terça-feira, 18 de maio de 2010

Show de imagens do vulcão de nome impronunciável

Sean Stiegemeier gravou e editou as imagens espetaculares abaixo, do vulcão cujo nome ninguém consegue pronunciar - Eyjafjallajökull -, que mostram a terrível força da natureza na Islândia. A gravação foi feita com aceleração de imagens, o que a deixa ainda mais bela:


Iceland, Eyjafjallajökull - May 1st and 2nd, 2010 from Sean Stiegemeier on Vimeo.

Crise leva desemprego a pastores nos EUA

A crise econômica americana tem levado muitos pastores a serem demitidos de suas igrejas, e, ainda que a causa aqui não seja exatamente a mesma, é muito provável que a "concorrência desleal" da "centralização de dízimos e ofertas" promovida por alguns telepastores, com a promessa fácil e inconsequente do paraíso na terra, leve muitas igrejas a não terem mais condições de sustentar seus pastores. Veja o que noticiou o jornal Valor Econômico de ontem, 17/05/10, reproduzindo matéria do The Wall Street Journal:


Doação em queda faz igrejas dos EUA demitirem pastores

Joe Light, The Wall Street Journal


Quando Tim Ryan foi convidado para uma reunião urgente ano passado para discutir seu trabalho como pastor da juventude na Igreja Evangélica Livre West Shore, sentiu na hora que algo estava errado.

"É muito difícil. Não sei como fazer isso", disse o pastor executivo John Nesbitt, um dos líderes do rebanho de 2,5 mil pessoas da megaigreja em Mechanicsburg, no Estado da Pensilvânia.

A igreja, parte da denominação Igrejas Evangélicas Livres da América, tem crescido rapidamente, mas as doações tinham ficado bem abaixo das previsões devido aos efeitos da recessão nos fiéis. Por isso Ryan estava perdendo seu emprego, assim como estava outro pastor.

Embora a economia dos Estados Unidos pareça estar se recuperando da pior recessão em gerações, mais sacerdotes estão desempregados e as igrejas continuam lutando contra o declínio das doações. Em 2009, o governo contabilizou mais de 5 mil religiosos procurando empregos, ante 3 mil em 2007 e 2 mil em 2005. Os funcionários administrativos das igrejas também estão sentindo os efeitos da crise. Numa pesquisa em outubro, cerca de um em cada cinco membros da Associação Nacional de Administradores de Igrejas, que reúne várias denominações e tem mais de 3 mil associados, disseram que foram obrigados a demitir durante a recessão.

O índice oficial de desemprego do clero nos EUA está em 1,2%, bem menor que a média nacional, mas as demissões podem ser especialmente dolorosas para essas pessoas. As igrejas não contribuem com os fundos de seguro-desemprego, então os demitidos não podem receber os mesmos benefícios que os outros trabalhadores.

A West Shore manteve Ryan, de 42 anos, e o outro pastor na folha de pagamento por cinco meses enquanto procuravam outros empregos, mas muitas igrejas não oferecem pacotes de rescisão, dizem especialistas.

"As igrejas vacilam tanto na hora de demitir as pessoas que na hora em que precisam não têm os recursos para um bom pacote de indenização", diz Bob Clarke, que dirige um programa de assistência a pastores em dificuldades da Igreja Presbiteriana na América.

Duas coisas contribuíram para as demissões: o declínio de longo prazo na participação em várias denominações, combinado aos estresses de curto prazo da recessão.

Quase 30% dos fiéis disseram que reduziram o dízimo desde novembro de 2009, segundo uma pesquisa com 1.008 adultos realizada no fim de janeiro e início de fevereiro pela Barna Group, uma firma de Ventura, na Califórnia, que pesquisa tendências religiosas e presta consultoria a igrejas. Quase metade dos 3.000 integrantes da Associação Nacional de Administradores de Igrejas diz que teve de reduzir ou congelar salários e benefícios.

Algumas lideranças religiosas temem que as doações não voltarão ao nível de antes da recessão enquanto o desemprego continuar alto. Pesquisas com as igrejas descobriram que as doações desabaram a partir de novembro de 2008, quando o desemprego estava em 6,7%. Desde então, as contribuições caíram junto com a expansão do desemprego.

Algumas das mais prejudicadas pela recessão foram as megaigrejas, ou as que comportam 2 mil fiéis ou mais num culto. Ano passado, a Igreja Comunitária de Granger, no Estado de Indiana, com seus 6 mil membros, teve de demitir 8 empregados e cortar o horário de 15 outros.

A saída de um pastor pode ter um impacto especialmente emocional sobre uma congregação. Quando a West Shore anunciou quais pastores seriam demitidos, vários membros na audiência mostraram choque. "As pessoas sabiam que não andavam doando muito, mas não acho que entendiam que a situação chegaria a isso", disse Ryan.

Além de Ryan, a igreja demitiu o pastor que cuidava dos 60 fiéis com deficiências físicas. O pastor, que agora trabalha num asilo no Estado de Nova York, não respondeu a pedidos de entrevista.

Um ajudante de garçom de 44 anos que tem problemas cerebrais disse a várias pessoas que começou a chorar quando o pastor anunciou que estava indo embora. "Tive de sair da sala para tomar um ar fresco. Foi difícil para a gente", disse ele.

Até que ponto os pastores são suscetíveis a demissões depende em parte da igreja ou denominação em que trabalham. Os bispos católicos e metodistas unidos indicam seus pastores. Assim, quando uma paróquia se vê obrigada a eliminar um cargo, o bispo pode transferir o sacerdote para outra igreja que possa mantê-lo. Enquanto isso, escritórios de colocação de rabinos afirmam que o período médio que esses sacerdotes passam procurando emprego aumentou, mas poucos templos e sinagogas tiveram de demitir.

Mas pastores de outras denominações cristãs ficam praticamente sozinhos na hora de enfrentar o desemprego e a busca por um novo trabalho. No momento, a Igreja Presbiteriana na América, que tem 1,7 mil igrejas, tem cerca de cinco pastores procurando emprego para cada uma de suas 54 vagas, o dobro de antes da recessão, disse o administrador do grupo, John Robertson.

A forte concorrência não é o único obstáculo enfrentado pelos sacerdotes. Cada emprego tem uma lista extensa de qualificações que às vezes são até mais específicas que o habitual no setor privado. Os tribunais têm se negado a interferir na contratação de membros do clero por enxergarem na primeira emenda constitucional, que trata da liberdade religiosa, um impedimento. Assim, as proibições da constituição americana à discriminação com base em deficiências físicas, idade e sexo não se aplicam, diz Dianna Johnston, advogada da Comissão de Igualdade nas Oportunidades de Emprego, agência que fiscaliza as leis federais de combate à discriminação no trabalho.

Uma oferta de emprego na Flórida para um pastor, no site da Convenção Batista do Sul, por exemplo, exige que o interessado seja casado e tenha entre 30 e 49 anos. Outro anúncio para um cargo de meio período no Kansas alerta que o comitê não vai considerar os candidatos divorciados.

Ryan, que trabalhou na West Shore por um ano e meio mas nunca foi ordenado, resolveu não mudar a mulher e os quatro filhos e aceitou um emprego laico com reformas caseiras, oferecido por um integrante da congregação.

O novo trabalho? Carpintaria. A profissão de Jesus e de seu pai, José, segundo a Bíblia. "Entendo muito bem a ironia disso", disse Ryan.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Padre da Canção Nova teria assediado PM e adolescente

Em complemento à notícia da prisão do padre Silvio Andrei, divulgada aqui anteriormente, outros dados chegaram a conhecimento público nesta manhã, conforme informa o UOL Notícias:

Padre é preso por ato obsceno, embriaguez e corrupção

Curitiba - O padre Silvio Andrei, de 40 anos, pároco da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, na região episcopal Sé da Arquidiocese de São Paulo, foi preso nesta madrugada em Ibiporã, no norte do Paraná. Ele é acusado de ato obsceno, corrupção ativa e embriaguez ao volante.

O primeiro pedido de fiança e concessão de liberdade foi negado nesta tarde por falta de documentos. O advogado do padre tentava providenciá-los para conseguir a liberdade ainda hoje.

A Polícia Militar de Ibiporã conta que o padre teria ido a Londrina, região na qual trabalhou durante alguns anos, para realizar um casamento. Durante a madrugada, policiais que estavam em uma das avenidas centrais de Ibiporã foram abordados por um homem nu que havia descido de um carro. Ele teria feito uma proposta sexual aos policiais. Logo depois teria saído com o carro, mas foi seguido pelos policiais, que o pararam no bairro Jardim Pastor. Segundo os policiais, pouco antes ele teria abordado um menor, que fugiu. Ao examinarem os documentos perceberam que se tratava de um padre. No banco de trás do carro encontraram as vestimentas sacerdotais.

De acordo com a Polícia Militar, Andrei teria oferecido dinheiro aos policiais para que não o encaminhassem à delegacia. Ele também teria se recusado a fazer o teste de bafômetro, mas o relatório da PM aponta que o hálito denotava que havia tomado bebida alcoólica, além de apresentar olhos avermelhados e fala desconexa.

O advogado de Andrei, José Adalberto Almeida da Cunha, disse que não há nada que prove as acusações feitas pelos policiais. Ele afirmou que, antes de celebrar o casamento, o padre teria tomado alguns remédios, em razão de estar depressivo e para relaxamento muscular. Depois da celebração foi à festa, onde "se excedeu um pouco no vinho". Na hora de voltar Andrei teria tomado o caminho de Ibiporã ao invés do centro de Londrina.

De acordo com o advogado, como o padre teria se sentido mal, acabou vomitando e tirou a maior parte das roupas. Logo depois, teria parado o carro e perguntado a um rapaz a direção de Londrina. Posteriormente teria sido abordado pelos policiais. O advogado negou as acusações de propina e de assédio o menor.



Veja ainda o vídeo da prisão



e a entrevista do adolescente abordado pelo padre:

domingo, 16 de maio de 2010

matéria censurada - Folha Online - 16-05-2010 - 16h26 - http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u735971.shtml - Padre da Canção Nova é preso dirigindo bêbado e peladão no Paraná

Pelo menos é isso o que noticia a Folha Online:

16/05/2010 - 16h26

Padre é preso ao dirigir embriagado e sem roupas no Paraná


GIULIANA MIRANDA
da Agência Folha

O padre Silvio Andrei, 40, foi preso na madrugada deste domingo por dirigir embriagado em uma rodovia em Ibiporã (394 km de Curitiba), no interior do Paraná. De acordo com a Polícia Militar, o padre estava "praticamente nu" e tentou subornar os agentes para não ser preso --o que ele nega.

Andrei se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi encaminhado à delegacia da cidade. Seu advogado já entrou com pedido de revogação da prisão temporária, que ainda não foi analisado.

Sacerdote há quase dez anos, Silvio Andrei é pároco da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, em São Paulo. Ele também apresenta um programa na TV Canção Nova.

Seu advogado, José Adalberto Almeida da Cunha, contesta a versão dos policiais. Ele confirma que Andrei bebeu, mas diz que o comportamento alterado foi provocado pela mistura do álcool com um medicamento.

"Ele bebeu um pouco de vinho em um casamento que celebrou em Londrina [PR]. O padre tinha tomado um antidepressivo e acabou com uma reação de confusão", afirmou.

De acordo com o advogado, o sacerdote só tirou a roupa porque vomitou na batina, por causa dos efeitos do vinho e do antidepressivo.

"Depois de vomitar, a batina ficou suja e ele precisou tirá-la." A vestimenta foi encontrada no banco de trás do carro. O defensor nega, porém, que o padre estivesse nu. "Quando eu cheguei, ele estava de camiseta e cueca", afirmou.



Confira ainda a notícia atualizada:

Padre da Canção Nova teria assediado PM e adolescente


sábado, 15 de maio de 2010

Uma igreja pra chamar de sua



O anúncio da já prevista saída de Silas Malafaia da CGADB – Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil, um dos ramos da denominação no país, pelo próprio telepastor em seu programa, é apenas mais um dos inúmeros espetáculos grotescos que regem a divisão de igrejas pelo Brasil. 

Só nos últimos meses, o bispo Zé Bruno saiu da Renascer dos Hernandes, e Roberto Damásio saiu da denominação de Valdemiro Santiago, que por sua vez havia saído das barras de Edir Macedo. Todos alegam uma “visão de Deus”, embora o “Deus” em questão se deva escrever com “d” minúsculo, e costume atender pelo nome de Ego. 

Ninguém ajunta, a não ser temporária e convenientemente. 

Todos espalham. 

Não é à toa que uma das palavras mais esquecidas de Jesus é aquela que Ele diz em Mateus 12:30, “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha”, ao contrário do versículo anterior, que fala de “amarrar o valente”, para delírio dos que dizem “tá amarrado!” pra tudo. 

Por sinal, o que não falta na igreja evangélica brasileira são valentões, a discordar de tudo e de todos, arrotando apostolados, primazias e revelações especiais que lhes autorizariam comandar todos e não serem liderados por ninguém. 

Como já alertava Pedro: “Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. 

E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita (2 Pedro 2:1-3).


No fundo, todos têm uma incapacidade crônica de submeter-se não só a outros líderes, mas ao Espírito Santo e à Sua Palavra. 

Criam um “evangelho” próprio, cheio de “sabedoria” humana, como as pílulas de vaidade dos gurus a que servem (vide Mike Murdoch). 

É a Bíblia que deve se adaptar ao seu discurso e não o seu ministério que tem que se adequar à Palavra. 

Não aprenderam o que é humildade, e fogem da palavra “servir” que Jesus tanto prezava. 

Ao contrário, querem ser servidos por robôs cegos travestidos de ovelhas dóceis, “engodando as almas inconstantes, tendo um coração exercitado na ganância, filhos de maldição, [...] especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas concupiscências, e desprezam toda autoridade. Atrevidos, arrogantes, não receiam blasfemar das dignidades, [...] falando palavras arrogantes de vaidade, nas concupiscências da carne engodam com dissoluções aqueles que mal estão escapando aos que vivem no erro (2Pe 2:10, 14,19-20). 

Profanam o bom nome do Senhor alegando – hoje - visões vindas dEle, que desdizem revelações que alegavam ter recebido ontem e contrariam aquelas que proclamarão amanhã como se fossem grandes novidades descidas do alto. 

Como se julgam infalíveis, blasfemam, portanto, ao atribuir o papel de mentiroso ao Santo Espírito de Deus, nome santo que se torna um joguete ao sabor de sua obstinação materialista e egocêntrica. 

Nada de novo, infelizmente. 

Talvez estejamos “apenas” testemunhando a nefasta e arrastada crônica da morte anunciada da igreja evangélica brasileira, mas, graças a Deus, restarão ainda 7.000 que não dobrarão seus joelhos a Baal.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O viralata que agita a Grécia e conquista o mundo

Já que os humanos estão meio desanimados e não estão nem conseguindo se ajuntar pra protestar, uma ajuda canina é sempre bem-vinda, e o cachorro viralata de nome Louk está fazendo sucesso nos protestos dos gregos contra o pacote econômico do seu governo para tentar conter a crise que ameaça quebrar o país. Louk, como a coleira azul indica na Grécia, é um cão de rua devidamente vacinado que se tornou uma celebridade mundial, com direito a comunidade no Facebook, já que não perde nenhum enfrentamento com a polícia que apareça na sua frente. Confira:




Agora faça a sua parte, adote um viralata!


Bancada evangélica quer enfiar canais religiosos goela abaixo da população brasileira

Os nobres deputados evangélicos, Robson Rodovalho à frente, estão tentando forçar a barra das TV's a cabo para enfiar goela abaixo dos telespectadores os canais religiosos mantidos por algumas igrejas poderosas. O sistema must carry (traduzido, seria algo como "deve carregar") funciona mais ou menos assim: toda televisão por assinatura leva obrigatória e gratuitamente alguns canais ao público que serve, daí haver muitos canais comunitários e legislativos, por exemplo. Na falta de algo melhor que fazer, a bancada evangélica do Congresso está se movimentando para garantir que os canais religiosos sejam incluídos no pacote. Obviamente, nenhuma operadora de TV por assinatura disponibiliza gratuitamente os sinais obrigatórios. Ainda que digam que não cobram por eles, há inúmeras maneiras de diluir os seus custos entre todos os assinantes. Desta forma, até ateus financiarão os canais do R. R. Soares, do Malafaia, do Rodovalho, do Edir, do Valdemiro, etc. Outro aspecto a ser considerado é a constitucionalidade da medida, já que o Estado é laico e não deve patrocinar nem forçar ninguém a patrocinar atividades religiosas. Há que se observar, também, que as operadoras de TV por assinatura pagam impostos, enquanto as igrejas não, e ficaria no mínimo estranho certos "pastores" ficarem pedindo dinheiro o dia inteiro na TV sem pagar nenhum imposto por isso, enquanto quem os patrocina teria a obrigação de recolhê-los. Ainda bem que Jesus não precisou de televisão, internet, nem a franquia dos correios romanos para pregar a sua mensagem...

Vi a notícia no blog Tela Crente e fui buscar a fonte original no Teletime News:

PL 29 sofre alterações de redação na CCJ

terça-feira, 11 de maio de 2010, 17h12


O relator do PL 29/2007 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), apresentou um complemento de voto logo no início da sessão desta terça-feira, 11, que votou e aprovou o projeto. O complemento foi aprovado na íntegra, gerando pequenas alterações no texto do projeto. O PL 29 pretende unificar as regras do setor de televisão por assinatura, além de criar um programa de fomento ao conteúdo nacional. As mudanças sugeridas por Cunha foram fruto de negociações realizadas nas últimas semanas e pretendem resolver pendências que apareceram apenas nesta última etapa de tramitação do texto na Câmara dos Deputados.

O complemento de voto traz três novas emendas de relator. Uma delas toca na principal polêmica aberta na CCJ: o carregamento de canais religiosos pelas empresas de TV paga. A mudança proposta por Cunha é que esses canais tenham prioridade na escolha feita pela Anatel quando a operadora alegar dificuldades técnicas ou financeiras para cumprir todo o must carry.

Pela regra prevista no projeto, as operadoras que tiverem dificuldade em cumprir a obrigatoriedade de carregamento dos canais podem procurar a agência reguladora e pedir exceções. Neste caso, caberá à Anatel a escolha de quais canais devem ser carregados dentro das limitações da operadora. Fica a dúvida de como a Anatel classificará os canais religiosos e como serão justificadas as prioridades a conteúdos religiosos em detrimento de educativos, culturais e informativos, estes sim previstos na Constituição

Escolha

A emenda proposta mantém o poder de escolha nas mãos da Anatel, mas define que essa seleção deverá ser feita "priorizando após as geradoras locais de conteúdo nacional ao menos um canal religioso em cada localidade, caso existente, na data da promulgação desta Lei". Esse malabarismo foi acordado não só para apaziguar a bancada evangélica, representada especialmente pelo deputado Rodovalho (PP/DF), mas também para evitar novos atritos com as emissoras comerciais de TV aberta.

O drama em torno dos canais religiosos começou com a ameaça, sobretudo da Sky, de que uma vez aprovado o PL 29, essas geradoras não teriam mais o seus sinais carregados. A discussão se complicou na semana passada, quando os deputados perceberam que as empresas de DTH poderiam alegar impossibilidade técnica de carregar os canais abertos, inclusive os com conteúdo religioso, justificando que não há como garantir o carregamento de todas as emissoras locais.

Para salvaguardar que as emissoras com conteúdo religioso não sejam as mais prejudicadas por essa dificuldade técnica, foi apresentada a nova emenda. A ressalva de que as "geradoras locais de conteúdo nacional" sempre terão prioridade sobre os demais canais de radiodifusão tem como objetivo evitar que os principais canais abertos acabem ficando em segundo plano na escolha da Anatel, dada a regra de preferência pelos canais religiosos. Um detalhe importante é que não há uma definição legal do que é "canal religioso" e o próprio PL 29 não faz esse tipo de distinção. No projeto, há referências apenas a "programação religiosa".

Must carry em todas as tecnologias

Uma segunda emenda inédita foi apresentada por Cunha, também envolvendo o must carry. A proposta altera o projeto definindo que toda prestadora deve tornar disponíveis, sem ônus ao cliente, os canais de distribuição obrigatória, "independentemente da tecnologia de distribuição empregada". Vale lembrar que se mantém intacta a ressalva de que dificuldades técnicas ou financeiras podem ser alegadas para reduzir essa obrigação. Na prática, a nova emenda apenas define que não será criado nenhum regime especial para qualquer tecnologia, valendo para todas as operadoras, sejam de cabo, DTH, TVA ou MMDS, a obrigação de carregamentos dos canais de radiodifusão.

Acordo das TVAs

A primeira polêmica surgida na CCJ, as mudanças propostas pelo relator eliminando as regras de transição das operadoras de Serviço Especial de TV por Assinatura (TVA), foram resolvidas por meio de acordo e da ação da Anatel. A agência reguladora validou no mês passado as outorgas de TVA, que estavam há anos sem prorrogação ou declaração clara de vigência. Com essa decisão da agência, o relator cumpriu o acordo de retirar três das quatro emendas supressivas propostas no seu primeiro parecer.

A emenda mantida deixou de ser "supressiva" e tornou-se "modificativa". A alteração foi feita para esclarecer que apenas as concessões de TVA "em vigor" poderão ser adaptadas para o novo Serviço de Acesso Condicionado (SAC), criado pela nova lei. Antes, a redação definia uma transição sumária das licenças dessa modalidade, sem considerar que até pouco tempo elas não estavam claramente válidas por não terem sido prorrogadas pela Anatel.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A confusão do Garotinho com Ivo e Adão

Quando se mistura política e religião, a combinação é explosiva. Acrescente a isso crente chamando político de "pastor desta nação" e cantor de música de gosto duvidoso com repercussão em igreja gay, que a coisa consegue ficar pior. Pelo menos é o que aconteceu num comício do ex-governador carioca (e candidato a um novo mandato) Anthony Garotinho em Cabo Frio (RJ), quando o apresentador se referiu a ele como o "pastor do Brasil", e Emanuel de Albertini cantou uma música contra o casamento homossexual. O site Gospel+ informa que Marcos Gladstone, pastor gay fundador da Igreja Cristã Contemporânea, representou ao Ministério Público Estadual contra o compositor da música, Toninho de Aripibu:

“Essa música é de tremendo mau gosto. Há uma parcela da sociedade que tem dificuldades de conviver com a pluralidade, mas esse é um exercício que tem de ser feito para que possamos viver em paz”,falou Marcos Gladstone. O pastor fez a crítica porque em um trecho a música afirma: “a cada dia multiplica a iniqüidade, sinceramente isso me deixa pensativo. Se Deus tivesse feito homem pra casar com outro não seria Adão e Eva, tinha feito Adão e Ivo”.

Pois é, com Garotinho, Gladstone e Aripibu, mais religião misturada com política, é confusão na certa ...


terça-feira, 11 de maio de 2010

Suprema Corte americana fica sem protestantes

A Suprema Corte dos Estados Unidos é uma referência mundial em termos de Direito Constitucional, dado o apreço que os americanos têm pelas liberdades civis naquela que é considerada a mais poderosa democracia do globo, em que a Constituição de 1787 é seguidamente reinterpretada pela Corte para que sua permanência seja perene. Seus membros são indicados pelo presidente americano e procuram seguir um equilíbrio tênue entre conservadores e liberais, ora pendendo para um e outro lado, e agora parece que uma disputa religiosa se instalou no famoso Tribunal, conforme noticia o jornal Valor Econômico de hoje. É que, com a aposentadoria do juiz John Paul Stevens no início de 2011, o presidente Barack Obama indicou Elena Kagan para seu lugar. Ela ocupa atualmente um cargo similar ao de Advogado-Geral da União no Brasil, e foi diretora da prestigiada Faculdade de Direito de Harvard, além de ter assessorado a presidência de Bill Clinton. O problema, entretanto, é que com a posse de Kagan no ano que vem, serão 6 juízes católicos e 3 judeus na composição de 9 membros da Corte, ou seja, não haverá mais nenhum de confissão protestante, isto num país de maioria protestante, com fortes traços conservadores. O fato de boa parte deles ter apoiado o presidente George W. Bush em sua empreitada no Iraque parece ter minado sua influência no debate das grandes questões constitucionais que, obrigatoriamente, têm que passar pela Suprema Corte americana. Kagan ainda terá que ser aprovada pelo Senado dos EUA, e já se prenuncia uma mobilização religiosa a questionar sua indicação. Não deixa de ser um alerta aos evangélicos que mesclam religião com política e ideologia, tentando ganhar poder. O risco é ficar sem nada...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Padre Marcelo Rossi precisa se benzer

Depois de ter ficado todo detonado após ser atacado pelos cães da casa de seus pais, segundo informa a coluna de Mônica Bérgamo na Folha de S. Paulo de hoje, o Pe. Marcelo Rossi quebrou o pé ao cair da esteira ergométrica. A jornalista complementa a nota dizendo que o sacerdote agora "precisa de ajuda para celebrar as missas no Santuário do Terço Bizantino. Em cadeira de rodas, ele tem que ser carregado até o altar, que não tem rampa de acesso". O Kibeloco já fez piada dizendo que é isto o que dá fazer esteira cantando "erguei as mãos". Parece que a zica começou quando o padre decidiu ser garoto-propaganda da volta da cerveja aos estádios... manera, padre, volte à água benta!

"Evangélico": o que há num nome?

Artigo muito interessante, apesar de longo, do Cristianismo Hoje, sobre as muitas definições da palavra "evangélico":

Um nome, muitas definições

Determinar a identidade do evangélico brasileiro é difícil tanto para estudiosos quanto para líderes do segmento

Dizem que, para algumas perguntas, não existe resposta. Ou então, há várias, mas que nenhuma pode ser considerada totalmente correta. Parece ser o caso de uma questão com a qual os brasileiros passaram a lidar com maior frequência nos últimos anos, em grande medida por conta das implicações sociais: o que significa ser evangélico em nosso país? Não vale a pena apressar-se em responder, até porque se trata de um questionamento retórico, que leva a outras indagações. Como definir a pessoa que assim se classifica? E que traços a identificam e distinguem daquela que não se apresenta como tal? Há algumas décadas, uma resposta evidente seria: “Evangélicos são os bíblias, que andam de terno ou saia longa no domingo e vão à igreja de crentes.” Reducionista e pejorativa, tal definição, embora comum no passado, já era incapaz de abranger um conceito tão amplo. Mas servia, ao menos, como forma de distinguir os cristãos protestantes, que também eram notados pelo modo de vida frugal e conduta modelar. Sim, ser “bíblia” era sinônimo de integridade noutros tempos…

Hoje, porém, esse perfil não cabe mais. No que diz respeito a hábitos e estilos, tanto as roupas protocolares quanto a Bíblia de capa austera não constituem mais características dominantes entre os membros e frequentadores de igrejas evangélicas, principalmente no contexto urbano. O estereótipo de que crente é gente pobre caiu por terra há pelo menos uma geração: ao contrário de seus pais, os evangélicos de hoje – ou melhor, parte significativa deles – já não têm pudores em acumular bens materiais e almejar a prosperidade neste mundo. Além disso, escândalos recentes envolvendo líderes e denominações, principalmente nas últimas duas décadas, mancharam a imagem de probidade antes atribuída a todos os protestantes. Até em termos de pesquisa (e vem aí um novo Censo) fica difícil determinar se uma pessoa é ou não evangélica. Isso porque, nas pesquisas sobre pertencimento religioso realizadas pelo Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE), o termo é usado para englobar qualquer crença fora do catolicismo que se afirme cristã, o que coloca no mesmo caldo, por exemplo, as testemunhas de Jeová e os mórmons, apesar das profundas diferenças teológicas e doutrinárias desses grupos com o segmento evangélico. Junte-se ainda o fato de várias pessoas se apresentarem como “evangélicas” por motivos nada espirituais, como o artista que precisa virar notícia para sair do ostracismo ou o criminoso – de colarinho branco ou não – instruído a passar uma imagem de “gente de bem” que está sendo injustiçada.

Ser evangélico, hoje, já nem significa necessariamente ter ligação visceral com uma igreja, o que costumava ser uma característica fundamental dos crentes. “O evangélico não praticante já é uma realidade”, opina a pesquisadora Eunice Zillner, do Ministério de Apoio com Informação (MAI). “Em minhas pesquisas, tenho encontrado pessoas que se dizem evangélicas, mas não praticantes.” Ou seja, ser evangélico, no país, tornou-se um conceito extremamente vago. “Não existe uma Igreja Evangélica no Brasil; é simplismo pensar assim”, afirma o pastor Ricardo Gondim, dirigente da Igreja Betesda, em São Paulo. “Não é possível traçar um perfil, pois o termo ‘evangélico’ não possui características que o nomeiem.” Para exemplificar a fragilidade dessa ideia, Gondim cita o próprio movimento social do país: “Sempre se acreditou que, à medida que os evangélicos crescessem no Brasil, o país seria afetado. Isso é um pensamento ingênuo, pois conforme um movimento cresce, a tendência é ficar parecido com o meio que está inserido.”

continue lendo o artigo clicando aqui.

(Mais um) pastor americano antigay seria gay!

Quando se trata de militância evangélica antigay é sempre bom manter um pé atrás com aqueles mais exarcebados, já que são vários os que foram pegos com a boca na botija alguns esqueletos multicoloridos e purpurinados no armário. George Alan Rekers é um pastor batista americano, membro da Associação Nacional para Pesquisa e Terapia da Homossexualidade, além de ter sido fundador do Family Research Council, juntamente com James Dobson. Além de ter um blog dedicado ao ativismo antigay (sem atualização desde 2008), Rekers é também professor de Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento da Universidade da Carolina do Sul, e durante as últimas décadas, combateu arduamente a adoção de crianças por homossexuais, com o argumento de que "meninos e meninas adotados por casais de lésbicas e homossexuais mostram um maior nível de estresse do que aquele que já é gerado pelo seu estatuto de órfãos ou crianças abandonadas por seus pais biológicos", acrescentando que esta situação "produz diversos traumas e distúrbios comportamentais que podem até levar a tendências ou tentativas suicidas". Pois não é que o site Miami NewTimes informa que, no último dia 13 de abril, o pastor Rekers foi flagrado voltando de uma viagem de férias de 10 dias pela Espanha e Inglaterra, acompanhado de um rapaz simpático que atende pelo nome de Lucien, o qual contratou através de um site que - quem diria! - agencia garotos de programa. Rekers alega que, devido a uma cirurgia recente, não podia levantar peso, razão pela qual teria contratado um rapaz bronzeado, forte e musculoso para colocar a maleta no bagageiro do avião. Melhor não imaginar como seria esta difícil operação naquele corredorzinho estreito. Pelo jeito, nos Estados Unidos está difícil encontrar alguém pra dar uma mãozinha amiga que faça um favor tão singelo como este.... grátis!

Arcebispo dispara: "pedófila é a sociedade"

Mediante declarações bombásticas e disparatadas, os prelados da Igreja Católica não param de acrescentar gasolina à fogueira de más notícias sobre si mesmos. O incendiário da vez é o arcebispo de Porto Alegre (RS), D. Dadeus Grings, conforme noticia o Zero Hora:


POLÊMICA DE BATINA


Dom Dadeus diz que sociedade é pedófila

Para o arcebispo, assunto pode estar sendo usado para prejudicar a Igreja

Ao abordar o escândalo do envolvimentos de sacerdotes em casos de pedofilia, o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, ampliou a polêmica ontem. Na abertura de assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele chegou a afirmar que a “sociedade atual é pedófila”, segundo o site do jornal O Globo.

No encontro, que ocorre em Brasília, Grings disse que o assunto pode estar sendo usado para prejudicar a Igreja Católica.

– A Igreja tem 0,2% de culpa nestes casos, mas, ainda assim, os outros 99,8% não têm o mesmo destaque que a Igreja. Acho que isso é uma forma de querer prejudicar a Igreja que promove a castidade. No tempo atual este assunto se tornou irrelevante para a sociedade – afirmou.

Para ele, o abuso sexual de crianças e adolescentes seria mais frequente entre médicos, professores e empresários do que entre sacerdotes. O arcebispo também criticou a liberdade sexual por criar desvios de comportamento, entre eles a pedofilia, segundo O Globo. Zero Hora tentou contato com Dom Dadeus na noite de ontem, mas não obteve sucesso.

A polêmica deverá ser tema das reuniões entre os bispos. Os escândalos foi lembrada pelo núncio apostólico, dom Lorenzo Baldisseri, durante a missa de abertura da assembleia. Ele lamentou o momento atual vivido pela Igreja por causa das denúncias de pedofilia.

– A Igreja figura nas páginas dos jornais e de outros meios de comunicação, fustigada, exposta ao público ludíbrio, pelas fraquezas de alguns de seus membros qualificados, os quais foram responsáveis de pecados e crimes gravíssimos, passíveis de juízo diante de Deus e dos tribunais.

No principal encontro da cúpula católica do país, o presidente Lula enviou uma carta pedindo que os sacerdotes rezassem para que o povo brasileiro “tenha luz e sabedoria” para fazer a sua escolha na sucessão presidencial.


Meu comentário: D. Dadeus Grings errou na forma e bateu na trave no conteúdo. De fato, muito há que se debater sobre até que ponto a sociedade favorece a pedofilia, seja no culto da juventude, na erotização da infância e da adolescência, facilmente perceptível na adoração dos ídolos teens, mas daí a dizer que a sociedade - como um todo - é pedófila, vai uma longa distância. Além disso, a Igreja é chamada a fazer diferença no mundo, a não se conformar com ele, mas renová-lo e transformá-lo pelo poder do Espírito Santo (Romanos 12:1-2). Portanto, ao fazer esta comparação, o arcebispo está assumindo inadvertidamente que, longe de ser sal e luz do mundo, a Igreja Católica se tornou uma massa amorfa que não se distingue mais do mundo que um dia pretendeu conduzir e moldar, mesmo destino que - infelizmente - muitas igrejas evangélicas estão seguindo ao privilegiar o materialismo e o consumismo, uma outra forma subreptícia de "erotização" da sociedade.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O jogo bonito

Não precisa ser santista pra comemorar o autêntico estilo moleque do futebol-arte nacional, patrimônio de todos os brasileiros, que andava fora de moda desde aquele fatídico Brasil 2 x 3 Itália da Copa de 82. Com direito a trilha sonora retrô de Donna Summer, com "Last Dance", o Globo Esporte, edição paulista, de hoje fez uma bela homenagem à campanha e ao título do Santos. Pelo menos por um instante, os bons momentos voltaram:

domingo, 2 de maio de 2010

A igreja precisa de poetas

Eu tenho um problema sério com pessoas que não conseguem ouvir o que seu interlocutor está falando, não exatamente por má audição, mas por má vontade. É claro que há várias explicações possíveis para esta atitude, mas em geral, quando alguém fala demais é porque tem algo a esconder. A verborragia se transforma, portanto, em uma poderosa arma de defesa contra quem ameaça invadir a sua fortaleza de segredos inconfessáveis ou o seu armário repleto de esqueletos empoeirados. Quando esta pessoa se diz cristã, o problema me parece mais sério, pois poder estabelecer um diálogo equilibrado entre o falar e o ouvir é um dos dons que Deus concedeu ao homem, tanto que, no relato da Criação, o próprio Deus em Pessoa ia ao jardim do Éden conversar com Adão e Eva. Jesus – o Logos (Verbo) de Deus - gostava de pregar e conversar, e muitas vezes os seus ensinos e diálogos se mesclavam, como nos rotineiros confrontos com os fariseus e na suprema aula que concedeu a Nicodemos (João 3). Nem Pilatos resistiu ao seu desejo de conversar para tentar entender.

A pregação expositiva é, de fato, bela e necessária, mas ela deve - ao menos - incentivar que seus ouvintes dialoguem com o pregador, no sentido de suscitar dúvidas que possam ser questionadas e ideias que sejam aperfeiçoadas, senão no momento do culto, em algum período reservado para isso dentro ou fora da igreja. O crente é um ser que pensa, embora geralmente seja tratado como repositório inanimado de mensagens não necessariamente inspiradas nem cristãs. O próprio jargão evangélico inibe esta interação, pois hoje os pregadores dizem que “entregam” uma mensagem, como se não houvesse possibilidade de, digamos, "deglutição" do que foi dito. Escondem-se atrás de uma autoproclamada “inspiração” para apregoar barbaridades supostamente autorizadas por um ser alegadamente divino, que, na verdade, se confunde com a pessoa – e as carências - de quem as anuncia. Não provocam nos ouvintes uma atitude de verdadeira entrega em adoração a Deus, mas de rendição incondicional ao pregador. Não por acaso, vemos hoje a igreja se perdendo no turbilhão de ensinamentos errados e heréticos de “pastores” que “apascentam a si mesmos” (Judas 12), que não toleram críticas nem admitem ser questionados, atitudes que se baseiam – principalmente – na passividade a que os ouvintes foram induzidos ao longo das últimas décadas, reduzidos que foram a meros espectadores de um discurso previamente elaborado, que apenas reproduz à exaustão o mais recente modismo evangélico, geralmente seduzido pelo “deus” que se escreve com “d” de “dinheiro”.


Jesus tinha especial prazer em conversar com seus ouvintes. As perguntas e os pedidos que lhe foram feitos serviram para ensinar grandes verdades, como no caso do centurião romano (Mateus 8), da mulher samaritana (João 4) e do jovem rico (Lucas 18). Os diálogos que o Mestre travava com Seus interlocutores eram momentos propícios para que o evangelho fosse anunciado e compreendido. Mesmo na liturgia do Antigo Testamento, os salmos foram poeticamente compostos e eram responsivamente cantados, num símbolo de que o culto a Deus é – também – um diálogo em oração e adoração. Quando Tiago (1:22) nos recomenda que sejamos praticantes da Palavra e não somente ouvintes, ele não está separando radicalmente o ouvir do pregar e do praticar, isentando o pastor de qualquer responsabilidade de também envolver-se no que aqui chamamos de “diálogo” da adoração. A palavra grega (ποιητής - poiētēs ) traduzida ao português por “praticante”, “cumpridor”, também significa “poeta” (como vertida em Atos 17:28). O poeta saboreia, questiona, interpreta e se delicia com as palavras, mediante as quais dialoga com o mundo. Pregar, ouvir e praticar a Palavra de Deus formam um conjunto que está intimamente ligado à poesia espiritual que deve ser a nossa vida e a da nossa comunidade cristã. Precisamos de pastores, entretanto, que não vejam o púlpito como um pedestal do seu próprio ego a declamar versos perversos do seu desejo mórbido de poder, mas que se disponham a construir coletivamente esta obra prima poética do Logos de Deus, que é a Igreja.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails