terça-feira, 22 de janeiro de 2013

As "fortunas" de Malafaia, Lula e Calvino

A coluna de Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo de hoje, 22/01/13, traz a informação de que a jornalista consultou Silas Malafaia a respeito do seu patrimônio de supostos 150 milhões de dólares, conforme noticiado pela última edição da revista Forbes.

Não sem antes recorrer às suas rotineiras, nauseantes e já esperadas bravatas de que vai processar a revista para "ferrar esses caras", Malafaia frisou que seu patrimônio real está avaliado em 6 milhões de reais, míseros 2% do total estimado pela Forbes.

O telepastor amigo de Mike Murdoch declarou possuir nove imóveis, sendo um em Boca Raton, na Flórida (EUA), a Meca dos televangelistas e cantores gospel brasileiros, lugar onde provavelmente existe a maior necessidade missionária de todos os tempos na história do cristianismo mundial. Há mais caciques e pajés do que índios por lá...

O vizinho de Ary Fontoura e Fernanda Lima em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro (segundo também informa Mônica Bergamo) e metido a sabe-tudo deveria se informar melhor sobre as leis e o sistema judicial norteamericano.

Primeiro, a liberdade de expressão, aquela mesma que o Malafaia diz lutar tanto no Brasil (veja aqui ele defendendo o que agora quer condenar), é muito mais que sagrada em terras yankees e raramente a opinião de um órgão da imprensa é punida.

Além disso, é preciso muita grana só para contratar um bom escritório de advocacia nos Estados Unidos (as famosas "law firms"), ainda mais um que queira se aventurar a processar a revista Forbes. Teria Malafaia bala para tanto na agulha?

A não ser que ele recorra aos advogados de Boca Raton especialistas em atender alguns caciques e pajés que são presos com dólares dentro da Bíblia, como já aconteceu por lá...

O novo imbroglio malafaiano surge num momento em que outro veículo estrangeiro, no caso o jornal inglês Financial Times, divulgou recentemente os dados do patrimônio declarado do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que foram vazados por um hacker, e se revelaram bem menores do que se aquilo que se anunciava há anos.

Malafaia, que sempre faz campanhas desinteressadas para José Serra, arqui-inimigo de Lula, não deve ter gostado de saber que o patrimônio do ex-presidente é menor do que o dele, apesar - cá entre nós - da íntima empáfia que deve tê-lo acometido ao saber que conseguiu amealhar bens mais valiosos do que o de seu desafeto político.

Outro desafeto do telepastor, agora no campo teológico, é o reformador João Calvino, a quem, vez ou outra em suas preleções, acusa de ter pregado a "demoníaca" doutrina da predestinação.

Curioso é perceber o que tem de calvinista que segue Silas Malafaia de olhos fechados, mesmo depois dele tê-los chamados de "demoníacos". Se não a teologia, a ideologia deve explicar...

Ocorre que Calvino, esse "mala" (para Malafaia, obviamente) era um pastor de verdade que ousou ser pobre, apesar de ter sido uma das pessoas que mudaram a história do mundo tal como o conhecemos hoje.

Segundo informa o e-cristianismo, Calvino, este "fracassado demoníaco" (para Malafaia, é claro) vivia com um módico salário pago pelo Conselho de Genebra, que - envergonhado com a situação - insistia em aumentar o soldo do reformador tal era a ninharia que lhes pagavam, mas este se recusava terminantemente a abusar da boa fé, da boa vontade e dos cofres de seu povo.

Enquanto Malafaia, na entrevista acima dada à Folha de S. Paulo, afirma que doou à igreja um Mercedes blindado que havia recebido de presente de um empresário rico amigo seu (embora não revele o destino dela), Calvino recusou até o auxílio-doença mínimo que sua igreja queria lhe pagar.

Muito provavelmente, ninguém jamais pensou em dar a Calvino um cavalo blindado e uma armadura inexpugnável. Afinal, ele era verdadeiramente crente e sabia muito bem Quem o sustentava e o defendeu até o final. 

A fortuna dele era outra, muito diferente...



Raio explode casa de feiticeiro do Zimbabwe

Não é mole não a vida de feiticeiro na África. É o que dá a entender a notícia abaixo - pra lá de esquisitona - do Estadão:

Cinco morrem em explosão na casa de curandeiro no Zimbábue

Cinco pessoas morreram e três ficaram feridas na explosão da casa de um tradicional curandeiro em Chitungwiza, no Zimbábue, nesta segunda-feira, disse a polícia.

Centenas de pessoas fugiram após a explosão, que também danificou várias casas no bairro, que está 20 quilômetros ao sul da capital Harare.

Autoridades disseram que ainda estavam analisando o local da explosão, mas confirmaram a jornalistas que não foi causada por uma bomba ou um botijão de gás defeituoso.

"É um mistério e algumas pessoas suspeitam que poderia ser um raio que matou tanto o curandeiro como um homem que estava se consultando com ele ou tentando se livrar de alguns maus encantos", disse um policial.

A maioria dos zimbabuanos pratica o cristianismo, mas muitos também acreditam em feitiçaria, apesar de uma lei que proíbe a prática.

(Reportagem de Nelson Banya)



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Quando estiver triste, não gaste!

Excelente artigo publicado no caderno Eu & Fim de Semana do jornal Valor Econômico no dia 18 de janeiro de 2013:

Tristeza não tem fim, dinheiro sim

Por Alexandre Rodrigues

Quando pesquisava para seu livro "O Poder do Hábito", o escritor americano Charles Durhigg deparou com uma prática a princípio inexplicável das empresas de cartões de crédito dos Estados Unidos. Sempre que descobrem, comparando dados pessoais, prática permitida no mercado americano, que um de seus clientes se divorciou, as empresas cortam seu limite de crédito. A redução é ainda mais radical caso o cliente seja do sexo masculino, diminuindo o limite pela metade. A explicação: analisando o histórico de crédito de recém-separados, matemáticos a serviço dessas empresas cruzaram os dados e notaram que não muito tempo depois de mudar seu status de relacionamento para "solteiro" no Facebook os homens, principalmente, começam a ter problemas para pagar suas dívidas.

À primeira vista, pode parecer um exagero - além de uma intromissão indevida na vida dos clientes -, mas um estudo recente conduzido pelos departamentos de psicologia das Universidades de Harvard e Columbia, nos Estados Unidos, mostrou que há uma lógica emocional por trás dessa situação: estar triste pode ter um custo financeiro.

"Uma pessoa triste não é necessariamente uma pessoa sábia quando se tratam das escolhas financeiras", afirma Ye Li, professor da Universidade Riverside, na Califórnia, que participou do estudo como pós-doutorando do Centro de Ciências da Decisão de Columbia. "Descobrimos que as pessoas tristes são mais impacientes e frequentemente irracionais."

Nos últimos dez anos, estudos aprofundaram essas descobertas, mostrando que pessoas tristes têm mais problemas com as finanças pessoais, dívidas do cartão de crédito e financiamentos, empréstimos e seguros duvidosos. Por trás de todos os resultados, está o que Ye Li e os outros dois autores do estudo, Jennifer Lerner, da Escola Kennedy de Governança e diretora do Centro de Ciência da Decisão de Harvard, e Elke U. Weber, também de Columbia, chamam de miopia da tristeza.

A miopia da tristeza é, segundo o estudo, responsável por um preconceito momentâneo que leva as pessoas a ignorar os ganhos maiores que vêm com a espera em troca da satisfação imediata. Mais: o gasto em si recebe mais atenção do que o benefício que poderá produzir. A miopia da tristeza, conclui a pesquisa, é um fenômeno robusto e potencialmente perigoso para a vida financeira das sociedades.

É certo que decisões econômicas, incluindo o que compramos, envolvem escolhas que costumam ser feitas com base em razões que nos parecem consistentes. "As pessoas não querem pagar ou consumir mais do que deviam mesmo quando estão tristes", observa Nitika Garg, professora da Australian School of Business e coautora, com Jennifer Lerner, do estudo "Tristeza e Consumo". É bem capaz que neguem a influência, como os voluntários da maioria dos estudos. Mais ainda: a combinação de tristeza e consumo em excesso pode levar a um ciclo em que o próprio hábito de gastar leva a alterações de humor. Por que então a propensão aos gastos?

"A pessoa que está propensa a comprar pensa: 'Eu sou a solução para os meus problemas'", explica Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista e autora do livro "A Cabeça do Investidor". "E uma das formas mais fáceis de encontrar satisfação é por meio das compras. Quanto mais radical a sensação de perda ou de desamparo, mais radical será a busca por compensação."

Esse não é um processo consciente, ressaltam todos os estudos. E nem mesmo faz sentido à luz da lógica. Se uma pessoa triste é mais pessimista, o normal seria que nas centenas de decisões que toma todos os dias fosse mais cética. "Nossa pesquisa não visava propriamente saber se pessoas tristes fazem avaliações mais pessimistas. Mas ser pessimista sobre o futuro é uma das possíveis explicações sobre por que elas querem obter as coisas o mais cedo possível", diz Ye Li.

Economistas e psicólogos tomam direções diferentes quando tentam explicar o papel das emoções nas decisões. A teoria econômica tradicional não costuma dar valor a motivações individuais nas decisões financeiras, considerando que os indivíduos tendem a agir de forma racional, pesando expectativas e probabilidades. Psicólogos ligados à economia comportamental contra-argumentam, no entanto, que as teorias econômicas não conseguem dar conta dos verdadeiros processos mentais por trás de nossas decisões. Novos estudos nas duas últimas décadas começaram a aproximar os dois campos, assim como a neurociência, principalmente no que diz respeito ao consumo.

É inegável - aponta o estudo de Harvard e Columbia - que as pessoas normalmente fazem algumas das escolhas econômicas mais importantes da vida por causa das emoções. "O amor impulsiona a decisão de propor ou aceitar o casamento. Raiva pode levar a uma separação. O medo leva à decisão de abandonar a casa em meio a um desastre", dizem os pesquisadores. Um funeral pode obrigar alguém a tomar decisões financeiras importantes em um estado emocional conturbado. Com o trauma da separação, um divórcio vem acompanhado de novos gastos com habitação e alimentação, entre outros.

A tristeza, no entanto, há séculos é vista como uma boa parceira econômica. Samuel Coleridge (1772-1834), poeta e filósofo inglês experimentou crises profundas de ansiedade e depressão. Sua vida o inspirou a criar uma frase famosa: "O homem mais triste e mais sábio aumenta o amanhecer do dia seguinte". Centenas de trabalhos de psicologia corroboraram essa ideia na segunda metade do século XX, atribuindo à tristeza o papel de antídoto para os otimistas em excesso, capaz de impedir alguém de agir por impulso.

Indivíduos mais tristes, segundo esses estudos, tendem a pesar mais racionalmente as implicações financeiras de suas escolhas. Então, de maneira tímida, nos anos 1980 e com mais profusão nos anos 90 e na década passada, um grupo de cientistas começou a apontar que se trata do contrário.

Tristeza, como definida pelos psicólogos, é um estado temporário, como numa morte ou separação, sendo ligada às sensações de desamparo e perda. Um de seus efeitos é provocar pessimismo sobre determinada situação, um efeito conhecido na psicologia como congruência de humor. Isso leva a uma mudança nos motivos pelos quais as pessoas em estados de tristeza costumam fazer escolhas. Por exemplo: um estudo conduzido por dois psicólogos, William Morris & Nora Reilly, descobriu que pessoas tristes, quando tinham de escolher um parceiro para resolver um problema, preferiam alguém com mais afinidade pessoal do que os mais capazes.

A pesquisa de Harvard e Columbia, concluída no fim do ano passado, teve como voluntários 200 estudantes das duas universidades, que, respondendo a um anúncio, receberam uma remuneração pela participação. Ao contrário de grande parte dos estudos anteriores, nos quais os voluntários assinalavam em um questionário qual era seu estado emocional no momento, os testes foram concebidos para provocar, respectivamente, uma "condição de tristeza", uma "condição de desgosto" e um "estado neutro".

Colocados em cabines individuais, os voluntários tiveram de assistir a três vídeos. Um mostrava a morte do personagem principal, interpretado pelo ator Jon Voight, diante do filho no filme "O Campeão"; outro, a cena de um banheiro infecto e insalubre no filme "Trainspotting". O terceiro clipe foi um trecho de um documentário do canal National Geographic sobre a vida dos peixes na Grande Barreira de Corais.

Se fosse o caso, os voluntários também deveriam escrever um pequeno texto sobre uma história triste ou desagradável da qual tinham participado. Em seguida, escolheram entre 27 montantes de dinheiro e créditos no site da Amazon que deveriam receber naquele dia (entre US$ 11 e US$ 80) e maiores quantidades de dinheiro (entre US$ 25 e US$ 85) em um prazo que variava de uma semana a seis meses.

"A média dos participantes tristes em obter recompensas futuras foi de 13% a 34% menor do que dos participantes em um estado mental neutro", diz Li. Houve casos em que os voluntários preferiram receber US$ 37 na hora a esperar três meses em troca de US$ 85 - mais do que o dobro.

Em outro dos trabalhos pioneiros, realizado pela Universidade de Columbia, estudantes tinham de informar se naquele momento se sentiam mais tristes ou ansiosos. Os dois estados levaram a decisões diferentes em um jogo. Enquanto os voluntários que se diziam tristes corriam mais riscos em busca de recompensas maiores, os ansiosos fizeram o contrário, se arriscando pouco em busca de um lucro menor, porém mais seguro de obter. A ansiedade aumentou a preocupação com o risco e a incerteza enquanto a tristeza aumenta as preocupações com a recompensa.

Se há uma arena em que as emoções reconhecidamente dirigem a necessidade de consumo é o mercado de ações. Em seu livro "Exuberância Irracional", Robert Shiller afirma que o estado emocional dos investidores é um dos fatores mais importantes para explicar subidas fortes de preços. Foi assim nas bolhas dos últimos anos, principalmente a da internet e imobiliária. Tanto no momento de euforia e ganância como de pânico, diz a "teoria das emoções" no mercado financeiro, existe o efeito manada. Decisões de momento podem custar anos de economias.

"Ganância e medo movem a maioria das decisões. Mas duas emoções particularmente importantes são o orgulho e arrependimento. Por exemplo, pensa-se que o arrependimento tem como efeito a disposição para vender cedo demais ações que subiram rapidamente e manter aquelas que estão caindo. Se você vender uma 'perdedora', vai sentir arrependimento", diz Lucy Acket, professora da Universidade Kennesaw, autora de estudos sobre as emoções e o mercado financeiro.

Uma medida do efeito da miopia da tristeza sobre os investidores foi descoberta por Jennifer Lerner e mais duas pesquisadoras, Deborah A. Small e George Loewenstein. Voluntários foram levados a fazer negócios numa experiência parecida com o que ocorre em um "home broker". Metade ficou com um objeto, definindo por qual preço pretendiam vendê-lo, e a outra metade pôde fazer uma oferta de compra. Todos assistiram aos mesmos filmes do estudo atual, assim como cada um foi convidado a escrever explicando como se sentia. Então começaram a negociar.

Os participantes que assistiram ao vídeo mais triste e eram vendedores passaram a reduzir seus preços assim como os compradores fizeram ofertas maiores a ponto de superar as ofertas de venda. Isso aconteceu, segundo os pesquisadores, porque tanto em um caso como outro estava em jogo a busca por mudança. "No caso de venda, livrar-se do que se tem é uma oportunidade para mudar as circunstâncias que estão fazendo a pessoa sofrer, enquanto no caso de compra, a aquisição de novos bens é uma oportunidade para alterar uma realidade desagradável", explica Jennifer.

"Um dos conselhos que dou é que a pessoa tenha um diário de bordo", diz Vera Rita de Mello, que faz palestras e dá consultoria a investidores. "É importante colocar por conta própria o que está acontecendo. Assim, a pessoa consegue encontrar padrões."

Um dos estudos de Jennifer, responsável por grande parte das descobertas que ligam emoções à tomada de decisões financeiras, concluiu que a tristeza deixa uma pessoa mais generosa e também mais propensa a apoiar programas sociais do que se estiver irritada. Com base no estudo, a irritação dos conservadores americanos com Barack Obama por instituir a saúde gratuita poderia ter sido menor se não fosse a crise econômica. Em um cenário de frustração, a reação de uma parte do Partido Republicano foi radicalizar, fazendo surgir o movimento ultraconservador Tea Party.

Mas a tristeza não afeta apenas a maneira como se gasta dinheiro. Estudos sobre sua relação com a alimentação chegaram às mesmas conclusões, dessa vez com o aumento do consumo de pizza, salgadinhos, sorvete e doces. As pessoas tristes se entopem de "junk food" porque procuram conforto na comida, dizem outros estudos. O fenômeno é conhecido das indústrias de alimentos, que põem seus psicólogos para entendê-lo assim como um desdobramento perigoso para as vendas: se concluem que um produto não está ajudando a melhorar o humor, as pessoas tristes param de comprá-los.

Um consolo é que a miopia da tristeza é um estado temporário. No estudo de Harvard e Columbia, quando tinham de optar por receber uma quantia apenas três meses depois ou em um ano, os resultados foram parecidos entre todos os grupos. Sem a chance de obter prazer imediato, as decisões se tornam mais racionais.

Com problemas financeiros, dívidas, obesidade e problemas cardiovasculares sendo consequências da tristeza, as descobertas levam a uma questão: se as pessoas comprometem as próprias finanças por uma razão inconsciente e momentânea, mecanismos podem ser adotados para evitar a ruína financeira? "Eu penso nesse caso que isso deveria ser uma decisão pública", diz Li.

"Por exemplo: a Federal Trade Comission [Comissão Federal de Comércio americana] tem uma regra que permite o cancelamento das vendas em três dias, exceto no caso de seguros e de imóveis." No Brasil, as regras são parecidas. O Código de Defesa do Consumidor permite a desistência da compra em até sete dias se a compra for feita pela internet. Mas no caso de imóveis, se o comprador desistir, tem de indenizar o vendedor. "Eu acho que estender a mesma regra aos outros setores seria benéfico, embora os detalhes da implementação fossem difíceis."

E, finalmente, uma das lacunas diz respeito ao objetivo do aumento do consumo. Embora dezenas de estudos tenham verificado a relação entre tristeza e consumo, faltam trabalhos que expliquem se gastar dinheiro realmente ajudou. "Não conheço nenhuma pesquisa que mostre que comprar realmente alivie um sentimento negativo", diz Ye Li. "Tristeza apenas cria um desejo de comprar, mas não é necessariamente a melhor solução."



domingo, 20 de janeiro de 2013

O chato está em extinção

Bem que podia acontecer com eles, não estamos falando de seres humanos de galochas, popularmente chamados de "malas-sem-alça", que, infelizmente, continuarão por aqui, mas aqueles seus homônimos, os piolhos pubianos, ao que parece, estão dizendo adeus ao planeta Terra.

Os pobres parasitas estão realmente em extinção, e a principal causa é a moda lançada em terras tupiniquins, que lá fora é mais conhecida como "depilação brasileira".

A notícia é do Terra:

Depilação brasileira provoca extinção de piolho pubiano

Os piolhos pubianos, insetos que viviam na virilha de humanos desde o início dos tempos, estão desaparecendo. Segundo o site Bloomberg, os médicos apontam que a depilação íntima, inclusive a completa, também conhecida como depilação brasileira, pode ser a responsável pelo fenômeno. "A destruição do habitat do piolho pubiano está fazendo com que se torne uma espécie em extinção", afirmou a especialista em saúde sexual Janet Wilson.

Atualmente, cerca de 80% das universitárias americanas removem seus pelos pubianos parcial ou integralmente. E essa tendência está aumentando cada vez mais nos países ocidentais. Na Austrália, desde 2008 não são registrados casos de piolhos pubianos em mulheres e, entre os homens, a redução foi de 80% na última década.

"Ele costumava ser extremamente comum, agora é visto raramente", disse Basílio Donovan, chefe da área de saúde sexual da Universidade de New South Wales’s Kirby. A tendência sugere uma maneira alternativa para conter o piolho pubiano, que é considerado uma das doenças sexualmente transmissíveis do mundo, além de causar reações cutâneas, coceiras e infecções.

E não são só as mulheres que estão aderindo à depilação. Segundo uma pesquisa do Kenyon College, a maioria dos homens em idade universitária nos Estados Unidos e na Austrália também está removendo parte de seus pelos pubianos. No Reino Unido, 99 % das mulheres com mais de 16 anos removem pelos, mais comumente das axilas, pernas e região pubiana.

De acordo por Spring Cooper Robbins, pesquisador de saúde sexual da Universidade de Sydney, a depilação brasileira se popularizou mundialmente no início dos anos 2000, estimulada por programas de TV como Sex and the City. Nos Estados Unidos, esse tipo de depilação começou a fazer sucesso no J Sister Salon, salão comandada por sete irmãs brasileiras. Jonice, Jocely, Janea, Joyce, Jussara e Judeseia Padilha cresceram na cidade litorânea de Vitória e levaram a depilação para biquíni às nova-iorquinas em 1994.

Cerca de 200 clientes por dia, incluindo celebridades como Sarah Jessica Parker, frequentam o salão até hoje. Homens de todas as idades e orientações sexuais também fazem a depilação para sunga, que elimina completamente os pelos pubianos, inclusive os sobre os testículos. Para Jonice, a higiene e o conforto são as principais razões para os clientes continuarem indo lá.

A defesa contra os piolhos pubianos agora está sendo usada por clínicas e empresas para incentivar ainda mais a tendência. Uma pesquisa da East Carolina Universtity afirmou que, em 2009, os piolhos, conhecidos cientificamente como Phthirus pubis, infestam de 2% a 10% da população mundial.

"Historicamente, tem sido muito difícil obter dados de incidência de piolhos pubianos simplesmente porque as pessoas não gostam de denunciá-lo", disse Richard Russell, diretor de entomologia médica no Hospital Westmead Sydney. "Em mais de 40 anos, eu poderia contar em duas mãos o número de pessoas que tinham piolhos pubianos para a identificação e admiram saber o que eram". A fêmea do piolho precisa acasalar apenas uma vez para se manter fértil durante toda a sua vida e pode botar ovos todos os dias. Uma vez chocados, os piolhos jovens começam a se desenvolver imediatamente, alimentando-se de sangue.

Um estudo australiano de 2003 descobriu que o piolho pubiano era a doença sexualmente transmissível mais comum, sendo que um terço das pessoas experimentaria uma infestação em algum momento da vida. Segundo Donovan, a maioria das pessoas se automedica com produtos encontrados em farmácias.

De acordo com um relatório de 2011, da Mintel Group, um em cada sete homens americanos com idades entre 25 a 34 anos já removeu pelos do corpo. Porém, segundo o médico Cooper Robbins, da Universidade de Sydney, a depilação com cera ou com lâmina pode causar traumas na pele, rompendo sua barreira protetora e pode até ajudar na propagação de outras doenças sexualmente transmissíveis. Por isso, é importante utilizar os produtos de forma correta para evitar lesões e infecções. O mesmo vale para as mulheres. Outro possível foco de infecções são os pelos encravados, que podem surgir após a depilação.



sábado, 19 de janeiro de 2013

Michael Jackson em ritmo latino



Já pensou em ouvir "Billie Jean" e "Black or White" do Michael Jackson assim num ritmo assim meio salsa, meio merengue?

Pois é o que fez Tony Succar, músico peruano de ascendência nipônica, com seu grupo Unity Project, numa conferência TED.

O fascinante resultado você pode conferir no vídeo abaixo. Pegue as suas maracas, aumente o volume e se jogue:




sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A namorada fake de Manti Te'o

Run, Manti Te'o, run!
Manti Malietau Louis Te'o, mais conhecido como Manti Te'o, é um jogador de futebol americano universitário (a poderosa liga NCAA), atualmente em ação como linebacker (uma espécie de zagueiro recuado) pela prestigiosa Universidade de Notre Dame, de Indiana, nos Estados Unidos.

O nome - pouco usual para os padrões americanos - de Manti Te'o (se pronuncia "mantaitío") se deve à procedência de seus pais, que vieram das Ilhas Samoa, embora o jogador tenha nascido no Hawaii (ele completará 22 anos de idade no próximo dia 26 de janeiro).

A exemplo de Tim Tebow (que é evangélico), Manti Te'o faz questão de se mostrar devoto de sua religião, no caso a mórmon.

Em declaração publicada no The Washington Post em 16/01/13, Manti Te'o fez questão de declarar que "ter fé é crer em algo que você muito provavelmente não pode ver".

Assim isolada, a frase pode parecer mais uma declaração doutrinária ou propagandística de fé, mas ela não foi dada sem propósito, e como você vai perceber a seguir, o buraco é bem mais embaixo.

É uma história tão confusa, tão enrolada, que nos apoiaremos na sinopse do portal College Candy para tentar entender o "luau do havaiano doido".

Pra começo de conversa, é bom lembrar que - a exemplo de seu xará bretão - o futebol americano é um negócio altamente rentável que movimenta toneladas de dinheiro dentro e fora de campo.

Por "fora de campo" acima, leia-se "patrocínio", "marketing", e - obviamente - quanto mais o atleta aparecer na mídia, quanto mais a sua história (ou "estória") for, digamos, amanteigada, debulhada em lágrimas, mais ele venderá e engordará seus cofres.

Ao que tudo indica, Manti Te'o escolheu este caminho do lucro fácil, mas sua astúcia não contava com a descoberta do rocambolesco roteiro de novela mexicana no qual ele se enrolou sozinho.

O inacreditável enredo começou quando a avó de Te'o, Annette, morreu aos 72 anos de idade, o que já seria motivo de comoção para o jovem atleta. 

Só que ele alegou que - seis horas depois - teria falecido também a sua namorada, de nome Lennay Kekua, que havoa sobrevivido a um terrível acidente de carro algum tempo antes, mas fora diagnosticada com leucemia, que a vitimara fatalmente naquele mesmo infausto dia 12 de setembro de 2012.

Três dias depois, de luto, Manti Te'o entrou em campo para defender o Notre Dame contra o Michigan State, partida na qual teve uma atuação esplendorosa.

Pronto: a narrativa do herói que dá a volta por cima, tão chamativa aos norteamericanos, estava pronta. Manti Te'o era o cara!

Ato contínuo, sua "história" foi contada em todos os principais meios de comunicação dos Estados Unidos, e ele foi capa da edição seguinte da revista Sports Illustrated, a "bíblia" do esporte no país.



Só que, da mesma maneira como a mídia (não só a americana, mas principalmente ela) gosta de construir heróis do "nada", parece que eles têm um prazer maior ainda em destruí-los.

Deve-se dar o desconto a eles de que uma "história" dessa é muito emotiva para ser desperdiçada, e por isso toda a imprensa começou a investigá-la melhor.

Qual não foi a surpresa, então, quando ninguém achou nenhuma evidência de que a "namorada" Lennay Kekua existisse. Não havia qualquer registro do acidente nem do suposto transplante de medula a que ela teria se submetido, segundo a versão de Manti Te'o.

Não demorou muito para que descobrissem que a foto que constava do perfil de Lennay Kekua no twitter (@LennayKay - única evidência da "existência" de Lennay e já desativado), era na verdade de uma moça californiana de 22 anos, cuja identidade está sendo preservada, que havia passado suas fotos a Ronaiah Tuiasosopo, que resulta ser amigo também de Manti Te'o.



Ronaiah ainda imaginou que poderia apagar os rastros de sua amizade com Te'o no Instagram, mas alguns órgãos da imprensa foram mais rápidos e salvaram as evidências da relação entre os dois.

Agora, entre uma e outra declaração desastrada na tentativa de se defender e justificar o imbroglio, Manti Te'o tem dito que foi vítima de uma "relação virtual", na qual se "apaixonou" sem conhecer a pessoa, enquanto a imprensa especula se ele não estaria querendo acobertar algum relacionamento homossexual, situação que fuzila de morte quem se expõe desta maneira no esporte americano.

Enquanto o atleta vira motivo de piada mundial (vídeo abaixo), voltando à declaração de fé acima, dada ao The Washington Post, resta saber no quê exatamente Manti Te'o acredita hoje em dia...





E se o dinheiro não existisse?


No mínimo, uma coisa seria certa: se dinheiro não existisse, também não existiria essa tal "teologia da prosperidade", nem seus "pregadores", que teriam que se virar de outra maneira (talvez trabalhando de verdade e na Verdade) ...




quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Profetadas de rede social

Algum tempo atrás circulou na internet o vídeo de um "pastor", cujo nome nem merece ser lembrado, que era especialistas em fazer "profetadas" durante cultos, onde ficava claro que ele tinha - antes - consultado, estudado e memorizado o orkut dos membros da igreja evangélica que ele estava visitando.

Mesmo que orkut seja coisa do passado, engolido que foi pelo facebook, hoje os internautas não estão imunes a situações parecidas com essa, só que com consequências talvez mais graves.

Se você gosta de se expor nas redes sociais, e acha que isso não é problema, talvez seja o caso de repensar as suas práticas virtuais.

A Federação Belga do Setor Financeiro produziu um vídeo muito interessante que mostra como os seus dados pessoais estão abertos nas redes sociais e podem ser utilizados por qualquer um para os mais variados fins, nem sempre lícitos.




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O bispo mata-cachorros do Chile

O bispo católico de Punta Arenas, no Chile, Bernardo Bastres (que não merece o título de "Dom"), justifica a matança de cães sob o argumento de que “Deus criou todas as coisas e as colocou à disposição do ser humano, esse é um princípio do Gênese, tudo está ao nosso serviço, e, portanto, também podemos nos desfazer problemas criados pela natureza”

Parece que o bispo católico parou a leitura da Bíblia no Gênesis, pois se tivesse chegado até o último versículo do livro de Jonas, leria a resposta de Deus ao profeta fujão:
"E eu, será que não vou ter pena de Nínive, esta cidade enorme, onde moram mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir a direita da esquerda, além de tantos animais?"
(Jonas 4:11 - Edição Pastoral católica)
Do jeito que a coisa anda pelos lados do Vaticano, eles não precisam mais de inimigos externos. Aliás, cá entre nós, o mesmo pode se dizer dos evangélicos brasileiros...

Será que é pedir demais que o papa exigisse - além de um exame de proficiência bíblica - uma análise psiquiátrica antes de nomear um bispo? A notícia é do Opera Mundi:

Cidade chilena vive matança de dezenas de cães após declarações de bispo

Dom Bernardo Bastres citou a Bíblia para justificar morte de cachorros de rua que supostamente atrapalham cidadãos

Dezenas de cachorros apareceram mortos durante este final de semana nas ruas da pacata cidade de Punta Arenas, no extremo sul do Chile. Ainda não está claro como esses animais morreram, mas organizações denunciam possível envenenamento.

A matança vem apenas poucos dias depois das declarações de um bispo local que citou a Bíblia para justificar o assassinato de cães de rua. Em artigo no jornal regional Hoy por Hoy na última quarta-feira (09/01), dom Bernardo Bastres lembrou que existem cidades na Europa com autonomia para eliminar os cachorros de rua quando eles são um incômodo para a sociedade.

“Deus criou todas as coisas e as colocou à disposição do ser humano, esse é um princípio do Gênese, tudo está ao nosso serviço, e, portanto, também podemos nos desfazer problemas criados pela natureza”, afirmou o religioso. Ele queria que as autoridades chilenas sacrificassem os cães sem donos.

Revoltados com a morte dos cachorros, dezenas de pessoas se reuniram neste domingo (13/01) em frente à catedral da cidade e responsabilizaram o bispo pelo ocorrido. Os manifestantes impediram a realização da missa e informaram que vão se concentrar novamente nesta segunda (14/01) no local.

“Hoje (13/01), voluntários da nossa organização descobriram que havia cachorros mortos no centro de Punta Arenas e o que encontramos foi trágico e horroroso”, contou Valéria Muñoz, da UDDA (União de Defesa do Direito Animal na sigla em espanhol).

Os corpos de dezenas de cães estavam empilhados em caminhões da polícia militar chilena. “Mais de 15 cachorros foram retirados do centro da cidade e do bairro de San Miguel. Segundo informaram os carabineiros, também se retiraram animais do bairro Pedro Aguirre Cerda”, acrescentou a ativista.

Dom Bernardo Bastres negou nesta segunda-feira (14/01) as acusações de que estaria envolvido com a matança e lamentou as possíveis consequências de suas declarações. "Eu acho que as pessoas que mataram esses animais são pessoas desequilibradas. Não existe espaço dentro de qualquer sistema democrático para o povo fazer a justiça em suas mãos", disse ele.

O religioso se reuniu nesta segunda (14/01) com grupos de defesa dos direitos animais. Ambos realizaram um comunicado conjunto, no qual repudiam a matança dos cães e também os danos infligidos à catedral no protesto deste domingo (13/1). Além disso, eles pedem a investigação das mortes.

“A presente mesa concorda com a necessidade de modificação da atual gestão de cães pela cidade e sugere a criação de um mecanismo de registro, cadastro e esterilização dos animais de rua, como também a fiscalização e possível punição para donos irresponsáveis”, diz o comunicado.

Segundo a Secretaria Regional da Província de Magallanes, existem aproximadamente 12 mil cachorros de rua na capital Punta Arenas, número bastante superior à média entre as capitais provinciais chilenas, de 7,5 mil – excluindo Punta Arenas, a média das capitais diminuiria para 5,5 mil, segundo a Secretaria.



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Melô do Instagram

O vídeo abaixo é dedicado a você que é viciado em Instagram:


Claro que tem a versão do Marcelo Adnet também, né:




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Melhor não contar a ninguém os seus objetivos até que eles se concretizem


Manja aquela ideia brilhante que você teve, mas não deu certo?

Pode ser que a principal dificuldade dela se concretizar foi o fato de que você tê-la "cacarejado" antes de colocá-la em prática.

Muitas vezes, as pessoas têm planos sensacionais, mas perdem tempo e motivação contando-os aos outros antes de trabalharem com afinco para que eles deem certo.

Resultado: dão com os burros n'água.

Portanto, quando você tiver aquele insight, aquela ideia luminosa sobre o que fazer da sua vida, seja em que área for, não conte com o ovo antes da galinha. Guarde-a para si e, antes de mais nada, mãos à obra para implementá-la.

É o que ensina Derek Silvers em mais uma miniconferência TED, no vídeo de 3 minutos com transcrição abaixo. Aprenda:



Todos vocês, por favor, pensem em seus maiores objetivos pessoais. De verdade. Levem um segundo. Vocês precisam sentir isso para aprender. Levem alguns segundos e pensem de seu maior objetivo pessoal. Pronto? Imaginem que estão decidindo agora mesmo que vocês vão realizar isso. Imaginem que vocês contarão a alguém hoje o que fazerão. Imaginem os elogios deles e a boa impressão que terão de vocês. Não é agradável falar disso em voz alta? Vocês não sentem que estão um passo mais próximos desde já, como se isso já se tornasse parte da identidade de vocês?

Pois bem, uma má notícia: vocês deveriam ter ficado de boca fechada, porque aquele sentimento agradável, o torna menos propício a alcançar seus objetivos. Repetidamente, testes psicológicos provaram que contar a alguém a sua meta faz que a realização dela se torne menos provável. Sempre que vocês têm uma meta, existem alguns passos que precisam ser tomados, alguns trabalhos que precisam ser feitos no sentido de realizá-la. Idealmente, vocês não deveriam sentir-se satisfeitos enquanto não tivessem feito o trabalho. Mas quando vocês contam a alguém a meta de vocês, e eles reconhecem isso, os psicólogos descobriram que isso se chama uma realidade social. É como se a mente fosse iludida a sentir que ela já está feita. E então, como vocês sentiram essa satisfação, vocês ficam menos motivados a fazer o trabalho duro que é realmente necesssário. Assim, isso contradiz a sabedoria convencional de que deveríamos contar nossas metas a nossos amigos, certo? -- então, vamos guardar isso conosco, isso mesmo.

Então, vamos olhar as evidências. 1926, Kurt Lewin, fundador da psicologia social, chamou isso de "substituição." 1922, Vera Mahler descobriu, quando alguma coisa era reconhecida pelos outros, ela parecia real na mente. 1982, Peter Gollwitzer escreveu um livro inteiro sobre isso, e em 2009, ele realizou alguns novos testes que foram publicados.

Foi assim: 163 pessoas através de quatro testes separados -- cada um escreveu sua meta pessoal. Metade deles anunciaram seus compromissos com as metas à sala, e metade não anunciou. Então eles tiveram 45 minutos para fazer um trabalho que os levaria diretamente à realização das metas deles, mas disseram a eles que poderiam parar a qualquer momento. Pois bem, aqueles que ficaram com as bocas fechadas trabalharam todos os 45 minutos, em média, e quando perguntaram a eles depois, disseram que sentiam que tinham um longo caminho a percorrer até atingirem as metas deles. Mas aqueles que tinham anunciado largaram depois de apenas 33 minutos, na média, e quando perguntaram a eles depois, disseram que se sentiam bem mais próximos de atingirem suas metas.

Então, se isso for verdade, o que podemos fazer? Bem, a gente poderia resistir à tentação de anunciarmos nossas metas. A gente pode retardar a gratificação que o reconhecimento social proporciona. E podemos entender que nossas mentes confundem o falar com o fazer. Mas se a gente precisa mesmo falar sobre alguma coisa, a gente pode falar de modo que não nos proporcione satisfação, algo como, "Eu realmente quero correr essa maratona, portanto preciso treinar cinco vezes por semana, e chutem meu traseiro se eu não fizer isso, certo?"

Portanto, pessoal, na próxima vez que vocês ficarem tentados a contarem suas metas a alguém, o que vocês vão dizer? Exatamente. Muito bem.

(Aplausos)



domingo, 13 de janeiro de 2013

Quem quer curar a meningite na África? Resposta: Brasil e Cuba!


Pois é... qualquer estrela de Hollywood que se proponha a fazer uma viagem à África, seja para ajudar uma ação social, seja para adotar mais um filho, ganha enorme repercussão na imprensa brasileira e mundial.

Quando Bill Gates ou Oprah Winfrey despejam alguns milhares de dólares em uma instituição de ajuda à África, isto é saudado efusivamente pela mídia como um ato de gloriosa doação pessoal e patrimonial.

Agora, o que pouca gente sabe é que Brasil e Cuba, com todos os seus problemas que são sobejamente conhecidos, se uniram para combater a epidemia de meningite na África, que até então parecia incontrolável.

Felizmente, vem da revista norteamericana Science o reconhecimento a essa iniciativa que vai muito além das fotos e das declarações de efeito.

[atualização de 21/09/2021 - como o link para a revista Science está "quebrado", confirme a notícia clicando no portal da Fiocruz]

Conforme se pode perceber no mapa abaixo, o chamado "cinturão da meningite" se concentra na região subsaariana central do continente africano, onde vivem cerca de 430 milhões de pessoas, do Senegal (a oeste) à Etiópia (a leste).

Curiosamente, a Eritreia e a Somália, que estão localizados mais a leste da Etiópia (no "chifre da África"), são territórios minimamente afetados pela epidemia. As piores regiões estão marcadas em vermelho:



Ocorre que, em 2006, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um apelo internacional: precisava da produção massiva, ao preço mais baixo possível, da vacina polissacarídea contra os tipos A e C da meningite, a serem aplicadas nos 23 países do cinturão africano da enfermidade.

Afinal, só uma empresa, a Sanofi Pasteur, fabricava essas vacinas, mas - já que a doença havia se retraído em outros continentes, a farmacêutica reduziu drasticamente sua produção, deixando a África à sua própria sorte.

Diante da emergência médica, a OMS praticamente implorou que laboratórios públicos e privados de todo o mundo encontrassem uma maneira de atender à demanda crescente das vacinas antimeningite da maneira mais barata possível.

Nenhuma farmacêutica se deu ao trabalho de responder ao SOS da OMS. As únicas instituições que acudiram ao apelo foram os laboratórios estatais do Brasil (Instituto Manguinhos) e de Cuba (Instituto Finlay).

Os dois órgãos governamentais estenderam as mãos, se uniram e - pelo mútuo acordo - o princípio ativo da vacina é produzido em Cuba e o processo industrial é terminado no Brasil, o que fez com que o preço final de cada dose fosse reduzido em (pasme!) 20 vezes: de 20 dólares a menos de 95 centavos de dólar.

Desde a associação entre o Manguinhos e o Finlay, 19 milhões de vacinas foram produzidas, adquiridas e distribuídas pela própria OMS, pela UNICEF, pelos Médicos Sem Fronteiras e pela Cruz Vermelha Internacional. A África agradece!

A iniciativa cubano-brasileira teve tanto sucesso que vem dos Estados Unidos, através da revista Science, o rompimento do constrangedor silêncio da grande mídia sobre essa insólita e proveitosa parceria.

É o Terceiro Mundo socorrendo o Terceiro Mundo. Suspeita-se que esta notícia você não verá no Jornal Nacional.



sábado, 12 de janeiro de 2013

Tijolos nazistas no interior de SP

Campina do Monte Alegre é uma cidadezinha simpática do interior do Estado de São Paulo, com cerca de 6.000 habitantes, que eu já tive o prazer de conhecer.

O que pouca gente sabe é que ali foram descobertos tijolos marcados com suásticas, que revelam um passado que os infindáveis canaviais paulistas agora querem sepultar.

Não se trata apenas do macabro símbolo nazista, mas uma história de abuso e preconceito que, como pano de fundo, mostra como latifúndio e racismo se entrelaçam quando se fala da formação do Brasil.

Em 1933, 50 meninos órfãos negros foram "selecionados" como animais e transferidos de um orfanato católico do Rio de Janeiro para a Fazenda Cruzeiro do Sul, então de propriedade da família Rocha Miranda.

Ali, foram tratados como escravos pelos proprietários das terras, que eram integralistas, a versão brasileira do fascismo europeu.

A ideologia nazista e sua simbologia eram tão presentes que até o time de futebol dos "internos" tinha como emblema a suástica.



Essa impressionante história real, não tão distante no tempo assim, está contada em cerca de 20 minutos no vídeo abaixo, divulgado pela Revista de História da Biblioteca Nacional:


Aloyzio Silva, 89 anos de idade, sobrevivente.




sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Decisão judicial manda esterilizar deficiente mental

E quando você achava que a eugenia nazista era um fantasma preso num irrepetível passado remoto, eis que vem uma notícia do Estadão para te deixar boquiaberto. O horror, ah, o horror...:

Defensoria tenta reverter decisão de esterilizar mulher com deficiência

WILLIAM CARDOSO

A Defensoria Pública tenta reverter uma decisão judicial que determinou a realização de laqueadura em uma mulher de 27 anos, sem filhos, moradora de Amparo, no interior paulista. A sentença, de 2004, da juíza Daniela Faria Romano, veio após uma ação protetiva do Ministério Público Estadual, que levou em consideração o perfil socioeconômico e o fato de a mulher sofrer retardamento mental moderado para pedir a esterilização. Atualmente, ela tem namorado fixo. E sempre manifestou o desejo de, um dia, ser mãe.

Desde que foi alvo da decisão judicial, a mulher se submeteu a um tratamento contraceptivo, tomando injeções e usando um dispositivo intrauterino (DIU) para evitar a gravidez. Foi a forma encontrada para evitar a cirurgia. O DIU venceu no ano passado e a paciente se recusou a substituí-lo, por temer que seja feita a laqueadura durante o procedimento.

Diante da recusa da paciente em substituir o DIU, a juíza Fabiola Brito do Amaral, que cuida atualmente do caso, determinou em outubro que fosse cumprida a sentença de 2004. A laqueadura estava prevista para o dia 21 de dezembro, mas a mulher não foi encontrada, porque se escondeu em outra cidade, por temer que a encontrassem e fizessem a cirurgia que a impediria de se tornar mãe. Uma nova data será marcada para o procedimento.

Em 2004, não houve recurso e a decisão já transitou em julgado, dificultando qualquer manobra jurídica para contestá-la. Mesmo assim, a Defensoria Pública considerou absurda a sentença e apontou que ela contraria a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Ela é capaz segundo a lei e, mesmo que não fosse, os incapazes têm direito às escolhas existenciais de suas vidas. A esterilização sem critério não encontra fundamento. Na realidade, faz relembrar medidas drásticas de épocas não democráticas. Esterilização por pobreza ou por deficiência mental moderada não deve acontecer. Desrespeita a lei do planejamento familiar", disse a coordenadora assistente do Núcleo de Direitos Humanos, Daniela Skromov.

A defensora pretende acionar a Justiça em Amparo formalmente, por meio de uma petição, na tentativa de reverter a decisão que, na prática, condenou a mulher à esterilidade. "Isso ofende a dignidade da pessoa, ainda mais por ela não ter um filho e manifestar o claro desejo de algum dia tê-lo. Ter filho não é privilégio dos normais, senão se parte para a eugenia."

No decorrer do processo, a mulher demonstrou angústia, ansiedade e medo de passar pela esterilização, contra a qual se manifestou todas as vezes em que foi questionada pela Justiça. Ainda em 2004, ela disse que "mais para a frente", quando arrumasse um "namorado bom", pretendia ter um filho. Também afirmou que não era "uma cachorra para ser castrada". Parentes da mulher afirmaram que ela sempre teve uma disposição natural para cuidar de crianças.

Justiça. Promotor que responde atualmente pelo caso, Rafael Belucci afirmou que precisa saber em que circunstância se deu a decisão na época e que não tinha os detalhes do processo no momento. "Existem novos documentos que foram juntados pela equipe de saúde do município que vão ser analisados para saber da real necessidade da aplicação dessa medida."

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que as magistradas responsáveis pelo caso estão legalmente impedidas de se manifestar, pelo fato de o processo "tratar de interesse de incapaz e de dignidade humana, com trâmite em segredo de Justiça". Segundo o TJ, a magistrada que assumiu o processo atualmente "está apenas procurando cumprir a decisão judicial com trânsito em julgado referente à proteção da incapaz".



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