O vídeo abaixo, que eu vi no blog veSHAME gospel, mostra a filmagem da morte ao vivo de um presbítero de 87 anos de idade, da Igreja Assembleia de Deus de Botucatu (SP). O vídeo tem 10:10 min. de duração e ali pelo 3:08min o presbítero dá seu último suspiro, enquanto uma moça canta o verso "Chegou a sua hora...". Meio minuto depois, o pastor percebe o acontecido e o culto prossegue, com alguma agitação atrás da cantora. Depois, o pastor lidera a congregação no cântico do hino "Mais Perto Quero Estar".
Ainda que seja uma cena tocante do ponto de vista religioso, e mesmo que não se saiba exatamente o estado de saúde do presbítero, o que chama a atenção é que - aparentemente - ninguém tentou socorrê-lo, seja fazendo alguma manobra de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), seja simplesmente levando-o rapidamente ao pronto-socorro mais próximo. Enquanto havia uma provável parada cardíaca no altar, sequer a música foi interrompida para que se procurasse na audiência alguém habilitado para tanto, talvez um médico, uma enfermeira, um bombeiro, um estudante... A igreja preferiu uma espécie de velório instantâneo a ter que fazer qualquer tentativa simples que fosse de ajudar o irmão. Pouco antes de sua partida deste mundo, ele parecia estar bastante interessado no culto, chegando inclusive a cochichar algo com o pastor. Será que já estava se sentindo mal? Será que a igreja pode decidir quando é que chegou a hora de alguém? Será que a eutanásia no altar é legítima? Será que o presbítero, mesmo com 87 anos de idade, não queria viver um pouco mais?
Atualização de 10/01/10 - A irmã Leilah (do Blog da Leilahh) gentilmente me traz a notícia do site da Igreja Assembléia de Deus de Botucatu (SP), cuja leitura completa pode ser feita clicando no link "Notícias" e há ali uma Nota de Falecimento que assim reporta o ocorrido:
De qualquer forma, fica o registro para que os irmãos tomem os cuidados necessários em suas igrejas, clubes e associações que envolvam muitas pessoas, tanto do ponto de vista de urgência de pronto socorro como de atitudes que possam ser interpretadas como a sua omissão. Atitudes como a do pastor em questão, por mais bem intencionadas que sejam, como dar glórias a Jesus assim que constata o passamento do irmão (03:30 min.), e 1 minuto e meio depois (05:00 min.) dizer que "Jesus levou o nosso companheiro, partiu para a glória aqui em cima do púlpito", podem eventualmente causar pelo menos o desconforto e constrangimento de uma investigação policial. Todo cuidado é pouco, pois o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) penaliza ainda mais a omissão de socorro quando se trata de pessoa idosa:
E faço este alerta também com base no Estatuto do Idoso:
Vivemos num país que, lamentavelmente, tem leis que ficam só no papel e não "pegam", como se diz na gíria. Por isso faço uma defesa constante de que respeitemos a lei e a façamos cumprir. Se cada um de nós fizer a sua parte cobrando e exigindo da sociedade e das autoridades o respeito à lei, com certeza viveremos num país melhor.
Ainda que seja uma cena tocante do ponto de vista religioso, e mesmo que não se saiba exatamente o estado de saúde do presbítero, o que chama a atenção é que - aparentemente - ninguém tentou socorrê-lo, seja fazendo alguma manobra de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), seja simplesmente levando-o rapidamente ao pronto-socorro mais próximo. Enquanto havia uma provável parada cardíaca no altar, sequer a música foi interrompida para que se procurasse na audiência alguém habilitado para tanto, talvez um médico, uma enfermeira, um bombeiro, um estudante... A igreja preferiu uma espécie de velório instantâneo a ter que fazer qualquer tentativa simples que fosse de ajudar o irmão. Pouco antes de sua partida deste mundo, ele parecia estar bastante interessado no culto, chegando inclusive a cochichar algo com o pastor. Será que já estava se sentindo mal? Será que a igreja pode decidir quando é que chegou a hora de alguém? Será que a eutanásia no altar é legítima? Será que o presbítero, mesmo com 87 anos de idade, não queria viver um pouco mais?
Atualização de 10/01/10 - A irmã Leilah (do Blog da Leilahh) gentilmente me traz a notícia do site da Igreja Assembléia de Deus de Botucatu (SP), cuja leitura completa pode ser feita clicando no link "Notícias" e há ali uma Nota de Falecimento que assim reporta o ocorrido:
Ao detectarmos sua partida, verifiquei pulsação, batimentos cardíacos, embora não seja médico, mas pastor; e imediatamente, meu filho que é presbítero na Igreja, ligou para pedir auxilio do Corpo de Bombeiro (resgate) que se demoraram cerca de uns 10 minutos. Enquanto não chegavam, o deitamos nas cadeiras do púlpito, e senti desejo de adorar a Deus cantando, pois, cantamos quando nasce uma criança, mas também quando o Senhor recolhe ao descanso um servo Seu. Aguardamos a chegada dos bombeiros, que ao chegar ao templo verificaram que realmente o irmão Anísio já havia falecido, porém, comunicaram-nos, que iria levá-lo ao pronto socorro da UNESP em Botucatu, para a constatação da causa morte, o que fizeram. E não permiti que fosse filmado o corpo do nosso querido irmão deitado sobre as cadeiras e nem a retirada do mesmo pelo corredor central da Igreja, pois, estávamos ao vivo para o mundo todo pela nossa WebTV “Uma Vida com Deus”. Porém, respeitosamente, em silêncio total, pedimos que toda igreja se levantasse e num gesto humanitário e cristão, e aguardássemos a retirada do corpo de nosso irmão do templo. Como não tínhamos mais condições de continuar com o culto, finalizamos o mesmo, e mantivemos o Templo aberto para o velório, pois, era desejo do irmão Anísio ser velado na Igreja. Tão logo fosse liberado seu corpo.
De qualquer forma, fica o registro para que os irmãos tomem os cuidados necessários em suas igrejas, clubes e associações que envolvam muitas pessoas, tanto do ponto de vista de urgência de pronto socorro como de atitudes que possam ser interpretadas como a sua omissão. Atitudes como a do pastor em questão, por mais bem intencionadas que sejam, como dar glórias a Jesus assim que constata o passamento do irmão (03:30 min.), e 1 minuto e meio depois (05:00 min.) dizer que "Jesus levou o nosso companheiro, partiu para a glória aqui em cima do púlpito", podem eventualmente causar pelo menos o desconforto e constrangimento de uma investigação policial. Todo cuidado é pouco, pois o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) penaliza ainda mais a omissão de socorro quando se trata de pessoa idosa:
Art. 97. Deixar de prestar assistência ao idoso, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, em situação de iminente perigo, ou recusar, retardar ou dificultar sua assistência à saúde, sem justa causa, ou não pedir, nesses casos, o socorro de autoridade pública:
Pena – detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
E faço este alerta também com base no Estatuto do Idoso:
Art. 4º Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei.
§ 1º É dever de todos prevenir a ameaça ou violação aos direitos do idoso.
Vivemos num país que, lamentavelmente, tem leis que ficam só no papel e não "pegam", como se diz na gíria. Por isso faço uma defesa constante de que respeitemos a lei e a façamos cumprir. Se cada um de nós fizer a sua parte cobrando e exigindo da sociedade e das autoridades o respeito à lei, com certeza viveremos num país melhor.








