sábado, 15 de maio de 2010

Uma igreja pra chamar de sua

O anúncio da já prevista saída de Silas Malafaia da CGADB – Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil, um dos ramos da denominação no país, pelo próprio telepastor em seu programa, é apenas mais um dos inúmeros espetáculos grotescos que regem a divisão de igrejas pelo Brasil. Só nos últimos meses, o bispo Zé Bruno saiu da Renascer dos Hernandes, e Roberto Damásio saiu da denominação de Valdemiro Santiago, que por sua vez havia saído das barras de Edir Macedo. Todos alegam uma “visão de Deus”, embora o “Deus” em questão se deva escrever com “d” minúsculo, e costume atender pelo nome de Ego. Ninguém ajunta, a não ser temporária e convenientemente. Todos espalham. Não é à toa que uma das palavras mais esquecidas de Jesus é aquela que Ele diz em Mateus 12:30, “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha”, ao contrário do versículo anterior, que fala de “amarrar o valente”, para delírio dos que dizem “tá amarrado!” pra tudo. Por sinal, o que não falta na igreja evangélica brasileira são valentões, a discordar de tudo e de todos, arrotando apostolados, primazias e revelações especiais que lhes autorizariam comandar todos e não serem liderados por ninguém. Como já alertava Pedro: “Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita (2 Pedro 2:1-3).


No fundo, todos têm uma incapacidade crônica de submeter-se não só a outros líderes, mas ao Espírito Santo e à Sua Palavra. Criam um “evangelho” próprio, cheio de “sabedoria” humana, como as pílulas de vaidade dos gurus a que servem (vide Mike Murdoch). É a Bíblia que deve se adaptar ao seu discurso e não o seu ministério que tem que se adequar à Palavra. Não aprenderam o que é humildade, e fogem da palavra “servir” que Jesus tanto prezava. Ao contrário, querem ser servidos por robôs cegos travestidos de ovelhas dóceis, “engodando as almas inconstantes, tendo um coração exercitado na ganância, filhos de maldição, [...] especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas concupiscências, e desprezam toda autoridade. Atrevidos, arrogantes, não receiam blasfemar das dignidades, [...] falando palavras arrogantes de vaidade, nas concupiscências da carne engodam com dissoluções aqueles que mal estão escapando aos que vivem no erro (2Pe 2:10, 14,19-20). Profanam o bom nome do Senhor alegando – hoje - visões vindas dEle, que desdizem revelações que alegavam ter recebido ontem e contrariam aquelas que proclamarão amanhã como se fossem grandes novidades descidas do alto. Como se julgam infalíveis, blasfemam, portanto, ao atribuir o papel de mentiroso ao Santo Espírito de Deus, nome santo que se torna um joguete ao sabor de sua obstinação materialista e egocêntrica. Nada de novo, infelizmente. Talvez estejamos “apenas” testemunhando a nefasta e arrastada crônica da morte anunciada da igreja evangélica brasileira. Mas, graças a Deus, restarão ainda 7.000 que não dobrarão seus joelhos a Baal.

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