domingo, 10 de março de 2013

O som do silêncio

the sound of silence
"The Sound of Silence" ("O Som do Silêncio") é um clássico lançado em 1965 por Simon & Garfunkel que merece ser sempre revisitado.

Paul Simon e Art Garfunkel eram dois garotos de origem judaica que se encontraram aos 12 anos de idade numa escola do bairro em que moravam em Nova York, isto em 1953.

Desta junção de talentos, improvável para a pré-adolescência em qualquer tempo e circunstância, surgiu uma das duplas mais espetaculares e de maior sucesso na história da música popular, mais especificamente do gênero folk americano.

Felizmente, eles tiveram bom senso e preferiram utilizar seus nomes reais ao invés de perpetuar o Tom & Jerry, primeiro título da dupla. O mundo e o bom gosto agradecem.

Ao lado de vários outros clássicos, como "Bridge Over Troubled Waters", "Mrs. Robinson", "The Boxer" e "Homeward Bound", "The Sound of Silence" marcou uma época dourada do cancioneiro mundial, os gloriosos anos 60.

Curiosamente, a canção surgiu da influência de um fato histórico, o assassinato do presidente John F. Kennedy em 22 de novembro de 1963, mesclada com uma situação corriqueira: uma simples ida ao banheiro.

Paul Simon recorda que gostava de ir com o violão ao banheiro, para ali compor, por causa da reverberação do som nos azulejos das paredes.

No dia 19 de fevereiro de 1964, ao abrir a torneira, e ouvir o som da água caindo na pia, ele percebeu como aquilo quebrava o silêncio do recinto, e compôs os dois primeiros versos da canção:

Olá escuridão, minha velha amiga
Vim conversar com você de novo

Daí fluiu aos borbotões a maravilhosa letra que você pode conferir mais abaixo.

Claro que nem tudo foram flores na carreira de Simon & Garfunkel, sujeita às idas e vindas que caracterizam todo duo, trio, quarteto ou banda da história da música pop.

Entre chuvas e trovoadas, abaixo vão dois vídeos dos dois cantando "The Sound of Silence". O primeiro é do antológico concerto no Central Park de Nova York em 19 de setembro de 1981, e o segundo no Madison Square Garden (também em NY), em 29 de outubro de 2009, por ocasião do 25º aniversário do Hall da Fama do Rock.

Repare que 28 anos de intervalo entre as duas apresentações não foram capazes de afetar o entrosamento, a voz e a afinação dos dois talentos natos, apesar da óbvia (e inevitável) decadência física.

No fundo, mesmo com todas as escoriações causadas pelas décadas de concertos e celebridades, eles continuam sendo os mesmos garotos que um dia se encontraram numa escola pública qualquer.





The Sound Of Silence

Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains within the sound of silence

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp

When my eyes were stabbed
By the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening

People writing songs
That voices never share
And no one dare
Disturb the sound of silence

"Fools" said I, "you do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach to you"
But my words like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon God they made
And the sign flashed out it's warning
And the words that it was forming

And the sign said
"The words of the prophets
Are written on the subway walls
And tenement halls"
And whispered in the sound of silence


Tradução:


O Som do Silêncio

Olá escuridão, minha velha amiga
Vim conversar com você de novo
Porque uma visão um pouco arrepiante
Deixou sementes enquanto eu dormia
E a visão que foi plantada em meu cérebro
Ainda permanece dentro do som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminhei só
Em ruas estreitas de paralelepípedos
Sob a luz das lampadas da rua
Levantei minha lapela para me proteger do frio e umidade

Quando meus olhos foram apunhalados
Pelo brilho de uma luz de néon
Que rachou a noite
E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi
Dez mil pessoas, talvez mais
Pessoas conversando sem falar
Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo canções
Que vozes jamais compartilharam
E ninguém ousava
Perturbar o som do silêncio

"Tolos" eu disse, "vocês não sabem
Silêncio é como um câncer que cresce
Ouçam as palavras que eu possa lhes ensinar
Tomem os braços que eu possa lhes estender"
Mas minhas palavras caíam como gotas silenciosas de chuva
E ecoavam no poço do silêncio

E as pessoas curvavam-se e rezavam
Ao Deus de néon que elas criaram
E a placa faiscou o seu aviso
Nas palavras que formava

E a placa dizia,
"As palavras dos profetas
Estão escritas nas paredes do metrô
E nos corredores das casas"
E sussurravam no som do silêncio




7 comentários:

  1. Até que enfim encontrei uma explanação oferecida à nível de literatura. Todos as metáforas empregadas num sentido literário, tais quais, o frio, a escuridão, o Deus de Neon, etc.
    Parabéns pelo post.

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  2. Há um ‘quê’ fúnebre na música, seja o arranjo, seja as vozes, que me atrai profundamente de modo igual às canções Hotel California (de Eagles), Stairway To Heaven (Led Zeppelin) e While My Guitar Gently Weeps (George Harrison). Essas músicas me causam arrepios como nenhuma outra coisa poderia causar.
    E para completar, como se já não bastasse a boa dupla de voz e o arranjo da música, há uma letra que nos faz quedar em reflexão, igual a música Do You Know Where You're Going To (Diana Ross)

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  3. Simplesmente... maravilhosa. Uma letra que toca a alma e uma interpretação que embala o coração.

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  4. Alguém já descobriu quem é o deus de neon ... kkk, estão quase todos curvados para ele ...

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  5. Eu gostaria de quem alguém me explicasse qual é a posição dada por eles a respeito de Deus nesta letra. Agradeço a quem!

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  6. Qual é a posição dos escritores da letra sobre Deus nesta música?

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  7. Não importa. Deus esta em tudo. Nesse momento. Os olhos estavam fechados.

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