Adágio em Sol Menor, de Tomaso Albinoni
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Clássicos Eternos - 1
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Hélio Pariz
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Clássicos Eternos - 1
2009-09-03T20:45:00-03:00
Hélio Pariz
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
As crônicas de Marvin - 15
9 de setembro de 2051, 19:00
Depois de muitos dias de ócio, era tempo de fazer alguma coisa responsável. Bem, pelo menos para mim aquilo não despertava tanta responsabilidade assim, mas eu tinha que continuar levando o plano adiante. Pelo menos eu teria a chance de fazer um enorme bem naquele dia.
E que dia... Tudo parecia misteriosamente mais alegre. A seca dava seus últimos suspiros, e a cidade empoeirada agradecia. Mas nada se comparava com o sentimento de ser querido por alguém.
O salão do Reino já estava cheio. Pessoas de diversas partes vieram para presenciar o discurso inédito de Estêvão. Eu já estava prevendo alguma coisa estranha durante esta reunião. Mas antes de iniciá-la, eu tinha que proceder conforme o plano. Eu tinha que checar se tudo iria correr bem. Afinal de contas, não havia participado de uma perseguição de motos à toa. Assim, antes de entrar, fiz questão de conversar com aquela mulher...
- Posso confiar em você? – disse a ela.
- Sim, claro... Seu segredo está bem guardado.
- Muito bem. Eles não podem saber que estou manipulando a Torre... Se queremos acabar com ela, teremos primeiro que convencer seus membros que tudo que ela pregou sobre si mesma é errado.
- Tudo bem, eu entendo... Mas é preciso mesmo mentir para eles?
Por um instante, observei sua fisionomia. Ela parecia muito preocupada, como se travasse uma verdadeira batalha moral.
- Elizabete... eu sei o que você está pensando... e sei que você deve estar considerando, como as TJs, que a mentira seja totalmente imoral. De fato, eu concordo plenamente com isto... Mentir nunca foi bom. É por isto que é sempre uma escolha complicada... Mas antes de analisar apenas a mentira, por que não vemos também as intenções? Estamos mentindo para prejudicar ou para ajudar?
- Eu não sei... mas do ponto de vista deles, nós os estamos prejudicando...
- Sim, vendo por este lado, sim. Mas mesmo que estivéssemos prejudicando, em qual das duas escolhas estaríamos fazendo maior mal? É melhor deixar uma pessoa sofrendo as angústias da solidão até que ela deseje a própria morte, ou enganar todos sobre suas convicções?
- Humm... talvez enganar todos...
- Olha, infelizmente nem sempre temos as melhores alternativas para escolher... Ainda mais em um mundo onde há sempre alguma coisa errada para ser corrigida... Não vivemos em um mundo ideal e muitas vezes o fato de não vivermos em um mundo ideal nos impede de tomar escolhas ideais. Isto porque as nossas escolhas ideais acabam trazendo um mal bem maior do que outras escolhas que reputamos como imorais, inaceitáveis... É difícil, eu sei. O fato é que um bom juiz, alguém que possa julgar nossos atos com justiça, deveria ser alguém que tenha acesso aos nossos pensamentos mais íntimos, que possa de fato dizer nossas reais intenções. Tudo que podemos é julgar as aparências, e a mentalidade de tomar estas aparências como a única coisa a ser julgada é que gera fariseus, nazistas ou preconceituosos. Mas nós conhecemos nossas intenções. Nós podemos saber que elas são boas e por isto podemos ter a mente tranquila. Ter a mente tranquila porque embora estejamos fazendo algo que não seja bom à primeira vista, estamos buscando um final que seja o melhor possível...
Assim ela voltou a sorrir, concordando em parte com o que eu disse... Eu também não poderia exigir que ela concordasse completamente comigo. Mas já estava contente por tê-la alegrado.
- Muito bem, Elizabete... Vamos... Eu te anuncio, e você fará o que combinamos antes, certo?
- Está bem... Marvin?
- Sim?
- Não pude deixar de notar... Você de repente me falou de juiz...
Sorri levemente para ela...
- Eu não sei o que dizer... Às vezes sou mais religioso mesmo... Mas não sei te dizer o que sou.
Acompanhei-a até perto do salão. Alguns dos moços que ficavam de fora para olhar os carros, ou cuidar das pessoas que chegavam durante o discurso nos olhavam meio apreensivos. Em certo ponto, deixei a Elizabete e me dirigi ao púlpito. O irmão Osvaldo então anunciou:
- Irmãos, hoje antes do discurso de nosso irmão Estêvão, teremos um pronunciamento do irmão Marvin.
Assim, subi até a frente. Cumprimentei o irmão e me aproximei do microfone. Logo algum jovem se aproximou, para ajustar a altura dele. Todos me olhavam atentamente. Amanda estava lá no fundo, e rapidamente trocamos olhares. Tudo em mais alto sigilo.
- Irmãos, boa noite.
- Boa noite. – disseram em coro.
- Bem, depois de algumas visitas às casas dos irmãos, eu fiquei comovido com a situação de uma irmã. Por isto resolvi ajudá-la. Devo confessar que não foi uma tarefa muito simples.
Todos ficaram mais curiosos.
- Irmã Ana Clara?
Ela, no meio do salão, me olhava assustada, tentando entender o que se passava.
- Sim? – dizia ela, se levantando.
Um jovem corria com outro microfone para o lado dela, enquanto eu continuava.
- Irmã, se não me engano, sua filha abandonou a organização há três anos, não é mesmo?
- Isto mesmo... – dizia ela triste, acabando de pegar o microfone.
- Bem, eu fui à casa dela, para conversar.
Então todos ficaram surpresos.
- Você foi à casa da minha filha?
- Sim. E conversei com ela sobre várias coisas. E nossa conversa foi tão produtiva que ela resolveu voltar para a organização. Por isto estou aqui anunciando a volta de sua filha Elizabete, que está na porta do salão...
Evitei cuidadosamente a palavra arrependimento. De fato, depois de nossa conversa ela resolveu voltar para a organização, não por arrependimento, mas por amor à sua mãe. Uma conversa que eu teria que ter a sós com ela. Não poderia me dar ao luxo de espiões me bisbilhotanto enquanto revelava todo meu plano para Elizabete. No fim, tudo valeu a pena. Aquela senhora tristonha já não se cabia de felicidade. Faltavam-lhe as palavras, e de fato eram desnecessárias ali. E muito embora a grande maioria das pessoas ali presente não desse a mínima para aquela senhora, todos se comoveram diante daquele abraço, do choro de saudade. A felicidade é contagiosa.
Enquanto eu descia do púlpito, Estêvão subia. Ele não pôde evitar o comentário.
- Ei, ótimo trabalho.
- Muito obrigado. – respondi com um sorriso.
Mesmo que eu não controlasse a Torre de Vigia, eu saberia que tal ato sairia todo ano em uma Sentinela. Ajuda a excitar os ânimos de todos. Fui caminhando até o fundo, onde me sentei ao lado de Amanda.
- Foi incrível o que você fez... – disse ela, sem me olhar.
- Ah, obrigado. – respondi da mesma forma.
E agora, eu ficava me imaginando que tipo de discurso faria o Estêvão. Conhecendo a peça, eu imaginava que não seria boa coisa. Ele fez questão de não comentar qual seria o tema do discurso nem mesmo comigo. Assim, o irmão Osvaldo tomou o microfone e anunciou:
- Irmãos, aproveitando o clima de alegria, vamos agora escutar um discurso bíblico feito pelo irmão Estêvão. O título será revelado por ele.
Assim, o irmão Osvaldo desceu do púlpito e foi ao seu lugar, enquanto o Estêvão tomava o microfone. Aguardou um pouquinho enquanto um jovem ajustava a altura do microfone. A ansiedade tomava conta de mim... O que ele iria aprontar?
- Muito bem, irmãs e irmãos. Desejo a todos uma boa noite. Gostaria agora de iniciar o discurso público entitulado, “Água encanada, é para os cristãos?”.
- Quê????????? – exclamei imediatamente, com a surpresa.
Todos me olharam no mesmo instante, como se eu tivesse dito o que todo mundo queria dizer...
- Ahhh, puxa, que ótimo tema!!! – exclamei com um sorriso amarelo.
Mas que raios de discurso o Estêvão queria fazer? Ele ficou louco? Então Estêvão retomou seu discurso...
- Irmãos, é notório que vivemos nos últimos dias deste atual sistema de coisas. Por isto mesmo, devemos sempre nos examinar, para sabermos se caminhamos ainda na fé. O mundo está sempre tentando impor seus costumes a nós cristãos. Devemos agradecer a Jeová Deus por estar sempre nos orientando através de sua Organização na Terra, o Escravo Fiel e Discreto.
Ele deu um breve intervalo aí, para dar mais um suspense... Uma introdução genérica, eu diria.
- Bem, hoje decidi alertar os irmãos sobre mais um ponto que devemos prestar bastante atenção. Este diz respeito à toda infra-estrutura que o mundo nos oferece.
Infra-estrutura?
- Gostaria de chamar a atenção para um dos luxos que a modernidade nos oferece, e que tem acarretado muitos danos ao homem: a água encanada.
Mas o que ele está falando?? Pirou mesmo.
- Será que os homens fiéis usavam água encanada? Vamos verificar isto na palavra de Deus, a Bíblia...
Estou começando a entender agora o que Estêvão quer fazer. Ele quer se aproveitar da extrema falta de capacidade de analisar um fato dentro de seu contexto histórico, que as testemunhas de Jeová possuem. Sim, de fato elas cometem sérios anacronismos sem nem mesmo ficarem envergonhadas...
- Vamos abrir a Bíblia em Gênesis, capítulo 26, versículo 18.
Logo se ouvia o barulhinho de folhas virando. Quando este estava bem menor, Estêvão continuou:
- O texto diz: “E Isaque passou a cavar novamente os poços de água que tinham cavado nos dias de Abraão, seu pai, mas que os filisteus haviam tapado depois da morte de Abraão; e voltou a dar-lhes por nomes os nomes que seu pai lhes dera.”
Então Estêvão fechou o livro e continuou...
- Como os irmãos podem ver, antigamente se usava poços, e não água encanada ou trazida por aquedutos. É interessante notar que o uso de aquedutos era muito difundido entre os pagãos, alcançando seu maior desenvolvimento entre os romanos, povo que não só cultuava toda sorte de deuses, mas também perseguiram por muito tempo os cristãos. Finalmente quando um imperador romano se tornou cristão, Constantino, ele pôde introduzir vários costumes pagãos. Inclusive o uso de água encanada.
Podia-se ver a cara de surpresa de todos os irmãos no salão. Mas também, o pobre do Constantino já levou culpa de mais coisas do que o próprio diabo. Era só falar no nome dele, e todo mundo passava a valorizar mais o discurso.
- Até os dias de hoje, pode-se ver o fascínio pelos aquedutos romanos. Falando sobre a cidade de Segóvia, a famosa enciclopédia chamada “Desciclopédia” trata do tema dos aquedutos, com as seguintes palavras: “O Aqueduto de Segóvia é praticamente a única coisa conhecida pelos próprios moradores dentro da cidade”. Esta enciclopédia ainda completa, dizendo: “Mas como sem ele Segóvia se torna um lugar inútil, ele continua existindo”. Como vocês podem ver, a influência do aqueduto é tão grande, que chega a transformar uma cidade inteira, que se vê inutilizada sem o tal aqueduto. É um grande desrespeito ao que diz as Escrituras em Deuteronômio capítulo 6, versículo 5: “E tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força vital. 6 E estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração”.
Putz... Ele pegou o jeito jeovista de fazer discursos direitinho... O pior de tudo é que ninguém desconfiou de nada ainda...
- Irmãos, o uso de aquedutos não era praticado nem mesmo nos tempos de Jesus. Pois o que podemos ler? Vamos abrir nossas Bíblias no evangelho de João, capítulo 4, versículo 6.
Mais uma vez o som das folhas. Quando este diminuiu, Estêvão continuou.
- O texto diz: “De fato, ali se achava a fonte de Jacó. Ora, Jesus, cansado da jornada, estava sentado junto à fonte, assim como estava. Era cerca da sexta hora”.
Esperou então os irmãos voltarem suas atenções para ele.
- Como vocês podem ver, Jesus aproveitou a ocasião de estar em uma fonte, para evangelizar. Imaginem vocês quantas pessoas deixam de ser evangelizadas de forma igual hoje, depois da invenção romana?
Era um raciocínio meio doido, mas ninguém fez nenhuma objeção... Afinal ele era um “profeta”...
- Mas irmãos, não vamos nos limitar a este texto. Por favor, vamos ler o texto de Gênesis capítulo 24, versículos 13 e 14...
Mais uma vez o barulhinho de folhas.
- O texto diz: “Eis que me acho de pé junto a uma fonte de água e vêm saindo as filhas dos homens da cidade para tirar água. O que tem de acontecer é que a moça a quem eu disser: ‘Por favor, inclina o teu cântaro para que eu possa beber’, e que deveras disser: ‘Bebe, e darei de beber também aos teus camelos’, esta é a que tens de determinar ao teu servo, a Isaque; e deste modo deixa-me saber que usaste de amor leal para com o meu amo”. Agora, irmãos, imaginem se naquela época houvesse apenas aquedutos. Aquele pobre escravo morreria procurando uma esposa para Isaque, e não encontraria jamais!! Com isto a promessa feita por Jeová não se cumpriria. Como o povo de Deus seria prejudicado com isto!
Todos olharam mais uma vez, assustados. O que seria deles agora?
- Então, irmãos, acredito que o uso de água encanada nos dias atuais nada mais é do que um costume bárbaro habilmente introduzido por Satanás, o diabo, para nos fazer cada vez mais distantes uns dos outros. Jesus mesmo disse em João, capítulo 17, versículos 20 e 21 que “Faço solicitação, não somente a respeito destes, mas também a respeito daqueles que depositam fé em mim por intermédio da palavra deles; fim de que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em união comigo e eu estou em união contigo, para que eles também estejam em união conosco, a fim de que o mundo acredite que me enviaste”. Se não estamos unidos, como o mundo acreditará nisto?
Eu via mais rostos assustados ainda...
- Irmãos, depois de todas as informações dadas aqui, acredito que seja questão da consciência de cada um adotar o proceder correto. Boa noite.
Puxa vida, esta história de consciência mata qualquer um de raiva...
Despedindo-se então, Estêvão desceu da tribuna, enquanto o irmão Osvaldo se dirigia ao microfone. Dava para ver ele engolindo seco, ansiando por água de poço, antes de informar o próximo evento.
- Irmãos, passemos agora para o estudo da Sentinela...
O estudo foi normal como qualquer outro estudo da Sentinela... O discurso foi estranho, eu diria. E certamente foi sarcástico, bem no estilo do Estêvão. Ele parece ser o tipo de pessoa que não mede esforços para fazer alguma coisa.
No fim da reunião, o Estêvão veio me chamar em um canto. Achei aquilo estranho, mesmo assim fui para lá.
- Marvin, alguma coisa errada está acontecendo...
- O que houve, Estêvão?
- Acaba de chegar uma carta de Betel...
- Uma carta de Betel?
Me lembrei então que ali havia algo muito suspeito acontecendo...
- Mas o que diz esta carta?
- Não sei ainda, mas o Osvaldo vai ler agora lá na frente.
De fato, o irmão Osvaldo já estava lá na frente, com a carta nas mãos. Olhávamos atentamente para ele, enquanto ele anunciava:
- Irmãos, gostaria agora de anunciar a leitura de uma carta de Betel, enviada para nós. A carta diz: “Caros irmãos, como é de conhecimento de todos, há algum tempo lançamos uma ordem para localizar e comunicar aos anciãos sobre qualquer pessoa que tenha esboçado dúvida sobre o ensino do Escravo acerca de Jesus Cristo. Aqueles que tivessem alguma dúvida sobre o assunto, deveria ser sabiamente repreendido. Achamos por bem mudarmos a forma de repreensão, para demonstrar maior amor com os irmãos novos na fé. Por este motivo, não deverão mais ser desassociados os irmãos que apresentarem tais dúvidas, mas que seus privilégios sejam retirados, e novos estudos sejam conduzidos a eles.”
Assim muitos irmãos ficaram felizes com a notícia, alguns não gostaram muito.
- Você ouviu isto, Marvin?
- Sim, claro!!!
- E por que você fez isto?
- Ei, eu não fiz nada... Como é que eu anularia meu próprio plano?? Tem uma coisa muito errada nesta história!
- Claro que tem... E é melhor descobrirmos logo...
Eu tinha desconfiado de Estêvão, mas agora ele me parecia muito sincero...
- O negócio é o seguinte... Há algo de errado acontecendo em Betel. E diante da situação, acho que seja melhor a gente fazer uma visita àquele lugar imediatamente.
- É... Eu também concordo...
Ponto de vista alternativo, 10 de setembro de 2051, 00:00
Em uma sala escura, em algum lugar da cidade, alguns homens se encontravam mais uma vez. Desta vez não parecia estarem todos ali, já que a reunião havia sido convocada de última hora.
- Senhores, nosso encontro aqui hoje não será muito demorado. Na verdade, tenho apenas um anúncio a declarar.
- Hummm, o que seria, Moshe? Foi hoje que nossa carta foi lida em todas as congregações, não é?
- Sim, mas não é isto que gostaria de comentar com vocês... Gostaria de dizer que o jovem Marvin está decidido a nos fazer uma visita...
- Quer dizer que ele está vindo?
- Sim.
- Você tem certeza? – disse outro vulto.
- Claro... Nosso espião ouviu ele dizer isto... Em breve estaremos cara a cara... Não esperava que ele viesse aqui, mas já que ele se dispôs... Melhor para nós...
- Finalmente poderemos descobrir como ele faz aquilo... – disse um dos vultos.
- Sim. Portanto estejam preparados...
- Certo, Moshe. – disseram juntos.
- Mais uma coisa... Noah, acredito que você seja a melhor pessoa para recebê-lo. Você faria as honras??
Em um canto da sala, aquela figura enigmática parecia contente com isto.
- Mas é claro, Moshe. Tenho certeza que ele me contará tudo...
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Gustavo
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20:17
As crônicas de Marvin - 15
2009-09-02T20:17:00-03:00
Gustavo
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Dica quente de Cuiabá
Saiamos um pouco da rotina e falemos de coisas gostosas. Passei o último fim de semana na torridamente bela Cuiabá, para uma festa de família, e no almoço de sábado fomos ao Lélis Peixaria, o paraíso na terra para quem, como eu, gosta de saborear um bom peixe. O rodízio de peixes pantaneiros é, digamos, uma experiência mística, sem medo de exagerar. Nada melhor do que deliciar-se com pacu, pirarucu, matrinchã, piraputanga, pintado, dourado, etc., preparados das mais diferentes (e deliciosas) maneiras, num restaurante que valoriza a região em que está inserida. Não deixe de degustar o kibe de peixe da entrada e não se anime demais, porque é fundamental comer pequenas porções de tudo. Sempre há ótimas surpresas a caminho. Mesmo assim, não haverá espaço para tanto, é bom se conformar desde já. Para quem não tem o privilégio de visitar Cuiabá, eles têm uma filial em São Paulo, chamada Siá Mariana, na Rua Amauri, 517 - Itaim, que tem este nome provavelmente para evitar confusões com a Lellis Tratoria, que tem uma proposta italianamente diferente. Não conheço ainda, mas pretendo visitá-los em breve. Só assusta um pouco o endereço da Rua Amauri, que sempre vem acompanhado de preços salgados. Entretanto, já que a clientela é mais exigente, o atendimento de São Paulo deve ser melhor do que o de Cuiabá, onde os garçons até que dão conta do recado, mas fica no ar uma certa dose de má vontade, que talvez se justifique pelo calor que faz lá fora do restaurante. Nada que o manjar dos deuses cuiabanos - a farofa de banana da terra - não te faça perdoar qualquer deslize.segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A janela do coração
Leitura bíblica: Mateus 6:16-18; Atos 13:2-3; 14:23Versículo-chave: “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas” (Mateus 6:16)
Meditação: O rosto é a janela do coração. Ou devia ser. No mundo dos cosméticos e da cirurgia plástica, nem sempre podemos ver através dessa janela. O que é ainda mais sério, muitos desenvolvem certo dualismo, de modo que o rosto passa a contradizer o coração. Demonstramos esse fato quando nos encontramos tristes e fingimos estar alegres. Mas também é verdade quando não expressamos no brilho do rosto a alegria que estamos sentindo. O conduto de nossa mensagem é o que se encontra em nosso rosto, não em nossas palavras. Muitas vezes o rosto nega a fé. O rosto pode ser uma apresentação a Cristo ou uma negação do que ele poderia significar nas vidas dos outros. Quem é que gostaria de conhecer a Cristo pessoalmente pelo que se encontra no rosto do leitor?
Examinaremos o ensino do jejum, da perspectiva dos fariseus. Alguns deles desfiguravam o rosto ou lançavam cinza sobre a cabeça para que o povo soubesse que estavam jejuando. O jejum devia tê-los levado para mais perto de Deus e, assim, dado um brilho em seu rosto. O propósito do jejum fora tão distorcido que era identificado por um rosto triste. Haviam perdido a alegria. Isso nos leva a perguntar: Qual deve ser a aparência de nosso rosto uma vez que falamos com Deus?
Em hebraico, a palavra para “rosto” e “presença” é a mesma. Quando o Senhor fez a seguinte promessa a Moisés: “A minha presença irá contigo” (Êxodo 33:14), também queria dizer: “Meu rosto irá contigo”. Próximo ao fim do seu ministério, Moisés deu uma bênção que incluía a segurança de que a face de Deus brilharia sobre o povo. A face de Deus em Cristo é a fonte do brilho de nossos rostos.
Pensamento do dia: “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti” (Números 6:24-25)
(Lloyd John Ogilvie, em “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 30 de julho)
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Hélio Pariz
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12:08
A janela do coração
2009-08-31T12:08:00-03:00
Hélio Pariz
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Âncoras seguras na tempestade
Leitura bíblica: Atos 27:27-44
Versículo-chave: “E, receosos de que fôssemos atirados contra lugares rochosos, lançaram da popa quatro âncoras, e oravam para que rompesse o dia.” (Atos 27:29)
Meditação: Quais são suas âncoras na tempestade? O que, em seu interior, estabiliza o navio da vida em meio aos ventos cortantes da dúvida, do mar amargo da dor, das rochas afiadas da tentação? É o que nos acontece na tempestade, não na calma ou na tranqüilidade dos portos da vida, que testa a nossa fé.
Paulo partiu para Roma sob a guarda romana. Na viagem de Creta a Malta, um vento nordeste, chamado Euro-aquilão, soprou das montanhas de Creta, apanhando o navio e atirando-o à deriva por vários dias. Só Paulo tinha confiança em meio ao desespero. Enquanto o navio vagava ao léu, perto da costa de Malta, os marinheiros lançaram sondas e, temendo dar contra as rochas, abaixaram quatro âncoras. E Paulo orava para que despertasse o dia. A vida é assim. Que quatro âncoras seriam capazes de estabilizar nossa alma no mar turbulento do tempo? Paulo possuía mais que âncoras físicas. Em oração, ele lançou as verdadeiras âncoras da vida.
Ele tinha a âncora da confiança na ajuda presente de Deus. Mediante o seu ministério, Deus havia sido fiel em cada crise. Paulo podia confiar nele agora. A seguir, ele tinha a âncora da esperança. A esperança de Paulo estava firmada no Senhor da história, que o havia ajudado a atravessar fielmente cada dificuldade. O salmista tinha razão: “Espere no Senhor”.
Mas Paulo também tinha a âncora do propósito. Ele sabia que sua obra ainda não estava terminada. Ele devia ir à presença de César. Deus terminaria o que havia começado. O propósito nos liberta dos temores e nos dá coragem. Nosso propósito é glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre, a despeito do que acontece ou do que as pessoas dizem. Finalmente, havia a âncora da comunhão: “Deus por sua graça te deu todos quantos navegam contigo”. Aqueles que aceitaram a mensagem de Paulo deviam responder por ele. Deus sempre provê alguém que sabe, compreende, ouve e ama. São essas as nossas âncoras até romper a aurora de um novo dia.
Pensamento do dia: Há âncoras para a tempestade.
(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 17 de agosto)
Versículo-chave: “E, receosos de que fôssemos atirados contra lugares rochosos, lançaram da popa quatro âncoras, e oravam para que rompesse o dia.” (Atos 27:29)
Meditação: Quais são suas âncoras na tempestade? O que, em seu interior, estabiliza o navio da vida em meio aos ventos cortantes da dúvida, do mar amargo da dor, das rochas afiadas da tentação? É o que nos acontece na tempestade, não na calma ou na tranqüilidade dos portos da vida, que testa a nossa fé.
Paulo partiu para Roma sob a guarda romana. Na viagem de Creta a Malta, um vento nordeste, chamado Euro-aquilão, soprou das montanhas de Creta, apanhando o navio e atirando-o à deriva por vários dias. Só Paulo tinha confiança em meio ao desespero. Enquanto o navio vagava ao léu, perto da costa de Malta, os marinheiros lançaram sondas e, temendo dar contra as rochas, abaixaram quatro âncoras. E Paulo orava para que despertasse o dia. A vida é assim. Que quatro âncoras seriam capazes de estabilizar nossa alma no mar turbulento do tempo? Paulo possuía mais que âncoras físicas. Em oração, ele lançou as verdadeiras âncoras da vida.
Ele tinha a âncora da confiança na ajuda presente de Deus. Mediante o seu ministério, Deus havia sido fiel em cada crise. Paulo podia confiar nele agora. A seguir, ele tinha a âncora da esperança. A esperança de Paulo estava firmada no Senhor da história, que o havia ajudado a atravessar fielmente cada dificuldade. O salmista tinha razão: “Espere no Senhor”.
Mas Paulo também tinha a âncora do propósito. Ele sabia que sua obra ainda não estava terminada. Ele devia ir à presença de César. Deus terminaria o que havia começado. O propósito nos liberta dos temores e nos dá coragem. Nosso propósito é glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre, a despeito do que acontece ou do que as pessoas dizem. Finalmente, havia a âncora da comunhão: “Deus por sua graça te deu todos quantos navegam contigo”. Aqueles que aceitaram a mensagem de Paulo deviam responder por ele. Deus sempre provê alguém que sabe, compreende, ouve e ama. São essas as nossas âncoras até romper a aurora de um novo dia.
Pensamento do dia: Há âncoras para a tempestade.
(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 17 de agosto)
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Hélio Pariz
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Âncoras seguras na tempestade
2009-08-27T12:26:00-03:00
Hélio Pariz
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Começando a aprender
Eis o único motivo por que desejo solidão – estar perdido para todas as coisas criadas, morrer para elas e para o conhecimento delas, pois elas me lembram a distância que me separa de Ti. Elas me falam algo de Ti: que estás muito longe delas, embora nelas estejas. Tu as fizeste e a Tua presença lhes sustenta o ser, mas elas Te escondem de mim. Como gostaria de viver sozinho, fora delas! O beata solitude. Ó solidão abençoada!
Pois sabia que somente deixando-as eu poderia chegar a Ti; e por isso tenho me sentido tão infeliz quando parecia que Tu me condenavas a permanecer nelas. Agora a minha dor passou e a minha alegria está por começar: a alegria que se alegra na mais profunda dor. Pois estou começando a entender. Ensinaste-me e consolaste-me e recomecei a esperar e a aprender.
(Thomas Merton, “Diálogos com o Silêncio”, Fissus Editora, 2003, pág. 21)
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Em vez de reclamar, cante!
Não se deve subestimar o poder da propaganda negativa. É o que a United Airlines aprendeu recentemente, quando o cantor Dave Carroll pegou um avião de Halifax ao Nebraska, com conexão no aeroporto O'Hare em Chicago, e o seu violão Taylor chegou quebrado ao destino. Depois de várias reclamações infrutíferas, Carroll decidiu fazer uma canção, "United Breaks Guitars", que é um tremendo sucesso na web e uma terrível dor de cabeça para a United. Essa moda bem que podia pegar no Brasil. Confira:
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Hélio Pariz
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Em vez de reclamar, cante!
2009-08-24T10:23:00-03:00
Hélio Pariz
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
A onda

Estréia hoje em vários cinemas pelo Brasil, o filme alemão "A Onda" ("Die Welle"), baseado numa história real acontecida numa escola secundária de Palo Alto, California (EUA), em 1967, que também teve uma versão televisiva americana em 1981, que chegou a passar no Brasil com o mesmo nome, "A Onda" ("The Wave"). Não deixa de ser curiosa a transposição de um fato real acontecido nos EUA de 1967 para a Alemanha de 2009. A pergunta sinistra que o filme (e a experiência real) tenta responder é: "seria possível reviver o nazismo hoje em dia?". É muito fácil criticar os alemães e responsabilizá-los pela ascensão do nazismo - o mal absoluto - ao poder e todas as consequências trágicas que acarretou para a humanidade. Afinal, o povo alemão do início do século XX era profundamente militaresco e as rivalidades européias e a crise econômica do primeiro pós-guerra apenas engrossaram o caldo que viria a entornar na década de 1930. O filme "A Onda" mostra que a gênese do mal não depende de um país, sociedade, época ou um contexto específico. Desgraças como o nazismo podem acontecer em qualquer lugar e tempo, com qualquer um. É só uma questão de oportunidade. O preconceito e a maldade continuam vivos no planeta Terra, e devem ser constantemente vigiados. "A Onda" é um filme imperdível, que deve ser visto, revisto, divulgado e debatido, para que nunca mais o mundo passe por semelhante flagelo.
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Hélio Pariz
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13:03
A onda
2009-08-21T13:03:00-03:00
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Proteja a sua inocência
por Henri Nouwen
Ser um filho de Deus não o isenta de tentações. Você pode ter momentos em que se sentirá tão abençoado, tão em Deus, tão amado, que esquecerá que está ainda vivendo num mundo de principados e potestades. Mas a sua inocência como um filho de Deus precisa ser protegida. De outra forma, facilmente será arrebatado do seu verdadeiro ser e enfrentará a força devastadora da escuridão à sua volta.
Esse afastamento pode vir como uma grande surpresa. Antes que tome consciência disso ou antes que tenha tido oportunidade de permitir que isso aconteça, pode sentir-se dominado por luxúria, irritação, ressentimento ou avareza. Um quadro, uma pessoa, ou um gesto podem desencadear emoções fortes e destrutivas e seduzir o seu ser inocente.
Como um filho de Deus, você deve ser prudente. Não pode simplesmente andar pelo mundo como se nada ou pessoa alguma pudesse causar-lhe dano. Você continua extremamente vulnerável. As mesmas paixões que fazem com que ame a Deus podem ser usadas pelas forças do mal.
Os filhos de Deus precisam apoiar-se, proteger-se e manter-se unidos junto ao coração de Deus. Você pertence a uma minoria num mundo vasto e hostil. À medida que se tornar mais consciente da sua identidade como filho de Deus, verá igualmente com mais clareza as muitas forças que desejam convencê-lo de que todas as coisas espirituais são falsos substitutos para as coisas boas da vida.
Quando se está temporariamente afastado do seu verdadeiro eu, pode ter-se a súbita sensação de que Deus é somente uma palavra; a oração, uma fantasia; a santidade, um sonho; e a vida eterna, uma fuga do verdadeiro viver. Jesus foi tentado dessa forma, e nós também o somos.
Não confie nos seus pensamentos e sentimentos quando está fora de si. Volte logo ao seu verdadeiro lugar e não preste atenção ao que o iludiu. Aos poucos, ficará mais preparado para enfrentar essas tentações, e elas terão menor e menor poder sobre você. Proteja a sua inocência agarrando-se à verdade: você é um filho de Deus e profundamente amado.
(Henri J. Nouwen, em “A Voz Íntima do Amor”, Paulinas, 2001, p. 80)
Esse afastamento pode vir como uma grande surpresa. Antes que tome consciência disso ou antes que tenha tido oportunidade de permitir que isso aconteça, pode sentir-se dominado por luxúria, irritação, ressentimento ou avareza. Um quadro, uma pessoa, ou um gesto podem desencadear emoções fortes e destrutivas e seduzir o seu ser inocente.
Como um filho de Deus, você deve ser prudente. Não pode simplesmente andar pelo mundo como se nada ou pessoa alguma pudesse causar-lhe dano. Você continua extremamente vulnerável. As mesmas paixões que fazem com que ame a Deus podem ser usadas pelas forças do mal.
Os filhos de Deus precisam apoiar-se, proteger-se e manter-se unidos junto ao coração de Deus. Você pertence a uma minoria num mundo vasto e hostil. À medida que se tornar mais consciente da sua identidade como filho de Deus, verá igualmente com mais clareza as muitas forças que desejam convencê-lo de que todas as coisas espirituais são falsos substitutos para as coisas boas da vida.
Quando se está temporariamente afastado do seu verdadeiro eu, pode ter-se a súbita sensação de que Deus é somente uma palavra; a oração, uma fantasia; a santidade, um sonho; e a vida eterna, uma fuga do verdadeiro viver. Jesus foi tentado dessa forma, e nós também o somos.
Não confie nos seus pensamentos e sentimentos quando está fora de si. Volte logo ao seu verdadeiro lugar e não preste atenção ao que o iludiu. Aos poucos, ficará mais preparado para enfrentar essas tentações, e elas terão menor e menor poder sobre você. Proteja a sua inocência agarrando-se à verdade: você é um filho de Deus e profundamente amado.
(Henri J. Nouwen, em “A Voz Íntima do Amor”, Paulinas, 2001, p. 80)
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Hélio Pariz
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17:31
Proteja a sua inocência
2009-08-20T17:31:00-03:00
Hélio Pariz
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Amor verdadeiro
“Nós amamos porque ele nos amou primeiro”
(1 João 4:19)
(1 João 4:19)
Não há luz alguma no planeta, exceto a que emana do Sol; e não há amor verdadeiro a Jesus no coração, exceto aquele que vem do próprio Senhor Jesus. Desta fonte transbordante do amor infinito de Deus deve emanar todo o amor a Ele devido. Esta deve ser uma verdade grande e certa, ou seja, que o amamos exclusivamente pela razão de que Ele nos amou primeiro. Nosso amor a Ele é o legítimo resultado de seu amor para conosco. Qualquer um pode ter uma admiração fria, quando observando as obras de Deus, mas o calor do amor somente pode inflamar-se no coração pelo Espírito de Deus. Quão grande é o prodígio de pessoas como nós serem trazidas ao amor de Jesus! Quão maravilhoso é que, quando nos rebelamos contra Ele, pôde Ele, por uma demonstração de tal amor assombroso, procurar atrair-nos de volta. Não! Nunca receberíamos um grão de amor vindo de Deus, a menos que ele fosse semeado em nós pela preciosa semente dele para conosco. O amor, portanto, tem como seu genitor o amor de Deus derramado no coração. Mas depois de ele ser assim nascido divinamente, deve ser nutrido de forma natural. O amor é uma planta exótica; não é uma que floresce naturalmente no solo humano, mas deve ser regada lá de cima. O amor a Jesus é uma flor de natureza delicada, que, se não receber nenhuma nutrição que não seja aquela que sai da rocha de nosso coração, logo definhará. Assim como o amor desce do céu, assim deve ele alimentar-se do pão celestial. Ele não pode existir no deserto, se não for alimentado com o maná que vem do alto. O amor nutre-se de amor. A própria alma e vida de nosso amor a Deus é o seu amor para conosco.
“Amo-te, Senhor, mas não com meu próprio amor,
pois nada tenho para dar-te;
Amo-te, Senhor, mas todo o amor é teu,
porque vivo por teu amor.
Sou como nada, e alegro-me de ser
vazio, e perdido, e submerso em ti.”
(”Meditações Matinais”, C. H. Spurgeon, meditação de 11 de junho)
pois nada tenho para dar-te;
Amo-te, Senhor, mas todo o amor é teu,
porque vivo por teu amor.
Sou como nada, e alegro-me de ser
vazio, e perdido, e submerso em ti.”
(”Meditações Matinais”, C. H. Spurgeon, meditação de 11 de junho)
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Hélio Pariz
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11:02
Amor verdadeiro
2009-08-20T11:02:00-03:00
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Será isto contemplação?
Contradisseste tudo. Deixaste-me na terra de ninguém.
Fizeste-me andar de um lado para outro debaixo dessas árvores, repetindo sem parar: “Solidão, solidão”. Volveste e jogaste o mundo todo em meu colo. Disseste-me: “Largue tudo e Me siga”, e então amarraste a metade de Nova York como uma bola acorrentada a meus pés. Fizeste-me ajoelhar atrás deste pilar com a minha mente barulhenta como uma agência bancária. Será isto contemplação?
(Thomas Merton, em “Diálogos com o Silêncio”, Fissus Editora, 2003, pág. 15)
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Hélio Pariz
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08:13
Será isto contemplação?
2009-08-20T08:13:00-03:00
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Consciências cauterizadas
No meio dos escândalos que envolvem a Igreja no Brasil, é muito comum líderes das mais variadas facções evangélicas saírem em defesa uns dos outros, tudo em nome de uma suposta fraternidade que se contrapõe à igualmente presumida perseguição de todos os que não jogam no time deles. Cria-se, então, um ambiente de paranóia coletiva, não raras vezes combatida com uma espécie de histeria e indignação também coletivamente ensaiadas.
O observador mais atento poderia se indagar: “Como é que o pastor X tem coragem de dizer isso?”.
Muitos líderes adotam práticas no mínimo exóticas e que nada têm de bíblicas, e sabem – nem que seja por instinto – que a melhor defesa é o ataque. Se combaterem aqueles que denunciam os crimes dos falsos profetas, talvez possam evitar futuras investigações que cheguem aos seus próprios arraiais.
É claro que existem alguns despudorados que mentem com o mais indisfarçável cinismo para ver seus maus propósitos atingidos, mas me parece que, em alguns casos, o buraco pode ser mais embaixo.
Mais em cima, para ser mais exato: na consciência. A hipocrisia se tornou tão doentia que as suas consciências já não cumprem a função que delas se esperaria.
Uma característica distintiva do pastor é justamente a sua consciência boa e pura, como Paulo frisava em suas cartas (2ª Coríntios 1:12; 1ª Timóteo 1:5,19; 4:2; 2ª Timóteo 1:3), sendo que 2ª Coríntios 4:2 é lapidar: “pelo contrário, rejeitamos as coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à consciência de todos os homens diante de Deus”.
Ao que parece, alguns “pastores” de fato creem que estão sendo usados para algum desígnio divino, não porque sinceramente acreditam nisso, mas porque precisam crer no seu messianismo de araque.
Negá-lo não é mais possível, já que, não podendo mais ser boa e pura (se é que um dia foi), sua consciência se cauterizou, conforme Paulo descreveu a Timóteo (2ª carta, 4:1-2): “Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada”.
A palavra grega aí traduzida por “cauterizada” (καυτηριάζω - kautēriazō ) significa a ferida que foi marcada com ferro em brasa, para que não doa mais.
Torna-se, assim, insensível, já que as suas células morreram e não servem para mais nada.
Por isso, nos dizeres de Judas (12-13), “estes são os escolhidos em vossos ágapes, quando se banqueteiam convosco, pastores que se apascentam a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos; são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas furiosas do mar, espumando as suas próprias torpezas, estrelas errantes, para as quais tem sido reservado para sempre o negrume das trevas”.
Com a mente cauterizada, não lhes restou outra alternativa senão acreditarem no seu auto-engano e se confraternizarem com todos aqueles que padecem do mesmo mal.
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Hélio Pariz
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20:07
Consciências cauterizadas
2009-08-19T20:07:00-03:00
Hélio Pariz
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Hoje é tudo o que temos
Leitura bíblica: Mateus 6:25-34Versículo-chave: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:34)
Meditação: Um dos aspectos mais perturbadores da ansiedade é a preocupação com o futuro. Soren Kierkegaard disse: “Que é a ansiedade? É o dia seguinte”. O capítulo ainda não escrito de nossa vida é que perturba a maioria de nós. Jesus nos oferece a solução: deixe que o amanhã cuide de si; viva hoje ao máximo. A mensagem de Cristo é que se vivermos hoje da maneira que ele sugere, o amanhã será mais glorioso do que jamais ousamos imaginar, pois o que fazermos hoje está inseparavelmente relacionado com o que acontecerá amanhã. Podemos influenciar o futuro através de como lidamos com o que está acontecendo. Jesus diz que há oportunidade suficiente hoje para vermos o seu poder em operação contra o mal. Concentre-se nessa realidade e o amanhã será uma oportunidade de êxito. Uma vez que o nosso “amanhã” último, a vida eterna, esteja seguro, podemos viver sem reservas cada dia.
A maioria de nós se preocupa tanto com o futuro que não desfruta o presente. Preocupamo-nos com o que virá e falhamos em experimentar o que é. Prosseguimos em preparação como se um novo plano, relacionamento ou oportunidade tornará tudo diferente. É bom fazer planos, mas não ao ponto de esquecer da voz de Deus nos momentos mais difíceis da vida.
As sementes da colheita do amanhã são plantadas hoje. A maneira de as cultivarmos é que determinará o que colheremos. Não se esqueça de viver... HOJE!
Pensamento do dia: Hoje é tudo o que temos. Não se esqueça de viver!
(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 19 de agosto)
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Hélio Pariz
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15:50
Hoje é tudo o que temos
2009-08-19T15:50:00-03:00
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Ansiedade criativa
Versículo-chave: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti.” (Lucas 15:18)
Meditação: A ansiedade criativa existe. Jesus parece estar dizendo que devemos ser muito mais ansiosos por viver no reino sob a direção de Deus do que acerca das coisas que em última instância não têm valor.
Os ouvintes de Jesus pensavam ter vencido espiritualmente. Tomavam a Deus como coisa assentada e usavam mal a eleição de ser o seu povo. Haviam ficado descuidados e estavam tentando manipular a Deus para seus próprios propósitos.
Colocaram-no numa prateleira e só o tiravam de lá quando dele precisavam.
Fazemos praticamente o mesmo. Tratamos a Deus como um adjunto de uma vida plena. Usamos a oração em épocas de crise e necessidade e só pensamos em Deus e em sua vontade quando estamos imprensados contra a parede de um problema insuperável. A direção de nossa vida está sob nosso próprio controle.
Jesus parece estar dizendo: “Não esteja tão seguro de poder usar a Deus desse modo; sem o saber, sua ansiedade pelas pequenas coisas, na realidade é causada pela ansiedade da separação de Deus”. Esse tipo de ansiedade mais profunda é um dom de Deus. Diz-nos que algo está errado ou fora do lugar. A inquietação que sentimos nos momentos tranqüilos, quando tudo ao nosso redor está calmo, a solidão mesmo entre pessoas, a profunda insegurança ainda que tudo pareça em ordem – é ansiedade criativa, porque nos pressiona de volta para Deus. Aquilo que finalmente aconteceu com o filho pródigo pode acontecer a nós. Por que viver do modo que vivemos, se nosso Pai nos está esperando?
Pensamento do dia: A ansiedade criativa é um dom de Deus.
(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 18 de agosto)
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Hélio Pariz
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13:41
Ansiedade criativa
2009-08-18T13:41:00-03:00
Hélio Pariz
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Una obstinación argentina
Todos aqueles que se interessam pela História da América Latina, e da Argentina em particular, com esse fenômeno cíclico dos messias e caudilhos que sempre aparecem nos países latinoamericanos como os salvadores da Pátria, o jornal argentino Página 12 disponibilizou gratuitamente um trabalho extenso e brilhante de José Pablo Feinmann sobre Perón e a influência que ele continua exercendo sobre a política daquele país. Escrito em espanhol (obviamente), o trabalho se chama "Peronismo. Filosofia política de una obstinación argentina" e é praticamente um livro que pode ser lido em .pdf, e todos os 88 capítulos podem ser baixados clicando aqui.
Não deixa de ser uma dica interessante para quem não entende porque a política argentina segue girando em torno de Perón, 50 anos depois da morte de Evita e 30 depois da morte dele próprio.
Mesmo que você prefira o "mestre" Galvão Bueno, e não goste da Argentina como eu particularmente gosto (na verdade, amo!), a leitura é bastante interessante, pois cá entre nós, nem no futebol nós somos muito diferentes.
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Hélio Pariz
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16:50
Una obstinación argentina
2009-08-17T16:50:00-03:00
Hélio Pariz
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