito. Não adiantou. Após a confusão, Neymar e as loiras seguiram em direção à suíte do jogador. Neymar deixou o hotel três horas depois do flagra para ir à quadra da Grande Rio, onde chegou por volta da meia-noite. O craque deu ainda uma esticadinha numa festa no Centro da cidade. Que disposição! Ele deixou o Rio no domingo. Já estamos com saudade...



terça-feira, 13 de outubro de 2015

OAB apoia faxineira que comeu bombom de delegado da PF em RR


A matéria é do Brasil Post:

OAB decide apoiar faxineira que comeu o bombom do delegado da PF

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Roraima decidiu acompanhar e dar apoio à mulher autuada pela Polícia Federal porque comeu um bombom de chocolate que estava na mesa do delegado Agostinho Cascardo.

A faxineira de uma empresa terceirizada que presta serviços na sede regional da PF em Boa Vista, está "bastante assustada, envergonhada", afirma o presidente da OAB no Estado, Jorge Fraxe. A entidade vai pedir à PF cópia do procedimento que teria sido instaurado contra a mulher, de 32 anos, quatro filhos.

O caso ocorreu no dia 30 de setembro. Câmeras de segurança interna do prédio da PF registraram o momento em que a faxineira comia a guloseima do delegado Cascardo, que é corregedor da corporação em Roraima. Na OAB, onde pediu apoio, ela disse que pegou e comeu apenas um bombom da caixa que estava na mesa do delegado.

A mulher afirma que "não agiu com a intenção de cometer furto e jamais pensou que pudesse ser processada por algo tão insignificante".

A Associação Nacional dos Delegados da PF em Roraima informou que não foi aberto inquérito contra a mulher. A entidade destacou, ainda, que a faxineira não foi autuada em flagrante. A OAB designou o advogado Abdon Neto para acompanhar o caso.

"Pedimos, por meio de ofício, a documentação elaborada pela polícia sobre o caso, pois é público. A mulher foi atendida por mim e pelo advogado nomeado pela OAB em Roraima. Analisaremos o procedimento para nos manifestarmos posteriormente", disse Jorge Fraxe.

O presidente da OAB em Roraima repudiou a atitude do delegado que, em sua avaliação, agiu de forma "desproporcional". "Se ele (delegado) tivesse se sentido lesado, a apuração teria que ocorrer no âmbito da Polícia Civil, porque a zeladora não é servidora da Polícia Federal e não tem foro especial. Usar a estrutura da PF contra essa moça é um absurdo, é desproporcional e desnecessário", afirmou Fraxe.

O que está em jogo, de acordo com Fraxe, é "o interesse pela dignidade humana, a valorização das pessoas". "Quando um cidadão comum sofre um dano tão cruel à sua dignidade, como nesse caso, a OAB não pode deixar de prestar todo o apoiamento que a vítima necessita. Ela não estará desamparada em momento algum, podem ter certeza disso", afirmou.

Defesa

Em nota sobre o caso, a Diretoria Regional da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal em Roraima (ADPF/RR) afirma que "nenhum inquérito policial foi instaurado, não houve autuação de flagrante ou de qualquer procedimento investigatório de natureza criminal".

"Na ocasião, simplesmente se observou os protocolos e as normas internas do Departamento de Polícia Federal ao promover o registro de ocorrência, cujo conhecimento foi dado à empresa prestadora de serviços terceirizados contratada pela Superintendência Regional no Estado", finaliza a nota.



segunda-feira, 12 de outubro de 2015

As redes sociais nos tornam menos humanos

Artigo instigante de Lara Brenner para a Revista Bula:

REDES SOCIAIS: O ESTRANHO UNIVERSO QUE NOS APROXIMA E AFASTA DOS OUTROS E DE NÓS

Por que divido minha intimidade com o resto do mundo a todo instante? Por que não consigo ficar em minha companhia por alguns minutos, sem que qualquer tecnologia se coloque entre mim e mim? Por que vivo a sonhar com a próxima viagem, quando sequer paguei pela anterior? Por que me privo do que gosto de comer e fazer em busca do corpo que alguém um dia definiu como ideal? Ora, a resposta não é óbvia?

Não é isso que todo mundo faz?

Às vezes, é preciso repensar o óbvio para se alcançar a verdade individual. “Óbvio”, essa palavra simples que carrega em si o perigo de afastar o questionamento e a inquietação e que, em sua nudez aparentemente despretensiosa, guarda o risco da dormência e da conformação. Afinal, se é tudo tão óbvio, por que pensar?

Bem, talvez nem todas as respostas sejam assim evidentes.

Quanto mais possibilidades o mundo oferece, mais determinista parece tornar-se o homem, vitimado pela infinidade de caminhos que ele próprio construiu. Esconder-se atrás de expressões da pós-modernidade, como “correria” e “networking”, tem levado a um movimento de incertezas absolutas que faz as ações humanas não saírem da superfície: nunca se viajou tanto, nunca se esteve presente em tantas redes sociais, nunca se compartilhou tanto a vida íntima com os iguais… Em contrapartida, nunca se esteve tão ausente das pessoas ao redor e do instante em que se vive. Em que se vive de verdade, diga-se de passagem, e não virtualmente. “Mundo líquido”, diria Bauman, “nada é feito para durar”.

As relações humanas, cada vez mais abundantes e menos sólidas, caminham em direção ao abismo. Tenho tantos amigos quanto minhas redes sociais apontam, mas sequer me recordo da última vez em que lhes perguntei, olho no olho, algo singelo como: “E a vida? Anda bem?”, para de fato ouvir com interesse sua resposta.

Não há como negar que a casca tem sido o lugar mais frequentado do fruto, num ato solene de esquecimento do básico: o que frutifica as relações são as sementes. É preciso dispor de terra fértil e ir fundo até se conectar a elas.

Rubem Alves certa vez escreveu sobre uma mulher que subitamente ganhou olhos de poeta. Passou a ver as cebolas como rosáceas de uma catedral gótica. De repente, todos os legumes lhe eram presentes aos olhos, tudo causava espanto. “Acho que estou ficando louca”, disse ela ao escritor. Analisando-a atentamente, concluiu ele sobre a saga que sua paciente acabara de vivenciar: “A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer”.

Talvez o mundo líquido esteja roubando-nos os olhos como órgãos de prazer, retirando-os da caixa de brinquedos para conformá-los à de ferramentas. Pelo jeito, tantas fotografias óbvias, vídeos previsíveis, felicidade forçada, corpos biônicos e risadas virtuais estão nos tornando menos gente, menos olhos. Talvez seja hora de começar a repensar o óbvio, como fez a mulher de Rubem Alves com sua cebola magnífica. E aí, somente aí, é provável que se possa começar a enxergar o mundo não mais com olhos falsos de quem vive sem viver, mas com aqueles sensíveis e honestos de um verdadeiro poeta.



domingo, 11 de outubro de 2015

Encontrar seus amigos pessoalmente ajuda a combater a depressão


A matéria é do Brasil Post:

Encontrar amigos pessoalmente reduz risco de depressão

Pessoas que encontram amigos e familiares pessoalmente pelo menos três vezes por semana correm um risco menor de desenvolver depressão, em comparação com aqueles que mantêm apenas contato virtual. É o que diz um estudo publicado recentemente no periódico científico American Geriatrics Society.

Os pesquisadores, da Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, acompanharam 11.000 adultos, com mais de 50 anos, ao longo de dois anos.

Os resultados mostraram que indivíduos que encontravam amigos e parentes apenas uma vez por semana tinham 11,5% de chance de ter sintomas de depressão após dois anos.

Em compensação, aqueles que encontravam os entes queridos pelo menos três vezes por semana corriam um risco de 6,5%.

De acordo com os autores, a regularidade e frequência do contato virtual, por telefone, e-mail ou redes sociais não afetaram o risco descoberto.

"Nós descobrimos que as formas de socialização não são iguais. Ligações ou comunicação digital com amigos e familiares não têm o mesmo poder das interações pessoais para ajudar a afastar o risco de depressão", afirmou Alan Teo, principal autor do estudo.

Apesar do contato pessoal reduzir o risco de depressão independente da idade do participante, os pesquisadores descobriram que pessoas entre 50 e 69 anos se beneficiam mais do contato com amigos, enquanto para aquelas com mais de 70 anos, o contato com crianças e familiares terá maior impacto.

"Outras pesquisas já haviam mostrado que fortes laços sociais fortalecem a saúde mental. Mas esse é o primeiro trabalho que analisa o papel de tipos específicos de comunicação como protetores da depressão", disse Teo.

Embora o estudo tenha sido realizado com pessoas com mais de 50 anos, os autores acreditam que os resultados beneficiam a população em geral. "O contato pessoal pode ser considerado medicina preventiva, assim como tomar vitaminas regularmente", ressaltou o autor, à revista americana Time.



sábado, 10 de outubro de 2015

Juiz de SC se nega a interditar jovem com síndrome de Down

imagem meramente ilustrativa


Juiz nega interdição de jovem com Síndrome de Down: deficiência não é incapacidade


O juiz Luiz Cláudio Broering, titular da Vara da Família e Órfãos do Foro Eduardo Luz, na Capital, indeferiu pedido liminar em ação que busca a interdição de um jovem que possui Síndrome de Down. O pleito, formulado pelos próprios pais, estaria baseado na preocupação dos genitores em relação aos atos de administração dos bens materiais e ao controle das finanças do filho, principalmente em relação a atuação de terceiros de má-fé.

"Justifico a decisão, porque atualmente os detentores da Síndrome de Down tem tido grande progressão na capacidade cognitiva, podendo concluírem seus estudos, trabalharem e até casar. Deficiência não é incapacidade", anotou o magistrado. Com base na doutrina médica, o julgador acrescentou que a síndrome não é uma doença, mas sim uma condição genética diferente do resto da população, que embora implique em pequeno atraso no desenvolvimento das coordenações motoras e mentais do cidadão, não os impede de ter uma vida normal.

"A sociedade precisa entender que diferença não é sinônimo de incapacidade", transcreveu Broering em seu despacho, ao colacionar excerto de obra do professor inglês Cliff Cunningham. A ação, de qualquer forma, terá prosseguimento. O interditando, desta forma, será ouvida em juízo antes de qualquer outra manifestação judicial.

Responsável: Ângelo Medeiros - Reg. Prof.: SC00445(JP)
Textos: Américo Wisbeck, Ângelo Medeiros, Daniela Pacheco Costa e Sandra de Araujo



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

TJSP diz proteger direitos do animal em guarda alternada de cão em divórcio

A matéria é do próprio Tribunal de Justiça de São Paulo:

TJSP AUTORIZA GUARDA ALTERNADA DE ANIMAL DE ESTIMAÇÃO

Por maioria de votos, a 10ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, em agravo de instrumento, que um casal em separação judicial divida a guarda do cachorro de estimação. Cada um terá o direito de ficar com o animal durante semanas alternadas.

A mulher recorreu ao TJSP após seu pedido de guarda ou visitas ao cão ser negado. Para o desembargador Carlos Alberto Garbi, relator designado do recurso, o entendimento de que o animal é “coisa” sujeita a partilha não está de acordo com a doutrina moderna.

Ele explica, em seu voto, que a noção de “direitos dos animais” tem suscitado importante debate no meio científico e jurídico a respeito do reconhecimento de que gozam de personalidade jurídica e por isso são sujeitos de direitos. “É preciso, como afirma Francesca Rescigno, superar o antropocentrismo a partir do reconhecimento de que o homem não é o único sujeito de consideração moral, de modo que os princípios de igualdade e justiça não se aplicam somente aos seres humanos, mas a todos os sujeitos viventes”, afirmou.

O magistrado cita, ainda, vários autores que abordaram o assunto e, ao final, destaca: “Em conclusão a essa já longa digressão que me permite fazer sobre o tema, o animal em disputa pelas partes não pode ser considerado como coisa, objeto de partilha, a ser relegado a uma decisão que divide entre as partes o patrimônio comum. Como senciente, afastado da convivência que estabeleceu, deve merecer igual e adequada consideração e nessa linha entendo deve ser reconhecido o direito da agravante. O acolhimento de sua pretensão tutela, também, de forma reflexa, os interesses dignos de consideração do próprio animal.”

Completam a turma julgadora os desembargadores Elcio Trujillo e Cesar Ciampolini.

Veja a íntegra do voto do relator.

Comunicação Social TJSP – PH



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Pichação racista causa alvoroço no Mackenzie


Não é a primeira vez - só neste ano - que a Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo (SP) investiga manifestações racistas no seu recinto, segundo noticia o Estadão:

Pichação racista é encontrada no banheiro do Mackenzie

LUIZ FERNANDO TOLEDO

Mensagem na unidade em Higienópolis dizia: 'lugar de negro não é no Mackenzie'; universidade vai apurar autoria do texto

A Universidade Presbiteriana Mackenzie instaurou procedimento interno para apurar a autoria de uma frase racista escrita na parede de um banheiro da Faculdade de Direito da instituição, no bairro de Higienópolis, região central de São Paulo. A frase “lugar de negro não é no Mackenzie, é no presídio” circulou nas redes sociais nesta quarta­feira, 7, e causou indignação entre os estudantes, que compartilharam a foto.

A instituição informou que não prestou queixa à polícia e que apura o caso internamente desde que foi comunicada. O autor da frase não havia sido identificado até a noite desta quarta. O Mackenzie disse ainda que “repudia todo e qualquer ato, ação ou manifestação de cunho racista”.

“Nossa história de ampliação de liberdades e construções de oportunidades nos impõe a reafirmação permanente do nosso compromisso com a defesa dos direitos e garantias individuais e coletivos, com o bem­estar do nosso povo e o repúdio a atos discriminatórios de quaisquer naturezas”, declarou o diretor da unidade, José Francisco Siqueira Neto.

De acordo com a estudante do 9.º semestre de Direito Tamires Gomes Sampaio, de 21 anos, o ato não foi isolado. “Em agosto, picharam um banheiro de uma praça de alimentação próxima da faculdade. Somos historicamente excluídos e segregados da universidade. Agora Que começamos a ultrapassar algumas barreiras, percebemos que alguns não toleram isso”, disse ela. A instituição negou que tenha havido outros episódios.

Membro do coletivo Afromack, de estudantes negros do Mackenzie, Tamires afirmou que o ato foi “violento” e disse que o coletivo organizará uma ação para cobrar um posicionamento da instituição.



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Por que é a Rússia que protege os cristãos sírios?


Gustavo Chacra responde essa pergunta em sua coluna no Estadão:

Por que a Rússia, e não o Ocidente, defende os cristãos na Síria?

Já escrevi no passado, mas volto a escrever hoje. Nos EUA, alguns políticos, como os pré-candidatos republicanos Ted Cruz e Marco Rubio, dizem estar preocupados com os cristãos no Oriente Médio. Não duvido da intenção deles. Acho que é genuína. Mas, talvez por ignorância, eles costumam sempre se posicionar contra os lados que defendem os cristãos.

Noto que, muitas vezes, estes lados não são necessariamente os “bonzinhos”. Na Guerra da Síria, por exemplo, todos os lados, sem exceção, são ruins. Mas o fato é que os cristãos sírios, em sua maioria, se sentem protegidos pelo regime de Bashar al Assad, pelo Irã, pelo Hezbollah e, acima de tudo, pela Rússia.

Não que eles gostem do líder sírio, do regime de Teerã e do grupo xiita libanês. Alguns gostam, outros, não. Mas se sentem protegidos por eles diante da ameaça de grupos rebeldes opositores ultra radicais islâmicos, seguindo a ideologia wahabbita do islamismo sunita. Sabem também que, entre os grupos armados da oposição, todos são extremistas, não apenas o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh.

Rubio, Cruz e outros políticos dos EUA, e também algumas igrejas evangélicas americanas, se posicionam justamente contra quem defende os cristãos – ou diretamente contra as milícias cristãs pró-regime. Pode até ser legítimo, caso, por exemplo, pensem na segurança de Israel. O Hezbollah e o Irã são inimigos mortais dos israelenses e possuem dezenas de milhares de mísseis no sul do Líbano apontados para Tel Aviv e Haifa. Também vale o argumento caso queiram se posicionar contra um regime que cometeu crimes contra a humanidade, segundo a ONU, como o de Assad. Mas não vale caso eles digam que querem defender os cristãos.

A Rússia entende melhor o cenário na Síria. Entrou no conflito por uma série de motivos que eu delineei em outro post. Entre eles, para defender os cristãos. É importante notar que a maior parte dos cristãos sírios são ortodoxos, com minorias melquitas, maronitas e assírias. Estes cristãos não se identificam com os evangélicos do Ocidente. Mas se identificam e muito com a Rússia, maior nação cristã ortodoxa do mundo.

Ontem, o Patriarca Russo defendeu a intervenção de Putin na Síria dizendo que isso é fundamental para defender os cristãos. Ao longo do conflito, o maior líder cristão da Rússia também declarou uma série de vezes apoio ao regime de Bashar al Assad por proteger os cristãos. Outros patriarcas cristãos do mundo árabe realizaram reunião ecumênica recentemente em Damasco para apoiar o líder sírio – Damasco é sede de quatro patriarcados cristãos.

Ao longo destes meus anos cobrindo o conflito, sempre fiquei surpreso como muitas vezes o Ocidente não entende o cristianismo oriental. A França até entendia os ocidentalizados e francófonos cristãos maronitas de um Líbano que deixou de existir em 1975. Hoje, nem os franceses.

Já os russos, por incrível que pareça, são os que melhor leem a situação dos cristãos. Nos EUA e mesmo no Brasil, infelizmente, pessoas que talvez sejam bem intencionadas entendem completamente errado a situação dos cristãos. Por exemplo, Ted Cruz ter sido vaiado por cristãos destes lugares quando defendeu Israel em palestra. O senador pelo Texas achava que os cristãos sírios fossem defensores dos israelenses. Coitado. Nunca havia conversado com um cristão de Damasco antes.

Lembrando, sempre, que o mais importante é defender seres humanos, sejam eles cristãos, muçulmanos, judeus ou ateus.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Vereador paulista quer proibir canção "atirei o pau no gato"


Ao que parece, o bom senso tem prevalecido com essas antigas canções infantis, que tiveram suas letras mudadas ao gosto do freguês ecologista de plantão.

A dúvida é se isso precisa ser feito por lei, conforme a matéria do Brasil Post:

Vereador de Sertãozinho (SP) quer proibir alunos de cantar 'Atirei o pau no gato'

Um projeto protocolado na Câmara Municipal de Sertãozinho, no interior de São Paulo, quer proibir que a canção popular "Atirei o pau no gato" seja cantada nas escolas da cidade. A proposta é de autoria do vereador Rogério Magrini (PTB), que também é humorista e conhecido como "Zezinho Atrapalhado".

Ele garante, porém, que o projeto é coisa séria e visa impedir a cantiga popular que, em sua visão, estimula maltratar os animais. Diz ainda ter um abaixo-assinado com 300 assinaturas favoráveis à proibição, que até agora não ganhou a simpatia dos demais vereadores.

O projeto está tramitando há seis meses e ainda não tem data para ir à votação. O autor defende que a tradicional cantiga seja substituída por uma nova versão desenvolvida por entidades de defesa dos animais.

Essa canção é parecida com a original, mas tem um texto diferente e cuja letra diz, entre outras coisas, "Não atire o pau no gato-to".

O projeto tem entre os defensores uma ONG de Sertãozinho que cuida de cães e gatos. Diz o vereador Zezinho Atrapalhado que a ideia de proibir a música surgiu após crianças de uma creche serem vistas jogando pedras em um gato. Uma pessoa ligada à entidade teria então sugerido a lei visando combater a cultura de maltrato ao animal.

Trâmite

"Temos de proteger os animais e não maltratá-los", falou o vereador. Ele já é o autor de outros projetos polêmicos na cidade, como um que criou o Dia da Consciência Branca. Mas essa proposta de proibir a cantiga tem a resistência do presidente da Câmara, Silvio Blancacco (PSDB).

Para ele, a iniciativa vai contra a liberdade de expressão. O político alega que, além disso, o projeto precisa primeiro obter os pareceres favoráveis das comissões internas do Legislativo, coisa que ainda não ocorreu, antes de ser liberado para ir a plenário.



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Dunga não quer pastores na seleção que tentará classificação para a Copa 2018


Caramba! Como o tempo passa! Depois de todo o bafafá que rondou a Copa do Mundo no Brasil, já começamos a falar sobre a próxima Copa que será realizada na Rússia em 2018.

Também, cá entre nós, depois daqueles 7x1 da Alemanha, o interesse na seleção brasileira de futebol despencou vertiginosamente.

Começam esta semana, entretanto, as eliminatórias sul-americanas para a Copa 2018, sem nenhuma novidade nem perspectiva de que algo vá mudar no futebolzinho apresentado pelos brasileiros.

Dunga, depois do fracasso na Copa do Mundo de 2010 (África do Sul), foi chamado de volta para comandar o time e, ao contrário do que aconteceu na sua última passagem pela seleção, desta vez não quer ver pastores circulando no meio dos jogadores.

Algo bem diferente do que aconteceu naquela ocasião, quando sua turminha ficou conhecida como "a igrejinha do Dunga".

Na época, publicamos também - entre outros - os seguintes artigos, que servem para contextualizar o que ocorreu:



Já a matéria abaixo foi publicada pela ESPN Brasil em 17/09/15:

Dunga reprova presença de pastor e diz que seleção não é lugar para exposição religiosa

O técnico Dunga não gostou nem um pouco da presença de um pastor na concentração da seleção brasileira durante os amistosos do início de setembro nos Estados Unidos. Na entrevista coletiva de convocação da equipe para as eliminatórias, nesta quinta-feira, o treinador deixou claro que reprovou a reunião religiosa com a participação de alguns jogadores e afirmou que a "seleção brasileira não é o local para 'exposição religiosa'.

De acordo com reportagem publicada pelo site "Globoesporte.com", Kaká, Alisson, Douglas Santos, Douglas Costa, Fabinho, Jefferson, David Luiz, Lucas, Marcelo Grohe e Lucas Lima foram os atletas que se encontraram com o pastor Guilherme Batista.

"Eu não permiti, nem eu, nem o Gilmar e nem a seleção. Dentro da seleção as coisa são feitas com transparência. Nós temos uma sala onde os jogadores podem receber seus familiares ou pessoas mais perto. Não é que nada é proibido, mas na seleção brasileira não é local de exposição religiosa, política. Ali nós temos que nos concentrar no que estamos fazendo, que é jogar futebol apenas", disse Dunga.

Kaká, um dos mais experientes daquela convocação e que participou da reunião com o pastor, não foi convocado nesta quinta para o início das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, para os jogos contra Chile e Venezuela. Outros vários jogadores que estavam presentes no culto, no entanto, foram chamados. Apesar de ter se incomodado com o encontro religioso dentro do hotel na cidade de Boston, Dunga negou que isso tenha influenciado em sua lista de convocados.

"Isso não influencia em nada a convocação ou não convocação dos jogadores. O que avaliamos é a condição técnica, física, tática e, lógico, o comportamento do jogador. Não é porque alguém errou alguma vez, que temos que cortar a cabeça. Mas se o erro se repetir, você vai tomar uma decisão", afirmou o treinador.

Dunga ainda falou sobre a foto postada nas redes sociais na internet em que aparece ao lado do pastor, com a seguinte legenda: "Café da manhã com o chefe aqui em Guarulhos".

"Quando o rapaz coloca a foto em rede social, vou te falar o quanto de dificuldade a gente encontra e o quanto as pessoas querem se aproveitar da mídia. Eu estava tomando um café no aeroporto em São Paulo, ele pediu para tirar uma foto comigo como se fosse torcedor e depois colocou na internet dizendo que eu era chefe dele. Olha o cuidado que a gente tem que tomar. Eu acredito que todas as religiões são boas, cada um tem a sua, mas ali não é local para esse tipo de exposição. Já conversamos com os atletas e expomos nosso pensamento. Quando quero fazer o bem, não preciso divulgar ao mundo todo que estou fazendo o bem", finalizou.



domingo, 4 de outubro de 2015

Chato é ser burro


Artigo instigante de Pedro Bandeira para o UOL Notícias:

Brasileiros têm de entender que estudar não é chato; chato é ser burro

A história da educação no Brasil é um acúmulo de omissões e até mesmo de ações propositais que resultaram numa situação de extrema desigualdade social, com um analfabetismo ou um analfabetismo funcional endêmicos, um vergonhoso estado geral de ignorância e de desprezo pelo conhecimento.

Para quem analisar nossa história, fica claro que a proibição do voto aos analfabetos sempre foi intencional, pois o governante somente tinha de prestar satisfações a uma minoria privilegiada, da qual esse mesmo governante provinha. Como a maioria era analfabeta, e não tinha voz nem voto, o governante só poderia ser alijado do poder pela ínfima minoria para quem governava, e podia desprezar solenemente as necessidades da imensa maioria dos brasileiros, aumentando assim, ano a ano, século a século, o abismo social que nos define.

A exclusão brasileira foi criada propositalmente pela reserva do acesso à educação somente a uma parcela dos brasileiros, porque só há uma riqueza a distribuir, e essa riqueza é o acesso a uma educação de qualidade.

Felizmente, depois de três séculos de domínio e de espoliação colonial, mais quase outros dois séculos de manutenção do mesmo estado de exclusão, primeiro imperial, depois de republiquetas e/ou de ditaduras em que a reserva da educação para poucos continuava a ser usada com fator de "proteção" da elite, o Brasil vem tentando construir um estado democrático há cerca de trinta anos.

Pela primeira vez em nossa história, o voto foi estendido a todos os brasileiros, e o direito à escolarização tornou-se universal, com a oferta de vagas no ensino fundamental a todas as nossas crianças. Agora, em pleno século 21, consolidar essa democracia afinal conquistada é um trabalho hercúleo, uma obrigação de todos os brasileiros. Sabemos que, mais que nunca, o passaporte para um futuro feliz e realizado é o acesso a uma educação de qualidade.

Agora, finalmente, conseguimos oferecer vagas na escola pública para cada criança, mas essa cultura do atraso faz com que os despossuídos encarem a frequência escolar não como um direito libertador, mas como uma obrigação. Tantos séculos de atraso acabaram por fazer com que a maioria de nós, os despossuídos da história, sequer tenhamos ganas de reivindicar nosso direito à educação.

Muitas famílias enviam seus filhos à escola de má vontade, alguns somente para cumprir as exigências das bolsas-família, e as próprias crianças festejam quando algum professor falta à aula e elas podem ficar brincando à vontade no recreio. Séculos de exclusão não criaram um anseio por este direito por parte dos próprios excluídos!

A maioria dos pais dessas crianças está disposta a fazer sacrifícios para comprar um tênis de grife para seu filho, mas protesta quando tem de gastar qualquer quantia para comprar-lhe um livrinho sequer. Isso significa que a família brasileira acha mais importante investir no pé do que na cabeça do seu próprio filho...

Como reverter esse quadro? Como incutir na consciência das famílias que a felicidade e a riqueza só podem ser conquistadas pelo conhecimento, pelo acesso à ciência, à tecnologia? Como poderemos obrigar o brasileiro a ser feliz?

Acredito que obrigar é impossível. Enquanto tentarmos enfiar o conhecimento goela abaixo de nossas crianças como um purgante, utilizando as punições, as suspensões e as reprovações como instrumentos de persuasão, só teremos fracassos pela frente.

Nossa escola tem de ser fascinante, atraente, cheirosa, utilizando como fator de atração a literatura infantil e juvenil hoje produzida por centenas de ótimos autores, para que os sonhos e a alegria desses livros possam fazer com que os alunos anseiem por estar na escola, não comemorem os feriados. Não basta que tenhamos criado vagas para todo mundo. É preciso que a porta da sala de aula seja o pórtico da felicidade.

Os brasileiros têm de compreender que estudar não é chato; chato é ser burro!



sábado, 3 de outubro de 2015

Advogado condenado por fraude contra advogada falecida


A informação é do Tribunal de Justiça de Minas Gerais:

Advogado é condenado por fraude contra advogada

Réu tentou se apossar do patrimônio de ex-colega de faculdade que faleceu

O juiz Milton Lívio Lemos Salles, da 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte, em 14 de setembro, condenou por estelionato e falsidade ideológica um advogado que fraudou documentos para se apossar dos bens de uma mulher, também advogada, que faleceu em outubro de 2013. Ele ainda era acusado de ter desaparecido com os autos de um processo, mas foi absolvido desse crime porque apresentou boletim de ocorrência relatando que os esqueceu num táxi. O advogado, que está preso desde agosto de 2014, deverá cumprir dois anos, cinco meses e nove dias de reclusão, mais 66 dias-multa, em regime inicial semiaberto.

O Ministério Público denunciou o advogado porque ele, em junho de 2013, forjou ter vivido em união estável com a mulher, pretendendo se apoderar dos bens deixados por ela em prejuízo dos dois filhos dela. Cinco dias após a morte da mulher em decorrência de um câncer, em outubro, ele habilitou-se como inventariante dela e requereu pensão por viuvez, à qual só não teve acesso porque a filha da falecida trancou o pagamento de vencimentos e vantagens de sua genitora até o final da demanda penal que investigava a conduta fraudulenta do advogado.

A auxiliar de cartório que assinou a declaração de que o réu e a vítima tinham relacionamento conjugal admitiu que fez isso sem examinar o conteúdo escrito, confiando no acusado. Outra testemunha contou que, embora a mulher tenha se relacionado brevemente com o advogado, eles nunca moraram juntos. Segundo essa pessoa, o advogado mostrou-lhe um documento e pediu que ela o assinasse, mas, em seguida, apresentou-lhe outro, com teor diferente, sem que ela percebesse.

O filho da vítima declarou que sabia que o réu havia sido colega de faculdade da mãe. Ele trouxe aos autos declaração de próprio punho da mãe e vídeo em que ela afirmava que nunca teve a intenção de casar-se com o réu. Uma mulher que frequentou a casa do advogado por 20 anos disse que nunca o viu convivendo maritalmente com mulher alguma, o que também foi corroborado por outro depoimento, de uma conhecida da vítima e do acusado, que sustentou, ainda, ter sido ameaçada pelo advogado depois que ele foi preso.

O juiz considerou a materialidade e a autoria dos crimes de estelionato e falsidade ideológica, provados pelo mandado de averbação e registro de união estável, pela ação de inventário e por boletins de ocorrência e prova testemunhal. Já do delito de sonegação de autos o réu foi inocentado, não tendo sido demonstrado que houve dolo do acusado em inutilizar, total ou parcialmente, ou deixar de restituir autos que recebeu na qualidade de advogado ou procurador.

Como o processo corre em segredo de justiça, dados que permitam a identificação dos envolvidos não foram disponibilizados.



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Da Ferrari de Neymar à família de Eduardo Cunha, testemunho evangélico desaba no país


Definitivamente, a semana que se encerra amanhã está sendo tenebrosa para aqueles que se fiam no "testemunho" dos expoentes evangélicos no país, no caso dois homens que fazem questão de se apresentar como representantes desse segmento religioso, o deputado Eduardo Cunha e o jogador Neymar.

Cunha, deputado pelo PMDB-RJ e presidente da Câmara, é apontado como o maior responsável pela agenda conservadora que as votações da casa demonstram, entre elas a do Estatuto da Família, que tenta impor o conceito de casamento como a união de um homem e uma mulher, rejeitando a união homossexual, iniciativa que reuniu praticamente todos os líderes denominacionais do país, dos mais tradicionais aos mais neopentecostais, quando de sua propositura no Congresso Nacional.

O que esses líderes talvez não esperavam é que, justamente nesta semana, o Ministério Público da Suíça informasse à Procuradoria Geral da República, seu órgão similar no Brasil, a abertura de um processo criminal no país europeu envolvendo contas pertencentes a familiares de Eduardo Cunha, que foram imediatamente congeladas.

Uma das contas teria o próprio Cunha como beneficiário, e outra estaria no nome de sua esposa, Cláudia Cordeiro Cruz, que foi apresentadora de telejornais da Rede Globo de Televisão entre 1989 e 2001. 

O presidente da Câmara de Deputados já havia declarado à CPI da Petrobrás, em março deste ano, que não tinha contas no exterior. 

A se confirmar a acusação dos promotores suíços, o deputado mentiu, o que não significa muita coisa do ponto de vista jurídico, já que - providencialmente - não existe o crime de perjúrio no Brasil. 

Não é de hoje que - aqui - todo mundo pode mentir à vontade, sob juramento ou não, que não fica corado nem comete crime algum. Coisas de país subdesenvolvido.

Se já não bastasse o caos político instaurado no país, agora é a vez de Eduardo Cunha não ter mais como se segurar no seu cargo, talvez tampouco no seu mandato. 

Os adversários do deputado não perderam tempo para ironizar sua ambiguidade, como foi o caso de Luciana Genro, que foi candidata à Presidência da República nas últimas eleições pelo PSOL, através do Twitter:



Por outro lado, o jogador Neymar, do Barcelona (Espanha), teve um Porsche apreendido e R$ 188 milhões bloqueados pela Receita Federal, por suspeita de sonegação fiscal num processo que envolve a empresa que leva seu nome e é gerida por seu pai.

O atleta, entretanto, não se fez de rogado, e postou ontem, 01/10/15, uma imagem da sua Ferrari recém-comprada na sua conta do Twitter, agradecendo a Deus pelo presente que se deu a si mesmo:



Obviamente, todas essas denúncias deverão ser apuradas, como de fato já estão sendo, nos seus devidos processos legais, mas pairam nuvens escuras sobre o nome "evangélico" no Brasil.

No meio de tanta confusão político-ideológica, talvez seja o caso daqueles evangélicos sedentos de poder e fama procurarem outros modelos para seguir, ou (cá entre nós, de preferência) voltar - pura e simplesmente - ao bom e humilde evangelho de Jesus Cristo pregado na cruz do Calvário.

É mais seguro...

Fontes: Folha de S. Paulo, Brasil Post e Extra



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Multidão lincha indiano por boato de que ele consumia carne bovina


Parece que o radicalismo religioso e político - que move a boatos a histeria coletiva - não escolhe fronteiras, segundo a matéria da BBC Brasil:

Indiano é linchado após boato de que consumia carne bovina

Um homem de 51 anos foi linchado até a morte no norte da Índia após boatos de que ele e sua família armazenavam e consumiam carne bovina em casa.

Mohammad Akhlaq foi chutado e apedrejado por um grupo de homens em Dadri, no Estado indiano de Uttar Pradesh, na noite de segunda-feira.

O filho de Akhlaq, de 22 anos, sofreu ferimentos graves durante o ataque e foi encaminhado a um hospital da região.

Seis pessoas foram presas por ligação com o crime. A polícia está investigando quem espalhou o boato.

O abate de vacas é um assunto sensível na Índia já que o animal é considerado sagrado pelo hinduísmo, religião professada por cerca de 80% dos 1,2 bilhão de habitantes do país.

Uttar Pradesh é um dos Estados indianos que vem endurecendo as leis sobre o abate de vacas e a venda e o consumo de carne vermelha.

A proibição, contudo, vem provocando críticas de parte da sociedade indiana, que diz não ser incumbência do Estado decidir o que a população come.

A família de Akhlaq disse que a família armazenava carne de carneiro na geladeira, mas não carne bovina. A polícia apreendeu o alimento e o enviou para análise, segundo a imprensa indiana.

"Alguns moradores espalharam boatos de que Akhlaq tinha carne bovina em casa e realizava abate de vacas. Por causa dos rumores, a casa dele foi atacada", afirmou uma autoridade local ao jornal indiano The Indian Express.

Segundo um policial afirmou à agência de notícias AFP, o "boato de que a família consumia carne bovina foi feita em um templo (local)".

O incidente aconteceu em um vilarejo, a cerca de 50 km da capital indiana, Nova Déli, onde Akhlaq, um ex-fazendeiro, vivia com a família.

Em entrevista ao The Indian Express, a filha de Akhlaq, Sajida, de 18 anos, disse que "um grupo de mais de 100 pessoas do vilarejo" invadiram a casa na noite de segunda-feira.

"Eles nos acusaram de armazenar carne bovina, arrombaram as portas e começaram a bater em meu pai e meu irmão. Meu pai foi arrastado para fora da casa e agredido com tijolos", disse ela.

"Ficamos sabendo depois que o boato se espalhou dentro do templo…havia carne de carneiro na geladeira…a polícia levou tudo para análise".

Segundo testemunhas, ao protestar contra as prisões após a morte de Akhlaq, moradores locais entraram em confronto com a polícia e danificaram vários veículos.

Na Índia, 11 Estados ─ incluindo Uttar Pradesh ─ além de dois territórios (regiões administradas) proíbem o abate de vacas, bezerros, touros e bois.



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