sexta-feira, 5 de abril de 2013

As últimas carpideiras de Taiwan


Uma profissão praticamente extinta no Brasil ainda resiste bravamente em Taiwan, segundo noticia a BBC Brasil:

As últimas mulheres que cobram para chorar em Taiwan

Allie Jaynes

Chorar por vontade própria não é tarefa fácil. Mas é o que faz todos dias Liu Jun-Lin. Ela é a carpideira mais famosa de Taiwan e todos os dias se põe aos prantos em velórios de gente que nunca viu.

Já são poucas as mulheres que choram para ganhar a vida no país, embora cada sessão de choro renda a Liu cerca de R$ 1.200.

A profissão também é polêmica, já que muitos a consideram a comercialização do luto.

Liu lembra que se trata de uma profissão antiga. Segundo a tradição taiwanesa, os mortos precisam de uma despedida ruidosa para passar à outra vida.

“Quando um ente querido morre, tudo é tão dolorido que na hora do funeral já não restam lágrimas”, diz Liu.

“Como é que se muda o estado de ânimo para demostrar toda essa tristeza?’, questiona Liu.

Ela mesmo responde dizendo que sua profissão ajuda a família a dar o tom adequado à despedida.

A tradição teria começado quando as mulheres da família muitas vezes estavam distantes na hora dos funerais, por viverem em outras cidades.

Para substituir o choro das mulheres, as famílias passaram a contratar carpideiras.

Os tradicionais funerais taiwaneses são elaborados e combinam um luto sombrio com outro de tom mais alegre.

Além de chorar, Liu e sua equipe de carpideiras se vestem com roupas coloridas e fazem alguns passes de danças quase acrobáticos. Seu irmão, A Ji, toca instrumentos de corda tradicionais.

Liu depois se veste de branco e se acerca ao caixão. Ali realiza seu choro mais conhecido, enquanto o irmão toca órgão.

Os grunhidos são prolongados e abafados, uma mescla de choro e canto.

Perguntada sobre como faz brotar as lágrimas em seu rosto, ela insiste em dizer que é um choro real.

“Em cada funeral eu sinto que a família é minha família, e coloco meus próprios sentimentos alí”, diz.

“Quando vejo as pessoas aflitas, fico ainda mais triste”.

Negócio familiar

Com suas grandes sobrancelhas e voz de soprano, Liu, de 30 anos, parece mais jovem do que é.

E a boa aparência ajuda na profissão segundo Lin Zhenzhang, diretor de uma funerária na qual Liu trabalhou por anos.

“Geralmente pensamos que este é um trabalho para mulheres de outra geração. Mas Liu é jovem e bonita, e desperta a curiosidade das pessoas”, diz.

A avó e a mãe de Liu eram carpideiras profissionais. Ele casa ela imitava a mãe durante os ensaios.

Os pais de Liu morreram quando ela era ainda uma criança, deixando-as aos cuidados da avó.

Para ajudar na renda familiar, Liu passou a chorar aos 11 anos.

Ela conta que se levanta antes do amanhecer para ensaiar e muitas vezes trocava a sala de aula por velórios.

No colégio, os colegas também faziam piadas de sua profissão, conta.

E mesmo durante o trabalho, a função nem sempre é fácil.

“As vezes, antes de começar, as famílias dos falecidos não nos tratam bem. Mas depois da atuação, eles choram e nos agradecem”, diz.

É nesta ocasião que Liu se dá conta do verdadeiro propósito de seu trabalho, conta.

Profissão em extinção

Liu conta que seu trabalho “ajuda as pessoas a se soltarem e dizer em voz alta o que não se atrevem”, explica.

“Também ajudou quem não se atreve a chorar, porque ao fim todos choramos juntos”, diz.

Graças ao choro de Liu, os negócios prosperam. Hoje cada um de seus irmãos tem uma casa e todos são partes da equipe funerária.

Mas Liu sabe que esta é uma profissão em extinção, por causa da preferência por funerais mais simples.

Ela já está mudando o perfil dos negócios. Hoje os 20 funcionários de sua empresa trabalham sobretudo no embalsamento de corpos e na organização de funerais.

Mas ela diz que nunca vai deixar de ser carpideira.

“É algo que me levou muito tempo para construir, desde o zero, com minha avó. Devo ensinar a outras pessoas o que ela me ensinou e seguir com a tradição”, diz.



A julgar pelos vídeos disponíveis na internet, os funerais em Taiwan se parecem mais com uma mistura de circo com carnaval fora de época (e de propósito).

E se você procurar no Google vai ver que há funerais taiwaneses que têm até striptease:






Livro gratuito do dia para kindle - 2

A dica de hoje é o livro "The Truth of the Cross", do conhecido pastor e apologeta reformado R. S. Sproul, que pode ser baixado gratuitamente na Amazon brasileira, clicando aqui.

Abaixo, a resenha do livro em inglês e nossa tradução em português:
Dr. R.C. Sproul surveys the great work accomplished by Jesus Christ through His crucifixion the redemption of God s people. Dr. Sproul considers the atonement from numerous angles and shows conclusively that the cross was absolutely necessary if anyone was to be saved. Opening the Scriptures, Dr. Sproul shows that God Himself provided salvation by sending Jesus Christ to die on the cross, and the cross was always God s intended method by which to bring salvation. The Truth of the Cross is an uncompromising reminder that the atonement of Christ is an absolutely essential doctrine of the Christian faith, one that should be studied and understood by all believers.

O Dr. R. C. Sproul investiga a grande obra cumprida por Jesus Cristo mediante Sua crucificação para a redenção do povo de Deus. O Dr. Sproul considera o sacrifício a partir de vários ângulos e mostra conclusivamente que a cruz foi absolutamente necessária para que nós fôssemos salvos. Abrindo as Escrituras, o Dr. Sproul mostra que o próprio Deus proporcionou a salvação enviando Jesus Cristo para morrer na cruz, e a cruz foi sempre o método planejado por Deus para nos trazê-la. The Truth of the Cross é um lembrete intransigente de que o sacrifício de Cristo é uma doutrina absolutamente essencial da fé cristã, que deveria ser estudada e compreendida por todos os crentes.




Marco Feliciano já tem diploma de defensor dos direitos humanos


Manja aquela padaria chinfrim que você vai e vê um diploma de "melhor da cidade" pendurado na parede? Geralmente, esses "diplomas" são, digamos, "outorgados" por entidades cujo grau de credibilidade é bem discutível.

E não é que o deputado-pastor Marco Feliciano aparece com um diploma de "defensor dos direitos humanos" concedido por uma entidade que ninguém conhecia e que até errou a grafia do nome dele no dito cujo? Isso sem contar os crimes cometidos contra a gramática portuguesa...

Será que o Feliciano tem algum diploma de teologia conseguido da mesma maneira?

A notícia veio pelo Blog do Josias no UOL:

Feliciano exibe seu diploma de direitos humanos

Num instante em que seus antagonistas o acusam de homofobia e racismo, o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) acaba de obter um “diploma de defensor dos direitos humanos.” Foi concedido nesta quinta-feira (4) por uma entidade que se autodenomina “Federação Brasileira dos Direitos Humanos.” Está sediada em Salvador.

Feliciano apressou-se em exibir sua conquista. Levou ao Twitter uma mensagem: “Fiquei emocionado ao ser homenageado pela Federação Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos. A Deus toda glória!” Segue-se um link que conduz à imagem do diploma. Diz-se que Deus escreve certo por linhas tortas. Pois deu-se o inverso com a “diplomação” do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

A tal federação veiculou em seu site uma nota. As linhas são retas. Mas o texto é, por assim dizer, incerto. Num idioma muito parecido com o português, informa-se que o deputado Marco, rebatizado de Marcos, esteve com o presidente da entidade, Elizeu Rosa. Anota-se no texto que a federação “quer conhecer as proposta de trabalho” do novo presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Dispõe-se a “colaborar na defesa das minorias, grupos vuneraveis e na política de telerancia religiosa.” Diz ainda o texto que o doutor Eliseu acha que “é muito sedo para julgar a administração de alguém no início do seu trabalho”. Esclarece que irá “intermediar com alguns grupos de direitos humanos uma forma de deixa o deputado Feliciano trabalhar.”

A Federação Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos esclarece em seu site que está registrada no Ministério da Justiça sob o número 08071.001848/2011-95. De acordo com os termos do “diploma”, Feliciano obteve a honraria graças à aprovação num “curso”. Lê-se no documento que, a partir de agora, o deputado-pastor “passa a gozar de todas as prerrogativas inerentes ao cargo” de defensor dos direitos humanos.

Mais: no exercício de suas atribuições, Feliciano estará doravante “respaldado pela Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) […] e protegido pelo decreto 6.044/07”. Editado por Lula em 12 de fevereiro de 2007, esse decreto instituiu a “Política Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos”. Quer dizer: tomando-se a sério o “diploma”, Feliciano agora tem as costas esquentadas pelo Planalto e até, veja você, pela ONU. Tremei, pecadores!.



quinta-feira, 4 de abril de 2013

Arqueólogos italianos encontram o portão do inferno na Turquia

Reconstrução artística do portal do Hades
A mitologia greco-romana considerou por séculos o "Portão de Plutão" como sendo o portal para o inferno, o Hades na tradição antiga.

As fontes históricas localizavam o "portão do inferno" em Hierápolis, na antiga Frígia, e o geógrafo grego Estrabão, que viveu entre 64 a. C. e 24 d. C., o descreveu como um lugar "cheio de um vapor tão nebuloso e denso que dificilmente se pode ver o chão. Qualquer animal que passa por dentro encontra a morte instantânea", tendo ele próprio lançado um pardal que morreu imediatamente.

Durante uma conferência internacional de arqueologia realizada em Istambul, na Turquia, no último mês de março, o arqueólogo italiano Francesco D'Andria, da Universidade de Salento, informou que a equipe liderada por ele finalmente encontrou o Portão de Plutão.

Pássaros mortos na entrada do portal
Curiosamente, foi o mesmo fenômeno - de ver pássaros passando por um determinado local e caindo mortos em seguida - que chamou a atenção do time de arqueólogos que escavava as redondezas (abaladas por vários terremotos ao longo dos milênios) seguindo as fontes termais ainda existentes, que consideravam um indicativo para a presença do histórico portal.

Havia, ainda, inscrições em escombros próximos, dedicando o sítio aos deuses Plutão e Caronte, respectivamente o deus e o barqueiro do submundo, segundo a mitologia grega.

Não por acaso, antes de ser rebaixado a planeta-anão do sistema solar, Plutão tinha um satélite chamado Caronte. Hoje se sabe que ambos são quase do mesmo tamanho e orbitam ao redor de um eixo comum a ambos.

Outros sinais da presença de algo importante na velha Hierápolis foram uma espécie de piscina e degraus de arquibancada, que batem com as antigas descrições, e que indicam que algum tipo de rito religioso era realizado por ali, sugerindo que somente um sacerdote podia se aproximar da porta do Hades, enquanto a plateia o assistia a uma distância segura.

D'Andrea acrescentou que, muito provavelmente, havia uma infraestrutura turística no lugar, com animais sendo vendidos para que as pessoas fizessem o macabro teste de jogá-los no portal para testar as propriedades letais do portal.

O arqueólogo italiano ficou famoso dois anos atrás quando anunciou a descoberta da tumba do apóstolo Felipe.

Foto atual do achado arqueológico
Hierápolis foi fundada por volta de 190 a. C., pelo rei de Pérgamo, Eumenes II, tendo caído sob domínio romano no ano 133 a. C., o que a fez florescer com a construção de templos, um anfiteatro, e a exploração comercial do portão do Hades, ao qual se atribuía também propriedades medicinais pelas suas fontes térmicas.

A cidade atualmente se chama Pamukkale, situada no sudoeste da Turquia, e continua famosa como uma estação de águas.

Agora, o fluxo turístico certamente aumentará. Só não se sabe se os brasileiros desviarão sua rota da Capadócia, do outro lado do país, onde são gravadas cenas externas da novela "Salve Jorge", da Rede Globo.

Fontes: Discovery e ABC Australia

Caronte e a barca levando as almas para o Hades.
Um passeio nada agradável.



Agradecemos o aviso dos leitores, mas lamentamos informar que o Portão do Inferno não é um mirante na Chapada dos Guimarães, ali perto de Cuiabá (MT), essa sim forte candidata ao título, mais pelo calor do que propriamente pela cidade, de quem somos fãs incondicionais.

E a Chapada dos Guimarães é um dos locais mais bonitos do Brasil para se visitar, verdadeiro paraíso na Terra Brasilis. Recomendamos fortemente!



Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, o paraíso na terra.




Mãe nega que Marco Feliciano a tenha visto induzindo abortos

Se alguém ainda tinha alguma dúvida de que o grande objetivo de Marco Feliciano é obter ganhos políticos com as suas posições polêmicas, ela caiu por terra ao vê-lo expondo a própria mãe à execração pública, dizendo que ela era uma "aborteira" leiga, ou seja, havia praticado alguns abortos nos anos 1970.

Na ocasião, Feliciano disse que viu "fetos sendo arrancados de dentro das mulheres", o que já havia lançado suspeitas sobre a declaração do deputado, considerando que o mesmo nasceu em 12 de outubro de 1972, não por acaso o dia da criança, da padroeira do Brasil e do descobrimento da América.

Agora, a mãe jogada aos leões pelo próprio rebento vem a público confirmar que, de fato, fez vários abortos, mas nunca lidou com fetos formados (atendia casos de gravidez com menos de um mês) e o filho político era, na época, um recém-nascido. Ou seja, alguém mentiu. 

Teria sido Feliciano? Justo ele que afirmou que, antes de sua posse, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados era comandada por satanás, o pai da mentira?

Vale tudo, Feliciano?

Trata-se, portanto, de um jogo de poder, em que a religião (e até a própria mãe) é usada levianamente para uma disputa ideológica. Participa quem quiser, mas ninguém pode alegar que não sabia. Lamentavelmente.

A notícia é da Folha de S. Paulo:

Mãe de Feliciano conta como praticava abortos no anos 70

JULIANA COISSI

Lúcia Maria Feliciano era uma doméstica de 20 anos, mãe solteira de um filho pequeno, e, segundo seu relato, realizava nos anos 70 abortos em mulheres mais novas em Orlândia (a 365 km de São Paulo).

Na época, mães levavam as filhas grávidas, a maioria adolescentes de 15 ou 16 anos, até sua casa, conta Lúcia, hoje com 59 anos e moradora da mesma cidade.

Seu passado de 40 anos atrás foi trazido a público pelo filho, o deputado Marco Feliciano (PSC), atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Criticado por declarações consideradas racistas e homofóbicas, o pastor Feliciano contou em entrevista à Folha e ao UOL que a mãe tinha uma pequena clínica de abortos. "Eu vi fetos serem arrancados de dentro de mulheres." O pastor é contra a interrupção da gravidez até mesmo em vítimas de estupro, como permite a lei.

À Folha, Lúcia disse que o filho jamais viu um aborto feito por ela. Na época em que ela diz ter recebido as adolescentes, Feliciano era um recém-nascido.

Ela afirma que só atendeu casos de gravidez inicial, com 15 ou 20 dias de gestação. "Não tinha nada [de fetos]."

Longe de um ambiente esterilizado, como o de um hospital, a gravidez era interrompida com a ajuda de uma sonda, introduzida até o útero, e de uma mistura de pinga com arruda dada às jovens.

Em sua casa, em Orlândia, Lúcia em vários momentos interrompeu a entrevista para se dizer arrependida e que espera "o perdão de Deus". Hoje ela é evangélica. Não permitiu que fosse fotografada nem falou sobre as polêmicas atuais do filho.

Antes de ficar grávida de Feliciano, seu único filho, Lúcia afirma ter se submetido a um aborto, aos 17 anos.

Ela estava com dois meses de gestação quando decidiu procurar "essas benzedeiras antigas". Essa mulher, conta, lhe ensinou como interromper a gestação com uso de uma sonda, mais fina do que uma caneta, que era introduzida pela vagina até o útero.

Também tomou um "queimado", como chama a bebida de pinga e folhas de arruda.

Lúcia começou ajudar outras mulheres a praticar abortos após ter sido procurada por mães de adolescentes grávidas, conforme relata. Diz ter interrompido a gestação de cinco ou seis jovens.

O aborto, que não era cobrado, segundo ela, demorava cerca de meia hora e não teria resultado em nenhuma complicação às jovens.

"Achei que estava ajudando alguém, mas estava é destruindo uma vida", disse.

O filho só soube dos abortos, conta a aposentada, quando ele tinha dez anos. Quando perguntada se entende como é a realidade do aborto hoje no Brasil, Lúcia volta a dizer ser contra o ato.

"Não peço perdão a você ou ao Marquinho [como chama o filho], peço perdão a Deus e espero que ele me perdoe pelo o que eu fiz."

Segundo estimativa de organizações feministas, são realizados cerca de 1 milhão de abortos clandestinos no país, anualmente, que resultam na morte de duas centenas de mulheres, em média.

Pela lei atual, o aborto só é permitido no Brasil em casos de estupro ou de risco para a vida da mãe.



quarta-feira, 3 de abril de 2013

Quem não é contra nós é por nós?


Jesus, porém, respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo depois falar mal de mim; pois quem não é contra nós, é por nós. 
(Marcos 9:39-40)

O mundo atual é estranhamente egocêntrico. Vivemos boa parte de nossas vidas em função de nós mesmos, buscando nossos direitos, sem se importar muito com o chamado “bem comum”. Na prática, buscamos unicamente nossa glória, de ninguém mais.

Glória! É muito fácil encontrar esta palavra em contextos cristãos e mais fácil ainda é encontrar cristãos dizendo que esta só deve ser dada a Deus. 

Esta palavra, no entanto, se mantém trancada dentro de nossas igrejas, separando-se há muito de seu significado. 

E quando nos voltamos ao egocentrismo, orgulho, busca de direitos, raramente nós pensamos em glória. Menos ainda pensamos em atribuir glória a Deus.

Esquecemos tão rapidamente da glória dada a Deus, que até mesmo os apóstolos caminhando com o próprio Senhor não a levaram em conta... 

Por isto o tema “Glória” permeia todo o relato que encontramos em Marcos 9 a respeito dos discípulos, em Cafarnaum, de modo peculiarmente sutil.

O relato começa no versículo 33, quando chegam em Cafarnaum, provavelmente na casa de Pedro (referida como “a casa”). 

Jesus então pergunta a eles o que discutiam pelo caminho. Se lermos o texto anterior, perceberemos que Jesus havia falado sobre sua morte e ressurreição. Logo, seria natural esperar que eles estivessem se perguntando sobre o significado destas palavras. 

No entanto, o versículo 34 nos informa que o motivo da discussão foi outro: discutiam sobre quem era o maior deles. 

E o silêncio dos discípulos aqui foi uma resposta maior do que imaginavam, pois este silêncio revelava que a discussão não foi algo leve, mas foi algo digno de lhes deixar envergonhados. 

O desejo pela glória era algo que os embriagava, e Cristo sabia disto. Por isto, mesmo sem eles responderem, tomou uma criança e os explicou que deveriam ser como ela, recebendo-o em simplicidade.

A repreensão nunca é algo fácil de se receber, ainda mais quando o tema da repreensão é a humildade. Por isto, não nos impressiona o fato do apóstolo João falar sobre um homem que repreenderam por expulsar demônios no nome de Cristo. 

Talvez, se falarmos de algo bom que fizemos, não recebemos também um elogio, não é mesmo? 

Se esta foi uma tentativa do apóstolo de mudar de assunto, não podemos saber. Se foi, então temos que agradecer ao evangelista por registrar o relato desta forma, mostrando-nos que os apóstolos eram acima de tudo, humanos, como eu e você.

O fato é que esta pergunta na verdade não mudou em nada o tema da conversa. Pois ainda vemos os apóstolos se considerando aptos a julgar quem deve ou não proclamar Cristo, como sendo superiores às outras pessoas. 

Isto porque eles não repreenderam a pessoa em questão por que ele fazia algo errado ou ensinava algo errado, mas simplesmente por que ele não os seguia. 

O uso do imperfeito aqui ressalta que tal pessoa não tinha o costume de segui-los, ou seja, não era um seguidor declarado de Cristo. 

Então, se a pergunta de João foi motivada mais por dúvida do que por vergonha da repreensão, temos aqui um bom motivo para ela: afinal de contas, é qualquer um que te recebe mesmo, Senhor? Será que este homem que apenas expulsa demônios em seu nome te recebe também?

E aqui temos o trecho que destacamos logo acima. Nosso Senhor nos ensina a não o proibir, pois não há pessoa neste mundo que faça um milagre em seu nome, e que depois saia falando mal dele. 

O trecho é usado por pessoas que defendem pastores de nossos dias que vivem se envolvendo em polêmica e que defendem todo tipo de doutrina estranha ao Evangelho.

 Afinal de contas, pensam eles, se estes pastores fazem milagres em nome de Cristo, não devemos proibir eles, não é? 

E a resposta para esta pergunta é, se nossa base para a proibição for apenas o fato deles não seguirem a Cristo, então não devemos mesmo proibir. 

No entanto, a proibição se dá por que eles não seguem a Cristo, ou por que dizem segui-lo, mas não o fazem?

Expulsar demônios era um milagre feito por apóstolos e pelo próprio Cristo, uma boa obra, portanto. Poderíamos aplicar o mesmo princípio em nossos dias a toda boa obra feita em nome de Cristo. 

Alguém ajuda o pobre por causa do nome de Cristo? Então não devemos proibi-lo. Alguém é honesto por causa do nome de Cristo? Então não devemos proibi-lo. Por quê? 

Porque esta pessoa está fazendo tudo isto para a glória de Cristo. E quem somos nós para impedirmos que a justa glória seja dada ao nosso Criador, nosso Senhor? 

Por que não comemorar quando alguém dá glórias a Deus e a Cristo, mesmo que ela não os esteja seguindo conosco? 

Será que é por que colocamos nossa glória acima da glória ao Senhor? É mais importante estar conosco do que dar glórias ao Criador? 

Talvez este fosse o problema com os apóstolos ali. Eles não apenas disputavam quem era o maior entre eles, mas também se colocavam como referência para os outros. 

Para eles não é a verdade que impede ou permite que alguém dê glória a Deus, mas o seu relacionamento com a igreja. 

Sola Scriptura ou Sola ecclesia? Tudo está relacionado com Glória.

Por isto se alguém usa este texto aqui para defender pastores em seus escândalos, este alguém está errado, pois o escândalo não traz glória ao Senhor. 

E para deixar isto mais claro, caso ainda haja alguma dúvida sobre isto, nosso Senhor continua seu ensino falando das boas obras feitas por causa de Seu nome. 

O Senhor nos diz que estes terão sua recompensa certa, não especificando aqui qual é a recompensa em vista. 

Por aí se nota que o Senhor acima de tudo é grato àqueles que lhe glorificam, seja quem for. O amor de Deus está acima de nossos preconceitos e tradições.

Mas e aqueles que escandalizam? E aqueles que fazem os pequeninos tropeçarem? E aqueles que se dizem pastores mas deixam suas ovelhas se perder pelo caminho? 

Seria melhor terem se lançado ao mar do que fazer isto, pois antes de dar glória a Deus, eles tentaram manchar seu nome. 

E não há vergonha maior, não há pecado maior do que tentar manchar o santo Nome de Deus, o mesmo Nome que não poderia ser tomado em vão (e o Senhor não terá esta pessoa como inocente, Êxodo 20:7). 

Não é mais do que natural defender Deus daqueles que tentam manchar seu Nome? Quem poderia defender estas pessoas?

Por que alguns são causa de tropeço a outros? Por quê?

Muitos possuem algo de precioso em suas vidas e que nem sempre as permite gozar de uma vida santa e reta diante de Deus. 

Muitos se apegam ao dinheiro, ao poder, ao bem-estar. Nosso Senhor prefere usar uma linguagem mais chocante aqui. 

Quem quer perder uma mão ou um pé? Quem quer perder um olho? Se você no entanto soubesse que jamais iria ter uma vida de eterna felicidade se mantiver aquele olho, você não estaria disposto a perdê-lo? 

Esta é uma pergunta muito difícil de responder, porque ela toca no ponto vital de todo este capítulo. O que é mais precioso para nós? Um olho ou o Senhor? 

Obviamente, Jesus não está aqui querendo que nos mutilemos por Ele, mas um olho é muito mais palpável do que aquilo que Ele realmente quer atacar. 

Não dá para negar que nós temos olhos, pés, mãos, mas podemos negar tudo que está envolvido neste texto. 

Afinal de contas, o que é mais precioso para nós? O Senhor Jesus, nosso Redentor? Ou nosso orgulho, nossa avareza, nossa glória, nosso bem-estar? 

Podemos negar ter todos estes, mas na verdade, acabamos dando espaço para todos. 

Na prática, deixamos a palavra glória na igreja, de preferência como parte de algum hino antigo. 

As pessoas veem pastores realizando milagres por aí sem no entanto refletir sobre quem está sendo glorificado ali. 

Não nos perguntamos quantas pessoas de outras igrejas tais pastores ajudaram com seus milagres, nem nos perguntamos quantas destas aparecem em seus programas e pregações.

Não poderemos entrar no Reino dos céus se buscarmos nossa glória mais do que a glória de Deus. 

Não poderemos entrar na vida se o amor por nossa glória nos faz impedir que a glória a Deus seja proclamada. 

Seremos salgados por fogo. Temos que ter sal em nós mesmos, que é a santidade, a reverência, a piedade. Sem isto, seremos tão inúteis como o sal que não salga.





terça-feira, 2 de abril de 2013

Livro grátis do dia para kindle - 1

Continuando nossa boa mania de anunciar ótimas promoções e livros grátis para kindle, divulgamos o livro abaixo, que pode ser baixado grátis para quem tem o e-reader kindle da Amazon, clicando aqui.

A resenha do livro está abaixo também. Infelizmente, ainda não temos livros em português para compartilhar, mas esperamos ter esta possibilidade o mais breve possível.

Ressaltamos que a gratuidade do livro em versão kindle é prevista apenas para hoje, 02/04/13. 

A prorrogação da promoção é de responsabilidade da Amazon.
Book Description: A radical call to reform, Church Zero is a punk-rock approach to the pressing issue of gaining ground as rapidly as the early church. With a fresh perspective forged in the dirty trenches of international post-Christian societies, Peyton Jones pulls no punches as he brings this message to the American Church: We have lost our way.

The church is losing ground fast: losing the generation under age 30 and drawing few nonbelievers toward Christ. Christ gave us a leadership model for commando outreach, and the church has ignored it for too long. Will we continue down the path of self-preservation, defending our stalled church structures? Or will we follow the blueprint Jesus lays out? Church Zero challenges readers to once again become a radical, dangerous people who cannot be ignored. It’s time to break out!

Descrição do livro: Um chamado radical à reforma, "Church Zero" é uma abordagem punk-rock ao tema urgente de ganhar terreno tão rapidamente como a igreja primitiva. Com uma perspectiva nova forjada nas trincheiras sujas das sociedades internacionais pós-cristãs, Peyton Jones não poupa ninguém enquanto traz sua mensagem à igreja americana: nós perdemos o nosso rumo.

A igreja está perdendo terreno rapidamente: perdendo a geração abaixo dos 30 anos de idade e encaminhando poucos descrentes a Cristo. Cristo nos deu um modelo de liderança de comando para além das fronteiras, e a igreja tem ignorado isso por muito tempo. Continuaremos restritos ao caminho de autopreservação, defendendo as estruturas estagnadas da nossa igreja? Ou seguiremos o projeto que Jesus nos traça? "Church Zero" desafia os leitores a - mais uma vez - se tornarem pessoas radicais e perigosas que não podem ser ignoradas. É tempo de romper o cerco!




Brasileiro filho de evangélica, convertido ao Islã, agora vive no Irã



A edição de domingo passado, 31/03/13, da Folha de S. Paulo, estava caprichada, parabéns, produção!

Além da matéria sobre os samaritanos, outra reportagem digna do nome, muito interessante e bem escrita em primeira pessoa, conta a história do paulista Eliezer Ranieri, de 32 anos, que se converteu ao Islã, casou com a também brasileira muçulmana Latifa, com quem tem a filha Amirah, de 1 ano e 5 meses de idade, também nascida no Brasil.

Entre os muitos detalhes interessantes do artigo, destacamos o processo de conversão de Ranieri, o fato de sua mãe ser evangélica, os conflitos nem tão velados assim entre sunitas e xiitas dentro do Islã, e o estilo de vida iraniano.

Vale muito a pena ler:

Brasileiro convertido ao islã acha vida no Irã "maravilhosa"

SAMY ADGHIRNI

Convertido ao islã, o paulista Eliezer Ranieri, 32, decidiu se instalar com a família no santuário xiita de Qom, no interior do Irã, para garantir que sua filha de um ano e cinco meses tenha uma educação muçulmana. Estudante de teologia com bolsa iraniana, Eliezer rejeita a liberdade sexual no Brasil e considera que a brasileira tornou-se uma "mulher objeto". Ele diz que a nova vida no Irã é "maravilhosa".

Nasci em Ubatuba, em São Paulo, e me criei no Guarujá, filho de pai comerciante e mãe professora.

Meus irmãos e eu tivemos uma infância muito tranquila, brincando de esconde-esconde, mão na mula, queimada e outras brincadeiras tão boas e inocentes, apesar dos programas violentos, como "Jaspion" e "Changeman", que começaram a surgir no fim dos anos 80.

Meus pais não eram religiosos, e eu, como eles, acreditava em Deus sem ter religião. Mas, em fevereiro de 2001, me converti ao islã sunita na mesquita de Santos, com o apoio de uma família libanesa que me mostrou o Corão e me ensinou o alfabeto árabe.

Fui tocando minha vida, primeiro me formando em tecnologia ambiental e depois trabalhando na estação de tratamento de água da Riviera de São Lourenço.

Em 2009 passei a trabalhar na feira do Brás, em São Paulo. Em seguida, me casei com a Latifa, que conheci na mesquita. Nossa filhinha, Amirah, nasceu há um ano e cinco meses. É a nossa princesa, que é exatamente o significado do nome dela.

O problema do islã no Brasil é a influência wahabita [corrente sunita ultrarradical surgida na Arábia Saudita que inspirou a Al Qaeda de Osama bin Laden].

Os wahabitas propagam uma visão incorreta do islã, com ideias extremistas e opressão contra outras opções religiosas.

Tanto que, quando comecei a me interessar pelo islã xiita, muitos sunitas reagiram com hostilidade, chamando os xiitas de incrédulos. Essa experiência acabou me empurrando ainda mais para o xiismo.

Sete meses atrás, me tornei muçulmano xiita.

Logo em seguida, Deus pôs no nosso caminho a possibilidade de morar no Irã. Já vínhamos há algum tempo querendo sair do Brasil para educar nossa filha, inclusive fizemos planos de morar no Marrocos.

Até que surgiu a chance de eu iniciar estudos religiosos na universidade internacional de Qom, com uma pequena bolsa.

Era a chance ideal para criar nossa neném num ambiente islâmico adequado.

Minha mãe, que se tornou evangélica há alguns anos, chorou ao saber da mudança, pois Amirah é sua primeira netinha. Mas ela entendeu que estávamos migrando no caminho de Deus e acabou aceitando.

Ela e meu pai pesquisaram muito sobre o Irã e perceberam que o país é muito mais do que a questão nuclear ou a tensão com Israel.

Chegamos a Qom há dois meses. Estranhei um pouco o trânsito totalmente sem regras, mas nosso dia a dia aqui é maravilhoso.

INOCÊNCIA IRANIANA

O que mais prezo é a inocência da população, que não tem a maldade dos brasileiros. Quando ando até o ponto de ônibus, por exemplo, é muito comum algum desconhecido parar o carro e oferecer carona, algo impensável no Brasil.

Aqui a gente anda na rua sem medo de ter o relógio ou o dinheiro roubado.

O custo da vida é muito baixo. Minha bolsa mensal equivale a cerca de R$ 100, mas aqui tudo é tão barato.

O Irã não produz metade do que o Brasil produz e ainda assim consegue ter uma vida muito mais em conta. E o governo cuida da sua população, ao contrário da maioria dos outros países.

Para nossa filha é ótimo estarmos aqui.

No Brasil os valores morais estão invertidos. A criança na escola não respeita o professor, e a violência está em todo lugar.

Além disso, você ensina o certo, mas seu filho sai na rua e vê homem com homem, mulher com mulher, tudo permitido em nome da democracia e da liberdade.

No Brasil, a pessoa vai para uma balada, fica com alguém, acaba no motel e na semana seguinte faz a mesma coisa com outro parceiro.

O sexo antes do casamento cai na banalidade e prejudica a sociedade.

Por mais que as feministas digam que não, a mulher brasileira é, sim, um objeto.

Poder andar na rua pelada é uma liberdade falsa.

A brasileira sabe que, se ela não tiver um certo padrão de beleza, se sentirá inferior. Ela sabe que, se não mostrar o que tem, não conseguirá certas coisas.

Por que ela usa decote? Para mostrar que tem peito grande. Para se exibir como um troféu a ser conquistado por quem conseguir.

Não é isso que queremos para nossa filha.

Desde pequena, a chamamos para ficar pertinho na oração. Hoje ela já sabe quando é hora de fazer "Alá Akbar" [Deus é maior, frase pronunciada nas orações]. Ela se ajoelha e põe as mãozinhas na cabeça.

Mas ela não vai deixar de ser brasileira, e o português será sua língua principal.

Além disso, nosso plano é voltar a morar no Brasil dentro de uns dez anos, quando eu estiver formado e apto a mostrar o islã verdadeiro aos brasileiros.

Até lá, pretendo levá-la de vez em quando ao Brasil para ver a família.

Ela talvez estranhe o ambiente quando estiver com a família brasileira, mas ela verá qual o valor da mulher no nosso país, e espero que um dia nos agradeça pela nossa escolha.

Meu sonho é que ela construa uma família muçulmana. Mas também quero que ela passe por uma faculdade. O Corão incentiva muito os estudos.

Por mais que eu mostre o caminho certo e queira que ela tenha Deus no seu coraçãozinho, ela é quem vai decidir seu futuro. Amirah terá total liberdade para seguir seu caminho.

A gente faz a nossa parte, mas o futuro só Deus sabe.



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Os últimos samaritanos

E não é que de vez em quando a Folha de S. Paulo faz jornalismo de verdade, investigando seriamente e trazendo matérias interessantes e bem escritas?

A reportagem foi publicada ontem, 31/03/13. Ainda há esperança (para a Folha, talvez para os samaritanos):

Samaritanos lutam para não desaparecer

DIOGO BERCITO
ENVIADO ESPECIAL A KIRYAT LUZA (CISJORDÂNIA)

No começo do século 20, eles tiveram seu desaparecimento anunciado. Não havia, à época, mais de uma centena de samaritanos no mundo.

Após enganar o monstro da demografia, que os queria devorar, hoje eles são mais de 750, em duas cidadelas.

Mas esses que se dizem os verdadeiros israelitas bíblicos não baixam a guarda --a praga demográfica ainda os persegue, agora com a escassez de mulheres entre eles. A questão é agravada pela proibição ao casamento com seguidores de outros credos.

Com isso em mente, os anciões da comunidade passaram a permitir que os homens tragam mulheres de fora do povoado e da religião para convertê-las e assim estimular a natalidade.

Eles escolheram, via agências de matrimônio, em geral russas e ucranianas --que já caminham nas ruas levando os filhos pelas mãos, conforme a Folha testemunhou.

Pouco receptivos a estrangeiros, porém, alguns membros das sete famílias que moram em Kiryat Luza, uma das duas vilas samaritanas, dizem à reportagem não estar à vontade com a solução.

"Eu nunca me casaria com uma estrangeira", diz Breeto Cohen, 20. "Quando você faz isso, sai da religião", afirma.

As mulheres procuradas pela reportagem não quiseram ser entrevistadas. Uma delas, que disse se chamar Nataly, mora na casa do alto sacerdote do vilarejo.

"Muitos não gostam [da solução]", diz Abdullah, jovem muçulmano que trabalha como guia no museu de Kiryat Luza, onde moram 350 dos samaritanos. Os demais moram em Holon, perto de Tel Aviv. "Eles preferem as mulheres samaritanas."

O universitário Rida Altif, que reclama da dificuldade de encontrar uma namorada e da competição com os amigos, está aberto à opção. "Somos humanos. Eu me casaria com uma estrangeira."

Mas a alternativa tem uma condição, diz Dan Hakam, 16. "Elas têm de seguir as tradições como a gente."

MONTE SAGRADO

Kiryat Luza ocupa o topo do monte Gerizim, um cume seco despontando entre vilarejos árabes.

A vista é estratégica --embaixo, a cidade palestina de Nablus se esparrama no vale. Táxis fazem o caminho monte acima por R$ 7. Para descer, o preço é R$ 1,50.

Durante o dia, as ruas estão vazias. Um parquinho enferruja, abandonado. Há dois mercadinhos e uma tenda para bebidas alcoólicas --para suportar o vento gelado, dizem.

É para essa montanha que todos os samaritanos rumam em dias festivos. A religião pede que ritos sejam realizados apenas ali.

Gerizim é uma das principais divergências desse grupo em relação aos judeus. Para os samaritanos, foi no monte Gerizim que Abraão se prontificou a sacrificar seu filho Isaac. "Os judeus acreditam em Jerusalém", afirma Hakam. "Mas nós acreditamos nesta montanha."

A separação entre samaritanismo e judaísmo ocorreu no primeiro milênio antes de Cristo, quando judeus foram exilados em massa na Babilônia.

A religião que eles trouxeram de volta, dizem os samaritanos, foi corrompida durante o tempo de cativeiro, e não corresponde às crenças israelitas.

"Eles se referem a si mesmos como o 'verdadeiro Israel'", diz Terry Giles, teólogo da Universidade Gannon, nos EUA, que pesquisa a Bíblia samaritana. "Eles dizem preservar a religião", afirma.

Há afinidades entre as crenças de samaritanos, judeus, cristãos e muçulmanos --são todas religiões ditas "abraâmicas". Mas, isolados entre povos em conflito, os samaritanos tentam se manter distantes dos irmãos de fé.

"Os árabes pensam que somos judeus", afirma Cohen. "Eles nos agridem."

"Eles não são gentis", diz o motorista palestino que leva a reportagem de volta à cidade de Nablus --onde nem todos contam boas histórias sobre a vila samaritana, montanha acima. Mas a rivalidade entre os dois locais ignora as pesquisas genéticas e os estudos genealógicos que apontam que a população palestina de Nablus descende em parte de samaritanos convertidos durante o Império Otomano.





LinkWithin

Related Posts with Thumbnails