sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Guilherme Pádua é consagrado "pastor" em BH


Sim, é verdade, as pessoas podem mudar da água para o vinho, inclusive os piores criminosos. Mas "reputação" é um pré-requisito incontornável para quem deseja alcançar o ministério cristão.

Portanto, daí a se tornar um pastor cristão vai uma longa estrada e gigantesca diferença.

Entretanto, conforme a igreja evangélica vai se impondo ao país como ideologia, certos versículos bíblicos vão se tornando "letra morta", lamentavelmente, como

“Escolhei, pois, irmãos dentre vós, sete homens de boa reputação…” 
Atos 6.3 (na escolha de diáconos para a igreja primitiva, a primeira de que se tem notícia na Bíblia)

1 Timóteo 3

2 É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar;
7 Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo.

A matéria é d'O Povo:

Guilherme Pádua, assassino de Daniella Perez, se torna pastor evangélico

Em 1992, Pádua e a ex-mulher, Paula Thomaz, armaram uma emboscada para atriz, filha da autora Glória Perez, e a mataram com tesouradas

O ex-ator Guilherme de Pádua, 48 anos, se tornou pastor de uma igreja evangélica, em Belo Horizonte, cidade onde mora. O condenado pela morte de Daniella Perez se converteu à religião em 2002, um ano depois de sair da prisão em que cumpria a pena. Formado em teologia ao lado da nova companheira, Juliana Lacerda, no fim de novembro, Pádua foi nomeado pastor neste fim de semana.

“Enfim, agora Pastor Guilherme! Ele esperou mais que 15 anos para que esse dia chegasse, mas como nós dizemos, tudo no tempo do Senhor. Chegou o seu tempo meu amor", escreveu Lacerda em sua rede social.

No Instagram, Guilherme compartilhou a imagem de sua formatura. "Glória a Deus por mais esta benção. A palavra de Deus é sempre mais do que imaginávamos", escreveu ele.

Em 1992, Pádua e a ex-mulher, Paula Thomaz, armaram uma emboscada para atriz Daniella Perez, filha da autora Glória Perez, e a mataram com tesouradas. O casal foi condenado por homicídio qualidicado depois de cinco anos do crime.



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Em 1777, padre espanhol escondeu mensagem ao futuro em lugar bastante inusitado


A informação esquisitona é da revista Galileu:

Padre usou bunda de estátua de Jesus como "cápsula do tempo"

Esta pode ter sido a primeira vez que um local tão peculiar foi escolhido como esconderijo

Um padre na Espanha do século 18 encontrou um local inesperado para esconder uma mensagem secreta para o futuro: o traseiro de uma estátua oca de Cristo crucificado, chamado Cristo del Miserere. A carta foi encontrada durante a restauração da peça quando especialistas tiraram uma parte do objeto de madeira — mais precisamente o pano que cobre as nádegas de Jesus.

Aparentemente o intuito da estátua realmente era servir como "cápsula do tempo". "Embora seja habitual que muitas esculturas estejam vazias, não é tão difícil encontrar documentos manuscritos dentro", explicou o historiador Efrén Arroyo, membro da Fraternidade da Semana Santa de Sotillo de la Ribera, à Agencia EFE.

O documento foi escrito em 1777 por Joaquín Mínguez, capelão da Catedral do Burgo de Osma, e seu conteúdo conta com a descrição da vida da época, assim como considerações sobre o rei Carlos III, vários regentes e eventos da época.

A carta também detalha as culturas cultivadas na região (trigo, centeio, cevada e aveia e uvas para vinho); as doenças mais comuns (como malária e febre tifóide); e as atividades mais populares da população (como cartas, jogos de bola e jogos de bar).

Ele ainda fornece informações mais gerais, como: "O Tribunal está em Madri, há um Correio e uma Gazeta para as notícias, [e] há uma Inquisição, para a qual não existem erros contra a Igreja de Deus". De acordo com Arroyo, esses detalhes indicam fortemente que Mínguez queria deliberadamente deixar uma mensagem para ser lida no futuro. Resta saber se o padre não ficou com a consciência pesada de guardar esse recado em um local tão peculiar...

(Com informações de Science Alert.)



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O antipetismo batista de Curitiba e a Lava-Jato


Artigo publicado no Diário do Centro do Mundo:


Como o antipetismo fanático das igrejas batistas de Curitiba fez a cabeça de Dallagnol.


Por Kiko Nogueira

Ninguém duvida que o coordenador da força tarefa da Lava Jato, Deltan Martinazzo Dallagnol, é um homem de convicções. Mais do que isso, é um homem de fé.

No ano passado, Dallagnol fez uma peregrinação por igrejas evangélicas em busca de apoio às suas 10 medidas de combate à corrupção.

Num culto, respondeu a uma espectadora que queria saber sobre seus planos, de acordo com o Estadão: “Eu descartaria poucas coisas em relação a meu futuro, cogito talvez até virar pastor. Mas nós focamos no presente”.

Dallagnol é membro da Igreja Batista de Bacacheri, bairro de Curitiba, onde costuma ministrar palestras com seu indefectível powerpoint.

Lança mão de imagens fortes para impactar as plateias. O mesmo sujeito que apontou Lula como “comandante máximo” e “grande general” da “propinocracia” gosta de lembrar que “a corrupção é uma assassina sorrateira, invisível e de massa”, uma “serial killer que se disfarça de buracos de estradas, de falta de medicamentos, de crimes de rua e de pobreza.”

A retórica e as técnicas do show de Dallagnol foram influenciadas pesadamente pelas lideranças religiosas de sua terra. Não só a forma: o moralismo, o maniqueísmo e o antipetismo vieram dali.

“Dentro da minha cosmovisão cristã, eu acredito que existe uma janela de oportunidade que Deus está dando para mudanças”, disse ele no Rio em sua turnê religioso-política.

Repetiu essa sentença numa entrevista ao pastor Paschoal Piragine Júnior, da Primeira Igreja Batista de Curitiba, dono de um programa meia boca de bate papos que ele chama de talk show (assista abaixo).

Piragine é uma referência para esse povo. Ganhou fama em 2010 ao pedir a seus fieis que não votassem em candidatos do PT por causa do posicionamento do partido em relação a temas como aborto, criminalização da homofobia e divórcio.

O mote da pregação era “iniquidade”. Piragine denunciou o Programa Nacional de Direitos Humanos. “Se você olhar, vai ver como a máquina estatal está mobilizada. Se os ministros de Estado que estão ligados a esse governo não trabalharem assim, perdem o seu cargo”, falou. O vídeo da peroração tem, hoje, mais de 3 milhões de visualizações.

Uma das admiradoras mais entusiasmadas de Dallagnol é Marisa Lobo, autodenominada “psicóloga cristã”, campeã de causas como a da cura gay. Marisa faz conferências na mesma igreja do amigo sobre sua nova obsessão, a ideologia de gênero, tema de seu último livro.


Depois da apresentação da denúncia contra Lula num hotel curitibano de luxo, postou uma mensagem de solidariedade ao “irmão”: “Dallagnol congrega na mesma igreja que eu e é nosso orgulho. Deus está usando a Lava Jato para limpar o Brasil”.

A Igreja Batista do Bacacheri foi fundada em 1959. O site da empresa informa que L. Roberto Silvado, que serve ali desde 1988, é o atual coordenador geral do colegiado de pastores.

Silvado tem uma atuação mais discreta que fanáticos desmiolados como Marisa, mas deixa claras suas preferências e intenções no Facebook. Milita intensamente pelas célebres medidas de Dallagnol.

“Nossa Igreja participou ativamente na coleta de assinaturas. Ao todo foram mais de 2 milhões em todo Brasil. (…) Nós fazemos parte disso, vamos continuar manifestando apoio até que sejam aprovadas. Artistas e líderes de todo país precisam se manifestar, como o fez a atriz Maria Fernanda Cândido no vídeo abaixo”, diz numa de suas postagens.

Dallagnol, registre-se, não está sozinho. O procurador Roberson Pozzobon palestrou num templo em 2015 durante o Fórum Batista de Ação Social. Foi anunciado como “nosso irmão em Cristo, Procurador da República e colaborador do Juiz Sergio Moro que coordena a Operação Lava Jato”.

Pozzobon é o autor da seguinte frase: “Não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário, no papel, do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário é uma forma de ocultação.”

Há seis anos, André Egg, professor da UNESPAR e da UFPR, escreveu um artigo na revista Amálgama sobre Piragine e os evangélicos do Paraná que ainda soa atual. “Em que lugar neste caminho o protestantismo brasileiro se perdeu?”, perguntava.
“Suspeito que em algum momento durante os anos 1950-60, quando missionários fundamentalistas norte-americanos implantaram diversas instituições para-eclesiásticas no Brasil, organizando acampamentos, fundando editoras, livrarias, conjuntos musicais, trazendo uma fé irracional, trabalhando com crianças e jovens (APEC, Palavra da Vida, MPC, JOCUM, Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo) para formar gerações de abestalhados/alienados que perderam o compromisso com o país, com a fé, com o exame das Escrituras, com a liturgia, com a tradição não-conformista do protestantismo.

Os luteranos e anglicanos parece que restaram como únicos oásis diante do domínio absoluto do fundamentalismo, que tragou todos os grupos oriundos do calvinismo (batistas, presbiterianos, congregacionais) e suas dissidências pentecostais. (…)

O pastor incita os fiéis a não votarem no PT, por ele ser contra a “fé bíblica”. Curiosamente, isso é feito sem apoio em nenhum versículo bíblico (…)

Assembleias batistas viraram instâncias de homologação de pastores show-men que trazem as decisões prontas para o pessoal levantar a mão. Batistas de igrejas como a Primeira Igreja Batista de Curitiba e a Igreja Batista do Bacacheri não se dão nem ao trabalho de conferir a autenticidade dos diplomas de doutorado que seus pastores apresentam como credencial. Preferem ser enganados (…).”
É desse caldo que estão saindo os vingadores que vão salvar o Brasil. Deus nos proteja.




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Saiu da igreja e foi conversar com um mendigo. Era seu irmão que ele não via desde menino.


Coincidência? A história inusitada foi contada pela BBC Brasil:

Britânico conversa com morador de rua e descobre irmão que não via desde bebê

O soldado britânico reformado Roy Aspinall saía de uma igreja em Wigan, na região metropolitana de Manchester, no Reino Unido, no último dia 12 de novembro quando viu um morador de rua sentado ali. "Ele parecia muito, muito familiar. Seus traços faciais eram como os meus", disse Roy à BBC.

O homem era Billy White, até então um sem-teto que circulava pelas ruas desta cidade no norte da Inglaterra. "Estava ali para me sentar um pouco antes de achar um local para dormir", disse Billy.

Roy aproximou-se do desconhecido e ofereceu um cigarro a ele. "Ele começou a me perguntar várias coisas: qual era meu nome, quem era minha irmã... Então, ele disse: 'Sou Roy Aspinall. Sua mãe é a minha mãe, e sou seu irmão".

Roy, de 36 anos, cresceu sem conhecer todos seus irmãos e não via Billy há mais de 20 anos. Billy, de 28 anos, sabia que tinha um irmão mais velho, mas pensava não ter como encontrá-lo. Depois do encontro inesperado, os dois compararam suas certidões de nascimento. "Mesma mãe, mesmo sobrenome e mesmo endereço", disse Roy.

Ele disse ter "ficado muito emocionado" quando percebeu o acaso: "Liguei para a minha irmã e, quando vimos quem Billy era, eu estava em lágrimas". Billy também se emocionou com o encontro. "Não dá para explicar o sentimento. É louco. Ainda estou em choque. Minha mãe sempre falou de Roy", contou.

Roy disse que conhecer seu irmão o fez se sentir completo. "Era como se houvesse um quebra-cabeça gigantesco, mas eu não conseguia achar a última peça e, agora, parece que encontrei".

Vida nova

Os dois irmãos dizem ter estabelecido uma conexão profunda entre si. "Sinto como se nunca tivéssemos nos separado. Ver meus traços faciais no rosto de outra pessoa é algo que eu nunca havia experimentado antes", disse Roy, que se lembra de ter visto Billy pela última vez quando o irmão ainda era um bebê, na casa de um parente.

"Dizer 'eu tenho um irmão', usar essas palavras, é tão estranho. Mas é um sentimento muito novo para mim –de alegria, não de tristeza".

Os dois são filhos de Lorraine White, mas, por questões de família, Roy foi criado por sua tia. Anos mais tarde, Lorraine teve Billy e cuidou dele até seus 10 anos de idade, quando o menino foi entregue aos cuidados do serviço social britânico.

Ele passou três períodos de sua vida morando na rua. O mais recente durou oito meses e acabou quando houve o encontro entre os irmãos. Agora, Billy não vive mais nas ruas. Pouco antes do Natal, passou a morar na casa de Roy a convite do irmão, que tem seis filhos.

Também conseguiu um emprego como assistente de motorista de uma empresa de logística. "A minha vida mudou quando Roy me encontrou. Hoje, ele cuida de mim como um irmão mais velho", disse.

Os irmãos ainda estão se familiarizando um com o outro. "Percebemos que temos tantas coisas em comum", disse Billy.

"Pensava ser o único na família que bebe café. Mas, quando perguntei o que ele queria beber, ele disse café com leite e dois cubos de açúcar, que é exatamente igual a mim. Ambos temos covinhas. Não paramos de conversar o tempo todo. Mas agora temos o resto das nossas vidas para nos conhecermos."



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Capeta recebe Charles Manson de braços abertos

O inferno amanheceu em festa, segundo noticia o G1 Mundo:

Charles Manson morre aos 83 anos nos EUA

Líder de seita que matou atriz Sharon Tate em 1969 cumpria prisão perpétua. Ele estava internado em hospital na Califórnia desde quarta-feira (15).

Charles Manson, líder da seita que assassinou a atriz Sharon Tate em 1969, morreu neste domingo (19), aos 83 anos, no hospital de Bakersfield, na Califórnia. As causas da morte ainda não foram reveladas.

Ele estava internado desde quarta-feira (15), quando foi levado às pressas para o centro médico, escoltado por cinco policiais.

Manson, que tinha uma suástica tatuada na testa, já havia sido hospitalizado em janeiro para ser operado por lesões no intestino e uma hemorragia interna, mas seu estado foi considerado muito frágil para isto e ele retornou à prisão.

Manson chefiou a seita denominada 'A Família' e era um dos criminosos mais conhecidos nos Estados Unidos. Ele estava na prisão havia mais 40 anos.

Condenações

Ele foi condenado à morte em 1971 ao lado de quatro de seus discípulos pelo assassinato de sete pessoas, incluindo a atriz Sharon Tate, na época esposa do cineasta Roman Polanski, que estava grávida de oito meses e meio. Os crimes ocorreram em agosto de 1969 e comoveram os Estados Unidos, marcando simbolicamente a contracultura dos anos 1960 e o movimento hippie.

As condenações foram comutadas para prisão perpétua. No fim de 2014, Manson pediu autorização para casar com uma mulher de 26 anos, Afton Elaine Burton, mas ele desistiu da ideia.

Em 2012, apresentou uma demanda para obter liberdade antecipada, que foi rejeitada. Ele teria que esperar até 2027 para fazer um novo pedido.



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

TJSP promove palestra sobre yoga e meditação para seus funcionários


Se a situação anda estressante para o Tribunal de Justiça de São Paulo, imagina para quem depende dos seus serviços, não é mesmo?

A notícia zen é do próprio Tribunal:

Tribunal promove palestra sobre os benefícios da meditação e yoga

Evento aconteceu na Sala do Servidor do FJMJ.

A Secretaria da Área da Saúde (SAS) promoveu hoje (10), com apoio da Escola Judicial dos Servidores (EJUS), a palestra Meditação e yoga: benefícios físicos e psíquicos contra o sedentarismo no trabalho.

O palestrante Jefferson Flausino é diretor da Escola Dharma. Formado pelo Instituto de Psicossomática e Yoga Integral, de Torino, Itália, e pela Bujinkan Budo Taijutsu do Japão e World Genbukan Ninpo Bugei Federation, é instrutor de artes marciais, meditação e yoga, autor, palestrante e pesquisador de tradições filosóficas orientais.

Ele iniciou a apresentação ensinando uma técnica de meditação. “A proposta da meditação da yoga é administrar o estresse. Pare, observe e questione-se. Quando paramos, observamos as coisas com propriedade e questionamos a maneira que estamos vivendo. Somos o que pensamos”, afirmou.

Para o convidado, o start surge quando olhamos para dentro da nossa consciência, não gostamos do que vemos, e então percebemos que está na hora de começar a fazer algo diferente na vida. “O momento de começar essa mudança é agora, no presente”, ressaltou.

“Faça algo antes de precisar. A meditação previne doenças, mas deve ser praticada antes de perder a saúde, porque depois é mais difícil recuperar o que se perdeu. A meditação ajuda a controlar a mente e os pensamentos, ajuda as pessoas a entender que elas têm a fórmula para produzir mudanças. Mudar é difícil, mas não mudar é fatal. A meditação funciona como uma higienização mental”, ponderou o palestrante.

Em seguida, ele explicou o significado do termo yoga e o objetivo de sua prática regular, antes de responder às perguntas feitas pelos participantes. “Derivado da palavra em sânscrito ‘yuj’, que significa ‘unir ou integrar’, yoga é um conjunto de conhecimentos de mais de cinco mil anos. Trata-se da prática de harmonizar o corpo com a mente, por meio de técnicas de respiração (pranayamas), posturas (ásanas) e meditação, e sua prática constante ajuda a combater situações de descontrole e raiva. Transforme-se. Cuidar da saúde física e mental é prioridade para viver bem.”

Ao final, ele recebeu da Diretora de Assistência e Promoção de Saúde, Andréa Cristina Menezes, certificado do TJSP. Direcionada a servidores e magistrados, a palestra foi acompanhada por 869 pessoas nas modalidades presencial e a distância. Também esteve presente o desembargador Louri Geraldo Barbiero.

Comunicação Social TJSP – SO (texto) / DG (fotos)



domingo, 12 de novembro de 2017

Papa diz que explorar trabalhadores para enriquecer é pecado mortal


Podem acusar o papa Francisco de tudo, menos de ficar calado sobre todos os assuntos do mundo.

Quem quiser conhecer a fundo seu pensamento basta ouvir (ou ler) suas homilias.

Bergoglio gosta de colocar o dedo na(s) ferida(s) e ficar girando, girando, girando...

Deve ser por isso que ele é tão contestado dentro da própria igreja que comanda.

Confira na breve coletânea dos sermões papais publicada na Rádio Vaticano:

A coragem de sujar as mãos para pregar o Reino de Deus

O Papa Francisco na sua homilia de terça-feira dia 31 de outubro na Capela da Casa de Santa Marta, referiu-se às palavras de Jesus sobre o grão de mostarda e o fermento e sublinhou que o Reino de Deus “cresce a partir de dentro, com a força do Espírito Santo”.

E para tal é preciso não ter a “ilusão” de não ser preciso “sujar as mãos” para pregar o Reino de Deus – disse o Santo Padre que recusou uma “pastoral de conservação”.

Neste “Sal da Terra, Luz do Mundo” registamos as palavras do Santo Padre e recordamos outras homilias em Santa Marta nas quais Francisco exorta os católicos a viverem o concreto da vida, no meio do mundo, numa atitude de serviço.

A força do fermento e do grão de mostarda

Na sua homilia, na terça-feira dia 31 de outubro, Francisco salientou os elementos propostos pelo capítulo 13 do Evangelho de S. Lucas, o grão de mostarda e o fermento, e considerou-os pequenos mas poderosos pois têm uma força e “uma potência” que faz crescer.

O Santo Padre referiu-se também à leitura de S. Paulo na Carta aos Romanos proposta pela liturgia daquele dia e que refere os sofrimentos da vida. Segundo o Papa, não obstante as tensões e sofrimentos, a esperança leva-nos à glória de Deus, à plenitude:

“É justamente a esperança que nos leva à plenitude, a esperança de sair desta prisão, desta limitação, desta escravidão, desta corrupção e chegar à glória: um caminho de esperança. E a esperança é um dom do Espírito. É propriamente o Espírito Santo que está dentro de nós e leva a isso: a algo grandioso, a uma libertação, a uma grande glória. E para isso Jesus diz: ‘Dentro da semente de mostarda, daquele grão pequenino, há uma força que desencadeia um crescimento inimaginável’” – disse o Santo Padre.

Lançar e misturar pelo Reino de Deus

Viver em esperança – assinalou o Papa – é crescer “a partir de dentro, com a força do Espírito Santo”, renunciando a uma “pastoral de conservação”:

“Cresce a partir de dentro, com a força do Espírito Santo. E sempre a Igreja teve, seja a coragem de pegar e lançar, de pegar e misturar, seja também o medo de fazê-lo. E muitas vezes nós vemos que se prefere uma pastoral de conservação e não de deixar que o Reino cresça: 'vamos permanecer aquilo que somos, pequeninos, ali, estamos seguros…' E o Reino não cresce. Para que o Reino cresça é preciso coragem: de lançar o grão, de misturar o fermento” – disse o Santo Padre.

Para o Reino de Deus crescer, Francisco recusa a função de “guardiões de museus” mas propõe aquela de gente que quer “lançar” e “misturar”, sujando as mãos pelo Reino de Deus:

“Ai daqueles que pregam o Reino de Deus com a ilusão de não sujar as mãos. Estes são guardiões de museus: preferem as coisas belas, e não este gesto de lançar para que a força se desencadeie, de misturar para que a força faça crescer. Esta é a mensagem de Jesus e de Paulo: esta tensão que vai da escravidão do pecado, para ser simples, à plenitude da glória. E a esperança é aquela que vai em frente, a esperança não desilude: porque a esperança é muito pequena, a esperança é tão pequena quanto o grão e o fermento” – declarou o Papa.

No final da sua homilia, Francisco lançou uma pista de reflexão aos fiéis presentes na Eucaristia: “acreditamos que na esperança está o Espírito Santo com o qual podemos falar?”

O Papa Francisco nas suas homilias em Santa Marta tem exortado por diversas vezes os católicos, e os sacerdotes em particular, a viverem o concreto da vida, no meio do mundo, numa atitude de serviço. Recordemos três homilias de Francisco como exemplo destas preocupações do Santo Padre.

O Senhor ensina o caminho do fazer

Na terça-feira, dia 23 de fevereiro de 2016 o Papa afirmou que o cristianismo é uma religião concreta, que age fazendo o bem, e não uma “religião do dizer” feita de hipocrisia e vaidade.

Cruzando a leitura do profeta Isaías com a passagem do Evangelho de S. Mateus, propostas pela liturgia do dia, o Santo Padre abordou a “dialética evangélica entre dizer e fazer”. Francisco enfatizou a hipocrisia dos escribas e fariseus apresentando as palavras de Jesus: “não imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem”:

“O Senhor ensina-nos o caminho do fazer. E quantas vezes encontramos pessoas, tantas vezes na Igreja: ‘Sou muito católica’. ‘Mas o que fazes?’ Quantos pais dizem que são católicos, mas nunca têm tempo para conversar com os seus filhos, para brincar com os seus filhos, para ouvir os seus filhos. Se calhar têm os pais numa casa de repouso, mas estão sempre ocupados e não podem ir visitá-los e deixam-nos abandonados! ‘Mas sou muito católico e pertenço àquela associação’. Esta é a religião do dizer: eu digo que sou assim, mas faço a mundanidade.”

Nas palavras do Papa o profeta Isaías indica o que agrada a Deus: “Cessem de fazer o mal, aprendei a fazer o bem.” “Aliviar os oprimidos, fazer justiça ao órfão, defender a causa da viúva.”E fala ainda da infinita misericórdia de Deus.

Na sua homilia o Santo Padre citou o capítulo do Evangelho de Mateus sobre o juízo final, quando Deus pedirá contas ao homem pelo que ele fez pelos famintos, os sedentos, os encarcerados, os estrangeiros. “Esta” - declarou Francisco – “é a vida cristã”.

“Que o Senhor nos dê esta sabedoria de entender onde está a diferença entre o dizer e o fazer, e nos ensine o caminho do fazer e nos ajude a ir nesse caminho, porque o caminho do dizer leva-nos ao lugar onde estavam os doutores da lei, os clérigos, que gostavam de vestir-se e serem como se fossem uma majestade. E isto não é a realidade do Evangelho! Que o Senhor nos ensine este caminho” – disse o Papa na conclusão da sua homilia.

Dinheiro e poder sujam a Igreja

Na terça-feira dia 17 de maio de 2016, na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que o dinheiro e o poder sujam a Igreja. O Santo Padre disse que o caminho que Jesus indica é o serviço, mas com frequência na Igreja buscam-se poder, dinheiro e vaidade.

Partindo da passagem do Evangelho de S. Marcos, proposta pela liturgia do dia na qual os discípulos se perguntavam entre si quem era o maior entre eles, o Papa afirmou que estas tentações mundanas comprometem também hoje o testemunho da Igreja:

“No caminho que Jesus nos indica, o serviço é a regra. O maior é aquele que serve mais, quem está mais ao serviço dos outros, e não aquele que se vangloria, que busca o poder, o dinheiro...a vaidade, o orgulho… Não, esses não são os maiores. E o que aconteceu aqui com os apóstolos, inclusive com a mãe de João e Tiago, é uma história que acontece todos os dias na Igreja, em cada comunidade. ‘Mas entre nós, quem é o maior? Quem comanda?’ As ambições…Em cada comunidade – nas paróquias ou nas instituições – sempre existe esta vontade de galgar, de ter poder.”

Na sua homilia o Papa Francisco sublinhou que a vontade mundana de estar com o poder acontece nas paróquias, nos colégios e também nos episcopados, uma atitude que não é a atitude de Jesus que veio para servir e ensina o serviço e a humildade. Mas todos somos tentados pelas atitudes de poder e de vaidade – afirmou o Papa que pediu ao Senhor para que nos ilumine para entendermos que o espírito mundano é inimigo de Deus:

“Todos nós somos tentados por estas coisas, somos tentados a destruir o outro para subir mais. É uma tentação mundana, mas que divide e destrói a Igreja, não é o Espírito de Jesus. É belo, imaginemos a cena: Jesus que diz estas palavras e os discípulos que dizem ‘não, é melhor não perguntar muito, vamos em frente’, e os discípulos que preferem discutir entre si qual deles será o maior. Vai-nos fazer bem pensar nas muitas vezes que nós vimos isto na Igreja e nas muitas vezes que nós fizemos isto, e pedir ao Senhor que nos ilumine, para entender que o amor pelo mundo, ou seja, por este espírito mundano, é inimigo de Deus.”

Explorar trabalhadores para enriquecer é pecado mortal

Na quinta-feira dia 19 de maio de 2016, na Missa em Santa Marta, o Papa Francisco afirmou que explorar os trabalhadores para enriquecer é ser como sanguessugas e isso é um pecado mortal.

O Santo Padre comentou a primeira leitura da liturgia do dia, extraída da carta de S. Tiago, e afirmou que “não se pode servir Deus e as riquezas”. Estas, as riquezas – continuou Francisco – são boas em si mesmas, mas erram aqueles que seguem a “teologia da prosperidade”.

O Papa recordou o que diz S. Tiago: “Olhai que o salário que não pagastes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos está a clamar; e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do universo!”

Francisco recordou a precaridade dos vínculos laborais e, em particular, citou o que lhe disse uma jovem que encontrou um emprego de 11 horas diárias por 650 euros na informalidade. E disseram-lhe que, se queria, podia ficar com o trabalho senão há mais quem queira: “há uma fila atrás de si”.

A exploração das pessoas hoje é uma verdadeira escravidão – denunciou o Papa: “Viver do sangue das pessoas. Isto é pecado mortal. É pecado mortal.”

No final da homilia de dia 19 de maio de 2016 o Papa Francisco propôs uma reflexão sobre a exploração das pessoas no mundo do trabalho e pediu ao Senhor que “nos faça entender aquela simplicidade que Jesus nos diz no Evangelho: É mais importante um copo de água em nome de Cristo que todas as riquezas acumuladas com a exploração das pessoas.”

“Sal da Terra, Luz do Mundo”, é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.



sábado, 11 de novembro de 2017

Memorial do Holocausto abre suas portas amanhã em SP


A informação é do Estadão:

Memorial do Holocausto em São Paulo 
lembra dor de judeus

Museu no Bom Retiro, que abre no domingo, reflete sobre atrocidades do nazismo; entrada será gratuita

Edison Veiga

SÃO PAULO - Graças a uma cenografia carregada de simbolismos, com cores, sons e ambientações, percorrer os ambientes do novo Memorial do Holocausto, que será aberto ao público no próximo domingo, provoca emoções. A ideia, como destacam seus idealizadores, é comover. “Holocausto só houve um e vitimou 6 milhões de judeus”, pondera o professor e historiador Reuven Faingold, PhD em História e História do Povo Judeu pela Universidade Hebraica de Jerusalém e responsável pelos projetos educativos do espaço. “Mas é claro que aqui estamos falando da intolerância e da xenofobia. Para que perseguições assim não ocorram novamente.”

O Memorial do Holocausto está instalado no piso superior do Memorial da Imigração Judaica, museu que funciona desde 2016 em endereço muito caro à história dos judeus paulistanos: a mais antiga sinagoga paulista, a Kehilat Israel, de 1912. Logo na entrada, há a recriação do frontão típico de um campo de concentração, com a característica expressão alemã Arbeit macht frei, ou seja “o trabalho liberta”. E um detalhe. “O B está de cabeça para baixo, exatamente como o do campo de Auschwitz (na Polônia)”, pontua Faingold.

No nível inferior de um piso de vidro, logo na entrada, um homem maltrapilho está deitado com um ralo prato de comida. O visitante precisa passar por cima. Na sequência, é possível ver, em reproduções idênticas ao original, cartazes da campanha nazista de segregação.

Então vem o hall em que foi recriada a fachada de uma típica loja de comerciantes judeus na Alemanha dos anos 1930. Tudo pichado com insultos. Do outro lado da cenográfica rua, há uma pilha de livros na fogueira. “Queimavam qualquer livro que tivesse ligação com judeus. Obras de Freud, Einstein, Brecht...”, enumera o historiador.

O percurso ainda tem a réplica de uma ponta de locomotiva utilizada para transportar judeus a campos de concentração e a recriação de um alojamento, onde adultos e crianças eram amontoados. “Montar este museu era mais que uma obrigação para nós”, acredita o rabino Toive Weitman, diretor da instituição. “Queremos provocar a reflexão. Que todos saiam conscientes da importância de respeitar as diferenças.”

O espaço dedicado à memória do Holocausto foi planejado e construído nos últimos dez meses graças ao patrocínio de empresas e famílias de sobreviventes do genocídio nazista. Nem os valores nem os nomes dos doadores são divulgados.

Ao fim do percurso, o visitante nota um rosto familiar. A estudante alemã Anne Frank, cujo diário se tornou best-seller póstumo, uma das mais conhecidas vítimas do regime de Adolf Hitler (1889-1945). Em letras garrafais, há uma frase retirada de anotações: “Apesar de tudo, ainda acredito na bondade humana”.

Testemunhos

Com a inauguração do memorial, a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, professora da Universidade de São Paulo (USP), pretende presentear a instituição com os dois primeiros volumes da coleção que ela vem preparando com os testemunhos dos sobreviventes do Holocausto que vieram para o Brasil. Seu projeto, o Arquivo Virtual Arqshoah, já coletou depoimentos de 300 sobreviventes. “Ainda faltam outros 100, mas precisamos de patrocínio para prosseguir em 2018. Se não conseguirmos, o projeto será uma memória interrompida.”

Maria Luiza pretende lançar, em um futuro próximo, dez volumes com todo o material. “Será a maior enciclopédia do mundo com relatos de sobreviventes.”

Serviço

Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto
Local: Rua da Graça, 160, Bom Retiro, São Paulo
Telefone: (11) 3331-4507
Entrada gratuita



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Talibã evangélico quer proibir aborto até em casos de estupro


O projeto da República Islâmica Evangélica do Brasil vai de vento em popa, para terror dos fracos e oprimidos, obrigado!

Uma comissão formada em sua maioria por homens e evangélicos aprovou a proposta de emenda constitucional (PEC) que criminaliza o aborto em toda e qualquer situação, inclusive naqueles casos em que o Código Penal (de 1940) já havia descriminalizado, ou seja, nos casos de gravidez resultante de estupro ou risco de morte para a mãe, além dos precedentes jurisprudenciais que incluíram nessa descriminalização a má formação do feto em certos casos.

A PEC ainda será submetida aos trâmites próprios nas duas casas do Congresso Nacional antes de - se aprovada - entrar em vigor.

Agora imagine você, querido leitor, a situação em que se encontraria uma mulher que foi estuprada e descobre estar grávida, sendo-lhe tirada a já difícil opção de abortar. 

Ela já tem problemas demais para lidar, e agora seria obrigada a carregar o feto do seu violador apenas para satisfazer a consciência religiosa de pessoas que não lhe dão a mínima.

Se ela escolher fazer o aborto neste caso que a lei atualmente autoriza, ela também já terá problemas suficientes de consciência para lidar, mas agora a bancada evangélica lhe acrescenta outras dores de cabeça no seu momento de maior fragilidade.

Curioso é que a bancada evangélica justifica sua posição antiaborto apelando para o direito à vida, mas apoia à Presidência da República nas próximas eleições um candidato (aquele cujo nome não se pronuncia) que defende incondicionalmente a tortura. 

Talvez a preocupação gospel seja só a idade do feto.

E durma-se com uma hipocrisia dessas...

A notícia é da revista Marie Claire:

Comissão aprova projeto para criminalizar aborto em todos os casos: "Retrocesso", diz deputada

A PEC 181/2011 foi votada nesta quarta-feira (08.11) e foi aprovada por 18 votos a 1. "Eles estão se aproveitando de um consenso que é a extensão da licença-maternidade para instalar um retrocesso", diz deputada Érika Kokay, que votou contra

Nesta quarta-feira (08.11) uma comissão especial da Câmera dos Deputados votou a PEC 181/2015. À princípio, a PEC era para ampliar o prazo de licença-maternidade para mães de bebês prematuros. Por uma monobra da bancada evangélica foi incluido no texto a proibição da interrupção da vida desde sua concepção, ou seja, o que tornaria crime o aborto até mesmo em casos considerados legais hoje pela legislação brasileira, como em situação de estupro ou de risco de morte para a mãe. Entre os 19 parlamentares, apenas a deputada Érika Kokay (PT-DF) votou contra.

Em entrevista à Marie Claire, a deputada disse que agora esse texto segue para uma discussão de seus destaques no dia 21 de novembro. Se aprovado, vai para duas sessões de votação na câmera, em que é preciso ter 308 votos favoráveis, e depois segue para o senado.

"Vamos mobilizar a sociedade contra esse adendo que desvirtuou a proposta original da licença-maternidade e criou o uma situação que é contra a lei aprovada nos anos 1940, que garante à mulher o direito ao aborto em casos de estupro, risco de vida da mãe e anencefalia. Eles estão se aproveitando de um consenso que é a extensão da licença-maternidade para instalar um retrocesso", diz a deputada. "Tentaremos retirar essa anomalia de todas as meneiras, mesmo que tenhamos de ir ao poder judiciário.

Em comunicado oficial à imprensa, Jurema Werneck, Diretora executiva da Anistia Internacional, afirma: “O Estado tem o dever de garantir o aborto seguro e legal, para casos de estupro, agressão sexual ou incesto, risco à vida ou a saúde da mulher, ou comprometimento fetal grave. Além de oferecer às mulheres acesso ao atendimento de qualidade após o aborto, especialmente nos casos de aborto realizados em condições inseguras. Qualquer proposta que busque retirar o acesso ao aborto legal e seguro em caso de estupro deve ser repudiada".

E completou: "Quem é vítima não pode ser exposta a um tratamento degradante, cruel e de extrema violência física e psicológica. O aborto em condições não seguras é uma das principais causas de morte materna. A tentativa de criminalização do acesso ao aborto nos casos já previstos na legislação viola obrigações do Brasil frente a tratados internacionais. Além disso, é fundamental que sejam garantidos serviços de qualidade para o controle de complicações resultantes do aborto, independente da legalidade do procedimento”.



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Batistas do Sul são maiores apoiadores do livre porte de arma nos EUA


A matéria foi publicada no Estadão:

Análise: Evangélicos se opõem a controle de armas

Batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião 

Sarah Pulliam Bailey / W. Post

O massacre de domingo foi o pior ocorrido em uma igreja na história moderna dos EUA. Para muitos evangélicos conservadores, políticas adotadas especificamente para o porte e uso de armas não estão detalhadas na Bíblia e eles não acham que medidas nesse sentido são constitucionais e poderiam resolver o problema dos assassinatos em massa, foi o que disse Russel Moore, presidente do braço político da Convenção Batista do Sul.

Os batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião. Muitos americanos pertencentes a grandes grupos religiosos defendem leis mais rígidas, incluindo os protestantes negros (76%), os católicos (67%), os protestantes brancos (57%), de acordo com pesquisa realizada em 2013 pelo Public Religion Research Institute. Mas os evangélicos – que constituem um quarto da população --, são os menos inclinados a apoiar leis mais rigorosas a respeito (38% são a favor e 59% contra).

Para Jen Hatmaker, escritor e orador conhecido de Austin, o direito às armas se tornou um tema central de debate enraizado na política evangélica. “Conheço perfeitamente mulheres cristãs sensatas, amáveis, que não possuem armas que dirão que ‘não se trata de armas, mas do coração’. É espantoso”, disse ele. “Isso tem raízes profundas e inalteráveis no coração dos evangélicos conservadores, e é tão sagrado quanto a Trindade”.

Depois de o evangelista Franklin Graham ser convidado a rezar durante um café da amanhã da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), em 2014, ele sugeriu no Facebook que não estava de acordo com a exigência de verificação de antecedentes de todo mundo. Por outro lado, defendeu a verificação de antecedentes no caso de imigrantes muçulmanos.

As armas estão incorporadas na estrutura e na psique da cristandade americana desde sua fundação, afirma Karen Swallow Prior, professora de inglês na Liberty University, que escreveu por que carrega uma arma durante suas idas a áreas rurais da Virgínia. “O país foi fundado para escapar da perseguição religiosa. Os EUA se expandiram como um experimento em individualismo e adentraram fronteiras que exigiam armas para a sobrevivência, para autodefesa e para conseguir alimento”.

Os evangélicos também enfatizam muito mais o individualismo e a responsabilidade pessoal do que outros grupos religiosos.

Algumas pessoas acham que a razão pela qual os evangélicos não desejam leis mais rígidas no campo das armas é simples. Os evangélicos votam nos republicanos e os republicanos têm aversão por políticas mais rígidas para as armas. Muitos evangélicos também se opõem porque acham que elas podem acabar infringindo a liberdade religiosa.

“Acho que eles são totalmente partidários. Os evangélicos votam com base nas linhas do partido, tenham elas sentido teológico ou não. Os que são contra o aborto apoiariam qualquer coisa que fosse parte de uma agenda liberal, o que significaria, no final, endossar o aborto, se for parte dessa agenda”.

Em sua análise de dados de uma ampla pesquisa de 2016 chamada CCES Common Content Dataset, o cientista político Ryan Burge comparou as respostas de evangélicos, protestantes brancos e católicos à seguinte pergunta: Você apoia ou se opõe à uma proibição dos rifles de assalto?”. Ele encontrou diferenças que dependiam mais da filiação partidária do inquirido, se era democrata ou republicano, do que da sua identidade religiosa.

Joe Carter, editor da Gospel Coalition, acredita que os evangélicos são mais avessos a mais regulamentos porque são mais adeptos às armas. Os evangélicos brancos são os mais propensos a possuir uma arma, segundo estudo do Pew Research Center, publicado no Christianity Today. Segundo o estudo, 41% dos evangélicos brancos possuem uma arma, em comparação com 33% dos protestantes brancos (33%), indivíduos sem uma religião definida (32%), protestantes negros (29%) e católicos (24%).

Os evangélicos brancos (44%) também se mostram satisfeitos com as leis sobre armas. Por outro lado, pouco mais da metade dos americanos que professa uma religião (52%) acham que a legislação deve ser mais rígida. Segundo Joe Carter, muitos evangélicos apoiariam leis mais rigorosas se acreditassem que elas seriam eficazes para conter os assassinatos. “Mas eles não acreditam que um criminoso que mata pessoas inocentes irá atender a regras estabelecidas para a compra de armas de fogo”, disse ele. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO



terça-feira, 7 de novembro de 2017

O papa argentino no divã judeu


A estranha informação foi publicada no Estadão em 01/09/17:

Papa revela que fez terapia com psicanalista judia

Francisco disse que se consultou com profissional quando tinha 42 anos para 'esclarecer algumas coisas'

O papa Francisco revelou que, quando tinha 42 anos, fez terapia na Argentina durante seis meses com uma psicanalista judia para "esclarecer algumas coisas". As sessões disse, o ajudaram muito.

Jorge Mario Bergoglio faz estas confissões em um livro que narra uma série de conversas que manteve com o sociólogo francês Dominique Wolton e que será publicado na França, segundo antecipou nesta sexta o jornal italiano "La Stampa".

"Consultei uma psicanalista judia. Durante seis meses fui uma vez por semana a sua casa para esclarecer algumas coisas. (...) Depois, um dia, quando estava a ponto de morrer, me chamou. Não para receber os sacramentos, pois era judia, mas para ter um diálogo espiritual. Era uma pessoa boa. Durante seis meses me ajudou muito", explicou.

Aquelas visitas ocorreram quando o agora papa argentino tinha 42 anos, entre 1978 e 1979, em plena ditadura militar na Argentina, que em 1976 derrubou o governo de María Estela Martínez de Perón.

O periódico adianta outros temas que aborda Bergoglio, como sua opinião sobre o casamento homossexual. A respeito desse tema, o papa opina que "o matrimônio é aquele formado entre um homem e uma mulher", ainda que aceite chamar de "uniões civis" aquelas por pessoas do mesmo sexo. /EFE



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