terça-feira, 8 de abril de 2008

Take care with your blog

Diário de um lunático - 5


26/03/2007

Olá para todos, meu nome é Pedro. Talvez já tenham ouvido falar de mim. Sou o mais novo desempregado brasileiro.
Vida de desempregado é muito difícil mesmo. Dá muita preguiça levantar todo dia cedo, e procurar nos jornais o seu próximo cárcere. Não bastasse você procurar algo que vai te tomar 2/3 do seu dia, você ainda tem que vender este seu tempo precioso por preço de banana. Tem empregador que acha que todo este tempo de sua vida vale muitas vezes menos que o salário mínimo. Fazem de tudo para te explorar, ou explorar alguém. Contratam apenas estagiários, contratam sem carteira, te contratam para trabalhar 8 horas, depois te fazem trabalhar mais, adicionando horas nos maravilhosos bancos de hora que nunca te dão folga. Mas a vida é assim mesmo...
E como agora sou um desempregado, estou enviando meus currículos para todos os lados, através de qualquer meio. Inclusive a internet! É uma maravilha como este meio te proporciona resultados rápidos. Eu consegui ser rejeitado por 20 empresas em um só dia!!! Tudo isto por que eu achava justo que pelo conhecimento que eu tenho, gostaria pelo menos de ganhar 2 salários.
A internet tem seu lado ruim também. É incrível a quantidade de spams que eu recebo. É um efeito colateral: você distribui seu email para ser mais facilmente encontrado, e você acaba sendo encontrado!
Mas, entre os emails que eu recebo, estão vários emails curiosos, e que eu gostaria de comentar. Pode-se encontrar de tudo na internet, ou pelas mensagens de spam. Principalmente pornografia. Mas de vez em quando a gente recebe alguns emails que são destaque!
Outro dia recebi um email que educadamente dizia que eu iria para o inferno. É o tipo de email que todo mundo gosta de receber. Dizia para que eu me arrependesse senão viraria literalmente churrasco.
Em todo o mundo, e por 2000 anos, várias pessoas se tornaram cristãs, creio que principalmente por causa da mensagem de amor transmitida pelo cristianismo. Está certo que este mesmo cristianismo prega o inferno (pelo menos na maioria de suas denominações), mas eu tenho certeza absoluta que o inferno não foi o fator decisivo para a conversão de milhares de cristãos. Pode ter sido usado para manter eles lá, mas não para trazê-los. O que será que passa pela cabeça de tais pessoas? Que eu vou dizer: "tudo bem, desisto, não quero virar churrasco", e pronto? Onde está aquela mensagem cristã que vemos Jesus pregar na Bíblia? Eu já tive a curiosidade de ler os Evangelhos, e Jesus não manda pregar o inferno. Ele bem que repreende muita gente falado deste lugar, mas não faz disto sua mensagem evangelística. Talvez o cristianismo moderno precise de missionários menos sádicos. Assim o evangelismo talvez obtivesse um sucesso melhor do que eles esperam.
Outro email que recebi é mais legal ainda. Misturava Nostradamus com a Bíblia, e chegava a declarar que viagens ao interior oco da Terra eram feitos pelo triângulo das bermudas! Puxa, vou pegar um empréstimo e criar uma empresa de viagens para o interior da Terra!! Júlio Verne morreria de inveja de mim agora!!!
Declaração mais bombástica é que a salvação neste email é dado pela massa específica!!! Ah, temos que incluir neste cálculo, o perispírito!! É incrível, é fantástico, tão fantástico que preferi não terminar de ler o email, para que minha mente não seja prejudicada. Tem alguém muito doido escrevendo estas coisas por aí, e eu realmente não quero estar morando na mesma região que ele, quando ele der um tempo no seu computador e sair para passear. Depois desta mensagem passo até a me considerar mais normal...
Eu sou Pedro, já devem ter ouvido falar de mim. Continuo à procura de um emprego, e tomando cuidado com os spams...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O evangelho de Lucas - parte 19



No capítulo 13 de Lucas, Jesus continua seu discurso do capítulo anterior, onde condenava a atitude hipócrita de algumas pessoas. E neste capítulo, Jesus passa a se concentrar no arrependimento como aquilo que faz a pessoa mudar, e se aproximar mais do reino de Deus. Sem arrependimento, ninguém consegue ser salvo.

Naquela época, muito se falava de alguns galileus que foram mortos por Herodes. Alguns comentaristas dizem que estes galileus eram os seguidores de Judas, mencionado em Atos:

(At 5:37) Depois dele levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos após si; mas também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos.

Por causa de sua morte terrível, muitos achavam que estas pessoas tinham um pecado muito grande. Muitos sempre acreditaram que os sofrimentos de uma pessoa eram proporcionais aos pecados cometidos por elas. É por isto que os fariseus se achavam tão santos, enquanto eles condenavam os pobres, algo que faremos menção no capítulo 16 deste Evangelho. É por isto que os discípulos perguntam pelos pecados de quem certo homem nasceu cego (Jo 9:2). É por isto também que os amigos de Jó consideraram ele um grande pecador, diante de tantas infelicidades.

Entretanto, segundo Jesus, aqueles galileus morreriam da mesma forma, se eles não se arrependessem. O que importa então? Não é o sofrimento que passamos, mas se nós arrependemos ou não. Este ensino acaba com idéias baseadas em "karma" na Bíblia, e nos exorta a arrependermos de nossos atos pecaminosos.

Jesus cita ainda outro exemplo de uma grande catástrofe, agora não mais com galileus, que eram desprezados pelos judeus, mas com os próprios judeus de Jerusalém, que estavam em uma torre que caiu. Ninguém é diferente, a menos que se arrependa.

Para ilustrar o fato, Jesus conta mais uma parábola: sobre a figueira perto da vinha. As figueiras eram normalmente plantadas próximas à vinhas, e eram cuidadas até certa idade. Depois disto, não se cuidava mais das figueiras. Como aquela figueira não dava frutos, o dono mandou cortá-la para que não ocupasse mais espaço. Certamente o agricultor pediu mais tempo para se completar o tempo que normalmente se cuidava destas árvores. A lição é que Deus é paciente, e espera o nosso arrependimento, para que nós possamos dar frutos, mas Ele não esperará para sempre: chegará o tempo que seremos cortados se não dermos frutos.

Novamente, para ilustrar a hipocrisia dos fariseus, Lucas nos conta de outra cura realizada no sábado. Os fariseus reclamavam que Jesus curou a mulher enferma no sábado, mas se esqueciam que eles mesmos soltavam seus animais para tomar água no sábado. Jesus compara a cura como uma libertação de uma doença. E não é? A doença nos prende, nos impede de fazer o que gostamos. Está ali Aquele que pode nos libertar.

E Jesus pregava novamente sobre o Reino dos Céus, que começava pequena no coração dos homens, mas se expandia, e tomava conta de todo o ser. E não seria a semente ou o fermento, o arrependimento, esta pequena coisa que dá início à uma grande salvação?

Alguém então lhe pergunta: são poucos os que se salvam? Jesus afirma que sim, e lhe adverte que se esforce para passar pelo que chama de porta estreita, algo que os universalistas deveriam observar com mais atenção.

Os aniquilacionistas deveriam observar este texto com atenção também, já que os muitos que são deixados de fora são retratados com "choro e ranger de dentes", sendo que veriam os profetas do Reino de Deus, enquanto eles seriam lançados fora.

Por fim, alguns fariseus vem avisar o Senhor que Herodes procura matá-lo. Ele responde novamente aludindo à sua ressurreição. Faz também uma declaração muito parecida com o Salmo:

(Sl 91:4) Ele te cobre com as suas penas, e debaixo das suas asas encontras refúgio; a sua verdade é escudo e broquel.

domingo, 6 de abril de 2008

O evangelho de Lucas - parte 18

O capítulo 12 de Lucas começa contando que milhares de pessoas se aglomeravam, a ponto de alguns se atropelarem, quando começa uma de suas pregações. A primeira orientação de Jesus, pela tradução portuguesa, parece que foi reservada exclusivamente aos seus discípulos: que se acautelassem do fermento dos fariseus (v. 1), mas a melhor tradução é que "acima de tudo", "primeiramente", os seus discípulos deviam tomar cuidado com o fermento dos fariseus, a hipocrisia. Em seguida, ele repete uma advertência que já tinha feito (Lucas 8:17), que nada há oculto que não venha a ser revelado. Os versículos vão reforçando este alerta, e nos vv. 4 e 5, Jesus fala de corpo, alma e inferno. Aqui reside uma das controvérsias doutrinárias a respeito do homem entendido como corpo e alma, da imortalidade desta, e da existência real do inferno, que também é objeto de discussão em Mateus 10:28. Respeitadas as opiniões contrárias, penso que essas diferentes discussões, que se inter-relacionam, tendem a sublimar um outro aspecto desses dois versículos, que é o temor que se deve ter para com Deus. Ainda que, simbolicamente, esteja também se referindo ao zelo excessivo dos fariseus para com oc corpo, Jesus fala literalmente do temor que alguém tem de ser assassinado, que é um temor real e presencial, afinal se pressupõe a existência de um inimigo que está no seu encalço, e faz uma comparação com o temor reverencial que se deve ter em relação a Deus. A imagem proposta por Jesus é obviamente negativa, reforçada no final do v. 5, e mostra que o homem deve, sim, temer a Deus e a sua punição. Esta punição está relacionada, a meu ver, com uma clara divisão do homem em corpo e alma, na relação entre "matar o corpo" e "matar a alma" e "lançar no inferno" demonstrada neste versículo. Ao comentar sobre a divisão do homem em corpo e alma, Calvino assim se manifesta:


Estou abordando, apenas de leve, estes assuntos que mesmo os escritores profanos exaltam magnificamente, com estilo e expressão mais explêndidos. Contudo, entre leitores piedosos será bastante um simples lembrete. Ora, se a alma não fosse algo essenciado, distinto do corpo, a Escritura não ensinaria que habitamos casas de barro e que na morte migramos do tabernáculo da carne, despojamo-nos do que é corruptível para que, por fim, no último dia recebamos a recompensa, em conformidade com o que, enquanto no corpo, cada um praticou.

Ora, por certo que essas referências e semelhantes a essas, que ocorrem com freqüência, não só distinguem claramente a alma do corpo, mas ainda lhe transferem o designativo homem, indicando ser ela a parte principal. Ora,quando Paulo exorta os fiéis [2 Co 7.1] a que se purifiquem de toda impureza da carne e do espírito, ele enuncia duas partes nas quais reside a sordidez do pecado. Também Pedro, chamando a Cristo "pastor e bispo das almas" [1 Pe 2.25], teria falado improcedentemente, se não existissem almas em relação às quais desempenhasse este ofício. Nem seria procedente, a não ser que as almas tivessem essência própria, o fato de que fala acerca da eterna salvação das almas, e que ordena purificar as almas, e que desejos depravados militam contra a alma [1 Pe 1.9; 2.11]; de igual modo, o autor da Epístola aos Hebreus [13.17] declara que os pastores velam para que prestem conta de nossas almas.

Com o mesmo propósito é o fato de Paulo [2 Co 1.23] invocar a Deus por testemunha contra sua própria alma, porquanto ela não se faria ré diante de Deus, se não fosse susceptível à penalidade. Isto expressa-se ainda mais claramente nas palavras de Cristo, quando ele manda que se tema àquele que, após haver matado o corpo, pode lançar a alma na Gehena de fogo [Mt 10.28; Lc 12.5]. Ora, quando o autor da Epístola aos Hebreus distingue Deus dos pais de nossa carne, como sendo o Pai dos espíritos, não poderia ele afirmar de modo mais claro a essência das almas.

Além disso, a não ser que as almas liberadas dos cárceres dos corpos continuassem a existir, seria absurdo Cristo representar a alma de Lázaro a desfrutar de bem-aventurança no seio de Abraão, e a alma do rico, por outro lado, destinada a horrendos tormentos [Lc 16.22,23]. Paulo confirma isso mesmo, ensinando que peregrinamos distanciados de Deus durante o tempo em que habitamos na carne; desfrutamos de sua presença, porém fora da carne. E, para que não me alongue mais em matéria de forma alguma obscura, acrescentarei apenas isto de Lucas [At 23.8]: ele menciona entre os erros dos saduceus o fato de não crerem na existência de espíritos e anjos.

(CALVINO, João. As Institutas. Edição Clássica. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2. ed. vol. 1, pp. 181-182)


(para ler o trecho completo da opinião de Calvino, clique aqui)

O corpo é mortal, a alma, não, e o inferno aqui é Geena, o vale da desolação de Jerusalém (o vale de Hinnom) relacionado com o culto ao deus pagão Moloque no passado, em que crianças eram sacrificadas vivas pelos judeus ímpios numa fogueira erguida em torno de uma estátua de latão do referido deus (2 Reis 16:3, 2 Crônicas 28:3). Para evitar que se ouvisse os gritos das crianças quando eram sacrificadas, os adoradores de Moloque tocavam tambores, chamados, em hebraico, de toph (תּף ), de onde vem o outro nome do vale, Tofete, onde as mesmas abominações eram praticadas (Jeremias 7:31-32). Depois do retorno do exílio babilônico, esta área foi destinada a ser um depósito de lixo da cidade, onde eram realizadas, também, algumas execuções, e representava um ambiente nocivo e pestilento, onde não raro, havia fogo queimando os restos putrefatos, daí a idéia de "inferno" que era tão clara para os ouvintes das duras palavras de Jesus. Insisto, entretanto, que o que não pode se perder nas discussões a respeito desta passagem é o temor de Deus, que é enfatizado pelo próprio Jesus ao finalizar a frase chamando a atenção para este dado importante do relacionamento com Deus (v. 5). Muitos comparam o temor com o medo, o pavor, mas deve-se ressaltar que mesmo o medo pode ser visto de maneira negativa ou positiva. Negativa, quando se trata de uma fobia, um pavor injustificado diante das circunstâncias; e positiva, quando se trata da preservação da vida. Assim, certos medos que nos acometem a todos têm uma ligação muito forte com o instinto de sobrevivência, como o medo do escuro, das serpentes, das feras, por exemplo. É neste sentido que o temor a Deus, a meu ver, deve ser entendido, como um alerta, uma advertência sobre o perigo de se não obedecer aos muitos avisos que Ele nos dá sobre nossa sobrevivência espiritual. Estranho seria se Deus não alertasse o pecador e, depois, o punisse sem qualquer advertência prévia.

Jesus prossegue sua pregação num estilo que lembra mais uma compilação do Sermão da Montanha de Mateus 5-7, criticando a ansiedade em relação à vida, insistindo que o cuidado de Deus basta para que o homem viva uma vida de paz (vv. 6-7). Convoca os seus ouvintes à fidelidade, dizendo que quem o confessasse diante dos homens também seria confessado por Ele diante dos anjos de Deus, e se o negassem, também seria negado (vv. 8-9). No versículo seguinte, Jesus fala que toda palavra contra ele será perdoada, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo, não. O que seja a blasfêmia contra o Espírito Santo tem sido questionado há milênios, com as mais diferentes versões. O "pecado imperdoável" é tema dos três evangelhos sinóticos (Mateus 12:31-32, Marcos 3:28-30, Lucas 12:10), e está relacionado especificamente ao Espírito Santo. Considerando que o ministério do Espírito Santo é convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8), tenho para mim que a blasfêmia contra Ele está relacionada com esta função que lhE é privativa. Não creio que se trate, própria e especificamente, de resistir ao Espírito Santo ou de extingui-lo. Aos tessalonicenses, Paulo recomenda que não extingam o Espírito (1 Tess. 5:19), que é um versículo isolado, sem um contexto maior que o defina, mas que, aparentemente, diz respeito aos crentes que se afastam da influência do Espírito Santo, do louvor e da adoração a Deus mediados pelo Espírito, mas não cometem um pecado imperdoável. Já Estevão, quando discursa no Sinédrio, acusa os judeus de sempre resistirem ao Espírito Santo (Atos 7:51). Entretanto, a sua prisão foi tramada por judeus leais ao Sinédrio que, exatamente, não conseguiram resistir "à sabedoria e ao Espírito com que falava" (Atos 6:10). Como Lucas também escreveu o livro de Atos, se fosse este o caso, ele certamente teria dito que ali se tratava da blasfêmia contra o Espírito Santo. Diante desta dificuldade interpretativa, pode ser que o pecado imperdoável seja uma versão mais forte (e combinada) de extinguir e resistir ao Espírito Santo, mas este é realmente um mistério que persiste até hoje no meio cristão. Deve-se ter em conta, entretanto, que Jesus está falando isto num contexto histórico muito bem definido. Assim, me parece que a idéia da Bíblia do Peregrino seja a que mais se aproxima de uma possível conclusão: "Blasfêmia contra o Espírito Santo, nesse contexto, parece significar a rejeição obstinada do seu testemunho a favor de Jesus, pelo qual a pessoa se fecha ao perdão que Jesus oferece". Russel Shedd vai um pouco além, considerando que o pecado imperdoável significa: "1) Rejeitar as mais claras provas de que as obras de Jesus que revelam a aproximação do Reino de Deus, foram feitas pelo poder do Espírito Santo; 2) Alegar que pertencem ao diabo. É sinal de endurecimento tão completo, a ponto de não existir nenhuma esperança de arrependimento e conversão (cf. Hb 6.4-6; 10.26-31); o pecador torna-se incapaz de reconhecer ou distinguir entre o divino e o diabólico". E Jesus termina este trecho de sua pregação reforçando exatamente o papel do Espírito Santo quando os cristãos fossem perseguidos: que não se preocupassem, porque o Espírito lhes diria o que deveriam falar diante das autoridades políticas e religiosas (vv. 11-12).

O v. 13 marca uma interrupção do discurso de Jesus quando um homem se destaca da multidão e lhe pede que ordene a seu irmão que divida com ele sua herança, ao que Jesus lhe respondeu que Ele não era juiz nem partidor de bens materiais e políticos entre os homens (v. 14). Em geral, os rabinos decidiam questões de partilha de bens herdados por irmãos segundo Deuteronômio 21:15-17, e o homem queria uma decisão favorável a ele sem levar em consideração o direito de seu irmão, o que revela a sua visão de Jesus como um líder político, dotado de poder automático que àquele homem, em especial, não interessava saber de onde vinha, desde que o Mestre atendesse aos seus interesses. É interessante comparar esta atitude com a do centurião romano (Lucas 7:1-10), que, querendo o bem do outro, via em Jesus um poder extraordinário para as coisas espirituais, e não materiais. Diante disto, a seguir, Jesus censura este apego ao materialismo, aos bens deste mundo, em detrimento dos bens espirituais futuros (v. 15) que podem não ser tão futuros assim, contando-lhes a parábola do rico que construiu um celeiro para si, crendo que seria suficiente para garantir-lhe uma vida e, principalmente, uma velhice farta e sossegada (vv. 16-21). De nada adiantaria fazer isto, se naquela noite lhe pediriam a alma. Certamente se referia também ao homem que queria a partilha dos bens com o irmão. De que adiantaria receber todos os bens, se naquela noite a sua alma seria pedida, pelo que Jesus conclui: "Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus " (v. 21).

Em seguida, Jesus retoma o tema da ansiedade pela vida, num discurso muito semelhante ao do Sermão de Montanha de Mateus 5 a 7. Nos vv. 22 a 34, Jesus chama a atenção dos seus ouvintes para a perda de tempo que é se preocupar com os bens desta vida, com o que comer, o que vestir, e se esquecer de que é Deus quem os sustenta (v. 24). De nada adianta andar ansioso pelas coisas aparentemente grandes da vida, se nem as pequenas conseguimos controlar (v. 26). Inquietar-se pelo que devemos comer ou beber (v. 29) é coisa de pagãos, não de crentes que vivem na fé de que seu Pai sabe do que eles necessitam (v. 30). Portanto, o reino de Deus deve ser buscado em primeiro lugar, e as demais coisas lhes serão acrescentadas (v. 31). A solicitude pelas coisas materiais não se justifica na vida presente, pois os cristãos vivem na presença e na esperança de uma vida que está além da compreensão deste mundo, portanto, eles devem fazer caridade, pois o seu tesouro está nos céus (v. 33-34). A ordem de Jesus ("vendei os vossos bens e daí esmola" – v. 33) contrasta com a teologia da prosperidade que prega exatamente o contrário "comprai os vossos bens e ajuntais tesouros", talvez porque quem a defende não compreedeu bem o que Jesus quis dizer com "Não temais, ó pequenino rebanho, porque o vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino" (v. 31). Aqui temos de novo o temor, como não-temor, porque Jesus está se referindo ao seu "pequenino rebanho", aquelas pessoas que decididamente resolveram segui-lo sem impor condições e, por isso, nada têm a temer. Jesus lhes conta então a parábola do servo vigilante (vv. 35-40), sobre o servo fiel que espera diligentemente a volta do seu senhor, para que não seja pego desprevenido quando ele regressa. Indagado por Pedro sobre se esta parábola se dirigia apenas aos discípulos ou a todos (v. 41), e Jesus não lhe responde diretamente, mas com outra parábola muito parecida, reforçando a idéia do "mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo" (v. 42), em contraste com aquele que abusam do poder que lhes foi delegado e crêem que tudo podem fazer na ausência do mestre (v. 45). Ao primeiro, lhe serão confiados todos os bens (v. 44); e o segundo será punido e lançado junto com os infiéis (v. 46), sendo punido com muitos açoites (v. 47). Jesus faz uma ressalva para aquele que "não soube a vontade de seu senhor e fez coisas dignas de reprovação", o qual "levará poucos açoites" (v. 48), o que abre uma exceção para quem ignorava a vontade do seu senhor. Significaria isto que "Deus não leva em conta os tempos da ignorância" (Atos 17:30)? Que "poucos açoites" seriam estes? Estas são questões de difícil interpretação. Russel Shedd diz que "o contraste é feito entre os líderes irresponsáveis (vv. 45-47) e os crentes mal instruídos que viveram no egoísmo e duvidaram das promessas gloriosas; todos receberão o justo castigo no tribunal de Cristo (cf. 2 Co 5.10). Maior privilégio demanda maior responsabilidade". Talvez "responsabilidade" seja a palavra-chave para se entender este versículo. Quanto maior o conhecimento de Deus, maior a responsabilidade do crente no uso e no compartilhar dos dons que Deus lhe deu.

Por fim, Jesus continua na sua linha dura de discurso, dizendo que veio para lançar fogo sobre a terra e que Ele queria que já estivesse a arder (v. 49). Tudo indica que Ele está se referindo ao Espírito Santo, com que batizaria os crentes, junto com fogo, conforme Lucas já tivera oportunidade de relatar nos dizeres de João Batista (Lucas 3:16), após a sua morte, ressurreição e ascensão aos céus. É o fogo do juízo, que cabe ao Espírito Santo convencer o homem (João 16:8). Jesus se refere, em seguida, ao batismo de sangue a que ainda devia se submeter (v. 50), e que não traria paz à terra, mas divisão (v. 51). Após sua morte e ressurreição, o povo judeu, e, por conseqüência, o mundo todo veria famílias divididas entre aqueles que creram em Jesus e os que não creram (vv. 52-53). Lucas termina o capítulo 12 com Jesus dizendo que todos que estavam ali e o ouviam sabiam como interpretar os sinais do tempo, para saber se haveria bom ou mau clima, mas não sabiam discernir os sinais espirituais de um novo tempo que estava se instaurando na Terra (vv. 54-56). Era tempo, portanto, de pôr-se de acordo com Deus, como faria toda pessoa que tivesse pouca ou nenhuma razão num caso que fosse apresentado ao juiz. Tão logo pudesse, deveria fazer um acordo com a parte contrária, nem que fosse no caminho para a audiência com o juiz (vv. 57-59). Assim, os ouvintes de Jesus deviam se apressar e fazer um acordo com Deus, o Justo Juiz (Salmo 7:11, Jeremias 11:20, 2ª Timóteo 4:8). Jesus era (e continua sendo) o caminho para a paz com Deus (João 14:6).

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Diário de um lunático - 4

23/03/2007

Olá para todos, eu sou Pedro, o mais novo desempregado. Vão ouvir falar de mim, principalmente se você faz parte de algum departamento de recursos humanos. É por isto que eu fiquei alguns dias sem atualizar meu diário, pois eu ainda estava reunindo coragem para fazer o que tinha que fazer. Ah, eu também estava curtindo minhas férias forçadas, já que agora vou demorar pelo menos mais 2 anos para ter umas férias remuneradas. Eu gostava de meu último emprego, sério mesmo. Mas infelizmente alguns donos de empresa acham que podem viajar a vontade, gastando seu rico dinheirinho, que não haverá problema algum. No fim das contas, quem paga o pato somos nós, os infelizes empregados.

É incrível como os chefes se dão algumas liberdades que os míseros mortais não podem. Meu último chefe podia gritar em qualquer volume. E isto era engraçado, por que a gente acompanhava em primeira mão as fases da empresa.

No início era "Eu te mandei fazer isto?", ou "Eu não quero saber de problemas! Resolva!", depois foi passando para o "Nós podemos conversar sobre isto melhor", "Eu sei que seu salário atrasou este mês, e eu fico pessoalmente perturbado com isto". Alguns dias depois, a coisa fica mais interessante: "Olha, estou com várias propostas nas minhas mãos, esperando apenas a aprovação dos clientes. Se eu vender tudo isto, nós já temos 120.000 R$ garantidos", e a melhor de todas: "Buááááá, eu apliquei todo meu dinheiro nesta empresa para que vocês pudessem trabalhar aqui com todas as condições possíveis, Buááááá".

Ultimamente o chefe estava ficando mais religioso. Era comum escutar às vezes um "Aleluia". Só que ele era a pessoa religiosa mais estranha que eu já vi. Era católico, que agia como evangélico gritando Aleluia, e vivia com idéias espíritas. Aliás, isto envolveu um evento estranho naquela empresa.

Certo dia, fomos chamados para o refeitório, por que um senhor espírita iria fazer uma apresentação. Nos disseram que ele tinha vindo para "trazer luz" para a empresa. Apesar de estar mesmo difícil para a empresa pagar suas contas de energia, achei que a expressão era engraçada. Pessoalmente nunca tinha ouvido da boca de um espírita tal expressão, achei que era algo mais relacionado com misticismo oriental.

Fomos para o pátio. O senhor se dizia médium, e ele teria psicografado as letras das músicas que ele iria tocar. Eu sempre achei interessante como que os médiuns espíritas pareciam gostar deste papel de marionetes. Você nunca encontra uma estória ou uma letra de música feita pelo próprio médium, elas são sempre feitas por espíritos. Parece que você só fica culto depois que morre.Não era o caso daquele espírito. Acho que pegamos um espírito no início de sua evolução musical. O médium também não ajudava muito. E aquela platéia toda sentada diante dele, mantendo o silêncio por respeito, era uma visão cômica até, quando me lembro hoje disto. Talvez os 2 espíritas que trabalhavam conosco eram os únicos realmente empolgados com a apresentação.

O senhor então tentou cantar umas 3 músicas que o espírito lhe enviou, depois ele partiu para uma espécie de palestra de apologia ao espiritismo. Imediatamente me veio à mente alguns apologistas espíritas que me deparei por aí. Por definição, o apologista espírita deixa de ser espírita para ser apologista. Não espere conversar com um apologista espírita em tom respeitoso, a primeira coisa que ele perde é o respeito. Espere uma conversa respeitosa com espíritas comuns, não com os apologistas. Outra coisa a se lembrar é que, algumas idéias espíritas básicas, como a reencarnação, podem ser a coisa mais simples de se entender. No momento que você disser que discorda dela, e começar a apontar falhas, a resposta padrão é que você não conhece a doutrina. Dependendo das falhas que você apontar, eles podem apontar o que você errou, mas geralmente vão dizer que você não conhece a literatura deles, e gentilmente (desde que não sejam apologistas) vão te encaminhar para alguns livros deles, o que é uma ótima estratégia de doutrinação. Por fim, por mais que digam que não defendem dogmas, não acreditem neles. Por isto, não falei nada naquela palestra. Eu já estaria errado mesmo. Talvez daqui a 100 vidas eu entenderia tudo aquilo.

Ele contou seu histórico de questionar por que alguns nascem doentes, por exemplo. Disse que como obteve uma resposta satisfatória dos espíritas, se tornou um. Um médico poderia lhe dar uma explicação melhor, na minha opinião. Agora ele acredita que o sofrimento na verdade não é um sofrimento, é uma coisa boa, que ajuda as pessoas a evoluírem. Tudo é bom! Então dando todas estas voltas, eles chegaram ao mesmo ponto que eu: que tanto faz, não existe nada bom ou ruim. Só não se deram conta disto. Ironia do destino.A palestra começou a ficar interessante quando o senhor começou a ver espíritos. Para nossa felicidade eles estavam um pouco tímidos, só apareceram para nosso ilustre visitante. Foi então que eu me perguntei se o ilustre John Nash de certo filme que vi não teria sido também um médium. Tudo é possível.

Por fim, o senhor foi embora, e todos nós pudemos voltar ao nosso feliz trabalho injusto. A empresa não sobreviveu muito tempo depois desta visita, o que não deixou de ser curioso.

Eu sou Pedro. Preciso de emprego, então se ouvir falar de mim, fale de mim para quem possa me oferecer um...

O evangelho de Lucas - parte 17

O décimo segundo capítulo de Lucas começa na verdade continuando o que foi dito no capítulo 11, onde Jesus repreendia fariseus e doutores da lei. Tudo iniciou pelo fato do fariseu, que convidou Jesus para almoçar, estranhou que nosso Mestre não tenha se lavado antes. Por isto, Jesus começa a reprová-los em suas atitudes.

Então é no começo do capítulo que Lucas descreve a multidão se ajuntando para ouvir o que Jesus estava dizendo. Não deveria ser comum que uma pessoa tão respeitada como Jesus reprovasse tais regras que fariseus adotaram, e que reprovasse os próprios fariseus, que eram aqueles tidos como os mais irrepreensíveis. O que eles fizeram para ser tão duramente reprovados?

Era sua hipocrisia. Era o fato de dizer uma coisa, e praticar outra. Esconder suas verdadeiras atitudes. Um cristão deve sempre ser verdadeiro, ele não deve menosprezar outras pessoas. Jesus compara esta hipocrisia ao fermento, que faz crescer a massa, ou como diz Paulo:

(Cl 2:18) Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal,

A hipocrisia incha pelo entendimento carnal, de tal forma que aqueles fariseus se tornaram sábios e limpos aos próprios olhos. Não há motivos para se esconder seus atos. Tudo um dia será descoberto e exposto ao mundo. Nem o medo dos homens serve de desculpa: o medo de Deus, que é muito maior e pode fazer coisas maiores deveria ser também maior.

E Deus, que tem tudo sobre Seu controle, até os pássaros que são vendidos no mercado, pode ajudar aqueles que O confessam. Quem confessa o Filho diante dos homens, será defendido por Ele diante do Pai. O título Filho do Homem é geralmente usado por Jesus para se referir à sua humanidade, e é interessante que Paulo depois comente sobre o papel do Espírito Santo nesta confissão:

(1Co 12:3) Portanto vos quero fazer compreender que ninguém, falando pelo Espírito de Deus, diz: Jesus é anátema! e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor! senão pelo Espírito Santo.

O mesmo seria dito por João também:

(1Jo 4:2) Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;

Talvez por isto a blasfêmia contra o Espírito Santo seja tão grave, pois é Ele que orienta, aquele que gera a confissão, sela o cristão para a salvação. É Ele quem vai ensinar tudo o que será dito aos cristãos presos e perseguidos.

Talvez por Cristo estar repreendendo os fariseus, alguém pediu para que ele repreendesse também seu irmão, que não queria repartir sua herança. Mas Jesus não veio para julgar causas de heranças. Além do mais, disputas sobre herança só revelam a cobiça dos envolvidos. É aqui que Jesus dá outro golpe fatal na teoria da prosperidade: "a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui" (versículo 15). Para ilustrar o que ele disse, nos conta a parábola de um certo homem que possuia muitas riquezas, e que resolveu construir celeiros maiores para poder guardar mais riquezas. Mas ele não sabia que morreria aquela noite mesmo. Riquezas ele não poderia levar consigo. Então Jesus nos revela a maior riqueza: a riqueza para com Deus, que sempre nos acompanha.
E é por isto que Jesus nos disse para não vivermos ansiosos. Devemos confiar na Providência divina, assim como ele fez seus discípulos confiarem, quando os enviou para pregar. Aqueles que não possuem Deus se preocupam com o que vão comer ou vestir, pois não acreditam nesta Providência divina. Nós devemos acreditar nela, pois vemos Deus se preocupando com muitas coisas que são destruídas, por que não se preocuparia Ele conosco, se nós o temos como Pai?Então, antes de procurar teologias da prosperidade por aí, vendamos tudo, e demos esmolas, fazendo assim um tesouro que jamais acabará.

Jesus passa então a exortar seus discípulos a vigiarem. Não devemos agir de modo errado, achando que dará tempo para corrigir. Devemos agir sempre de forma correta, como se nosso Senhor viesse agora. Quem sempre agiu bem será bem recompensado. Quem agiu mal, será castigado conforme sua culpa. E de desde aquele dia em diante, Jesus predisse que Ele causaria muitas discordâncias ainda, pois em Seu nome muitos se dividiriam. De fato, podemos dizer que isto sempre aconteceu. As pessoas não tem sido bons escravos, por que não têm prestado atenção nos sinais dos tempos. Se prestassem atenção assim como fazem para ver se vai chover ou não, agiriam mais corretamente.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O ano de Herodes

Algumas igrejas "evangélicas" vivem hoje de pirotecnias marketeiras como estabelecer "anos proféticos", "anos apostólicos", etc., geralmente associados a algum herói bíblico, como Daniel, Josué, Elias, e por aí vai. Não raras vezes, essas "campanhas" anuais estão ligadas à "teologia" da prosperidade, às promessas do paraíso financeiro nesta terra, e coisas afins. Era de se esperar que a influência da igreja de Cristo neste país refletisse, também, uma melhora no padrão moral do seu povo, como aliás aconteceu em todos os países em que os valores do evangelho foram exaltados. Houve até quem profetizasse, alguns anos atrás, que em 2008 o Brasil seria outro, em que esses valores predominariam na nossa sociedade. Entretanto, parece que esta "lógica" está sendo invertida na Terra Brasilis, já que 2008 começou como um ano de terror, e com uma peculiaridade sinistra: as crianças são as grandes vítimas. Elas representam a maioria dos mortos pela atual epidemia de dengue no Rio de Janeiro. Nas estatísticas macabras feitas até o último dia 31, dos 44 mortos por dengue no Rio, 23 eram crianças, bebês, garotos e garotas com uma vida toda pela frente, flores arrancadas dum jardim mal cuidado por autoridades e pela própria população. Para completar este circo de horror, tivemos ainda o caso da garota torturada em Goiânia e a menina de 5 anos arremessada do 6º andar de um prédio em Santana, São Paulo. Os principais suspeitos são o pai, Alexandre Alves Nardoni, e a madastra, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá. O caso é tão absurdo que eu torço para que seja outro o criminoso e espero que a mídia não esteja fazendo um pré-julgamento do caso. Ainda ontem, como noticiei aqui, o Tribunal de Justiça do Pará considerou que a juíza que cuidou do caso da menina de 15 de Abaetetuba (PA), negociando comida por sexo com 20 homens presos na mesma cela, não cometeu nenhuma irregularidade. E, para completar a morbidez, um menino de 9 anos de idade foi queimado por 2 peões com um ferro de marcar gado, em Aurilândia (GO)

Há algo de podre ameaçando a infância em terras tupiniquins. Olavo Bilac não deve ter pensado nisso quando escreveu "criança, não verás país como este!". Abramos os olhos, então. Já que boa parte dos evangélicos do país não consegue ser fiel a Deus e à Sua Palavra, sejamos pelo menos fiéis aos fatos: talvez tenhamos que declarar 2008 como o ano de Herodes no Brasil.

Os gritos do silêncio

Notícia da Folha de S. Paulo de hoje (acesso para quem tem UOL aqui), informa que o Tribunal de Justiça do Pará não aceitou a instauração de procedimento administrativo disciplinar contra a juíza de Abaetetuba (PA), que segundo a denúncia da Corregedoria daquela instituição, não teria tomado as medidas necessárias para a proteção da garota de 15 anos de idade, que ficou 26 dias sendo seviciada por 20 homens numa cela na cadeia daquela cidade, trocando sexo por comida. Este caso dantesco aconteceu numa cadeia dirigida por uma delegada, que se reportava a uma juíza num Estado governado por uma mulher, ou seja, esperava-se delas algum cuidado maior com as mulheres, mas, ao que parece, a proximidade de gênero não serviu para nada. Ontem, no Jornal da Globo, uma das desembargadoras responsáveis pela decisão, disse que o Judiciário não deve dar ouvidos à opinião pública. Talvez seja o caso da opinião pública repensar seu país e não pagar mais salários aos juízes. Resta, ainda, um recurso ao Conselho Nacional de Justiça, que terá que responder aos brasileiros uma pergunta muito simples: se a responsabilidade não é da delegada, da juíza, nem da governadora, a quem as meninas pobres deste país dirigirão seus gritos de socorro?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Carta aos Romanos - 18

A partir do capítulo 15, Paulo começa a despedir dos seus leitores da capital imperial, não sem antes se justificar por ter escrito uma carta tão dura, dizendo que os romanos estavam "possuídos de bondade", "cheios de conhecimento" e "aptos para admoestarem-se uns aos outros" (v. 14), razão pela qual ele lhes tinha escrito "mais ousadamente", "por causa da graça que lhe fora outorgada por Deus" (v. 15). De fato, o final da carta de Paulo aos romanos começa com a lembrança de que os que são fortes devem ser tolerantes para com os mais fracos, não se preocupando em agradarem a si mesmos (15:1), pois o que importava verdadeiramente era a edificação da igreja, pelo que cada um devia agradar o seu próximo em primeiro lugar (v. 2), assim como Cristo não havia vindo ao mundo para agradar a si mesmo (v. 3). Paulo encontra espaço (e tempo), ainda, para justificar a sua citação tão profunda de textos e passagens do Antigo Testamento, ao dizer que "tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que, pela constância e pela consolação provenientes das Escrituras, tenhamos esperança" (v. 4), que é um dos mais belos versículos de sua carta. Assim remete os seus leitores aos primeiros capítulos da carta, em que havia insistido na questão da paciência e da esperança. Ele sabia dos tremendos desafios que a Igreja de Roma iria enfrentar nos anos seguintes, e era fundamental que os cristãos estivessem unidos, num único pensamento, consolados pelo Deus da paciência, e unânimes na adoração ao Senhor (vv. 5-6). Deviam, portanto, acolher-se uns aos outros (v. 7 – a velha hospitalidade de Romanos 12:13), uma prática que seria fundamental na perseguição de Nero que estava prestes a estourar. Assim, aqueles de origem judaica deveriam acolher os gentios, e vice-versa, pois um só era o mesmo Senhor e Salvador deles todos (vv. 8-12). "Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, ao confiarem nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo" (v. 13). "Esperança" é uma palavra que aparece 13 vezes em toda a carta. Paulo associa novamente a esperança ao Espírito Santo, como já fizera em Romanos 5:5, , ao dizer que "a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado".

Por fim, Paulo comunica aos romanos os seus planos futuros de viagem. Já fazia tempo que queria muito ir visitá-los, mas ainda não havia sido possível (v. 22). O seu trabalho já se esgotara na Ásia Menor (v. 23), já havia cumprido sua missão, e agora importava ir até a Espanha, quando, de passagem, visitaria a igreja de Roma (v. 24). Queria desfrutar "um pouco" da companhia dos irmãos (v. 25), sem saber, talvez, que lá morreria martirizado. Paulo comenta, então, que está retornando à Judéia (v. 25), levando os donativos dos crentes da Macedônia e da Acaia aos irmãos de Jerusalém, que passavam necessidades (v. 26). Isto faziam os crentes de origem grega porque se sentiam devedores aos judeus (v. 27), e queriam agradecer-lhes com seus bens materiais. Obviamente, este era um conselho também aos crentes gentios de Roma, que, mesmo que seus irmãos de origem judaica não precisassem, que se sentissem devedores a eles por todo o passado de eleição de Israel como povo de Deus. Paulo pede, ainda, orações para que seja livre da perseguição dos judeus quando retornasse à Judéia (v. 31), e que fosse bem recebido pelos irmãos cristãos, tudo para que, em seguida, pudesse partir para Roma em paz (v. 32). Mal sabia ele que seria vítima da perseguição e que sua chegada a Roma seria na condição de preso do evangelho. (Efésios 4:1, Filemon 13). Paulo ainda foi avisado pelo profeta Agabo assim que chegou em Cesaréia (Atos 21:11), Lucas tentou dissuadi-lo (Atos 21:12), mas o apóstolo sabia, no seu íntimo, que o único caminho que tinha a seguir era ir até Jerusalém, e de lá até Roma.

A moda agora é vestir laranja

Os fashionistas que me desculpem, mas a moda agora é vestir laranja, e não só por bom gosto, mas por um ótimo motivo: protestar contra as décadas de opressão da China contra o Tibete. Diante de todo o poderio político, bélico e econômico que a China representa, e do triste constrangimento (e silêncio cúmplice) dos governos democráticos do mundo em apoiar os movimentos tibetanos de independência (em especial o Dalai Lama), taí uma idéia que eu acho que todo mundo pode copiar e divulgar para fazer um protesto pacífico, na melhor tradição budista, contra a violência chinesa no Tibete.


Quem lançou a campanha foi um escultor dinamarquês, chamado Jens Galschiot, pedindo que, em que todo o mundo, as pessoas vistam uma peça de roupa que seja da cor laranja, normalmente relacionada à vestimenta dos monges budistas. A matéria da Folha de S. Paulo de hoje está transcrita no Forum Atos, e eu acho que a gente pode ajudar praticando e divulgando essa idéia simples, pacífica e de bom gosto, para que todas as pessoas que querem viver num mundo melhor e mais justo, possam participar, mostrando a nossa indignação contra toda forma de violência que quer calar um país, uma nação e uma religião. O mundo todo eles não conseguirão calar.
Acesse a página http://www.thecolororange.net/uk/ e seja um promoter da nova moda mundial.

Marcha atrás



A Argentina continua refém do seu passado, seja o glorioso, de um país rico que viveu décadas de prosperidade, mas perdeu o bonde da História; seja o tenebroso, de um país dividido em classes e castas, de federalistas contra unitários, de Buenos Aires contra as províncias, brancos contra índios e negros, imigrantes contra autóctones, radicais contra peronistas, proprietários de terras contra operários, classe média contra sindicalistas. 

É o tango inacabado de um Boca x River sem fim. 

A grandeza de um país, que se libertou do caudilhismo de Rosas e se estabeleceu como nação democrática e próspera já no fim do século XIX, que foi o celeiro do mundo no início do século XX, e que já a partir de 1930, começou a padecer (junto com o Brasil) de intervenções militares sistemáticas. 

A década de 1940 trouxe Perón e Evita, e os golpes militares que se seguiram, dos quais o de 1976 foi a maior desgraça que se abateu sobre a nação. 

Menem vendeu ao país a ilusão de primeiro mundo que Collor não teve tempo de impor ao Brasil. 

A crise de 2001 mostrou a fragilidade de sonhos que não se sustentam em bases sólidas nem num projeto de nação. 

Mesmo assim, um aparato sindical sem similar no mundo garante que o peronismo siga vivendo apenas como uma garantia de que os ideais de Perón e Evita continuem servindo para se ganhar e manter o poder, não importando quem o detenha. 

A classe média empobrecida não se entrega aos caprichos populistas dos Kirchner e os ruralistas viram no atual boom agrícola mundial a chance de recuperar os prejuízos de décadas perdidas. 

Ontem, Cristina Kirchner (ao lado do marido Néstor) reuniu seus comandados peronistas na Plaza de Mayo para um discurso de confrontação e não de conciliação (ver matéria no Clarín) com aqueles que promovem um lock out no abastecimento do país. 

Ainda que tenha apelado a argumentos legítimos, como o fato de ter sido recentemente eleita pelo voto popular, e dos seus adversários não poderem dizer que representam o povo enquanto o desabastecem, "la presidenta" preferiu endurecer o discurso, o que invariavelmente leva os argentinos a mais impasses, e quem sai perdendo com tudo isto é o país que vinha em franca recuperação, mas, ao que tudo indica, vai ter que amargar mais algum tempo de marcha-à-ré. 

Infelizmente, para nós todos que amamos este imenso país.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O evangelho de Lucas - parte 16

O capítulo 11 se inicia com um relato sobre a oração. Vendo que Jesus estava orando, seus discípulos se aproximaram e perguntaram como deveriam orar. A oração faz parte da vida de uma pessoa dedicada a Deus, como o próprio Salmo diz:

(Sl 109:4) Em paga do meu amor são meus adversários; mas eu me dedico à oração.

Dos evangelistas, Lucas é o que mais retrata Jesus em oração. Ele estava orando em seu batismo (Lc 3:21), retirou-se para o deserto em oração (Lc 5:16), passa toda a noite em oração (Lc 6:12), estava orando à parte (Lc 9:18), subiu ao monte para orar, e orava quando se transfigurou (Lc 9:28, 29), orava antes de sua prisão (Lc 22:41).

Seus discípulos o esperaram terminar de orar, para pedir a ele que os ensinasse. E, de fato, fizeram muito bem. É necessário ter humildade para orar (Lc 18:10-14). Além do mais, não sabemos o que pedir, por isto precisamos de instrução (Rm 8:26). Enquanto que hoje é o Espírito Santo que nos auxilia, naquela época Jesus fazia isto, fazendo o papel de Consolador (Jo 14:26). Por isto é sempre uma boa prática antes da oração, pedir auxílio para orar, demonstrando que sua vontade está entregue à Deus, que o que a pessoa deseja é algo agradável a Deus, e que mesmo que nossa oração não seja atendida, deixando-nos às vezes aflitos e desconsolados, nós entendemos que Deus sabe o que é melhor para nós. Quem sabe Deus envia um anjo ao menos para nos fortalecer (Lc 22:42).

Muitos comentaristas dizem que este relato é diferente do relato do sermão da montanha, tanto que Jesus apresenta uma versão mais resumida daquele ensino sobre a oração, e por que também os discípulos aqui mencionam João.

Quando orardes, dizei, é o que Jesus diz iniciando seu ensino. Muitos tomam a oração ensinada por Cristo apenas como um roteiro. Outros tomam esta oração sempre como uma forma fixa, como um mantra. Não devemos ser extremistas. Nada nos impede de orar com as palavras de Cristo, pois mesmo sendo um roteiro como alguns imaginam, se pronunciarmos as palavras de Cristo ainda estaremos seguindo este roteiro. Não devemos pronunciar de forma repetitiva esta oração, primeiro por que isto é proibido por Cristo (Mt 6:7), segundo, por que apesar de Cristo dizer "Quando orardes, dizei", Jesus não repete as palavras de Mateus, que ele ensinou antes, mas as resume, apresentando o principal. Devemos ser capazes de identificar o essencial, e identificando-o, podemos exprimí-lo com as palavras que o Espírito melhor nos instruir.

Então, Jesus inicia seu ensino, dizendo antes de tudo: "Pai, que Seu nome seja santificado". Devemos iniciar gloficando a Deus, antes de termos Sua graça e perdão, pois antes de tudo, Sua glória nos é muito cara. O que quer dizer santificar Seu nome? Segundo Barnes, é um pedido para que o nome de Deus seja celebrado, venerado, e tido como sagrado em todos os lugares, e receber honra devida de todos os homens. Hoje o nome de Deus é desconhecido por todos, já que a forma de pronunciá-lo foi perdida. Mas veja, Jesus diz "Pai, santificado seja o teu nome", Pai e não outro nome qualquer. Assim os cristãos devem conhecer seu Deus, pois é pela fé que se tornam seus filhos (Jo 1:12), tema central do Evangelho de Cristo. O filho que chama seu pai pelo nome próprio quer destacar a distância que tem de seu pai, o filho que chama seu pai de pai, quer mostrar a proximidade de seu pai. Assim, chamamos Deus de Pai por que Ele agora está próximo de nós, nos perdoou, e nos ama. Por isto, todos honram Seu nome, por isto todos o celebram. Assim devemos santificar o nome de Deus.

Que venha seu reino. Apesar de Cristo ter dito que este reino chegou, pedimos ainda a vinda do reino de Deus, pois o reino de Deus deve ainda vir de forma visível ao mundo, transformando-o no mundo que Deus planejou desde o princípio dos tempos. Devemos pedir sua vinda, pois é nesta vinda que teremos nossas promessas cumpridas, é nela que Deus será tudo em todos. Devemos orar pelo cumprimento das promessas feitas para nós, pois elas foram feitas para nos encorajar, e toda vez que nós oramos por elas, nos lembramos delas e de quem pode cumprí-las.

Depois de glorificarmos e lembrarmos de Deus e suas promessas, Jesus nos lembra que devemos pedir pelo nosso sustento. Não devemos nos inquietar por causa do alimento (Mt 6:31), mas devemos entregar esta preocupação a Deus. Por isto mesmo, pedindo a Deus nosso pão de hoje, entregamos nas Suas mãos esta inquietação, e confiamos em sua Providência.

Perdoa nossos pecados, assim como perdoamos aqueles que nos deve. Não devemos ter dois conceitos diferentes sobre perdão. Se pedimos perdão a Deus gratuitamente, devemos igualmente perdoar gratuitamente. Se perdoamos somente se nossos devedores nos pagam, então seremos perdoados apenas se pagarmos até o último ceitil (Mt 5:26). Alguns espíritas defensores da salvação por obras usam isto demonstrando que a obra de perdoar deve ser feita para se obter perdão, mas erram grandemente ao fazer isto. Eles desconhecem o conceito de "salvos, mas pecadores" que o apóstolo João nos apresenta (1Jo 1:7). É este apóstolo que nos explica as palavras de Cristo, indicando que aqui Ele ensina a confissão de pecados para a purificação, e não para a salvação. Pois a oração não está sendo ensinada para o salvo, aquele que creu em Jesus Cristo, o Filho de Deus? Pois no início da oração, Jesus não ensina que chamemos Deus de Pai, indicando assim que somos feitos filhos de Deus através da fé? (Jo 1:12).

Não nos deixe cair em tentação, é um pedido para que Deus nos auxilie sempre. Somos fracos, mas podemos tudo n'Ele (Fp 4:13). Por que não pedir força para não pecar?

Terminada a oração, Cristo ensina a persistência. Todo aquele que deseja algo, está sempre persistindo com aquilo. Por isto Cristo nos fala do homem que queria muito pão, e pedia para seu amigo. Sendo amigo, ou sendo importunado, aquela pessoa acabaria dando o que queremos. Se para homens, o pedido com persistência pode ser atendido, por que não o pedido para o Pai?

Depois, Lucas nos relata uma expulsão de demônios por parte de Cristo, onde os fariseus acusaram Cristo de expulsar Deus por poder de Belzebu. Mas Jesus mostra a incoerência de tal declaração, pois Satanás não deveria querer a destruição de seu próprio reino.

No meio da discussão, uma mulher declara bem-aventurada aquela que amamentou Cristo, ou seja, sua mãe. Apesar de Maria ter sido uma mulher exemplar, ela não é maior que aqueles que observam a palavra de Deus. Por isto católicos muito erram ao dar mais valor à Maria do que à palavra de Deus.Respondendo então aos sinais pedidos pelos fariseus, Jesus recorre então a esta mesma Palavra. Ele primeiro aponta Jonas como sinal. Jesus é como Jonas, que foi pregar aos ninivítas sobre arrependimento. Os ninivitas, porém, se arrependeram, os fariseus não. E Jesus é muito maior que Jonas. Jesus é muito maior que Salomão, mesmo assim, a rainha de Sabá veio ouví-lo, mas os fariseus não. Por isto os fariseus seriam julgados por eles, pois os fariseus recusaram ouvir maior sinal que aqueles que estavam na Palavra de Deus.

Como os olhos são o que iluminam o mundo para o corpo, o entendimento é o que ilumina a alma, e a guia. Portanto, deixemos nosso entendimento nos guiar a Deus, não vamos impedir nosso conhecimento de iluminar nossa alma, colocando-o debaixo da cama.

O capítulo termina com o almoço na casa do fariseu. Este se admirou de que Jesus não se lavava antes de almoçar. Por isto condenou Jesus todas as atitudes exteriores dos fariseus e doutores da lei. Pois mais importante que atos externos, são os atos internos. Estes inclusive são os que guiam de forma perfeita os atos externos.

Políticos que sobem, viadutos que caem

Quando vi logo cedo o Bom Dia São Paulo, da Globo, noticiando a queda do viaduto do Fura-Fila (hoje chamado de Expresso Tiradentes - ver notícia no UOL), eu fiquei ainda mais preocupado. O que é que está acontecendo com as administrações tucanas de São Paulo? Primeiro, é o buraco do metrô que desaba em Pinheiros, matando 7 pessoas. Agora é o viaduto do Fura-Fila que desaba (milagrosamente sem vítimas) justo ali na confluência de 3 grandes avenidas paulistanas, a Anhaia Melo, a Juntas Patrióticas e a do Estado (tendo embaixo o rio Tamanduateí), conseguindo piorar o que nós julgávamos impiorável: o trânsito de São Paulo. Aliás, este Fura-Fila já consumiu mais de 1 bilhão de reais desde que o Duda Mendonça, marketeiro do Maluf (e do Lula-2002) vendeu a idéia virtual aos eleitores paulistanos na eleição de 1996, enfiando o desastre Celso Pitta goela abaixo da cidade. Fiel ao mundo virtual, ficou anos parado, enfiando dinheiro sabe-se lá onde, e a prefeitura paulistana, primeiro sob o Serra, agora com o seu sucessor Kassab, decidiu terminar a obra (que já havia sido recomeçada pela Marta Suplicy), e justo neste trecho novo, que levaria o monstrengo até a Zona Leste, um viaduto daquele tamanho cai em cima de outro viaduto sobre o Rio Tamanduateí. Deve ser o primeiro sanduíche fluvial de viaduto do mundo. Felizmente, desta vez não houve vítimas, mas já passou da hora de se investigar os critérios que os tucanos utilizam para contratar empreiteiras. Chegamos ao cúmulo de querer, pelo menos, ficar parado em cima da ponte e sair vivo de lá, nem que seja 3 horas depois.

O cacique da Folha

A Folha de S. Paulo parece que tucanou de vez. Em editorial com o título "Caciquismo tucano" (acesso para quem tem UOL aqui), diz pérolas como: "a pesquisa Datafolha publicada no domingo, acerca da disputa para a Prefeitura de São Paulo, mostrou que a fidelidade partidária é um valor disseminado na sociedade" (pausa para risos).

A Folha se permitiu essa licença poética eleitoreira para dizer que seis entre cada dez eleitores (tucanos ou não) apóiam a candidatura do seu queridinho Geraldo Alckmin para prefeito de São Paulo, em detrimento da continuação da administração (também tucana) de Serra-Kassab. Arremata a Folha dizendo que "enquanto o eleitorado se mostra francamente favorável à disciplina partidária, o PSDB se entrega a uma guerra interna sem precedentes". Da noite para o dia, o eleitorado brasileiro se tornou disciplinado e fiel aos partidos, quando toda a história brasileira, passada e recente, desmente essa conclusão que os caciques da Alameda Barão de Limeira chegaram após árduas pesquisas. Na tribo folhística, vale tudo para eleger Geraldo Alckmin, nem que seja apresentá-lo como o fiel disciplinador partidário. Parodiando o infausto editorial, a verdade é que na opinião pública vai diminuindo a tolerância ao caciquismo jornalístico.

Créu gospel

Queridos irmãos e amigos,

Escrevo-vos para despedir-me, parece que o fim definitivamente chegou.

Inventado o "créu gospel", só o arrebatamento nos resta...

Já fui!!!

Não é possível que isto seja verdade...
Deve ser o primeiro de abril...

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails