sábado, 30 de julho de 2011

A estranha igreja do pastor Cambalacho


Não, não estamos falando de um "pastor" que pede polpudas ofertas com base na numerologia fajuta de seu guru de peroba ianque. 

Para nossa vergonha coletiva, há outras coisas igualmente inacreditáveis acontecendo na igreja evangélica brasileira, coisas que Deus só não duvida porque Ele conhece até que ponto os humanos são cínicos e capazes de usar o santo nome dEle em vão. 

Quando se acrescenta ao triste quadro a baderna que toma conta das instituições brasileiras, aí parece realismo fantástico de tantas obras da literatura latinoamericana. 

Só que, no caso abaixo, não há nenhuma ficção ou fantasia. Mesmo assim, a história é tão absurda que fica difícil acreditar: milícias cariocas teriam expulsado (e desaparecido com) uma mulher de um terreno para que um "pastor" (que cumpriu pena por estupro e homicídio) construísse ali uma igreja evangélica. 

Sentiu o nível? Mas não para por aí: o "pastor" em questão seria conhecido pela alcunha de "Jorge Cambalacho", o que, cá entre nós, não é exatamente um bom apelido para um indivíduo com essa história pregressa e essa proposta, digamos, "evangelística". 

Quando a gente acha que já atingiu o fundo do poço, sempre aparece um "pastor" pra cavar um pouco mais fundo... e consegue! 

O perigo é terminar encontrando lá embaixo o cadáver da igreja evangélica brasileira...

Prepare seu estômago e leia a notícia d'O Dia Online:

Milícia da Taquara impedia moradores de pintar cabelo

Grupo cobrava taxa por obra e determinava horário para ficar na rua e ouvir música

POR ISABEL BOECHAT


Rio - Integrantes da milícia da Taquara — desarticulada na quarta-feira em operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) e do Ministério Público — estavam acostumados a interferir dentro das casas dos moradores. A audácia era tanta que os milicianos proibiram que cabelos fossem pintados de louro, sob alegação de que não poderiam ficar parecidos com os de traficantes. Catorze acusados estão presos.

Quando era desagradado, o grupo também não autorizava que ninguém ouvisse música ou ficasse na rua após as 19h, como punição. Para usuários de drogas e suspeitos de roubos, a penalidade era expulsão ou morte.

Taxa do cascalho

Além cobrar pela ‘segurança’ e fornecimento de água, os paramilitares ainda impunham aos moradores mais recentes a ‘taxa do cascalho’. A justificativa era de que a quantia — que variava entre R$ 5 e R$ 250, dependendo das posses do morador — seria empregada na pavimentação e conserto de ruas.

Na investigação, que durou seis meses, há relatos de cinco homicídios e quatro desaparecimentos na área. Os milicianos chegavam a entregar testemunhas à polícia, acusando-as de assassinatos e porte de arma — crimes que teriam sido cometidos pela quadrilha. Advogado dos milicianos, Kleber Lima levava as vítimas à 32ª DP (Taquara) e as coagia a aceitá-lo como defensor, para que cedessem às ordens dos paramilitares.

Entre os homicídios citados está o do pedreiro Rony Araújo de Melo, em fevereiro de 2004. Ele seria testemunha em uma das arbitrariedades cometidas pela milícia.

Segundo o promotor do Décio Alonso Gomes, do Gaeco, outros setores do Ministério Público investigam outras atrocidades cometidas pela quadrilha.

Expulsa para ex-assassino montar igreja

A investigação indica que pelo menos 38 invasões de imóveis foram realizadas pelo grupo chefiado pelo delegado aposentado da Polícia Federal Luiz Carlos da Silva, o policial civil Eduardo Lopes Moreira e o soldado da PM Thiago Pacheco.

Em um dos casos citados em inquérito, os paramilitares expulsaram a dona de um terreno, que está desaparecida. No local, foi construída uma igreja evangélica. De acordo com as investigações preliminares, o pastor que toma conta do local é um homem conhecido como Jorge Cambalacho que, após ser cumprir pena por homicídio e estupro, deixou a cadeia e teria montado o templo com a ajuda da milícia.

Em outro episódio, o dono de um sítio se negou a pagar a taxa de água, desviada ilegalmente de uma reserva, e fez um poço artesiano. O poço foi cimentado pelos paramilitares e todos os animais da propriedade da vítima morreram.

Água desviada para sítio de delegado

Fechar poços artesianos não era a única medida truculenta da milícia para quem se recusava a pagar a taxa de água, no valor de R$ 40. Um morador foi obrigado a ficar oito meses desabastecido, por discordar da cobrança.

A água era retirada ilegalmente da reserva florestal do Maciço da Pedra Branca. Segundo as investigações, o desvio era feito para o sítio do delegado federal Luiz Carlos Silva, e de lá, para a casa dos moradores que pagavam a taxa. Carros-pipas da região abasteciam no local para a revenda.

A mulher do delegado também é citada no inquérito. Numa gravação, ela encontra uma morador que é contra o grupo comandado por seu marido. Ela vai até o seu local de trabalho e faz ameaças que são ouvidas pela testemunha: “Eu não sei como o X. ainda está vivo. Esse cara já era pra ter morrido há muito tempo. Mas ele não passa desse mês”, alertou ela.

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