quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Piadas involuntárias

O site Terra listou 11 carros que entraram para a história como micos automotivos, e um deles é o Ford Pinto. Sente só a descrição do mico:

6 - Ford Pinto (1971): depois do lançamento do Gremlim e do Vega da Chevrolet, a Ford põe na rua seu compacto, que entrou para os anais da história como um dos carros mais perigosos já desenvolvidos. Isso porque o Pinto explodia em chamas no caso de colisão traseira. O mais preocupante é que quando a história ganhou as manchetes, descobriu-se que os executivos da gigante automobilística sabiam dos riscos mas calcularam que reforçar o tanque de gasolina na traseira custaria 121 milhões de dólares enquanto os processos por morte ou deformações físicas sairiam, no máximo, 50 milhões.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cuiabá 2018, Olimpíadas de Inverno

Que Copa 2014, que Rio 2016 que nada! Queremos é Cuiabá 2018!

bom humor do blog Os Geraldinos
via Blog do Juca Kfouri

Campanha: Cuiabá 2018. Entre Nesta Gelada!

By Frango Geraldo

Depois do sucesso da Campanha Si Se Puede, chegou a hora de uma causa muito mais nobre.

Pensem com a gente:

O Brasil pretende investir:
- Mais de 10 BILHÕES de Reais em infraestrutura para a Copa de 2014.
- 29 BILHÕES de Reais para arrumar o Rio de Janeiro para a Olimpíada de 2016.

Sem falar nos R$ 3,6 bilhões “muito bem” gastos nos Jogos Panamericanos do Rio em 2007.

Agora, com o pré-sal, chegou de vez a hora do Brasil dar a guinada rumo ao futuro. Estamos com grana suficiente para acabar com todas as mazelas deste povo tão sofrido. E não é só o pré-sal: nossa força se fez presente ao transformar o tsunami financeiro em marolinha; nossa cervejaria é dona da Bud & Cia ltda; somos os maiores produtores de proteína animal do mundo; a Vale vale seu peso em ouro!

Estes e tantos outros indicadores estão aí para mostrarmos que o Brasil é DEFINITIVAMENTE o país do futuro. E o futuro é agora!

Então vamos à campanha que vai mudar este país:



Vamos a uma proposta concreta para fazer todos os males irem para bem longe. Afinal, temos grana de sobra para fazer festa em 2014, 2016 e, agora, em 2018.

Não tem nada que 50 bilhões de Reais não resolvam, ou quem sabe um pouquinho mais.



Os Jogos Olímpicos com uma nova cara. Uma nova era para os esportes de inverno: AC/DC (antes de Cuiabá; depois de Cuiabá).

Vamos mostrar que, por uma grande festa, não há nada que o governo brasileiro não faça.



Cuiabá 2018. Entre nessa gelada!

*Povo Mato-Grossense, contamos com vocês para fazer esta campanha dar certo. Afinal, Jogos Olímpicos se decidem assim, com a vontade do povo!

Deus é o Baú da Felicidade?

Acordei cedo hoje, liguei a TV e lá estava pregando um daqueles pastores convidados pelo Silas Malafaia pra rechear sua madrugada. O seu nome eu nem me lembro, porque fiquei tão aturdido com o que ouvi que fiz questão de ignorá-lo, mas foi o suficiente para prestar atenção na sua "exegese" curiosa do Salmo 37:4 ("Deleita-te no Senhor e Ele concederá o que deseja teu coração"), dizendo que, num "paralelo profético" com este versículo, "Deus financia o seu sonho". Ele repetiu várias vezes a expressão "Deus financia o seu sonho", como se fosse (mais) uma espécie de mantra evangélico para adquirir bens materiais, o que termina por reduzir Deus a um vendedor de consórcio ou carnê do Baú da Felicidade. Isso quando você não é sorteado para ir lá e rodar o pião. Talvez na visão desse povo Deus tenha se tornado uma espécie de CDC - Crédito Direto ao Consumidor, com a vantagem de que não precisa pagar nada, é só ter fé na fé que eles pregam que tá tudo bem. Para eles não existem leis básicas na economia, de que o dinheiro que chega numa ponta tem que necessariamente sair do bolso de alguém, ou ainda que "criar" dinheiro significa aumentar artificialmente a moeda em circulação, o que necessariamente gera inflação, com seus efeitos danosos especialmente à parcela mais pobre da população. Pinçar um versículo fora de contexto é - para eles - uma atitude banal, um reforço ao mantra, uma motivação fictícia de comportamento sugestionado. É a famosa técnica homilética do "se colar, colou". Pouco importa se o versículo 7 do mesmo salmo diz: "descansa no Senhor, e espera nele; não te enfades por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa maus desígnios". Ora, se é pra forçar a adequação da Bíblia - com este salmo - à teologia da prosperidade, o versículo diz que quem prospera é o ímpio, e o justo não deve se preocupar com isso, mas em descansar no Senhor. Obviamente, dentro da atual conjuntura genérica que impera no meio evangélico brasileiro, esta comparação teria que ir para debaixo do tapete, lugar para onde já deve ter ido o senso de ridículo de muita gente. E os crentes decentes e honestos? Deles eles esperam somente que continuem pagando o carnê em dia... graças a Deus que vai chegar o dia dEle rodar o peão...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Grandes canções - 5

Só pra relaxar um pouco, a rainha caboverdiana Cesária Évora
cantando "Amor di Mundo"...





Amor di mundo
Cesaria Evora
Composição: Teofilo Chantré

Nh’amor é doce
Nh’amor é certo
Nh’amor tá longe
Nh’amor tá perto
El ta na nim
‘M ca ta sozim
Ness mundo

Nh’amor ca so di cretcheu
El é amor du criston
Qui ca quré vivé
Na meio di breu

Nh’amor é tudo qu’m tem
El é amor dum irmon
Qu’atè ainda
Ca perdè fê

Tcha’m cantá-bo nh’amor
Ô mundo
Tcha’m canta-bo nh’amor
Pa nô amá

Pa nô amá
Pa nô amá...

Concurso público para pastor

ALERTA: Ao que tudo indica, a notícia abaixo é mais um boato (hoax) que rotineiramente volta à tona na internet, e deve realmente ser melhor apurada, pois não localizei no site da CESP/UnB (a alegada promotora do concurso) nenhuma referência a isso. Como a gente - infelizmente - vê de tudo entre os "evangélicos" do Brasil, não me surpreenderia se alguma "igreja" chegasse a este ponto. Reproduzo abaixo a suposta notícia de autoria de alguém que se denomina "Pura Especulação", no site Fazenda Virtual:


IGREJA UNIVERSAL ABRIRÁ CONCURSO PARA PASTOR: SALÁRIO INICIAL DE R$ 8.234,82

O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB) abrirá o primeiro concurso para pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.

Segundo representante da Universal, o concurso público tem a intenção de recrutar profissionais qualificados para participarem do que chamam de “a grande expansão da Palavra” e a “cultura popular de Deus”. “-Já conquistamos nosso espaço em 172 países. Temos obras sociais espalhadas nos quatro cantos do globo. Precisamos de profissionais não apenas ungidos pelo Espírito Santo e preparados no fogo do Pai das Luzes para cumprir nossa missão evangelizadora, mas também de pastores com conhecimento técnicos para darem continuidade a essa obra tremenda.”, explica, empolgado, o pastor Ricardo Ibrahim, responsável interno da IURD pela organização do concurso.


Adavilson dos Santos, de 23 anos, morador de Guarulhos, pensa em fazer o concurso: “-Estou muito ansioso, sou pastor desde os meus 18 anos e obreiro da minha igreja desde os 11. Colei grau em Teologia ano passado. Sempre estudei bastante. Esta é uma oportunidade muito grande na carreira de qualquer pastor e não vou perdê-la”, vibra o jovem.


As vagas serão abertas para candidatos do sexo masculino com curso superior em quaisquer áreas. Candidatos com Bacharelado em Administração Eclesiástica ou Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Adminstração de Igrejas e disciplinas afins ganham pontos na prova de títulos. O número de vagas não foi divulgado. O salário inicial na investidura do cargo é de R$ 8.234,82 mais benefícios.



Desconstruindo Malafaia

via blog Desconstruindo:

Profetadas a 900 paus

via blog Bereianos

A "bênção financeira" a 900 pilas, propagada por Morris Cerullo no programa de Silas Malafaia é algo tão vergonhoso que não mereceria nem ser mencionada, mas o Pr. Airton Evangelista da Costa fez uma refutação tão simples e lúcida que - essa sim - merece ser divulgada:


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Renove-se!

A vida é curta e no dia-a-dia estressante ou mesmo na rotina de momentos entediantes, nos esquecemos facilmente do nosso chamado – como cristãos – a vivê-la de maneira diferente, em constante renovação. Afinal, mesmo que as misericórdias de Deus sejam novas a cada manhã (Lamentações 3:22-23), permitimos que os cuidados da vida sufoquem o verdadeiro sentido que ela deve ter para com Deus, que consiste em aprendizado e crescimento permanentes. De vez em quando temos insights de que algo em nós mudou, que amadurecemos, que deixamos as coisas antigas para trás, e estamos prontos para (mais) uma nova etapa. A tendência natural humana é acomodar-se à situação, admitir que não é possível mudar e simplesmente conformar-se com as dificuldades. Entretanto, a vida cristã não é algo estático, mas dinâmico, em constante progresso, ainda que isso não signifique o acúmulo de riquezas e benesses que caracterizam a pregação da teologia da prosperidade. Não, não se trata disso. Finalmente entendemos o que Paulo queria dizer ao nos exortar a não nos conformarmos com este mundo, mas nos transformarmos pela renovação da nossa mente, para que assim experimentemos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para nós (Romanos 12:2). Nascemos de novo (João 3:3), nos tornamos novas criaturas (2ª Coríntios 5:17), nos despimos do homem velho (Colossenses 3:9), renovamos as nossas forças (Isaías 40:31), andamos em novidade de vida (Romanos 6:4) e nos esquecemos das coisas que ficaram para trás e avançamos para as que estão adiante (Filipenses 3:13). Vamos sendo constantemente transformados, de glória em glória (2ª Coríntios 3:18), mesmo através dos problemas e dilemas que enfrentamos. Ainda que passemos pelo vale da morte (Salmo 23:4) ou pela angústia (Salmo 91:15), o Senhor está lá conosco, segurando-nos pela mão, os metendo as Suas próprias mãos no barro para nos fazer vasos novos (Jeremias 18:3-6). “Mas agora, ó Senhor, tu é nosso Pai, nós somos o barro e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos” (Isaías 64:7). O nosso Pai, que no final dos tempos fará novas todas as coisas (Apocalipse 21:5), nos permite desde já termos vislumbres do Seu infinito trabalho de renovação das nossas vidas. O Senhor que nos perdoe, mas mesmo que Ele nos convide a cantar um cântico novo (Isaías 42:8-9), nessas horas dá vontade de cantar aquele antigo corinho:

Eu quero ser, Senhor amado.
Como um vaso nas mãos do oleiro.
Quebra a minha vida e faze-a de novo .
Eu quero ser, eu quero ser um vaso novo!

Fé e sacrifícios

Nesses tempos apóstatas em que vivem muitas igrejas evangélicas brasileiras, um dos recursos mais utilizados pelos falsos profetas de ocasião é amealhar dinheiro mediante “sacrifícios” monetários que se sobrepõem à fé exigida por Deus para a salvação do homem. 

Muita gente correta (e incauta) cai nesta cilada, sem atentar para a importância do sacrifício único e vicário (substitutivo) de Jesus Cristo em nosso lugar e nem procuram saber o que realmente significava o sacrifício em tempos ancestrais, não somente bíblicos como também da civilização humana coletivamente considerada.

A mensagem bíblica é que o pecado gera morte e, por isso, deve ser transferido para o sangue do animal (imaginando que estamos falando de Velho Testamento). 

Obviamente, o perdão para o pecado não está no sacrifício em si, mas na fé em que aquele sangue limpa, purifica, o pecado que a pessoa cometeu, daí todas as leis rituais de Levítico. 

Talvez a melhor imagem deste processo todo esteja em Levítico 16, de onde surgiu a expressão "bode expiatório" que usamos até hoje. E Levítico 17:11 fala que a essência da vida está no sangue, versículo usado, por exemplo, pelas testemunhas de Jeová para opor-se à transfusão sanguínea.

Se ao homem moderno choca a ideia do sacrifício do animal que expia os pecados individuais e de um determinado povo, muito mais nos choca a ideia do sacrifício humano, e, no caso específico do cristianismo, do sacrifício do próprio Deus feito homem, em prol da humanidade. 



Como dissemos anteriormente, a ênfase não está no sacrifício em si, mas sim na fé de que aquele sangue derramado perdoa e salva o pecador. 

Deus já havia dito por intermédio do profeta, que "misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos" (Oseias 6:6). 

Jesus comentou este versículo duas vezes (Mateus 9:13 e 12:7), sabendo, na sua onisciência, que Ele próprio seria ofertado em sacrifício pelos nossos pecados. 

E não podemos nos esquecer de que, quando Deus pediu a Abraão que sacrificasse Isaque (Gênesis 22), era também a fé que estava em jogo. 

Afinal, foi a fé de Abraão de que impediu o sacrifício, pois ele cria que, mesmo se sacrificasse seu filho, Deus era capaz de ressuscitá-lo (Hebreus 11:19).

Dito isto, o fato é que existe um certo mistério que envolve o sacrifício de animais, ou mesmo o sacrifício humano de determinadas culturas e civilizações. 

Poderíamos dizer "civilizações passadas", mas se nós observarmos bem, até hoje existe sacrifício humano em muitos países ditos civilizados. A pena de morte é o melhor exemplo. 

Existe pena de morte em países muçulmanos, por exemplo, em que se aplica a "sharia", a lei religiosa. 

Existe também nos EUA, em que a pena de morte é uma espécie de "sacrifício civil" das penas criminais, ou seja, o Estado oferece a vida do criminoso como pagamento pelo seu pecado de ter tirado a vida da vítima. 

E, sejamos sinceros, ¿quantos de nós, por mais que sejamos contra a pena de morte, quando estamos diante de crimes cruéis, como tantos que ocorrem diariamente no Brasil, não sentimos uma vontade enorme, mesmo que passageira, de ver os criminosos pagarem com a própria vida?



Existe, portanto, toda uma relação atávica do ser humano com o sangue. As religiões animistas comprovam isso. As macumbas nas encruzilhadas também. O desejo de vingança idem. 

Mas não só o sangue é que deve ser oferecido em sacrifício. É muito comum, não só no Brasil, que, antes de beberem, as pessoas ofereçam um "gole pro santo". 

Existe, portanto, uma ideia primitiva, atávica, genética talvez, do contato com uma divindade que requer um determinado sacrifício. 

De onde vem isso? Não sabemos... perdeu-se na poeira dos milênios, mas no próprio relato da criação, em Gênesis 3:21, depois do pecado instalado no mundo, Deus faz túnicas de pele para Adão e Eva. 

Ora, para fazer túnicas de pele para ambos foi necessário matar algum animal. E isto gerou desordem num mundo que, até então, vivia na mais perfeita e imperturbável harmonia.

Ainda que esta relação sangue-sacrifício tenda a continuar envolta no mistério, no misticismo, ousamos dizer que o cristianismo é original exatamente por romper com essa tradição humana ancestral e propor um sacrifício único e radical por todos os pecados da humanidade, a crucificação do próprio Deus-homem, que nos permite viver, na plenitude da fé, a graça de sermos salvos em Cristo.

Alguém poderia objetar que tudo isso é apenas simbolismo ou misticismo, mas, por incrível que pareça, não tem nada de místico nisso. 

Certamente que, para nós, cristãos, tudo isto é simbolismo. 

Quando nos referimos ao misticismo, temos em mente esta relação genérica que há entre sangue e sacrifício na maioria das religiões primitivas, ou mesmo em religiões que não exigem sacrifício de animais, como o budismo e hinduísmo, mas em que sempre há algum tipo de oferta aos deuses pelo pecado do ser humano, ou pelo seu "aperfeiçoamento", o que não deixa de ser uma maneira de dizer a mesma coisa.



Por outro lado, alguém pode dizer que Deus instituiu o sacrifício para que a fé do homem fosse, digamos, “colocada” sobre algo mais palpável, o que não deixa de ser uma boa pista, embora pudéssemos fazer apenas algumas suposições.

O fato é que a harmonia do Éden foi quebrada pelo pecado do homem e, ato contínuo, um animal (ou mais) é sacrificado pelo próprio Deus para fazer as túnicas de pele de Adão e Eva (Gênesis 3:21). 

No relato de Caim e Abel, Deus diz que a terra clama pelo sangue derramado (Gênesis 4:9-10). Ao que parece, não havia, até então, nenhum tipo de ritual religioso, pois Gênesis 4 diz o seguinte:
25 Tornou Adão a conhecer sua mulher, e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou.26 A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo, que os homens começaram a invocar o nome do Senhor.
Então, foi somente a partir do momento em que Abel foi substituído por Sete que os homens começaram a invocar o nome do Senhor, ou seja, começaram a identificar-se como uma família especialmente ligada a Deus. 

Sem querer entrar em muitos detalhes sobre isso, chama a atenção o fato da substituição de Abel por Sete preceder um ritual religioso. Talvez essa seja uma figura do que viria a ser o sacrifício substitutivo de Cristo por nós. 

Então, parece que Deus dá valor ao que se pode chamar de “palpável”, e ao que Paulo chama de "sombras das coisas futuras" (Col. 2:17). 



De alguma maneira, estes sacrifícios apontavam para a crucificação de Jesus, mas não era propriamente o palpável que justificava alguém, mas sim a fé no palpável, no caso, no sangue que escorria do altar.

Então o sangue sempre foi um intermediário entre Deus e o homem? Bem, aí entra o livro de Hebreus, o livro todo, mas o capítulo 9 diz o seguinte:
22 E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.23 De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes.
A exceção era feita aos muito pobres, conforme está em Levítico 5:
11 Se, porém, as suas posses não bastarem para duas rolas, ou dois pombinhos, então, como oferta por aquilo em que houver pecado, trará a décima parte duma efa de flor de farinha como oferta pelo pecado; não lhe deitará azeite nem lhe porá em cima incenso, porquanto é oferta pelo pecado;12 e o trará ao sacerdote, o qual lhe tomará um punhado como o memorial da oferta, e a queimará sobre o altar em cima das ofertas queimadas do Senhor; é oferta pelo pecado.13 Assim o sacerdote fará por ele expiação do seu pecado, que houver cometido em alguma destas coisas, e ele será perdoado; e o restante pertencerá ao sacerdote, como a oferta de cereais.
De qualquer maneira, o simbolismo estava presente, bem como a farinha palpável.

Agora, alguém pode objetar novamente se Deus não poderia ter escolhido uma simbologia, digamos, menos macabra...

Esta também é uma excelente pergunta...

Primeiro, temos que entender o que é macabro para nós hoje, pode ser macabro pra mim, pra você, mas talvez não seja pra quem sacrifica um frango na encruzilhada.

O conceito de "macabro" varia de pessoa para pessoa, e de cultura para cultura, mesmo em "tribos" como a dos góticos, por exemplo, que se reúnem em cemitérios. 

Para muitos, isso é, digamos, exótico, mas não macabro, embora tenha quem assim o considere. 

A "farra do boi" e as touradas em Madrid podem parecer macabras para muitos de nós, mas para muitos catarinenses e espanhóis, não é. 

A escravidão era algo considerado normal até o começo do século XIX. A colonização de países africanos por potências europeias era considerada normal até metade do século XX. 

Defender os direitos humanos é algo recente na história da humanidade, e só ganhou força mesmo após a Segunda Guerra Mundial. 

Ainda assim, torturar presos, até nas prisões americanas, é algo ainda considerado "normal" por muita gente. Vide Guantânamo e Abu Graib.

Enfim, cada época e cada civilização tem o seu grau de "normalidade". 

Será que o sacrifício de animais foi a única maneira que Deus encontrou para se relacionar com uma civilização específica, a dos judeus na Palestina de 3.000 anos atrás? Será que era esta a única linguagem que eles entendiam, já que todas as civilizações antigas tinham essa, digamos, relação atávica com o sangue? Não sabemos...talvez tenha sido assim.

Entretanto, Deus deixou claro, várias vezes, que não tinha prazer nos sacrifícios. Davi, por exemplo, diz no Salmo 51:
16 Pois tu não te comprazes em sacrifícios; se eu te oferecesse holocaustos, tu não te deleitarias.17 O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.
E, ainda:
Isaías 1:11 De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes.
E Deus deixa claro que os sacrifícios só foram instituídos cerimonialmente após o êxodo do Egito:
Jeremias 7:
21 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios, e comei a carne.22 Pois não falei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios.
Essas são questões que também intrigam, mas não temos hoje todos os elementos que nos permitam entender como se dava exatamente este relacionamento sacrificial no passado remoto. 

Quando essas questões aparecem, o conforto vem das próprias palavras de Jesus:


João 16:12 Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora.

domingo, 20 de setembro de 2009

Beautiful songs - 4



SUSPICIOUS MINDS

canta: Elvis Presley
compôs: Mark James


We're caught in a trap
I can't walk out
Because I love you too much baby
Why can't you see
What you're doing to me
When you don't believe a word I say?

We can't go on together
With suspicious minds
And we can't build our dreams
On suspicious minds

So, if an old friend I know
Drops by to say hello
Would I still see suspicion in your eyes?
Here we go again
Asking where I've been
You can't see these tears are real
I'm crying

We can't go on together
With suspicious minds
And we can't build our dreams
On suspicious minds

Oh let our love survive
Or dry the tears from your eyes
Let's don't let a good thing die
When honey, you know
I've never lied to you
Mmm yeah, yeah

sábado, 19 de setembro de 2009

Entrevista com um ateu

O vídeo abaixo - Interview with an atheist - foi divulgado há algum tempo atrás, e continua interessante revê-lo. Talvez fosse melhor renomeá-lo "Quando um ateu entende a fé melhor do que muitos cristãos". Seguem abaixo a tradução para o português e a transcrição do áudio em inglês.


Uma Comissão

Eu acho que se você é um cristão verdadeiro, você não considera o Cristianismo só como uma parte da sua vida, ele É a sua vida

Se você segue os ensinos da Bíblia, especificamente Marcos 16:15, que diz "Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas”, então você tem a obrigação de compartilhar aquela fé com os outros...

Uma Obrigação

Se você vîsse um prédio pegando fogo e soubesse que havia pessoas ali... e você soubesse que era capaz de entrar lá e salvar alguém que não fosse capaz de salvar a si mesmo, se você soubesse que você poderia salvá-los, você ficaria parado lá sem fazer nada? E infelizmente, por nãover claramente esse ponto, eu acho que isto é o que muitos cristãos fazem, é o seu padrão.

Uma Omissão


Eu acho com convicção que muito disso é... que... a maioria dos cristãos não são realmente bem educados na sua própria posição religiosa em vários assuntos...

Uma Ignorância

Eles consideram que adorar a Jesus é uma parte das suas vidas mas não o seu propósito principal...

Um propósito

E eu creio que o verdadeiro cristianismo considera isso como seu propósito principal. E se você é um cristão verdadeirovocê acredita que aqueles que não são cristãos, aqueles que não seguem os ensinos da Bíblia, que não aceitaram Jesus Cristo como seu salvador pessoal, aquelas pessoas não vão para o céu, elas vão para o inferno.. e o inferno não é um lugar divertido.

Céu e Inferno

Eu tenho encontrado cristãos que definitivamente vêem que todo mundo tem o direito de ter as suas próprias crenças, e isto não é necessariamente uma má posição, mas se você acredita que aquilo que eles crêem dará a eles um lugar de sofrimento eterno, então existe um problema nisso... em que... você está permitindo que eles sejam torturados pela eternidade enquanto, ao mesmo tempo, você crê que não deveria salvá-los disso... (aí ele faz uma careta).... é muito estranho isso...


Uma crença real


Se você realmente crê que pessoas que não são cristãs vão para o inferno... então... isto é uma conseqüência muito séria...

Uma consequência séria

E se você não leva isso a sério, eu acho que você poderia estar comprometendo o seu próprio sistema de crenças.

Um compromisso


Aqueles que realmente levam a sua fé a sério, eles precisam encorajar ou ensinar aqueles que não o fazem... o quão importante é isso...

Um medo

Algumas vezes eu penso que os cristãos têm medo de serem rotulados como “pancada bíblica”, ou a ter conotações negativas associadas a eles...

Um rótulo

Mas isto não é necessariamente negativo se você é cristão... eu acho que é algo para se ter orgulho... não há nada para envergonhar-se se você é um cristão, sobre a Bíblia, ou por ser um “pancada bíblica”, é algo para se orgulhar, é algo que você leva a sério e é algo que você deveria encorajar outros a levar a sério também...

Uma reação

E isto poderia requerer que você se desafiasse a si mesmo.... você sabe... levantar-se na frente de multidões para falar com pessoas que você não conhece

Um desafio

Os missionários trabalham em lugares onde a religião predominante não é o cristianismo, e isso é um cenário completamente diferente... ahhh..... então... você sabe... em muitos lugares dos Estados Unidos, eles vêem isso como um desafio, o aceitam e seguem adiante...

Uma audácia

Você não deveria encarar a rejeição como algo pessoal, mas considerar que você lhes deu uma chance de lutar...

Uma chance de lutar

Deu-lhes uma chance de lutar pelo céu... ahhh...mesmo que você tenha mesmo que... ahhh... arriscar-se a ofender alguém.... ou arriscar uma amizade.... ahhhh.. é uma simples questão de pesar o que significa isso tudo...


Determinando as prioridades…

Se eu fosse cristão naturalmente eu levaria a Bíblia a sério... eu respeito pessoas que levam a sério suas crenças... e eu levaria o ensino da Bíblia a sério... dentre esses ensinos está a idéia de que há um céu e há um inferno... e aqueles que aceitam a Jesus Cristo como seu salvador pessoal vão para o céu, aqueles que não aceitam, vão para o inferno... e as implicações disso são difíceis de entender...

Um ateu

Entrevistador: E você é ateu…

R: Sim.. Eu certamente sou...




English transcription:

A Comission


I think that if you’re a true Christian, you don’t consider Christianity just a part of your life... it IS your life

If you follow the teachings of the Bible, specifically Mark 16:15 which says “Go ye all into the world, and preach the gospel to the whole creation”, then you have an obligation to share that faith with others…

An Obligation


If you saw a building on fire and you knew there were people in it…and you knew that you were capable of running in there and saving someone who wouldn’t be able to help themselves, if you knew that you could help them, would you just stand there and do nothing? And unfortunately, by not clearly seeing the issue, I think that’s what a lot of Christians do, it’s their standard…

An Ommission


I think by large that most of it is… that… most Christians are not really well educated as to their own religious position on various issues..

An Ignorance


They consider worshiping Jesus to be part of their lives but not their primary purpose.

A purpose

And I believe that true Christianity considers it to be their primary purpose.
And if you’re a true Christian you believe that those who are not Christians, those who have not followed the teachings of the Bible, that have not accepted Jesus Christ as their personal Savior, those people aren’t going to heaven, they’re going to hell…hell is not a funny place.

A heaven and a hell

I have found Christians definitely that have viewed that everyone is entitled to their own beliefs and that is not necessarily a bad position to have, but if you believe that what they believe is going to earn them a place in eternal suffering then there’s a problem with that… in that… you’re allowing them to be tortured for eternity while at the same time believing that you shouldn’t save them from that. (…) it’s very awkward.

A real belief

If you really believe that people who are not Christians are going to hell … then… that’s a very serious consequence.

A serious consequence

And if you don’t take that seriously, I think you might be compromising your own belief system.

A compromise

Those who do take their faith seriously, they need to encourage or teach those who might not… how important that is…

A fear

Sometimes I think that Christians are afraid of being labeled as a “Bible thumper”, or to have negative connotations associated with them…

A label

But that’s not necessarily negative if you’re a Christian.. I think it’s something to be proud of ... there’s nothing to be ashamed of if you’re a Christian, about the Bible, or being a “Bible thumper”, it’s something to be proud of, it’s something that you take seriously and it’s something that you should encourage others to take seriously as well..

A reaction


And it might require you to challenge yourself to… you know… stand up in front of crowds to talk to people that you don’t know…

A challenge

Missionaries work in places where the predominant religion is not Christianity and that’s a completely different scenario…ahh... then… you know… in most parts of the United States they take it in strive, they accept it and they move on

A boldness

You shouldn’t take rejection personally but consider it that you gave them a fighting chance…

A fighting chance


Gave them a fighting chance at heaven…ahh… even if you do have to do .. ahhh.. risk offending someone… or risk a friendship.. ahhh…it’s a simple matter of weigh what it is…

A weighing of priorities

If I were a Christian of course I would take the Bible seriously… I respect people who take their beliefs seriously …and I would take Bible teachings seriously…. among those teachings is the idea that there’s a heaven and there’s a hell … and those who accept Jesus Christ as their personal Savior go to heaven, those who don’t, go to hell … and the implications of that are very far reaching…

An atheist


(OFF): And you’re an atheist…

R: Yes… I sure I am

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

The coolest thing ever

Não sei quanto tempo minha amiga Oprah vai deixar no youtube este video do Black Eyed Peas cantando I Got a Feeling em Chicago, mas vale a pena conferir.... é show!



o vídeo está disponível agora no site da Oprah

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Alegrias do silêncio


"O mundo dos homens vive esquecido das alegrias do silêncio, da paz desfrutada na solidão necessária, até certo ponto, a uma vida humana vivida em plenitude. Nem todos os homens são chamados à vida eremítica, mas todos necessitam de certa dose de silêncio e solidão, para permitir-lhes ouvir, ao menos ocasionalmente, a voz interior profunda do seu verdadeiro "eu". Quando essa voz não é ouvida, quando o homem não consegue atingir a paz espiritual que vem do fato de estarmos em perfeita união com o nosso ser verdadeiro, a vida se torna desgraçada e exaustiva. Pois o homem não pode por muito tempo ser feliz se não se mantiver em contato com as fontes de vida espiritual, ocultas nas profundezas de sua alma. Se vive constantemente alheio ao que em si possui de mais íntimo, exilado da própria morada interior, impossibilitado de se encontrar com a solidão espiritual, deixa de ser uma pessoa. Não vive mais como um ser humano. Nem é mesmo um animal sadio. Torna-se uma espécie de autômato; funciona sem alegria porque perdeu toda espontaneidade. Não é mais movido por dentro, mas apenas do exterior. Não toma as próprias decisões, deixa que os outros o façam. Não age sobre o mundo exterior, consente que este aja sobre ele. É empurrado, atravessando a vida por meio de uma série de choques com forças externas. Sua vida não é mais a de um ser humano, mas a de uma bola de bilhar passiva, de um ser sem finalidade e sem nenhuma correspondência profunda e válida para com a realidade."

(Thomas Merton, 1915-1968, em "A Vida Silenciosa", Ed. Vozes, pág. 153/154)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sic transit gloria mundi

Esta antiga expressão latina significa algo como “a glória do mundo é passageira”, e ao pé da letra seria “assim passa a glória do mundo”, provavelmente inspirado no clássico “A Imitação de Cristo”, de Thomas à Kempis, escrito em 1418, em que consta “O quam cito transit gloria mundi” (“Quão rapidamente a glória do mundo passa”). Nas solenidades de posse do novo papa, até 1963, a procissão parava três vezes para que o mestre de cerimônias dirigisse essas palavras ao romano pontífice. Rituais à parte, o fato é que muita gente aproveitaria melhor a vida – e daria menos valor às aparências - se tivesse um lembrete como esse sempre à vista. Estamos imersos numa era de consumismo desenfreado, em que pessoas e convicções se convertem em objetos descartáveis, tudo com a ilusão de se perpetuar uma situação de conforto na ilusão de que as coisas e os relacionamentos duram para sempre. Salomão diz em Eclesiastes 3:11 que Deus colocou a eternidade no coração do homem, o que talvez explique – mas não justifique – essa busca desenfreada do ter em vez de ser, do poder em vez de obedecer, do amealhar em vez de repartir, como se a aparência de sucesso garantisse uma sobrevida infinita ao ser humano. Como cristão, o que dói mesmo é ver que esta conduta materialista tomou conta de muitas igrejas, como se a fé não mais bastasse e o paraíso tivesse que ser vivido agora e aqui neste mundo, como se isto evitasse o fim que nos espreita e nos espera – quase sempre – inesperadamente. Nesta ânsia de fazer perdurar indefinidamente o que é tão-somente efêmero e transitório, muita gente se esquece de ler a Bíblia, e perde a chance de ver lá que João já dizia: “Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre” (1 João 2:17).

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

"Tomando posse" com Lutero

O Gustavo traduziu diretamente do alemão o Catecismo Menor de Lutero, que pode ser lido clicando aqui. Obra do começo da Reforma Protestante e do século XVI, o Catecismo Menor apresenta de maneira resumida os principais pensamentos de Lutero sobre as questões e os dogmas básicos do cristianismo, mas nem por isso deixa de ser interessante a sua leitura, que demonstra como o pensamento reformado está a anos-luz de distância do que fazem e dizem os pseudo-pastores brasileiros, hoje muito mais preocupados em “tomar posse” de “bênçãos” materiais. Basta uma breve leitura do seu comentário aos 10 mandamentos para verificar que Lutero tinha uma visão muito mais simples, piedosa e responsável do que significa ser cristão. Repare a que tipo de “obter posse” ele dá importância:

O segundo (mandamento)

Não deves pronunciar de forma inútil o nome de teu Deus.

O que é isto? Resposta:

Nós devemos temer e amar a Deus, de forma que nós em Seu nome não amaldiçoemos, juremos, conjuremos magias, mintamos ou enganemos, mas que no mesmo, em todas as dificuldades, clamemos, peçamos, louvemos e agradeçamos.
.........
O sétimo (mandamento)

Não deves roubar.

O que é isto? Resposta:

Nós devemos temer e amar a Deus, de forma que não tomemos o dinheiro e os bens de nosso próximo nem obtenhamos posse através de falsos produtos ou negócios, mas ajudemos ele a melhorar e proteger seus bens e sustentos.
.........
O nono (mandamento)

Não deves cobiçar a casa de teu próximo.

O que é isto? Resposta:

Nós devemos temer e amar a Deus, de forma que não tentemos conseguir com astúcia a herança ou casa de nosso próximo nem obtenhamos posse através de aparência de justiça, mas sermos úteis e funcionais a ele para manter os mesmos.

É claro que a linguagem varia conforme o idioma, local e tempo, mas não deixa de ser curioso notar que “tomar posse” para Lutero tinha um sentido muito mais restritivo, de respeito e de contenção de conduta imprópria para com o próximo, do que propriamente obter alguma vantagem mediante uma suposta fé. Não havia – no seu uso da expressão – qualquer intenção reivindicativa para com Deus, pois tinha plena consciência do temor e da reverência devidos à soberania divina, algo que anda em desuso no meio (dito) evangélico do século XXI. Lamentavelmente.



Compunção

por Thomas Merton:

"Na linguagem do ascetismo medieval, o reconhecimento clarividente e a aceitação madura de nossas próprias limitações chama-se "compunção". A compunção é uma graça espiritual, um conhecimento profundo das profundezas de nossa alma, que, num relance, penetra através das ilusões que temos sobre nós mesmos, põe de lado e varre as dissimulações e sonhos vãos que alimentamos a respeito de nossa pessoa, de maneira a nos vermos tais quais somos. Mas é, ao mesmo tempo, um movimento de amor e liberdade, uma libertação da falsidade, uma aceitação alegre e cheia de gratidão da verdade, com a resolução de viver em contato com a realidade profunda e espiritual que se abre diante de nós: a realidade da vontade de Deus em nossa vida."

(Thomas Merton, 1915-1968, em "A Vida Silenciosa", Ed. Vozes, pág. 108)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O último pajé


A Folha de S. Paulo de 07/09/09 trouxe o relato da visita da jornalista Gabriela Romeu à aldeia Lapetanha, dos índios suruís, a 50km de Cacoal (RO), resumindo o que ocorreu nesses 40 anos de contato com o homem branco, desde o dia 07/09/69. A foto acima retrata o primeiro encontro, e o olhar desconfiado - talvez desolado - do índio parece antever a ruína anunciada. Almir Narayamoga Suruí, de 35 anos, líder de um dos quatro clãs da etnia desabafa: "É uma reflexão de tristeza mesmo. O dia 7 de setembro foi a data em que o Brasil tomou independência e tirou autonomia do povo paiter [como os suruís se denominam]". As doenças trazidas pelos brancos dizimaram metade da tribo só no primeiro ano de contato, e hoje os suruís enfrentam as mesmas dificuldades de sobrevivência que afeta a maior parte dos indígenas brasileiros. Em outra nota, a jornalista comenta sobre a influência religiosa no grupo:




Com "Jesus no coração", último pajé suruí troca pajelança pela Bíblia

DA ENVIADA A CACOAL (RO)

Antes de dormir, o índio Marimop Suruí, 85, hoje frequentador da Igreja Batista, entoa palavras em tupi-monde que lembram uma cantoria. Mas ele faz uma oração que, traduzida pela neta Rebeca Suruí, 15, quer dizer: "Senhor Jesus, eu te agradeço que você veio morreu [sic.] nos nossos pecados, que nós somos pecadores e nós não somos nada. Amém". Ele ora ao lado de Weitan Suruí, 80, uma das cinco mulheres que teve.

Na aldeia Lapetanha está a Igreja Batista Suruí, onde o pastor prega em tupi-monde. O culto começa com uma cantoria, acompanhada de violão. Tropeçando nas palavras, um dos suruís anuncia a leitura de trecho do Evangelho. Os outros (muitos deles que não falam português), folheiam a Bíblia.

Bem à frente está o ex-pajé Pepera Suruí, que não sabe sua idade (cerca de 60 anos), mas pela tatuagem no rosto mostra que é do "tempo dos mais antigos", quando eles "viviam no mato" e tatuavam a pele em rituais de passagem. Ele diz que hoje, em vez de curar com pajelança, ora com a Bíblia por perto. "Parou [a atividade de pajé]. É perigoso o espírito mau. Agora tem Jesus no coração", diz o último pajé suruí, que emenda a frase com uma cantoria evangélica em tupi-monde.



Discussões antropológicas e choques culturais à parte, duas coisas me chamam a atenção nesta notícia. Primeiramente, a preocupação da Igreja em evangelizar esses povos raramente é acompanhada de iniciativas concretas de preservação da sua integridade física e da sua cultura, além da garantia de condições mínimas de sobrevivência no admirável (e – muitas vezes – abominável) mundo novo em que são atirados à própria sorte. Por outro lado, mesmo assim, podemos ver a simplicidade da declaração de fé do índio Marimop Suruí, que consegue sintetizar a mensagem central do evangelho em poucas palavras: "Senhor Jesus, eu te agradeço que você veio morreu [sic.] nos nossos pecados, que nós somos pecadores e nós não somos nada. Amém". É uma pena que esta ingenuidade tão sadia destoe tanto do nosso meio dito civilizado, onde somos obrigados a ver, ouvir e conviver diariamente com verdadeiros mercadores da fé e exterminadores do evangelho. É uma reflexão de tristeza mesmo.



Para mais informações sobre o povo suruí, clique aqui.


A verdadeira estabilidade

Leitura bíblica: Mateus 7:24-27

Versículo-chave: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.” (Mateus 7:24)

Meditação: Como descreveria você uma pessoa estável? No final do Sermão do Monte, Jesus contou uma parábola que exemplifica a pessoa estável, cuja vida estava edificada sobre um fundamento tão firme como a rocha. O homem que construiu sua casa sobre a rocha foi aquele que ouviu as palavras do Mestre e as praticou. Ouvir e praticar é a combinação inseparável do bom caráter.

Todos nós conhecemos gente que não vive o que fala. Nunca sabemos realmente onde se encontram. Jesus é capaz de ajudar-nos a viver a sua mensagem. O resultado dessa vivência é a estabilidade. Toda vez que ousarmos praticar um aspecto do evangelho, ele se torna parte de nosso caráter. Coerência e congruência entre o que cremos e o que fazemos construirão a casa de nossa vida sobre um fundamento sólido.

Esse tipo de estabilidade se demonstrará em nossa aparência, refletir-se-á em nossa voz e se irradiará de nossas convicções. O mundo precisa desesperadamente de cristãos estáveis que saibam quem são, de quem são e o que devem fazer. As tempestades da vida podem levantar-se contra nós, mas não mudaremos. Os ventos de mudança sopram furiosos, mas não caímos. Aquele que é capaz tomou o controle de nossa mente, de modo que podemos pensar os seus pensamentos. Ele domina as nossas emoções de modo a termos calma nas perturbações da vida. Ele dirige a nossa vontade de maneira que podemos descobrir e realizar a sua vontade, e reina em nosso corpo fortalecendo-o com o seu Espírito.

Treinamento e acondicionamento tornam a pessoa estável. A estabilidade começa nas pequenas coisas da vida e nos prepara para as grandes crises.

Pensamento do dia: Ninguém jamais se prepara para a crise em meio a ele. Momento a momento, Cristo está edificando um alicerce inabalável. Que venham tempestades e furacões! Ele é capaz!

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Betânia, meditação de 9 de setembro)

domingo, 6 de setembro de 2009

Cansei! Cansei!

Eu tenho uma opinião que alguns podem considerar radical, mas acho que o pior papel que qualquer pessoa pode desempenhar na vida é o de vítima. Claro que todos passamos por momentos difíceis, e a tentação de nos apresentarmos como vítima para os outros é grande demais e, muitas vezes, difícil de evitar. O caso piora quando nos fazemos de vítimas para nós mesmos, e como na música de Cauby Peixoto, cantamos "chorei até ficar com dó de mim". Ainda é possível agravar um pouco mais quando o cristão se faz de vítima, como se o sacrifício de Jesus em seu lugar não lhe bastasse.

Pois bem, alertado pelo blog Genizah, assisti o programa de Marco Feliciano agora há pouco, às 13 horas deste domingo, 6 de setembro de 2009, em que ele havia prometido fazer algumas revelações. Dizendo-se cansado das críticas que recebe, listou um monte de pastores, bispos e apóstolos, alguns com ficha corrida e condenação criminal, outros acusados de heresias graves pela própria denominação que representava, como Ouriel de Jesus, que segundo Feliciano, o havia ordenado pastor em Boston, já que ninguém da Assembléia de Deus se dispunha a isso no Brasil. Enfim, nada de novo no front, é tudo só autovitimização. O fundo musical do programa já dizia tudo. Primeiro, a trilha sonora do filme Gladiador, depois uma música melosa, dessas de dramas chorosos de Hollywood. A única coisa que Marco Feliciano fez foi desempenhar o papel de vítima de uma suposta perseguição das pessoas sérias que vivem o cristianismo sério e o veem ser solapado pelos falsos profetas que infestam esta nação. Alem da paranoia, Feliciano só viu virtudes nos outros líderes polêmicos que mancham seguidamente o testemunho cristão neste país. Talvez também tenha problemas de visão ou de entendimento do que lê, vê e ouve. Por fim, lembrou de uma tentativa (ou pensamento mórbido) de suicídio que lhe ocorreu, quando quis chocar o carro a 220km/h na traseira de um caminhão. Desacelere, Feliciano! A Igreja brasileira seria poupada de grandes problemas se na traseira deste caminhão estivesse escrito:



sábado, 5 de setembro de 2009

Quotas, pra que te quero?

A questão da política das quotas raciais inspira debates apaixonados, geralmente na base da argumentação rasa e rasteira, em que preconceitos são expostos como verdades insofismáveis, prejudicando a análise séria e responsável dos problemas que lhe são subjacentes. 

Por isso, de imediato, preciso me identificar como branco e defensor da política de quotas (também conhecida como “ação afirmativa”), para que os eventuais leitores deste texto possam ter um parâmetro para começar a conversa. 

Entretanto, também entendo que esta política tem um caráter transitório e pode e deve ser aprimorada. O que não pode acontecer é que se negue peremptoriamente que existe desigualdade social-racial e péssima distribuição de renda no Brasil. 

O problema existe. Ponto. Agora, o que fazer para resolvê-lo? Alguns, como eu, entendem que a ação afirmativa é um caminho que pode ser seguido. Outros preferem deixar tudo como está.

Instigado pelo meu amigo Moisés, que postou o artigo da Veja no Forum Atos, fiquei sabendo que Demétrio Magnoli lançou um livro chamado “Uma Gota de Sangue – História do Pensamento Racial”. 

Será muito difícil, mas tentarei não descer ao nível do Magnoli quando ele debate, que sempre parte para a argumentação ad hominem, em que sempre diz que o seu eventual adversário só diz “bobagens”, o que já revela de antemão com que tipo de pessoa estamos lidando. 

Como não lerei o livro, porque já conheço a figura e sei o que vai dizer, vou me basear no artigo laudatório da Veja, que classifica a obra como um “esforço de pesquisa histórica monumental”, naquele velho esquema de “louva-aqui-louva-ali” que o neoconservadorismo brasileiro se especializou. 

Se já não saíram, devem estar no forno artigos baba-ovo da Folha, do Estadão, e do(a) Globo e suas filiadas, tudo no estilo “levanta a bola que eu cabeceio” que apresenta e promove as ideias de seus arautos como as coisas mais geniais que o homem foi capaz de produzir.

Reportando-me ao artigo em questão, quatro falácias saltam à vista do leitor mais atento. São quatro erros crassos na argumentação contra a política de quotas que analiso aqui e que se repetem rotineiramente no discurso de quem a combate:

1) em primeiro lugar, o título já diz tudo: “Queremos dividir o Brasil?”. Ora, o Brasil já está dividido há muito tempo, e as iniciativas atuais vão na direção de resolver este problema. Logo, Magnoli e Veja negam, de antemão, que o problema já existe e invertem o antecedente pelo consequente, ou seja, dizem que não existe problema racial no Brasil e a política de quotas é que vai promovê-la. Acabaram de criar a argumentação motoniveladora: passe por cima do problema para negar que ele existe. Segue a mesma linha de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo, e responsável pelo Jornal “Somos Todos Brancos” Nacional, que teve a coragem de escrever um livro dizendo que não há racismo no Brasil. Lamentavelmente, não há posição mais racista do que negar que ele existe.

2) a argumentação de Magnoli faz de tudo para mostrar – sem dizer - que nada do que foi feito até agora pode resolver a questão racial. Tudo o que aconteceu até os anos 60, passando pela Segunda Guerra, as diferentes correntes que se formaram, pró e contra, não foram suficientes para dirimir o problema. Logo, nenhuma ação concreta pode ser tomada pelo governante do século XXI para pelo menos tentar resolvê-lo. Melhor deixar tudo como está. Nas entrelinhas, o que ele está dizendo é que o ser humano é racista por natureza, e nada pode ser feito para demovê-lo dessa triste sina. Numa paráfrase bizarra de Rousseau, seu mote é que “o homem é naturalmente racista, e a sociedade deve mantê-lo assim, mas pelo menos neguemos que o racismo existe”.

3) Veja associa políticas raciais à ideologia. Sim, claro que é ideologia, como tudo na vida, Cazuza já o dizia. Só que a ideologia dominante do neoconservadorismo diz que não deve haver ações afirmativas. Logo, para defenderem sua ideologia, impingem ideologia à iniciativa que querem derrubar. Percebeu? Não há problema algum em ser ideológico, afinal todos nós seguimos uma ideologia, independentemente de nos darmos conta disso. Por sinal, os textos de Magnoli estão sempre disponíveis no site do Democratas, aquele partido bonzinho, ex-PFL, que nunca quis quotas de governo e de poder para si. É curioso que eles citem Obama como “mestiço”, o mesmo Obama que se beneficiou da ação afirmativa norte-americana e chegou à Presidência daquele país.

4) Agora, o que impressiona mesmo é que não há no texto uma só referência a John Rawls, o grande filósofo americano precursor das ações afirmativas. Faça uma pesquisa complicada no Google, com as expressões – em português - “John Rawls”, “teoria da justiça” e “ação afirmativa”, que dessa miscelânea toda vão sair 3.390 resultados (!!!). Pois é, mesmo assim, nem Magnoli nem a Veja conseguiram citar uma só vez o “papa” da ação afirmativa, John Rawls, em seu artigo, alguém que qualquer estudante de Filosofia e de Teoria Geral do Direito conhece muito bem. Era de se esperar que um "intelectual monumental" soubesse de quem se trata. Não seja por isso; para ter uma ideia básica de quem foi ele e o que ele ensinava, basta acessar este site aqui ou baixar este arquivo em .pdf, que dão uma idéia muito boa do que significam os seus trabalhos para a atual política de quotas. E ainda o subtítulo do livro de Magnoli é “História do Pensamento Racial”. Então tá!

É claro que muitas contribuições podem ser dadas no sentido de se resolver os graves problemas de desigualdade racial, social e de distribuição de renda no Brasil, mas que pelo menos as pessoas tenham o bom senso de não esconder o seu preconceito atrás de opiniões rasas e rasteiras, em seus lindos discursos de meias-verdades, apenas para manterem os seus privilégios. Para eles, é muito melhor deixar tudo do jeito que está, sem nenhuma mudança, para que continuem usufruindo de todas as benesses do achatamento e da falta de oportunidades da população pobre e negra. Ação afirmativa tem a ver com nivelamento de oportunidades, assegurar a todas as pessoas o livre acesso a todas as possibilidades de crescimento social, cultural e profissional. Nenhuma política de quotas é perfeita, nem pode ser duradoura. Deve ser constantemente reavaliada e calibrada. Permitam que o porão e o térreo possam chegar ao andar de cima.

Ninguém é obrigado a engolir a argumentação pró-quotas goela abaixo, mas tem pelo menos o ônus de se lhe opor de maneira consistente e intelectualmente honesta, apresentando alternativas melhores para eliminar a desigualdade racial e promover a redistribuição equitativa de renda. E por falar nisso, gaste o seu rico dinheirinho em outra coisa mais útil. Ao que tudo indica, ler o livro de Magnoli pode ser uma monumental perda de tempo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Dilma na roda de fogo


Você pode até não gostar da Dilma Roussef e do PT, mas, cá entre nós, ficar na roda pra receber oração de Estevam e Sonia Hernandes, Robson Rodovalho e Marcelo Crivella não é pra qualquer um não, né não?!

Há fotos que valem por mil palavras, então façamos uma enquete sobre a imagem acima, que está na primeira página dos principais jornais do país hoje. O que Dilma está pensando?

(a) o que a gente não é capaz de fazer pra se eleger...
(b) me engana que eu gosto...
(c) é cada roubada que a gente entra...
(d) cadê o Renê Terra Nova e a Ana Paula Valadão?
(e) preciso lembrar de mandar um Grecin 2000 pro Estevam
(f) será que o Crivella chupou limão?
(g) não fico tranquila com este olhar do Rodovalho aqui atrás
(h) vou montar uma igreja pra mim...
(i) se nada der certo, vou ser missionária em Boca Raton

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Liberando as resoluções

Nesses tempos bicudos, em que "pastores" só querem saber de "decretos", "liberações" e "determinações", o melhor mesmo é lembrar das Resoluções de Jonathan Edwards (1703-1758), de um tempo em que pastor de verdade tinha preocupações muito menos mundanas:




Estando ciente de que sou incapaz de fazer qualquer coisa sem a ajuda de Deus, humildemente Lhe rogo que, através de Sua graça, me capacite a cumprir fielmente estas resoluções, enquanto elas estiverem dentro da Sua vontade, em nome de Jesus Cristo.

Lembra de ler estas resoluções uma vez por semana.

1. Resolvi que farei tudo aquilo que seja para a maior glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e agrado, durante todo tempo de minha peregrinação, sem nunca levar em consideração o tempo que isso exigirá de mim, seja agora ou pela eternidade fora. Resolvi que farei tudo o que sentir ser o meu dever e que traga benefícios para a humanidade em geral, não importando quantas ou quão grandes sejam as dificuldades que venha a enfrentar.

2. Resolvi permanecer na busca contínua de novas maneiras para poder promover as resoluções acima mencionadas.

3. Resolvi arrepender-me, caso eu um dia me torne menos responsável no tocante a estas resoluções, negligenciando uma ínfima parte de qualquer uma delas e confessar cada falha individualmente assim que cair em mim.

4. Resolvi, também, nunca negar alguma maneira ou coisa difícil, seja no corpo ou na alma, menos ou mais, que leve à glorificação de Deus; também não sofrê-la se tiver como evitá-la.

5. Resolvi jamais desperdiçar um só momento do meu tempo; pelo contrário, sempre buscarei formas de torná-lo o mais proveitoso possível.

6. Resolvi viver usando todas minhas forças enquanto viver.

7. Resolvi jamais fazer alguma coisa que eu não faria, se soubesse que estava vivendo a última hora da minha vida.

8. Resolvi ser a todos os níveis, tanto no falar como no fazer, como se não houvesse ninguém mais vil que eu sobre a terra, como se eu próprio houvesse cometido esses mesmos pecados ou apenas sofresse das mesmas debilidades e falhas que todos os outros; também nunca permitirei que o tomar conhecimento dos pecados dos outros me venha trazer algo mais que vergonha sobre mim mesmo e uma oportunidade de poder confessar meus próprios pecados e miséria a Deus.

9. Resolvi pensar e meditar bastante e em todas as ocasiões sobre minha própria morte e sobre circunstâncias relacionadas com a morte.

10. Resolvi, sempre que experimentar e sentir dor, relacioná-la com as dores do martírio e também com as do inferno.

11. Resolvi que sempre que pense em qualquer enigma sobre a salvação, fazer de tudo imediatamente para resolvê-lo e entendê-lo, caso nenhuma circunstância me impeça de fazê-lo.

12. Resolvi, assim que sentir um mínimo de gratificação ou deleite de orgulho ou de vaidade, eliminá-lo de imediato.

13. Resolvi nunca cessar de buscar objectos precisos para minha caridade e liberalidade.

14. Resolvi nunca fazer algo em forma de vingança.

15. Resolvi nunca sofrer nenhuma das mais pequenas manifestações de ira vinda de seres irracionais.

16. Resolvi nunca falar mal de ninguém, de forma tal que afete a honra da pessoa em questão, nem para mais nem para menos honra, sob nenhum pretexto ou circunstância, a não ser que possa promover algum bem e que possa trazer um real benefício.

17. Resolvi viver de tal forma como se estivesse sempre vivendo o meu último suspiro.

18. Resolvi viver de tal forma, em todo o tempo, como vivo dentro dos meus melhores padrões de santidade privada e daqueles momentos que tenho maior clarividência sobre o conteúdo de todo o evangelho e percepção do mundo vindouro.

19. Resolvi nunca fazer algo de que tenha receio de fazer uma hora antes de soar a última trombeta.

20. Resolvi manter a mais restrita temperança em tudo que como e tudo quanto bebo.

21. Resolvi nunca fazer algo que possa ser contado como justa ocasião para desprezar ou mesmo pensar mal de alguém de quem se me aperceba algum mal.

(Resoluções 1 a 21 foram escritas em New Haven em 1722)

22. Resolvi esforçar-me para obter para mim mesmo todo bem possível do mundo vindouro, tudo quanto me seja possível alcançar de lá, com todo meu vigor em Deus – poder, vigor, veemência, violência interior mesmo, tudo quanto me seja possível aplicar e admoestar sobre mim de qualquer maneira que me seja possível pensar e aperceber-me.

23. Resolvi tomar ação deliberada e imediata sempre que me aperceber que possa ser tomada para a glória de Deus e que possa devolver a Deus Sua intenção original sobre nós, Seu desígnio inicial e Sua finalidade. Caso eu descubra, também, que em nada servirá a glória de Deus exclusivamente, repudiarei tal coisa e a terei como uma evidente quebra da quarta resolução.

24. Resolvi que, sempre que encetar e cair por um caminho de concupiscência e mau, voltar atrás e achar sua origem em mim, tudo quanto origina em mim tal coisa. Depois, encetar por uma via cuidadosa e precisa de nunca mais tornar a fazer o mesmo e de orar e lutar de joelhos e com todas as minhas forças contra as origens de tais ocorrências.

25. Resolvi examinar sempre cuidadosamente e de forma constante e precisa, qual a coisa em mim que causa a mínima dúvida sobre o verdadeiro amor de Deus para direcionar todas as minhas fortalezas contra tal origem.

26. Resolvi abater tais coisas, a medida que as veja abatendo minha segurança.

27. Resolvi nunca omitir nada de livre vontade, a menos que essa omissão traga glória a Deus; irei, então e com frequência, rever todas as minhas omissões.

28. Resolvi estudar as Escrituras de tal modo firme, preciso, constante e frequente que me seja tornado possível e que me aperceba em mim mesmo de que estou crescendo no conhecimento real das mesmas.

29. Resolvi nunca ter como uma oração ou petição, nem permitir que passe por oração, algo que seja feito de tal maneira ou sob tais circunstâncias que me possam privar de esperar que Deus me atenda. Também não aceitarei como confissão algo que Deus não possa aceitar como tal.

30. Resolvi extenuar-me e esforçar-me ao máximo de minha capacidade real para, a cada semana, ser levado a um patamar mais real de meu exercício religioso, um patamar mais elevado de graça e aceitação em Deus, do que tive na semana anterior.

31. Resolvi nunca dizer nada que seja contra alguém, exceto quando tal coisa se ache de pleno acordo com a mais elevada honorabilidade evangélica e amor de Deus para com a sua humanidade, também de pleno acordo com o grau mais elevado de humildade e sensibilidade sobre meus próprios erros e falhas e de pleno acordo àquela regra de ouro celestial; e, sempre que disser qualquer coisa contra alguém, colocar isso mesmo mediante a luz desta resolução convictamente.

32. Resolvi que deverei ser estrita e firmemente fiel à minha confiança, de forma que o provérbio 20:6 “ Mas, o homem fiel, quem o achará? ” não se torne nem mesmo parcialmente verdadeiro a meu respeito.

33. Resolvi, fazer tudo que poderei fazer para tornar a paz acessível, possível de manter, de estabelecer, sempre que tal coisa nunca possa interferir ou inferir contra outros valores maiores e de aspectos mais relevantes. 26 de Dezembro de 1722

34. Resolvi nada falar que não seja inquestionavelmente verídico e realmente verdadeiro em mim.

35. Resolvi que, sempre que me puser a questionar se cumpri todo meu dever, de tal forma que minha serenidade e paz de espírito sejam ligeiramente perturbadas através de tal procedimento, colocá-lo diante de Deus e depois verificar como tal problema foi resolvido. 18 de Dezembro 1722

36. Resolvi nunca dizer nada de mal sobre ninguém que seja, a menos que algum bem particular nasça disso mesmo. 19 de Dezembro de 1722

37. Resolvi inquirir todas as noites, ao deitar-me, onde e em quais circunstancias fui negligente, que atos cometi e onde me pude negar a mim mesmo. Também farei o mesmo no fim de cada ano, mês e semana. 22 e 26 de Dezembro de 1722

38. Resolvi nunca mais dizer nada, nem falar, sobre algo que seja ridículo, esportivo ou questão de zombaria no dia do Senhor. Noite de Sábado, 23 de Dezembro de 1722

39. Resolvi nunca fazer algo que possa questionar sobre sua lealdade e conformidade à lei de Deus, para que eu possa mais tarde verificar por mim se tal coisa me é lícito fazer ou não. A menos que a omissão de questionar me seja tornada lícita.

40. Resolvi inquirir cada noite de minha existência, antes de adormecer, se fiz as coisas da maneira mais aceitável que eu poderia ter feito, em relação a comer e beber. 7 de Janeiro de 1723

41. Resolvi inquirir de mim mesmo no final de cada dia, de cada semana, mês e ano, onde e em que áreas poderia haver feito melhor e mais eficazmente. 11 de Janeiro 1723

42. Resolvi que, com frequência renovarei minha dedicação de mim mesmo a Deus, o mesmo voto que fiz em meu bptismo, o qual recebi quando fui recebido na comunhão da igreja e o qual reassumo solenemente neste dia 12 de Janeiro, 1722-23.

43. Resolvi que a partir daqui, até que eu morra, nunca mais agirei como se me pertencesse a mim mesmo de algum modo, mas inteiramente e sobejamente pertencente a Deus, como se cada momento de minha vida fosse um normal dia de culto a Deus. Sábado, 12 de Janeiro de 1723.

44. Resolvi que nenhuma área desta vida terá qualquer influencia sobre qualquer de minhas ações; apenas a área da vivência para Deus. E que, também, nenhuma ação ou circunstância que seja distinta da religião seja a que me leve a concretizar. 12 de Janeiro de 1723

45. Resolvi também que nenhum prazer ou deleite, dor, alegria ou tristeza, nenhuma afeição natural, nem nenhuma das suas circunstâncias co-relacionadas, me seja permitido a não ser aquilo que promova a piedade. 12 e 13 de Janeiro e 1723

46. Resolvi nunca mais permitir qualquer medida de qualquer forma de inquietude e falta de vontade diante de minha mãe e pai. Resolvi nunca mais sofrer qualquer de seus efeitos de vergonha, muito menos alterações de minha voz, motivos e movimentos de meu olhar e de ser especialmente vigilante acerca dessas coisas quando relacionadas com alguém de minha família.

47. Resolvido a encetar tudo ao meu alcance para me negar tudo quanto não seja simplesmente disposto e de acordo com uma paz benévola, universalmente doce e meiga, repleta de quietude, hábil, contente e satisfeita em si mesma, generosa, real, verdadeira, simples e fácil, cheia de compaixão, industriosa e empreendedora, cheia de caridade real, equilibrada, que perdoa, formulada por um temperamento sincero e transparente; e também farei tudo quanto tal temperança e temperamento me levar a fazer. Examinarei e serei severo e acutilante nesse exame cada semana se por acaso assim fiz e pude fazer. Sábado de manhã, 5 Maio de 1723

48. Resolvi a, constantemente e através da mais acutilante beleza de caráter, empreender num escrutínio e exame minucioso e muito severo, para constatar e olhar qual o estado real de toda a minha alma, verificando por mim mesmo se realmente mantenho um interesse genuíno e real por Cristo ou não; e que, quando eu morrer não tenha nada de que me arrepender a respeito de negligências deste tipo. 26 de Maio de 1723

49. Resolvi a que tal coisa (de não ter afeto por Cristo) nunca aconteça, se eu a puder evitar de alguma maneira.

50. Resolvi que, sempre agirei de tal maneira, que julgarei e pensarei como o faria dentro do mundo vindouro apenas. 5 de Julho de 1723

51. Resolvi que, agirei de tal forma em todos os sentidos, como iria desejar haver feito quando me achasse numa situação de condenação eterna. 8 de Julho de 1723

52. Eu, com muita frequência, ouço pessoas duma certa idade avançada falarem como iriam viver suas vidas de novo caso lhes fosse dada uma segunda oportunidade de a tornarem a viver. Eu resolvi viver minha vida agora e já, tal qual eu fosse desejar vivê-la caso me achasse em situação de desejar vivê-la de novo, como eles, caso eu chegue a uma sua idade avançada como a sua. 8 de Julho de 1723

53. Resolvi apetrechar e aprimorar cada oportunidade, sempre que me possa achar num estado de espírito sadio e alegremente realizado, para me atirar sobre o Senhor Jesus numa reentrega também, para confiar nEle, consagrando-me a mim mesmo inteiramente a Ele também nesse estado de espírito; que a partir dali eu possa experimentar que estou seguro e assegurado, sabendo que persisto a confiar no meu Redentor mesmo assim. 8 de Julho de 1723

54. Sempre que ouvir falar algo sobre alguém que seja digno de louvor e dignificante e o possa ser em mim também, resolvi tudo encetar para conseguir o mesmo em mim e por mim. 8 de Julho de 1723

55. Resolvi tudo fazer como o faria caso já tivesse experimentado toda a felicidade celestial e todos os tormentos do inferno. 8 de Julho de 1723

56. Resolvi nunca desistir de vencer por completo qualquer de minhas veleidades corruptas que ainda possam existir, nem nunca tornar-me permissivo em relação ao mínimo de suas aparências e sinais, nem tão pouco me desmotivar em nada caso me ache numa senda de falta de sucesso nessa mesma luta.

57. Resolvi que, quando eu temer adversidades ou maus momentos, irei examinar-me e ver se tal não se deve a: não ter cumprido todo meu dever e cumprir a partir de então; e permitir que tudo o mais em minha vida seja providencial para que eu possa apenas estar e permanecer inteiramente absorvido e envolvido com meu dever e meu pecado diante de Deus e dos homens. 9 de Junho e 13 de Julho de 1723

58. Resolvi a não apenas extinguir nem que seja algum leve ar de antipatia, simpatia fingida que encobre meu estado de espírito, impaciência em conversação, mas também e antes poder exprimir um verdadeiro estado de amor, alegria e bondade em todos os meus aspectos de vida e conversação. 27 de Maio e 13 de Julho de 1723

59. Resolvi que, sempre que me achar consciente de provocações de má natureza e de mau espírito, que me esforçarei para antes evidenciar o oposto disso mesmo, em boa natureza e maneira; sim, que em tempos tal qual esses, manifestar a boa natureza de Deus, achando, no entanto, que em algumas circunstâncias tal comportamento me traga desvantagens e que, também, em algumas outras circunstâncias, seja mesmo imprudente agir assim. 12 de Maio, 2 e 13 de Julho

60. Resolvi que, sempre que meus próprios sentimentos comecem a comparecer minimamente desordenados, sempre que me tornar consciente da mais ligeira inquietude interior, ou a mínima irregularidade exterior, me submeterei de pronto à mais estrita e minuciosa examinação e avaliação pessoal. 4 e 13 de Julho de 1723

61. Resolvi que a falta de predisposição nunca me torne relaxado nas coisas de Deus e que nunca consiga retirar minha atenção total de estar plenamente fixada e afixada só em Deus, exista a desculpa que existir para me tentar; tudo que a fala de predisposição me instiga a fazer, abre-me o caminho do oposto para fazer. 21 de Maio e 13 de Julho de 1723

62. Resolvi a nunca fazer nada a não ser como dever; e, depois, de acordo com Efésios 6:6-8, fazer tudo voluntariosamente e alegremente como que para o Senhor e nunca para homem; “ Sabendo que cada um, seja escravo, seja livre, receberá do Senhor todo bem que fizer”. 25 de Junho e 13 de Julho 1723

63. Supondo que nunca existiu nenhum indivíduo neste mundo, em nenhuma época do tempo, que nunca haja vivido uma vida cristã perfeita em todos os níveis e possibilidades, tendo o Cristianismo sempre brilhante em todo o seu esplendor, e parecendo excelente e amável, mesmo sendo essa vida observada de qualquer ângulo possível e sob qualquer pressão, eu resolvi agir como se pudesse viver essa mesma vida, mesmo que tenha de me esforçar no máximo de todas as minhas capacidades inerentes e mesmo que fosse o único em meu tempo. 14 De Janeiro e 3 de Julho de 1723

64. Resolvi que quando experimentar em mim aqueles “gemidos inexprimíveis”, Romanos 8:26, os quais o Apóstolo menciona e dos quais o Salmista descreve como, “ A minha alma se consome de anelos por tuas ordenanças a todo o tempo ”, Salmos 119:20, que os promoverei também com todo vigor existente em mim e que não me “cansarei” (Isaías 40:31) no esforço de dar expressão a meus desejos tornados profundos nem me cansarei de repetir esses mesmos pedidos e gemidos em mim, nem de o fazer numa seriedade contínua. 23 De Julho e 10 de Agosto de 1723

65. Resolvi que, me tornarei exercitado em mim mesmo durante toda a minha vida, com toda a franqueza que é possível, a sempre declarar meus caminhos a Deus e abrir toda a minha alma a Ele: todos os meus pecados, tentações, dificuldades, tristezas, medos, esperanças, desejos e toda outra coisa sob qualquer circunstância. Tal como o Dr. Manton diz em seu sermão nr.27, baseado no Salmo 119. 26 De Julho e 10 de Agosto, 1723

66. Resolvi que, sempre me esforçarei para manter e revelar todo o lado benigno de todo semblante e modo de falar em todas as circunstâncias de toda a minha vida e em qualquer tipo de companhia, a menos que o dever de ser diferente exija de mim que seja de outra maneira.

67. Resolvi que, depois de situações aflitivas, avaliarei em que aspectos me tornei diferente por elas, em quais aspectos melhorei meu ser e que bem me adveio através dessas mesmas situações.

68. Resolvi confessar abertamente tudo aquilo em que me acho enfermo ou em pecado e também confessar todos os casos abertamente diante de Deus e implorar a necessária condescendência e ajuda dele até nos aspectos religiosos. 23 de Julho e 10 de Agosto de 1723

69. Resolvi fazer tudo aquilo que, vendo outros fazerem, eu possa haver desejado ter sido eu a fazê-lo. 11 de Agosto de 1723

70. Que haja sempre algo de benevolente toda vez que eu fale. 17 De Agosto, 1723




Apesar da sua biografia apresentar contrastes dramáticos, estas são, na realidade, apenas algumas facetas diferentes de uma afinidade com um Deus SOBERANO. Assim, Jonathan Edwards tanto pregava sermões vívidos sobre o fogo do inferno, quanto se expressava em poesia e de forma lírica em suas apreciações sobre a natureza, pois o Deus que criou o mundo em toda a sua beleza, também é perfeito em sua santidade. Edwards combinava o exercício mental e intelectual de um gigante com piedade quase infantil, pois ele percebia Deus tanto como infinitamente complexo quanto como maravilhosamente simples. Na sua igreja em Northampton, sua consistente exaltação da majestade divina gerou muitas reacções diferentes — primeiro ele foi exaltado como grande líder e, em seguida, foi demitido do seu púlpito. Edwards sustentava a doutrina de que o Deus onipotente exigia arrependimento e fé das suas criaturas humanas; por isso, ele proclamava tanto a absoluta soberania de Deus quanto as urgentes responsabilidades dos homens.

Original: http://www.jonathanedwards.com/text/Personal/resolut.htm





Tradução livre: José Mateus (Portugal)
Revisado por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Julho/2004
Fonte: site Monergismo


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