sábado, 10 de outubro de 2009

Um River de saudade

Se existir, o céu dos cães deve ter amanhecido em festa hoje cedo, especialmente na área destinada aos golden retrievers, quando apareceu um cara diferente, simpático, brincalhão, para se juntar aos vultos dourados saltando atrás de frisbees esvoaçantes e bolas lançadas por sobre campos floridos e imensos gramados verdes. 

Nesta fria manhã de outubro, chegou lá o River, o cão mais bacana que alguém possa imaginar, companheiro, carinhoso, inteligente. 

Nem teve tempo de perceber a transformação, já que partiu deste mundo dormindo aos pés da cama do seu dono, depois de 18 meses de tratamento quimioterápico por causa de um câncer linfático que, contra todas as expectativas, não conseguiu impedi-lo de viver com dignidade os seus últimos dias. 

No seu último dia, o River teve, inclusive, direito ao seu passeio, a fazer xixi nos seus postes preferidos, e a comer o seu prato predileto: bananas, muitas bananas. 

Partiu sem deixar bens materiais, já que dois ou três brinquedinhos eram apenas pretexto para fazer o que mais gostava, estar perto da sua família, compartilhando aquele amor que mal lhe cabia no coração. 

Deixa uma família triste, mas ao mesmo tempo confortada por não vê-lo sofrer indefinida e injustamente. Foi um enorme privilégio ter desfrutado da sua companhia. 

 Deixa dois irmãos, o Jordan e o Yerik, aos quais agradece pelos 9 anos e 16 dias de convívio, e por compreenderem a situação e terem feito vistas grossas às regalias e aos privilégios escancarados que teve nos últimos meses. 

Embora tenha perdido a conta das espetadas que levou, agradece ao veterinário Marquinho por ter-lhe proporcionado uma sobrevida longa e digna. 

Valeu a pena ter vivido e conhecido cães e humanos como vocês.


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