domingo, 11 de junho de 2017

Como a pobreza afeta o cérebro


A BBC Brasil responde essa questão:

Quatro maneiras como a pobreza pode afetar o cérebro

O nosso cérebro pode ser afetado pela pobreza?

Crianças que vivem em condições menos favorecidas apresentam, em geral, pior desempenho na escola.

A explicação pode estar na má alimentação, em situações de estresse no ambiente familiar ou na falta de atenção que recebem dos pais, entre outros fatores.

Um número cada vez maior de cientistas sugere, no entanto, que pode haver algo mais. Será que a pobreza pode mudar a nossa forma de pensar?

A BBC discutiu o tema a partir de quatro perspectivas com diferentes especialistas.

1. Sobrecarga mental

"Peça a um grupo de pessoas que memorize uma série de sete dígitos. Conseguem se lembrar da sequência 7, 4, 2, 6, 2, 4, 9?", propõe Eldar Shafir, professor de ciência comportamental e políticas públicas da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

"Enquanto você guarda os números em sua memória de curto prazo, tentando não esquecer, sua mente está literalmente cheia. Você tem menos espaço cognitivo para outras coisas", explica.

Grande parte do trabalho desenvolvido por Shafir sugere que viver em situação de pobreza, tendo que fazer malabarismo com os poucos recursos que se tem e constantemente preocupado em como pagar as contas no fim do mês, tem efeito semelhante a guardar sete dígitos na cabeça o tempo todo.

"Isso faz com que você se esqueça de outras coisas, você fica com uma atenção limitada", explica.

Para provar a ligação direta entre a pobreza e o funcionamento do cérebro, o professor realizou vários experimentos.

Em um deles, disse tanto a pessoas menos favorecidas quanto em boa situação de vida o que teriam que fazer para consertar o carro.

A alguns informou que o reparo custaria US$ 150 e a outros que ultrapassaria US$ 1.500, independentemente do status social.

Em seguida, os submeteu a uma série de testes cognitivos.

Ao analisar os resultados, Shafir observou que os ricos tiveram desempenho semelhante, independentemente do valor que tiveram que pagar.

Já os mais pobres tiveram melhor desempenho quando a conta era menor.

A diferença chegou a ser de 12 ou 13 pontos de quociente de inteligência (QI).

"É um número muito significativo, que pode fazer a diferença entre estar dentro da média ou ser superdotado, por exemplo".

O experimento de Shafir sugere que a inteligência pode ser afetada a curto prazo pela pobreza.

Mas podemos dizer que a pobreza provoca alterações cerebrais a longo prazo?

2. Mal funcionamento geral

"Adoro interagir com pessoas mais velhas", diz à BBC Adina Zeki al Hazzuri, professora da Universidade de Miami que investiga o impacto da sociedade sobre a nossa saúde.

Hazzuri pesquisa o envelhecimento cerebral. Ela acaba de concluir um estudo de acompanhamento de 3.500 adultos que tinham entre 18 e 30 anos em 1985.

Por duas décadas, os participantes da pesquisa informaram suas rendas.

"Queríamos medir a influência de um rendimento baixo no funcionamento do cérebro a longo prazo", explica.

As pessoas foram submetidas a três testes confiáveis ​​para detectar envelhecimento cognitivo.

"Constatamos que pessoas que viveram em situação de pobreza o tempo todo durante esses 20 anos tiveram resultados muito piores do que aquelas que nunca passaram por essa experiência", diz.

Hazzuri admite que é difícil estabelecer o que acontece primeiro: se o cérebro não funciona bem e, em seguida, fica-se mais pobre ou o inverso.

Para tirar essa dúvida, os pesquisadores fizeram outra análise tomando como base uma amostra só de pessoas com alto nível educacional e que estavam saudáveis ​​no início do estudo.

"A associação entre a pobreza e a função cognitiva se manteve", explica a professora. "Eu diria que a pobreza muda, sem dúvida, a forma como pensamos."

3. Freio ao desenvolvimento

E o cérebro das crianças?

"Corta o coração ver o impacto que a pobreza tem em uma criança", lamenta Katie McLaughlin, professora de psicologia na Universidade de Washington.

McLaugvhlin é especialista no estudo de crianças em seus primeiros anos de vida, quando o cérebro apresenta um desenvolvimento maior.

Ela concentrou parte de seu trabalho em orfanatos na Romênia, onde a situação das crianças era devastadora.

"Se pudermos entender como essa forma extrema de pobreza afeta o desenvolvimento do cérebro, talvez possamos aprender algo sobre o que acontece no cérebro de crianças que crescem na pobreza", diz.

Em sua pesquisa, McLaughlin observou como os cérebros de crianças que vivem em condições de vida precária são debilitados, especialmente em áreas que processam a linguagem complexa.

"Os circuitos neurais e as conexões projetadas para processar a informação, se não forem utilizados, desaparecem", explica. "Se isso acontecer de forma contínua e em larga escala, contribui para um estreitamento do córtex".

McLaughlin acrescenta que o enfraquecimento da massa cinzenta externa do cérebro de crianças de orfanatos da Romênia também foi observado em crianças de áreas pobres dos Estados Unidos.

A pesquisadora acredita que os cérebros das crianças romenas foram prejudicados por não receberem estímulos suficientes - talvez não se tenha conversado ou brincado com elas o bastante.

E, de certa forma, ela afirma que o mesmo deve ter acontecido com os jovens americanos em bolsões de pobreza.

A especialista reconhece, no entanto, que não há como garantir com certeza que haja uma relação de causa-efeito entre a pobreza e a deterioração do cérebro.

4. Existe uma evidência clara?

"Acho que há cada vez mais evidências para estabelecer a relação entre pobreza e mudanças cerebrais, mas é um campo de estudo relativamente recente ", diz Charles Nelson, professor de pediatria e neurociência da Universidade de Harvard.

Mas alguém já demonstrou que a pobreza causa mudanças no cérebro das pessoas, ou simplesmente se associa a pobreza a essas mudanças?

"O simples fato de não ganhar uma certa quantia de dinheiro não causa nada", diz Nelson. "É o que está relacionado à ausência de uma certa quantidade de dinheiro que parece causar (danos). Por exemplo, a falta de comida ou o fato de não ter acesso a um bom sistema de saúde ou o estresse elevado na família que pode levar à falta de cuidados".

Não há dúvida de que está crescendo o interesse da ciência em decifrar a relação entre a pobreza e o cérebro, mas já sabíamos que a pobreza é ruim para a nossa saúde. Qual seria então a novidade?

"As ferramentas (de pesquisa) estão mais sofisticadas e nos permitem avaliar o cérebro, algo que não se podia fazer há 10 anos", diz Nelson.

E mesmo que as conclusões sejam parecidas ao que notávamos empiricamente, o estudo é válido para chamar a atenção ao tema.

"A bonitas imagens do cérebro parecem ter mais impacto do que imagens de crianças famintas. Acho que as pessoas estão vendo que há um preço biológico a ser pago por crescer na pobreza", conclui Nelson.

Para finalizar, você lembra da sequência de sete dígitos?



sábado, 10 de junho de 2017

Ministro evangélico do TSE invoca profeta islâmico para rogar praga a adversários


Se não bastasse o fato do Brasil estar atravessando um show de horrores perpetrado pelas instituições que estariam - em tese - encarregadas de dar ao seu povo uma espécie qualquer de "normalidade institucional", ainda somos obrigados a ver e ouvir um juiz que se diz evangélico rogando praga muçulmana em rede nacional.

Não deixa de ser - no mínimo - estranho que alguém que se diga evangélico utilize um gestual típico do Estado Islâmico (cortar a garganta e/ou decapitar) invocando o profeta dos muçulmanos como seu, digamos, "vingador", como se vê no vídeo abaixo:


Ainda mais quando essa pessoa supostamente evangélica é uma alta autoridade judicial no Brasil.

Agora faça um exercício de imaginação e pense sobre o que ele realmente diria se fosse muçulmano radical.

Essa estranha junção de evangélicos, conservadores e gesto e praga próprios do Estado Islâmico prenuncia, portanto, uma era de densas trevas para o nosso país.

Que o Deus de Jesus Cristo nos livre de tal sina.

A matéria é do Zero Hora:

"Que sobre eles desabe a ira do profeta", diz Napoleão sobre delatores da JBS que o citaram

Ministro do TSE se irritou com durante julgamento na tarde desta sexta-feira (9)

Guilherme Mazui

Citado na delação da JBS, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho aproveitou a sessão do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da tarde desta sexta-feira (9) para fazer uma dura crítica aos delatores, aos vazamentos de informações e a notas e reportagens publicadas pela imprensa.

À Procuradoria-Geral da República (PGR), Francisco de Assis e Silva declarou no acordo que o advogado Willer Tomaz, preso na Operação Patmos, que Napoleão, que também é ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), teria intercedido em uma ação para beneficiar Joesley Batista e a empresa Eldorado Celulose. O magistrado nega qualquer interferência no processo.

— É mentira desse Assis, que disse isso para me incriminar em troca das benesses que recebeu. A delação está servindo para isso — protestou.

No desabafo, Napoleão contou que sua igreja evangélica, em Fortaleza, lhe perguntou sobre a OAS. Ele afirmou ter respondido assim ao pastor:

— Uma medida com que me medem serão medidos, e sobre ele desabe a ira do profeta. É uma anátema islâmica.

Napoleão não explicou o que significa o dito, mas fez gesto da "ira do profeta", simulando com a mão o corte de um pescoço.

— É o que eu desejo, que sobre eles desabe a ira do profeta. Sou inocente de tudo isso, estou sendo injustamente, perniciosamente, sorrateiramente, desavergonhadamente prejudicado.

Napoleão também negou estar envolvido em irregularidades da OAS. Conforme o jornal Valor Econômico, em busca de um acordo com a PGR, executivos da empreiteira mencionaram nomes do Judiciário, entre os quais o de Napoleão. Ele afirmou que tomou sete decisões no STJ referentes à OAS, todas contrárias à empresa.

— Um infrator confesso da legislação, da ética e da moralidade faz delação para receber benesses e cita o meu nome! Mentira! Nunca participei de reunião com ninguém da OAS .

Nos últimos dias, Napoleão já havia reclamado em plenário dos delatores. Em debate com o relator Herman Benjamin sobre a exclusão das provas da Odebrecht da ação da chapa Dilma-Temer, o ministro questionou a credibilidade e isenção dos colaboradores.

Napoleão ainda reclamou de nota publicada pelo site O Antagonista. Na manhã desta sexta-feira, o filho do ministro foi barrado ao tentar entrar no plenário do TSE de jeans e camisa polo, sendo que a regra exige paletó e gravata. O site noticiou que um homem "misterioso" tentava entregar envelope ao magistrado. Napoleão explicou que o envelope tinha fotos de sua neta, um bebê.

O ministro recebeu a solidariedade dos colegas. Presidente do TSE, Gilmar Mendes aproveitou para criticar os vazamentos e indicar que eles teriam origem na PGR. A retomada do julgamento também teve atrito com o vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino.

O procurador levantou o impedimento do ministro Admar Gonzaga, que foi advogado da campanha de Dilma e Temer em 2010. Para o representante do Ministério Público Eleitoral, a corrida ao Planalto de 2010 "estava contaminada tanto quanto" a de 2014. A questão foi rejeitada por unanimidade e gerou um bate-boca entre Dino e Gilmar.

— Ministério Público deve se pautar pelo princípio da lealdade processual. Ele não pode surpreender o tribunal. Não pode coagir — protestou Gilmar.



sexta-feira, 9 de junho de 2017

O dia em que um avião de carreira mudou seu voo para salvar uma vida


O acontecimento insólito e altamente inspirador aconteceu em 1978, quando a tripulação e os passageiros de um DC-10 da Air New Zealand não se importaram com o atraso de seu voo comercial para salvar Jay Prochnow, o piloto de um Cessna 188 que estava perdido e com pouco combustível no meio do Oceano Pacífico, sem saber para onde ir.

Esta pequena e interessante ilíada aérea é contada por Lito Souza em seu canal Aviões e Músicas do youtube:




quinta-feira, 8 de junho de 2017

Presidente do PSC jovem perde cargo após enviar "nudes"


PSC é aquele partido que se diz cristão e abriga na sigla muitos evangélicos como Pastor Everaldo (ex-candidato à Presidência da República) e o deputado federal Marco Feliciano.

A matéria é do BrasilPosts:

Presidente do PSC Jovem perde o cargo após enviar nude: 'Levarei na esportiva'

Na última segunda-feira, o PSC (Partido Social Cristão) anunciou o desligamento Caíque Marcatt do cargo de presidente do PSC Jovem. Recentemente, ele foi acusado por uma das coordenadoras do movimento Direita São Paulo de enviar fotos de suas partes íntimas durante uma discussão via Facebook, após Caíque ser duramente criticado em postagens do grupo militante.

(a troca de mensagens e a foto borrada podem ser vistos no link indicado acima)

Em nota, o partido “reafirma seus ideais cristãos democráticos e de profundo respeito ao ser humano” e informa que o advogado Samuel Oliveira (PSC-DF), até então secretário do PSC Jovem, passa a ocupar o cargo de presidente.

Nascido em Guarulhos (SP), Caíque tem 31 anos, e é filiado ao PSC desde 2006. Em 2010 atuou como líder do grupo jovem suprapartidário da campanha de Geraldo Alckmin na disputa a Governo do Estado.

Caíque, que é casado e tem filhos, vem ironizando nas redes sociais tanto a denúncia feita pela dirigente do movimento Direita São Paulo como também a decisão do PSC de afastá-lo de seu cargo.



Em uma postagem do Direita São Paulo, Caíque diz que vai levar a situação “na esportiva”: “Não precisa a intenção criminosa de vocês não vai me levar a tristeza e degradação como acontece com a maioria das vítimas desse tipo de crime que fizeram comigo, meu psicológico é mais forte do que vocês possam imaginar e levarei essa situação na esportiva, para vocês foi mais uma vitória para mim apenas um acontecimento”.

Há um mês, em seu Instagram, Caíque postou uma declaração de amor à mulher, com uma foto de seu casamento: “Em meu olhar brilha o desejo de estar sempre a seu lado”.





quarta-feira, 7 de junho de 2017

Irã é a bola da vez do Estado Islâmico


Parece que ódio para o Estado Islâmico é algo assim como um esporte a mais: eles entram em campo não importando o adversário.

Só que - neste caso - o "esporte" é matar...

A notícia é da Deutsche Welle:

Parlamento do Irã é alvo de ataque

Atiradores invadem sede do Legislativo iraniano, e homens-bomba atacam mausoléu do aiatolá Khomeini. "Estado Islâmico" reivindica os dois atentados, que deixam ao menos 12 mortos.

Homens armados invadiram nesta quarta-feira (07/06) o Parlamento iraniano em Teerã, enquanto outro grupo realizava um ataque simultâneo ao mausoléu do aiatolá Khomeini, a cerca de 20 quilômetros da sede do Legislativo.

Um parlamentar afirmou à emissora Irib que a invasão ao Parlamento foi realizada por ao menos quatro atiradores, armados com fuzis e uma pistola. Segundo a agência, um homem-bomba detonou explosivos no local.

A agência Irib citou um funcionário do mausoléu do líder revolucionário iraniano, dizendo que atiradores abriram fogo no local, onde uma mulher realizou um ataque suicida, detonando explosivos. Um jardineiro morreu durante a invasão, segundo informações da agência de notícias Isna.

O ministério iraniano da Inteligência, citado por uma emissora de televisão do país, atribuiu o ataque a grupos terroristas e afirmou que conseguiu deter um terceiro atentado. "Nesta manhã, dois grupos terroristas atacaram o Parlamento e o mausoléu do imã Khomeini. Membros de um terceiro grupo foram presos antes de realizarem um ataque", afirmou a emissora.

Mais de três horas após o início dos ataques, a imprensa local informava que o incidente no Parlamento estava encerrado e que quatro terroristas foram mortos no local.

Segundo a mídia iraniana, 12 pessoas morreram e 42 ficaram feridas nos dois ataques. Não está claro se os ao menos quatro agressores do Parlamento e dois suicidas do mausoléu estão incluídos no total de mortos.

O grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) assumiu a responsabilidade pelos dois atentados. A agência de notícias Amaq, ligada ao grupo, afirmou que "combatentes do EI atacaram o templo de Khomeini e Parlamento em Teerã". Esta é a primeira vez que o EI reivindica a autoria de um ataque em solo iraniano.



terça-feira, 6 de junho de 2017

Não gostou da tatuagem? Agora não adianta reclamar...



INSATISFAÇÃO COM RESULTADO DE TATUAGEM NÃO GERA RESTITUIÇÃO DO SERVIÇO

A 1ª Turma Recursal do TJDFT confirmou sentença do 1º Juizado Cível do Gama, que julgou improcedente pedido de restituição de valores e remoção de tatuagem julgada insatisfatória pela contratante. A decisão foi unânime.

A autora alega que em novembro de 2016 fez uma tatuagem com a parte ré, pelo valor de R$ 200,00, mediante pagamento à vista. Sustenta que a tatuagem ficou diferente do solicitado e que, por isso, necessita retirá-la. Assim, sob a alegação de que não foi possível solução consensual, requer a condenação da ré na restituição do valor pago pelo serviço e no custeio dos procedimentos necessários para a medida de remoção da tatuagem.

Em sua defesa, a ré argumenta que não houve falha no serviço prestado, uma vez que o desenho corresponde ao escolhido e aprovado pela autora, entendendo que na hipótese o que houve foi arrependimento posterior quanto à arte escolhida.

Segundo o juiz originário, "a partir da fotografia juntada aos autos, numa verificação superficial, não se vislumbra má qualidade no desenho realizado, o que realmente leva a crer que a parte autora se arrependeu. Assim, uma vez que, conforme o procedimento na realização do serviço de tatuagem, houve o consentimento da parte autora quanto ao resultado apresentado ainda no momento do esboço da arte, e ante sua ausência de interesse em realizar o retoque nas alegadas imperfeições por ela informadas, não há que se falar em dever de restituição do valor pago, uma vez que houve a efetiva prestação do serviço; bem como não tem a parte requerida o dever de suportar o ônus de procedimento de remoção da tatuagem, tendo em vista que não restou demonstrado que houve falha na prestação do serviço".

Desse modo, prossegue o juiz, "se agiu a parte autora sem a devida segurança em sua decisão na realização de um procedimento com resultados definitivos, incumbe a ela arcar com os ônus decorrentes do processo de remoção desejado".

Em sede recursal, o relator verificou que a autora não colacionou as provas devidas, pois a despeito de ter juntado foto da tatuagem que serviu de modelo, nas conversas de e-mail trocadas entre as partes restou claro que havia um pedido da autora de sombreamento na tatuagem. "Assim, conclui-se que não há uma total correspondência entre o modelo apresentado na foto e o que foi, de fato, solicitado pela autora", registrou.

Diante disso, o Colegiado negou provimento ao recurso, aderindo ao entendimento do titular do Juizado do Gama.

PJe: 0701927-20.2016.8.07.0004



segunda-feira, 5 de junho de 2017

TJRS absolve homem que tentou comprar sexo com menina de 11 anos

Alguma coisa muito estranha acontece com o nosso Judiciário, segundo mostra notícia publicada no Consultor Jurídico:

Tentar comprar sexo com menina de 11 anos não é favorecimento à prostituição infantil

Jomar Martins

Tentar comprar sexo de menor de idade uma única vez, sem nenhum contato físico ou ameaça verbal, não é crime de favorecimento de prostituição de crianças e adolescentes, tipificado no artigo 218-B do Código Penal. Assim decidiu a 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que, por maioria, manteve sentença que absolveu um homem denunciado depois de oferecer R$ 50 para fazer sexo com uma menina de 11 anos.

Segundo a sentença da juíza Graziella Casaril Tonial, da Vara Judicial da Comarca de Igrejinha, o "programa" só não se consumou porque a menina não aceitou a proposta. Mas a juíza entendeu que o fato narrado na denúncia não se amolda à conduta descrita no artigo 218-B — conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menor de 14 anos para satisfazer lascívia própria ou de outrem.

"Não restou demonstrada nos autos a habitualidade da conduta, de molde a induzir ou instigar a infante à prostituição ou outra forma de exploração sexual, que são atividades que se prolongam no tempo. Para caracterizar o delito em questão, [é] necessária a presença da habitualidade, o que não ocorre no presente feito", ponderou a julgadora. Como o fato denunciado não constituiu infração penal, como prevê o artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal, o réu foi absolvido.

Conduta reprovável

O relator da Apelação na 6ª Câmara Criminal, desembargador Ícaro Carvalho de Bem Osório, concordou com a juíza. Para ele, a conduta prevista por lei é submeter criança ou adolescente à prostituição ou exploração sexual. E este contexto exige relação de poder sobre a vítima, o que não ocorreu no caso concreto. Em síntese, apesar de o réu ter oferecido dinheiro em troca de sexo, não se pode concluir que tenha havido exploração sexual da menor.

"Ainda que na órbita moral se revele reprovável a conduta atribuída ao réu, que representa abordagem inadequada de um homem adulto a uma criança ainda em plena formação de seu caráter, a conduta do apelado não se amolda ao tipo penal denunciado que, como dito, exige habitualidade para se configurar", encerrou, sendo seguido pelo voto do desembargador Aymoré Roque Pottes de Mello.

Voto divergente

A desembargadora Bernadete Coutinho Friedrich discordou dos colegas e votou por condenar o réu por tentativa de estupro de vulnerável.

Ela reconheceu que a conduta descrita não se amolda ao tipo penal capitulado na denúncia oferecida pelo Ministério Público. "Essa conclusão não se dá por não ter restado demonstrada a habitualidade da conduta, na medida em que submeter a infante à prostituição ou outra forma de exploração sexual prolonga-se no tempo e, sim, porque caracterizada a prática de crime diverso", explicou no voto divergente.

Para a desembargadora, em se tratando de estupro de vulnerável, nem sempre há a presença real de grave ameaça ou violência. Há quem ofereça doces à vítima, faça "juras de amor" ou use de qualquer outro artifício para convencer a criança ou adolescente a praticar algum ato libidinoso. No caso dos autos, a estratégia foi a oferta de dinheiro.

Como a peça descreve uma atitude diferente do tipo penal apontado pela acusação, seria possível reclassificá-la, procedendo à emendatio libelli [corrigir acusação no aspecto da qualificação jurídica do fato], na medida em que a conduta descrita na denúncia permanece inalterada, afirmou a desembargadora.

Ela reconheceu que não é possível dar nova definição jurídica ao fato delituoso no segundo grau, como proíbe expressamente a Súmula 453 do Supremo Tribunal Federal. Entretanto, é possível, sim, finalizou, atribuir-lhe definição jurídica diversa, na forma do artigo 383 do Código de Processo Penal. Mas ficou vencida.

Clique aqui para ler o acórdão.



domingo, 4 de junho de 2017

Corpo de Garrincha some do cemitério

Garrincha driblou a vida e segue driblando a morte, ou vice-versa, ninguém sabe ao certo a ordem
da eternidade e genialidade dessas pernas tortas.

Coisas incríveis que acontecem no Brasil, segundo noticia o Extra:

Cemitério na Baixada Fluminense não sabe onde está sepultado corpo de Garrincha

Quando era vivo, o atacante do Botafogo e da seleção brasileira Manuel Francisco dos Santos, ou simplesmente Mané Garrincha, era impossível de ser marcado. Com seus dribles, deixava frequentemente os adversários no chão. Morto em 1983, aos 49 anos, em decorrência do alcoolismo, Garrincha foi sepultado no Cemitério municipal de Raiz da Serra, em Magé, na Baixada Fluminense. Agora, 34 anos após o funeral, o craque dribla, involuntariamente, quem procura por seus restos mortais.

Parentes de Mané e a Prefeitura de Magé confirmaram, nesta terça-feira, que não sabem onde está enterrado o jogador, bicampeão mundial na seleção. O caso gerou repercussão na imprensa esportiva internacional.

A administração do cemitério admite a hipótese de que os restos mortais de Garrincha possam até ter se perdido durante um processo de exumação. A Prefeitura de Magé vai bancar o exame de DNA nos restos mortais.

— Pelo que a gente pesquisou, não se tem certeza de que ele está enterrado. Houve uma informação de que o corpo foi exumado e levado para um nicho (gaveta no cemitério), mas não há documento da exumação — disse Priscila Libério, atual administradora do cemitério.

No local, existem duas sepulturas como o nome de Garrincha. A primeira é coletiva e fica na parte baixa do terreno. É o local onde originalmente Mané foi sepultado, além de outros parentes do craque.

A segunda fica na parte superior do cemitério. Distante 200 metros do primeiro túmulo, foi construída em 1985 pela Prefeitura de Magé, que marcou o ponto com um obelisco. Uma das filhas do jogador, Rosângela Santos diz que a família sofre sem saber onde Garrincha está sepultado:

— Meu pai não merecia isso

O corpo de Garrincha teria sido retirado, há cerca de dez anos, do túmulo onde originalmente foi sepultado. Segundo João Rogoginsky, de 70 anos, primo do jogador, outra pessoa da família morreu e precisou ser enterrada naquele jazigo. Ele foi informado, na época, de que a ossada do atleta foi retirada para ser colocada num nicho. Mas João não assistiu à exumação.

— Eu não vi. Só me disseram que haviam tirado e colocado num nicho na parte superior do cemitério. Não deram nenhum documento disso — afirmou.

A atual administração da Prefeitura de Magé descobriu, por acaso, que o destino do corpo é incerto. O prefeito Rafael Tubarão queria fazer uma homenagem ao craque, que completaria 84 anos em outubro. Ele procurou saber o local exato do sepultamento e recebeu da Secretaria de Ação Social um relatório de um recadastramento no cemitério, feito em anos anteriores, que dizia que o corpo tinha sido exumado. O documento se baseia em informações de João e Rosângela, que não presenciaram a exumação.

— Se a família concordar, faço exumação nas sepulturas. E um DNA para saber se algum corpo é o de Garrincha — concluiu Tubarão.

A sepultura onde Mané Garrincha foi enterrado originalmente, em 1983, tem pelo menos um erro de informação. A data da morte do jogador está incorreta. O craque morreu no dia 20/01/1983.

Na sepultura, a informação que consta é que ele morreu 20/01/1985, ou seja, dois anos após a data correta. A única semelhança é a de que as duas sepulturas onde consta o nome do craque estão em péssimo estado de conservação.

A filha de Garrincha disse que seu pai foi sepultado num jazigo que pertencia à irmã do jogador.

- Fui informada pelo cemitério que haviam tirado o corpo do meu pai do local onde havia sido sepultado. Era uma cova que pertencia a uma tia que também já morreu. Disseram que estaria num nicho, mas não se tem certeza de nada. Ninguém da família foi informado da exumação do corpo. É difícil para mim e para minhas irmãs não saber onde está o corpo do nosso pai - concluiu.



sábado, 3 de junho de 2017

Conhecido por sua música sacra, Bach também tinha um lado profano


A matéria é do Estadão:

Religioso, Bach via em música profana 
'divertimento do espírito'

Compositor criou mais música profana do que sacra em seus anos vividos em Leipzig

João Marcos Coelho*

A imagem que temos hoje de Johann Sebastian Bach (1685-1750) é a de um compositor capaz de introduzir estudantes na música com as tecnicamente fáceis Invenções a Duas e Três Vozes e o Pequeno Livro de Ana Magalena Bach, mas também de desafiar os maiores virtuoses com o Cravo Bem Temperado, sem esquecer a grandiosidade das 200 cantatas, da Missa em Si Menor e da Arte da Fuga, obra abstrata sem indicação de instrumentação.

Alfa e ômega para os músicos, Bach é o Himalaia do público. Sua imagem convencional é a do homem profundamente religioso que compunha uma cantata por semana como responsável pela música em um punhado de pequenas cidades espalhadas por um raio de cem quilômetros – carreira provincial que culminou na Igreja de Santo Tomás, em Leipzig, em seus derradeiros 27 anos.

Um retrato curiosamente desmontado por um dos maiores especialistas na sua música sacra, o inglês John Eliot Gardiner, responsável pela gravação de todas as cantatas, as paixões, a Missa e o Oratório de Natal. Sua devoção a Bach é tamanha que sua gravadora chama-se SDG, as iniciais da expressão que Bach costumava colocar no pé de seus manuscritos: Soli Deo Gloria. Mesmo num ritmo alucinante de gravações e concertos, comemorou seus 70 anos, em 2013, concluindo e lançando na Inglaterra seu livro Música no Castelo do Céu.

Herdamos do século 19 a imagem que temos de Bach, diz Gardiner, como o organista e compositor de cantatas, religioso por excelência. Alguns números desmentem isso: ele compôs, em 27 anos de atividade em Leipzig, 800 horas de música sacra; e 1.200 horas de música profana em dez anos à frente do Collegium Musicum. Numa peça publicada em 1738, Bach acrescentou ao costumeiro “Soli Deo Gloria” o seguinte: “Para a glória de Deus e o legítimo divertimento do espírito (...) se não se leva isso em conta, não há música verdadeira.”

O capítulo sobre o Bach profano o mostra divertindo-se semanalmente no Café Zimmermann, comandando uma orquestra para dar autênticos shows aos cultores da bebida que, então recém-chegada à Europa, era sinônimo de droga quase proibida. Bach interessou-se pela música profana por causa das constantes brigas com o Conselho da cidade, que lhe tolhia as iniciativas e cortava verbas. De outro lado, seus 20 filhos exigiam que ele se multiplicasse: comercializava instrumentos. Os shows no Zimmermann complementaram sua renda. Ele dirigiu o Collegium Musicum entre 1728 e 1737; nos dois anos seguintes foi “artista convidado” e em 1739 retomou a titularidade até 1741. Anualmente, fazia 61 apresentações no Café: no verão, das 16 às 18 horas, na parte externa, com as mesas ao ar livre; no inverno, à noite, na parte fechada. Para dar mais brilho, compôs as quatro aberturas orquestrais e adaptou para cravo solista concertos originais para violino de Antonio Vivaldi. Um dos hits bachianos era a Cantata do Café, música e versos deliciosos cantando o nirvana que proporcionava a novíssima bebida. Um pesquisador imaginou o repertório desses concertos: Bach esbanjando técnica no estonteante Prelúdio e Fuga em Dó Menor do Cravo (BWV 847); a Suíte para Orquestra em Ré Maior (BWV 1068); e o Concerto em Fá Maior para Cravo, Duas Flautas Doces e Cordas (BWV 1057), que nada mais é do que um arranjo do Concerto de Brandenburgo no. 4, com o próprio solando e liderando os músicos.

Este Bach profano revive no recentíssimo CD Bach Trios (Nonesuch), aventura fascinante de três músicos notáveis: o bandolinista californiano Chris Thile, 35 anos, que surgiu com o grupo de bluegrass progressivo Nickel Creek; o violoncelista Yo-Yo Ma, 61 anos, há décadas superstar que rompeu fronteiras artísticas; e o contrabaixista Edgar Meyer, de 56 anos. Três músicos de experiências, formações e personalidades muito diferentes, que comprovam o acerto da afirmação do jovem compositor californiano Timo Andres, 32 anos, em seu texto no encarte: “Junte aleatoriamente um grupo qualquer de músicos numa sala: independente de seus instrumentos, histórias pessoais e personalidades, eles vão acabar encontrando um fundamento comum tocando Bach.”

Como Bach, que intercambiava melodias em textos ora profanos, ora sacros, e brincava literalmente com todas as músicas do mundo europeu que o rodeava, este trio nos convida a um show bachiano num formato tipicamente barroco, o da trio sonata, em que dois ou três instrumentos melódicos eram acompanhados pelo cravo, que fazia a base harmônica (o chamado baixo contínuo). Aqui, o bandolim ora arpeja como o contínuo, por exemplo, no Prelúdio Coral para Órgão BWV 650; ora assume o comando melódico como no Vivace Inicial da Trio Sonata BWV 530 que abre o CD. O violoncelo de sonoridade ampla democraticamente dá bastante espaço ao bandolim, mas por momentos brilha de modo intenso, como em outro Coral para Órgão, BWV 639.

Tudo aqui é muito conhecido. As melodias frequentam o inconsciente coletivo. Talvez o ponto culminante da perfeita integração entre eles ocorra na Sonata BWV 1029, original para viola da gamba. Na seção central da fuga, uma linha contínua é tocada pelos três instrumentos sucessivamente, como se fosse uma corrida de revezamento, em que é perfeita a passagem do bastão (oops!, da melodia) de um para outro. Isto sim é música que alimenta a alma, como queria o “Soli Deo Gloria” de Bach. Mas sem esquecer que a música é também um “legítimo divertimento do espírito”. Pois só assim “há música verdadeira”.

*João Marcos Coelho é crítico musical e jornalista


Para o nosso deleite, "A Arte da Fuga", BWV 1080 - T. Koopman and T. Mathot:




Uma caricatura de leve para humanizar Bach.




sexta-feira, 2 de junho de 2017

Ateu, Flavio Migliaccio estreia peça em que "contracena" com Deus


A informação foi publicada no Estadão em 29/05/17:

Flávio Migliaccio evoca a própria trajetória na peça 'Confissões De Um Senhor De Idade'

Ator conjuga o estudo da Bíblia com a evocação de sua carreira, em peça em cartaz no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro

Daniel Schenker

RIO - Apesar dos quase 83 anos de vida e dos 60 de carreira, Flávio Migliaccio não pensava em falar sobre o seu percurso profissional no palco. “Esse desejo veio mais dos outros do que de mim. Mas acho que todo mundo deve contar a própria história”, afirma o ator, que evoca sua trajetória em Confissões De Um Senhor De Idade, em cartaz no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro.

Na verdade, esse espetáculo está sendo elaborado há bastante tempo. Além de abordar sua jornada, Flávio traz à tona um estudo sobre a Bíblia. O desafio foi juntar as duas esferas na dramaturgia. “Eu tinha que encontrar um personagem para conversar comigo. Por causa da minha idade, ninguém melhor que Deus, essa figura misteriosa que muitos acreditam existir”, explica.

Personagem de seu texto, Flávio é visitado por Deus (papel de Luciano Paixão), que propõe um pacto: se ajudá-lo a desvendar um estranho acontecimento no céu, receberá a vida eterna como recompensa. No plano da realidade, Flávio não ambiciona essa dádiva. “Não desejo a vida eterna. Se ocorrer, nada contra”, brinca. “Mas se for com esses políticos que estão hoje por aqui, prefiro não”, declara. Assumidamente ateu, Flávio escolheu Deus para contracenar. “Num dado momento do texto, Deus indaga: ‘como vou estabelecer um pacto com alguém que não acredita em mim?’ Entretanto, ele propõe e eu aceito.”

Nesse projeto repleto de questões pessoais, Flávio decidiu acumular funções – de ator, diretor, dramaturgo, cenógrafo e figurinista (essa última, em parceria com Paixão). “Não consigo distribuir. Não que os outros não tenham capacidade. Mas é que quero saber de tudo”, garante. Esse comprometimento com as diversas etapas do processo talvez esteja ligado às circunstâncias da vida de Flávio, que precisou transitar por diferentes profissões para sobreviver – ocupações relacionadas ou não à atividade artística. “Fiz claque para Dulcina e Odilon. Ria e aplaudia os dois”, lembra, referindo-se a Dulcina de Moraes e Odilon Azevedo. “E fiz o mesmo para Ronald Golias.”

O espírito empreendedor remete ainda ao início de sua carreira, no Teatro de Arena, companhia de perfil politicamente engajado, que marcou oposição ao padrão europeu de encenação do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) por meio da valorização de montagens destituídas de produções luxuosas, concebidas a partir de proximidade geográfica com o espectador (determinada pela disposição da arena) e centradas em uma dramaturgia nacional voltada para o cotidiano dos menos abastados.

Flávio pertenceu ao elenco da histórica montagem do Arena para Eles Não Usam Black-Tie – peça de Gianfrancesco Guarnieri, dirigida por José Renato em 1958 –, centrada no conflito entre pai e filho, portadores de visões de mundo contrastantes, em relação à greve na fábrica onde trabalham. A encenação lançou Dirce Migliaccio. “José Renato perguntou se eu não tinha uma irmã para interpretar uma menina na montagem e eu chamei Dirce”, relata.

Dirce, portanto, começou por acaso, assim como Flávio, que, antes do Arena, teve um primeiro contato com o teatro na igreja. “Fui expulso do seminário, onde estava estudando para ser padre. Acabei assistindo a uma apresentação na igreja. Quando terminou, disse para o ator principal que poderia fazer o trabalho dele. Ele respondeu: ‘então faz porque eu não aguento mais’. Não fosse isso, provavelmente nunca teria me tornado ator”, observa.

No Arena, Flávio passou a escrever. Os Seminários de Dramaturgia geraram textos assinados pelos integrantes do grupo – no caso de Flávio, Pintado de Alegre. Ao longo dos anos, não abandonou a dramaturgia. Há certo tempo montou uma elogiada peça de sua autoria – Os Ratos do Ano 2030 –, na qual dividiu a cena justamente com Dirce.

No novo espetáculo, Flávio também destaca alguns de seus feitos na televisão, campo onde se firmou. “Digo que gostaria de ter sido galã de novela. Mas sempre fui convidado para fazer o tio do personagem que namora a mocinha. De qualquer modo, consegui adaptar o meu estilo de representar ao da TV”, avalia. Dotado de jovialidade, Flávio Migliaccio é um senhor cheio de histórias para revelar ao público.



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Por que não existem pessoas em situação de rua na Finlândia?


A matéria é da BBC Brasil:

Como a Finlândia conseguiu tirar da rua 
e reintegrar os sem-teto

Londres, Berlim, Paris e outras grandes cidades dos países mais prósperos da Europa têm algo em comum: tentam, sem sucesso, conter ou reduzir o número de sem-teto em suas ruas.

A cena de pessoas desabrigadas dormindo nas ruas ainda faz parte do cotidiano destas sociedades que, apesar de terem sistemas de bem-estar social robustos, não conseguem tirar das ruas e reintegrar os sem-teto na sociedade.

Mas há uma exceção.

A Finlândia é apontada como o único país da União Europeia (UE) que resolveu a questão dos sem-teto.

Problema internacional

A Feantsa, organização que promove o direito à moradia na UE, descobriu que todas as nações do bloco, com exceção da Finlândia, enfrentam uma crise de falta de moradia disponível para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Uma investigação parlamentar no Reino Unido identificou, por exemplo, que o número de moradores de rua na Inglaterra aumentou 30% entre 2014 e 2015.

A Feantsa calcula, por sua vez, que a Dinamarca registrou um aumento de 75% no número de jovens sem-teto desde 2009. Em Atenas, capital grega, a organização estima que uma em cada 70 pessoas durma ao relento.

E como a Finlândia conseguiu ser bem sucedida ao buscar uma solução para o problema?

A estratégia de apoio aos sem-teto que o país nórdico oferece é generosa.

Muitos países apresentam soluções de moradia temporárias e condicionais aos moradores de rua.

Já a Finlândia oferece a eles, desde o início, habitações permanentes, sem impor condições. Concede ainda assistência social para ajudá-los a colocar a vida nos eixos, lidando com questões como vício em drogas e desemprego.

"Começamos concedendo a eles um apartamento com um contrato que lhes dá os mesmos direitos que qualquer inquilino. E, se eles precisam de mais apoio, também é oferecido", diz à BBC Juha Kaakinen, gerente da Fundação Y, que oferece 16.300 moradias a sem-teto na Finlândia.

Rentável

A fundação diz que esta abordagem de conceder habitação permanente é mais eficaz do que abrigos temporários, usados ​​em muitos outros países, uma vez que são computados todos os custos sociais que este programa ajuda a evitar.

"Muitos desabrigados não precisam de ajuda extra. Mas é importante que, se for necessário, eles possam obter", acrescenta.

Segundo Kaakinen, há muitas razões que levam uma pessoa a acabar vivendo nas ruas.

"Uma delas é a falta de habitação a preços acessíveis, outras são razões econômicas, divórcio e muitos outros fatores, a que estão sujeitos os seres humanos", diz.

O executivo explica que a intervenção para ajudá-los deve acontecer o mais cedo possível.

"Se você permanecer nesse estado por muito tempo, é provável que apareçam novos problemas. Por isso, é importante atacar a questão o mais rápido possível".

Há pessoas na rua

Podemos dizer então que a Finlândia está satisfeita com os resultados alcançados? O problema foi definitivamente resolvido?

"Certamente vamos continuar com nossos esforços", afirma Kaakinen.

Segundo uma estimativa, cerca de 7 mil pessoas estavam em situação de vulnerabilidade na Finlândia​​, em 2015, devido à falta de um lar permanente.

"Enquanto houver uma única pessoa sem teto no país, será muito. A Finlândia já não tem gente dormindo nas ruas, mas tem pessoas desabrigadas vivendo temporariamente com a família e amigos. Vamos continuar tentando acabar com o fenômeno por completo", diz Kaakinen.



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