domingo, 15 de abril de 2012

Pais são pais; amigos são amigos

Um excelente artigo de Giovana Damaceno para o Tramado por Mulheres:

Mãe é mãe; amigo é amigo

Uma senhora me confessou que sente muito por seus filhos não serem seus amigos. Filhos e filhas. Lamentou por ter criado tantos, e no entanto, nenhum lhes devota amizade. Pelo menos não a amizade que ela esperava. Sente mais pelas filhas, com quem para ela seria mais natural desenvolver algo mais além de uma relação filial.

É uma senhora solitária. Parece que a vida não lhe tem sido muito generosa ultimamente. Porém, nada diferente de outras tantas senhoras que também vivem sozinhas em suas casas ou apartamentos, lúcidas, capazes, têm ou não seus namorados, vivem ou não uma dinâmica familiar intensa. Muitas que conheço até preferem assim, pois podem desfrutar melhor a liberdade e a independência que só a idade e a experiência proporcionam (quando se tem saúde, claro).

Por ser também mãe e por estar constantemente ligada no relacionamento com o filhote e como melhorá-lo cada vez mais, leio muito a respeito. Tudo e mais um pouco o que psicólogos, psiquiatras, psicopedagogos, pediatras, educadores divulgam de seus estudos sobre o tema. E a maioria é categórica: pai e mãe são pai e mãe; amigo é amigo. Duas situações bem distintas e que, por mais que se tente, não se fundem. Há, segundo estes especialistas, muita confusão na hora de identificar e separar bem amizade de relação filial; muita gente acaba achando que é possível ser 100% amigo dos filhos, faz um angu de caroço, e sempre dá problema.

“Pai é genitor, benfeitor, protetor, gerador, a origem. Amigo é uma pessoa a quem somos ligados por identificação, afeição. Os filhos não querem um pai-amigo, porque amigos eles já têm. São aqueles confidentes para questões do dia a dia, com quem tramam suas paqueras, suas saídas, jogam conversa fora”, explica a psicóloga Walnei Arenque. Já o psiquiatra Içami Tiba diz que “pai (ou mãe) não pode ser amigo porque não é uma função que se escolhe, e amigo se pode escolher. O filho é filho do pai e tem que honrar os compromissos estabelecidos com ele. Um filho não pode trocar de pai assim como troca de amigo, por exemplo”. E para a psicóloga Ana Cláudia Ferreira de Oliveira, “se os pais se comportam somente como amigos de seus filhos, podemos nos perguntar ‘quem estará fazendo o papel dos pais em seu lugar?’ E esse é um grande perigo, pois a criança e o jovem precisam de orientação adequada e segura, além de alguém que apenas os ouça e os aconselhe, como um amigo faria”.

Há, portanto, que haver equilíbrio nestas relações, por isso entendo perfeitamente o que aquela senhora quis dizer e o que esperava dos filhos e filhas. Queria-os mais próximos, convivendo mais intimamente, trocando conversas, confidências, intimidades. Isso não é impossível, mas mães que vêm de uma educação repressora e repetem este modelo com filhos, dificilmente conseguirão ser grandes amigas.

Quando ela se lamentou sobre a falta de amizade dos filhos e filhas, deu vontade de perguntar: “E a senhora, é amiga dos seus filhos e filhas?”. Mas não tenho liberdade para isso e apenas me limitei a ouvir. Mães desta idade podem ser extremamente dogmáticas, prisioneiras dos próprios preconceitos, inflexíveis com qualquer situação, comportamento ou opinião que não estejam de acordo com suas verdades. A cada conversa que entabulam com alguém, há sempre uma regra a ser estabelecida, um não aceito, não concordo, isto não está certo, e cobram posturas que são apenas delas, e que não poderiam ser exigidas de outrem. Enfim, um posicionamento que não faz dos filhos e filhas seus amigos. Faz, sim, filhos e filhas que, como numa escola, aprendem, obedecem as regras até o momento em que ganham o mundo e criam seus próprios costumes, sua própria cultura. Não é que não haja amor; amor por mãe é incondicional, indiscutível. Mas porque há amor deve-se respeitar as diferenças, e mães dogmáticas não costumam se dispor a abrir os horizontes.

Já os amigos respeitam as diferenças dos seus amigos. Amigos, para serem amigos, não ditam regras, ao contrário, aceitam seus amigos como são. Amigos não exigem que seus amigos hajam e pensem como eles. Amigos não fazem cobranças. Amigos não provocam intrigas entre seus amigos. Amigos são livres. Lamento muito que tal senhora sofra por tal motivo.

Sei que também cometo meus erros na educação do meu filho. Afinal, o que seria dos psicanalistas se não fossem as mães? Mas posso dizer, por outro lado, que estou de olhos bem abertos, procurando enxergar onde erro, onde acerto, onde exagero, até que ponto posso dar liberdade ou apertar com os limites. E não tento ser amiga; não no sentido de querer ter com ele a mesma relação que tem com as amigas da idade dele. Sou mãe, busco uma relação de confiança, respeito, companheirismo, intimidade e muito amor. Sem cobrança, sem jogar nada na cara, sem exigir nada em troca, permitindo que ele escolha o que quer ser, como quer ser, achando lindo que ele seja diferente de mim.



sábado, 14 de abril de 2012

Não tecle no celular enquanto anda

Pode ser que você dê de cara com um urso... literalmente:




Sua dose diária de drama

Numa praça simples de uma pequena cidade da Bélgica, onde nada acontece, alguém colocou uma base com um botão devidamente sinalizada com um cartaz "aperte o botão para adicionar drama", e os curiosos que fizeram isso tiveram uma bela surpresa. Tudo bem que se trata só de uma propaganda de uma rede de televisão, mas as pessoas que adoram viver os seus dramas diários, ainda que imaginários, bem que podiam arranjar uma solução fantasiosa, divertida e inofensiva como essa:





Quando a lua afundou o Titanic



Hoje se completam cem anos da mais tristemente famosa tragédia marítima. Abaixo, uma matéria interessante do Terra sobre uma rara conjunção astronômica daquele fatídico dia 14 de abril de 1912:

Alinhamento raro do Sol e da Lua precedeu naufrágio do Titanic

A colisão do Titanic com um iceberg em 1912 pode ter sido consequência de um raro alinhamento do Sol e da Lua ocorrido mais de quatro meses antes, segundo um artigo publicado na edição de abril da revista Sky & Telescope. Aproveitando a renovada fascinação em torno do naufrágio do transatlântico, pela proximidade do centenário do acidente no qual morreram aproximadamente 1,5 mil pessoas, os astrônomos da Universidade Estadual do Texas Donald Olson e Russell Doescher explicaram sua hipótese sobre a abundância de icebergs na rota da embarcação.

Na noite do dia 14 de abril de 1912, o navio, que segundo a publicidade da época "nem Deus era capaz de afundar", bateu em um iceberg e naufragou. Outras embarcações que responderam aos chamados de socorro encontraram na região do Atlântico Norte uma abundância incomum de icebergs.

Junto com a proliferação de reportagens, romances e filmes que transformaram o afundamento do Titanic no "acidente do século 20", se multiplicaram por décadas as perguntas sobre a existência de um número de icebergs superior ao habitual na área. Os astrônomos partiram do trabalho do oceanógrafo Fergus J. Wood, da Califórnia, um estudioso das marés que sugeriu que uma aproximação rara da Lua à Terra, ocorrida em 4 de janeiro de 1912, pode ter contribuído para marés também mais altas do que o normal.

Olson e Doescher descobriram que nessa data também ocorreu um acontecimento pouco comum: a Lua e o Sol se alinharam de uma maneira que fez com que sua atração gravitacional se reforçasse mutuamente, formando o que é conhecido como maré de sizígia. Além disso, a proximidade da Lua foi a maior registrada em cerca de 1,4 mil anos e ocorreu dentro dos seis minutos de uma lua cheia. Já a aproximação máxima do Sol havia ocorrido no dia anterior.

"Foi a maior aproximação da Lua à Terra em mais de 1,4 mil anos e esta configuração maximizou as forças lunares que levantam as marés nos oceanos da Terra", disse Olson. Inicialmente, os pesquisadores procuraram determinar se marés mais cheias tinham aumentado os desprendimentos de icebergs na Groenlândia, que é o local de origem da maioria dos icebergs dessa região atlântica. Mas logo se deram conta que, para chegar à rota de navegação do Titanic por volta de abril, os icebergs desprendidos das geleiras da Groenlândia em janeiro deveriam ter se deslocado muito rápido e em sentido contrário às correntes.

No entanto, segundo o depoimento das tripulações dos outros navios que responderam ao chamado do Titanic, havia muitos icebergs na área, tantos que pelo resto da temporada de 1912 as rotas de navegação foram desviadas para o sul. A resposta à questão sobre a procedência de tantos icebergs na região está nos icebergs encalhados e à deriva.

À medida que os icebergs desprendidos da Groenlândia se movimentam para o sul, muitos ficam encalhados nas águas menos profundas do litoral de Terra Nova e Labrador, no Canadá. Normalmente, os icebergs ficam ali e não conseguem se movimentar até que derretam o suficiente para voltar a flutuar, ou até que uma maré alta os libere.

Assim, os astrônomos do Texas levantaram a hipótese de as marés mais elevadas do que o normal de janeiro de 1912 terem desencalhado estes icebergs, que se deslocaram rumo ao sul pelas correntes oceânicas e em direção às rotas de navegação.



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Padre italiano nega comunhão a menino deficiente

Aparentemente, num mundo em que o dogma é idolatrado, não há espaço para a inteligência nem para a compreensão e gentileza, e muito menos para a humanidade. A notícia vem do IHU:

Padre nega a comunhão a menino deficiente

Comunhão negada a um menino de dez anos que sofre de uma grave deficiência mental. O menino não seria, segundo o sacerdote, capaz de compreender o mistério da Eucaristia.

A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada no blog Oltretevere, 11-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A decisão de Piergiorgio Zaghi, pároco de Porto Garibaldi, em Ferrara, na Itália, que havia falado sobre isso em uma homilia, dividiu os paroquianos e provocou um forte debate. Os leigos da cidade condenaram o comportamento do sacerdote, enquanto os paroquianos se dividiram entre aqueles que se dizem próximos à escolha do pároco (lembrando também o fato de que os pais estão divorciados e não o acompanham continuamente à missa e à catequese) e aqueles que estão mais perplexos, referindo-se também ao apelo do papa para garantir a Eucaristia, na medida do possível, mesmo aos deficientes mentais.

"É incrível que essas coisas aconteçam". O Pe. Andrea Gallo não usa meias palavras ao comentar a notícia do pároco da província de Ferrara que pulou na fila da Eucaristia um menino com retardo mental. A comunhão é um "momento altíssimo", em que "o corpo de Jesus é 'partido' para todos, em que se diz do sangue 'bebam todos'", explica Pe. Gallo. "Tomemos o exemplo das primeiras comunidades cristãs: naquela época não havia a hóstia, mas sim o pão que justamente se partia para todos. Nesse gesto, as migalhas que restavam eram também dadas a todos os presentes. E, depois, este menino também havia participado da catequese".

Segundo o Pe. Gallo, "mesmo que o menino tivesse dificuldade para engolir, esse problema poderia ser superado, imagine... Ele andava em um corpo martirizado, sofredor. Quem pode dizer qual é a verdadeira linguagem real de um deficiente? Às vezes, eles falam com um gesto, com os olhos".

O Pe. Gallo encontra "deficientes mentais todos os dias. Eles falam com os olhos, com pequenos gestos. O pároco diz que era importante entender se o menino intuía a dimensão do sacramento? Eu só estou dizendo que não se podia excluí-lo com esse gesto. Quem me diz, ao contrário, que aqueles que fazem a comunhão a entendem? Pode acontecer, até mesmo comigo, que a fé possa vacilar: mas depois eu me confio a Jesus, porque o amor não exclui ninguém. Como reparar este dano? dando-lhe o pão, pondo-o no centro, fazendo-o entender que ele não está excluído de nada".

Para o Pe. Giovanni Ramonda, responsável da Comunidade João XXIII, fundada pelo Pe. Benzi, "diversos párocos dão desenvoltamente a comunhão a divorciados em segunda união, transgredindo uma clara indicação da Igreja, enquanto a uma criatura predileta pelo Senhor é negado o seu corpo e o seu sangue. Fiquemos atentos para não filtrar os mosquitos e engolir os camelos. Como dizia o Pe. Benzi, os deficientes são 'anjos crucificados'".

O episódio foi definido como "absurdo, não apenas no plano ético, mas principalmente no que diz respeito aos direitos fundamentais reconhecidos às crianças", diz o sociólogo Antonio Marziale, presidente do Observatório dos Direitos dos Menores. "Estou transtornado com o episódio – disse – que denuncia um estado de obscurantismo cultural digno do pior da Idade Média".

A decisão foi duramente criticada também pela associação de católicos progressistas Nós Somos Igreja. "Em Porto Garibaldi – disse o coordenador regional Giuliano Bianco – tem-se a impressão de que a Igreja perdeu de vista a presença real de Cristo na Eucaristia: quem sonharia em proibir a uma mãe e a um pai, que levam o seu filhinho, incapaz de entender e de querer, diante da presença de Jesus de se aproximar, de tocar e de receber o Salvador?".

A família se fechou na reserva. O seu interesse, neste momento, é principalmente o de proteger seu filho, que se tornou objeto de um debate do qual ele certamente abriria mão.



Não é a primeira vez que isso ocorre na Europa, entretanto. Há cerca de 3 anos, algo parecido aconteceu em Barcelona com uma menina portadora da síndrome de Down, em que o mais surpreendente foi o fato de que o padre não só lhe negou a possibilidade de comunhão como disse que se empenharia em "perseguir" a família caso eles procurassem outra paróquia para garantir à garota o sacramento. O caso catalão, ao que parece, teve um final feliz, segundo noticiou em junho de 2009 o Correio da Manhã de Portugal:

Padre nega comunhão a deficiente

Um padre negou a primeira comunhão a uma menina de Barcelona alegando que a menor, com síndrome de Down, é "um anjo de Deus" logo, não peca, e portanto não necessita do sacramento divino. Os pais da menor contestam o sacerdote e acusam-no de discriminação.

Tudo começou há três anos, quando a mãe, Lídia, levou a filha Carla e o seu irmão gémeo à Igreja de Sant Martí para começarem a frequentar a catequese. O pároco Josep Lluís Moles recusou a criança porque esta "teria de amadurecer" e poderia "prejudicar o desenvolvimento da catequização".

Os pais aceitaram a decisão. Um ano mais tarde, levaram novamente Carla para a catequese. Desta feita o padre decidiu fazer depender a primeira comunhão da capacidade da criança: se aprendesse o Pai Nosso em sete meses dar-lhe-ia a primeira comunhão. Só que, meses depois, mudou de ideias, e, quando a mãe foi confirmar a data da cerimónia, referiu que "não era necessário" que a criança comungasse, porque ao "ser um anjo de Deus não é uma pecadora".

Como o irmão gémeo queria fazer a primeira comunhão na mesma igreja que a irmã, a mãe procurou outro sítio em que a filha pudesse comungar. Mas, segundo ela, o sacerdote garantiu-lhe que interferiria para impedir o acto.

A família encontrou por fim uma igreja em Badalona disposta a dar a primeira comunhão aos dois irmãos gémeos. A cerimónia acontece hoje.



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Procissão baila imagem de Jesus ao som de "ai se eu te pego"

A praga musical de Michel Teló não poupa ninguém e continua fazendo vítimas indistintamente ao redor do mundo, além do óbvio bom gosto sacrificado no altar de "ai se eu te pego". 


Desta vez, uma imagem de Jesus (a do "Cristo Ressuscitado") carregada em procissão católica foi sacudida e bailada enquanto seus carregadores, devidamente trajados com suas vestes mortuárias, dançavam ao som dos acordes da praga musical tocada por uma bandinha que seguia à frente. 


Enquanto a "furiosa" tocava, não há registro de que nenhum raio tenha caído do céu ou que a estátua tenha caído na cabeça de alguém, mas pelo menos o verso "assim você me mata", ao que parece, vai ser entoado por todos aqueles que se escandalizarem com essa passeata profana. 


Ainda não há dados que confirmem o local da bandalheira tragédia musical e religiosa, mas o fato aconteceu muito provavelmente na Espanha, ao que parece em Alhama de Murcia, já que Sevilha, onde essa tradição é muito forte, segundo dizem, não aceitaria este tipo de ofensa ao bom gosto e à religião. Confira no vídeo abaixo:



(dica do Uhull)


Kevin Costner conta que escreveu 2 cartas a Whitney Houston

O estrondoso sucesso do filme "O Guarda-Costas" (The Bodyguard - 1992), fez com que - de certa maneira - Whitney Houston e Kevin Costner, o par romântico da película, apesar de não terem mais feito nenhum trabalho conjunto, ficassem unidos para sempre, pelo menos na memória dos fãs que viram o filme. 


O calvário midiático de drogas, violência doméstica e confusões em que Whitney se meteu a partir daí também foi exaustivamente acompanhado pela imprensa, até a morte da estrela no último dia 11 de fevereiro.

O que ninguém sabia, entretanto, é que Kevin Costner também acompanhou sua colega agonizando em público, e tentou fazer alguma coisa. Numa entrevista a Anderson Cooper (vídeo abaixo), o ator conta que não sabia que Whitney já estava enfrentando problemas com drogas por ocasião das gravações do filme que os marcou para sempre, e que ele também só veio a saber do que se passava pela repercussão do caso na mídia algum tempo depois.

Kevin Costner conta, ainda, que alguém lhe pediu que - nesse período de lutas de Whitney - ele lhe escrevesse uma carta, o que fez em duas ocasiões. O ator não sabe se elas chegaram a ser lidas, mas disse que basicamente escreveu nas cartas o quanto ela era importante para ele e o como ele queria vê-la bem.

Apesar da distância e da falta de resposta de Whitney às suas cartas, Kevin Costner esteve presente no funeral da cantora na Igreja Batista New Hope em Newark, New Jersey, onde proferiu um rápido discurso em homenagem a ela.

Não deixa de ser um belo gesto do ator, entretanto, o fato de ter se preocupado em apoiar de alguma maneira sua colega de trabalho num momento que ela precisou. Pena que - talvez - as drogas não a tenham permitido reconhecer esta atitude generosa de um amigo que fez o que pôde para ajudar.

Fonte: Radar online

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Terrorista "cristão" norueguês não é tão maluco assim

Está para ser julgado - finalmente - Anders Behring Breivik, o extremista norueguês tristemente famoso pelo massacre de 77 pessoas inocentes na ilha de Utoya, perto da capital Oslo, em 22 de julho de 2011. 

Dizendo-se "fundamentalista cristão", seja lá o que isto signifique, Breivik foi declarado insano numa avaliação preliminar encomendada pelo Tribunal que julga o caso, em novembro do ano passado. 

Entretanto, novos exames psiquiátricos divulgados ontem, 10 de abril de 2012, indicam que o maluco norueguês não é tão maluco assim, podendo ser criminalmente indiciado e julgado pelo crime perpetrado.

A mais recente conclusão psiquiátrica foi divulgada seis dias antes do julgamento final de Anders Breivik. Embora o seu resultado não seja definitivo, desde que ele venha a ser confirmado pelo Tribunal, isso poderá significar que o terrorista poderia pegar no máximo 21 anos de prisão comum, o que não aconteceria se o veredito anterior de insanidade prevalecesse, o que o submeteria indefinidamente a um isolamento perpétuo numa instituição de saúde mental.

Pela avaliação de novembro último, Breivik foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranoide, o que gerou muitas críticas exatamente por se duvidar que algum psicótico desse tipo pudesse empreender uma matança tão detalhadamente organizada e - infelizmente - executada da maneira como ele se portou.

Diante disso, o juiz da causa requereu a nova perícia, levada a cabo pelos psiquiatras Terje Toerrissen e Agnar Aspaas, que concluíram que Anders Behring Breivik não estava sob o efeito de um surto psicótico no dia 22 de julho de 2011, em que deu vazão à sua versão trágica de terrorismo escandinavo, inclusive com "plantação" de bombas em edifícios públicos.

Entretanto, tudo ainda está para ser debatido e decidido durante o julgamento que começará na segunda-feira que vem, dia 16 de abril. Estima-se que o procedimento demorará o assustador prazo de cerca de 10 semanas até que se chegue ao veredito final. Quem viver, verá...

Agora, cá entre nós, que ninguém nos ouça ou leia, mas maluco mesmo é quem acredita na Justiça da Noruega ou do Brasil...

Fonte: The Guardian





Diácono da Quadrangular preso em flagrante por abusar de adolescente em Sorocaba

A notícia vem do Diário de São Paulo:

Diácono que abusava de menina se fazia de amigo

Homem frequentava a residência da garota e era próximo da família; mãe lamenta ter confiado no inimigo

RODRIGO RAINHO

Uma menina feliz, com boas notas na escola, alegre e inteligente. Assim ela é descrita pela família. Com apenas 14 anos, a infância de T.S.P. caiu por terra. Moradora do bairro Nova Sorocaba, zona norte, a adolescente teria sido estuprada pelo diácono Jaime da Silva, 48, da Igreja do Evangelho Quadrangular, por pelo menos um ano.

Pedreiro de profissão, o acusado foi preso em flagrante pela Guarda Civil Municipal na avenida Fulvio Cláudio Biazzi, Jardim Novo Horizonte.

Os guardas viram o Ford Focus dele parado e suspeitaram que poderia ser produto de furto ou de roubo. “Nos aproximamos e o abordamos pelo vidro. Ele estava semi-nu, sem camiseta, e ela totalmente nua”, conta o GCM Alexsandro. “Eu e os colegas Oliveira Lima e Alison já vimos muitas, mas um líder religioso com uma criança, foi a primeira vez.”

Cena de horror/ A GCM viu o homem e, de imediato, ele pulou para o banco da frente, apertando as calças. A menina começou a chorar. “Durante todo esse tempo, o criminoso abusou da menina sem fazer conjunção carnal forçada, penetração. A intenção dele era somente se aproveitar dela”, diz o GCM Alison. “A menina disse que ele ameaçava fazer mal para seus pais, ameaçava matá-los. Com medo, se sujeitou às fantasias sexuais dele. Havia masturbação e brincadeiras com as mãos.”

Na delegacia do Plantão Norte de Sorocaba, a adolescente chorava, vestida com o uniforme da escola. Mãe dela de 48 anos, F.O.S.P. lamentava ter confiado no homem, que rondava a escola em que a menina estudava, com a intenção de seduzi-la. “O agressor dava presentes, doces e dinheiro para a vítima e ameaçava fazer mal aos pais dela”, afirma Jaqueline Coutinho, delegada da Delegacia de Defesa da Mulher. “Mantinha o silêncio dela assim.”

Confronto/ A mãe revelou ao BOM DIA que jamais imaginou que Jaime, que frequentava sua casa e era amigo de seu marido, cometesse tais atrocidades. “Eu confiava nele. Além de ser o diácono da nossa igreja, frequentava nossa casa e ajudava a gente quando precisava”, diz. “Nunca pensei que ele abordasse nossa filha na entrada e saída da escola.”

Ela disse que notou um comportamento estranho na menina. O homem se oferecia constantemente para dar carona à criança, acrescenta a GCM.

Na chegada à delegacia, o jardineiro O.S.P., 48, foi à viatura da GCM para confrontar o acusado. O diálogo entre os dois foi tenso. “Como você prega e depois estupra a filha dos outros? Isso não é certo”, diz ele, com dedo em riste para Jaime. “Tudo não passa de um mal-entendido. Tratei a menina como se fosse minha filha”, defende-se o acusado. “Você é um crente vagabundo”, retruca o pai.

Jaime foi indiciado por estupro e depois encaminhado à Penitenciária de Pilar do Sul.

‘Maioria de estupradores está acima de qualquer suspeita’

A Delegacia da Defesa da Mulher orienta aos pais a monitorar os filhos e não repassar a criação deles a terceiros. Segundo a delegada Jaqueline Coutinho, o pedófilo, na maioria das vezes, é uma figura da comunidade que está acima de qualquer suspeita, como era o caso de Jaime da Silva. “O pai deve desconfiar de qualquer um, inclusive se for da família ou do círculo de amizades”, afirma. “Deve se comprometer com a educação dos meninos, seguir seus passos, ver onde vai e onde está. Não caia nessa de que a pessoa tem credibilidade e moral”, diz.

No caso de Jaime da Silva, a delegada ressalta que ele tinha o respeito da comunidade religiosa. Recomenda aos pais que jamais deixem os filhos sozinhos em local ermo. “Assim, evita assédio sexual e acidentes graves.”

Muitos casos de desaparecimento e atropelamento ocorrem quando as crianças estão sozinhas ou com seus pais distraídos. “É nessa idade que as crianças pedem para ir à rua o tempo todo. Eles não sentem e nem têm dimensão do perigo. Saem com a ideia de brincar apenas. É importante vigiá-las o máximo possível”, diz a delegada.



terça-feira, 10 de abril de 2012

TJ-ES absolve padre acusado de induzir adolescente à prostituição

A notícia vem do Última Instância:

TJ-ES absolve padre acusado de incentivo à prostituição de menor

O TJ-ES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo) confirmou a absolvição do padre Adriano Marcos Luchi, acusado de induzir um menor de 16 anos de idade à prostituição.

Na noite do dia 16 de junho de 2010, o padre foi preso em flagrate dentro de seu carro, companhado pelo menor, às margens da BR 259, e m Colatina. Em depoimento, o adolescente relatou que teria recebido a proposta de R$30,00 para praticar sexo oral no padre, mas disse que recusou o convite, depoimento este que foi lembrado durante a sustentação oral do advogado do clérigo.

Segundo o processo, o ato não foi consumado, com isso não se configurando crime. Luchi foi inocentado em primeira instância, confirmando a sentença dada pelo juiz Enéas Ferreira Miranda, da 3ª Vara do Fórum de Colatina.

A desembargadora Catharina Maria Novaes Barcellos, que também é supervisora das Varas da Infância e Juventude, considerou a ação atípica para casos de indução de menores à prostituição e exploração sexual, pois neste caso, à partir da negativa do menor, o ato não aconteceu e não houve uma tentativa de submeter o adolescente por parte do religioso.

Número do processo: 14100072447



Cirilo I, o patriarca do photoshop

Cirilo I, Patriarca de Moscou e de Toda a Rússia (em russo Кирилл, Патриарх Московский и всея Руси) é o primaz da igreja ortodoxa russa, a maior denominação dentro da ortodoxia oriental e a segunda maior dentre as igrejas cristãs, perdendo em número de seguidores apenas para os católicos romanos.

Desde 2009, Cirilo I comanda cerca de 120 milhões de fiéis ao redor do mundo, sendo aproximadamente 100 milhões deles apenas na Rússia, e tem se tornado mais conhecido por suas, digamos, “extravagâncias”, do que propriamente pelo testemunho que se espera de um líder cristão dessa magnitude.

Parece que o patriarca russo tem uma queda especial por confusões. Já havia rumores de que ele colaborava com a polícia secreta soviética - a famigerada KGB - durante os tempos do comunismo, e o seu apoio a Vladimir Putin, ex-agente da KGB, nas controvertidas e recentes eleições presidenciais do país, foi bastante criticado, especialmente pelas muitas suspeitas de fraudes nas urnas.

Esse fato veio se somar às denúncias de enriquecimento ilícito que pairam contra o patriarca de Moscou, especialmente pela intermediação da importação de cigarros para a Rússia no período que se seguiu à derrocada do comunismo na década de 1990, que – pasme! – era franqueada pela própria Igreja Ortodoxa local.

Os inimigos de Cirilo I foram, então, fuçar nas páginas da igreja na internet e lá encontraram uma foto dele, tirada em 2009, em que um luxuoso relógio Breguet de 30.000 dólares foi “apagado” do seu punho com uso de photoshop, mas se esqueceram de apagar o reflexo na mesa polida que estava logo abaixo:




Diante da repercussão do caso, a Igreja Ortodoxa tratou de reconhecer o erro e pedir desculpas pelo “tratamento” dado à foto, republicando a original no seu portal:




Pelo jeito, o patriarca russo gosta de levar uma vida nababesca e de ostentação, bem ao estilo de certos pregadores evangélicos da teologia da prosperidade que circulam por aqui, aqueles mesmos que você está pensando e que já deram uma "photoshopada" na teologia deles...





segunda-feira, 9 de abril de 2012

D. Odilo Scherer decide quem pode sofrer

Publicamos aqui no último mês de janeiro, no artigo "Aborto e vida Severina", um documentário contundentemente trágico sobre o sofrimento de um casal humilde nordestino (em especial a mãe) durante a gestação de um feto anencéfalo, destinado à morte assim que visse a luz do dia, o que de fato ocorre, já que os meandros da Justiça e da saúde pública fazem o sofrimento perdurar indefinidamente até o caixãozinho branco do final.

Como já escrevemos naquela oportunidade, talvez o momento mais emblematicamente triste do documentário "Uma História Severina" (vídeo abaixo), ocorre quando a mãe vai a uma loja comprar UMA única roupinha para o bebê, e a vendedora, na esperança - talvez - de vender um enxoval inteiro, fica estupefata com a resposta que recebe, a de que a criança ia nascer para morrer.

Impossível, portanto, não sentir - no mínimo - compaixão pela triste sina do casal. Não havia solução fácil no caso deles. Qualquer que fosse a decisão tomada, a dor seria inafastável.

Por isso, soa no mínimo estranha a declaração do cardeal-arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, publicada no Estadão ontem, 8 de abril de 2012, de que o sofrimento da mãe não é justificativa para o aborto de anencéfalo. Passa a impressão de que quem decide se alguém pode ou não sofrer é um cardeal da igreja católica.

Ao fazer isso, o cardeal - inadvertidamente - não pode reclamar de toda e qualquer pessoa que queira julgar, por exemplo, se as justificativas dadas pela igreja católica aos casos de pedofilia no seu meio são razoáveis ou não, e as vítimas de padres pedófilos não se surpreendem já que - historicamente - as autoridades católicas se preocuparam muito mais em proteger os abusadores do que com o sofrimento que eles causaram.

Dois pesos e duas medidas, portanto. Claro que esta é uma generalização barata de um problema muito mais profundo, mas ela é propositalmente feita para que se perceba a fragilidade dos argumentos do cardeal. Do alto do seu trono episcopal, ele agora controla as consciências já destinadas à tragédia e decide quem pode ou não pode sofrer...

Desconfio que boa parte da perda de influência e de fiéis da igreja católica se dê pelo abandono concomitante do foco no seu discurso teológico. Ao leigo, parece que eles só se preocupam com o aborto, que se torna um discurso ideológico ao sabor das marés políticas e jurídicas de ocasião.

Isso não quer dizer que o discurso anti-aborto não seja legítimo, dentro do ambiente e da ênfase em que ele se fizer necessário. O que ele não pode trazer embutido é o desejo inquisitório e autoritário de decidir quem vai sofrer, acrescentando dor externa a quem não consegue mais suportar a dor que carrega no ventre...





9 de abril de 1945: Dietrich Bonhoeffer é enforcado

Todo dia 9 de abril deve ser um dia para relembrar um dos maiores mártires cristãos do século XX: Dietrich Bonhoeffer. Foi na madrugada de um dia como esse, em 1945, um mês antes de encerrar a Segunda Guerra Mundial, que ele foi enforcado nu por ter ousado se contrapor à loucura perpetrada por Hitler. Abaixo, um trecho do seu ensinamento sobre o que ser significa ser discípulo de Cristo:
Quando as Escrituras Sagradas falam do discipulado de Jesus, proclamam a libertação do homem de todos os preceitos humanos, de tudo quanto oprime, sobrecarrega, provoca preocupações e tormentos à consciência. No discipulado, o ser humano sai de sob o jugo de suas próprias leis, e submete-se ao jugo suave de Jesus Cristo. Seria isso menosprezo da seriedade dos mandamentos de Jesus? Não. Antes, somente onde permanece de pé o mandamento integral de Jesus, o chamado ao discipulado sem restrições, é que se torna possível a plena libertação do homem para a comunhão em Jesus. Quem segue indiviso ao mandamento de Jesus, quem se sujeita sem resistência ao jugo de Jesus, a este se lhe torna leve o fardo que tem de levar, recebendo, na suave pressão desse jugo, a força necessária para percorrer o caminho certo sem cansaço. O mandamento de Jesus é duro, desumanamente duro para aquele que se lhe opõe. O mandamento de Jesus é suave e fácil para aquele que voluntariamente se lhe sujeita. “Os seus mandamentos não são penosos” (1ª Pedro 5:3). O mandamento de Jesus nada tem que ver com curas psicológicas violentas. Jesus nada nos exige sem nos dar forças para o realizar. O mandamento de Jesus jamais destruirá a vida, mas a conservará, fortalecê-la-á e a sanará.

(Dietrich Bonhoeffer, em “Discipulado”, Ed. Sinodal, pág. 4)




Mazzaropi faria 100 anos hoje

Se vivo fosse, Amácio Mazzaropi completaria hoje, 9 de abril de 2012, 100 anos de idade. Infelizmente, morreu aos 69, em 13 de junho de 1981, deixando uma obra cinematográfica das mais importantes no Brasil. Símbolo maior do humor ingênuo do caipirão do interior, encarnou como ninguém o Jeca Tatu, personagem criado por Monteiro Lobato para homenagear e perpetuar na memória nacional o típico sujeito simplório do interior do Brasil, mais especificamente do Estado de São Paulo.

É uma pena que as gerações mais jovens não tenham tido a oportunidade de conhecer Mazzaropi. Muito provavelmente ele não faria atualmente - com essa geração conectada 24 horas -  o sucesso que fez no século passado, mas é difícil imaginar alguém que pudesse hoje reunir multidões tão gigantescas como ele reuniu em shows de circo ou num cinema qualquer das cidades pequenas e médias do país.

Os mais antigos diziam que o seu sucesso inicial se deveu ao controle rígido que ele exercia sobre as suas produções, despachando as antigas latas com os rolos de filme pelas ferrovias do interior, e indo atrás para conferir pessoalmente os rendimentos das bilheterias. E o povo lotava os cinemas, e as crianças não perdiam as sessões de domingo à tarde, que se chamavam "matinês". Entre elas estava eu, no início dos anos 1970. Assim Mazzaropi construiu seu pequeno império, retratando um país que não existe mais.

Fica para sempre, entretanto, a sua lição de simplicidade e humor ingênuo, valores que podem e devem ser resgatados para se ter uma vida melhor, mais leve e menos estressante. Abaixo um trecho do filme "O Grande Xerife", de 1972, em que Mazzaropi interpreta o sacristão que - debochadamente - passa a sacolinha para recolher fundos para a construção da igreja. Nada muito diferente do que se vê hoje em rede nacional de TV:





domingo, 8 de abril de 2012

Bancos mexicanos cancelam contas da igreja de Edir Macedo

O cerco se aperta quanto à igreja do Edir no México. Bons tempos mesmos eram aqueles em que crente não precisava ter conta em banco, né!? A notícia vem do UOL:

Bancos mexicanos cancelam contas da Igreja Universal

Pelo menos três bancos do México cancelaram as contas da Igreja Universal do Reino de Deus, depois que o culto foi denunciado no Brasil por fraude e lavagem de dinheiro, noticiou a imprensa mexicana neste domingo (8).

"O Banamex, atendendo a seus interesses, tomou a determinação de dar por terminado o contrado com o senhor e, como consequência disto, procederemos ao cancelamento de contas e serviços", informou o banco aos encarregados da igreja no México em outubro passado, segundo o jornal "Reforma".

Os bancos Santander e Ixe adotaram a mesma medida entre este mês e novembro.

Em setembro de 2011, o fundador e líder da igreja, bispo Edir Macedo, e outros três encarregados da instituição haviam sido acusados pelo Ministério Público brasileiro de lavar dinheiro e enviá-lo ilegalmente aos Estados Unidos.

No total foram canceladas no México cinco contas de cheques e um investimento de prazo fixo e a igreja se viu obrigada a retirar os fundos que tinha nelas.

Como consequência, a Igreja Universal do Reino de Deus, que também se denomina pelo nome de seu programa televisivo "Pare de Sofrer", apresentou um amparo por considerar que tem tido negado "o acesso ao serviço que todo mexicano tem de acessar o serviço do Sistema Financeiro Mexicano", revelou o jornal "Reforma".



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