sábado, 19 de setembro de 2015

Quais são as formas jurídicas que lidam com o abandono de crianças?


A matéria é do Conselho Nacional de Justiça:

Entenda a diferença entre abandono
intelectual, material e afetivo

A Constituição Federal determina, no artigo 229, que os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, da mesma forma que os filhos maiores têm a obrigação de amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Quando esse dever não é cumprido, pode ser caracterizado, na Justiça, como crimes de abandono intelectual, material ou, conforme a jurisprudência recente firmada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), abandono afetivo. Para esses crimes estão previstas penas como a detenção e o pagamento de indenizações à vítima.

No Brasil, os crimes de abandono material e intelectual estão previstos no Código Penal, no capítulo III, intitulado “Dos crimes contra a assistência familiar”. Conforme estabelece o artigo 244 do código, o abandono material acontece quando se deixa de prover, sem justa causa, a subsistência do filho menor de 18 anos, não proporcionando os recursos necessários ou deixando de pagar a pensão alimentícia acordada na Justiça ou, ainda, deixar de socorrê-lo em uma enfermidade grave. A pena para este crime é de um a quatro anos de detenção, além de multa fixada entre um e dez salários mínimos.

Já o abandono intelectual ocorre quando o pai, a mãe ou o responsável deixa de garantir a educação primária de seu filho sem justa causa. O objetivo da norma é garantir que toda criança tenha direito à educação, evitando a evasão escolar. Dessa forma, os pais têm a obrigação de assegurar a permanência dos filhos na escola dos 4 aos 17 anos. A pena fixada para esta situação é de quinze dias a um mês de reclusão, além de multa. Outra forma de abandono intelectual por parte dos pais estabelecida pelo Código Penal é permitir que um menor frequente casas de jogo ou conviva com pessoa viciosa ou de má-vida, frequente espetáculo capaz de pervertê-lo, resida ou trabalhe em casa de prostituição, mendigue ou sirva de mendigo para excitar a comiseração pública.

Abandono Afetivo – Quando caracterizada a indiferença afetiva de um genitor em relação a seus filhos, ainda que não exista abandono material e intelectual, pode ser constatado, na Justiça, o abandono afetivo. Apesar desse problema familiar sempre ter existido na sociedade, apenas nos últimos anos o tema começou a ser levado à Justiça, por meio de ações em que as vítimas, no caso os filhos, pedem indenizações pelo dano de abandono afetivo. Algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) são no sentido de conceder a indenização, considerando que o abandono afetivo constitui descumprimento do dever legal de cuidado, criação, educação e companhia presente, previstos implicitamente na Constituição Federal.

Abandono de recém-nascido – Frequentemente noticiado na mídia, o abandono de bebês recém-nascidos constitui crime previsto no artigo 134 do Código Penal, cuja pena de detenção de até dois anos pode ser aumentada para até seis anos caso o abandono resulte em lesão corporal de natureza grave ou em morte da criança. De acordo com o artigo 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), qualquer gestante que queira entregar o seu filho à adoção pode fazê-lo com segurança e respaldo do Poder Judiciário. A gestante deve procurar a Vara de Infância, onde será atendida por uma equipe psicossocial e terá direito à assistência jurídica pela defensoria pública.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Começa hoje na Inglaterra a Copa do Mundo de Rugby 2015


O mundo do rugby está hoje em festa, pela volta do esporte ao seu lar, a Inglaterra, só que desta vez para a realização da Copa do Mundo 2015.

Treze estádios serão utilizados para o evento, sendo doze na Inglaterra (três em Londres) e um em Cardiff, capital do País de Gales, um dos integrantes do Reino Unido (juntamente com Escócia e Irlanda do Norte).

A Irlanda tem uma particularidade interessante no que diz respeito ao rugby. Sua seleção é representada por jogadores da República da Irlanda (capital Dublin) e da Irlanda do Norte (capital Belfast), numa união que não é vista em nenhum outro esporte de massas e muito menos na política.

Tal fato se explica, talvez, pela importância que se dá à confraternização com o time adversário no rugby.

Apesar das partidas serem disputadas, aos olhos do leigo, com algo que ele chamaria de "truculência", o respeito e a lealdade entre os jogadores são fatores sempre incentivados e vividos na prática. Rivalidade só dentro de campo.

Assim como do futebol, a Inglaterra é o berço do esporte que nasceu na cidade de Rugby, de onde tomou seu nome.

Naquela época, se praticava um esporte parecido com o futebol moderno, onde não havia, por exemplo, limite no número de jogadores por equipe.

Por sinal, essa estranha forma de futebol primitivo havia sido proibida pelo rei Eduardo III (1312-1377), por considerá-lo um esporte "não cristão".

No começo do século XIX, o futebol estava de volta à Inglaterra, sendo disputado principalmente nos colégios.

Diz a lenda que, em 1823, um jovem estudante do colégio de Rugby, chamado William Webb Ellis, revoltado com o excessivo número de jogadores em campo e a dificuldade de praticar o jogo com os pés, pegou a bola com as mãos e saiu correndo até a linha de fundo adversária.

Teria surgido aí o esporte que hoje conhecemos como rugby, cujas regras, a exemplo do que ocorreu com o futebol, foram sendo atualizadas e fixadas com o passar do tempo. No rugby, a bola terminou oval.

Embora haja controvérsias sobre a "lenda" contada acima, não há dúvidas de que o esporte realmente nasceu em Rugby, e o troféu que é dado à seleção campeã da Copa do Mundo, não por acaso, tem o nome de William Webb Ellis.

Esta será a oitava edição da Copa do Mundo de Rugby. Nova Zelândia (os "All Blacks"), Austrália (os "Wallabies") e África do Sul (os "Springboks"), com 2 títulos cada, e Inglaterra, com 1, integram a restrita galeria de quem já levou o troféu para casa. São também as grandes favoritas para o título de 2015.

Ao seu lado, com chances de vitória, poderíamos escalar França, País de Gales e Irlanda, que correm por fora como azarões.

Ainda incipiente no Brasil, os fãs sul-americanos do esporte vão ter que torcer para a Argentina (os "Pumas"), que tem uma seleção tradicional nas competições mundiais, com alguma chance de pelo menos surpreender algum dos favoritos na edição de 2015.

A imperdível final será disputada no mítico estádio de Twickenham, em Londres, no dia 31 de outubro de 2015.

Os jogos poderão ser acompanhados, no Brasil, pela transmissão dos canais por assinatura da ESPN. A abertura do campeonato ocorre hoje às 15:45h de Brasília, com a partida Inglaterra x Fiji.

Apesar de todo o carinho que sente pela Argentina, este que vos escreve, como sempre, vestirá sua camiseta dos All Blacks e torcerá pela Nova Zelândia, a atual campeã e, a exemplo do Brasil no futebol, a seleção "queridinha" do rugby no mundo.

Se você ainda não conhece o rugby, aproveite a Copa do Mundo que começa hoje para começar a entendê-lo e apreciá-lo. 

Há grandes chances de você, no mínimo, se divertir bastante.

Hoje o troféu William Webb Ellis começa a ser assediado pelas principais seleções do mundo.




quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Charlie Hebdo satiriza menino muçulmano morto por afogamento


A revista satírica francesa Charlie Hebdo ficou tristemente conhecida no mundo pelo atentado terrorista que sofreu em janeiro deste ano, onde doze pessoas foram mortas por extremistas islâmicos, além de onze feridos.

Marca característica do semanário, a irreverência sem limites que leva ao extremo o ataque a pessoas, instituições e - sobretudo - religiões tem gerado muita polêmica ao longo dos anos.

O ataque terrorista de janeiro de 2015 foi repudiado globalmente em nome da liberdade de expressão, garantia fundamental dos povos civilizados que a revista continua fazendo questão de testar os limites, como se pode ver na charge acima, publicada na sua última edição.

Charlie Hebdo não se fez de rogada e satirizou a morte do garoto Aylan Kurdi, afogado quando tentava chegar à Europa por mar, juntamente com sua família em busca de refúgio da guerra civil que assola a Síria.

A foto que registrou o menino morto na praia gerou comoção mundial e, a partir daí, fronteiras foram abertas na Europa para asilar os sírios que arriscam a vida para atravessar o Mar Mediterrâneo.

São dois cartuns na verdade, do lado direito aparece uma figura que remete a Jesus caminhando sobre as águas enquanto uma criança se afoga, com os dizeres "os cristãos andam sobre as águas" e "as crianças muçulmanas afundam", tudo embaixo do título "a prova de que a Europa é cristã".

Do lado esquerdo está uma reprodução da tristemente célebre foto de Aylan Kurdi morto na praia, com os dizeres "tão perto do alvo", tendo ao lado um outdoor do McDonald's anunciando "Promoção... dois McLanche Feliz pelo preço de um", sob a portada "Boas vindas aos imigrantes!".

Desta vez, a revista francesa foi severamente criticada pelo - no mínimo - mau gosto da caricatura, mas ao que tudo indica eles não vão desistir de sua iconoclastia na base do "choque de civilizações" ou do "quanto pior, melhor!".

Não será desta vez, entretanto, que essa pergunta será respondida: "o humor pode tudo?"



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Pesquisadora diz que crianças agem mal por "diversão"


Tese defendida por pesquisadora americana parece justificar a doutrina do pecado original, segundo a matéria publicada na Galileu:

Crianças não precisam de um motivo para se comportarem mal

Pesquisadora americana sugere que os pequenos não precisam ser provocados, apenas agem assim por diversão

Isabela Moreira

Crianças podem ser instáveis: fofas e amigáveis em um momento, judiando do irmão caçula no outro. A teoria geral para justificar esse tipo de comportamento é que os pequenos agem assim porque estão frustrados e ainda não desenvolveram o autocontrole.

Mas um estudo realizado por Audun Dahl, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos, possui uma visão diferente sobre o problema. Para a pesquisadora, as crianças não precisam de um motivo específico para agirem como pequenos terroristas.

Audun observou cerca de 25 crianças em três momentos diferentes das vidas delas: quando tinham 14 meses, 19 meses e 2 anos. Em cada uma dessas sessões, a acadêmica passou pelo menos duas horas assistindo a como os participantes se comportavam em casa.

Ela percebeu que, na metade das vezes em que as crianças faziam mal a alguém (a ordem de preferências nesses casos, segundo a pesquisadora, é: pais, irmãos e animais de estimação), foi sem provocação alguma. Uma média de 43% das interações tinham a ver com um elemento que as incomodava, como um irmão mais novo irritante, por exemplo. O resto das ações pareciam ter sido intencionais, porém sem provocação para tal.

A autora do estudo sugere que, se a frustração ou a raiva não explicam comportamentos ruins, essa pode simplesmente ser uma forma de diversão para as crianças. Além disso, Auden afirma que os pequenos costumam melhorar conforme ficam mais velhos: o pico dessa fase é quando eles completam um ano e meio e ela vai diminuindo até desaparecer aos dois anos.

Via Science of Us

*Com supervisão de André Jorge de Oliveira



terça-feira, 15 de setembro de 2015

Família argentina vai aos EUA de Kombi para ver o papa


A matéria é da Gaudium Press:

Família argentina viaja em uma kombi para o Encontro Mundial das Famílias

Catire, Noël, Carmin, Mia, Dimas e Cala são a Família Walker, que desde março embarcaram em uma grande aventura desde Buenos Aires, Argentina, rumo a Filadélfia, Estados Unidos para assistir ao Encontro Mundial das Famílias que ocorrerá de 22 a 27 de setembro. Dentro de uma kombi, que chamaram de 'Francisca', os seis membros desta família argentina percorreram um total de 18 mil quilômetros na rota pan-americana para não perder o encontro internacional e celebrar o dom da família.

"E chegamos aos Estados Unidos! Parecia tão distante e de repente estávamos cruzando a última fronteira. Emoção e nostalgia por tudo o vivido. As crianças pegaram a bandeira número 13 em Francisca e seguimos a rota até Laguna Vista, Texas. Nos receberam os Sippel-Fish com um riquíssimo barbecue", contam os Walker a partir de sua fanpage no Facebook, uma vez que chegaram ao território norte-americano no dia 1º de setembro.

Mas como surgiu esta ideia? Eles mesmos contam no website 'América em Família', o qual dispuseram para narrar suas experiências, que por ocasião do Encontro Mundial com o Papa Francisco na Filadélfia, "decidimos concentrar um projeto que sonhávamos 'para quando as crianças fossem grandes' e convertê-lo em uma experiência de família".

Para isso deixaram tudo na Argentina, conseguiram a kombi modelo 1980 e empreenderam esta viagem com vários objetivos. Um deles é justamente o de celebrar a família. "É um presente que nos fazemos e que queremos deixar para nossos filhos. Não são férias, tão pouco uma viagem. Queremos dedicar tempo ao que mais queremos: a família; e fazendo algo que nos agrada a todos: viajar", contam. Tudo isso, também, para sair ao encontro de outras famílias, "para nutrir-nos de experiências e realidades que veremos ao longo deste caminho".

Outro dos objetivos foi o de evangelizar e dar a conhecer o Encontro Mundial das Famílias. "Cremos na família como força de mudança para um mundo melhor e como espaço privilegiado para viver e ser feliz. O Papa Francisco, que tanto nos inspirou, está trabalhando intensamente para proteger e impulsionar as famílias. Queremos somar-nos a esta celebração, dar a conhecer o Encontro e identificar-nos com o lema: 'A família plenamente viva'". (GPE/EPC)





segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Ex-governador do Texas diz que Deus o convenceu a desistir de candidatura à presidência dos EUA

Rick Perry faltou à aula sobre "como evitar fotos ridículas na sua campanha eleitoral"

Rick Perry foi governador do Estado do Texas de dezembro de 2000 a janeiro de 2015, e - até a semana passada - era um dos muitos pretendentes à ultraconcorrida vaga de candidato a presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano.

Evangélico fundamentalista, Perry cresceu numa família metodista, mas já há alguns anos frequenta a Lake Hills Church, um igreja não vinculada às grandes denominações situada em Austin (TX).

Enquanto era governador do Texas, Rick Perry tentou pavimentar sua candidatura à sucessão de Barack Obama reforçando seus laços com o movimento fundamentalista evangélico do país.

Com este fim em mente, tomou medidas polêmicas como a convocação de um dia de oração e jejum em 6 de agosto de 2011, convidando outros governadores americanos a participar do evento promovido pela American Family Association em Houston.

O problema é que - apesar de governar um dos Estados mais importantes do país - a sua campanha à presidência dos EUA não decolou. 

Perdido no meio de mais de uma dezena de pré-candidatos republicanos que disputam as prévias do partido, o qual - ao que tudo indica, segundo as pesquisas mais recentes - deverá ter o magnata Donald Trump como cabeça de chapa, Rick Perry resolveu desistir da disputa.

Na última sexta-feira, 11 de setembro de 2015, Rick Perry convocou uma entrevista coletiva na qual disse que "quando eu entreguei minha vida a Cristo, eu lhE disse 'os Teus caminhos são maiores do que os meus, a Tua vontade superior à minha'. Hoje eu admito que a Sua vontade continuará sendo um mistério, mas algumas coisas ficaram claras. É por isso que hoje eu estou suspendendo a minha campanha para a presidência dos Estados Unidos".

Na ocasião, o ex-governador do Texas não perdeu a chance de criticar Donald Trump, que entre uma e outra de suas conhecidas bravatas histriônicas, atacou a imigração dos mexicanos, acusando-os de "estupradores" e "ladrões", ameaçando erguer um muro em toda a divisa com o México.

Sem se referir diretamente a Trump, Perry disse que "nós podemos reforçar a fronteira e reformar o nosso sistema de imigração sem retórica inflamada, sem apelos rasteiros que nos dividem com base em raça, cultura e credo... menosprezar o povo de descendência hispânica não é só ignorante, como também trai o exemplo de Cristo. Nós podemos garantir o respeito de nossas leis e fronteiras, e nós podemos amar a todos os que vivem dentro das nossas fronteiras sem trair os nossos valores".

O que Perry não contou é que, ao ver um potencial candidato se esvair no curso da campanha, os seus financiadores desistem dele e passam a apoiar quem tem mais chances de vitória. 

E, sem dinheiro, ninguém consegue levar adiante uma campanha deste porte.

Money, money, money....

Como não tinha mais como passar o chapéu, Rick Perry o jogou e disse adeus.

As informações acima foram colhidas no Think Progress.



domingo, 13 de setembro de 2015

Ler um livro pode turbinar os seus relacionamentos


A matéria é do Brasil Post:

Por que ler um livro faz bem para seus relacionamentos

Leigh Weingus

Boa notícia para todos vocês aí fora que gostam de ler: praticar a leitura por prazer traz muitos benefícios sociais, revela um estudo novo.

Uma sondagem realizada com 4.000 adultos no Reino Unido constatou que as pessoas que leem por prazer têm habilidades sociais melhores, comunicação melhor entre pais e filhos, índices mais baixos de depressão e demência e nível mais alto de bem-estar geral.

Por que será que passar um bom tempo a sós com um livro faz tanto bem a nossos relacionamentos?

“A prática da leitura nos leva a entender melhor nossa própria identidade e também pode nos ajudar em muito a nos relacionar com outras pessoas, entender a visão de mundo das outras pessoas e assim por diante”, diz a pesquisa do grupo britânico The Reading Agency, que promove a leitura. A informação é da BBC.

É claro que os benefícios de se perder em um livro vão muito além do que revelou a pesquisa mais recente. Um estudo de 2009 constatou que a leitura ajuda as pessoas a superar o estresse; outro estudo menor descobriu que as pessoas que leem na idade adulta mais avançada apresentam índice 32% mais baixo de declínio mental. E, se tudo isso não bastasse, ler livros também pode ajudar você a dormir melhor.

Ou seja, é hora de mergulhar fundo em um bom livro do tipo que você lê por prazer.



sábado, 12 de setembro de 2015

"Dama da poeira" sobreviveu ao ataque de 11/9 mas não ao câncer


A matéria é do Brasil Post:

'Dama da poeira', sobrevivente dos ataques de 11 de setembro morre de câncer

Há 14 anos, Marcy Borders ficou conhecida como a "Dama da Poeira". Sobrevivente dos ataques de 11 de setembro, em Nova York, ela foi fotografada por Stan Honda. Sua emblemática foto virou ícone do caos e do horror dos atentados, que derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center.

Nesta quarta-feira (26), a família de Marcy anunciou sua morte, decorrente de um câncer no estômago. Ela foi diagnosticada aos 41 anos, no ano passado.

"Eu estava perto do lobby de um edifício e um policial estava puxando as pessoas para a entrada, para que elas não corressem perigo", contou Honda no 10º aniversário dos ataques, em 2011. "Eu fui para o lado de fora e ficou tudo preto por alguns segundos. Uma mulher então veio totalmente coberta em poeira cinza. Ela estava bem vestida para o trabalho, e por um segundo ela ficou no lobby. Eu tirei uma foto antes que o policial começasse a levar as pessoas para as escadas, pois seria mais seguro ficar fora do nível do solo".

Borders, que tinha 28 anos na época dos ataques, trabalhava no 81º andar da torre norte, a primeira a ser atingida por um avião. Ela conseguiu escapar do edifício assim que a torre sul, a segunda a ser atingida, desabou, e ficou coberta em poeira.

"Eu não conseguia ver minha mão na frente do meu rosto", contou ao New York Post em 2011. "O mundo ficou em silêncio."

Ela ainda contou ao jornal que chegou ao local onde a icônica foto foi tirada ao ser levada para lá por um estranho. De acordo com o Telegraph, ela ainda guardava as roupas -- cobertas em poeira -- em uma sacola plástica dentro do seu armário, mas até 2011 nunca tinha parado para olhá-las.

Após o ataque, ela entrou em depressão e passou a usar drogas. Ela foi internada em uma clínica de reabilitação em 2011.

Em uma das suas últimas entrevistas, ao Jersey Journal, ela especulou que sua doença estivesse relacionada aos ataques.

"Eu me pergunto, 'será que isso colocou células cancerígenas em mim?'. Eu realmente acredito que sim, porque eu nunca tive nenhuma doença. Não tenho pressão alta, colesterol, diabetes... Como você um dia é saudável, e no outro acorda com câncer?"

O número de casos de câncer ligados ao 11 de setembro cresceu nos últimos anos. Em maio deste ano, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças afirmou que mais de 4.000 trabalhadores e sobreviventes dos ataques foram diagnosticados com câncer. Os tipos mais comuns são câncer de pele, próstata e linfoma.



sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Guindaste despenca em Meca e mata ao menos 65 peregrinos


A trágica informação ainda está começando a chegar via agências internacionais de notícias, mas os primeiros relatos dão conta de que pelo menos 65 pessoas teriam morrido em decorrência do colapso de um guindaste utilizado nas obras de restauração e ampliação da Grande Mesquita de Meca, o local mais sagrado do Islã.

Os números ainda são provisórios, mas se acredita que pelo menos 150 pessoas tenham ficado feridas em função do acidente, que ocorreu às 18:30 h desta sexta-feira, 11 de setembro de 2015 (12:30 h pelo horário de Brasília).

Embora não seja ainda a época do Hajj, a tradicional peregrinação que todo muçulmano deve fazer a Meca, que cairá este ano entre os dias 21 e 26 de setembro, hoje é sexta-feira, o dia sagrado da semana para a religião islâmica, o que faz crer que o número de vítimas tenha sido maior em razão do feriado semanal.

Testemunhas dizem que o guindaste caiu sobre o teto da Grande Mesquita logo após ter sido atingido por um raio, conforme mostra a foto acima, cuja procedência e datação não pôde ser verificada.

De fato, as autoridades sauditas haviam previsto um dia de tempestades em Meca.

O sítio onde se localiza a Grande Mesquita vem sendo obra de reparos há vários anos, e polêmicas também, conforme já noticiamos aqui em março de 2013.

As informações aqui colhidas vieram do The New York Times e do Daily Mail.



China quer decidir em quem o Dalai Lama vai reencarnar

Quem diria, até quem reencarna em quem, se reencarna, os políticos querem decidir. A matéria é da Galileu:

Governo chinês quer escolher em qual corpo o Dalai Lama vai reencarnar

Chineses afirmam que a santidade não pode se recusar a dar continuidade à tradição

No último domingo (6/9), durante conferência sobre o aniversário de 50 anos da Região Autônoma do Tibete, um oficial do governo chinês afirmou que este tem o direito de escolher a próxima encarnação de Dalai Lama. O representante disse ainda que se não fosse pela intervenção de Pequim, os tibetanos teriam permanecido na era medieval, com práticas ultrapassadas e escravidão.

China/Tibete Em 1950, tropas chinesas invadiram o Tibete e passaram a controlar a região. Após tentativas frustradas de fazer um acordo de paz com autoridades da China como Mao Zedong e Deng Xiaoping, o Dalai Lama se exilou em Dharamsala, na Índia, onde vive até hoje e controla a Administração Central Tibetana. Logo, em 1965, o Tibete entrou para a lista de regiões autônomas da China. As relações políticas, portanto, são delicadas.

A afirmação do oficial chinês faz parecer que a intenção do governo é transformar uma entidade espiritual em ferramenta política. Acontece que, para os tibetanos budistas, os Dalai Lamas são manifestações de Avalokiteshvara, o bodisatva da suprema compaixão dos Budas. Ou seja, eles seriam criaturas iluminadas escolhidas para reencarnarem e servirem a humanidade.

A linhagem conta com 14 Dalai Lamas, sendo Tezin Gyatso o atual “grande protetor”. O tibetano de 80 anos foi descoberto como encarnação da entidade aos 3 e, ao chegar aos 6, começou sua educação monástica. “Sempre me perguntam se eu realmente acredito na encarnação. Essa não é uma resposta fácil de dar. Mas dada a experiência que tive ao longo da vida, não tenho dificuldade em aceitar que sou espiritualmente conectado com os 13 Dalai Lamas que me precederam, com o Chenrezig e o próprio Buda”, afirma Gyatso.

Segundo a Administração Central Tibetana, quando completar 90 anos, o Dalai Lama consultará os Lamas superiores da tradição do budismo tibetano, o público da região e os seguidores da religião para avaliar se a instituição de Dalai Lama deve continuar a reencarnar ou não.

Em 2007, a Administração de Negócios Religiosos do Estado Chinês divulgou um regulamento definido pela China em relação à reencarnação. Por conta desse documento, os chineses acreditam que, independente do que Dalai Lama diga ou faça, a santidade não pode negar o direito do governo de escolher e confirmar uma nova encarnação.

Para o governo chinês, o Dalai Lama não pode se negar a reencarnar e deve respeitar a tradição. Já a santidade afirma que, caso a entidade escolha prosseguir, “seu reconhecimento e aceitação não devem ser dados a um candidato escolhido por conta de meios políticos, ainda mais se forem relacionados a República da China”.

*Com supervisão de André Jorge de Oliveira



quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Justiça de SC tira poder familiar de casal sobre 6 filhos


Uma dessas medidas tristes, mas - ao que tudo indica - necessária no caso, foi tomada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina:

Casal perde poder familiar sobre 6 filhos após década de reiterada negligência

A 3ª Câmara de Direito Civil do TJ manteve decisão que decretou a perda do poder familiar de um casal sobre seus seis filhos, em razão do reiterado descumprimento das orientações recebidas por parte da Justiça no sentido de coibir as violações graves aos direitos dos infantes.

O relator da apelação, desembargador substituto Saul Steil, anotou que os pais deixaram de cumprir os acordos preestabelecidos e de zelar minimamente pelo bem estar da prole. Os filhos sequer eram levados para estabelecimentos de ensino ou de saúde. Padeciam de várias moléstias – entre elas pediculose (piolhos e carrapatos) – e apresentavam saúde bucal precária. A mãe, em seu depoimento, mostrou-se frustrada diante dos problemas existentes e afirmou não ter ânimo para reverter este quadro, ainda que ciente da possibilidade de abrigamento dos filhos.

O relator, ao analisar os autos, não viu outra solução que não aquela adotada na sentença. Lembrou que a família é acompanhada há mais de 10 anos pelo serviço de assistência social sem que neste período tenha atendido aos encaminhamentos propostos, com reiterado descumprimento das orientações repassadas pelos profissionais no sentido de promover modificações nos hábitos de higiene pessoal, limpeza do lar familiar e saúde bucal, dentre outras. A decisão foi unânime.

Responsável: Ângelo Medeiros - Reg. Prof.: SC00445(JP)
Textos: Américo Wisbeck, Ângelo Medeiros, Daniela Pacheco Costa e Sandra de Araujo



quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Papa autoriza padres a perdoar pecado do aborto


A matéria é do IHU:

Papa concede a todos padres faculdade de absolver o pecado do aborto

O Papa Francisco enviou, nesta terça-feira (1º/9), uma carta ao Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Arcebispo Rino Fisichella, responsável pela organização do Jubileu da Misericórdia, na qual descreve as diversas formas em que será possível obter indulgências durante o Ano Santo, entre 8 de dezembro deste ano até 20 de novembro de 2016.

A reportagem é publicada por Rádio Vaticana, 01-09-2015.

Entre as novidades, o Papa concede a todos os sacerdotes a faculdade de absolver o pecado do aborto e a confirma a validação do Sacramento da Confissão realizado por padres da Fraternidade São Pio X.

A mensagem traz as reflexões sobre alguns pontos que o Papa considera importantes para que a celebração do Ano Santo seja “um verdadeiro momento de encontro com a misericórdia de Deus”.

“Espero que a indulgência jubilar chegue a cada um como uma experiência genuína da misericórdia de Deus, que vai ao encontro de todos com o rosto do Pai que acolhe e perdoa, esquecendo completamente o pecado cometido”, refletiu o Pontífice.

Peregrinação

Para viver e obter a indulgência, os fieis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à Porta Santa, aberta em cada Catedral ou nas igrejas estabelecidas pelo Bispo diocesano, e nas quatro Basílicas Papais em Roma, como sinal do profundo desejo de verdadeira conversão.

“Estabeleço, igualmente, que se possa obter a indulgência nos Santuários onde se abrir a Porta da Misericórdia e nas igrejas que tradicionalmente são identificadas como Jubilares. É importante que este momento esteja unido, em primeiro lugar, ao Sacramento da Reconciliação e à celebração da santa Eucaristia com uma reflexão sobre a misericórdia”, recordou o Papa.

“Será necessário acompanhar estas celebrações com a profissão de fé e com a oração por mim e pelas intenções que trago no coração para o bem da Igreja e do mundo inteiro”, acrescentou Francisco.

Enfermos

Sobre aqueles que, por diversos motivos, estiverem impossibilitados de ir até à Porta Santa, sobretudo os doentes e as pessoas idosas e sós, que muitas vezes se encontram em condições de não poder sair de casa, o Papa garantiu:

É preciso “viver com fé e esperança jubilosa este momento de provação, recebendo a comunhão ou participando na santa Missa e na oração comunitária, inclusive por meio dos vários meios de comunicação – que será para eles o modo de obter a indulgência jubilar”, afirmou o Papa.

Presos

O pensamento de Francisco dirige-se também aos encarcerados.

“O Jubileu constituiu sempre a oportunidade de uma grande anistia, destinada a envolver muitas pessoas que, mesmo merecedoras de punição, todavia tomaram consciência da injustiça perpetrada e desejam sinceramente inserir-se de novo na sociedade, oferecendo o seu contributo honesto”, destacou o Pontífice.

E fez um pedido: “A todos eles chegue concretamente a misericórdia do Pai que quer estar próximo de quem mais necessita do seu perdão”.

O Papa destacou ainda que os presos “poderão obter a indulgência, e todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai, que este gesto signifique para eles a passagem pela Porta Santa, porque a misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também transformar as grades em experiência de liberdade”.

Misericórdia

Ao recordar seu pedido para que “a Igreja redescubra neste tempo jubilar a riqueza contida nas obras de misericórdia corporais e espirituais”, o Papa recordou que a experiência da misericórdia torna-se visível no testemunho de sinais concretos como o próprio Jesus nos ensinou”.

“Todas as vezes que um fiel viver uma ou mais destas obras pessoalmente obterá, sem dúvida, a indulgência jubilar. Daqui o compromisso a viver de misericórdia para alcançar a graça do perdão completo e exaustivo pela força do amor do Pai que não exclui ninguém. Portanto, tratar-se-á de uma indulgência jubilar plena, fruto do próprio evento que é celebrado e vivido com fé, esperança e caridade”.

Falecidos

O Papa explicou ainda que a indulgência jubilar poderá ser obtida também para quantos faleceram.

“A eles estamos unidos pelo testemunho de fé e caridade que nos deixaram. Assim como os recordamos na celebração eucarística, também podemos, no grande mistério da comunhão dos Santos, rezar por eles, para que o rosto misericordioso do Pai os liberte de qualquer resíduo de culpa e possa abraçá-los na beatitude sem fim”.

Remetendo ao seu magistério apresentado na Encíclica Laudato si, Francisco recordou que um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida: “uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida”.

Aborto

Nesse contexto caótico, Francisco afirmou que “o drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer”.

O Papa dedicou atenção especial às mulheres que recorreram ao aborto. “Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa”.

O que aconteceu é profundamente injusto – sublinhou o Papa – “contudo somente a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança. O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando com coração sincero se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai”.

Absolvição do pecado do aborto

Também por este motivo – destacou o Pontífice – “decidi conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado”.

Ao estender a absolvição do aborto a todos os sacerdotes, o Papa recomendou: “os sacerdotes devem se preparar para esta grande tarefa sabendo conjugar palavras de acolhimento genuíno com uma reflexão que ajude a compreender o pecado cometido, e indicar um percurso de conversão autêntica para conseguir entender o verdadeiro e generoso perdão do Pai, que tudo renova com a sua presença”.

Fraternidade São Pio X

Em suas últimas considerações, o Papa dirigiu um pensamento aos fieis que “por diversos motivos sentem o desejo de frequentar as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade São Pio X”.

“Este Ano Jubilar da Misericórdia não exclui ninguém”, – assegurou o Pontífice. “De diversas partes, alguns irmãos Bispos referiram-me acerca da sua boa fé e prática sacramental, porém unida à dificuldade de viver uma condição pastoralmente árdua”, explicou.

“Confio que no futuro próximo se possam encontrar soluções para recuperar a plena comunhão com os sacerdotes e os superiores da Fraternidade”, auspiciou Francisco.

“Entretanto, movido pela exigência de corresponder ao bem destes fieis, estabeleço por minha própria vontade que quantos, durante o Ano Santo da Misericórdia, se aproximarem para celebrar o Sacramento da Reconciliação junto dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, recebam validamente e licitamente a absolvição dos seus pecados”.

O Papa encerrou sua mensagem “confiando na intercessão da Mãe da Misericórdia, recomendo à sua proteção a preparação deste Jubileu Extraordinário”.



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Já existem crentes "ungidas e rasgadas"

É o que publicou O Globo em sua edição de 25/08/15. Destaque para a frase "Deus é fofo":

Projeto de fundadora de igreja mistura fé e malhação: 'Mulher de Deus Ungida e Rasgada'

À frente da Igreja Batista Soul, na Barra, teóloga Danielle Favatto reúne mulheres cristãs em prol dos cuidados com o corpo.

MARTA PAES

RIO - Espírito, mente e corpo em sintonia com Deus. À frente da Igreja Baptista Soul, na Barra — denominação ligada à Primeira Igreja Batista do Recreio —, a pedagoga e teóloga Danielle Favatto também é adepta do culto ao corpo. E “puxar ferro” na academia em nada a afasta da palavra de Deus. Pelo contrário. No dia 1º deste mês, ela lançou o Projeto Mulher de Deus Ungida e Rasgada, sucesso nas redes sociais (#projetomulherdeusungidaerasgada), com o propósito de elevar a autoestima de mulheres que já participavam do grupo de oração que promove.

— Sou cristã consciente; acredito que a espiritualidade é integral. E sou marombeira — afirma Danielle. — Gosto de malhar, me cuido e sou mulher de Deus.

O inusitado nome do projeto vem da união dessas características:

— Ungida porque é uma mulher abençoada, e rasgada porque essa é uma expressão da maromba para mulher definida, malhada.

O projeto, que começou com três pessoas, já reúne 64 mulheres e conta com assessoria e acompanhamento da nutricionista Renata Miranda.

— Eu pesei, calculei percentual de gordura e medi a circunferência da cintura de 47 mulheres. Dividi o grupo em três, montando um planejamento alimentar para cada grupo. E vamos trocando dicas e orientações pelo WhatsApp — conta Renata.

O aplicativo de mensagens via celular, aliás, tornou-se a maior ferramenta do grupo.

— São mensagens dia e noite. Sempre uma dando força a outra — conta Danielle, que usa também o Instagram.

— Ungida porque é uma mulher abençoada, e rasgada porque essa é uma expressão da maromba para mulher definida, malhada.

O projeto, que começou com três pessoas, já reúne 64 mulheres e conta com assessoria e acompanhamento da nutricionista Renata Miranda.

— Eu pesei, calculei percentual de gordura e medi a circunferência da cintura de 47 mulheres. Dividi o grupo em três, montando um planejamento alimentar para cada grupo. E vamos trocando dicas e orientações pelo WhatsApp — conta Renata.

O aplicativo de mensagens via celular, aliás, tornou-se a maior ferramenta do grupo.

— São mensagens dia e noite. Sempre uma dando força a outra — conta Danielle, que usa também o Instagram.



segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Amor de madrasta: a carta de despedida de D. Amélia ao enteado D. Pedro II

Feriadão, 7 de setembro, data tão querida, Dia da Independência do Brasil, ocasião oportuna para relembrar um episódio histórico pouco conhecido, em que o destaque é o amor de uma madrasta por seu enteado, no caso, aquele que seria Imperador do Brasil, conhecido como D. Pedro II.

Alguns dados biográficos são necessários para localizar o leitor na História, entretanto. Vamos lá!

D. Pedro II nasceu em 2 de dezembro de 1825, três anos após a proclamação da Independência do Brasil. 

Sua mãe era a austríaca Imperatriz Leopoldina, primeira esposa de D. Pedro I, figura emblemática e decisiva no rompimento dos laços com Portugal, que viria a falecer em 11 de dezembro de 1826, quando o herdeiro do trono acabara de completar seu primeiro ano de vida.

D. Pedro I se casou novamente em 1829 com D. Amélia de Leuchtenberg, princesa nascida em Milão, na Itália, mas descendente da nobreza franco-germânica da Casa dos Beauharnais.

Como segunda Imperatriz do Brasil, D. Amélia se desdobrou no cuidado dos enteados, filhos de Leopoldina, até que em 7 de abril de 1831, por ocasião da abdicação de D. Pedro I ao trono do Brasil em favor de seu filho, então com 5 anos de idade, ela acompanhou o marido em seu retorno imediato para a Europa.

D. Pedro II ficou sob os cuidados de seu tutor, José Bonifácio, e continuaria se correspondendo afetuosamente com a madrasta D. Amélia até a morte dela em 26 de janeiro de 1873.

É nesse contexto histórico que D. Amélia deixou essa belíssima carta escrita às pressas que vai transcrita abaixo, segundo a matéria do blog História Hoje:


Uma doce madrasta: a carta de despedida de D. Amélia ao enteado e futuro imperador D. Pedro II


Mais uma preciosidade do Correios Instituto Moreira Salles (IMS), a carta de despedida de Amélia Leuchtenberg ao seu querido enteado e futuro imperador do Brasil. No final, o link para ouvir um vídeo em que a atriz Julia Lemmertz faz uma leitura da emocionante missiva.




Uma coroa, um trono e um berço!

De Amélia de Leuchtenberg Para: D. Pedro II

Em 1831, em meio a forte crise política, dom Pedro I abdicou em favor de Pedro de Alcântara, então com seis anos de idade, filho de seu primeiro casamento com dona Leopoldina. Foi obrigado a deixar o Brasil com a segunda mulher, dona Amélia de Leuchtenberg, e, na madrugada de 7 de abril daquele ano, noite da partida, ela, que estava com 19 anos e amava os enteados, deixou esta carta ao menino e futuro imperador dom Pedro II.




Rio de Janeiro, [abril de 1831]

Meu filho do coração e meu imperador,

Adeus, menino querido, delícias de minha alma, alegria de meus olhos, filho que meu coração tinha adotado. Adeus para sempre.

Quanto és formoso nesse teu repouso! Meus olhos choro­sos não se puderam furtar de te contemplar! A majestade de uma coroa, a debilidade da infância, a inocência dos anjos cingem tua fronte de um resplendor misterioso que fascina.

És o espetáculo mais tocante que a terra pode oferecer! Quanta grandeza e quanta fraqueza a humanidade encerra, representadas por ti, criança idolatrada: uma coroa, um trono e um berço!

A púrpura ainda não serve senão para estofo, e tu, que comandas exércitos e reges um Império, ainda careces de todos os desvelos e carinhos de mãe.

Ah! querido menino, se eu fosse tua verdadeira mãe, se meu ventre te tivesse concebido, nenhuma força te arran­caria dos meus braços!

Mas tu, anjo de inocência e de formosura, não me perten­ces senão pelo amor que dediquei a teu augusto pai. Ape­nas sou tua madrasta, embora te queira como se fosses o sangue do meu sangue. Um dever sagrado me obriga a acompanhar o ex-imperador no seu exílio, através os mares, em terras estranhas… Adeus, pois, para sempre! Mães brasileiras, vós que sois meigas e carinhosas para com vossos filhinhos, supri minhas vezes: adotai o órfão coroado, dai-lhe, todas vós, um lugar na vossa família e no vosso coração.

Mães brasileiras, eu vos confio este preciosíssimo penhor da felicidade de vosso país e de vosso povo: ei-lo tão belo e puro como o primogênito de Eva no Paraíso. Eu vo-lo entrego: agora sinto minhas lágrimas correrem com menor amargura.

Dorme criança querida, enquanto nós, teu pai e tua mãe de adoção, partimos para o exílio, sem esperança de nunca mais te vermos… senão em sonhos.

Brasileiros! Eu vos conjuro que o não acordeis antes que me retire.

Adeus, órfão-imperador, vítima de tua grandeza antes que a saibas conhecer. Adeus…




Carlos Sarthou. Relíquias da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica Editora, 1961, pp. 111-112.

Você pode ouvir a leitura da carta feita por Julia Lemmertz no vídeo abaixo:




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