segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Brasil não é bicolor



Não fique pra titia!

Já inventaram o autocasamento! Confira a nossa seção de notícias insólitas com a matéria do Yahoo Notícias:

Taiunesa dá festa para casar consigo mesma

Dom, 07 Nov, 12h48

TAIPÉ, Taiwan (AFP) - Uma taiuanesa informou neste domingo que se casou consigo mesma depois de oferecer um banquete de casamento.

Chen Wei-yi, 30 anos, virou sensação na internet depois que anunciou seus planos de "autocasamento" no mês passado. A cerimônia aconteceu no sábado, num hotel de Taipé, e contou com a presença de 30 parentes e amigos.

"Casar comigo mesma é uma forma de mostrar que sou confiante e que me aceito como eu sou", declarou Chen, que trabalha num escritório.

"Devemos nos amar antes de podermos amar os outros. Eu devo casar comigo antes de casar com alguém especial", acerscentou.

A iniciativa de Chen ganhou adeptos em sua página no Facebook.

As autoridades taiuanesas afirmaram que muitas mulheres agora preferem se casar mais tarde ou ficar solteira, o que faz com que os índices de nascimento da ilha sejam um dos menores do mundo.

sábado, 6 de novembro de 2010

Dilma e Serra in love

E tudo terminou em... amor! Uma ótima edição de vídeo com Dilma e Serra em clima de Jane e Herondy...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os católicos moderados do sertão

Artigo publicado no Terra Magazine:


A "igreja moderada"
e o sertão moderno


Edmilson Lopes Júnior
De Natal (RN)

Não é raro, nas coberturas jornalísticas sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), referências a uma ala "moderada" da Igreja. Esta se caracterizaria por um prudente distanciamento tanto do cada vez mais minoritário setor identificado com a esquerda e também com os setores mais abertamente identificados como conservadores. Esse esquema simplista, embora não traduza bem a pluralidade da CNBB, fornece ao menos um indicativo do que ocorre no mundo mais rico, complexo e contraditório da igreja hegemônica no país. E, em verdade, não há porque se esperar algo muito mais sofisticado em se tratando de coberturas destinadas ao grande público. O problema, aí sim, é quando essa enviesada radiografia da Igreja Católica alicerça análises políticas. E, muito particularmente, avaliações sobre os seus supostos impactos no processo eleitoral.

Gostem ou não os "bem pensantes", reprodutores de lugares-comuns a respeito do comportamento eleitoral dos brasileiros, os eleitores têm, ao contrário do que acreditam muitos, produzido escolhas racionais e reflexivas nas últimas eleições. Nessas escolhas, a contribuição da Igreja Católica, especialmente no vasto território do semi-árido nordestino, não tem sido devidamente avaliada. O seu distanciamento do proselitismo político cria a falsa impressão de que o trabalho desenvolvido pela Igreja Católica no interior do Nordeste não tenha tido um peso significativo no apoio ao Governo Lula e na grande votação obtida por Dilma Rousseff nos municípios sertanejos.

Nas dioceses do semi-árido, durante décadas, bispos, padres e freiras têm buscado afirmar o seu compromisso cristão através do "exemplo", não da retórica. Daí o distanciamento cuidadoso que têm tido em relação à produção discursiva da esquerda tradicional. Embora dialoguem com sindicalistas e militantes da esquerda, esses religiosos procuraram, ao longo dos anos, afirmar outros valores. Dentre estes, "alívios" concretos para "o sofrimento do povo de Deus". A ausência de proselitismo político, e a desautorização da militância pastoral esquerdista, alimentam, em analistas superficiais, a visão de uma prática religiosa "apolítica" e sem impactos eleitorais vistosos. Nada mais equivocado!

As idéias e valores expressos nas práticas desses religiosos foram incorporados reflexivamente pela vasta população católica do interior do Nordeste. Durante um longo tempo, nas emissoras de rádio da Igreja, ainda detentoras de grande audiências sertão afora, e nas missas e encontros religiosos, as pessoas foram estimuladas a prática do "ver, julgar e agir". A não se deixar encantar pelos belos discursos. A noção de que o "exemplo" vale mais do que mil palavras, por exemplo, orienta as avaliações desses eleitores. Em um universo social no qual a "fala bonita dos doutores" sempre mereceu desconfiança, essa pregação encontrou terreno fértil.

Para esses religiosos, grande parte deles catalogados como "moderados", a própria relação com o sagrado tem sido objeto de uma reflexão socializada com os fieis. Cultiva-se, nesse meio, uma condenação à utilização da fé para outros meios. O que, à primeira vista, pareceria alimentar o apoliticismo, serve, na verdade, como uma vacina contra a introdução de temas religiosos na disputa eleitoral.

Para falar na língua da sociologia, a atuação da "igreja moderada" no interior do Nordeste, tem contribuído, como conseqüência não-intencional, para a emergência de um eleitorado mais reflexivo, mais atento aos interesses em jogo e muito ciente de quais as apostas que valem a pena. Em uma obra seminal para a sociologia, publicada no início do século XX, Max Weber apontou como a "ética protestante", como um efeito não intencional, alimentou o racionalismo característico do "moderno capitalismo". No início do século XXI, a senda analítica aberta pelo cientista social alemão talvez possa iluminar como uma prática religiosa tida como "moderada" e tradicional está alimentando uma prática política marcadamente moderna em um vasto território comumente descrito nos discursos carregados de etnocentrismo de classe média, como "grotões".

Edmilson Lopes Júnior é professor de sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A banalização do mal



Os recentes episódios envolvendo declarações xenófobas e racistas de jovens decepcionados com o resultado das últimas eleições presidenciais acende o sinal amarelo para que todas as pessoas de bem, independentemente de coloração partidária, façam a sua parte na pregação da tolerância e do respeito à convivência democrática entre os diferentes setores da sociedade brasileira. O preconceito é - lamentavelmente - uma característica inerente à condição humana, sublimada, civilizadamente reprimida ou controlada na imensa maioria dos casos, mas é uma besta-fera que sempre está à espreita esperando o momento certo de atacar. Por isso, é importante relembrar como a população alemã foi enredada na barbárie nazista. Pessoas comuns foram sendo transformadas em monstros, muitas vezes sem se darem conta da suprema maldade em que imergiam. O mal era visto como algo banal. A revista Aventuras na História traz uma entrevista de Ian Kershaw, considerado o maior biógrafo de Adolf Hitler, em que ele diz que Hitler teve seu trabalho facilitado pelo silêncio dos cidadãos comuns, que se preocuparam mais com seus próprios umbigos do que com o que estava acontecendo à sua volta. Nas palavras de Kershaw, eles "viraram as costas para o diabo". Confira um trecho da entrevista reproduzida no blog História Viva:

Qual a relação entre o antissemitismo da população em geral e o do Partido Nazista?

Havia na Alemanha um antissemitismo latente muito difundido. Muitas pessoas achavam que os judeus eram poderosos demais, controlavam a economia e a mídia de massa. Mas elas não eram propensas a se engajar em ações violentas contra os judeus. Hitler era o mais radical dos radicais em termos de antissemitismo. Com o tempo, mais e mais pessoas foram absorvidas pelo Partido Nazista, que era determinado por essa necessidade patológica de expulsar os judeus. Mais as pessoas aderiam ao partido, mais estavam expostas a isso. E assim o antissemitismo dos radicais do partido se estendeu à burocracia de Estado, sem ter penetrado da mesma maneira no povo em sua maioria.

Quais foram os limites da penetração ideológica nazista?

A propaganda foi bem-sucedida na criação do mito do Führer como um grande líder carismático. Também foi importante para explorar o sentimento nacionalista dos alemães e na intensificação do ódio aos judeus. Mas, em outras áreas do dia a dia, a propaganda nazista não foi tão bem-sucedida. As pessoas se preocupavam mais com os problemas do cotidiano.

Uma das frases do senhor é constantemente citada: "A estrada para Auschwitz foi construída com ódio, mas pavimentada pela indiferença". Qual seu significado?

Quis dizer que a dinâmica das forças dirigentes que conduziram a Auschwitz foi provida por esse ódio patológico imbuído em Hitler. Mas, para muitas das pessoas comuns, os problemas de todo dia predominavam. É uma atitude de fechar os olhos, virar as costas para o diabo. A dinâmica do ódio da minoria obteve sucesso porque a maioria não se importava.

O senhor já disse que, se vivesse na Alemanha nazista, poderia estar tão confuso como o povo na época.

Situações e circunstâncias mudam indivíduos. Pessoas que fizeram coisas horríveis na era nazista eram antes perfeitamente comuns. Claro, todos gostaríamos de pensar que seríamos antinazistas. Mas a verdade é que a maioria de nós iria transigir com o regime. Ao se ajustar, você é cada vez mais sugado, e talvez vá acabar no Exército ou em alguma organização, onde fará coisas que, no sentido moral, serão aberrantes.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Rescaldo do voto religioso em 2010

Agora que os ânimos estão mais serenados, está na hora de começar a fazer uma avaliação do comportamento do voto religioso no 2º turno das eleições presidenciais de 2010, em que o tema do aborto mobilizou muitas lideranças das mais diferentes denominações contra a candidatura Dilma Rousseff (PT) e a favor de José Serra (PSDB). Muitas conclusões serão tiradas ao longo das próximas semanas, mas é interessante começar pelos dados da última pesquisa do Datafolha, fechada em 30/10/10. Como, ao contrário do que aconteceu no 1º turno, as pesquisas do 2º anteciparam o que se confirmou nas urnas eletrônicas, as intenções de voto do Datafolha parecem ser confiáveis para se avaliar o comportamento final do voto religioso, que teria se manifestado da seguinte maneira entre as religiões:

1) Católicos - Dilma 53% x 40% Serra
2) Evangélicos Pentecostais - Dilma 47% x 44% Serra
3) Evangélicos Não-Pentecostais - Dilma 45% x 45% Serra
4) Espíritas kardecistas - Dilma 44% x 48% Serra
5) Sem religião - Dilma 53% x 37% Serra

Percebe-se, numa primeira análise, que houve uma distribuição equilibrada dos votos entre os diferentes grupos, o que leva a crer que toda a campanha religiosa teve um efeito pequeno no resultado final. Os católicos e os não-religiosos teriam sido mais dilmistas e os espíritas ligeiramente mais serristas, enquanto os evangélicos teriam se dividido ao meio, com pequena vantagem para Dilma entre os pentecostais.

É curioso verificar que a campanha enfática de muitos líderes, inclusive com o papa Bento XVI se manifestando a três dias da eleição, não foi suficiente para influenciar a decisão de seus seguidores. Em Cachoeira Paulista (SP), por exemplo, sede do movimento católico carismático Canção Nova, Dilma teve 50,25% dos votos contra 49,75% de Serra, um resultado bem diferente do Estado de São Paulo como um todo, em que o tucano teve 9 pontos percentuais a mais que a petista. Também em Guarulhos (SP), onde o bispo católico local, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, fez uma intensa campanha contra Dilma, a candidata teve 49,05% dos votos.

Por seu lado, regiões de forte presença evangélica também não acompanharam o juízo político de seus líderes. Em Quinze de Novembro (RS), tida como a cidade proporcionalmente mais evangélica do país (cerca de 80% dos 3.600 habitantes), houve um quase empate (Serra 50,19% x 49,81% Dilma). Já Arabutã (SC), que tem a mesma proporção de evangélicos, deu a Dilma a vitória por 59,78% a 40,22%. Palmas (TO), que é a capital mais evangélica do Brasil (cerca de 1/4 da população) também preferiu Dilma (54,13%) a Serra (45,87%). A petista também teve enorme votação no Estado do Rio de Janeiro, de forte presença evangélica, onde ganhou por 60,48% a 39,52%. É bom lembrar que um dos maiores apoiadores de Serra no meio evangélico, Silas Malafaia, está sediado no Rio. Parece mesmo que o "profeta" não tem sucesso na sua própria terra, pois pior sorte teve o autointitulado "paipóstolo" Renê Terra Nova, que produziu exegeses bíblicas absurdas no afã de eleger Serra, e terminou vendo Dilma com cerca de 80% dos votos em Manaus e no Estado do Amazonas.

Obviamente, há uma série de fatores que terminam influenciando o voto, pelo que fica difícil particularizar qual deles é decisivo no momento da eleição. Circunstâncias regionais, pessoais, políticas, culturais, etc., se compõem (ou decompõem) conforme o cenário local. Espera-se que análises mais aprofundadas sejam promovidas a fim de entender este fenômeno, mas, ao que tudo indica, o fator religioso é apenas mais um ingrediente desse caldeirão de motivações que envolvem o eleitor, sem, entretanto, ter esta importância gigantesca que lhe foi atribuída na recente campanha política.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Shaquille O'Neal dubla Beyoncè

Vamos relaxar um pouquinho da pancadaria política dos últimos meses com o Shaquille O'Neal dublando a Beyoncé:


domingo, 31 de outubro de 2010

A apologética tucana do "paipóstolo"

No seu twitter ungido, o brilhante exegeta e autointitulado "paipóstolo" Renê Terra Nova continua causando urticárias com sua tentativa neomessiânica de interpretação novidadeira (e confusão) bíblica. O "profeta" manauara só esqueceu de combinar com o deputado federal José Mentor (PT-SP) a mistura explosiva com seu homônimo Serra:



Para nossa felicidade, entretanto, o "paipóstolo" sempre termina se entregando em mais uma tuitada, ainda que inadvertidamente. Para o fenômeno amazônico, "arrependimento" (em grego, metanoia) significa uma volta de 45 graus, e não de 180º, como toda criança sabe desde que não falte às aulas de geometria, o que significa que ainda faltam 135º pra ele se converter. "Virada de 45º" não representa propriamente uma virada, mas errar (feio) o alvo:



E ele deve ser daqueles que chamam o Lula de analfabeto e apedeuta...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Interpretação tucana da Bíblia, por Renê Terra Nova

Mais peripécias exegéticas do autoproclamado (e pseudo-) apóstolo Renê Terra Nova, ensinando a interpretar "serristicamente" a Bíblia, conforme noticia o jornal Valor Econômico, em matéria reproduzida no site do Instituto Humanitas da Unisinos, numa demonstração inequívoca de que esta gente abdicou completamente da teologia para se entregar de corpo e alma à ideologia que lhe for mais conveniente:



Nos cultos, vale até trocar monte por serra

"Explique porque Serra, mas explique também porque não o outro lado (...) 'Ah, pastor, eu não sei como fazer'. Sabe sim, porque sabe tirar dízimos e ofertas".

A frase do apóstolo Renê Terra Nova mostra até que ponto vai seu empenho em conquistar votos para o tucano José Serra.

A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor, 29-10-2010.

Diante de mais de 100 pastores, Terra Nova ensinou como fazer campanha do púlpito, sem ser enquadrado na legislação eleitoral.

"É proibido na hora do culto. Você sabia disso. Pode ser enquadrado em crime eleitoral pelo TRE. Mas você pode fazer o que eu faço na igreja", disse, ao iniciar a reunião estratégica em que deu dicas de como transmitir mensagens subliminares aos fiéis.

Terra Nova explicou que eles poderiam, por exemplo, mencionar uma passagem da Bíblia que remetesse ao número de José Serra. "Eu digo, olha, irmãos, eu vou ler Isaías [capítulo] 45 e eu descobri um versículo que fala sobre serra", orientava.

Sem problema se a passagem em questão não se referir a uma serra propriamente dita.

"Deus diz que gosta que seus filhos estejam num lugar alto e subam a sua serra. O nome lá é monte. Mas eu ponho o nome que eu quero (risos na plateia). A tradução é minha. A hermenêutica é da Bíblia, mas a exegese é minha", disse.

Terra Nova recomendou aos pastores que eles poderiam fazer como ele, que citou num culto a realização de um congresso da Visão Celular na cidade de Serra, no Espírito Santo.

"Eu estou blefando? É mentira que Serra fica no Espírito Santo? E eu digo que, no próximo ano, o congresso será em Serra, e que de Vitória (olha a vitória, olha a vitória, olha a vitória...) para Serra... 45 quilômetros, 45 Serra, 45 Vitória. Eu quero ver o TRE me julgar por isso. Não julga, não", disse.

Serra fica no Espírito Santo. Mas, pelo Google Map, a distância para Vitória é de 28 quilômetros.

Renê Terra Nova ressaltou que os pastores deveriam abusar da internet, mas sem vulgaridade, com informações verdadeiras. Em seguida, porém, apontou como fato mensagem que circulou pela internet segundo a qual Dilma Rousseff não poderia entrar nos Estados Unidos e mais 11 países.

Nos cultos, a recomendação foi de agir com inteligência. Terra Nova contou que não "é confortável" ser chamado pela Polícia Federal, como ocorreu com ele, três vezes este ano, para responder a inquérito por "problema político".

Uma "apostolada" pró-Serra

Peripécias do autoproclamado (e pseudo-) "apóstolo" Renê Terra Nova, noticiadas pelo jornal Valor Econômico e reproduzidas no site do Instituto Humanitas da Unisinos:

Modelo 'Amway' difundiu voto tucano entre evangélicos

A plateia era formada por mais de 100 pastores, convocados em caráter de urgência, por telefone e e-mail, para a reunião estratégica em São Paulo. Representavam várias igrejas evangélicas independentes e vinham de todos os Estados, para ouvir as orientações do denominado "apóstolo", ou mais recentemente "patriarca", Renê Terra Nova.

A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor, 29-10-2010.

"Quem aqui já ganhou uma pessoa pra Jesus? Fala sério. Pelo menos uma. Ora, se a gente conseguiu tirar alguém da mão do diabo, não é possível que a Dilma seja pior do que o diabo (risos). A gente convence".

Difícil encontrar uma ocasião que mais simbolize a mistura de política e religião que tomou conta do segundo turno da eleição presidencial do que a ocorrida na quarta-feira, 21, na Comunidade Cristã El Shaddai, igreja evangélica localizada no bairro Ipiranga, na capital paulista.

A convocação urgente - endereçada em convite eletrônico a pastores batizados de "Generais de Guerra" - é um caso exemplar de como o segmento religioso entrou de corpo e alma na campanha à Presidência que termina domingo.

Campanha que se viu, de repente, enredada em temas tabus como aborto, união civil de homossexuais, descriminalização das drogas e mostrou a força de um grupo de interesse. Dos bispos da Igreja Católica e seus panfletos distribuídos na saída das missas à mobilização dos evangélicos pela internet, os líderes religiosos tiveram o senso de oportunidade de aproveitar o momento.

É o caso de Renê Terra Nova. Apoiador de Marina Silva (PV), ele embarcou de Bíblia e notebook em seu avião - um Falcon 010, comprado no ano passado - para fazer campanha país afora para José Serra (PSDB) no segundo turno. Tomou para si a tarefa de empreender uma grande cruzada pelo tucano, como fizera para a candidata do PV.

Conhecido o resultado das urnas, no domingo, 3, Terra Nova conta que conversou com Marina Silva por telefone e, em seguida, se apresentou às hostes do PSDB. Na primeira semana do primeiro turno, teve uma reunião em Brasília com Mônica Serra, mulher do presidenciável, e com o candidato a vice da chapa, Indio da Costa. Desde então, passou a gastar dinheiro do próprio bolso em viagens com finalidade exclusivamente política. Garante não ter pedido nada em troca: nenhum cargo, verba para projeto de assistência social, ou concessão de rádio ou TV. "Sou um oferecido", diz, numa declaração de desprendimento que não corresponde ao seu comportamento.

Renê Terra Nova tem um estilo personalista. No encontro em São Paulo, os pastores sob sua influência o esperaram por mais de duas horas até que ele chegasse num Toyota CR-Z, ano 2010, cercado por assessores. No local, o estande da Semente de Vida, editora que publica alguns de seus mais de 100 títulos, exibia um grande banner com a foto do líder.

Na reunião política, Renê Terra Nova ensinou diversos truques para driblar a legislação eleitoral e enviar mensagens subliminares de apoio a José Serra durante as pregações nos cultos (leia abaixo). O apóstolo ressaltou muito a importância da internet como uma "ferramenta poderosa" de persuasão fora do púlpito.

"Correio eletrônico, You Tube, Facebook, Twitter, e-mails, MSN, se vire nos 30. Começe a mandar informações", ordenou a seus pastores, depois de se vangloriar de ter 14 mil seguidores no Twitter, mas não seguir ninguém.

Terra Nova abriu a reunião estratégica - que não escapou ao formato de culto, entremeada por orações e cânticos - dizendo que havia apenas 11 dias para fazer algo "grande", ou seja, uma virada de José Serra sobre Dilma Rousseff (PT).

Momentos antes, em entrevista ao Valor, ele reclamava dos institutos de pesquisas. Justamente na véspera, levantamento do Vox Populi apontava que Dilma abrira vantagem de 12 pontos. O pastor lembrava que Marina Silva havia sido vítima dos institutos no primeiro turno e que o mesmo estaria acontecendo com Serra. "É imoral, é estuprar a realidade", vociferava.

O prognóstico poderia provocar um anticlímax no encontro. Mas Renê Terra Nova não fez por menos. Minutos depois, no discurso aos pastores, afirmaria que duas pesquisas, pela manhã, já haviam sido divulgadas e apontavam empate técnico entre Serra e Dilma. Não citou a fonte.

Com o poder da palavra e uma alta dose de marketing, Terra Nova multiplicou fiéis, aumentou seu poder econômico e, agora, afirma, pretende conquistar poder político, a partir do rebanho sob seu controle.

Sua base é Manaus, onde ergueu um templo capaz de abrigar 7.500 pessoas e que custou US$ 17 milhões. É a matriz de sua denominação, o Ministério Internacional da Restauração (MIR), que tem igrejas no Rio, Natal, Porto Velho e Roraima. Ao todo, o MIR congrega pouco mais de 100 mil adeptos.

Seu poder de influência, contudo, não reside aí. Terra Nova cresceu no meio evangélico ao introduzir no Brasil uma nova forma, uma metodologia, de arrebatar fiéis. O modelo tem inspiração clara no mercado. "É marketing de rede", assume.

A estratégia piramidal é muito semelhante à utilizada pela marca Amway, que esteve em voga nos anos 90. Cada pessoa que entra num grupo ou "célula" de 12 discípulos tem a missão de ser um pastor/líder e formar seu próprio grupo de 12. O resultado esperado é um avanço em progressão geométrica. A primeira geração de 12 é seguida por uma segunda, de 144, que forma uma terceira, de 1.728, uma quarta de 20.736, e assim por diante. É o Modelo dos 12, ou M-12, que se inspira no número de apóstolos que seguiram Jesus e que dá origem à chamada Visão Celular, em referência ao grupo de células que se multiplicam.

Renê Terra Nova está no topo da cadeia no Brasil. Ele trouxe o modelo - que surgiu na Coreia, nos anos 50 - depois de importá-lo da Colômbia em 1998. Viajou, à época, acompanhado de outra pastora, Valnice Milhomens, tida como a maior responsável pela difusão da candidatura Marina Silva no eleitorado evangélico. Valnice, porém, preferiu a neutralidade no segundo turno.

Terra Nova diz ter 30 mil pastores sob sua influência, os quais, por sua vez, teriam sob sua cobertura 325 mil líderes de células, abrangendo ao todo 6 milhões de fiéis. É um rebanho gigantesco - próximo da maior igreja protestante no Brasil, a Assembleia de Deus, que fez 19 deputados federais entre os 64 da bancada evangélica eleita no primeiro turno. Em Manaus, porém, Renê Terra Nova não elegeu os dois candidatos a deputado que apoiava, um estadual e outro federal.

Questionado sobre a confiabilidade da estimativa de 6 milhões de fiéis que estariam sob sua influência, ele é evasivo. "Nós também temos nossos institutos de pesquisa...", diz, sem esconder o sorriso de ironia.

Terra Nova é um nome de peso no competitivo mercado religioso. A Visão Celular lhe proporciou expandir seu projeto, ao amealhar fiéis que não precisam abandonar as igrejas as quais costumam frequentar. As reuniões dos grupos de 12 discípulos são realizadas em residências, duram no máximo uma hora e têm como apelo a proximidade entre seus integrantes. Numa igreja grande, com 3 ou 4 mil frequentadores, por exemplo, dificilmente um pastor tem condições de saber ou tempo para confortar alguém, individualmente, caso esteja passando por um grave problema, como a morte de um parente.

A Visão Celular de Renê Terra Nova tenta se aproveitar desse dilema entre quantidade e qualidade. E fornece a uma gama difusa de pastores independentes - que abriram suas próprias igrejas - um corpo de ideias coeso e uma metodologia para expansão. Tal qual uma franquia.

A comparação com empresas não é descabida. Para que a multiplicação das células se dê, os fiéis são incentivados a ser pró-ativos. Por nove meses, frequentam uma "escola de líderes". Em um ano e meio, estão autorizados a empreender e abrir seu próprio grupo. Por experiência, a melhor forma de a célula ir adiante é que seja formada metade por homens e metade por mulheres.

O modelo é uma radicalização da teologia da prosperidade, que move a maioria das denominações evangélicas neopentecostais. Incentiva que o fiel seja ele mesmo um empresário da fé e não só um beneficiário de práticas aprendidas na igreja e voltadas para sua ascensão social.

A ideia de prosperidade está tão entranhada que, em discurso que antecedeu ao de Renê Terra Nova, uma de suas discípulas, Nídia Sá, precisou ressaltar a importância da política não como meio para se ganhar dinheiro, mas por se tratar de uma questão ideológica, para preservar uma sociedade com princípios cristãos. Nídia, ao falar do púlpito, era o símbolo de como a política e religião se casaram nesta eleição. À frente dos mais de 100 pastores, seu notebook trazia um adesivo escrito "Serra 45".

O projeto de poder político é visto como uma consequência inevitável da autonomia econômica. "Queremos governar. Cansamos de ser cauda", diz Renê Terra Nova, ao afirmar que o resultado surpreendente de Marina Silva mostrou a força do segmento evangélico. A onda verde, para ele, foi, essencialmente, uma onda cristã, de apoio à candidata do PV, embora Marina não tenha enfatizado o fato de ser evangélica.

Terra Nova conta que, no início, era muito crítico do mundo da política, mas que chegou à conclusão de que não é possível ficar à margem. Tanto que criou o chamado Governo dos Justos, que admite ser o braço político de sua organização. A intensa participação na campanha de José Serra é um sinal dos novos tempos. Outro é a expansão midiática.

"Decidi agora ir para a TV. Vou dar as caras daqui para frente. Preciso aparecer mais", diz o pastor, em referência a negociações para ter um programa na televisão e à entrevista que concedia, que chamou de "milagre", pois recusara pedidos de vários jornais e revistas nacionais de grande circulação. O que não deixa de ser outra estratégia de marketing.

domingo, 24 de outubro de 2010

O mercado da fé

O jornal Valor Econômico publicou na última sexta-feira, 22/10/10, um longo e aprofundado artigo sobre o crescimento evangélico no Brasil, analisando sua repercussão na atual campanha eleitoral, mas sem se concentrar nela especificamente. A maior parte do artigo pode ser lida no site do Senado Federal, e eu destaco aqui o final, que foi o que mais me interessou por sua análise econômica do fenômeno religioso da migração entre as diferentes denominações, e como o discurso da teologia da prosperidade interfere nesse processo:

Teologia da prosperidade

Por outro lado, as igrejas neopentecostais investem na chamada "teologia da prosperidade", que valoriza o sucesso pessoal e profissional. Voltada majoritariamente para a classe C, essa estratégia foca problemas típicos de uma classe média ascendente: emprego, posse de bens, entretenimento. O crescimento dessas denominações, segundo Jacob, é mais heterogêneo e se apoia fortemente sobre o poder midiático que advém da posse de emissoras de rádio e redes de televisão. A circulação de fiéis entre as diversas denominações é mais forte nessa categoria evangélica.

O fenômeno de migração interna entre as denominações evangélicas leva muitos sociólogos da religião a abordar a religiosidade contemporânea por meio de um vocabulário microeconômico. Segundo essa perspectiva, a preferência religiosa decorre de escolhas racionais e as diferentes igrejas agem estrategicamente como empresas para atrair fiéis e os manter, numa relação típica de consumo. O que uma igreja oferece são bens simbólicos, uma espécie de "produto" que satisfaz necessidades humanas mais profundas do que o bem-estar material. Isto é, dão consolo, sentido para a vida, esperança, conforto, um norte moral.

"Com a República, institui-se a liberdade religiosa, a separação da igreja e do Estado. Considerando o funcionamento das igrejas como empresas, vemos como elas têm a liberdade de divulgar suas doutrinas e disputar fiéis umas com as outras. Ou seja, a liberdade religiosa vira livre concorrência", diz Pierucci. "O Estado não regula mais esse campo. Se regulasse, seria um monopólio, como era antigamente e continua sendo na maior parte das repúblicas islâmicas. Não tendo mais monopólio, a concorrência dá certo. Nenhuma igreja é contra o Estado laico, porque ele lhes dá liberdade de crescer."

A abordagem microeconômica das religiões esclarece o crescimento do chamado "mercado da fé". Fenômenos como música gospel, pastores televisivos e a fragmentação das denominações religiosas (cujo número é incerto, mas estima-se que já passe da centena) figuram como exemplo da necessidade de talhar um produto espiritual para suprir a demanda de fiéis que têm preferências díspares. Não por acaso, as igrejas neopentecostais são as mais preparadas para "competir" nesse mercado e tiveram um crescimento considerável nas últimas décadas. "Ao contrário de muitas outras igrejas, não fazemos propaganda nem divulgação", afirma Luiz Fernandes, que frequenta a Congregação Cristã do Brasil. "Nossos fiéis são sempre trazidos por outros fiéis. A gente nem gosta de sair em fotos."

Embora exista uma ligação entre a expansão das igrejas evangélicas e a ascensão social de grupos que costumavam pertencer às classes menos favorecidas da sociedade brasileira, os pesquisadores negam que haja relação estrita, atualmente, entre um modo de vida econômico e uma escolha religiosa precisa. Embora a ideia tenha sido apontada por Max Weber, ao escrever sobre o desenvolvimento do capitalismo europeu no século XVI, esse raciocínio dificilmente poderia ser transposto para as condições atuais. "As religiões novas têm características muito diferentes do protestantismo histórico. A experiência religiosa mais importante para o pentecostal é um êxtase recebido do Espírito Santo. O protestantismo das origens era voltado para a ação, ficava no campo da conduta. A experiência religiosa era a experiência profissional. Trabalhar era cumprir a vontade de Deus", afirma Pierucci.

A maioria dos pesquisadores considera que a curva de crescimento das igrejas pentecostais no Brasil deve ter sofrido uma inflexão. Assim, nas próximas décadas, é provável que a proporção de evangélicos se estabilize no país em torno de 25%.

Estudo realizado em 2007 pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, estimou uma estabilização na proporção de católicos no país, embora a porcentagem de evangélicos tenha continuado a crescer. Para o economista, a melhora da vida econômica das populações mais pobres, sobretudo no Nordeste, estancou nas pessoas a busca por novas religiões, além de reverter o processo migratório que vigiu no Brasil durante a maior parte do último século.

Outros argumentos também são evocados para sustentar a hipótese de uma acomodação na distribuição de fiéis entre as igrejas. Segundo Pierucci, existe um teto para a quantidade de católicos que podem se dispor a mudar de religião. Para o sociólogo, o brasileiro tampouco é tão disposto a fazer parte de religiões que exigem fé exclusiva. Com isso, o catolicismo se torna mais confortável, por não tomar medidas enérgicas contra o sincretismo e o flerte com outras religiões. "Se você for evangélico, não pode ser espírita. O católico, de forma extraoficial, pode continuar indo a centro espírita, umbanda e por aí vai. A Igreja Católica não aprova, claro, mas também não interfere muito, como fez o confucionismo dos mandarins com o taoísmo, na China. Conheço pessoas que são muito espíritas e ao mesmo tempo muito católicas. Isso, no pentecostalismo, não pode", diz. Por esse raciocínio, a sobrevivência do catolicismo como religião dominante no Brasil viria de seu caráter mais maleável.

sábado, 23 de outubro de 2010

Milagres eleitorais

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O grande debate político nacional

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O voto evangélico no 1º turno

Notícia do site Folha.com:


Cidades mais evangélicas do país elegeram Dilma no 1º turno


ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO
HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA



Nas 700 cidades brasileiras com maior proporção de evangélicos, a candidata Dilma Rousseff (PT) se saiu tão bem ou até um pouco melhor do que no conjunto do país.

Esse dado reforça a tese dos cientistas políticos que afirmam que a religião não é uma variável importante em eleições no Brasil.

Embora não derrube, ele relativiza a teoria de que Dilma não venceu no primeiro turno porque perdeu parte dos votos religiosos devido a suas posições sobre o aborto.

Se dependesse apenas dessas cidades com maior presença evangélica (30% ou mais da população), a petista já estaria eleita, com uma média de 53% dos votos.

Neste Brasil evangélico, Dilma também se sai bem em outros recortes estatísticos. Em 63% dos municípios, ela igualou ou superou sua média nacional de 47%. Em 71% deles, ela derrotou seus adversários, contra média nacional de cerca de 70%.

Marina Silva (PV), cujo crescimento de última hora foi atribuído por alguns analistas ao voto religioso, na verdade se sai mal no Brasil evangélico. Se dependesse apenas desses municípios, sua votação média teria sido de apenas 11,2%, contra os 19,33% registrados nacionalmente. Ela supera seu próprio desempenho em apenas 11,7% das cidades com mais de 30% de protestantes.

Para José Serra, a votação teria sido de 34,4% (contra 32,61% no Brasil real). Ele se saiu melhor do que sua média nacional em 56% das cidades mais evangélicas.

Para fazer a análise, a Folha usou resultados da eleição divulgados pelo TSE e uma projeção da população evangélica de cada município em 2007 feita pelo Ministério de Apoio com Informação (MAI), uma rede de auxílio a igrejas evangélicas.


clique na imagem para ampliar:

Troca-troca cóspel

Tempos bons mesmo eram aqueles em que os cristãos eram perseguidos e não viviam do troca-troca de favores e votos com políticos. Os tempos atuais mancham o bom nome "evangélico", para vergonha de todos nós. Notícia da Folha.com:


Campanha de Serra faz ofertas a evangélicos


BRENO COSTA
DE SÃO PAULO

A campanha de José Serra (PSDB) está oferecendo benefícios a igrejas evangélicas e a entidades a elas ligadas em troca de apoio de pastores à candidatura tucana. O mesmo foi feito na campanha do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin.

O responsável pelo contato com os líderes é Alcides Cantóia Jr., pastor da Assembleia de Deus em São Paulo.

Ele responde pela "coordenadoria de evangélicos" da campanha, criada ainda no primeiro turno exclusivamente para angariar apoios entre evangélicos.

"Disparo entre 150 e 200 telefonemas por dia, mais ou menos", diz Cantóia, que trabalha numa espécie de guichê montado no térreo do edifício Praça da Bandeira (antigo Joelma), quartel-general da campanha de Serra. No local, ele também recebe pastores para "um café".

Os telefonemas são feitos para pastores de várias denominações em todo o Estado de São Paulo, em busca de pedido de voto em Serra entre os fiéis de suas respectivas igrejas.

Segundo Cantóia, entre os argumentos para conquistar o engajamento dos evangélicos, além do discurso relativo a valores, como a posição contrária à descriminalização do aborto, está a promessa de apoio a parcerias entre essas igrejas e entidades assistenciais a elas vinculadas com prefeituras e governo, em caso de vitória tucana.

Como exemplo, cita a possibilidade de, com os tucanos no poder, igrejas poderem oferecer apoio a crianças e adolescentes, complementando o período que elas passam na escola. Assistência a idosos também é citada.

"O objetivo é levar as crianças para dentro da igreja", afirma o pastor. "Esse é um dos argumentos. Seriam igrejas em tempo integral, complementando a atividade da escola."

Cantóia afirma, também, tentar intermediar demandas recebidas de pastores junto a prefeituras. Por exemplo, pedidos para que entidades funcionem como creche ou que virem intermediárias do programa Viva Leite, do governo estadual.

Alcides diz ter sido um dos articuladores que levou os pastores Silas Malafaia, do Rio de Janeiro, e José Wellington Bezerra, de São Paulo, ambos da Assembleia de Deus, a gravarem depoimentos de apoio a Serra, exibidos em sua propaganda na TV.

O Conselho dos Pastores de São Paulo, que reúne representantes de diversas denominações protestantes, estima que cerca de 80 mil pastores em SP apoiem Serra.

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